Arquivo da categoria: Rio de Janeiro (antigo Estado do RJ)

Foto Rara de 1970: Madureira Atlético Clube (RJ)

O Madureira Atlético Clube, sob o comando de Jair da Rosa Pinto, disputou o Campeonato Carioca da 1ª Divisão, em 1970, onde terminou na 7ª colocação no geral, com 11 pontos, em 18 jogos; três vitórias, cinco empates e dez derrotas; marcando 13 gols, sofrendo 30 e um saldo negativo de 17.

Fazendo um Raio X do Madureira, no Estadual de 1970, os atacantes Luís Carlos Feijão e Alcino foram os artilheiros da equipe com cinco gols, cada. Outro atacante, Diogo assinalou três tentos.

O time só teve um atleta expulso: o lateral-direito Danilo que recebeu o vermelho contra o Vasco da Gama. No campeonato aconteceram nove gols contra, mas nenhum de responsabilidade de algum jogador do Madureira.

Um gol antológico: de goleiro para goleiro

Um curiosidade aconteceu na última rodada do Carioca – no sábado, do dia 18 de Setembro de 1970 – na derrota do Madureira para o Flamengo, por 2 a 0, no Estádio Luso-Brasileiro, na Ilha do Governador. Com uma Renda de Cr$ 5.745,00 e um pequeno público de 1.075 pagantes.

Com o gramado num estado ruim, somado a uma partida tecnicamente fraca, não parecia que algo incomum fosse ocorrer. Aos 39 minutos, do primeiro tempo, Rodrigues Neto penetrou pelo lado esquerdo e o zagueiro Leléu dividiu a jogada dentro da área. O árbitro José Mário Vinhas marcou pênalti. Zanata cobrou com firmeza para abrir o placar. E assim, terminou a etapa inicial, sem nenhum entusiasmo.

No 2º tempo, o jogo seguiu morno sem grandes emoções. No entanto, aos 26 minutos, o lateral Onça recuou a bola para o goleiro Ubirajara, que imediatamente deu um chutão para o atacante Nei. Contando com a ajuda do vento, viajou até dentro da área.

A bola quicou no campo duro e acabou encobrindo o goleiro Paulo Roberto! Assim, Ubirajara se tornou o 1º goleiro do Flamengo a marcar um gol em jogos oficiais.            

Na foto posada (acima) do Madureira, no Estádio Mario Filho, o Maracanã, a formação é a seguinte:

EM PÉ (esquerda para a direita): Ivan, Silva, Edmar, Paulo Roberto, Pitico e Leléu;

AGACHADOS (esquerda para a direita): Cléber, Luiz Carlos Feijão, Osni, Teles e Diogo.

Dos 18 jogos realizados, essa formação citada acima, jogou em sete oportunidades, sendo que em seis foram partidas no Maracanã. O 1º jogo com esses 11 jogadores, aconteceu na 8ª rodada do 1º Turno, na terça-feira, do dia 28 de Julho de 1970, na derrota para o Botafogo por 2 a 0, no Estádio de General Severiano.

Os demais jogos, foram realizados no Maracanã, válidos pelo returno:

1ª Rodada (23/08/70) – América 1 x 1 Madureira;

2ª Rodada (29/08/70) – Fluminense 5 x 1 Madureira;

3ª Rodada (05/09/70) – Vasco da Gama 2 x 0 Madureira;

4ª Rodada (09/09/70) – Botafogo 0 x 1 Madureira;

5ª Rodada (13/09/70) – Olaria 3 x 1 Madureira;

6ª Rodada (17/09/70) – Campo Grande 2 x 0 Madureira.


Alguns pitacos:

No Madura, Pitico, Osni e Luiz Carlos Feijão vieram do Santos e Diogo e Leléu, do futebol paulista. 

O lateral Ivan foi para o América, do Rio Grande do Norte, onde foi ídolo e considerado o melhor lateral da história da equipe rubra.

Em 1971, o treinador do Olaria, Jair da Rosa Pinto, levou para a Rua Bariri, Osni, Luiz Carlos Feijão e Leléu, que participaram da grande campanha naquele ano.

FOTO: Acervo de José Leôncio Carvalho

FONTES: Jornal dos Sports – Arquivo pessoal

Escudo raro de 1934: Itatiaya Athletico Club – Campos dos Goytacazes (RJ)

Itatiaya Athetico Club foi uma agremiação da cidade de Campos dos Goytacazes (RJ). O ‘Clube da Serra’ foi Fundado na quinta-feira, do dia 29 de Janeiro de 1931, um grupo liderados pelos irmãos Bacelar da Silva após de sério desentendimento ocorrido no Clube Esportivo Rio Branco.

Do Rio Branco saíram para fundar o Itatiaia, Hélvio Bacelar, Valdir Nascife, Herval Bacelar, Chaquib Bichara, Ângelo Queiroz, Luís Reis Nunes e João Laurindo. De início, muitas dificuldades, mas depois a coisa melhorou, a ponto de o Itatiaia ter tido sua Praça de Esportes e a Sede, na Rua dos Goytacazes, nº 136 a 142, no bairro Turf Club, e sido o pioneiro do basquete campista.

O ‘Clube da Serra’ teve a glória de contar com grandes jogadores como Bragode e Cliveraldo, este chegando a titular da ponta esquerda do Clube de Regatas Flamengo, na cidade do Rio de Janeiro.

Do Itatiaia sabe-se, ainda, que adotou as cores vermelho, branco e azul, e foi campeão do Torneio Início da temporada de 1937, disputado no campo do Industrial.

Foi chamado de o ‘Clube da Serra’ por causa do nome, teve sede no prédio do antigo Doze Bilhares, na Rua Direita, hoje Bulevar Francisco de Paula Carneiro.

Seu último jogo foi contra o Americano, pelo Campeonato Campista, quando perdeu de 17 a 0. Somado a isso, um incêndio na sede onde promovia bailes na antiga Rua da Direita, hoje, Boulevard Francisco de Paula Carneiro, acabou acarretando a extinção precoce do Itatiaya.

Colaborou: Santiago

FOTO (papel timbrado): site Alberto Lopes Leiloeiro

FONTES: Blog Relíquias do Futebol – Wikipédia – Diário da Noite

Inédito!! Unidos de Ricardo Futebol Clube – Rio de Janeiro (RJ): disputou o D.A. na década de 50

O Unidos de Ricardo Futebol Clube foi uma agremiação da cidade do Rio de Janeiro (RJ). O “Tricolor Ricardense” teve três Sedes, todas localizadas no bairro Ricardo de Albuquerque, na zona norte do Rio de Janeiro (RJ). A , ficava na Rua Guanandy, s/n. Em 1948, o então Prefeito do Distrito Federal, Ângelo Mendes de Morais, sancionou o Projeto nº 130, da Câmara dos Vereadores para a desapropriação do terreno do Unidos de Ricardo.     

Na década de 50, o clube conseguiu uma nova sede, situado na Rua Coronel Alencastro, nº 2.361; e, por fim, se transferiu para a Rua Jaboticabal, nº 44.

