Arquivo da categoria: História do Futebol

Centro Esportivo e Atlético – Ceará-Mirim (RN): Campeão invicto da Segundona Potiguar de 1947

O Centro Esportivo e Atlético é uma agremiação do município de Ceará-Mirim, que fica a 33 km da capital (Natal) do Rio Grande do Norte. A sua Sede fica localizada na Rua Manoel Varela, nº 398, no Centro da cidade. Fundado em 1934, e, no começo de 1953, alterou o nome para Centro Esportivo Cultural.

Na esfera profissional, o Centro Esportivo e Atlético disputou o Campeonato Potiguar da Segunda Divisão de 1947, organizado pela Federação Norte-Rio-Grandense de Desportos (FND).

E, o Centro Esportivo e Atléticonão se fez de rogado“, e sagrou campeão de forma Invicta! A campanha somou 11 vitórias e um empate, nas 12 partidas realizadas. A competição contou com a participação de 12 clubes:

Centro Esportivo e Atlético (Ceará Mirim);
Cruzeiro Futebol Clube (Macaíba);

Mauá Futebol Clube (Natal);

Extremoz Esporte Clube (Extremoz);

Onze Futebol Clube (Natal);
Guarani Futebol Clube (Macaíba);
Potengi Recreativo Clube (Natal);
São Paulo Futebol Clube (Macaíba);
Íris Futebol Clube (Natal);
Tirol Futebol Clube (Natal);
Cruzeiro do Norte Futebol Clube (Natal);
Luzitânia Futebol Clube (Ceará Mirim).

Time base de 1938: Ezequiel; Joaquim e Chico; Fernandes, Paraíba e Matias; Cacité, Cláudio, Barbosa, Zito e Marinho.

Time base de 1939: Ezequiel; Álvaro e Murilo; Fernandes, Duó e Campos; Machado, Penha, Paulo, Laurindo e Siqueira.

Time base de 1948: Epitácio; Murilo e Mario; Paulo (Auzair), Medeiros e Jorge (Newton); Machado (Mendes), Domingos, Geraldo (Duó), Siqueira (Vicente) e Luís.

Time base de 1950: Ezequiel; Matias (Joaquim) e Romão (Zezé); Chicó (Paulo), Bi (Cláudio) e G. Ferreira (Preá);  Cacité, Cláudio, Abel, Petrônio (Juarez) e Marinho.

Desenho do escudo, uniforme e texto: Sérgio Mello

Colaborou: Adeilton Alves

FOTO: Acervo de Virgílio Netto Vital Rocha

FONTES: Diário de Natal (RN) – A Ordem (RN)

Esporte Clube São Bento – Angra dos Reis (RJ): escudo da década de 60

Esporte Clube São Bento foi uma agremiação da cidade de Angra dos Reis (RJ). A sua Sede social ficava localizado na Rua Arcebispo Santos, nº 94, no Centro da cidade. Foi Fundado em 1950.

Há poucas informações do São Bento. O que foi apurado é que o time foi Hendecacampeão (11 vezes) de Angra dos Reis em  19511952, 195319541955, 19561957,  19581959, 1960, e 1961. Cinco anos depois disputou o III Campeonato Fluminense de Clubes Campeões Municipais de 1962. Na estreia, nem precisou jogar, uma vez que o seu adversário (Guarani Esporte Clube, de Volta Redonda), desistiu de participar. Assim, avançou para a segunda fase.

Posteriormente, participou do Torneio de Campeões do Estado do Rio de 1964, organizado pela Federação Fluminense de Desportos (FFD)Tupi (Paracambi); São Pedro (São João de Meriti); Mauá e Metalúrgico (São Gonçalo); Tanguá (Rio Bonito); PIauí (FNM); Flamengo (Macaé); Mangueira (Paraíba do Sul); Cantagalo (Cantagalo).

Time base de 1957: Zezito; China e Pindaro; Santos, Benê e João Cidade (Assaid); Artur, Mair, Edson e Ézio.

FONTES: Jornal dos Sports – O Fluminense (RJ) – A Noite (RJ) – Última Hora (RJ)– Mercado Livre

Inédito!! Coruputuba Futebol Clube – Pindamonhangaba (SP): Fundado em 1920

O Coruputuba Futebol Clube foi uma agremiação do município de Pindamonhangaba (SP). A sua Sede ficava localizada na Fazenda de Coruputuba, em Pindamonhangaba.

