O Grande Téia

O GRANDE TÉIA

Nascido em Regente Feijó-SP, em 29.04.1944, Antônio  Zelenkov Silvestre, o TÉIA, teve como primeiro clube a Epitaciana, de  Presidente Epitácio. Antes de ingressar na Ferroviária, defendeu a Bancária de Fernandópolis.

Téia na festa do bicampeonato do interior recebe a faixa e posa com médio volante Bebeto (1968) Fotos: Geraldo Cesarino

 

Um destacado banner no Museu do Futebol e Esportes de Araraquara exibe uma foto do artilheiro, que atuou na Ferroviária de 1965 a  1968.

 

Ao lado da foto, lê-se:

“TÉIA

Artilheiro do Campeonato Paulista de
1968

Antônio Zelenkov, o Téia, atuou em 100
jogos pela Associação Ferroviária de Esportes, nos anos de 1965 a 1968.
Eficiente nas bolas aéreas, Téia teve papel fundamental nas conquistas da
Primeira Divisão de 1966 e do Bicampeonato do Interior em 1967 e 1968.

Com a camisa grená, Téia marcou 61 gols.
Seu grande feito ocorreu no campeonato paulista de 1968, quando superou o rei
Pelé na artilharia do campeonato paulista com 20 gols marcados. Foi o
artilheiro máximo da competição naquele ano.”

 

1968: A primeira vez, desde a criação da Federação Paulista  de Futebol, que o artilheiro não foi de um clube da capital ou do Santos.

OS 20 GOLS DO ARTILHEIRO DO CAMPEONATO PAULISTA DE 1968, TÉIA

1. AFE 2 x 0 Portuguesa Santista, em 28.01.68, aos 22’ do 1º tempo;

2. Guarani 1 x 1 AFE, em 31.01.68, aos 20’do 2º tempo;

3. São Paulo 1 x 2 AFE, em 04.02.68, aos 27’ do 2º tempo;

4. Palmeiras 2 x 1 AFE, em 14.02.68, aos 44’ do 2º tempo;

5. AFE 1 x 4 Santos, em 03.03.68, aos 2’ do 1º tempo;

6. Comercial 1 x 1 AFE, em 10.03.68, aos 37’ do 1º tempo;

7. AFE 1 x 2 XV de Piracicaba, em 20.03.68, aos 3’ do 1º tempo;

8 e 9. AFE 2 x 0 Juventus, em 03.04.68, aos 20’ e 22’ do 2º tempo;

10. XV de Piracicaba 2 x 3 AFE, em 13.04.68, aos 25’ do 2º tempo;

11. Portuguesa Santista 2 x 1 AFE, em 25.04.68, aos 29’ do 1º tempo;

12. AFE 2 x 0 Guarani, em 05.05.68, aos 13’ do 2º tempo;

13. AFE 3 x 0 Comercial, em 08.05.68, aos 4’ do 1º tempo;

14. AFE 3 x 1 São Paulo, em 19.05.68, aos 30” de jogo;

15. São Bento 2 x 2 AFE, em 22.05.68, aos 19’ do 2º tempo;

16. AFE 2 x 1 Portuguesa de Desportos, em 26.05.68, aos 34’ do 2º;

17 e 18.  AFE 3 x 0 Palmeiras, em 29.05.68, aos 18’ e aos 24’ do 1º tempo;

19. Corinthians 1 x 4 AFe, em 01.06.68, aos 2’ do 2º tempo; e

20. AFE 2 x 1 América, em 05.06.68, aos 14’ do 1º tempo.

 

Téia recebe cartão de Prata alusivo à conquista da artilharia do campeonato paulista de 1968 - Foto: Geraldo Cesarino

 

Para se  ter uma idéia da importância dos gols de Téia, eis a campanha da Ferroviária no  Campeonato Paulista de 1968:

J

V

E

D

GP

GC

SG

PG

PP

26

11

8

7

42

31

11

30

22

 

Dos 42  gols assinalados pela Ferroviária, 20 foram de autoria de Téia, o artilheiro  maior do campeonato. Quase a metade deles.

 

Primeiros colocados do Campeonato Paulista de 1968:

1º –  Santos (campeão), 45 p.g.;

2º –  Corinthians, 32;

3º –  Ferroviária, 30

A  Ferroviária sagrou-se, em 1968, bicampeã do Interior.

 

NO SÃO PAULO

Esse  desempenho extraordinário de Zelenkov chamou a atenção da diretoria do São  Paulo FC, que sem perda de tempo tratou de contratar o centroavante artilheiro.

Em 1969,  foram 33 jogos realizados e 15 gols marcados. Caindo de produção, foi ofuscado  com a chegada de Toninho Guerreiro.

Téia no SPFC (1969)

No tricolor, o atacante atuou 60 vezes, com 32 vitórias, 12 empates e 16 derrotas.  Assinalou 19 gols.

FONTES:

Museu do Futebol e Esportes de Araraquara
A Gazeta Esportiva
Almanaque do São Paulo, de Alexandre da Costa, Editora Abril
O Caminho da Bola, de Rubens Ribeiro
Arquivo Pessoal
Texto: Vicente Henrique Baroffaldi
Edição: Paulo Luís Micali

Campeonato Carioca da Série C – Atacante marca oito gols num mesmo jogo

Uma máquina de fazer gols. O pontapé inicial do Campeonato Carioca da Série C começou na tarde deste domingo (11/03/2012), e uma marca histórica já foi quebrada. O atacante Celso, do Queimados Futebol Clube (foto do time posado), simplesmente marcou todos os oito gols da sua equipe. Se três gols o jogador tem direito a pedir música… Imagina o que Celso teria direito?