O que restou da Sede do Unidos de Ricardo, situado na Rua Jaboticabal, nº 44.

Num sábado, do dia 05 de Abril de 1941, foi Fundado por um grupo de desportistas comandados por Joaquim Domingues da Costa e Aladyr Dutra, que se reuniram no Café e Bar São Bernardo, então localizado à Rua Pereira da Rocha, nº 143, de propriedade de Júlio de Paiva.

O 1º nome escolhido foi Onze Unidos de Ricardo Futebol Clube, posteriormente adotou a nomenclatura atual. A escolha das suas cores (vermelho, amarelo e verde), talvez tenha sido inspirado na equipe maranhense do Sampaio Corrêa Futebol Clube.

A partir daí, os membros do Unidos de Ricardo se reuniam todas as segundas-feiras, a fim de traçar as novas metas e analisar o desempenho do time, que demonstrava ter um futuro promissor.

O primeiro tópico foi conseguir um campo para realizar os treinos e jogos. Calhou que o seu rival de Ricardo de Albuquerque, o Anagé Sport Clubdeu um tempo” nas competições. Então, o presidente Joaquim Domingues da Costa articulou negociações e conseguiu a Praça de Esportes do Anagé, que ficava situado no terreno do cemitério.  

Seguindo empenhado em melhorar o patrimônio do clube, a diretoria conseguiu construir um campo, onde está instalado, hoje, o Colégio Alexandre Farah. Ao lado havia uma lagoa, que ficou famosa como Lagoa do Unidos, onde a garotada ricardense da década de 40, tomava seus banhos escondidos de seus pais.

EM PÉ (esquerda para a direita): Didi (técnico), Pinheiro, Água Quente, Rubens, Mozar, Ninico e Gilson;
AGACHADOS (esquerda para a direita): Tião, Hamilton, Guininho, Calunga e Leleco.

Fábrica de Craques

O Unidos de Ricardo montou grandes esquadrões, e uma das “fontes“, onde piçavam jóias era o time do Tira-Teima, composto por garotos que brincavam em um campo na Rua Pereira da Rocha, esquina com Rua Guanandy. Dessa equipe surgiram muitos craques que vestiram a camisa de grandes clubes brasileiros e até no estrangeiro.

Alguns nomes, como Ubiratan Gomes dos Santos (nascimento: 06 de janeiro de 1941), conhecido como Foguete, que jogou na Portuguesa, Bangu, Flamengo (jogou entre 1963 a 1965) e Oro (México). Birajatino, o Bira Pé Redondo, atuou pelo Madureira (RJ), Apucarana (PR), e Deportivo Itália (Venezuela). O saudoso volante Wescley Vieira Calixto, ou simplesmente Wescley, que se consagrou no Botafogo (anos 80), Fortaleza (CE).

Infelizmente, Wescley teve um triste fim. Em 10 de abril de 2013, seus familiares comunicaram seu desaparecimento à Polícia do Rio de Janeiro, e no dia seguinte três corpos foram encontrados boiando no rio Sarapuí, um deles, era Wescley, que teria sido confundido com policiais por traficantes na comunidade Jardim Gramacho, em Duque de Caxias.

Títulos

Em 1951, o Unidos de Ricardo debutou no Departamento Autônomo. Dois anos depois, se sagrou campeão de Aspirantes da “Série Manoel Antunes Batista“, em 1953; e vencedor da “Taça Disciplina” de 1955.

No domingo, do dia 07 de Abril de 1970, o Unidos de Ricardo ficou com o vice, no Quadrangular Carlos Lincoln. O Atlético Clube Nacional (Ricardo de Albuquerque) foi o campeão. Saldanha da Gama e Anchieta fizeram parte do torneio, realizado em Camboatá.

Três partidas no estádio do Maracanã

Entre as suas proezas, o clube chegou a disputar três jogos no Estádio Mario Filho, o Maracanã. No sábado, do dia 15 de Março de 1952, jogou na preliminar da vitória do Palmeiras em cima do Botafogo, por 1 a 0 (gol de Ponce de Leon), válido pelo Torneio Rio-São Paulo. Nesse dia, o Unidos de Ricardo goleou o Ruy Barbosa Futebol Clube, do Centro do Rio, pelo placar de 6 a 1. A Renda foi de Cr$ 214.933,00.

No sábado, do dia 16 de Maio de 1953, Vasco e Botafogo empataram em 0 a 0, pelo Torneio Rio-São Paulo. Na preliminar, o Unidos de Ricardo acabou derrotado pelo Filhos de Iguaçu Futebol Clube, de Nova Iguaçu, por 2 a 1. A Renda foi de Cr$ 623.774,10. Teve ainda outra partida. Unidos de Ricardo e Atlético Futebol Clube (Atlético da Alegria), do bairro de São Cristóvão, empataram em 4 a 4, no maior estádio do mundo.

Declínio

Na sexta-feira, do dia 19 de Junho de 1970, o clube foi fechado por tempo indeterminado, em razão de documentação irregular. A partir, o futebol foi deixado de lado.

O clube ainda “respirou” até a década de 80, onde sobrevivia, sobretudo, por meio dos eventos sociais, como os bailes de carnaval e festas até ser deixada definitivamente pelos associados e ser invadida, transformando-se em moradia.

Colaborou: André Luiz Pereira Nunes

FONTES: O Jornal (RJ) – A Luta Democrática (RJ) – Diário de Notícias (RJ) – Gazeta de Notícias (RJ) – Jornal dos Sports (RJ) – Google Maps

Escudo Inédito de 1939: Rio Cricket e Associação Atlética – Niterói (RJ)

O Rio Cricket e Associação Atlética é uma agremiação da cidade de Niterói (RJ). A sua Sede fica localizada  na Rua Fagundes Varela, nº 637, no bairro do Ingá, em Niterói. As cores oficiais do clube são o verde e o amarelo, homenagem dos seus fundadores ingleses e descendentes ao Brasil.

Foi no domingo, do dia 15 de Agosto de 1897, por um grupo de jovens ingleses apaixonados pela prática de esportes fundaram uma agremiação chamada Rio Cricket Club, que funcionava informalmente desde 1870, num terreno alugado na Rua Berquó (atual General Polidoro), em Botafogo no Rio de Janeiro, para a prática do cricket, esporte amplamente difundido na Inglaterra.

Após alguns atos de discordância dentro da agremiação, um grupo de fundadores decidiram montar uma outra agremiação na cidade de Niterói, com o clube que ficara sediado da cidade do Rio de Janeiro recebendo posteriormente a denominação de Paissandu Atlético Clube, assim nascendo uma grande rivalidade clubística entre os dois clubes da colônia britânica. Em algumas fontes antigas as partidas entre os dois clubes, nos mais variados esportes, era chamada de Clássico dos Ingleses.

