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Social Ramos Clube – Rio de Janeiro (RJ): História entre 1945 a 1965. Ronaldo Fenômeno jogou em 1989

Normalmente, as minhas postagens se limitam ao futebol de campo. Mas nesta, vou abrir uma exceção. Um clube que foi um dos mais badalados e prestigiados entre os anos 50 a 80. E que na década de 90, entrou em crise e, aos poucos está se reerguendo para a felicidade dos moradores de Ramos e adjacências. Esse clube nunca enveredou no futebol de campo, mas ajudou para o forjamento de vários craques, entre eles: Ronaldo Fenômeno!

História detalhada entre 1945 a 1965

O Social Ramos Clube (SRC) é uma agremiação da cidade do Rio de Janeiro (RJ). A história começou no “Bar Ferro de Engomar“, onde um grupo de rapazes se reuniam aos domingos pela manhã, elaborando a criação de clube para congregar todos os moradores do bairro de Ramos.

A ideia do clube ganhou corpo e as solidariedades foram aumentando cada vez mais até que foi oficializado a Fundação no domingo, do dia 22 de Abril de 1945, com o nome de “Centro Progressista e Social de Ramos (CPSR)“, numa reunião realizada no Colégio Cardeal Leme, situado na Rua Dr. Miguel Vieira Ferreira, nº 646, em Ramos.

Na ocasião estiveram presentes 31 pessoas: Henrique Bonilha, Dr. Enio de Faria, Ministro Antônio Francisco Carvalhal, Dr. Antônio Mourão Vieira Filho, Senador José Pires Rolita, Ivo de Pinho Beato, Norberto Alves Espinha, J. A. Barros, Dr. Manoel Esteves de Sá, Te. Joaquim Silva, Abel Augusto de Siqueira, Dr. Ademar dos Santos Pinto, Amadeu Inocêncio Fonseca, Dr. Percio Gomes de Melo, Antonio da Silva Adonias, Américo José de Carvalho, J. Cochoféu Guimarães, Célio da Silva Monteiro, Vicente Varca, Lamartine Pinto de Oliveira, Ernesto Lourenço da Silva, Alfredo Portela, Mário Júlio Matos Ramos, Altamiro Luís da Silva, José Laureano Nova Lago, Dionísio Trindade, Sorcher Fisch, A. Sousa e O. Santos, Marcelino Firmino Pinto, João de Paiva e Almeida, Dr. Euclides Veloso Faria e Artur Alves da Cunha.

Após a fundação, o CPSR funcionou, provisoriamente, na Rua Uranos, nº 1.063, que era o escritório da União Panificadora Fluminense, gentilmente cedida pelo Sr. Antonio da Silva Adonias.

1ª Sede Social

Em meados de 1945, por decreto do então Ministro da Guerra, o general Eurico Gaspar Dutra extinguindo os tiros de guerra, o Centro Progressista e Social de Ramos foi beneficiado, ganhando as dependências e o patrimônio do Tiros de Guerra 115, situado na Rua Peçanha Povoas, nº 52, na estação de Ramos.

O clube se instalou na sua 1ª Sede no domingo, do dia 09 de dezembro de 1945. Quatro meses depois, no domingo,do dia 28 de Abril de 1946, foi inaugurada as suas remodelações festejada com grande pompa.   

Com 60 sócios que pagavam a mensalidade de 10 cruzeiros, o CPSR tinha inicialmente como objetivo, cuidar tão somente dos serviços jurídicos, contábeis e médicos dos seus associados, sem, todavia, deixar de promover festas sociais.

Clube altera o nome em 1946

E foram justamente as festas levadas a efeito que proporcionaram uma maior convivência e congraçamento da gente de bem do bairro de Ramos. Nasceu então a idéia da mudança do nome do clube que ecoava muito bem na época por causa dos partidos políticos.

Revista do Social Ramos Clube – 1945

E assim, no domingo, do dia 12 de Maio de 1946, o nome foi alterado para Social Ramos Clube, nome sugerido pelo Comissário Augusto Barreira aprovando-se a ideia de José Pires Rolita para a confecção da bandeira, flâmulas e distintivos.

Sede atual adquirida em 1948

Ficara igualmente estabelecido um número limitado de 300 sócios proprietários que foi aumentado gradativamente. Em 1948, com cerca de 1 mil sócios, era necessário um espaço maior.

O extenso terreno de uma área total de 2.676 metros quadrados, na esquina entre as ruas Áureliano Lessa e Miguel Ferreira no valor de 360 mil cruzeiros era o local ideal para a construção da sua nova Sede. O clube efetuou o pagamento de dois terços do valor fixado para a aquisição.

Então, na tarde de sexta-feira, do dia 16 de Janeiro de 1948, no Cartório do Tabelião Raul Sá, à Rua do Rosário, no Centro do Rio, foi pago a importância de 96 mil cruzeiros, referente ao saldo do débito restante para com o último dos três proprietários da área adquirida.

Assim, no terreno foi erguido a Sede social – onde até hoje habita o Social Ramos Clube, na Rua Áureliano Lessa, nº 97, em Ramos – na gestão do Dr. Ênio de Faria, prosseguindo na presidência de David Mendes e posteriormente pelos presidentes Valdemar Nunes de Morais e Joaquim Coelho dos Santos, quando foi então batida a 1ª pedra fundamental, no domingo, às 10 horas, do dia 31 de Dezembro de 1950.

Clube muda de patamar e se torna um dos melhores do país

No princípio tudo era flores. O clube começava a crescer. A política reinante, todavia, impediu o seu progresso, até terça-feira, do dia 22 de Março de 1955 quando o prestigioso desportista Adriano Rodrigues foi eleito presidente do clube.

O dirigente iniciou a campanha de soerguimento do Social Ramos Clube. Ao assumir, encontrou um clube com um saldo de 400 cruzeiros em dinheiro e com uma dívida de 38 mil cruzeiros. Adriano Rodrigues e sua diretoria elevaram o clube às culminâncias tanto assim que três anos depois a agremiação já não possuía nenhuma dívida.

Em 1958, o Social Ramos Clube contava com 500 sócios proprietários, 2.145 contribuintes, 2 mil sócios dependentes e com 215 propostas para novos sócios proprietários. Sete anos depois (1965), o clube já contava com cerca de 10 mil sócios, mostrando que estava em franca evolução.