 

 Quis o destino que no dia de uma marca história, o Estádio Nivaldo Pereira, no Distrito de Austin, em Nova Iguaçu, estava com os seus portões fechados sem o testemunho dos torcedores. Além de uma partida de dez gols, na goleada do Queimados por 8 a 2 sobre o CES Arturzinho, pela 1ª rodada do Grupo A, o atacante Celso se tornou o primeiro jogador a marcar oito gols na Terceirona.

 Os gols de Celso (abaixo), artilheiro da competição, foram marcados aos 10, 14, 16, 23 e 34 minutos do primeiro tempo; e aos 15, 32 e 40 minutos da etapa complementar. Ofuscados, Felipe, aos 42 e Lequinho, aos 45, do segundo tempo, marcaram os tentos de honra para o Arturzinho.

 

 Vale ressaltar que apesar do massacre, o time do CES Arturzinho, jogou futebol de forma limpa. O Queimados soube aproveitar a superioridade técnica de sua equipe e o bom conjunto dado pelo seu treinador, Carlos Alberto.

 O Queimados volta a campo no próximo domingo (18/03/12), quando vai até Curicica, no estádio Eustáquio Marques, para enfrentar o Villa Rio, já o Arturzinho recebe, em casa, o Barra da Tijuca.

Curiosidade

Um fato que chamou a atenção está no escudo do C.E.S. Artuzrzinho, onde há o número 8. O clube é de propriedade do ex-jogador Arturzinho, 55 anos, com passagens por grandes clubes como Fluminense, Inter-RS, Bangu, Vasco da Gama, Corinthians, Botafogo, entre outros, atuava com a camisa 8. Ironicamente, o número de gols marcados pelo Queimados foi justamente oito.


QUEIMADOS           8          X         2          ARTURZINHO

 Local: Estádio Nivaldo Pereira, Nivaldão, no Distrito de Austin, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (RJ)

Horário: 16 horas

Árbitro: João Luiz da Silva Sequeiros

Auxiliares: Thiago Gomes Magalhães e Gláucio Hermano Felix

Cartões amarelos: Rômulo (Queimados) e Fagner, Renan e Lequinho (Arturzinho).

 QUEIMADOS FC: Felipe; Julio César, Ramon e Ronan; Denis, Charles (Gustavo), Ronílson e Celso; Bruninho (Marvim) e Vitor (Felipe Amaral). Técnico: Carlos Alberto.

 CES ARTURZINHO: Yan; Irlan (Renan), Bruno (Uanderson), Fagner e Lucas; Paulo, Pablo, Igor e Michel; Felipe e Léo (Lequinho). Técnico: Gilberto Lopes.

 Gols: Celso, aos 10, 14, 16, 23 e 34 minutos do 1º tempo, e aos 15, 32 e 40 minutos do 2º tempo; Felipe aos 42 minutos e Lequinho aos 45 minutos do 2º tempo

 

Uma chuva de gols

Na primeira rodada do Campeonato Carioca da Série C realizada neste Domingo (11/03/12), foram disputados nove jogos, sendo que em oito deles foram sem a presença dos torcedores: portões fechados. Alguns jogos merecem destaques. Se por um lado faltaram os torcedores, por outro sobraram gols. Nas nove partidas, 39 gols foram marcados, o que dá uma excelente média de 4,3 por jogo.  

 No único jogo com portões abertos para a torcida, o Paduano goleou, em casa, goleou o Rubro Social por 6 a 3 (abaixo), no Estádio Waldo C. Xavier, em Santo Antônio de Pádua.

O domingo também teve dois jogos que terminaram por W.O um foi a do Grêmio Mangaratibense e Serrano (vitória do time de Mangaratiba) e America de Três Rios e Serrano, de Petrópolis (vitória do Serrano). Vale lembrar que  quando o time ganha por W.O o resultado será de 3 a 0 para o vencedor.

Em Três Rios, o W.O. foi decorrente ao fato da ausência do enfermeiro. O trio de arbitragem seguiu o regulamento e após 30 minutos de espera deu a partida por encerrado. Como a ambulância é de responsabilidade da equipe mandante, o América foi declarado perdedor.

No outro W.O. foi em decorrência do não comparecimento do Serrano, de Petrópolis ao jogo contra o Grêmio Mangaratibense, que  foi declarado o vencedor por 3 a 0.   

 Confira todos os jogos da Série C deste domingo

Grupo A: Queimados 8 x 2 Arturzinho; CA Barra da Tijuca 5 x  1União de Marechal; Barcelona 0 x 1Villa Rio. Grupo B: Grêmio Mangaratibense 3×0 Serrano (W.O) – José M. B. Barros; America-TR 0 x 3 Condor (W.O), no Tiezão. Grupo C: Bela Vista 0 x 1 São Gonçalo E.C.; Tanguá 3 x 1 São Gonçalo F.C. Grupo D: AC Apollo 1 x 1 Búzios – H. Barcelos; Paduano 6 x 3 Rubro Social – Waldo C. Xavier.