Em 1897, o novo clube, fundado por ingleses e descendentes dissidentes do clube carioca, liderados por George Emmanuel Cox e Basil Freeland, também e provavelmente não por acaso no dia 15 de agosto, ganhou a denominação de Rio Cricket e Associação Atlética, no bairro de Icaraí, na cidade de Niterói, sendo este o 3º clube mais antigo destinado á prática de esportes na cidade, atrás apenas do Grupo de Regatas Gragoatá e do Clube de Regatas Icaraí, ambos fundados em 1895.

No dia 16 de novembro de 1897, foi lavrada a escritura de compra do terreno onde se instalaria o Rio Cricket e Associação Atlética. Em 1978, Carlos Ary Vieira torna-se o 1º presidente de origem luso-brasileira a dirigir o Rio Cricket. Antes dele, todos os quarenta e três presidentes do clube eram de origem britânica.

Futebol bretão

No domingo, do dia 22 de Setembro de 1901, ocorreu a 1ª partida de futebol oficialmente realizada no Estado do Rio de Janeiro, no campo do Rio Cricket. Neste dia, Oscar Alfredo Cox, que viria posteriormente a ser fundador e presidente do Fluminense Football Club, atravessou a Baía de Guanabara para enfrentar os praticantes de críquete e tênis do clube inglês. Ainda cerca de quinze observadores assistiram o jogo que terminou empatado em 1 a 1, causando espanto a crônica da época, não habituada a relatar embates finalizados sem vencedores.

Em 1906, o clube participou do 1º Campeonato Carioca de Futebol, ficando com a 3ª colocação. Foi no campo do Rio Cricket que foi definido o primeiro campeonato carioca de futebol.

Em 1916, ao contrário do que algumas fontes sugerem, o Rio Cricket jamais abandonou a prática do futebol, teve que se licenciar do Campeonato Carioca (do qual era convidado especial, já que na época pertencia a outro estado) apenas por conta da I Guerra Mundial, quando muitos de seus jogadores foram defender a Inglaterra.

Em 1920, o clube retomou as atividades futebolísticas, as quais mantém até hoje. O clube, no entanto, nunca se profissionalizou, mantendo-se amador como o futebol era em seu princípio. Em 1927, se sagrou campeão do Torneio Início de Niterói, organizado pela Liga Sportiva de Amadores (LSA).

Em 2006, o clube voltou a disputar uma partida de futebol contra o Paissandu Atlético Clube após quase 92 anos, nos jogos comemorativos dos 105 anos do futebol no estado do Rio de Janeiro (realizados na sede do Rio Cricket). O Rio Cricket foi derrotado por 2 a 1.

O clube participou das primeiras edições do Campeonato Carioca em: 1906, 1908, 1911, 1912, 1913, 1914 e 1915 e do campeonato niteroiense em 1925, 1926, 1927, 1928 e 1929.

FONTES: livroRio Cricket e Associação Atlética, Mais de um século de paixão pelo esporte”, de autoria de Patrícia Iorio e Vítor Iorio – Sport Illustrado (RJ)

Escudo raro de 1961: Seleção de Itaguaí (RJ)

A Liga Desportiva de Itaguaí (LDI) foi Fundada no sábado, do dia 30 de Maio de 1953. Compareceram na assembléia as seguintes seis associações: 

Itaguaí Atlético Clube;

Itacurussá Futebol Clube;

Coroa Grande Futebol Clube;

Atlético Clube Ecologia (Universidade Rural);

Grêmio Olímpico Mangaratiba;

Seropédica Futebol Clube.

A reunião foi dirigida pelo presidente Ramos de Freitas e contou com a presença de figuras de destaque no Município de Itaguaí, notando-se a presença do Dr. Fabio Horta de Araújo, ex-presidente do America do Rio de Janeiro (entre os anos de 1949 a 51 e 1960), que tomou parte ativa nos trabalhos.

Foi eleita uma comissão composta de presidentes, tendo como dirigente o Dr. Hermano Naegele, com a incumbência de elaborar os estatutos e tomar todas as medidas necessárias para a instalação da novel Liga Desportiva.

O grande feito da entidade máxima de Itaguaí, além das realizações das competições citadinas, foi o vice-campeonato Fluminense de Seleções Municipais, em 1960 (Nova Friburgo ficou com o título).

No entanto, na década de 60, a Liga Desportiva de Itaguaí entrou em crise e acabou paralisando as suas atividades. Anos mais tarde, quando sentindo o impulso do então presidente da República, Médici deu ao desporto nacional, os dirigentes do desporto fluminense, apoiados por políticos fizeram com que ressurgisse Liga Desportiva de Itaguaí no sábado, do dia 15 de Julho de 1972.

FONTES: A Manhã (RJ) – Jornal dos Sports – Diário de Notícias – A Luta Democrática – Última Hora

No túnel do tempo: Porto Alegre vence o Flamengo, na Taça Guanabara de 1987

Equipes estrearam com o “pé direito”

Na estreia da Taça Guanabara, o Flamengo venceu o Bangu por 1 a 0, no Maracanã. O gol da vitória foi do estreante Renato Gaúcho aos 10 minutos da etapa inicial. Já o Porto Alegre Futebol Clube, que subiu para a elite do futebol carioca, após ficar o vice-campeonato da Segunda Divisão do Rio de 1986, debutou com vitória, em casa, em cima do Olaria Atlético Clube, pelo placar de 1 a 0. O gol foi assinalado pelo meia Áureo aos 18 minutos da etapa final.  

Sem acordo, jogo  não teve televisionamento

Os dirigentes do Flamengo não chegaram a um acordo com as televisões do Rio de Janeiro para a transmissão do contra o Porto Alegre, amanhã (quarta-feira, do dia 11 de março de 1987). Por isso, a partida está mantida para as 16 horas, em Itaperuna (RJ).

O acerto para a transmissão da partida (o jogo seria adiado para a noite) não aconteceu em função de problemas técnicos das tevês, pois daria enorme trabalho para a geração das imagens.     

Bebeto não renova e foi desfalque

O meia Bebeto (que depois passou a jogar como atacante) estava ameaçado de não jogar, em virtude da pendência de renovar ou não o contrato. O jogador insistiu na proposta de Cz$ 2 milhões de luvas e salários mensais de Cz$ 150 mil. Já o rubro-negro concordava com o valor dos salários, mas não passa da quantia de Cz$ 1 milhão e 600 mil de luvas, dividida em quatro vezes. No final, o jogador acabou ficando de fora e o técnico Sebastião Lazaroni escalou Adílio no seu lugar.

