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Potyguar Futebol Clube – Currais Novos (RN): Nove participações na elite do Estadual

O Potyguar Futebol Clube (atual: Associação Cultural e Desportiva Potyguar Seridoense) foi uma agremiação do município de Currais Novos, que fica na região do Seridó, a 182 km da capital  (Natal) do estado do Rio Grande do Norte. A localidade conta com uma população de 45.060 habitantes, segundo o Censo do IBGE/2015.

O “Leão do Seridó” foi Fundado na sexta-feira, do dia 15 de janeiro de 1960, com o nome de “Potiguar Futebol Clube“, nas cores em vermelho e branco. Já a sua Sede ficava na Avenida Coronel José Bezerra, s/n, no Centro da cidade.  Em 1976, a Sede passou a ser na Rua Bernadete Xavier, s/n, no bairro de Currais Novos, na cidade homônima, aonde ficava o Estádio Municipal Coronel José Bezerra.

Alguns títulos na esfera amadora

Em 1967, o clube se sagrou campeão do Campeonato de futebol Interiorano, o “Matutão“. Em 1973, foi campeão do Campeonato Seridosão de Futebol, considerado o mais importante torneio amador da região do Seridó.

Mané Garrincha jogou em Currais Novos

Potiguar F.C. da década de 60

Um dos maiores jogadores de todos os tempos do futebol brasileiro e mundial Mané Garrincha jogou em 1973, vestindo a camisa da Liga Desportiva Curraisnovense, que era a seleção local, cujo a base era do Potyguar, para disputar um amistoso contra o seu maior rival na época o tradicional Centenário de Parelhas.

A “Seleção de Currais Novos” venceu por 2 a 1, com dois gols de Nabor Filho um dos maiores ídolos da história do clube. Nessa época o time era chamado de “seleção currais-novense“.

Dedé de Dora: um capítulo à parte

Início da década de 70

O maior ídolo da história do Potyguar foi José Gomes de Medeiros, o “Dedé de Dora” revelado pelo próprio clube e mais tarde se tornaria ídolo nos dois maiores clubes do estado o ABC e o América de Natal.

Convite para jogar na elite do futebol do estado fez o clube realizar mudanças

O clube permaneceu amador até 1976, quando recebeu o convite da Federação Norte-Rio-Grandense de Futebol (FNF), para debutar no Campeonato Potiguar da 1ª Divisão daquele ano.  

Talvez uma das razões de receber o convite é que o presidente de honra do clube, na época, era o senador da república Agenor Nunes de Maria (entre 1975 a 1983); também o apoio do prefeito de Currais Novos, Bitamar Bezerra Barreto (ARENA, governou entre 1973 a 1977), o empresário Radir Pereira de Araújo, que era o patrono do clube e o presidente Benedito Targino.

Após aceitar o convite, foi realizado no cinema da cidade, um plebiscito, para definir qual seria o nome da equipe: Potyguar ou Seridó? E, evidentemente, o escolhido foi o primeiro nome. 

Como já existia o alvirrubro Potiguar de Mossoró, a diretoria para se diferenciar resolveu  agregar a letra ‘Y‘, passando a se chamar “ Potyguar Futebol Clube“.

A grafia do nome do time mereceu charges na imprensa natalense que passou a chamá-lo de “Potyguar com Ípsilon“. O comércio, das minerações de Currais Novos, e os próprios torcedores ajudavam financeiramente o clube.

Depois, viajaram até a cidade de Fortaleza (CE), e, compraram o novo material esportivo, similar ao Fortaleza Esporte Clube. Dessa forma o vermelho e branco, ganhou a companhia do azul, passando a ser Tricolor.

A prefeitura de Currais Novos realizou uma reforma completa no Estádio Municipal Cel. José Bezerra, com capacidade para cerca de 2 mil pessoas, num custo de mais de 200  mil cruzeiros. Dentre as melhorias destaque para as cabines de rádios, vestiários, o túnel de acesso ao campo e a instalação da drenagem para o gramado.   

Nove participações na elite do Estadual

A estreia aconteceu no domingo, do dia 07 de março de 1976. Diante da sua torcida, o Tricolor Curraisnovense venceu o Baraúnas por 2 a 1, no Estádio Coronel José Bezerra, em Currais Novos.

O atacante Pedrinho abriu o placar logo aos 5 minutos e ampliou aos 36, da primeira etapa. No segundo tempo, Robson, aos 38 minutos, fez o gol de honra dos visitantes. O Potyguar formou assim: Inácio; Gilvã, Ivo, Luisão e Carlos; Carlinhos, Chiquinho e Imagem; Carlinhos II, Pedrinho e Dinha. Técnico: Manuel Veiga.

A 1ª vitória da história em cima do América de Natal

No primeiro turno, em Currais Novos, o América goleou o Potyguar por 4 a 1 (gols de Aluísio, três vezes; e Alberí para o América; descontando Dinha, para o Potyguar). Dessa forma, a expectativa era que jogando nos seus domínios, o América venceria com tranquilidade.

Porém, no sábado, do dia 16 de julho de 1977, no estádio Castelão, em Lagoa Nova, em Natal, o Potyguar de Currais Novos surpreendeu o América de Natal, em jogo válido pela 2ª rodada do Returno.

Foi um jogo com mais oportunidades de gols para o América e com grandes defesas do goleiro Índio, do “Leão do Seridó“. Porém,  o antigo ditado “Quem não faz leva“, aconteceu aos 11 minutos da etapa final, em jogada de contra-ataque, o atacante Djalma ficou na cara do gol do goleiro Cícero, do América, e fez o tento da vitória.

América de Natal   0          X         1          POTYGUAR-CN

LOCALEstádio Castelão, no bairro de Lagoa Nova, em Natal (RN)
CARÁTER2ª rodada do Returno do Campeonato Potiguar de 1977
DATASábado, do dia 16 de julho de 1977
RENDACr$ 10.540,00 (dez mil e quinhentos e quarenta cruzeiros)
PÚBLICO586 pagantes
ÁRBITROCésar Virgílio (FNF)
AMÉRICACícero; Ivã, Argeu, Ivã Xavier e Olímpio; Zéca, Rogério (Garcia) e Ronaldo; Marinho (Santa Cruz), Aluísio e Soares.
POTYGUARÍndio; Gilvan, Guri, Luizão e Gonzaga; Naldo, Carlinhos e Valdeci Santana; Vandinho, Djalma (Vã) e Dinha.
GOLDjalma aos 11 minutos (Potyguar), no 2º tempo.

No Estadual de 1977, o Potyguar jogou 16 vezes, com  seis vitórias, cinco empates e cinco derrotas, marcando 11 gols e sofrendo 14. Os artilheiros da equipe foram: Vandinho com cinco gols; Djalma e Pereira, com dois tentos cada; e Gilvan e Dinha com um gol.