Próxima rodada (domingo: 18/03/12):

2ª Rodada do Grupo A

Jogo

Data

Dia

Hora

Jogo

Estádio

   

10

18/Mar

Dom

15:00

Arturzinho X

Barra da Tijuca

EC Guanabara

   

11

18/Mar

Dom

15:00

Villa Rio X

Queimados

Eustáquio Marques

   

12

18/Mar

Dom

15:00

União Marechal X

Barcelona

Joaquim A. Flores

   

 

2ª Rodada do Grupo B

Jogo

Data

Dia

Hora

Jogo

Estádio

   

13

18/Mar

Dom

15:00

Serrano

X

São Pedro

Atílio Maroti

   

14

18/Mar

Dom

15:00

Condor

X

Mangaratibense

Cabuçu

   

Folga:

América T. Rios

 

   

 

2ª Rodada do Grupo C

Jogo

Data

Dia

Hora

Jogo

Estádio

   

15

18/Mar

Dom

15:00

S. Gonçalo EC X

Arraial do Cabo

CE Mauá

   

16

18/Mar

Dom

15:00

S. Gonçalo FC X

Bela Vista

Cordeiros

   

Folga:

  Tanguá  

 

2ª Rodada do Grupo D

Jogo

Data

Dia

Hora

Jogo

Estádio

   

17

  18/Mar

Dom

  15:00

Búzios     X

São José

SE Búzios

   

18

  18/Mar

Dom

  15:00

Rubro Social     X

Apollo

Arena Guanabara

   

           Folga:

Paduano  

 

Fotos: Anderson Luiz

Copa Rio Sub-17 – Inter-RS vence o Flamengo por 4 a 3 e conquista o título

 Num jogão de sete gols, o Internacional faturou o seu primeiro título da Copa Rio Sub-17. A principal competição na categoria juvenil teve uma excelente média de gols 4,4 gols por partida (246 gols, em 56 jogos).

 

Clica no link do GloboEsporte.com e veja como foi essa partida eletrizante: http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2012/03/em-jogo-de-sete-gols-inter-vence-o-fla-e-conquista-copa-rio-sub-17.html

As equipes Campeãs

Ano Campeão Vice-campeão
1985 – // –  
1986 Flamengo (RJ)  
1987 Corinthians (SP)  
1988 Atlético Mineiro (MG)  
1989 Botafogo (RJ)  
1990 Botafogo (RJ)  
1991 Flamengo (RJ)  
1992 Botafogo (RJ)  
1993 Santa Tereza (MG)  
1994 Vasco da Gama (RJ)  
1995 Desportiva (ES)  
1996 Flamengo (RJ)  
1997 Vasco da Gama (RJ)  
1998 Flamengo (RJ)  
1999 Botafogo (RJ)  
2000 Flamengo (RJ) Fluminense (RJ)
2001 Fluminense (RJ)  
2002 Vasco da Gama (RJ) Atlético Mineiro (MG)
2003 Atlético Mineiro (MG)  
2004 Flamengo (RJ)  
2005 – // –  
2006 Fluminense (RJ)  
2007 Vasco da Gama (RJ)  
2008 Fluminense (RJ) Flamengo (RJ)
2009 Fluminense (RJ) Madureira (RJ)
2010 Não teve disputa  
2011 Palmeiras (SP) Botafogo (RJ)
2012 Internacional (RS) Flamengo (RJ)

Flamengo é o maior vencedor com Seis títulos; seguido por Botafogo, Fluminense e Vasco da Gama todos com Quatro títulos; Atlético Mineiro (MG) com dois; Internacional de Porto Alegre, Corinthians (SP), Palmeiras (SP), Santa Tereza (MG) e Desportiva (ES) com um caneco.

Al Gharafa, do técnico Leonardo Vitórino próximo de mais um título no Qatar

O Al Gharafa, do técnico Leonardo Vitorino, venceu o clássico diante do Al Ryan, disputado na tarde de sábado (10/03/12), na capital Doha, por 3 a 2, em duelo válido pelo returno do Campeonato Nacional de Base – 2012. A vitória foi bastante emocionante e importante, já que o terceiro gol foi anotado já no minuto final e, com este resultado, o time do brasileiro manteve a liderança, agora isolada, três pontos a frente do próprio Al Ryan.

 “O que mais me deixou feliz, além da vitória, foi o gol sair no último lance da partida, através de uma jogada ensaiada de escanteio. Tínhamos tentado fazer essa jogada em várias partidas e acabou acontecendo em um jogo que nos deu a vitória e nos aproximou da conquista do título”, comemora o brasileiro, que está perto de mais um título no futebol do Qatar.

Este é o quinto ano consecutivo que uma equipe comandada por Leonardo Vitorino chega à reta final de um campeonato com a possibilidade de conquistar o título.

 “Além de conquistar o título, o mais importante é seguir trabalhando em prol do desenvolvimento do futebol de base do Qatar, fazendo com que este país tenha um trabalho de formação de jogadores eficiente e constante, procurando abastecer a categoria principal e, consequentemente, a Seleção Nacional”, concluiu Leonardo, que substituiu Caio Júnior (se transferiu no início deste ano para o Botafogo do Rio).

 

Foto: Divulgação

 

K-League (Coréia do Sul) – Jeonbuk, dos brasileiros Eninho e Luiz Henrique, vence mais uma

O Jeonbuk Hyundai Motors FC, do meio-campista Eninho e do atacante Luiz Henrique, conquistou a segunda vitória no Campeonato Coreano da 1ª Divisão – 2012, a ‘K-League’, neste domingo (11/03/12), ao superar o Daejeon Citizen FC, mesmo atuando fora de casa, por 1 a 0, em confronto válido pela jornada de número dois da primeira fase. O gol solitário foi marcado pelo chileno Hugo Droguett, que fez a sua partida de estreia, aos 40 minutos da etapa complementar.