Fundado em 1920, foi a 1ª equipe de futebol da fazenda, juntamente com a indústria do papel que iniciava suas atividades na cidade e que nos anos subseqüentes se tornaria uma potência na região do Vale do Paraíba, no estado de São Paulo, Brasil e América do Sul.

As cores definidas para a equipe eram o preto e branco, que fizeram parte do uniforme em vários modelos de camisas, como por exemplo, camisas listradas dentre outros modelos.

Alguns nomes que defenderam a equipe durante esse período: Bimbim, Alemão, Chico Preto, Marcílio, Barbeirinho, Lobo, Nino, Nico Giovanéli, Mineiro, Fusco, João Leal, João Ribeiro, Nininho, Rubens Café, Zé Marine, dentre outros.

Sabe-se que o Coruputuba Futebol Clube existiu até a década de 50, quando acabou extinto, dando lugar a uma nova equipe que se chamava Associação Esportiva Industrial. Entre os anos 40 e 50, disputou algumas edições do Campeonato Paulista do Interior.

Desenho do escudo, uniforme e texto: Sérgio Mello

Colaborou: Rodrigo S. Oliveira

FONTES: Beatriz Cristina de Oliveira – Luiz Gustavo Souza Silva – A Gazeta Esportiva (SP)

Escudo inédito, de 1954: Auto Esporte Clube – João Pessoa (PB)

O Auto Esporte Clube é uma agremiação da cidade de João Pessoa (PB). O “Clube do Povo” foi Fundado no dia 07 de Setembro de 1936, por um grupo de taxistas que se concentravam na Praça do Relógio, hoje conhecido como Ponto de Cém Reis, no centro da cidade de João Pessoa.

No entanto, por motivos até então desconhecidos, seu aniversário é comemorado no dia 7 de setembro. É conhecido como o Clube do Povo e o seu mascote é o macaco. É o quarto maior vencedor do Campeonato Paraibano de Futebol.

Nos primeiros anos, o Auto treinava nos campos localizados no centro da capital, o que foi lhe dando popularidade, devido a isso, arrastou multidões aos estádios, e pouco a pouco, criando a sua originalidade que até hoje é conhecido como o Clube do Povo.

Dando início a sua galeria de troféus, o Clube do Povo em 1939 conquistou o seu 1º campeonato paraibano e de maneira invicta. Em 1959 foi o primeiro clube paraibano a disputar uma competição nacional, a Taça Brasil (hoje reconhecida como Campeonato Brasileiro pela CBF).

Conquistou esse direito depois de ter sido campeão paraibano do ano anterior. Já no ano de 1993 foi o primeiro paraibano a vencer na Copa do Brasil ao derrotar o Paysandu por 2a1 no Estádio Almeidão, em João Pessoa.

PRIMEIRO JOGO INTERNACIONAL

No ano de 1951 o Auto Esporte Clube realizou sua primeira partida internacional, contra a tripulação do barco argentino Punta Del Loyola, que estava ancorado no porto de Cabedelo, e venceu por 5 a 1.

CAMPEÃO INVICTO DE 1939

Em 1939, o Auto Esporte sagrou-se Campeão Paraibano invicto, pelo campeonato organizado pela LDP (Liga Desportiva Paraibana). No primeiro compromisso, o Auto Esporte venceu ao Treze por 3 a 2; em seguida derrotou o Esporte Clube União por 2 a 1; Palmeiras-PB por 2 a 1, para, 8 dias depois, empatar em 1 a 1 com o Botafogo-PB e, finalmente, encerrar a temporada, aplicando a goleada de 7 a 1 ao Felipeia.

Quadro campeão, com os jogadores que revezaram durante a temporada: Terceiro (Lins), Biu (Lucena), Zé Novo, Henrique, Gerson, Aluízio, Neco de Cabedelo e Formiga (Pé de Aço); Pitôta, Pedrinho e Misael.
1958: AUTO CONQUISTA O ESTADUAL DUAS VEZES

O Campeonato Estadual de 1956, conquistado pelo Auto Esporte, só foi decidido dois anos depois, numa série em “melhor de três”, entre Auto e Botafogo-PB.

O alvirrubro venceu o primeiro jogo pelo escore de 2 a 1, no Estádio Olímpico. O placar foi inaugurado aos 21 minutos do primeiro tempo, por intermédio de China, marcando para o Auto Esporte. Pedro Negrinho empatou aos 36 ainda na fase inicial. No segundo tempo coube a Delgado marcar a tento que deu a primeira vitória ao quadro automobilista.