No Potyguar de Currais Novos, o atacante Djalma atuou como jogador amador e depois como profissional. Posteriormente, foi presidente e técnico do Potiguar time amador (jogava, dirigia e ainda batia os pênaltis).

Alem do Potyguar-CN, Djalma jogou nos clubes potiguares: ABC, América, Alecrim, Riachuelo; Treze, de Campina Grande (PB); Central, de Caruaru (PE) e Potiguar, de Mossoró (RN).

1º confronto diante de um clube carioca

Um fato importante na história do Potyguar foi o amistoso nacional, no domingo, do dia 06 de dezembro de 1981, diante do Botafogo (RJ), no estádio Coronel José Bezerra. Até hoje foi o único grande clube carioca que jogou em Currais Novos. No final, o Clube da Estrela Solitária venceu por 2 a 1, com gols de Mendonça e Jerson.

O clube também jogou na Elite do Futebol do Rio Grande do Norte em 1977, 1978, 1979, 1980, 1981, 1982, 1983 e 1984. Num total de nove participações. A partir daí, o clube se retirou em razão de muitas dívidas, que por pouco não causou a extinção da agremiação.

A estratégia para salvar o clube foi refundá-lo, na terça-feira, do dia 1° de agosto de 1989, com o nome de “Associação Cultural e Desportiva Potyguar Seridoense“. A partir daí, é uma outra história para um outro momento.  

Colaborou: Adeilton Alves

FONTES: João Cesário, do Blog Terra da Xalita – Blog do Futebol de Seridó – Luís Sátiro ‘Lulinha’ do Blog Escrete de Ouro – Walter Irís – Diário de Natal (RN) – Jornal O Poti (RN) – Revista de Currais Novos

Brejuí Esporte Clube – Currais Novos (RN): Fundado em 1949, por um dos homens mais ricos do país!

O Brejuí Esporte Clube foi uma agremiação do Município de Currais Novos (RN). Os “Gaviões de Brejuí” foi Fundado no Sábado, do dia 22 de Janeiro de 1949, pelo dono da empresa Mina Brejuí (iniciou as suas atividades em 1943, mas apenas em 1954, foi constituída empresa com o nome de Mineração Tomaz Salustino S/A), o desembargador Tomaz Salustino Gomes de Melo.

A diretoria era composta por grandes figuras da mineradora como Paulo Dutra, Mário Moacir Porto, Alfredo Luiz de Souza, entre outros. As suas cores: azul marinho, branco e vermelho. A equipe mandava os seus jogos no Estádio Tomaz Salustino (inaugurado no dia 06 de Setembro de 1949), em Currais Novos.

O embrião para a criação do clube surgiu dois meses antes

No domingo, do dia 14 de novembro de 1948, a Minas São Francisco, de propriedade do Sr. João Galdino de Alencar recebeu a Mina Brejuí, do Sr. Tomaz Salustino.

Os times formados por funcionários das empresas se enfrentaram e o São Francisco goleou por 5 a 0. Gols de Xavier, três vezes; Pedro Humberto e Expedito, um tento cada. Apesar do placar elástico, o Sr. Tomaz Salustino não desanimou e dois meses depois fundou o Brejuí Esporte Clube.

Brejuí ajudou a fundar a LCD, em 1949

Após fundar o clube, o Sr. Tomaz Salustino foi peça importante para organizar e ajudar a criar na quarta-feira, do dia 16 de Março de 1949, a Liga Curraisnovense de Desportos (LCD), que teve a presença de quatro clubes: Brejuí Esporte Clube, Seridó Esporte Clube, São Francisco Futebol Clube e Potiguar Esporte Clube.   

A diretoria de honra da LCD tinha: o desembargador Tomaz Salustino Gomes de Melo, Sr. João Galdino de Alencar e Coronel Aproniano Pereira. O 1º Presidente foi Wladimir Limeira.

Esta liga existiu até os anos 70, quando a entidade foi reorganizada e Fundada no dia 1º de Janeiro de 1974, com o nome de Liga Desportiva Curraisnovense (LDC), nas cores azul e branca.

O “Pequeno Gigante”

A história do Brejuí poderia ser resumida na seguinte frase: “O time amador mais profissional do Brasil“. Na época era o melhor futebol do interior do Rio Grande do Norte, pagando salário bem superior ao do time paraibano. É bom lembrar que naquele tempo jogador de futebol profissional, ganhava muito pouco, o Brejuí oferecia três vezes mais.

Desta forma o Brejuí Esporte Clube era uma potência no futebol do Rio Grande do Norte, seu presidente e patrocinador o saudoso Tomaz Salustino, fanático pelo futebol, dono da Mina Brejuí (Até hoje a maior Mina de Scheelita da América Latina), homem mais rico do estado e um dos mais ricos do Brasil, não media esforços.

Contratava quem ele quisesse. Mandava trazer das cidades vizinhas e até da Paraíba jogadores famosos para defender as cores do Brejuí. Uma boa história para ilustrar isso, aconteceu após a equipe ter perdido um jogo importante.

Então, o Dr. Tomaz Salustino não gostou e perguntou ao então treinador da equipe, “Seu Binoca”, o que estava acontecendo?

O treinador respondeu: “Está faltando um grande goleiro e um zagueiro”. Então Dr. Tomaz indagou: “Você sabe onde encontrá-los?”. Seu Binoca rebateu: “Sim, Didier e Kelé, do Treze de Campina Grande”. 

Era uma segunda-feira, Dr. Tomaz Salustino disse pra Seu Binoca: “Amanhã você vai acertar com os dois jogadores”. Na quarta-feira, Didier e Kelé estavam na Mina Brejuí.

Um detalhe: O zagueiro Kelé veio do Sport Clube Bahia e estava no Treze apenas um ano. No mesmo período o Brejuí contratou o fenomenal Piloto, seleção do Rio Grande do Norte e só não foi para o Flamengo/RJ porque não quis.

O atacante Dequinha tentou levá-lo para o time carioca várias vezes. Com Didier, Kelé e Piloto, o Brejuí conquistou quase todas as competições que disputou, inclusive o time era constantemente convidado para participar de importantes torneios em João Pessoa (PB), Campina Grande (PB), Patos (PB), Guarabira (PB) e Mossoró (RN).

1º amistoso nacional: Brejuí x Treze (PB)

Na quinta-feira, do dia 15 de Novembro de 1951, às 16 horas, o Brejuí enfrentou, em amistoso, o poderoso Treze, de Campina Grande (PB). Num jogo empolgante o “Galo da Borburema” venceu, de virada, por 2 a 1, no Estádio Tomaz Salustino, em Currais Novos.

O jogo começou a todo vapor, com os dois times buscando o gol. Aos 20 minutos, o Brejuí arranca num contra-ataque com Piloto. Este dá passe para Moisés que avança pela ponta direita e entrada da área e solta a bomba, sem chances para o goleiro Harri Carey, abrindo o placar.