PORTO ALEGRE F.C. (RJ)       2          x          0          C.R. FLAMENGO (RJ)

LOCALEstádio Jair Siqueira Bittencourt, em Itaperuna (RJ)
DATAQuarta-feira, do dia 11 de Março de 1987
CARÁTER2ª rodada da Taça Guanabara de 1987
HORÁRIO16 horas
RENDACz$ 626.700 (seiscentos e vinte e seis mil e setecentos cruzados)
PÚBLICO10.445 pagantes
ÁRBITROAluísio Viug (FERJ)
AUXILIARESVander de Carvalho (FERJ) e Adauto Cunha (FERJ)
CARTÃO AMARELOLeandro e Aílton (Flamengo); Júlio e Nelson (Porto Alegre)
PORTO ALEGREAlmir; Luis Gusta­vo, Zé Carlos, Déo e Júlio; Nélson, Áureo e Biro-Biro; Cid (Cacaio), Ale­xandre e Adãozinho (Peu). Técnico: Gildo Rodrigues
FLAMENGOZé Carlos; Jorginho, Leandro, Mozer e Aírton; Andrade, Aílton e Adilio (Sócrates); Renato Gaúcho, Kita e Zinho (Marquinho). Técnico: Sebastião Lazaroni
GOLSAle­xandre aos 23 minutos (Porto Alegre), no 1º tempo. Adãozinho aos 12 minutos (Porto Alegre), no 2º tempo.

FONTES: arquivo pessoal – Jornal dos Sports

Olaria Atlético Clube – Rio de Janeiro (RJ): “Era de Ouro do Alvianil da Rua Bariri, em 1971”

No começo dos anos 70, o Olaria Atlético Clube era a agremiação mais ambiciosa e promissor do subúrbio do Rio de Janeiro. Tomando o lugar do Bangu como o time que mais incomodava os grandes, o clube da região da Leopoldina partiu para a melhor campanha de sua história no Campeonato Carioca em 1971, quando chegou a brigar pelo título e terminou numa excelente 3ª colocação. O time, dirigido pelo velho craque Jair Rosa Pinto, contava com uma defesa firme, que revelou o zagueiro Miguel, e uma dupla de alto nível no meio-campo formada pelos talentosos Afonsinho e Roberto Pinto. E por trás de tudo isso, havia a paixão ardorosa (e o dinheiro farto) do presidente e patrono Álvaro da Costa Melo. A curta, porém intensa, Era de Ouro do Alvianil da Rua Bariri.

O contexto da ascensão

EM PÉ (esquerda para direita): Roberto Pinto, Mineiro, Haroldo, Pedro Paulo, Luiz Carlos Feijão, Gesse, Afonsinho, Beto, Valter e Alfinete.
 AGACHADOS (esquerda para direita): xxx, xxx, Osni, Salvador, Miguel, xxx, Fernando Pirulito e xxx.

Campeão carioca em 1966 e vice em 1964, 1965 e 1967, além de terceiro colocado em 1963, o Bangu experimentou um declínio acentuado a partir de 1968. No fim daquele ano, o lendário presidente Euzébio de Andrade, pai do então diretor de futebol Castor de Andrade, abriu mão de disputar novas eleições e, junto com o filho, deixou o clube. Os alvirrubros assistiriam então ao início de uma crise que se agravaria profundamente ao longo da década de 1970. No vácuo desse período de baixa dos banguenses, outros clubes apareceram para se candidatar ao posto de “terror dos subúrbios”, agora vago.

O primeiro deles foi o Bonsucesso, que em 1968 e principalmente em 1969 fez boas campanhas e colheu alguns resultados históricos, jogando um futebol baseado num ferrolho quase intransponível, com cinco defensores, onde o experiente zagueiro Paulo Lumumba comandava o miolo do setor ao lado de duas jovens revelações que em breve virariam nomes famosos no futebol carioca: Moisés e Renê. Ganhou o apelido de “fantasma”, por freqüentemente tirar pontos dos grandes, chegando a sustentar uma respeitável invencibilidade diante deles. Mas não teve condições de brigar por títulos.

O segundo foi o Olaria, rival do Bonsuça na região da Leopoldina (zona norte do Rio), e cujo crescimento teve um marco inicial exato: 5 de janeiro de 1970, data da posse do comerciante Álvaro da Costa Melo na presidência do clube. Seu Melo, como era conhecido no bairro, era um imigrante português que chegou ao Brasil na década de 1920. Tempos depois, deixou o emprego de motorneiro de bonde para abrir uma padaria. Prosperou e enriqueceu fabulosamente, tornou-se incorporador, estendeu suas propriedades e negócios até pelos bairros vizinhos. Como quase todo lusitano, era torcedor (e sócio) do Vasco até uma certa tarde de sábado de 1933, quando um amigo o levou a um jogo do Olaria, ali perto de sua casa.

Roberto-Pinto, Jair da Rosa Pinto (técnico), lvaro da Costa Melo e Afonsinho

Foi amor à primeira vista. Poucos anos depois, já era tesoureiro do clube. Em 1937, quando o Olaria foi excluído do Campeonato Carioca após a pacificação das ligas, Melo se aborreceu e deixou a diretoria para cuidar de seus negócios. Foi levado de volta, contra sua vontade, em 1946 para ocupar outro cargo: a presidência. Na época, o clube tinha apenas seis sócios, que colaboravam com uma ninharia. Especulava-se uma fusão com o Bonsucesso. O novo mandatário não só conseguiu evitar o desaparecimento do time como o colocou de volta no Carioca. A exigência era a construção de um estádio. Seu Melo levantou contribuições aqui e ali, e dentro de dois meses o campo da Rua Bariri estava pronto.

Antoninho Minhoca, Salvador, Luis Carlos Feijão, Roberto Pinto e Marco Antônio. Destes, já faleceram: Antoninho Minhoca, Salvador, Luis Carlos Feijão e Roberto Pinto.
Em pé, de barba, podemos ver o Prezado Amigo Afonsinho.

No início dos anos 50, Álvaro da Costa Melo deixou novamente o clube, retornando no fim da década seguinte. O Olaria vivia momento político bastante conturbado, e o velho comerciante reapareceu para colocar as coisas em seus lugares. Antes mesmo de assumir outra vez a presidência, contratou o técnico Paulinho de Almeida e, junto com ele, começou a reforçar o elenco, que mal contava com um time completo de profissionais quando de sua chegada. Reformou também o estádio, para o qual pretendia uma expansão ambiciosa de capacidade para até 40 mil torcedores. Além disso, havia a promessa de gordas gratificações (ou “bichos”) aos jogadores, especialmente em caso de vitória sobre os grandes.

1970: Ensaio para a campanha histórica

Querendo fazer um grande papel na Taça Guanabara e no Campeonato Carioca em 1970, o Olaria formou um bom time. Para se unir à prata da casa, em meio à qual despontavam nomes como os zagueiros Miguel e Altivo e o lateral-esquerdo Alfinete (que retornava de um empréstimo à Portuguesa paulista), foram trazidos vários jogadores também por empréstimo, principalmente do Vasco (o goleiro Pedro Paulo, o zagueiro Fernando, o meia uruguaio Danilo Meneses, o ponta-direita Nado e o atacante Acelino) e do Botafogo (o lateral-direito Mura, o centroavante Humberto, o ponta-esquerda Torino e o maior deles, o meia-armador Afonsinho). Outros reforços foram buscados na capital paulista, como o meia Gessê (São Paulo) e o ponta Dario (Palmeiras).