 Agora, o time dos brasileiros contabiliza seis pontos, decorrentes de dois resultados favoráveis, ocupando a liderança da competição ao lado do Suwon Bluewings e do Ulsan. O jogo foi duro, já que o time da casa jogou com um forte esquema defensivo, fazendo muita ‘cera’ e, em muitos casos, usando o recurso das faltas para brecar o ataque do Jeonbuk.

O Jeonbuk Hyundai, do atacante Luiz Henrique, venceu a segunda e manteve o 100% de aproveitamento no Campeonato Coreano

“O jogo foi difícil, já que o nosso adversário fez uma marcação individual e atuou de forma retrancada o tempo todo, mas fomos premiados com o gol da vitória acontecendo aos 40 minutos da etapa final. Este resultado foi muito importante, pois, vínhamos de uma derrota na Copa dos Campeões da Ásia (AFC Champions League) e conseguimos nos recuperar bem, mesmo atuando desfalcado de alguns jogadores importantes do nosso setor defensivo”, analisa o meio-campista Eninho.

 “Foi mesmo uma partida dura, já que o nosso adversário só se defendeu e fez muita ‘cera’, além de exagerar nas faltas. Mas, o importante foi conquistar os três pontos e levantar o ânimo da equipe, que agora tem uma semana cheia para trabalhar e recuperar os jogadores que estão entregues ao departamento médico”, acrescenta o atacante Luiz Henrique.

 O preparador físico Fábio Lefundes relata que o Joenbuk atuou a parte final do segundo tempo com dez jogadores e, mesmo assim, suportou o ritmo intenso do jogo. “Os atletas que estão jogando mais tempo sentiram um pouco, pela sequencia (Seleção Coreana e Jeonbuk), mas no geral fomos bem. Fizemos um gol aos 40 minutos do segundo tempo e ficamos sem um jogador desde os 30, já que o nosso zagueiro se lesionou e, como já tínhamos feito as três substituições, não pudemos fazer mais uma alteração”, explica o brasileiro.

 “Jogamos contra uma equipe que não queria perder em casa e, desta forma, só se defendeu”, complementa Lefundes.

 O próximo desafio do Jeonbuk Hyundai Motors FC acontece na sexta-feira (16 /03/12), às 19 horas (hora local) e 07 horas (de Brasília), contra o Chunan Dragons, na cidade de Jeonju (COR), pela terceira rodada da fase inicial da ‘K-League’.

 

Foto: Divulgação

 

A era Criciúma Esporte Clube

Não houve bola, jogadores ou mesmo um árbitro na maior batalha já travada no ginásio Colombo Salles. Na noite de 17 de março de 1978, centenas de torcedores do Comerciário sentaram-se no concreto frio das arquibancadas para acompanhar de perto a reunião do Conselho Deliberativo do clube. Dentro da quadra, seguiam-se discussões acaloradas entre quase 80 dos 120 sócios patrimoniais. Eles se preparavam para votar uma controversa proposta do presidente Antenor Angeloni: a mudança de nome do Bacharel. Se aprovada, o Comerciário passaria a ser conhecido como Criciúma daquela noite em diante. “Deu briga na arquibancada. O pau pegou”, recorda-se Osvaldo de Souza, vice-presidente naquela ocasião.

Escudo do Criciúma com as novas cores

Osvaldo, aliás, fazia campanha aberta contra a mudança de nome por considerá-la desnecessária, uma vez que todos os demais clubes da região haviam fechado as portas de seus departamentos de futebol profissional. Na hora do pleito estavam aptos a votar 62 associados, cujas mensalidades estavam em dia. Os favoráveis à mudança para Criciúma Esporte Clube venceram por 37 a 25. Carlos Borba, fundador do clube, garante que o novo nome foi escolhido atendendo a uma exigência da Prefeitura Municipal, que em troca ofereceria isenção fiscal. Num artigo publicado em um jornal local, Carlos afirmava com veemência que o novo Criciúma não poderia utilizar mais os títulos de “mais querido” ou “bacharel da pelota”, nem chamar o estádio Heriberto Hülse de Majestoso.
Osvaldo não concorda com a versão da insenção fiscal. “O (presidente) Antenor era um comercialino doente mas um cara muito avançado. Ele achou que esta seria a solução. Juntava os torcedores todos dos adversários (que fecharam as portas) e saía um time com força”. Além disso, o grupo derrotado na votação teve duas exigências atendidas: a data de fundação e o nome do estádio (Heriberto Hülse) foram preservados. Muitos decanos do Comerciário, porém, nunca mais colocaram os pés no clube. O próprio Osvaldo, participante da leva dos fundadores, precisou de mais de um ano para digerir a mudança. Começava a Era Criciúma.

Fonte: Jornal da Manhã

A EXCURSÃO DO BANGU A.C. em 1984

Histórias pitorescas sempre fizeram parte do Jornal dos Sports desde 1931, quando surgiu. Uma das quais eu mais gosto foi escrita pelo saudoso  Emygdio Felizardo Filho, no qual tive a honra de ter conhecido.