Aos 28 minutos, o treinador do Treze sacou Araújo e colocou no seu lugar 58. A mudança surtiu resultado e aos 35 minutos, chegou ao empate. Zequinha centrou na área. O goleiro Gordo falhou e Rozendo aproveitou para empurrar a bola para o fundo das redes.

Aos 43 minutos, o Treze virou o marcador. A defesa bobeou e 58 invadiu a área e fuzilou o goleiro Gordo. Na etapa final, o Brejuí voltou disposto a empatar. Com amplo domínio, foi criando uma chance atrás da outra, mas aí surgiu o goleiro Harri Carey, praticando uma defesa mais difícil do que a outra.

Terminando a partida com 2 a 1 a favor do Treze.

Brejuí: Gordo; Binoca e Maçaroca; Chaguinha, Zé Carvalho e Doca; Moisés, Petit, Sida (Americano), Piloto e Luiz (Solon).    

Treze: Harri Carey; Kelé e Felix; Alagoano, Edinho e Zé Pequeno; Zequinha (Amauri), Mario, Araujo (58), Ruivo e Rozendo.

Melhor de três contra o Internacional de Natal

Foto de 1971

No domingo, do dia 08 de Junho de 1952, o Brejuí goleou o Sport Club Internacional, de Natal, pelo placar de 6 a 1, em Currais Novos. As duas equipes se enfrentariam numa melhor de três jogos para definir quem ficaria com o “Troféu Desembargador Tomaz Salustino“.

A equipe grená que disputava o Campeonato Potiguar da 2ª Divisão daquele ano, saiu de Natal, um dia antes (sábado), às 17 horas, chegando pouco depois de uma hora da madrugada, sendo recebido por membros da diretoria do Brejuí Esporte Clube. A delegação do Inter de Natal ficou hospedado no Grande Hotel, situado na grande cidade de Seridó.

Sob as ordens  do árbitro José Bezerra, a partida começou às 15h45min., com o Brejuí tomando a iniciativa do jogo. Aos poucos a equipe grená conseguiu equilibrar a peleja. Mas foi o time local que abriu o marcador. Piloto deu passe para Tico, que cruzou para a extrema direita, onde estava Toinho. Este acossado por Eliezer, levou vantagem e chutou de forma inapelável, sem chances para o goleiro Zé Silva, levando para o intervalo a vantagem para o Brejuí

Na etapa complementar, com um certo equilibro de parte a parte até que um pênalti de Dromé, a favor dos donos da casa, veio a influir decisivamente na produção do Inter de Natal. O atacante Tico cobrou com classe, ampliando o marcador para o Brejuí.  

A partir daí a equipe grená sentiu o golpe e se tornou presa fácil. Assim, o Brejuí marcou mais quatro tentos: Tico marcou mais dois gols (num total de três), Gena e 58 completaram o placar. Mota marcou o tento de honra para o Inter de Natal.

Brejuí: Didié; Zito e Kelé; Zé Carvalho, Doca e Maçaroca; Toinho, Gena, Tico, Piloto e Moisés (58). Técnico: Seu Binoca.

Inter de Natal: Zé Silva; Joca e Eliezer (Dromé, depois Ivan); Luzan, Amauri (Gilvandro, depois Luzan), Mota, Aurino, Béu (Barros Lima), Djalma e Paulomar (Ninil, depois Béu). Técnico: Chagas de Souza.

Inter de Natal goleia e deixa tudo igual

O 2º jogo, aconteceu na tarde de domingo, do dia 27 de Julho de 1952, em Currais Novos. O Brejuí precisava de um simples empate para ficar com a taça. No entanto, O Inter de Natal jogou com autoridade e goleou por 4 a 1, levando a disputa pela taça para o terceiro e último jogo.

Novamente sob a arbitragem do Dr. José Bezerra, deu início a peleja às 15h55min. Os “Gaviões de Brejuí” começaram a todo vapor e logo aos sete minutos, abriram o placar por intermédio de Toinho.

Ao contrário do último jogo, o gol não abalou o Inter de Natal, que cresceu na partida e chegou ao empate aos 14 minutos. Após passe de Béu na medida para Gilvandro, que driblou Zezinho e chutou forte, vencendo a meta de Didié.

A virada aconteceu aos 38 minutos, quando num ataque coordenado a bola chegou par Mota que finalizou com categoria, deixando os visitantes em vantagem.

No segundo tempo, o Inter de Natal seguiu se impondo até aos 14 minutos, aumentar o placar, por intermédio de Gilvandro. O golpe de misericórdia veio aos 31 minutos. O zagueiro Kelé entrou forte em Gilvan, dentro da área. Pênalti, que o próprio Gilvan cobrou com categoria, transformando a vitória em goleada. Aos 42 minutos, Maçarocaperdeu a cabeça” e tentou atingir Gilvan com um pontapé. O árbitro não titubeou e expulsou o meia do Brejuí, terminando a partida com um jogador a menos. 

 Brejuí: Didié; Zezinho e Kelé (Doca); Chaguinha, Zé Carvalho e Maçaroca; Helio, Toinho, Piloto, Moisés e Dinorah. Técnico: Seu Binoca.

Inter de Natal: Zé Silva; Dico e Cuica; Ney (Wallace), Djalma e Luzan; Mota, Aurino, Gilvan, Gilvandro e Béu. Técnico: Chagas de Souza.

Brejuí vence e fica com a taça

A 3ª e última peleja aconteceu, na tarde de domingo, do dia 14 de dezembro de 1952, o Brejuí Esporte Clube bateu o Sport Club Internacional de Natal, por 3 a 1, em Currais Novos, ficando em posse do “Troféu Desembargador Tomaz Salustino“. O árbitro da partida foi o Dr. José Bezerra.

O Brejuí abriu o placar aos 10 minutos, por intermédio de Gilvan. Aos 20 minutos, Gena ampliou para os donos da casa. Porém, aos 35 minutos, Mota diminuiu o placar, colocando mais emoção para a etapa complementar.

No segundo tempo, o jogo foi equilibrado, mas após uma jogada infeliz de Luzan, Gena arrancou em velocidade e fuzilou o arqueiro Edson, dando números finais a peleja!

Brejuí: Didié; Kelé e Cuica; Doca, Zé Carvalho e Dico; Moisés, Gena, Tico, Gilvan e Pernambuco (Toinho). Técnico: Seu Binoca.

Inter de Natal: Edson; Djalma e Joca; Valdetário, Josebias e Luzan; Mota, Bira, Abel, Dedé e Béu. Técnico: Chagas de Souza.

Em 1957, Inauguração do Estádio Municipal

A partida entre o ABC de Natal (RN) e o Sport Club do Recife (PE), marcou a inauguração do Estádio Municipal, em Currais Novos. A partida aconteceu, às 16 horas, no Domingo, do dia 06 de Janeiro de 1957.