Na Taça Guanabara, naquele ano ainda organizada como um torneio à parte do Estadual e disputada entre março e maio em várias fases, o clube até fez boa campanha, mas acabou eliminado antes do turno final, que reunia as seis melhores equipes. No Carioca, porém, o desempenho chamaria mais a atenção: terminaria o turno na sexta colocação, bem mais próximo da pontuação dos grandes do que dos pequenos. Seria ainda o único a derrotar o Fluminense, que virou a fase na liderança. Simbolicamente, Bangu e Bonsucesso, forças de anos anteriores, sequer conseguiram ficar entre as oito melhores equipes, que avançariam para a etapa seguinte.

Ao fim do campeonato, o clube mostrava que seu novo patamar não era fogo de palha. Terminou na sexta colocação, mas bem mais perto do Flamengo – quinto colocado, dois pontos acima – do que do Madureira – sétimo, oito pontos abaixo. No entanto, a partir de meados de setembro o clube precisaria excursionar para manter sua folha de pagamentos, já que não disputaria o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, ou então ceder alguns de seus jogadores por empréstimo até o fim do ano – caso de Alfinete, que defenderia o Botafogo no campeonato interestadual. Mas o saldo do primeiro ano de ‘revolução’ era muito positivo.

Brigando entre os grandes

Apesar disso, a equipe passaria por mudanças. O bom trabalho na Rua Bariri levou Paulinho de Almeida ao Botafogo, sendo substituído pelo velho craque Jair Rosa Pinto, que havia comandado o Madureira no Carioca. Num elenco formado basicamente por jogadores emprestados, a maioria retornou a seus clubes de origem ao fim de 1970, mas outros felizmente tiveram seus vínculos prorrogados ou foram mesmo contratados em definitivo, caso de Afonsinho – que em março encerrava com vitória uma longa disputa judicial com o Botafogo por seu passe – e do goleiro Pedro Paulo, cedido sem custos pelo Vasco.

Para as demais posições, novos e bons nomes chegaram. Aproveitando sua boa relação com os dirigentes santistas, já que havia defendido o clube nos anos 50, Jair Rosa Pinto conseguiu trazer da Vila Belmiro o lateral-direito Haroldo, o ponta-de-lança Luís Carlos Feijão e o baixinho atacante Osni. Do Palmeiras, onde também havia sido ídolo como jogador, o técnico trouxe o ponta-direita Marco Antônio (famoso por jogar com uma fita amarrada na cabeça para prender os cabelos). Do America, veio o veloz atacante Salvador. E já com o Carioca em andamento, chegariam o ponteiro Antoninho, vindo do Juventus, e, mais tarde, o experiente meia Jaime, campeão pelo Bangu em 1966 e que andava pelo Parque Antártica.

Mas o principal reforço tinha relação ainda mais próxima com o treinador. Era seu sobrinho, o experiente meia Roberto Pinto, jogador de técnica refinada que havia feito ótima temporada pela Ponte Preta no ano anterior, levando a equipe campineira a um surpreendente vice-campeonato paulista. Aos 33 anos, o jogador que acumulava passagens pelo Vasco, Bangu e Fluminense, voltava ao Rio consagrado e pronto para a nova empreitada. Se o time contava com uma defesa firme, que jogava duro e sério, formada por Haroldo, Miguel, Altivo e Alfinete, era no meio-campo que o talento despontava. Ele e Afonsinho faziam uma dupla de luxo no meio-campo do Olaria, de fazer inveja à de muito clube grande do país.

Afonso Celso Garcia Reis, 23 anos, paulista de Marília, era estudante de Medicina, idealista, meia-armador revelado pelo XV de Jaú e que na época se destacava no Botafogo. Apontado como o sucessor de Gerson quando este se transferiu para o São Paulo, teve papel importante na conquista da Taça Brasil de 1968. No entanto, por se negar a aparar a barba que deixara crescer, entrou em atrito com a diretoria do clube e foi tachado de “indisciplinado”. Acabou afastado do elenco e proibido até de treinar. Paradoxalmente, viu ao mesmo tempo os cartolas recusarem todas as propostas de clubes grandes por seu passe. Levou então o caso à Justiça. Até aparecer o Olaria. Lá, jogaria com o visual que bem entendesse.

Roberto Pinto, por sua vez, deixara o Rio em 1967 com o cartaz de jogador indiscutivelmente talentoso, que dera ao Vasco um título histórico (o de “supersupercampeão” carioca, em 1958) e brilhara num Bangu que sempre flertava com a taça. Mas era considerado também um tanto mascarado, manhoso. No interior paulista, primeiro em Ribeirão Preto e depois em Campinas, renasceria como líder, além de preservar a velha habilidade para organizar todos os setores de uma equipe e fazê-la jogar ao seu redor. Não ficou mais tempo por lá por uma questão de adaptação de sua família. Mas agora, de volta à capital carioca, estava de novo em casa.

Mas as mudanças no Olaria para temporada de 1971 não se limitaram ao time. O clube passou a adotar até mesmo uma nova camisa. Deixou de lado o tradicional modelo branco com uma faixa horizontal azul (com as cores invertidas no uniforme reserva) para vestir um modelo listrado em azul e branco na vertical. A estreia da nova combinação aconteceu no segundo tempo do primeiro jogo da equipe no Carioca, um empate em 0 a 0 diante do favorito America, treinado por Zezé Moreira e que contava com jogadores como Edu Antunes Coimbra e Tadeu Ricci.

O regulamento do campeonato previa uma fase de classificação com os times divididos em dois grupos de seis que se enfrentavam em turno único. Os quatro melhores de cada avançavam para a fase final, um octogonal em turno e returno, carregando a pontuação da etapa anterior. Já na fase classificatória o Olaria fez campanha brilhante. Jogando de igual para igual – às vezes até dominando os adversários –, arrancou empates em 0 a 0 com os favoritos Flamengo e Vasco no Maracanã, além do já citado America.

Também nesta fase o Olaria venceu o clássico da Leopoldina contra o Bonsucesso por 2 a 1, de virada (Jair Pereira abriu o placar para os rubro-anis, antes de Roberto Pinto e Haroldo, de falta, reverterem a contagem), e ainda conseguiu dois bons triunfos contra o Campo Grande (4 a 1, com o zagueiro Altivo furando a rede numa bomba em cobrança de falta) e a Portuguesa (2 a 0, com direito a gol olímpico do ponteiro Marco Antônio).

O Olaria encerrou a fase de classificação com a segunda melhor campanha tanto em seu grupo quanto no geral, atrás apenas do Botafogo, num bom desempenho que fazia crescer a confiança de Jair Rosa Pinto: “Não temos medo de ninguém. Mesmo que o próximo adversário seja difícil, saberemos enfrentá-lo com a maior seriedade”. A boa campanha era alimentada por gordos “bichos” por vitória (ou até por empate contra os grandes) pagos em parte pela diretoria e complementados por contribuições dos endinheirados sócios, e que superavam os estipulados por todos os outros clubes.