Medalha Social Ramos Clube 1945-60 – Fraternidade Socialense, em homenagem ao ex-presidente Dr. Joaquim Coelho dos Santos. Em metal dourado e com o escudo esmaltado

Com um movimento de 3 milhões de cruzeiros, o clube alcançou o status de uma das melhores agremiações do Brasil, graças ao idealismo do presidente Adriano Rodrigues.

Assim, o “clube milionário” com um patrimônio no valor de 15 milhões de cruzeiros possuíam nas suas instalações:

um salão de festas com 30 metros de comprimento e 20 de largura; uma quadra olímpica; um jardim para crianças; um ginásio para 2 snookers (sinucas), um restaurante e televisão (com intensa frequência), uma sahalteres  e jiu-jítsu; um barco para representações; um departamento médico e um departamento feminino, além  de todas as dependências necessárias para os atletas.

Lembrando que a Sede social, foi oficialmente inaugurada em 1964. Um prédio de três andares, com uma quadra para futebol de salão, voleibol e basquete, construída do lado.

Seus salões para festas nada ficam a dever em beleza aos mais categorizadas agremiações do Rio de Janeiro. No último andar, está instalada uma confortável creche, a fim de que os pais possam ir aos eventos no clube. Em 1965, o clube adquiriu um terreno ao lado da quadra de esportes para a construção de uma piscina.    

Celeiro de craques

Ronaldo Fenômeno

O clube revelou craques do campo e das quadras! Aos 13 anos, o craque passou pelo clube de Ramos em 1989, onde disputou o Campeonato Carioca Mirim de Futsal.

Na ocasião, o Social Ramos Clube terminou na 3ª colocação, e Ronaldo Fenômeno foi o artilheiro do certame com 48 gols. No mesmo ano, o clube jogou o Brasileiro da categoria, terminando como vice-campeão e o craque foi o vice-artilheiro.

mais ou menos, naquela época, outro que pintou no futsal do clube foi Vander Carioca, assim como o Fenômeno nascido em 1976. O pivô teve passagem pelo Atlético Mineiro (1997), Flamengo (2000), Vasco da Gama (2000-01), Corinthians (2016-18), além de ter jogado em clube da Espanha, Itália, Rússia e Seleção Brasileira de futsal (1998-2004).

Voltando aos gramados, aos 13 anos, o goleiro Wilson teve passagem pelo clube em 1997. Aos 38 anos, o arqueiro defende o Figueirense/SC, mas começou nas divisões de base do Flamengo (2003-08). Depois, passou pela Portuguesa Carioca/RJ (2006), Olaria/RJ (2006), Figueirense/SC (2007-08), Vitória/BA (2013-15), Coritiba (2015-22) e Atlético Mineiro (2019).

Flâmula – Lembrança da Festa Junina do Social Ramos Clube

Único título estadual de futsal

Organizado pela Federação de Futsal do Estado do Rio de Janeiro (FFSERJ), em 1991, o Social Ramos Clube se sagrou Campeão do Campeonato Estadual de Futsal Mirim (Sub 13), Juntamente com o Vasco da Gama, Grajaú Country Club e Grajaú Tênis Clube.

Desenho do escudo e uniformes, Texto e pesquisa: Sérgio Mello

FOTOS: Carlucio Leite Leiloeiro Público (Revista do Social Ramos Clube – 1945) – Lili Leiloeira (Flâmula – Lembrança da Festa Junina do SRC Social Ramos Clube. MBC) – Casa Rio Negro Colecionismo (Medalha Social Ramos Clube 1945-60 – Fraternidade Socialense, em homenagem ao ex-presidente Dr. Joaquim Coelho dos Santos. Em metal dourado e com o escudo esmaltado) – Acervo de Auriel Almeida

FONTES: Almanaque de Futsal RJ  – A Manhã (RJ) – A Noite (RJ) – Diário de Notícias (RJ) – Gazeta de Notícias (RJ) – Jornal dos Sports (RJ)

Associação Esportiva Guarda Civil de São Paulo (SP): Fundado em 1940, enfrentou o São Paulo F.C.

A Associação Esportiva Guarda Civil de São Paulo foi uma agremiação da cidade de São Paulo (SP).  A sua Sede ficava localizada na Rua Brigadeiro Tobias, nº 110, no Centro de São Paulo (SP). Nos anos 50, a sua Sede passou a ser na Avenida da Luz, nº 464/3º andar.

Fundado na sexta-feira, do dia 21 de Junho de 1940, por iniciativa do coronel Christiano Klingelhoefer e do capitão Oswaldo P. Trindade, respectivamente diretor e sub-diretor da Guarda Civil.

A agremiação foi destinada para a prática de diversas modalidades esportivas como: futebol, pugilismo e lutas, esgrima, motociclismo, esportes aquáticos, gymnastica, voleibol, atletismo, xadrez, bola ao cesto (basquete) e remo

No início do mês de julho em conformidade com os artigos 25º e 37º dos Estatutos do clube, foram feitas as seguintes nomeações para o preenchimento dos vários cargos de administração e esportes, ou seja, a 1ª Diretoria:

Presidente – 1º Tenente Cazuza de Barros;

Secretário Geral – Tenente Arminio M. Gaia Filho;

1º Secretário – Amaury da Graça Martins;

1º Thesoureiro – Dr. Alarico de Toledo Piza;

2º Thesoureiro – Inspetor-chefe, João Odulio Teixeira;

Director Geral de Esportes – Inspetor-chefe, Alfredo Mainardi;

Director de Futebol – Rodrigo Soares de Oliveira;

Director de Pugilismo e Lutas – Inspetor Court Edgard Knoepfel;

Director de Bola ao Cesto e Voleibol – Sr. Amadeu Ribeiro;

Director de Esgrima – Inspetor Francisco de Paula Ferreira;

Director de Motocyclismo e Cyclismo – Inspetor-chefe, Rufino Lomba;

Director de Esportes Aquáticos – Inspetor-chefe, Oscar Muller;

Director de Gymnastica e Athletismo – Sub-inspetor Ernesto Debeus.