Graças ao arrojo e boa vontade do Dr. Silvio Salustino foi construído o estádio. No final, numa partida de oito gols, o Sport do Recife venceu o ABC, pelo placar de 5 a 3, ficando com a Taça Mina Brejuí, ofertada pela Mineração Tomaz Salustino S.A. A partida gerou uma renda de 56.030 cruzeiros. Na preliminar, o Currais Novos Esporte Clube goleou por 5 a 0, o Caicó.  

O Brejuí Esporte Clube se sagrou Bicampeão do Campeonato Citadino de Currais Novos, em 1956 e 1957.

Declínio acontece na década de 60

Depois que Dr. Tomaz morreu, em 30 de Junho de 1963, aos 83 anos, o Brejuí começou a cair de produção, o time continuou forte, porém sem o brilho de antes. Didier e Kelé foram efetivados como funcionários da Mineração Tomaz Salustino S/A, detentora da Mina Brejuí.

Didier deixou o futebol no começo dos anos 70, foi motorista da empresa, montou um Bar lá mesmo na Mina Brejuí e deixou a Mineração na década de 80. Em Currais Novos, instalou um Mercadinho em sua residência e continuou como motorista, desta feita a serviço dos Postos Toscano, de Siderley Meneses até 2003.

No entanto, apesar de ter perdido a força, o Brejuí Esporte Clube seguiu nas décadas seguintes participando do Campeonato Citadino de Currais Novos, sempre entre os grandes favoritos ao título.

Brejuí venceu o América de Natal

Na segunda-feira, do dia 06 de Setembro de 1971, o Brejuí venceu, em amistoso, o América de Natal, por 1 a 0, em Currais Novos. A partida, que fez parte dos festejos pelo ‘dia do mineiro’, foi realizado na própria Mina Brejuí, uma promoção da Mineração Tomaz Salustino.

Quem foi o Sr. Tomaz Salustino?

O Sr. Tomaz Salustino Gomes de Melo, nasceu no sítio Alívio, no município de Acari (RN), no dia 06 de Setembro de 1880. Representou os municípios de Currais Novos e Florânia, em três legislaturas, além de ter sido deputado estadual na Constituinte de 1915, que reformou a Constituição Estadual do Rio Grande do Norte.

Primeiro Juiz de Direito designado para a comarca de Currais Novos, nomeado Desembargador do Tribunal de Justiça do RN em 1940. Exerceu o cargo de Vice-Governador do Rio Grande do Norte, em 1947.

Tomaz Salustino foi um dos maiores realizadores de sua época no Rio Grande do Norte e do Nordeste, um verdadeiro visionário. Foi o responsável pela construção nas comunicações Campo de Pouso em 1946, e um outro campo de pouso  em 1954.

Sem falar na Rádio Brejuí Ltda., Teatro Desembargador Tomaz Salustino, Tungstênio Hotel erguido em 1953, Agência Banco do Brasil S/A, Capela de Santa Tereza, Grupo Escolar Manoel Salustino, Posto de Puericultura, todos na década de 50. Faleceu, no dia 30 de junho de 1963, em Natal.

Algumas formações:

Time base de 1949: Moacir (Gegê); Nicolau e Tinteiro; Maçaroca (Carvalho), Doca (Zé Lindolfo) e Garimpeiro (Eugênio); Geraldo (Mel), Jaime (Cazuza), Gena (Manequim), Fantasma e Xixico.

Time base de 1950: Moacir; Binoca e Cenema; Carvalho, Doca e Maçaroca; Dedé, Toinho, Piloto, Chaguinha e Ranulfo.

Time base de 1951: Gordo (Caruá); Binoca e Maçaroca; Chaguinha, Zé Carvalho e Doca; Moisés, Petit (Toinho), Sida (Americano), Piloto e Luiz (Solon).

Time base de 1952: Didié (Etinha); Kelé (Binoca) e Maçaroca; Chico (Gazeta), Carvalho e Doca (Gena); Tavuga (Toinho), Chaguinha (Raimundo Cruz), 58 (Solon), Moisés (Baiano) e Bidorá (Tico).

Colaborou: Adeilton Alves

Desenho do escudo e uniforme: Sérgio Mello

FONTES: A Cigarra (SP) -Site Mina Brejuí -Ricardo Morais Zip.Net – Blog Escrete de Ouro (Currais Novos/RN) – Luiz Sátiro de Matos – Diário de Natal (RN) – A Ordem (RN)

Centro Esportivo Açuense – Município de Assu (RN): Fundado na década 40

O Centro Esportivo Açuense foi uma agremiação do Município de Assu (RN). O rubro-negro assuense ou CEA foi Fundado na década 40, pelo prefeito da época de Assu, Sr. Arcelino Costa Leitão (que depois foi presidente do Fortaleza-CE).

Durante a sua existência há registros de jogos contra grandes do futebol nordestino: ABC de Natal (três jogos), América de Natal (dois jogos), Fortaleza-CE, Caicó Esporte Clube e Cruzeiro de Macaíba (um encontro).

Inauguração do 1º Estádio de Assu, e goleada em cima do Caicó E.C.

O Estádio Senador João Câmara, no município de Assu, foi inaugurado na tarde de sábado, às 16 horas, do dia 19 de Novembro de 1949. A partida entre Centro Esportivo Açuense e Caicó Esporte Clube, da cidade de Caicó, marcou a estreia do campo.

Com uma Renda de 10 mil cruzeiros, o Açuense goleou o Caicó pelo placar de 5 a 0. Uma curiosidade sobre a peleja, é que a partida foi transmitida para Assu, pela rede de auto-falantes da amplificadora “Voz do Município“.

Açuense enfrentou o ABC, em Natal

Na tarde de domingo, do dia 13 de Agosto de 1950, o ABC bateu o Açuense por 4 a 2, no Estádio Juvenal Lamartine, na Avenida Hermes da Fonseca, no bairro do Tirol, em Natal.

Os ingressos foram vendidos a 15 cruzeiros (arquibancada) e 10 cruzeiros (populares) e três cruzeiros (Geral). O atacante Jorginho abriu o placar para o ABC aos 14 minutos. Lino empatou para os assuenses aos 24 minutos. Porém, Paulo Isidro voltou a colocar o alvinegro em vantagem aos 42 minutos do 1º tempo.

Na etapa final, Paulo Isidro ampliou logo aos 2 minutos e Albano transformou em goleada aos 15 minutos. O atacante Valdir diminuiu aos 30 minutos, dando números finais ao jogo.