Manchete do Jornal dos Sports de 1971: Olaria 0 x 0 Fluminense

Na fase final, a equipe estreou diante do Fluminense e outra vez empatou sem gols – pela quarta vez contra os grandes – mesmo desfalcado de Haroldo e Miguel. A primeira vitória viria logo em seguida diante do Bangu: 2 a 0, com gols de Roberto Pinto e do recém-contratado ponta Robertinho, ex-São Cristóvão. E na terceira rodada chegaria a vez de enfrentar o Botafogo, líder isolado em invicto, tido como o time a ser batido. E mais uma vez o Olaria arrancou um 0 a 0, embora pudesse ter vencido: teve a melhor chance do jogo quando Antoninho driblou o goleiro, tocou para o gol, mas Paulo Henrique salvou em cima da linha.

A invencibilidade dos bariris no campeonato chegaria a dez partidas na rodada seguinte, quando a equipe voltou a arrancar um empate com um grande, no caso o Flamengo, num 2 a 2 repleto de reviravoltas. O Olaria abriu o placar com Luís Carlos, viu os rubro-negros virarem com gols de Milton (que logo depois seria expulso junto com Altivo) e Fio, mas reagiria e novamente empataria, com outro tento de Luís Carlos. O saldo da batalha, no entanto, deixou preocupações: sem Altivo, suspenso, e Alfinete e Roberto Pinto, lesionados, os alvianis teriam pela frente o Vasco, que fazia campanha de recuperação.

Os desfalques foram bastante sentidos naquela noite de 4 de maio, quando o Vasco venceu por 1 a 0 num gol chorado de Dé, depois de a bola rebotear duas vezes na defesa. O lance provocou muita reclamação do técnico Jair Rosa Pinto: “A jogada do gol foi uma vergonha. Todo mundo viu que o Dé, antes de fazer o gol, segurou o Pedro Paulo. Só o juiz não viu”. Pilhado, o time fez um jogo violento contra o America e empatou em 1 a 1, com uma expulsão para cada lado.

A recuperação veio com dois grandes resultados. Já com os nervos em ordem, uma semana depois, o Olaria obteve uma vitória categórica sobre o rival Bonsucesso por 3 a 0, com gols de Antoninho, Salvador e Osni. E em seguida, na abertura do returno, venceu o America pelo mesmo placar. Afonsinho e Roberto Pinto formavam de novo a dupla de meio-campo após três jogos sem poder contar com um ou outro, e o Alvianil passou por cima. Roberto Pinto fez um de falta e outro de pênalti, e Salvador completou de cabeça um cruzamento de Haroldo para fechar a contagem.

Veio então um eletrizante empate com o Fluminense. Logo aos três minutos, Luís Carlos abriu o placar com um golaço: matou no peito, deu um chapéu em Galhardo e bateu de primeira, vencendo Félix. Mas os tricolores viraram com dois gols de Ivair. Aos 36 minutos, o time suburbano empatava novamente em bola de Antoninho que desviou no zagueiro Assis antes de entrar. E três minutos depois passaria novamente à frente com gol de pênalti de Altivo. Na etapa final, o lateral Toninho voltaria a igualar o marcador, depois de o Flu ter ficado com um a menos, após a expulsão do ponteiro Lula.

O jogo seguinte, em 5 de maio, seria o da desforra contra o Vasco. Numa grande exibição, na qual mostrou excepcional coesão e senso de cobertura defensiva, além de muita classe no toque de bola envolvente, o Olaria abriu o placar logo aos 11 minutos de jogo com Antoninho. No segundo tempo, pouco depois de Marco Antônio acertar o travessão de Andrada, houve uma cobrança de falta rolada de Roberto Pinto para Altivo. O chute forte desviou em Eberval e enganou o arqueiro vascaíno, selando a justa vitória olariense.

Olaria 2 x 0 Vasco da Gama, de 1971

Aquela sequência de atuações representou talvez o auge da equipe na competição. Mesmo o ataque, setor tido como o menos brilhante e eficiente do time, apareceu muito bem – apesar da ausência sentida de um goleador nato. O ponta-direita Marco Antônio recuava e ajudava a preencher o meio-campo. Luís Carlos, o ponta de lança, era um jogador impetuoso, inteligente, o mais habilidoso do setor e um tormento constante para as defesas adversárias. Salvador usava sua velocidade impressionante para puxar os contragolpes, pelo meio ou pelas pontas. Por fim, na esquerda, Antoninho (o último a chegar e a se firmar como titular) contribuía com experiência, controle de bola e a boa articulação com os meias e os companheiros de frente.

O confronto decisivo para as pretensões olarienses naquele campeonato viria na partida seguinte: dividindo a vice-liderança com o Fluminense, o time Alvianil encarava o líder invicto Botafogo. Numa noite inspirada do atacante Paraguaio, substituto de Jairzinho, os alvinegros abriram 2 a 0, mas o Olaria foi buscar a igualdade na raça, com gols de Salvador e Haroldo. Na etapa final, quando a pressão do time da Rua Bariri era enorme, e o arqueiro alvinegro Ubirajara fazia intervenções cruciais, Zequinha desceu pela direita, passou por Alfinete e cruzou. Nilson Dias ajeitou de cabeça e outra vez Paraguaio testou para marcar seu terceiro gol e dar a vitória aos botafoguenses, que agora se colocavam praticamente inalcançáveis, seis pontos à frente.

Com o título muito distante, restou ao Olaria manter a grande campanha para seguir de cabeça erguida. E o time responderia vencendo os dois compromissos seguintes. Primeiro contra o Bangu, num Maracanã semideserto. O time abriu o placar logo aos 16 minutos quando Afonsinho fez jogada de ponteiro pela esquerda, chutou e o goleiro Nei espalmou nos pés de Salvador, que pegou de sem-pulo, estufando as redes. Na etapa final, Afonsinho tabelou com Salvador e foi derrubado bem perto da área. Altivo cobrou a falta com seu habitual chute forte, acertando o canto esquerdo de Nei e fechando a contagem.

Na penúltima rodada, em General Severiano, o time bateu o Bonsucesso por 1 a 0 e confirmou o histórico terceiro lugar. O gol, marcado logo aos nove minutos de um jogo muito mais tranquilo do que o placar indica, foi fruto de uma jogada coletiva, trabalhada. Roberto Pinto entregou a Antoninho, que lançou Salvador em velocidade. O atacante foi à linha de fundo, driblou o zagueiro rubro-anil e cruzou para trás. Afonsinho, que vinha na corrida, chutou de perna esquerda no canto do goleiro. O título daquele ano acabou nas mãos do Fluminense, que arrancou no fim, enquanto o Botafogo tropeçou seguidamente, culminando na vitória tricolor no confronto direto da última rodada, por 1 a 0.