Campeão da Divisão dos Funcionários Públicos

No mesmo ano, o time da Guarda Civil se filiou na Liga de Futebol do Estado de São Paulo (LFESP). Em 1942, o clube se sagrou campeão da Divisão dos Funcionários Públicos.

Pelo Torneio dos Campeões de 1942, enfrentou o São Paulo F.C.

A conquista lhe rendeu vaga para participar do Torneio dos Campeões de 1942, organizado pela Federação Paulista de Futebol (FPF). A competição reunia os campeões amadores, em jogos eliminatórios para definir o campeão da cidade de São Paulo.

O vencedor garantia vaga para decidir contra o campeão do Interior o título do estado de São Paulo. Na tarde de sábado, às 15 horas, do dia 14 de novembro de 1942, no estádio do Pacaembu, a Associação Esportiva Guarda Civil estreou diante do São Paulo Futebol Clube (amadores), que levantaram o título da Divisão Extra.  

No final, melhor para o Tricolor Paulista que venceu por 1 a 0. Segundo o Correio Paulistano, a partida foi equilibrada e que o empate seria o resultado mais justo.

A partida teve um bom público, que viu o único gol da partida ser assinada aos 25 minutos do segundo tempo, por intermédio do zagueiro Moacir. O árbitro da peleja foi o Sr. Vitor Carratú, que teve boa atuação.  

Guarda Civil: Lazaro; Orestes e Antoninho; Medina, Navarro e Carlito; Mainardi, Carrara, Jaime, Almirat e Alves.

São Paulo F.C.: Faganelo; Alfredo e Moacir; Batista, Ari e Luiz; Ministro, Lima, Cirano, Caramurú e Rodrigues.

A equipe foi mencionada em diversos jogo amistosos até os anos 50. A partir daí, até a década de 70, o Guarda Civil era mencionado em eventos relacionados no pugilismo. A última nota encontrada foi no início dos anos 80. A partir daí nada mais foi encontrado.

Algumas formações:

Time base de 1941: Luchesi; Orestes e Antoninho (Ambrosio); Medina, Navarro e Carlito; Luiz, Carrara, Jaime, Almirat e Alves.

Time base de 1942: Lazaro; Orestes e Antoninho; Medina, Navarro e Carlito; Mainardi, Carrara, Jaime, Almirat e Alves.

Time base de 1955: Abílio (Veludo); Silva (Piquini) e Juba (Carlos Gomes); Rubens, Alaor e Carmo; Gomes (Gazeta), Wilson (Moreno), Gonçalo, Miro e Carlito.

Time base de 1956: Julio; Negrinho (Pacco) e Bino (Carlos Gomes); Silva (Amadeu), Juba (Maurinho) e Carmo (Gazeta); Tulão (José), Gilberto (Lima), Gonçalo (Brandão), Miro (Rosa) e Carlito (Doze).

Time base de 1957: Julio (Spineli); Negrinho (Valdomiro) e Bino (Carlos Gomes); Mineiro (Silva), Juba e Carmo; Gazeta (Pila), Lima, Gonçalo (Novo), Miro e Carlito.

Desenho, uniforme e texto: Sérgio Mello

FOTOS: Acervo da Guarda Civil do Estado de São Paulo – Acervo de Marco Antonio Auricchio

FONTES: Correio Paulistano (SP) – A Gazeta Esportiva (SP)         

Associação Atlética Real – Colíder (MT): disputou o Campeonato Estadual da 1ª Divisão, em 1990

A Associação Atlética Real foi uma agremiação da cidade de Colíder (MT). A sua Sede administrativa ficava na Rua Xigu, s/n, no Centro de Colíder, que fica a 650km da capital mato-grossense: Cuiabá.

Os irmãos Max e Suel, donos da Gráfica Real, Fundado em 1983, a Associação Atlética Gráfica Real. A ideia inicial era dar aos funcionários um espaço de lazer.    

Quatro anos depois, a diretoria resolveu dar um passo ousado e se profissionalizou, se filiando na Federação Mato-grossense de Futebol (FMF), com o nome de: Associação Atlética Real

Em 1988, a convite do então presidente FMF, e somado com ajuda do Prefeito de Colíder, Dr. Edvaldo Jorge Leite que bancou parte das despesas, o Real de Colíder se inscreveu e disputou o Campeonato Mato-grossense da Segunda Divisão daquele ano.

Após duas participações na Segundona, em 1988 e 1989, e a e única participação na Elite do Futebol de Mato Grosso de 1990, quando terminou em 12º lugar, a diretoria resolveu colocar um ponto final na história efêmera da Associação Atlética Real.    

FONTES E FOTOS: Yuri Casari – Wikipédia

América Football Club – Recife (PE): escudo inédito encontrado de 1938, quando o time era alvirrubro!

POR:  Sérgio Mello

À esquerda o uniforme do goleiro e a direita dos jogadores

O “a ponta solta” na história do América Futebol Clube, ou simplesmente América do Recife, era o fato de a agremiação ter usado ou não a cor vermelha no seu uniforme em 1938. Após encontrar as provas que comprovam que o clube trocou o verde e branco pelo alvirrubro, a questão que restava era saber se o escudo foi alterado?

E, de fato, nessa história do América, essa indagação foi dissipada! E a descoberta foi, de certo fato, surpreendente: o escudo adotado em 1938, é nada mais e nada menos do que uma cópia exata do homônimo carioca: escudo e uniforme igual ao America Football Club, do Rio de Janeiro/RJ.

Um breve resumo da história

Fundado no dia 12 de Abril de 1914, com o nome de João de Barros Football Club (esse escudo já foi postado de forma inédita aqui, no História do Futebol), por ter surgido numa casa situada na avenida do mesmo nome. Quase foi o primeiro pentacampeão do futebol pernambucano.

É considerado o quarto clube mais vitorioso do estado. Atualmente manda suas partidas na cidade de Paulista, usando o Estádio Ademir Cunha para realização de seus jogos. A sede fica localizada na Estrada do Arraial, no bairro de Casa Amarela, zona norte da cidade.

Sua torcida era composta por grandes famílias aristocratas do Recife e também era querido pela Colônia Portuguesa Recifense, sem contar os outros torcedores espalhados pelo Recife, especialmente nos bairros de Casa Amarela, Casa Forte, Apipucos e Caxangá.