Na semana seguinte, foi decidido o campeonato com o Auto vencendo mais uma vez por 2 a 1, escore que lhe deu o título de Campeão Paraibano de 1956, com a seguinte equipe: Freire, Calado e Lucas; Xavier, Américo e Croinha; Pitada, China, Delgado, Massangana e Alfredinho.

No dia 21 de dezembro de 1958, no Estádio Leonardo da Silveira, Auto Esporte e Íbis se empenharam na luta pelo título estadual, que acabou sendo conquistado pelo quadro automobilista pelo placar de 3 a 1, marcando para os vencedores Piau (2) e Alfredinho, cabendo a Moacir descontar para o Íbis. O time campeão atuou com: Agostinho; Wilson e Américo; Élcio, Joca e Croinha; Tito, China, Macau, Alfredinho e Piau.


TÍTULO DE 1987 ACABA COM JEJUM DE QUASE TRÊS DÉCADAS

Em 2 de novembro de 1987, perante um público de 15 mil espectadores, o Auto Esporte conseguiu, ao empatar com o Botafogo-PB, quebrar um tabu que já vinha durando 29 anos sem conquistas do Campeonato Paraibano.

O árbitro deste jogo foi José de Assis Aragão, que pertencia à Federação Paulista de Futebol e deixou de validar um gol do Botafogo-PB, marcado pelo lateral-direito Santana Filho, quando o jogo estava 0 a 0. Os assistentes foram José do Egito e Marcos Nunes Teobaldo, ambos da Paraíba.

Para desespero da torcida motorizada, o Botafogo partiu na frente. Mas o Auto Esporte teve forças para empatar com Bona, aos 44 minutos da etapa final. A equipe esteve formada assim: Adaílton; Walter, Neurilene, Marconi e Carlito; Farias, Dagoberto (Dentinho) e Tola; Zé Carlos, Isaías e Anchieta (Bona). O Auto Esporte na ocasião era treinado por Víctor Hugo e presidido por João Máximo Malheiros.
CAMPEÃO ESTADUAL DE 1990 E 1992

Durante o Campeonato Paraibano de 1990, era inegável que, mesmo antes de terminar o campeonato, o Auto tinha o melhor time. A confiança excessiva da torcida e da diretoria, acabou provocando um clima de guerra para o jogo contra o seu principal rival. O Botafogo-PB bem que tentou dificultar os passos do quadro volante.

Porém, isso nada valeu, pois Neto Surubim recebeu uma bola cruzada e bateu forte para o gol, sem chances de defesa para o goleiro Marola, do Botafogo-PB. O placar de 1 a 0 garantiu o título ao Auto Esporte, sob comando do treinador Mineiro, com a seguinte escalação: Jorge Pinheiro; Santana, Carlinhos Paraíba, Gilvan e Mano; Farias Álvaro e Neto Surubim (Adriano); Cao (Gilmar), Isaías e Betinho.

No Estadual de 1992, os alvirrubros fizeram a festa do título em pleno Estádio Amigão, diante dos torcedores trezeanos, que eram a maioria. Após a derrota no tempo normal de jogo, o Auto esteve impecável taticamente na prorrogação.

Mais ativo na partida, indo para o tudo ou nada, haja vista que o empate interessava unicamente ao Treze, o Auto fez o gol da vitória na prorrogação, aos 5 minutos, com Cristiano marcando o tento alvirrubro.

O Auto Esporte jogou com: Zenóbio; Gilmar (Cao), Salerno, Carlinhos Paraíba e Adriano; Deoclécio, Nilo e Betinho; Walber (Everton), Isaías e Cristiano. Técnico: Carlos (Carlão). Ainda neste mesmo ano, o Auto Esporte terminou na 3ª colocação do Campeonato Brasileiro da Série C.

O Auto Esporte é o único clube paraibano a fazer excursão à Europa, em 1999. Em 2004, o Auto Esporte foi rebaixado para a Segunda Divisão paraibana, retornando, no ano de 2006 à elite do futebol paraibano. No dia 29 de maio de 2011 o Auto Esporte é campeão da Taça Brasil de Futsal Sub-17 – 2ª Divisão, levando o futsal paraibano para a 1ª Divisão do campeonato. O destaque do time foi o ala Netinho, camisa 10 da equipe.

O Auto Esporte sagrou-se, no dia 29 de outubro de 2011, campeão da Copa Paraíba 2011 em cima do Treze, vencendo por 3 a 1. Em 2012 o Auto Esporte foi eliminado na primeira fase da Copa do Brasil pelo Bahia, ao perder por 3 a 0, no Estádio Almeidão. Ficou em oitavo lugar no Campeonato Paraibano de Futebol de 2012.