A polêmica das rendas

Enquanto o time fazia bonito em campo, uma grande discussão tomou conta dos bastidores durante a fase final do campeonato. Diferentemente de hoje, quando só é mencionado como indicador da saúde financeira dos clubes, o somatório das rendas era um importante critério para definir os participantes de um torneio – acima até mesmo do índice técnico. Para a disputa do campeonato nacional, por exemplo, ficou estipulado que os cinco participantes cariocas seriam o campeão estadual mais os quatro melhores colocados em rendas. O critério também seria usado para indicar os times que jogariam a Taça Guanabara no meio do ano e ainda os pré-classificados para o Campeonato Carioca do ano seguinte (no que a Federação acabaria voltando atrás pouco depois).

Durante a fase final, ficou claro que – ainda que tivesse chance até mesmo de ser campeão carioca – o Olaria teria de brigar palmo a palmo com America e Bangu no ranking de rendas pela quinta vaga da Guanabara no Brasileirão. Atento aos movimentos da Federação, que divulgava a tabela dirigida aos poucos, quase rodada a rodada, o clube começou a protestar por ser quase sempre indicado para jogar nas piores datas (por exemplo, nos meios de semana à tarde), enquanto os dois concorrentes muitas vezes engordavam suas arrecadações atuando em preliminares de clássicos no Maracanã (a renda era contada igualmente para todos os quatro clubes envolvidos em rodadas duplas).

Em 7 de junho, quando a Federação anunciou a tabela para as rodadas finais, foi a gota d’água: mais uma vez alegando terem sido prejudicados, os dirigentes olarienses anunciaram que o clube estava abandonando o campeonato. “Fizemos um sacrifício enorme este ano. Provamos a todos que poderíamos armar um time para disputar um campeonato condignamente. Com muito sacrifício, apresentamos uma equipe que enaltecesse o futebol carioca, não pensando somente em enaltecer nosso quadro social, mas também em consideração e respeito ao público carioca. O que conseguimos com isto? Nada. Não recebemos da Federação nem ao menos o reconhecimento pelo nosso trabalho”, lamentou Álvaro da Costa Melo, que também anunciava ali sua renúncia à presidência do clube.

A situação acabou contornada num encontro com o governador Chagas Freitas e tudo voltou aos seus lugares. Mas o clube conseguira atrair considerável atenção para sua causa e agora partiria para o contra-ataque. A rede de lojas de departamentos Ponto Frio publicou nos jornais um anúncio grande em apoio ao clube. E na noite de sexta-feira, 25 de junho, véspera da partida contra o Flamengo pela última rodada, o diretor comercial da empresa compareceu à Adeg (órgão que administrava o Maracanã) e entregou um cheque de Cr$ 800 mil, referente à compra de mais de 115 mil ingressos de todos os setores.

Jornal do Brasil: Flamengo x Olaria, de 26 de Junho de 1971

O destino das entradas, cuja compra alavancaria consideravelmente o Olaria no ranking das rendas, também já estava definido: seria distribuído gratuitamente nas lojas do Ponto Frio, em portas de escolas, orfanatos, asilos e também nas imediações do Maracanã, em Kombis da empresa. Em campo, o Alvianil perdeu por 1 a 0 para o Flamengo, gol de Fio, mas mesmo assim terminou na terceira colocação por pontos – à frente dos próprios rubro-negros (em quarto) e de America (quinto), Vasco (sexto) e Bangu (sétimo). Ficou também à frente do America nas rendas: embora pouco mais de 50 mil torcedores tivessem de fato passado pelas roletas do Maracanã (ainda assim um bom público), o número oficial anunciado foi de 118. 314 pagantes, gerando uma arrecadação que superava a soma dos rubros em mais de Cr$ 200 mil.

Irritado, o America anunciou que não entraria em campo para enfrentar o Bangu no domingo de manhã em São Januário, no que contou também com a adesão do adversário, provocando um W.O duplo em protesto contra o que os dois clubes consideravam uma atitude antidesportiva dos alvianis – embora o presidente do Olaria reiterasse que toda a ideia e a execução do processo de compra da renda haviam sido feitas exclusivamente pelo Ponto Frio.

A questão foi parar nos tribunais, e o time rubro recorreu ao presidente da CBD, João Havelange, para que se pronunciasse em sua causa. A entidade, através de seu diretor técnico Antônio do Passo (ex-presidente da Federação Carioca), decidiu com isso alterar os critérios de classificação para o Brasileiro, passando a adotar o convite puro e simples. E deu a quinta vaga da Guanabara ao America. “Eu não poderia ter outra atitude. Afinal de contas, eu sou responsável pela introdução do mesmo critério no campeonato nacional. Admitir a compra de renda, agora, seria contribuir para desmoralizar o próprio campeonato nacional”, justificou o dirigente.

Ironicamente, durante o Brasileiro a situação voltaria a se repetir envolvendo agora o Vasco, time do qual Antônio do Passo havia sido dirigente: ao fim da primeira fase, o critério de renda dava vaga a alguns clubes na etapa seguinte, e os chamados “cardeais” vascaínos (grupo de alto poder aquisitivo que integrava o conselho do clube) compraram dezenas de milhares de ingressos excedentes para um jogo contra o Palmeiras, no Maracanã, no intuito de garantir a classificação da equipe, que andava mal, por meio deste critério. Com mais este caso, a CBD viu-se obrigada a reformular o regulamento do torneio, criando um novo turno classificatório, e excluindo por ora o critério de renda (que voltaria em anos posteriores).

A vida após a grande campanha

Para o Olaria, porém, já era tarde. O clube acabou sem vaga no Brasileiro e desistiu de participar da Taça Guanabara, disputada em julho, logo após o Carioca. Novamente dirigido por Paulinho de Almeida, depois que Jair Rosa Pinto não renovou o contrato, o Alvianil preferiu embarcar para uma excursão pelo Norte e Nordeste levando todos os seus titulares, muitos deles cobiçados por outros clubes de dentro e fora do Rio (o São Paulo tentou a contratação de Miguel, convocado para a Seleção Brasileira, e o Cruzeiro sondou Alfinete). Retornou invicto, com sete vitórias e três empates.

Os principais nomes do time, no entanto, foram parar quase todos no Vasco, por empréstimo, no segundo semestre: Haroldo, Miguel, Alfinete e Afonsinho seguiram para São Januário, onde disputariam o Brasileiro. Além deles, o atacante Salvador era cedido ao Atlético Mineiro até o fim do ano (do qual retornaria com o título nacional). Luís Carlos e Osni, por sua vez, foram devolvidos ao Santos – e o ponteiro seguiria para o Vitória, onde começaria a se consagrar no ano seguinte.

Para 1972, o Olaria faria uma aposta arriscada, mas sem dúvida de muito impacto, para a disputa do Campeonato Carioca: a contratação de Garrincha, já com 39 anos de idade, levou o clube novamente às capas de revistas e jornais, mas rendeu pouco em campo. O ponta jogou apenas sete partidas, sendo substituído na maioria delas. Junto com ele também chegaram outros veteranos, figuras conhecidas do futebol carioca, como lateral Fidélis (emprestado pelo Vasco) e o zagueiro Mário Tito (vindo do Cruzeiro), ambos campeões com o Bangu em 1966.