Em 22 de agosto de 1915 passou a ter a denominação atual a pedido do desportista Belfort Duarte, ligado ao América do Rio de Janeiro, que viera ao Recife buscar apoio para a fundação da Federação Nacional de Esportes, antecessora da antiga CBD.

Em visita a Pernambuco em agosto de 1915, Belfort Duarte, um dos símbolos do futebol brasileiro, recebeu uma homenagem do JBFCNa noite de 22 de agosto, Belfort Duarte foi distinguido como capitão honorário do clube e mudou o nome do clube para América Futebol Clube, em homenagem ao seu clube de coração: o América Football Club do Rio de Janeiro.

Comunico-vos que em Assembléia Geral do João de Barros Futebol Clube, reunida no dia 22 de agosto de 1915 deliberou a mudança de nome daquela sociedade que ficou denominada “América Futebol Clube”, convicto que esta deliberação em nada mudará as atenções dispensadas ao nosso antigo JBFC e espero a continuação das mesmas ao América Futebol Clube“, carta de  Belfort Duarte enviada a imprensa.

Maior virada do futebol brasileiro

Aconteceu em 1915 pelo Campeonato Pernambucano daquele ano onde o América vencia o Santa Cruz por 5 a 1 até os 30 minutos do segundo tempo, e em 15 minutos o Santa Cruz marcou seis gols numa incrível seqüência e venceu o jogo por 7 x 5. Essa partida foi a maior virada do futebol profissional brasileiro. A bola do jogo se encontra na sede do Santa Cruz no bairro do Arruda, no Recife.

Em 1918, o América sagrava-se campeão estadual, com a seguinte escalação: Jorge, Ayres e Alecxi; Rômulo,Bermudes e Soares; Siza, Angêlo Perez, Zé Tasso, Juju e Lapa.

Campeão do Centenário da Independência em 1922

Em 1922, o América sagrava-se bicampeão pernambucano, mas o grito que ecoava no Recife era o de Campeão do Centenário, pois nesse ano o Brasil comemorava 100 anos de independência a Portugal. A Campanha vitoriosa foi a seguinte:

07.05 América 2 x 1 Sport

21.05 América 4 x 0 Peres

04.06 América 2 x 1 Náutico

23.07 América 3 x 1 Equador

06.08 Torre 1 x 0 América

22.10 América 2 x 1 Santa Cruz

05.11 América 4 x 2 Flamengo

Jogos interrompidos pelos mais diversos motivos, principalmente pelo fato de o campo ter ficado escuro, como o clássico América x Sport da primeira rodada, que terminaria decidindo o campeonato; jogos anulados, como o que envolveu o Torre e o novato Equador; entrega de pontos – EquadorSanta Cruz ao Sport, e Peres ao Náutico; jogo não realizado, devido ao desinteresse dos dois clubes – Flamengo e Santa Cruz – após adiamento provocado pelas chuvas, que caíram intensamente, tudo isso marcou o Campeonato Pernambucano de 1922, disputado sob intensa época chuvosa e frio.

O campeonato foi disputado em turno único. Assim, houve apenas os jogos de ida. Mais uma vez, Sport e América surgiam como candidatos ao título de campeão. Os rubro-negros pretendiam interromper a marcha de seu maior rival, que buscava o segundo bicampeonato.

Liga já tinha instituído o sistema de dois ou mais jogos por rodada. Logo de saída, Náutico x Centro Peres deixou de ser disputado por causa do mau tempo. Tendo sido marcada para outra data, a partida terminou não sendo realizada porque o Peres entregou os pontos.

Vitória do Náutico, portanto, por WO. No mesmo dia, 7 de maio, o América derrotava o Sport pela contagem de 2 a 1, tendo sido o encontro suspenso por falta de iluminação. Na época invernosa, como ainda acontece hoje, escurece mais cedo nessa região, e os campos ainda não tinham iluminação artificial.

A direção da Liga determinou que os oito minutos restantes fossem disputados em data posterior, depois do cumprimento da tabela. Assim, rubro-negros e alviverdes voltaram a campo em 19 de novembro. Loca, Jaqueira, chamado de América Parque, onde a partida estava sendo disputada ao ser interrompida. Embora estivessem programados apenas alguns poucos jogos, um grande público compareceu. É que estava em cena o pomposo título de Campeão do Centenário.

América, que sofrera uma derrota em meio à sua jornada, ao perder para o Torre por 1 a 0, chegava àquele momento, com 10 pontos ganhos, enquanto o Sport tinha 11, sem incluir, é claro, os pontos daquela partida, que os americanos estavam ganhando por 2 a 1.
Foram instantes dramáticos. O Sport lançou-se furiosamente ao ataque. Se conseguisse pelo menos empatar o jogo, ficaria com 12 pontos, e deixaria o gramado festejando a conquista de mais um título. Já o América se defendia com unhas e dentes, uma vez que se o placar fosse mantido, passaria a somar 12 pontos e levantaria a taça, pois o Sport permaneceria com 11. E foi o que ocorreu. Fim de jogo, vitória do América por 2 a 1. A torcida alviverde fez muito barulho na comemoração da conquista que ainda é lembrada, quando a imprensa se refere ao clube como o Campeão do Centenário.

Escudo de 1938 e 1939

O 1° campeão nordestino

Enquanto no sul se organizava a Copa dos Campeões e o Torneio Rio-São Paulo, em Alagoas foi organizada uma competição diferente: a Taça Nordeste (o primeiro torneio inter-estadual da região Nordeste de que se tem notícias).

Time-base campeão: Nozinho; Rômulo e Cunha Lima; Lindolpho, Licor e Faustino; Meirinha,Fabinho, Zé Tasso, Juju e Matuto.

A competição ocorreu para festejar o Dia do Trabalhador, em Maceió. Foram convocadas oito das melhores equipes do Nordeste: Botafogo e Vitória (Bahia), Cabo Branco e América (Paraíba), CRB e CSA (Alagoas) e Sport e América (Pernambuco).

Mequinha passou às semifinais ao lado do Botafogo-BA e enfrentaria mais uma vez o Sport fazendo uma reprise da final de 1922, e dessa vez aplicando 6 a 2 no Leão, que era até então devastador.

O todo poderoso América ficaria conhecido em todo Nordeste e faria uma final histórica contra o CSA de Alagoas, que havia vencido o Botafogo da Bahia, o campeão baiano da época.