A repotagem saiu em maio de 1984, sobre a excurssão do Bangu Atlético Clube, que na época era uma das forças, não só do futebol carioca como do Brasil.  Vejam a história na íntegra:  

PASMEM. DERAM ATÉ UMA VOLTA NO XERIFE
Foram 30 dias de sofrimento, golpes, explosões, sustos, saudade, falta de dinheiro, alguns momentos de alegria e até um pouco de futebol. Quando os jogadores do Bangu deixaram o Brasil para excursionar pela América Central, certamente não sabiam o que iriam encontrar pela frente. No final, um saldo até bom se levarmos em conta as dificuldades que o time encontrou: duas vitórias, três empates e uma derrota em situação anormal, com a ajuda do árbitro.

A excursão do Bangu já começou tumultuada e com lances pitorescos. O time viajou sem seus dois goleiros – Gilmar e Tião -, porque o primeiro, por engano do computador, não conseguiu passar na polícia federal e não embarcou; o segundo, porque era sua primeira viagem ao exterior e, de brincadeira, para dar um susto no supervisor Catuca, escondeu seu passaporte, sem saber que era preciso visto da Embaixada de Honduras para embarcar. No Aeroporto Internacional, o goleiro acabou sendo impossibilitado de viajar.

Ninguém sabia quando o time jogaria, já que o empresário Elias Zacour não era o responsável pela excursão e sim um dos contatos e todos os integrantes da delegação, que já haviam excursionado com Zacour, foram unânimes ao afirmar que “se ele fosse o responsável, a coisa não teria sido tão desorganizada como foi”.

Pior para o Bangu, que chegou a Tegucigalpa numa quinta-feira e teve que jogar no mesmo dia. Moisés não sabia como fazer para resolver o problema da falta de goleiro. Dois voluntários se apresentaram: Fernandes e Tecão. Moisés optou pelo primeiro, que já havia sido goleiro de futebol de salão. Antes do jogo com a Seleção de Honduras, o pedido do treinador aos demais integrantes do Bangu: “olha aí; rapaziada, quero que vocês me ajudem a gritar para orientar nosso goleiro. A coisa tá preta”.

Até que Fernandes foi bem. Fez defesas sensacionais, e agüentou o resultado de 1 a 0 em favor do Bangu – gol de Marinho, aos 5 minutos – até bem perto do final do jogo, quando não pode defender um chute forte, a queima-roupa. Aos 41 minutos do segundo tempo acabou expulso e Tecão foi para o gol, assegurando o 1 a 1.

No dia seguinte ao da apresentação do Bangu, os jornais de Tegucigalpa destacavam a boa exibição do time brasileiro e principalmente do “goleiro” Fernandes, a quem classificavam, entre outras coisas, de “El Paredón”, “El Gato” e “El Bigodudo”. No sábado, o Bangu enfrentaria novamente a Seleção de Honduras, dessa vez em San Pedro Sula. Moisés ficou novamente em sinuca. Não podia escalar Fernandes na zaga, como era seu pensamento, pois seria um vexame se descobrissem que o time havia viajado sem goleiro e que na verdade “El Paredón” era zagueiro. E nem no gol, já que Tião já havia chegado. Aí conseguiu arranjar uma saída pitoresca: enfaixou um braço e uma perna de Fernandes e disse que ele não poderia jogar por estar contundido. A Imprensa local ficou sem entender nada. Fernandes havia deixado o campo na partida anterior, sem problema algum e o Bangu, na sexta-feira, não havia nem treinado.

O Bangu perdeu de 1 a 0, mas até os jornais locais destacaram a atuação do time brasileiro e criticaram a atuação do árbitro hondurenho, que além de ter expulsado o zagueiro Tecão injustamente, fez tudo para que o time da casa vencesse.

O GOLPE
Três dias depois a delegação viajou para El Salvador, onde, segundo o empresário Oscar Arcas, responsável pela excursão, o time realizaria duas partidas. E aí começaram os problemas. Arcas não pagou as duas cotas dos jogos anteriores e disse que só poderia receber o dinheiro das duas apresentações do Bangu depois da semana santa, já que tudo estava fechado e o cheque que estava em seu poder e que nunca foi visto por ninguém da delegação do Bangu, era de um banco de Miami. Moisés começou a ficar desconfiado, mas deu um crédito de confiança ao empresário.

Havia uma certa apreensão dos jogadores quanto à passagem por EI Salvador.O que eles sabiam daquele país não dava tranqüilidade a ninguém. Guerrilhas, bombas, tiroteios, mortes. Um quadro nada apreciável. Mas ao desembarcarem viram uma imagem bem diferente. Não era possível que um país com tantos problemas internos tivesse um aeroporto tão bonito e moderno como aquele.

A delegação foi recebida por Arimatéia, um paraibano, segurança da embaixada brasileira e que foi de grande utilidade durante os 17 dias que o time ficou em El Salvador. Na chegada, o primeiro sinal de que a coisa estava começando a ficar ruim. Não havia ninguém da federação local para recepcionar o time, nem condução. O jeito foi alugar algumas camionetes para levar a delegação até o Hotel Siesta, um dos mais bonitos de San Salvador.

Os 17 dias em San Salvador só não foram piores graças à cordialidade, presteza e amizade dos funcionários do hotel. A delegação chegou na terça-feira à noite. Na quarta nenhum jornal falava sobre o tal jogo do Bangu com a Seleção de El Salvador. Nem na quinta-feira. Na sexta, a mesma coisa e aí Moisés começou a desconfiar do empresário argentino Oscar Arcas.