E a partir daí, o Auto Esporte começou a ter um desempenho muito ruim. E até hoje tem lutado para recuperar a época das grandes conquistas.

Desenho do escudo, uniforme e texto: Sérgio Mello

FOTO: Matheus Emmanuel

FONTES: Wikipédia – http://automaniacos1939.blogspot.com.br/ Jornal O Norte de (04/11/54)

Escudo Raro de 1952: Botafogo Futebol Clube – João Pessoa (PB)

O Botafogo Futebol Clube (Botafogo da Paraíba) é uma agremiação da cidade de João Pessoa (PB). A sua Sede está localizada na Rua Antonio Teotônio, nº 688, no bairro Cristo Redentor, em João Pessoa.

O Estado da Paraíba ainda respirava o ar da Revolução de 1930. A capital acabava de trocar de nome, já se chamava João Pessoa. Afetados ou não pelos trágicos acontecimentos políticos, um valoroso grupo de estudantes paraibanos tinha como passatempo predileto participar das peladas nas dezenas de terrenos baldios, ainda existentes, nos arredores de suas residências.

Foi exatamente em torno desse grupo de talentosos atletas adolescentes que foi amadurecendo a ideia de se fundar um novo clube. Assim, depois de uma “Assembleia” de muitos palpites, o “Belo” foi Fundado na segunda-feira, do dia 28 de Setembro de 1931, vários garotos, que nem imaginavam que estavam dando vida a um dos times mais tradicionais do estado da Paraíba.

Eles decidiram por este nome e montaram, então, a sua 1ª diretoria:

Presidente: Beraldo de Oliveira

Vice-Presidente: Manoel Feitosa (Nezinho)

1º Secretário: Livonete Pessoa

2º Secretário: José de Melo

Tesoureiro: Edson de Moura Machado

Orador: Enock Lins.

O palco do tão importante acontecimento foi uma modesta casa, a de nº 45, da rua Borges da Fonseca, hoje Av. D.Pedro II, bem próxima à esquina da Rua 13 de maio.

O nome “Botafogo”

O Belo, traz em sua história uma grande curiosidade na escolha do nome. O jornalista André Resende escreveu um livro (ainda inédito) em que fala sobre o clássico Botauto. E, segundo suas pesquisas, registros históricos retirados de jornais da época mostram que o nome saiu em meio a um contexto de greve em João Pessoa, no início da década de 1930.

– Nos primeiros registros que se teve acesso, o nome do clube aparece escrito separado: Bota-Fogo, por conta de alguns funcionários do jornal A União, que participaram da fundação do clube. Eles estavam passando por uma greve na época. E queriam usar o time recém-fundado como forma de protesto.

Durante os três meses após a sua fundação, a equipe do Botafogo conseguiu bons resultados e foi, a partir daí, conquistando a simpatia dos pessoenses. O primeiro amistoso que o Botafogo realizou foi contra o Triunfo, tendo vencido por 1 x 0 em jogo realizado no Campo do América, onde hoje está instalada uma caixa d’àgua da Cagepa, na rua Diogo Velho.

Na época, o Botafogo jogava com a seguinte formação: Beraldo, Louro e Nilton; Henrique, Pires e Mario; Bilica, Paulo, Ponzinho, Galego e Luca.

No ano seguinte à sua fundação, o Botafogo participou do Campeonato de Juvenis disputado na Escola de Aprendizes de Marinheiro, local onde, atualmente, encontra-se a Maternidade da Legião Brasileira de Assistência (L. B. A.), oportunidade em que conquistou o seu 1º título com o seguinte time base: Beraldo, Louro e Quidão; Aluysio, Vicente e Marinho; Bilica, Souzinha, Mario, Viegas e Zé Henrique. Reservas: Wamberto e Huerta.

Animado com os resultados, em 1933 vinculou-se à Liga de Barreira, hoje Bayeux, conhecida como Liga Suburbana, ou “Liga do São Bento”, que fazia uma relativa concorrência à LDP (Liga Desportiva Paraibana) que funcionava em caráter oficial.

A animação era tão grande que muita gente boa procurava a referida entidade. O Botafogo, pois, concorreu ao campeonato daquela liga, conquistando o título máximo em renhida porfia com o “São Bento”, que em decisão do certame foi abatido por 3×1. Nesse ano de 1933, o Botafogo apresentou-se assim constituído: Pagé, Genival e Rossini; Paulo, Teixeira e Nilo; Zé Henrique, Duílio, Windsor, Bilica e Von Shosten.