Na final um dos jogos mais eletrizantes da história, com uma vitória para ambas equipes. Como o América detinha a vantagem, sagrou-se o primeiro campeão nordestino de que se tem notícias.

O primeiro jogo foi realizado no dia 4 de fevereiro e o América venceu o CSA por 2 a 1, mostrando todo poderio de uma equipe que era famosa em todo Nordeste. O CSA abriu a contagem através de Nelcino. Zé Tarso e Juju deram a vitória ao clube pernambucano.

No dia 6, ocorreu a segunda partida. O CSA a venceu por 4 a 3. Foi uma das mais eletrizantes partidas de futebol da história do América. Juju fez 1 a 0 para o América. Nelcino empatou e Bráulio fez 2 a 1 para o CSA. Zé Tarso empatou outra vez, daí Odulfo fez 3 a 2 e 4 a 2 para os alagoanos.

Juju voltou a marcar para o América, fechando o placar. Foi uma vitória consagradora no torneio e que repercutiu nos grandes jornais do Recife. Americanos e azulinos jogaram as duas partidas com os mesmos jogadores. O América tornava-se a primeira potência do futebol nordestino.

CSA formou com Mendes, Osvaldo e Hilário; Campelo, Mimi e Geraldino; Bráulio; Alírio; Odulfo; Murilo e Nelcino.

América atuou com Nezinho, Romulo e Faustino; Lyndolfo; Moreira e Zizi; Lapinho; Leça; Zé Tarso; Juju e Araújo.

Tal título seria para alguns a maior conquista do clube alviverde até hoje, por ser uma conquista além dos domínios pernambucanos.

1938: América troca o verde pelo vermelho

O declínio do Torre Sport Club, que tinha informado a Federação Pernambucana de Desportos (FPD) que não participaria do certame de 1938, foi a oportunidade que o América esperava para mudar as cores alviverde para a alvirrubra.

Diante do quadro, a entidade máxima do futebol pernambucano de o aval ao América para utilizar as cores vermelha e branca. A estreia com as novas cores aconteceu no domingo, no dia 27 de março de 1938, na fase preliminar do Torneio Início da FPD.

O ex-diretor do TorreFrancis E. Hulder no dia seguinte, enviou uma carta de protesto ao, no dia 28 de março de 1938Jornal Pequeno, manifestando o seu descontentamento com a ação da FPD:

Tendo lido o despacho que a presidência da FPD de a um oficio do América, e tendo procurado me interar do mesmo, vim  saber que se tratava da mudança de cores do mesmo para o Torre, ou seja, camisetas encarnadas, sob alegação de que o América dos outros estados são todos desse uniforme.

Como ex-diretor do Torre e como admirador que ainda sou do mesmo, que se acha afastado da Federação por negação ao apoio da mesma Federação, lanço por este meio o meu protesto à pretensão do América, não somente por acha-se o Torre afastado simplesmente sob licença, como também, por haver outro clube que assiste maior direito de usar as referidas cores por serem iguais alvirrubras“.

Apesar da reclamação, a FPD manteve a decisão e o América foi para final do Torneio Início com a ‘camisa encarnada’, na quarta-feira, no dia 30 de março de 1938,. E o resultado não poderia ter sido melhor. Na final, o América goleou o Sport Recife por 3 a 0, faturando o título do Torneio Início de 1938.

Parecia que a cor vermelha tinha vindo para ficar. Porém, bastou o América não ir bem no Estadual de 1938 para a oposição no clube exigir a volta da cor verde. Após uma briga interna, a direção do clube decidiu no início de 1939 voltar ao alviverde, colocando um ponto final na camisa encarnada.


1944: O Último e heróico

Zezinho, Capuco, Julinho, Djalma, Edgard, Oseás, Pedrinho, Barbosa, Leça, Galego e Rubens. Essa é a formação da Equipe Esmeraldina que foi Campeã pernambucana pela ultima vez. Foi o título mais sofrido e heróico do América. Vejam os resultados dessa final acirrada contra o Náutico: 28/01 Náutico 1 x 1 América, 04/02 Náutico 2 x 3 América, 09/02 Náutico 0 x 2 América, 18/02 América 3 x 0 Náutico.

Vejam o que foi dito em uma matéria esportiva do Diário de Pernambuco de 20 de fevereiro de 1945:

O Recife viveu horas de grande vibração esportiva, vibração espontânea e justificada do povo, à tarde e durante a noite de anteontem, quando o glorioso América Futebol Clube sagrou-se, mais uma vez, campeão pernambucano de futebol [ganhou do Náutico, com um placar de 3×0]. Aquela grande assistência que lotava parte das dependências do estádio da Ilha do Retiro recebeu com verdadeiro júbilo o triunfo do esquadrão americano, numa disputa leal, onde vencidos e vencedores foram dignos dos mais francos aplausos. O triunfo do América, não o triunfo de domingo, mas o triunfo do campeonato foi justo e merecido. Depois de 17 anos de trabalho, 17 anos de sonhos, o campeão do Centenário, honrando as suas tradições de baluarte dos desportos pernambucanos, conquista mais um custoso laurel para a sua história.”
A festa do Título durou muito tempo, Casa Amarela em peso festejava a conquista houve comemorações no Antigo Bar Savoy e no Clube Português do Recife, pois na época ainda não possuía a Sede da Estrada do Arraial.

Após a conquista do campeonato de 1944 pelo América, somente os outros três grandes times da capital pernambucana levantaram o caneco.

João Cabral de Melo Neto, um americano

O reconhecido escritor pernambucano foi um grande torcedor americano e sempre que podia ia ver os jogos do seu clube de coração. Além de poeta, João Cabral chegou a ocupar posição de center-half, ou, como se diz hoje, volante, e foi uma promessa do futebol pernambucano. Nele, disposição física e apuro intelectual conviveram sem crises ou antagonismos. Na adolescência, jogou pelos times do América e do Santa Cruz. Em 1935, aos 15 anos, foi campeão juvenil pelo Santa Cruz.

Dentre suas grandes obras destaca-se “Morte e Vida Severina“, de 1955. Foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras em 15 de agosto de 1968, tomando posse de sua cadeira em 6 de maio de 1969.