– Rubinho – advertiu Moisés ao chefe da delegação -, acho que estão tentando nos dar uma volta. Vamos tomar o cheque logo desse gringo antes que a coisa piore.
Arcas, um verdadeiro contador de estórias, um 171 nato, garantiu que haveria jogo, que estava tudo certo e só não havia propaganda nos jornais por causa da semana santa. Rafael Bolaños, genro de Zacour acreditava também no contador de estórias argentino e fazia tudo para convencer Moisés, que já estava irritado.

Foto: Jornal dos Sports
Seria um dos campos de treinos de San Salvador ?
Deu saudade do Aterro

CATUCA APARECE
Outro personagem aparece em meio a tantos problemas. Sanches, um argentino radicado em El Salvador, técnico de um time de terceira divisão daquele país e que estava encarregado de facilitar as coisas para o Bangu, conseguindo campos para treino e coisas desse tipo. Acontece que ao invés de ajudar, Sanches, a quem os membros da delegação acabaram apelidando de Catuca, acabou atrapalhando tudo. Primeiro arranjou um campo impraticável para o Bangu realizar um jogo-treino contra o seu time, formado por verdadeiros pernas-de-pau, sem nenhum aspecto de jogadores. Uns eram gordinhos demais; outros, franzinos, parecendo mais um bando de flagelados. No campo, nada menos que 15 bueiros, os quais, segundo Sanches (ou Catuca), faziam parte do sistema de drenagem. Moisés preferiu realizar um treino físico. Depois, pensando em agradar os jogadores Sanches, levou todos, num domingo de folga, para uma praia do pacífico, onde, segundo ele, haveria muita diversão.

Foto: Jornal dos Sports
O ônibus atolou na areia. O Lugar era horrível e a saída foi empurrar o mais rápido possível o ônibus para sair daquele local

Foi uma catástrofe. O aspecto do local era terrível. Bêbados caindo pelo meio da rua; barracos velhos caindo aos pedaços; comidas com aspecto de lavagem; urna multidão na areia, com uma aparência horrível e para completar o ônibus que conduzia a delegação ainda atolou na areia. Os jogadores tiveram que empurrar o ônibus para que pudessem sair o mais rápido possível daquele local. Ninguém acreditava no que estava vendo. A praia de Ramos, mesmo nas piores épocas, dava de mil a zero naquilo.

Arimatéia sugeriu que todos fossem para um clube próximo dali, que foi uma das coisas mais bonitas vistas em El Salvador. O clube Atami fica num grande penhasco, é imenso, limpo, com várias piscinas, uma natural e até uma praia particular. Os jogadores foram recepcionados da melhor forma possível e deram início a um grande churrasco, ao som de samba bem brasileiro. Índio, Marcelo, Mococa e Gilmar foram os responsáveis pela percussão, que fez o associado do clube sair da piscina para aplaudir os brasileiros.

Foi um dia inesquecível para todos, e serviu para pelo menos diminuir a saudade que os jogadores sentiam dos familiares.

A essa altura, Oscar Arcas já havia viajado, dizendo que ia até Guatemala, para acertar o jogo contra a seleção local. Ele viajou no sábado à tarde e não se soube de mais nada sobre o argentino vigarista. Rafael Bolaños ficou num beco sem saída. Não sabia mais o que fazer para contornar a situação. Não havia dinheiro, jogo, e nem sinal do empresário.

Ainda bem que a dona do hotel entendeu a situação do Bangu e permitiu que a delegação ficasse por algum tempo. Bolaños ligou para Zacour, que garantiu as passagens de volta e se responsabilizou pelo pagamento das cotas. Mas e as diárias do hotel? Moisés já estava cansado de tanta confusão e uma noite, na pérgula da piscina do hotel, pensativo, resmungava a todo instante: “o que é que os caras no Brasil vão falar quando souberem que eu Moisés, levei uma volta? Não, isso não vai ficar assim. Eu não posso levar uma volta. Vai todo mundo rir de mim”.

JOGO PARA O HOTEL
O técnico que havia levado alguns dólares e por isso estava garantindo os bichos e as diárias dos jogadores, imprensou Bolaños. Queria uma solução. Encontraram uma, não a melhor, mas pelo menos serviria para aliviar a barra. O Bangu jogaria como FAS, campeão de El Salvador, que garantiria o dinheiro da despesa do hotel. Depois, do que sobrasse da renda, pagaria as despesas do jogo e o restante seria dividido. Acontece que a renda não deu nem para pagar as despesas do hotel. O time até que foi bem, mesmo jogando sem seu principal jogador de ataque, o ponta-direita Marinho. O empate de 0 a 0 foi injusto pelo que o Bangu apresentou.

Bolaños mantém, novos contatos. Confirma o jogo com a Seleção da Guatemala, para o dia 4, e acerta outra partida em El Salvador, no dia 1º de maio, dessa vez contra o Aliança, time de massa, e à tarde, o que aumentaria a possibilidade de uma boa arrecadação.

Os jogadores não agüentavam mais de saudades dos familiares, que aumentava a cada dia por causa da falta de jogos. O jeito era sair um pouco da rotina do hotel, dar uma volta por San Salvador, que é uma cidade muito bonita, mas também muito perigosa. Lá até guarda de trânsito anda de metralhadora. Não se vê arma leve na mão de ninguém.