O resultado deu mais ânimo ao clube e meses depois, já em 1934, pedia filiação à Liga Desportiva Paraibana. Depois da filiação, o Botafogo passou a pensar na formação de uma boa equipe e reforçou-se com jogadores dos principais clubes filiados à LDP.

O Botafogo formou um timaço e tornou-se uma agremiação respeitada, principalmente porque passou a ser uma equipe mais prestigiada por seus torcedores em razão da qualidade de cada jogador.

Os resultados logo apareceram. Em 1935 sagrou-se Vice-Campeão Paraibano. Mas o seu 1º título de Campeão Paraibano surgiu em 1936. E daí logo se tornou tricampeão Paraibano ao conquistar também os campeonatos de 1937 e 1938.

Da sua fundação até hoje o Botafogo construiu uma bela história na Paraíba. Já são 31 títulos conquistados como Campeão Paraibano, e grandes vitórias a nível nacional e internacional. E se o Botafogo cresceu, se ele representa tantas tradições, deve-se muito à sua torcida.

E representando essa torcida, deve-se fazer referência a uma colaboradora anônima: a senhora Sebastiana de Oliveira, mãe de um dos fundadores e primeiro presidente do clube, Beraldo de Oliveira, que, com amor e carinho, cuidava do filho, do clube e de seus amigos, chegando a utilizar suas poucas economias para ajudar os meninos na compra de material esportivo e com outras despesas.

Mas se o Botafogo perdia, dona Sebastiana de Oliveira sentia mais que os garotos. Foi ela, portanto, a primeira grande torcedora, primeira grande sacrificada pelo clube. Seu exemplo foi seguido, ao longo dos anos, sabendo-se que muitos outros sacrifícios jamais deixarão apagar a chama ateada por Beraldo de Oliveira e amigos.

Texto, desenho do escudo e uniformes: Sérgio Mello

FOTO: Acervo de Raimundo Nóbrega

FONTES: Site do clube – Federação Paraíbana de Futebol – o livro “A História do Futebol Paraibano”, de  Walfredo Marques – livro “Memória do Botafogo Paraibano – Vols. 1 e 2”, de  Raimundo Nóbrega – Matheus Emmanuel

Aquiles (ex-Marcílio Dias, Barroso e Internacional)

por Fernando Alécio
Diretor de Memória e Cultura do C. N. Marcílio Dias

Funcionário do banco Inco, Achilles Pagnoncelli chegou a Itajaí em 1959, aos 19 anos, transferido da agência de Concórdia, onde nasceu em 20 de setembro de 1940. Na cidade natal, jogava pelo time do Guaycurus e seu apurado faro de gol começou a despertar o interesse de clubes de outras regiões de Santa Catarina.

Jorginho e Aquiles no Guaycurus. Ambos jogariam depois no Marcílio Dias. Acervo Fernando Alécio.

A vinda para Itajaí foi uma operação articulada pelo diretor de recursos humanos do banco, Ary Garcia, que também era diretor do Marcílio Dias. “A transferência visava, no fundo, possibilitar que eu jogasse no Marcílio”, explicou o craque em depoimento ao livro Torneio Luiza Mello — Marcílio Dias Campeão Catarinense de 1963.

Ficha de Aquiles na Federação Catarinense de Futebol. Acervo Fernando Alécio.

Sua estreia se deu no dia 11 de outubro de 1959, na goleada de 5 a 0 aplicada pelo Rubro Anil sobre o Estiva, pelo Torneio Prefeito Carlos de Paula Seára, no estádio do Almirante Barroso, ao entrar no lugar de Antoninho Carvalho. Com o manto rubro anil, Aquiles (como seu nome era escrito nos jornais) não tardou para se tornar um dos ídolos da torcida. Artilheiro nato, formou com Idésio e Renê um trio que impunha terror aos goleiros. Juntos, os três atacantes somam mais de 300 gols pelo clube.

Renê, Idésio e Aquiles. Acervo Fernando Alécio

Em 1962, Aquiles foi um dos destaques do time no Campeonato Sul-Brasileiro. Marcou quatro gols na competição, o mais lembrado deles diante do Internacional de Porto Alegre, no 28 de fevereiro, uma quarta-feira à noite. Na época o Estádio Doutor Hercílio Luz não possuía iluminação noturna e o jogo foi realizado em Blumenau, no estádio da Alameda Rio Branco. Aos 32 minutos do segundo tempo, Sombra passou por três adversários e tocou para Idésio. Este serviu Aquiles, que chutou forte para as redes e decretou a vitória marcilista por 1 a 0.