No final da década de 80, descobriu que sofria de uma doença degenerativa incurável, a qual lhe impunha fortes e constantes dores de cabeça, o que causaria, aos poucos, a perda de sua visão, fazendo-o parar de escrever e ficar depressivo, e a vontade de falar (“Não tenho muito o que dizer”, argumentava).

Morreu no dia 9 de outubro de 1999, no Rio de Janeiro, aos 79 anos, encoberto com a bandeira do América e com a tristeza de não rever o Campeão do Centenário forte como antes, em sua juventude. Um dos momentos marcantes de seu velório foi o discurso proferido Arnaldo Niskier, no “Salão dos Poetas Românticos”, na Academia Brasileira de Letras, onde foi velado seu corpo:

Fecham-se os olhos cansados do poeta João e não conseguimos realizar o sonho que agora desvendo: ver o América Futebol Clube voltar aos seus dias de glória. Nem o daqui do Rio, nem aquele que era a sua verdadeira paixão: o América do Recife.”

Anos de jejum e Taça Recife

Após o Glorioso e heróico título pernambucano de 1944, o América ainda conseguiu um vice-campeonato em 1952, perdendo para o Náutico. Os anos seguintes foram de jejum e, aos poucos, durante o final da década de 1950 e as décadas de 1960 e 1970, o América foi perdendo espaço no cenário esportivo do estado por nunca mais ter conquistado um título.

Prevalecia ainda sua “fiel torcida da Velha-Guarda Americana” sempre quando o América ia jogar, e ainda possuindo a simpatia do público do bairro de Casa Amarela.

Em 1975, enfim o América fazia ecoar o grito de campeão. Venceu o Náutico na final da Taça Recife, desbancando até o Santa Cruz que na época era a maior potência local.

A imprensa recifense dava uma certa atenção ao time do América, tanto pelas polêmicas dos dirigentes, como pelos jogadores contratados, e também na tentativa de soerguer o clube, que já vinha numa descendente no futebol. O clube era carinhosamente chamado de Verdão 75.

Nos seus jogos sempre havia a presença de uma torcida, mesmo pequena, mas com charanga e bandeiras alviverdes. O artilheiro daquela edição da Taça Recife foi Edu Montes, com 7 gols.

Classificação para a Série D

Liderado por Carlinhos Bala o América conseguiu uma classificação inédita a Série D 2016 ,e por pouco não chegou as semifinal do Campeonato Pernambucano lutando até a última rodada por ela.

Texto, desenho do escudo e uniforme: Sérgio Mello

FONTES:  Wikipédia – Jornal Pequeno – Diário de Pernambuco – Diário da Manhã (PE)

Sport Club Botafogo – Rio de Janeiro (RJ): campeão da Liga Carioca de Desportos, em 1921

O Sport Club Botafogo foi uma agremiação da cidade do Rio de Janeiro (RJ). A sua 1ª Sede (provisória), ficava na situado na Rua Humaitá, nº 95, no bairro de Botafogo, na Zona Sul do Rio. Fundado na terça-feira, do dia 09 de Setembro de 1919, por um punhado de destemidos desportistas, sendo os fundadores os senhores:

Octavio Capella, João G. Bandeira, Luiz A. Ferreira, Augusto Fernandes Junior, Milton Pereira da Fonseca, Francisco Tavares, Ariostaldo Soares Barbosa, Adolpho Lazoski, Antenor Miranda, Eduardo Miranda, Jayme Fernandes, José Lagoski, Américo da Silva, Vicente Scardené, Isaac Ribeiro Moraes e Antonio da Silva

A sua 1ª Diretoria foi composta pelos seguintes membros:

Presidente – Octavio Capella;

Vice-Presidente – João G. Bandeira;

1º Secretário – Luiz A. Ferreira;

2º Secretário – Milton Pereira da Fonseca;

1º Thesoureiro – Augusto Fernandes Junior;

2º Thesoureiro – Francisco Tavares;

Capitão – Ariostaldo Soares Barbosa.

Sede inaugurada em 1922

O Botafogo inaugurou a sua nova Sede, na noite de domingo, às 20h30min., do dia 19 de Novembro de 1922, situado na Rua Humaitá, nº 150, no bairro de Botafogo, na Zona Sul do Rio. Nessa data, foi apresentada a fotografia do time campeão do Campeonato da Liga Carioca de Desportos de 1921.

Além do futebol, o clube também contava com outras modalidades esportivas: Ping-Pong (tênis de mesa). A equipe possuía o seu campo na Rua Humaytá, porém pelas dimensões reduzidas, nas partidas mais relevantes, mandava os seus jogos na Praça de Esportes (propriedade do Carioca Football Club), situado na Estrada D. Castorina, no bairro Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio.

Primeiros Troféus

Na quarta-feira, do dia 31 de dezembro de 1919, o Sport Club Botafogo venceu o Club de Regatas Piraquê por 1 a 0, faturando a sua primeira taça. No domingo, do dia 12 de setembro de 1920, o S.C. Botafogo goleou o Sport Club Lorena por 5 a 2, levantando o seu segundo troféu.

Na quinta-feira, do dia 03 de março de 1921, o S.C. Botafogo bateu o Sport Club Vasco da Gama por 2 a 1, conquistando a sua terceira taça. No domingo, do dia 10 de abril de 1921, o S.C. Botafogo voltou a enfrentar o Sport Club Vasco da Gama (sua Sede ficava na Rua da Relação, nº 45, no Centro do Rio) e novamente venceu por 4 a 1, levantando o 4º troféu. Até o final de 1923, o clube possuía na sua Sala de Troféus 15 taças.

Clube se filia a Liga Carioca e se sagra campeão em 1921

A Liga Carioca de Desportos (LCD), foi Fundada na segunda-feira, do dia 22 de Março de 1920, na Sede do Ubá S.C. na Rua Barão de Ubá, nº 132, no bairro Praça da Bandeiras. A sua 1ª Sede: Rua Sete de Setembro, nº 183/ 2º andar, no Centro do Rio.

O Ubá Sport Club foi o 1º Campeão do Torneio Início, enquanto o Sport Club Ypiranga (sediado na Rua Theodoro da Silva, nº 325, em Vila Isabel) foi o 1º campeão do Campeonato da LCD (O Ubá foi o vice-campeão)!