Pelo menos os 17 dias em El Salvador serviram para que os jogadores ficassem conhecendo melhor aquele país. O povo é hospitaleiro, mas está sempre apreensivo. Todos dizem que o perigo está nas fronteiras, onde acontecem os combates. As explosões na capital são poucas, mas sempre dá para se ouvir bem, principalmente à noite. Teve um dia que os guerrilheiros explodiram nada menos que 8 bombas na capital. Os vidros do hotel tremeram, a luz faltou e os jogadores ficaram espantados. O pessoal do hotel, já acostumado com aquilo, tentava tranqüilizar os jogadores.

– Isso não é nada. Tem uma festa aqui perto e estão soltando alguns fogos.
Podia até ser verdade, mas eram os únicos fogos de artifício que conseguiam tirar as estações de rádio do ar, derrubavam postes e cortavam a energia.

A guerra entre os dois partidos – Arena, de extrema direita, partido dos ricos, e PDC, grande favorito – que disputavam a presidência do país, aumentava a cada dia. O medo crescia a cada momento, pois todos já sabiam o que podia acontecer mais próximo da eleição.

MUAMBA, ZONA FRANCA E MUITO RATO
Em El Salvador, o perigo não são os guerrilheiros, que procuram até não fazer mal à população. Sempre que colocam uma bomba, eles se localizam de maneira que possam avisar ao popular que vai passar pelo local para retornar, pois vão explodir um posto. O maior perigo é o próprio exército, que está sempre atento e não pensa duas vezes quando tem que disparar suas metralhadoras contra carros ou pessoas suspeitas, inocentes ou não.

Lá, segundo comentários de alguns salvadorenhos, o rico está sempre esmagando o pobre. Garotos de 15, 16 anos, são vistos transitando tranqüilamente com pesados Fals, fuzil americano de repetição. O exército salvadorenho vai buscar os garotos nos colégios de pobres, fazem uma lavagem cerebral neles e lhes dão uniforme e pesadas armas. Enquanto isso, no colégio dos ricos, ninguém é chamado para o serviço militar.

SUFOCO
Um grupo de jogadores do Bangu passou por uma experiência desagradável na véspera da viagem para a Guatemala. Índio, Fernandes e Aldo resolveram ir até um bar de um guatemalteco, fã do futebol brasileiro, para bater um papo. A conversa rendeu, principalmente porque havia muita música brasileira na casa. Já era mais de meia-noite e o bar fechou as portas, mas o dono não queria que os jogadores fossem embora. Queria mais papo. Em dado momento, uma freada brusca. Três homens muito fortes, vestidos com bermuda, camisa, meia e tênis e carregando duas armas cada um – essas eram leves, se é que se pode chamar a 45 automática disso – resolveram entrar no bar. Quase arrombaram a porta e entraram no peito. Estavam todos bêbados. Os jogadores ficaram espantados, principalmente Índio, que nunca tinha saído do hotel, por ser o mais medroso do time. O dono do bar tentou dizer que estava fechado mas de nada adiantou. Os homens queriam beber e exigiram a bebida nem que para isso tivessem que conseguir na base do tiro.

Os jogadores estavam espantados, sem saber o que fazer. Um dos homens viu o garção com uma faca na mão e pensou que este fosse lhe atacar. Segurou o pulso do garção, que continuou segurando a faca, espantado. O homem, o mais forte e mais bêbado de todos, arrancou a faca à força, abrindo um profundo corte na mão do pobre garção. Depois, quebrou a faca em dois pedaços. isso foi o suficiente para que os jogadores sentissem um gosto de sangue na boca. O segurança da casa, desesperado, bateu em retirada, deixando os demais entregues à própria sorte.

O dono do bar tentava aparentar tranqüilidade, mas estava mais nervoso que os jogadores, que eram os únicos fregueses da casa. Para sair, eles teriam que passar pelos homens armados. Quando começaram a falar que iam embora, o dono da casa apelou, resolveu dar cerveja de graça para os jogadores, com a intenção de forçá-los a ficar lá dentro. Os jogadores não queriam cerveja e os homens, a cada momento, se alteravam mais.

– E agora? – disse Índio. Como é que vamos sair daqui?

– Vamos sair logo, pois pode piorar.

– sugeriu Fernandes.

Os três se levantaram, trêmulos, e foram em direção à saída. Os homens olharam para os jogadores e isso foi o suficiente para uma reação inusitada dos jogadores. Uma situação tragicômica. Os três sorriram forçosamente para os homens e Fernandes começou e falar:

– Olá amigos.

Nenhum dos três respondeu. Fernandes ficou mais espantado ainda. Mas prosseguiu:

– Somos brasileiros, jogadores de futebol del Bangu! -, e dizia isso ao mesmo tempo que fazia movimentos como se estivesse fazendo embaixadas, só que não havia bola nenhuma.

Os homens sorriram e iniciaram o diálogo.

– Ah, si, brasileños. Tomem una cerveza.

Os três “pipocaram”. Não queriam cerveja e sim sair o mais rápido dali. Recusaram e Índio foi logo saindo. Ao ultrapassar a porta foi agarrado pelo braço pelo homem mais forte e puxado novamente para dentro do bar. Aí foi que o medo aumentou. Os homens exigiam que todos tomassem cerveja. Todos riam amarelo e um dos jogadores conseguiu uma desculpa aceita pelos homens. Disse que tinha treino bem cedo e já estava atrasado para dormir. Iam ser multados.