Outro gol de Aquiles especialmente lembrado ocorreu em 17 de junho de 1964, contra o Coritiba do então jovem goleiro Raul Plassmann, no amistoso que marcou a inauguração do sistema de iluminação do Estádio Doutor Hercílio Luz. O Marcílio venceu por 1 a 0. Neste jogo, Aquiles foi observado pelo técnico do Internacional, Sérgio Moacir Torres, que indicou sua contratação ao clube gaúcho.

Gol de Aquiles no goleiro Raul Plassmann do Coritiba em 1964. Acervo Gustavo Melim.

Além de gols, Aquiles também colecionou títulos no Marcílio Dias, sagrando-se tetracampeão da Liga Itajaiense (1960, 1961, 1962 e 1963) e campeão catarinense de 1963. Participou de todos os 18 jogos da campanha do título estadual e marcou 11 gols, quatro deles no massacre de 8 a 1 sobre o Paysandu, em Brusque. Também deixou sua marca em outra goleada, novamente em Brusque, desta vez contra o Carlos Renaux, anotando um dos gols da vitória por 4 a 1 no jogo que garantiu o título com uma rodada de antecipação, no dia 23 de fevereiro de 1964.

Aquiles com a faixa de campeão do centenário (Liga Itajaiense de 1960). Acervo Fernando Alécio.

Duas semanas depois, em 8 de março de 1964, voltaria a fazer gols decisivos: balançou as redes duas vezes na final do torneio da Liga Itajaiense de 1963, na vitória por 3 a 2 sobre o Almirante Barroso, no Estádio Doutor Hercílio Luz. A vitória valeu ao Marcílio Dias a Taça Lauro Müller e a conquista do campeonato citadino pelo quarto ano consecutivo.

Internacional (1964)

O ímpeto goleador de Aquiles chamou a atenção de grandes clubes e ele foi contratado pelo Internacional em junho de 1964 por 10 milhões de cruzeiros, mas ficou pouco tempo em Porto Alegre. Fez seu primeiro jogo com a camisa colorada no empate sem gols contra o Grêmio Atlético Farroupilha, em Pelotas, no dia 9 de agosto de 1964, pelo Campeonato Gaúcho.

Carta de despedida da diretoria do Marcílio Dias a Aquiles, na qual destaca que foi um atleta exemplar. Acervo Gustavo Melim.

Onze dias depois, em 20 de agosto, o centroavante catarinense disputaria seu primeiro e único Grenal: vitória do Inter por 2 a 0, num amistoso realizado no Estádio Olímpico em homenagem ao Dia do Cronista. Naquela partida, Aquiles jogou improvisado no meio-campo, o que prejudicou seu rendimento no clássico. Aquiles atuou em apenas quatro jogos pelo Internacional, de acordo com o Almanaque Colorado, de Alessandro Moraes.

O Marcílio não viu a cor da grana da transferência e a cobrança virou uma anedota. Em 1966, o presidente Antônio Célio Moreira mandou o então diretor jurídico do clube, Delfim de Pádua Peixoto Filho (ex-presidente da Federação Catarinense de Futebol, falecido em 2016 na tragédia da Chapecoense) ir a Porto Alegre cobrar a dívida. O Inter alegou que não possuía dinheiro e ofereceu dois jogadores. Moreira não aceitou e ordenou que Delfim executasse a dívida judicialmente. “Foi a cobrança mais rápida na história da Justiça de Porto Alegre. O oficial era gremista e o juiz também”, contou Delfim, entre risos, em depoimento ao já mencionado livro sobre o título estadual de 1963.

Retorno ao Marinheiro

Em 1965, o atacante estava de volta ao Marcílio Dias. Permaneceu até fevereiro de 1967, quando rescindiu o contrato e recebeu passe livre. Em maio daquele ano, Aquiles “atravessou a avenida” e foi jogar no rival Almirante Barroso. Retornou pela terceira vez ao Marinheiro em 1969 e reencontrou Idésio, que também regressava ao clube naquela temporada. De acordo com dados apurados pelo pesquisador Gustavo Melim, Aquiles soma mais de 230 jogos e mais de 115 gols em suas três passagens pelo Marcílio Dias, estando entre os três maiores artilheiros da história do clube.

Aquiles: mais de 115 gols pelo Marinheiro.