Na terça-feira, do dia 08 de março de 1921, o clube alvinegro se filiou a LCD, onde faturou, no mesmo ano, o inédito título do campeonato. A competição contou com a participação de nove equipes:

Ubá Sport Club (Praça da Bandeira  – campo: Barão de Iguatemy), Sport Club Ypiranga (Vila Isabel), Palestrino Football Club (Rua Bambina, nº 135, em Botafogo), Frontin Football Club, Paulistano Football Club (Botafogo), Mignon Football Club (rubro-negro – Rua Dr. Ferreira Pontos, s/n, no Andaraí), Ibéria Football Club, Alliança Football Club e o Sport Club Botafogo

No Torneio Início de 1921, no domingo, do dia 1º de maio, no campo do Confiança Athletico Club, o Botafogo acabou caindo na estreia para o Sport Club Ypiranga, que avançou até a final diante do Ibéria Football Club, e, ficou com o título.

Na estreia do Campeonato da LCD, no domingo, do dia 22 de Maio e 1921, no campo do Jardim Botânico, o Botafogo ficou no empate com o Ypiranga em 2 a 2. Os gols do Alvinegro foram assinalados pelos irmãos Arlindo Silva e João Silva.

O campeonato foi marcado por abandonos de alguns clubes como o Ubá e o Ypiranga, vários W.O. No final, na quinta-feira, do dia 08 de dezembro de 1921, a Liga Carioca de Desportos (LCD), proclamou o Sport Club Botafogo como o grande campeão da temporada. 

O time base formou assim: José Alves (Adolpho Lagoski); José Cardoso Curvello (Rufino Alves) e Antonio F. de Couto Filho (Oscar Silva); Victorio Ferreira (Álvaro Ferreira), Barnabé Garcia e Francisco Guilherme Machado; Jayme Fernandes (Gabriel Amorim), Augusto M. Ferreira, Arnaldo Miranda (João Silva), Antonio Fernandes Pinho (Arlindo Silva) e Oswaldo Ramos (Antenor Miranda).

Excursão à Barra do Piraí

Na madrugada da quinta-feira, do dia 14 de Julho de 1927, o Sport Club Botafogo seguiu para Barra do Piraí, a fim de enfrentar, em amistoso, o Sport Club Royal. A delegação se reuniu às 3 horas da manhã e seguiu para a Central, onde embarcaram no trem em direção a região Sul Fluminense do Rio.

No domingo, do dia 21 de Julho de 1929, o clube alvinegro voltou a enfrentar o Royal, em Barra do Piraí. A delegação pegou o trem das 4h50min., da manhã, a fim de jogar nos primeiro e segundo quadros

Alvinegro largou a LCD

No final da temporada de 1921, o Botafogo abandonou a Liga Carioca de Desportos (LCD). Até 1923, se limitou a jogar partidas amistosas. Em 1925, estava na Sub-Liga Brasileira. Em 1926, o clube estava filiado na Associação Municipal de Esportes Athleticos (AMEA – instalada no bairro de Botafogo).

Time base de 1920: Luiz; Oscar e Lazoski; Oswaldo, Barnabé e Machado; Jayme, Augusto, Arnaldo, Antenor e Antoninho.

Time base de 1921: José Alves (Adolpho Lagoski); José Cardoso Curvello (Rufino Alves) e Antonio F. de Couto Filho (Oscar Silva); Victorio Ferreira (Álvaro Ferreira), Barnabé Garcia e Francisco Guilherme Machado; Jayme Fernandes (Gabriel Amorim), Augusto M. Ferreira, Arnaldo Miranda (João Silva), Antonio Fernandes Pinho (Arlindo Silva) e Oswaldo Ramos (Antenor Miranda).

Time base de 1922: Raul; Mineiro e Curvello; Satyro, Silva e Barnabé; Jayme, Antenor, Octavio, Arnaldo e Machado. Reservas: Martins, Aprígio e Chequé.

Time base de 1923: Adolpho Lagoski; Suriquinha e Curvello; Satyro, Capão e Machado; Jayme, Chequé, Octavio, Antoninho e Martins. Reservas: Aprigio, Oswaldo, Victorino, Simas e Alberto II.

Time base de 1924: Gomes; Lolô (Suriquinha) e Martins; Victorino, Albano e Bernardino; Walgueiredo, Chequé, Antenor, Plácido e Mena (César).

Time base de 1925: Gomes; Curvello  e Suriquinha; Victorino (Albano), Martins e Saroco; Botafogo, Mena (China), Antenor (Chequé), Walgueiredo e César.

Time base de 1926: Soares; Baptista (Mattos) e Curvello; Luciano (Baptista), Bernardino e Sacoro; Floriano (Juciano), Chequé (Jayme), Augusto (Walgueiredo), Mena (Torres) e Botafogo (Arnaldo).

Time base de 1927: Amaury; Baptista e Saroco; Albano, Paulista e Monteiro; Manoel, Bonitinho, Fortunato, Zezinho e China. 

Time base de 1928: Soares (Cap.); Martins e Antoninho (Baptista); Floriano (Antonio), Barnabé e Henrique (Santos); Coronel (Coelho), Oswaldinho (Manoelzinho), Matheus (Augusto), Alípio (Gentil) e Jayme (China). 

Time base de 1929: Soares; Baptista e Curvello (Constantino); Santos (Mattos), Barnabé e Alberto Santos; Coronel, Walgueiredo, Alfredo, Macedo e Arthur. Reservas: Bernardino, Joaquim, Heroltides, Pedro, Matheus e Luciano

FONTES: A Esquerda (RJ) – A Manhã (RJ) – A Noite (RJ) – Beira-Mar (RJ) – Correio da Manhã (RJ) – Jornal do Commercio (RJ) – O Brasil (RJ) – O Imparcial (RJ) – O Jornal (RJ) – O Paiz (RJ)

Damanhã Sport Club – Recife (PE): Fundado em 1936

O Damanhã Sport Club foi uma agremiação da cidade do Recife (PE). Fundado na segunda-feira, do dia 06 de Abril de 1936, por auxiliares graphicos da Empresa “Diário da Manhã” S.A.

A Diretoria provisória ficou assim: Presidente – Domingos Lima; Vice-presidente – Augusto Continho; Director – Luiz Medeiros; Thesoureiro – Anthenor Coutinho e Secretário – Euclides Cavalcanti.