ABC de Natal          4          x          2          AÇUENSE

LOCALEstádio Juvenal Lamartine, na Av. Hermes da Fonseca, no bairro do Tirol, em Natal
CARÁTERAmistoso estadual
DATADomingo, do dia 13 de Agosto de 1950
RENDA6.546 cruzeiros
ÁBITROJoão Bezerra Lira
AUXLIARESSilva e Argemiro Bertino
ABC Zome; Toré e Paulo; Romão, Gonzaga e Dico; Pageu (Caveirinha e depois Zé Domingos), Jorginho, Gonçalves, Albano e Paulo Isidro.
AÇUENSEManinho; Dedito e Regalado (Baiano); Carmelito, Edson e Melado; Lino (Mundoca), João de “Seu Né”, Cachorrinho (Neném), Mundoca (Cachorrinho) e Valdir.
GOLSJorginho aos 14 minutos (ABC); Lino aos 24 minutos (Açuense); Paulo Isidro aos 42 minutos (ABC); no 1º tempo. Paulo Isidro aos dois minutos (ABC); Albano aos 15 minutos (ABC); Valdir aos 30 minutos (Açuense), no 2º tempo.

Amistoso em Assu, diante do ABC de Natal

No domingo, do dia 14 de Janeiro de 1951, O Açuense foi derrotado pelo ABC de Natal por 2 a 0, no Estádio Senador João Câmara, em Assu. Os gols saíram no segundo tempo. Paraíba de pênalti, abriu o placar para os visitantes aos 32 minutos. Depois, novamente Paraíba aproveitando um cruzamento da direita marcou de cabeça, o último gol do jogo. Claudionor Pacheco, o Nono foi o árbitro.

Excursão à Natal para enfrentar América e ABC

Na noite de sábado, do dia 26 de Maio de 1951, o ABC recebeu e venceu o Açuense por 3 a 0, no Estádio Juvenal Lamartine, na Avenida Hermes da Fonseca, no bairro do Tirol, em Natal. Os gols foram de Jorginho aos 6 minutos no primeiro tempo; de novo, Jorginho aos 7 minutos e Tidão aos 27 minutos do segundo tempo.

ABC de Natal          3          x          0          AÇUENSE

LOCALEstádio Juvenal Lamartine, na Av. Hermes da Fonseca, no bairro do Tirol, em Natal
CARÁTERAmistoso estadual
DATASábado, do dia 26 de Maio de 1951
RENDANão divulgado
ÁBITROFrancisco Lamas
AUXLIARESEdval Cavalcanti e Geraldo Cabral
ABC Ribamar; Dico e Romão; Arlindo, Toré e Gonzaga; Albano (Cachorinho), Jorginho, Tidão (Gonçalves), Tico (Albano) e Paulo Isidro.
AÇUENSEJairo; Mimi e Saraiva; Zezinho, Edson (Piolho) e Zé de Zezinho (Edson); Mundoca (Lino), João de “Seu Né”, Juarez, Piolho (Zé de Zezinho) e Valdir.
GOLSJorginho aos seis minutos (ABC); no 1º tempo. Jorginho aos sete minutos (ABC); Tidão aos 27 minutos (ABC), no 2º tempo.

Na noite de segunda-feira, do dia 28 de Maio de 1951, o América venceu o Açuense por 3 a 1, no Estádio Juvenal Lamartine, na Avenida Hermes da Fonseca, no bairro do Tirol, em Natal.

No 1º tempo, Franklin, de cabeça, deixou o Mecão em vantagem aos 30 minutos. Na etapa final, Pernambuco ampliou aos 9 minutos. Dois minutos depois, Melado diminuiu para Açuense. Mas aos 15 minutos,  Franklin deu números finais a peleja.

América de Natal   3          x          1          AÇUENSE

LOCALEstádio Juvenal Lamartine, na Av. Hermes da Fonseca, no bairro do Tirol, em Natal
CARÁTERAmistoso estadual
DATASegunda-feira, do dia 28 de Maio de 1951
RENDANão divulgado
ÁBITROEugenio Silva
América Gerim; Artemio e Barbosa; Ozi, Pretinha e Ernani; Gilvan, Diebe, Franklin, Pernambuco (Tido) e Gilvandro.
AÇUENSEJairo; Mimi e Saraiva; Zé de Zezinho, Edson (Carlos) e Dedito; Bira (Mundoca e depois Lino), Melado (Seu Né), Juarez, Piolho e Valdir.
GOLSFranklin aos 30 minutos (América); no 1º tempo. Pernambuco aos 9 minutos (América); Melado aos 11 minutos (Açuense); Franklin aos 15 minutos (América), no 2º tempo.  

Após a excursão, o ABC de Natal acabou contratando o atacante Juarez, enquanto o Santa Cruz, também da capital potiguar contratou o goleiro Jairo, ambos do Açuense.

Açuense bate o América de Natal

Na tarde de domingo, do dia 09 de Setembro de 1951, o Açuense recebeu o América de Natal, e devolveu o placar, vencendo por 3 a 1, no Estádio Senador João Câmara, no município de Assu.

Em jogo de seis gols, Açuense e Fortaleza (CE) empatam

Uma das partidas mais sensacionais aconteceu no domingo, 16 de novembro de 1952, quando o Açuense empatou em 3 a 3 com o Fortaleza, o famoso tricolor da capital cearense. O embate ocorreu no Estádio Senador João Câmara, assim denominado em homenagem ao político norte norte-rio-grandense morto quatro anos antes.

Certamente o jogo do CEA com o Leão do Pici teve o endosso do paraibano radicado em Assu, Arcelino Costa Leitão, que, na época, chegou a presidente do clube da capital do Ceará, e, nos anos 60, prefeito no município açuense.

O jogo foi noticiado, sem mais detalhes (exceto placar, data e local) no jornal diário vespertino católico A Ordem, na página 3, edição da segunda-feira. Em meio ao informe do ‘Domingo esportivo – Os jogos disputados no Brasil’.

Inauguração do Estádio Dr. José Jorge Maciel, em Macaíba

O Açuense fez parte dos festejos da inauguração do Estádio do Cruzeiro Futebol Clube, da cidade de Macaíba (RN). Após ter sido derrotado duas vezes pelo rubro-negro assuense, a diretoria do Cruzeiro escolheu o adversário para inaugurar no domingo, do dia 6 de dezembro de 1953, às 15h30min.,e tentar uma revanche. Infelizmente, o resultado não foi noticiado.

Curiosidades: Décadas depois, o Estádio Senador João Câmara foi demolido para assentar a antiga CIBRAZEN, atual CONAB. No local, além de casas residências, foram erguidas lojas comerciais. Outro aspecto interessante é que o Estádio Senador João Câmara foi o 1º campo de futebol em Assu.

Colaborou: Adeilton Alves

FONTES: Blog Tatutom Sports – A Ordem (RN) – Diário de Natal (RN) – Blog Assu na Ponta da Língua – Jornal da Grande Natal

Palmeiras Futebol Clube – Mossoró (RN): Fundado em 1920

O Palmeiras Futebol Clube foi uma agremiação do Município de Mossoró (RN). O Alviverde do bairro Paredões foi Fundado em 1920, pelos irmãos Miguel Joaquim de Souza, Totonho Joaquim, José Joaquim, aliados aos desportistas Francisco Borges, Tibério Bulamarqui (foi o 1º Presidente), Raimundo Nonato da Silva, Major Higino e João do preso.