Foto de 1972 – EM PÉ (esquerda para a direita): Aluísio, Fernando Pirulito, Mario Tito, Pedro Paulo, Altivo e Mineiro;
AGACHADOS (esquerda para a direita): Garrincha, Ézio, Roberto Pinto, Salvador e Carlos Antonio.
Destes, já faleceram: Mario Tito, Pedro Paulo, Garrincha, Roberto Pinto e Salvador.

Se não chegou a repetir a sensação do ano anterior, o time da Leopoldina fez campanha digna, em especial no primeiro e terceiro turnos. Curiosamente, a equipe foi treinada durante a maior parte do torneio pelo meia Roberto Pinto, que acumulava as funções de jogador e treinador. O Olaria terminou na sexta colocação, novamente como o melhor entre os pequenos. Mas mais uma vez o convite da CBD para disputar o Brasileiro não viria, provocando novas baixas no elenco (o zagueiro Altivo seguiria para o Santos e o lateral-esquerdo Mineiro defenderia o Flamengo, entre outros).

Em 1973, o clube contaria rapidamente com a volta de Afonsinho, que defendera o Santos na temporada anterior e retornava para o Carioca. Ironicamente, embora a campanha desta vez fosse um pouco mais fraca que a do ano anterior (terminaria em sétimo, um ponto atrás do rival Bonsucesso), o clube finalmente receberia o aguardado convite da CBD para disputar o Brasileiro, que de um ano para o outro teria o número de participantes aumentado de 26 para 40 clubes.

No Brasileirão, rodando pelo país

Dez anos depois de disputar pela única vez o Torneio Rio-São Paulo, o Olaria voltaria a cruzar as divisas da Guanabara. Mas já de saída o clube sabia que não teria muita chance de realizar uma grande campanha. Além de não contar por um bom tempo com o meia Roberto Pinto, o grande maestro da equipe, ausente por lesão, a tabela divulgada pela CBD não era favorável. Das 19 partidas do primeiro turno, o Alvianil só jogaria duas no Rio, justamente contra Flamengo e Vasco no Maracanã. O torneio era para o clube como uma grande excursão contando pontos, jogando a cada três ou quatro dias numa capital diferente.

Assim, naturalmente, o começo da campanha foi muito ruim, com apenas quatro pontos somados nos primeiros 11 jogos, sem nenhuma vitória. A reação começou exatamente com o retorno de Roberto Pinto, na partida contra o Atlético-PR no Couto Pereira (na época, chamado de Belfort Duarte): jogando sem dar espaços na defesa e arrancando em perigosos contra-ataques a partir de lançamentos do meia, o time bariri venceu por 2 a 0, gols do armador Gessê.

A partir de então, o time enfileirou uma série de grandes resultados que o transformaram de saco de pancadas a candidato à classificação. Bateu o Santos na Vila Belmiro (com um golaço de bicicleta de Jair Pereira), o Vasco em São Januário, o Remo em Belém, o América potiguar em Natal, o Fluminense e o America carioca no Maracanã e ainda arrancou empates preciosos diante do Botafogo, do Vasco, do Náutico no Recife, do Atlético no Mineirão, do Rio Negro em Manaus e do Figueirense em Florianópolis.

No fim, não foi o bastante para garantir a vaga entre os 20 que passariam para a etapa seguinte, mas o clube conseguiu justificar sua presença naquele torneio, especialmente por ter jogado quase sempre fora de casa, atuando no Rio apenas contra os rivais cariocas. Mas a boa última impressão contribuiu para que o Olaria fosse mantido no Brasileiro de 1974, disputado logo em seguida, a partir de março. Desta vez o clube fez campanha bem mais discreta, destacando-se apenas contra os rivais locais (venceu o Flu e empatou com Fla, Vasco e Bota). E o fim da fase de ouro viria definitivamente no segundo semestre com a campanha decepcionante no Estadual: penúltimo na Taça Guanabara, o Olaria sequer se classificou para os dois turnos seguintes.

Álvaro da Costa Melo, que após um breve afastamento havia retornado ao clube como patrono, decidiu novamente dar adeus em dezembro daquele ano para cuidar da família, da saúde e de seus interesses, como justificou. “Sou Olaria. Continuarei sendo. Mas agora em termos mais distantes. A minha missão está concluída, e bem concluída, modéstia à parte”, afirmou. Seu Melo, porém, voltaria diversas vezes ao clube posteriormente, como patrono ou mesmo na presidência, até falecer em maio de 1993, aos 87 anos. 

Outro adeus simbólico foi o de Roberto Pinto, que após muito pensar, decidiria pendurar as chuteiras em janeiro de 1975. Afonsinho, que havia voltado mais uma vez por essa época, seguiria para o América mineiro antes de se dedicar mais à Medicina do que à bola. Terminava um ciclo histórico para o pequeno clube da Rua Bariri, que dali em diante viveria entre a primeira e a segunda divisões cariocas, às vezes fazendo boas campanhas, às vezes apenas figuração. Em 1981, o Alvianil conquistaria a Taça de Bronze, equivalente ao Brasileiro da Série C, mas no mesmo ano acabaria rebaixado no Estadual. E nunca mais brigaria tão de igual para igual com os gigantes. E nunca mais seria tão rico e tão cheio de classe em campo como naquele início dos anos 70.

Desenho do escudo e uniforme: Sérgio Mello

Colaborou: José Leôncio Carvalho

FONTES: Emmanuel do Valle, do site Trivela – Jornal dos Sports (JS) – Jornal do Brasil (JB)Revista Placar

Esporte Clube São Bento – Angra dos Reis (RJ): escudo da década de 60

Esporte Clube São Bento foi uma agremiação da cidade de Angra dos Reis (RJ). A sua Sede social ficava localizado na Rua Arcebispo Santos, nº 94, no Centro da cidade. Foi Fundado em 1950.

Há poucas informações do São Bento. O que foi apurado é que o time foi Hendecacampeão (11 vezes) de Angra dos Reis em  19511952, 195319541955, 19561957,  19581959, 1960, e 1961. Cinco anos depois disputou o III Campeonato Fluminense de Clubes Campeões Municipais de 1962. Na estreia, nem precisou jogar, uma vez que o seu adversário (Guarani Esporte Clube, de Volta Redonda), desistiu de participar. Assim, avançou para a segunda fase.

Posteriormente, participou do Torneio de Campeões do Estado do Rio de 1964, organizado pela Federação Fluminense de Desportos (FFD)Tupi (Paracambi); São Pedro (São João de Meriti); Mauá e Metalúrgico (São Gonçalo); Tanguá (Rio Bonito); PIauí (FNM); Flamengo (Macaé); Mangueira (Paraíba do Sul); Cantagalo (Cantagalo).

Time base de 1957: Zezito; China e Pindaro; Santos, Benê e João Cidade (Assaid); Artur, Mair, Edson e Ézio.

FONTES: Jornal dos Sports – O Fluminense (RJ) – A Noite (RJ) – Última Hora (RJ)– Mercado Livre