Fonte: https://medium.com/marciliodias/aquiles-4fad8b7a0e1e

Sport Club 1º de Maio – Rio de Janeiro (RJ): Tricampeão Carioca do D.A., em 1954-55-56

1° de Maio Futebol Clube  foi uma agremiação da cidade do Rio de Janeiro (RJ). O clube Alvianil foi  Fundado na quinta-feira, do dia 1º de Maio de 1919, com o nome de Sport Club 1º de Maio.

A Sede ficava na Rua Conde da Leopoldina, nº 60, no Bairro de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio. Nos anos 30, se transferiu para a Rua Bonfim, nº 170, no Bairro de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio.

Apesar das escassas informações, vale a pena o registro do Tricampeão do Campeonato Carioca do Departamento Autônomo (D.A.) de 1954, 1955 e 1956, organizado pela Federação Metropolitana de Futebol (FMF).

Flâmula: Acervo de Raymundo Quadros

Desenho do uniforme e escudo: Sérgio Mello

FONTES: Vida Domestica (RJ) -A Manhã – Diário da Noite – Correio da Manhã – A Noite – Jornal do Brasil

Escudo raro, década de 70: Tupã Futebol Clube – Tupã (SP)

O Tupã Futebol Clube é uma agremiação do município de Tupã, interior do estado de São Paulo. Sua Sede está localizado na Rua Chavantes, s/n, no Centro de Tupã (SP). As suas cores do tricolor: vermelho, preto e branco.

O “Tricolor da Alta Paulista” ou “Indião do Oeste Paulista” foi Fundado no sábado, do dia 08 de Fevereiro de 1936, por um grupo de 30 pessoas, que se reuniram à noite numa congregação para definir os detalhes da criação de um time de futebol para a cidade de Tupã.

O nome acabou sendo escolhido como Tupã Futebol Clube. Antônio Caran, o dono do local onde se realizou a reunião, foi nomeado o 1º presidente, enquanto Tobias Rodrigues desenhou o uniforme nas cores vermelha, preta e branca.

Vergilio Pereira de Araújo encarregou-se de escolher o local do estádio, que nada mais era que um campinho cercado de árvores nobres e plantações de café.

O Tupã tem em sua história partidas memoráveis, como, por exemplo, em 1948, quando a equipe do Santos viajou 10 horas até a cidade e perdeu por 3 a 2. Em 1950, mais uma contundente vitória sobre o time santista por 4 a 2. Em 1954, o time ficou com o vice-campeonato da Copa Anchieta, equivalente à Segunda Divisão da época.

Foto do ex-jogador Pulga

Conhecido como “o mais querido da Alta Paulista“, o Tupã tem uniforme que segue o padrão do São Paulo, com listras horizontais preta e vermelha, formando o conjunto tricolor.

Durante alguns recentes anos de sua história, o clube alterou seu uniforme, adotando as cores do município (branco, amarelo e azul), bem como seu escudo. As alterações não foram bem-vindas pela torcida, tendo o uniforme retornado à sua configuração inicial anos depois.

O escudo do clube também passou por mudanças, como em 1998, quando o símbolo ganhou um trovão, como referencia o Deus Tupã. Em 2000, um rosto indígena foi colocado sobre o escudo, mas depois o clube retornou ao símbolo original, similar ao do São Paulo.

Começou a disputar competições profissionais em 1949, jogando a Segunda Divisão até 1954. No ano seguinte, não disputou a competição, somente retornando em 1956. Em 1960, disputou a terceira divisão, retornando para a principal divisão de acesso no ano seguinte.

Em 1968, não disputou nenhuma competição, voltado no ano seguinte para a Terceira Divisão, deixando de disputar novamente um campeonato em 1970. Intercalou participações entre a segunda e terceira divisões até 1983, quando pediu licença junto a Federação. No início da década de 1980, teve confrontos memoráveis com a Penapolense.

Voltou a disputar a Terceira Divisão em 1985, permanecendo na divisão até 1993, quando caiu para a quarta divisão. Nessa década, teve bons jogos com o Rio Branco, de Ibitinga, com o Jaboticabal, com o Corinthians de Presidente Prudente e com o Barretos.

Na década de 2000, continuou a disputar a quarta divisão, tendo desistido da competição em 2006, retornando no ano seguinte.

Acesso a A-3 em 2013

O Tupã não começou bem e perdeu a primeira partida em casa para o Grêmio Prudente por 1 a 0, depois foi batido fora pelo Osvaldo Cruz por 2 a 1 e empatou por 2 a 2 com o Assisense diante de sua torcida. Então a diretoria optou por demitir o técnico China, que tinha montado todo o elenco.