À época, os clubes representavam os principais bairros mossoroenses, cabendo ao Alviverde a responsabilidade de levar para as quatro linhasdo Stadium Mossoró Limitada, o que existia de melhor no populoso bairro Paredões, onde ficava a sua Sede.

A formação inicial do Alviverde foi a seguinte: Miguel Joaquim, Zé Victor e Bidéu; Severino, Teodoro e João do preso; Zé Acioli, Major, Zequinha, Chico parafuso e Tourá (apelido do ponteiro canhoto Chico Borges).

O Alviverde estreou oficialmente no nosso futebol somente no ano de 1921, mais precisamente diante do Humaytá. Um fato pitoresco foi registrado na semana que antecedeu a citada partida.

O então presidente do Palmeiras, Sr. Tibério Burlamaqui, observando o tamanho do bigode de que era portador o atleta Bidéu, exigiu, de imediato, que o mesmo fosse “raspado”, determinando que o barbeiro Francisco de Souza Filgueira (Chico Batista), de posse de uma navalha, um pouco enferrujada, e sem auxílio do indispensável creme de barbear, em falta naquele momento na barbearia, procedesse ao ato de retirada, sob os gemidos e dores incríveis do atleta.

Após um pouco período de atividade, na sua fase inicial, o Palmeiras afastou-se das quatro linhas, retornando somente no ano de 1935, quando levantou pela 1ª vez o título do Campeonato Mossoroense de Futebol, organizado pela Associação Mossoroense de Esportes Atléticos (AMEA). Nessa temporada, o time base formou assim: Bacora; Chico e Benedito; Mariano, Crocodilo e Preto; Nicácio, Nonato, Agostinho, Oliveira e Melão.

O Palmeiras voltou a se sagrar campeão Citadino em 1938. Nesse ano, o campeonato contou com cinco clubes: Palmeiras, Associação Mossoroense, Centro Esportivo Mossoroense, Maguari Futebol Clube e Fluminense Futebol Clube.

Palmeiras bateu o Fortaleza (CE)

No domingo, do dia 27 de janeiro de 1946, o Palmeiras enfrentou e goleou o Fortaleza (CE), por 4 a 1, no Stadium Mossoró Limitada. Essa foi a 1ª vitória de uma equipe mossoroense diante do Tricolor cearense.   

Durante a sua existência, o Alviverde do bairro Paredões teve como dirigentes beneméritos: Tibério Burlamaqui, Cícero de Oliveira, João Joaquim de Souza, Severino Rosa, professor Raimundo Nonato da Silva, Joaquim da Silveira Borges Filho, Luiz Duarte Ferreira, dentre outros.

Após uma vitória diante do poderoso América de Natal, dirigentes, atletas e torcedores, comemoraram o feito, que resultou no placar favorável de 2 a 0, na Sede do clube, e já na madrugada esqueceram as velas acesas sobre a mesa, o que resultou num incêndio, cujas chamas debilitaram os livros de atas, propostas e pastas de ofícios do clube.

Colaborou: Adeilton Alves

FONTES: site Olivar Montes – Jornal A Ordem (RN)

Centro Sportivo Mossoroense – Mossoró (RN): O pesadelo dos grandes nordestinos

O Centro Sportivo Mossoroense foi uma agremiação da cidade de Mossoró (RN). Fundado no domingo, do dia 21 de Novembro de 1920. As suas cores escolhidas: vermelho e branco. O seu campo ficava na Praça do Hospital, atualmente chamado: Rua Juvenal Lamartine, s/n, no bairro Bom Jardim, em Mossoró. A 1ª Diretoria foi constituída da seguinte forma:

Presidente – Gentil Soares e Silva;

Orador – Manoel Rodrigues da Chagas;

Tesoureiro – Manoel Soares de Miranda;

Adjunto-tesoureiro – Genipapo Fernandes;

Diretor Sportivo – Paulo de Albuquerque.

A ideia de fundação do Centro Sportivo deu-se através de alguns dirigentes do Humaytá, que tinha como objetivo, contar com um aliado nas reuniões presididas pela Liga Mossoroense de Futebol (LMF), posicionando-se contrário às pretensões do Ypiranga, tendo em vista que, naquele momento, a rivalidade chegava ao limite máximo permitido entre os Alviceleste e o alvinegros.

Ocorre, entretanto que, como se diz no adágio popular, o “tiro saiu pela culatra”. Tão logo o Centro tomou conhecimento da artimanha aplicada pelo “vovô”, posicionou-se contrário, passando a fazer parte do bloco que decidia os interesses do Ypiranga.

A formação inicial do Centro Sportivo foi a seguinte: Loureiro; Toinho e Nino; Joca Delfino, João Batista Pinto e Pio Xis; Carlito Santiago, João Nogueira Filho, Humberto Mendes, José Soares e Zeca Matias.

No dia 25 de dezembro de 1921, a Liga Mossoroense de Futebol (LMF), idealizou um torneio no qual o Centro Sportivo havia sido sorteado para atuar diante do Humaytá, sendo que, ao final do clássico, “vovô” conquistou a vitória pelo placar de 1 a 0, gol marcado através do atacante Nunes.

Na citada partida, o Centro Sportivo atuou com o futebol de Cazuza (goleiro que havia sido dispensado pelo América de Natal-RN, dada a sua indisciplina na meã); Cabeleira e Navegantino; Joca, João Batista e Pio Xis; Olavo, Luisinho, Eurico, Bobô e Gim.

Na história do Campeonato Citadino de Mossoró, o Centro Sportivo foi campeão uma vez: em 1939, organizado pela Associação Mossoroense de Esportes Atléticos (AMEA).

As Marchinhas que viraram um Hino para os torcedores

No ano de 1935, ainda no apogeu, o Centro Sportivo, cantavam os seus torcedores uma canção na música de Grau Dez, marcha carnavalesca de autoria de Elizeu de tal, a qual era:

A vitória há de ser tua, tua, tua,

Centro Idolatrado…

És o time que atua, atua,

Sempre equilibrado,

Toda vez que fores jogar

A vitória tens que levar…

            O Esporte diz: eu lá não vou não,

            O Palmeiras, alimenta ilusão,

            O ABC diz quem pode arriscar,

            É o União, União, União…

Não me arrisco, diz o Humaitá,

É tolice, quem com ele jogar,

O União empatou por descuido,

De outra vez a lavagem virá…

Há uma outra, por ocasião do Carnaval no ano de 1935, que era assim:

Somos do Centro, onze jogadores,

Embaixadores,

Somos do prazer…

Marcando passo com viva alegria,

Até na folia

Iremos vencer…

Roulleaux, Bitenta, Paraguai, Midinho,

Ayres, Luiz Zezinho, Lolinha, Bolão,

Lóia e Sabino, eis o time altivo,               (BIS)

Do Centro Esportivo,

O nosso campeão…

Vamos treinar,

Para jogar,

Com Deus Momo na folia,

Se ele perder,

Para aprender,

Rasgamos-lhe a fantasia.