O mais sóbrio dos três aceitou a desculpa e deu ordem aos outros dois para que deixassem os jogadores sair. Do lado de fora do bar não havia um único táxi, a rua deserta, e os homens se prontificaram a levar os jogadores de carro até o hotel. Os três “pipocaram” novamente. Os homens faziam questão de levar e a coisa foi piorando. Os três já pensavam em começar a gritar por socorro, pois a residência do embaixador do Brasil ficava do outro lado da rua, bem em frente ao bar. Mas apareceu um táxi e eles conseguiram sair dali. Enquanto entravam no táxi, os homens começaram a gritar “Arena” e essa foi a despedida aos jogadores.

Foto: Jornal dos Sports
Na despedida de El Salvador, todos os funcionários do hotel fizeram questão de abraçar os jogadores. Um dos raros momentos de emoção

A DESPEDIDA
O segundo Jogo em El Salvador foi realizado um dia antes do embarque para a Guatemala. O Bangu venceu, fácil, por 2 a 1. Uma boa despedida. Quando a delegação deixou o Hotel Sieste aconteceram lances emocionantes. Todos os funcionários, na maioria mulheres, até mesmo os que estavam de folga, foram se despedir dos jogadores. Muitos choraram na despedida, pois o convívio durante os 17 dias fez com que todos se apegassem aos brasileiros, sempre brincalhões e animados.

A caminho da Guatemala, Moisés procurava descontrair o ambiente:
– É, novamente um lugar maravilhoso. A Guatemala é demais. Tomara que não seja outra volta. Já estava preocupado em El Salvador. Pensei até que fôssemos obrigados a nos alistarmos na guerrilha ou votar na eleição pra presidente. Muita gente no Brasil ia ficar com inveja.

Na chegada, uma impressão melhor. Pelo menos tinha um representante da federação local esperando a delegação e um ônibus para levar todos ao hotel. O Bangu ficou apenas dois dias na Guatemala, onde jogou numa sexta-feira, à tarde, empatou em 0 a 0, e na madrugada de sábado voou para a cidade do México, onde esperou, durante cinco horas, um vôo para Manaus.

Todos já estavam cheios de vontade de beber o café e comer a comida brasileira. Ninguém agüentava mais. E virou mesmo Brasil. O primeiro sinal: na alfândega, os membros da delegação foram apertados por um funcionário da polícia federal, que facilitou a saída dos estrangeiros do aeroporto, mas segurou os jogadores brasileiros, que estavam há mais de 20 horas viajando, cansados. Tudo porque o técnico Moisés reclamou do funcionário ter passado um estrangeiro na frente dos brasileiros.

Mas o pior estava para acontecer. O segundo sinal: o hotel onde a delegação ficou hospedada era da pior qualidade. Sua única vantagem era que ficava próximo da Zona Franca. A delegação chegou ao hotel às 2 horas de domingo, de madrugada. Eram cinco quartos, com cinco camas. Os jogadores reclamaram. Era muita gente num quarto só. Mas estavam cansados e queriam só dormir. Subiu o primeiro grupo de cinco no elevador que tinha capacidade para seis pessoas. E na volta o elevador enguiçou.

Não subia e nem descia. O funcionário do hotel, muito prestativo, mas envergonhado com o que estava acontecendo tentou contornar a situação. Não sabia consertar o elevador e a porta da escada estava trancada. Mandou um emissário buscar a chave da escada no outro hotel o emissário pegou a chave errada. Já eram 3 horas da manhã e o pessoal reclamava. Aí ele abriu uma porta atrás do escritório do hotel, uma saída de emergência. Tinha mais água do que qualquer outra coisa. Uma escada úmida e escura mas não havia outro jeito. Os jogadores tiveram que subir por ali, espantando as enormes ratazanas que circulavam pelo local.

Ao passarem pela copa do hotel, outra cena terrível. Ratos passeavam por cima das panelas e os jogadores decidiram nem comer no hotel.

No domingo, de folga, os jogadores resolveram passear um pouco. Foram assistir à transmissão do jogo Flamengo x Corintians em um bar próximo. Acostumados ao espanhol durante 27 dias, alguns jogadores ainda falavam algum coisa, esquecendo que já estavam no Brasil. Um deles foi Rosemiro, que ao invés de pedir um tira-gosto ao dono do bar soltou um “amigo, tienes una boquita?” Todos riram e aí ele se lembrou que não estava mais em El Salvador.

A delegação ficou dois dias em Manaus e fez muitas compras. Não faltou também quem levasse “uma volta” apesar das advertências de Moisés, para que ninguém acreditasse em vantagem nenhuma.

A maior volta quem levou foi Fernando Macaé, que perdeu 100 dólares ao entrar no conto de um homem, que segundo ele era deficiente físico. O tal disse que tinha uns tênis baratos para negociar, menos da metade do preço. Levou o jogador para dentro de um shopping, pegou dinheiro do jogador, que queria três pares, e sumiu.

Na quarta-feira, o final da excursão com um fecho de ouro. Mesmo assim Moisés chegou a se assustar. O Rio Negro conseguiu marcar dois gols na frente do Bangu, que reagiu e em cinco minutos virou para 3 a 2. A partir daí deu um verdadeiro show de bola, vencendo por 5 a 2. No final da partida, um lance raro no futebol. Faltavam cinco minutos para o encerramento e o juiz correu na direção do auxiliar, tomou-lhe a bandeira da mão, deu-lhe o apito e falou: “Vai l á, apita esse restinho aí pra pegar um pouco de experiência”. Era o terceiro sinal. Tinha mesmo virado Brasil. Graças a Deus.