Tupãzinho, então gerente de futebol, assumiu o comando técnico e elevou o aproveitamento. Com o ex-jogador no comando, o Tupã passou a ser consistente.

Além de garantir os três pontos diante de seu torcedor, o time sempre arrancava pontos dos adversários fora de casa, conseguindo avançar no torneio. Logo na estreia de Tupãzinho, goleada sobre o Presidente Prudente por 4 a 0.

Depois, o time devolveu a derrota para o Grêmio Prudente pelo mesmo placar. A partir de então, o time engatou uma sequência de vitórias no estádio Alonso Carvalho Braga, onde manda seus jogos. Com 13 pontos, o Tupã terminou na 2ª posição do Grupo 02 e avançou para o Grupo 14, onde teve Atibaia, Cotia e Américo como rivais.

A campanha em casa seguiu impecável: 2 a 1 sobre o Américo, 1 a 0 sobre o Cotia e 3 a 1 sobre o Atibaia. Fora de casa, arrancou um empate na última rodada por 2 a 2 com o Américo e garantiu a ponta da chave.

A terceira fase fez com que o Cotia novamente entrasse no caminho do Tupã. Os demais integrantes do Grupo 17 eram Primavera e Tanabi. Apesar das dificuldades, o Tupã conquistou 11 pontos, vencendo três em casa (2 a 1 sobre o Primavera e Cotia e 3 a 2 sobre o Tanabi) e arrancando dois empates como visitante (0 a 0 com Tanabi e 1 a 1 com o Primavera).

A invencibilidade em casa teve fim na quarta fase. Logo na estreia, o Tupã foi surpreendido pela Matonense, que venceu por 2 a 1. A vaga na Série A3 do Campeonato Paulista parecia distante, mas o clube soube recuperar os pontos perdidos.

Uma meta foi traçada: fazer pelo menos quatro pontos nas próximas duas partidas como mandante. E o empate com o Paulistinha por 1 a 1 e a vitória sobre o Atibaia por 1 a 0 trouxeram a confiança de volta à equipe. O clube goleou o Atibaia por 5 a 1 e chegou na penúltima rodada dependendo apenas de suas próprias forças para garantir o acesso.

7.500 torcedores compareceram no estádio e empurraram a equipe para a vitória, por 3 a 1, sobre o Paulistinha. O clube não chegou à final, pois perdeu diante da Matonense, mas o acesso da equipe consagrou Tupãzinho como treinador. Em 2014 e 2015, fez campanhas razoáveis na Série A3, mas acabou voltando para a Segunda Divisão (4º nível) em 2016.

HINO

Da nação indígena surgiu

O Tricolor mais querido!

E jogando um futebol exuberante,

corações ele atingiu.

Muitos craques passaram pelo time,

muitos gols eles fizeram!

Na derrota nunca esmoreceram,

nas vitórias muitas glórias!

Dá-lhe Tricolor! Dá-lhe Tricolor! (Refrão)

Muita garra, luta e determinação!

Dá-lhe Tricolor! Dá-lhe Tricolor!

Muita garra, luta e determinação!

Estádio Alonsão

A equipe manda os seus jogos no Estádio Municipal Alonso Carvalho Braga, o “Alonsão“, com capacidade para 12 mil pessoas. O local foi construído em 1942, na época com arquibancadas de madeira.

Posteriormente teve a construção de cinco mil lugares em arquibancadas de concreto, ampliadas na década de 80, para 10 mil lugares. A última ampliação aconteceu no inicio dos anos 90, quando chegou-se aos 14.800 lugares (com arquibancadas metálicas no setor das Gerais).

O Alonso Carvalho Braga conta também com cabines para rádios, camarotes, sala para filmagem, sala para convidados, sala com ar-condicionado para reuniões, quatro banheiros, dois bares, roletas com cartão magnético, vestiários amplos, sala da diretoria, sala de fotos e troféus, complexo de alojamentos, iluminação noturna por quatro torres de holofotes com doze refletores cada, placar, campo com gramado natural e com dimensões apropriadas ao futebol.

Atualmente a capacidade do estádio abaixou para 12 mil lugares devido às regras estipuladas pelo Corpo de Bombeiros. O estádio é palco de jogos inesquecíveis à torcida local, com público considerável.

Texto, desenho e pesquisa: Sérgio Mello

Colaborou: Rodrigo S. Oliveira

FOTO: Acervo de Vicente Henrique Baroffaldi e Paulo Micali

FONTES: Wikipédia – Federação Paulista de Futebol (FPF) – site do clube