Amistosos com as grandes forças do futebol nordestino

Em 1933, o Centro Sportivo Mossoroense recebeu a visita do Fortaleza Esporte Clube da capital alencarina, num clássico que terminou sem abertura do placar. Observe a súmula: Centro Sportivo: Rolleaux; Júlio Ferreira e Paraguai; Lolinha, Saruê e Bitenta; Mundoca, Antônio Ayres, Careca, Zezinho e Raimundo Canuto.

Fortaleza-CE: Zé Augusto; Alberto e Zé Félix; Jaburu, Tancredo e Corado; Pirão, Jandir, Agápito, Juraci e Bacurim.

Em 1936, a equipe do Fortaleza Esporte Clube (CE), da capital alencarina, atuou amistosamente em nossa cidade, diante do Centro Sportivo, obtendo uma vitória pelo placar de 3 a 1.

Observe a formação do alvirrubro no referido jogo: Rolleaux; Júlio Ferreira e Antônio Paraguai; Lolinha, Saruê e Bitenta; Mundoca, Antônio Ayres, Careca, Zezinho e Raimundo Canuto.

O Fortaleza formou: Zé Augusto; Alberto e Zé Félix; Jaburu, Tancredo e Corado; Pirão, Jandir, Agapito, Juraci e Bacurim.

Goleadas históricas em cima do ABC, Treze e América de Natal

Em 1938, o Centro Sportivo recebeu a visita do Santa Cruz de Natal, e, sem cerimônias, goleou por 5 a 1. Depois foi a vez do ABC de Natal tombar frente ao Centro Sportivo pelo marcador de 6 a 1. Depois, voltou a vencer o ABC de Natal, em outubro de 1938, por 3 a 0.       

Em 1939, o Centro Sportivo Mossoroense fez história aos golear impiedosamente o Treze da Paraíba pelo placar de 6 a 1. Porém, a maior goleada ainda estava por vir. O América de Natal acabou sucumbindo diante do Centro Sportivo pelo impressionante placar de 12 a 1.

Em 1940, o jogo foi diante do Maguari de Fortaleza, e o campeão da temporada de Mossoró, empatou em 4 a 4. O fato curioso, é que o Mossoroense vencia por quatro a zero, mas com quatro frangos seguidos sofridos pelo arqueiro Zé Olindo acabou cedendo o empate.

Ainda em 40, diante de resultados tão expressivos e somado a goleada histórica sofrida, o América de Natal convidou o Centro Sportivo Mossoroense a jogar em Natal. Sob o comando do técnico Manoel Eufrásio de Oliveira, o Centro Sportivo bateu Mecão por 3 a 1, com gols de Raimundo Canuto e Mundoca, duas vezes; enquanto Petrovich marcando o tento de honra do América.   

Antes de retornar para Mossoró, o time realizou o último amistoso na capital potiguar, diante do Santa Cruz de Natal, na época uma das grandes forças do estado. Derrota por 1 a 0 para o time da capital foi muito contestada. O gol foi assinalado numa cobrança de pênalti, por intermédio de Stéfenson. A reclamação foi que a falta aconteceu na entrada da área e não dentro. Além disso, a arbitragem do cabo João, foi repleto de incidentes.

Apesar do Centro Sportivo Mossoroense viver um momento de ascensão, o clube acabou fechando às portas, no início da década de 40, deixando um vazio e uma saudade no povo mossoroense, que perdura até os dias de hoje.    

Colaborou: Gerson Rodrigues

FONTES: Blog do Olivar Monte – Livro “Esboço Histórico do Futebol Mossoroense”, de Manoel Leonardo Nogueira         

Caicó Esporte Clube – Caicó (RN): escudo raro da década de 40

O Caicó Esporte Clube é uma agremiação do município de Caicó, no Rio Grande do Norte. Localizado a 282 km da capital (Natal), a “Capital do Seridó” possui uma população de 68.343 habitantes, segundo o IBGE/2019.

Um de desportistas humildes, mas de grande visão e de muita influência entre os seus pares, encabeçados por José Linho, Pedro Sabino, Joaquim Fernandes, José Pereira e Zé Helinho, se reuniram para Fundar na terça-feira, do dia 10 de Outubro de 1933, a “Raposa do Seridó“.

A história das duas fundações, começou na década de 80, quando os dirigentes decidiram assinar uma fusão com o Iate clube de Caicó.

Além de se tornar um elenco vitorioso de futebol em toda região do Seridó, com as suas cores rubro-negras, ainda construiu a sua sede social própria, chamada de ‘Sede dos Morenos’, que ficava em frente ao hotel Regente, próximo ao centro da cidade.

Local onde os seus associados realizavam as suas festas, sem nada dever à camada social superior que dançava na Prefeitura Municipal, ironicamente, com canções executadas por excelentes profissionais músicos, sócios do Caicó Esporte Clube.

Patenteando a segregação racial, repentinamente, começaram a chamar a sede do Caicó Esporte Clube de “Sede dos Morenos”. Aliás, alcunha que, apesar de ser depreciativo, os próprios “morenos” gostavam de alardear com muito orgulho, tornando-se um nome usual, ou melhor, era honroso pertencer à Sede dos Morenos, ou, simplesmente, a Sede.

A sua antiga Sede ficava na Rua Joel Damasceno, nº 455, no Centro da cidade. A Sede atual está situada na Rua Júlio César, s/n, em Samanaú. O Caicó manda suas partidas no Estádio Senador Dinarte Mariz, o Marizão, (Capacidade: 7 mil pessoas), em Caicó.

A parceria que veio para sedimentar o rubro-negro caicoense, terminou quebrando o histórico time, que na época tinha a maior torcida da cidade e região. Os maiores bens do clube, no caso a sede e o estádio José Avelino da Silva se tornaram patrimônios do Iate clube. A perda dos imóveis ninguém sabe explicar ao certo como aconteceu, mas o que se sabe é que as portas se fecharam.
Atendendo aos pedidos de torcedores e imprensa esportiva, um grupo de dirigentes decidiu se reunir para dar vida ao rubro-negro. Foi no ano de 1986, que Janduís Fernandes e José de Alencar Filho fundaram novamente o Caicó Esporte Clube. Tentando se reerguer, o clube já possui um Centro de Treinamento, único do Seridó e agora parte em busca de um antigo sonho, tornar-se campeão potiguar.

Por falta de estrutura e principalmente dinheiro, o clube precisou licenciar-se do futebol profissional potiguar em 1996, passando a disputar competições amadoras pela região do Seridó e torneios da cidade de Caicó.

Em Abril de 2010, havia chances de o Caicó disputar o Campeonato Potiguar da 2ª Divisão. No entanto, a inscrição da Raposa acabou não acontecendo, mas em 2011, disputou e foi campeão da Segundona com uma rodada de antecedência e com isso voltou a Primeira Divisão depois de sete anos de ausência.

FONTES: Futebol Nacional – Blog do Niltinho – Wikipédia – Blog Bar do Ferreirinha – Blog do Roberto Flávio – Acervo do Zé Ezelino

Campeonato Potiguar (RN) retornará no dia 12 de Agosto de 2020

O presidente da Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FNF) e Dr. Antônio Araújo, chefe da comissão médica da instituição, após reunião com os dirigentes dos oito clubes participantes do Campeonato Potiguar 2020 e por aprovação do Governo do Estado, foi definido a retomada do Campeonato a partir da quarta-feira do dia 12 de agosto de 2020.

No entanto, para isso será necessário seguir todo protocolo feito pela FNF e aprovado pela Comissão científica de Saúde do Rio Grande do Norte. A Federação reafirma que o protocolo visa na prática gerar ações de segurança e assistência aos que fazem parte do futebol.

Com a preocupação da economia e saúde dos funcionários dos clubes, a FNF fez a doação de termômetros digitais e aparelhos de verificação da pressão arterial para as equipes participantes do certame. Sobre a testagem dos atletas, todos os clubes serão obrigados a fazerem os testes e passarem rigorosamente  por todas etapas.

Vale ressaltar que Federação ajudará com 30 testagens aos clubes e será suporte para que haja todas as medidas preventivas para o Covid-19. O campeonato falta realizar 11 jogos do 2º turno e se o ABC vencer esta fase e campeão direto por ter vencido o primeiro turno.

Caso outra equipe venha a vencer o returno teremos mais dois jogos para as finais do certame. O estadual parou com o ABC liderando o returno. Apesar do RN ser o estado onde o vírus do corona vem caindo consideravelmente em relação aos demais estados, o Governo não quer arriscar em liberação imediata.

FONTE: Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FNF)

O Anulado Campeonato Potiguar de 1942

A intervenção na FND:

O campeonato Potiguar de 1942 não foi suspenso por causa da guerra. A Federação Norte-rio-grandense de Desportos sofreu denuncia junto a Confederação Brasileira de Desportes CBD sobre ilegalidades entre os filiados. Em agosto de 1942, o então interver e presidente da Federação suspendeu a competição, por intervenção da CBD. As denuncias oriundas de equipes como América e Alecrim, alegava que os tramites na federação permitia a existência de clubes chamados de filiais que facilitavam conquistas da equipe matriz. Nesta intervenção, o Paissandu, um clube “filial” do ABC, foi definitivamente eliminado do campeonato estadual. O Presidente então, capitão Porphirio da Paz, que por medida legais suspendeu o evento e também devido ao medo que tomou conta da cidade com relação à Segunda Guerra Mundial se estendeu por todo ano as atividades da entidade.

A competição começou, com sete clubes, a ser disputada em 17 de maio e se estendeu até 23 de agosto com uns jogos realizados e outros suspensos.

A tabela do Turno:

17/5/42 ALECRIM 3X1 ATLETICO

24/5/42 SANTA CRUZ 4X2 FORCA ELUZ

7/6/42 PAISSANDU 3X1 AMERICA

14/6/42 ABC 10X0 FORCA E LUZ

21/6/42 SANTA CRUZ 3X1 ATLETICO

5/7/42 ALECRIM 2X1 AMERICA

12/7/42 ABC 4X0 PAISSANDU

19/7/42 ATLETICO 4X3 FORCA E LUZ

26/7/42 AMERICA 6X3 SANTA CRUZ

1/8/42 ALECRIM 2X2 PAISSANDU…

9/8/42 ABC X ATLETICO *(1)

16/8/42 AMERICA 9X3 FORCA ELUZ

23/8/42 SANTA CRUZ 2X2 ALECRIM

* (2) :

SANTA CRUZ x PAISSANDU

AMÉRICA x ATLÉTICO

ABC x ALECRIM

PAISSANDU x ATLÉTICO

ABC x SANTA CRUZ

FORCA E LUZ xALECRIM

ABC x AMÉRICA

PAISSANDU x FORCA E LUZ

*1 este jogo não ocorreu provavelmente devido as fortes chuvas na cidade.

*2 estes jogos foram suspensos pela FND

A classificação do turno até a paralisação estava com o Alecrim na liderança, seguido pelo Santa Cruz. Em 28 de outubro de 1942, em solenidade na Federação, o Capitão Porphirio da Paz , foi efetivado como presidente da federação e somente em fevereiro de 1943 através de uma resolução se pronunciou oficial sobre o campeonato de 1942, anulando todos os jogos.

A cidade do Natal em posição estratégica, distando apenas 20 km da base aérea onde à época faziam escala os bombardeiros norte-americanos que rumavam para o Norte da África, e com o advento dos primeiros torpedeamentos de navios mercantes brasileiros por submarinos alemães e o receio de um ataque nazista à cidade deixou a população intranquila, influenciando assim a uma possível sequência do estadual de futebol daquele ano.

A Guerra por aqui: 

A Guerra Mundial se alastrou de 1939 a 1945 e nenhum campeonato de futebol no Brasil foi abalado por este terrível drama. Em 1942 entre os dias 5 e 17 de agosto, seis navios brasileiros foram afundados por submarinos alemães, com a morte de mais de 600 pessoas é que o país, após pressões, declarou guerra contra Itália e Alemanha, o que ocorreu no dia 31 de agosto de 1942.

O presidente Getúlio Vargas solicitou ao presidente norte-americano Rooselvelt que modernizasse as Forças Armadas e concedesse empréstimos para construir a siderúrgica CSN em Volta Redonda/RJ. Em troca, o Brasil cedia um terreno em Natal para os americanos instalarem uma base militar que tinha o objetivo de ser o local de decolagem dos aviões que rumavam à Europa .

A cidade do Natal em posição estratégica, distando apenas 20 km da base aérea onde à época faziam escala os bombardeiros norte-americanos que rumavam para o Norte da África, e com o advento dos primeiros torpedeamentos de navios mercantes brasileiros por submarinos alemães e o receio de um ataque nazista à cidade deixou a população intranquila, influenciando assim a uma possível sequência do estadual de futebol daquele ano.

 Enfim, ilegalidades foi o motivo do campeonato ser anulado, porém a guerra teve sua contribuição para um possível sequenciamento ou um novo torneio do até então único campeonato potiguar anulado.    

Pesquisa nos jornais: A República (Arquivo Publico) – A Ordem e pesquisadores José Patrocínio Brito, Everaldo Lopes e o autor.