O 1º treino do time de futebol, aconteceu às 6 horas da manhã, no domingo, do dia 19 de Abril daquele ano, no campo do Sport Recife. O treino contou com a presença de 21 jogadores:

Luciano, Euclides, Expedito, Campos, Medeiros, Ismael, Waldú, Lourival, Florival, Alberico, Augusto, Anthenor, Cavalcanti, Domingos, Manoel, Athayde, Jonathan, Barbosa, Baptista, Chiquinho e Burity.

Na Assembléia geral, ocorrido na quinta-feira, do dia 23 de Abril de 1936, aclamou a 1ª Diretoria da nova agremiação:

Presidente – Renato Carneiro Cunha;

Vice-presidente – deputado Carlos Rios;

1º Secretário – Mario de Assumpção Lima;

2º Secretário – Benevenuto Telles Filho;

Diretor – Ivo Augusto;

Thesoureiro – Waldemar Angelim;

Orador – jornalista Jorge Campello.

No domingo, do dia 31 de Maio de 1936, foi realizado o 1º jogo amistoso, diante dos Estudantes Football Club, no campo do Pina. O 1º Quadros formou assim: Souza; Augusto e Heitor; Lourival, Medeiros e Encarnadinho; Expedito, Campos, Burity, Oswaldo e Ismael.

O 2º Quadros jogou da seguinte forma: Euclides; Louro e Costa; Jonathan, Oliveira e Comelão; Luciano, Cruz, Flory, Chico e Sargento.

No domingo, do dia 15 de Novembro de 1936, o time fez a 1ª excursão para o município de Moreno, localizado a 28 km da capital de Pernambuco. Às 12 horas, a delegação seguiu em automóveis, sob a presidência do desportista Antonio Marrocos, tendo auxiliares os senhores: Antonio Nogueira (orador), Djalma Silva (secretário) e Luiz Medeiros (técnico). Além dos seguintes atletas:

1º Quadros: Martins; Toinho e Portuguez; Rubens, Pinto e Meleiro; Genésio, Zizi, Joaquim, Zé Dias e Bubú.

2º Quadros: Souza; Virgilio e Medeiros; Nino, Severino e Ismael; Victor, Bernardes, Oswaldo, Chico e Bubú II.

A viagem durou uma hora e meia, sendo recebidos pelos diretores do Societé e torcedoras locais. Em seguida, percorreram pelos principais pontos da cidade. A partida dos segundos quadros, teve início às 14h30min., sendo bastante disputado, terminando com a vitória do Societé Sport Club por 3 a 2.

No jogo de fundo, entre os primeiros quadros, começou às 16h05min., sob as ordens do Sr. João Carneiro. No final, desfalcado de quatro jogadores, o resultado não foi o esperado, e o Damanhã foi goleado impiedosamente pelo Societé Sport Club pelo placar de 9 a 1.

O time jogou assim: Martins (Nino); Shostenes e Dionezio; Nery, Rubem, Meleiro; Romão, Cahú, Sinésio, Toinho (Burity) e Bubú. Após a peleja, a delegação retornou a Recife às 20 horas.

Na tarde de domingo, no dia 28 de Novembro de 1936, o Damanhã enfrentou o São Paulo Foot-Ball Club, do bairro de Água Fria.

Na tarde de domingo, no dia 27 de Dezembro de 1936, o Damanhã realizou o seu 1º jogo nacional. A delegação viajou a João Pessoa, na Paraíba, a fim de enfrentar o Team Negro Sport Club.

Na tarde de domingo, no dia 06 de Fevereiro de 1938, o Damanhã venceu o Odeon Foot-Ball Club por 1 a 0, no bairro de Afogados. O gol da vitória foi assinalado por Toinho, na etapa complementar. O time vencedor: Hygino; José e Pet; Manu, Toco e Meleiro; Elias, Bibi, Bado, Pinto e Toinho.

Em 1939, os “Patativas Recifenses” estava filiado a Associação Suburbana dos Desportos Terrestres (ASDT).

FONTES: Diário da Manhã (PE) – Diário de Pernambuco (PE)

Inédito!! Energia Circular Sport Club – Salvador (BA): Vice-campeão Baiano da 1ª Divisão, em 1934

O Energia Circular Sport Club foi uma agremiação da cidade de Salvador (BA). O “Alviverde” foi Fundado na terça-feira, do dia 08 de Março de 1932, por alguns desportistas idealistas, das Companhias Linha Circular e Energia Electrica, dentre os quais o Dr. Lourenço Costa, os senhores Almir Pato, Otto Hilter, Edenval Vieira da Silva, William Crocker, entre outros.

Inaugurada a nova Sede

Na terça-feira, do dia 06 de Novembro de 1934, foi inaugurado a nova Sede, instalado num magnífico edifício cedido pela Companhia de Energia Electrica da Bahia, situada na Avenida Leovigildo Filgueiras, nº 17 (Terreo), no bairro Garcia, na região do centro da cidade de Salvador.

Na solenidade, compareceram os senhores representantes das autoridades federais, estaduais e municipais, jornalistas, esportistas, etc. Presidiu a inauguração o Sr. Anísio Massorra, diretor das Companhias Linha Circular e Energia Electrica, que discursou a importância dessa etapa do clube.

Felicitamos vos pelo arrojo do vosso plano e concitamos-vos a prosseguirdes com o mesmo afán, com a mesma coragem, com o mesmo desprendimento e confiança que até agora manifestastes, Não se trata mais de um clube esportivo – o vosso programa diz – trata-se de uma instituição dum elevado alcance social. Senhores directores do Energia Circular Sport Club, fizestes bem, correspondestes brilhantemente à confiança dos vossos consórcios, entre os quais o Sr. Wilcox e eu temos a honra de figurar, e se já não as tivesse diria que merecestes a nossa admiração e a nossa estima. Senhores sócios do Energia Circular Sport Club vós também sócios dignos de aplausos. Sem o vosso concurso, os vossos directores muito pouco realizariam. Continuai a presta-lhe o vosso apoio, que assim fareis um bem a vós, o que é mais nobre, fareis um bem a outros. Tivemos ocasião de ler o vosso hymno, cheio de força, cheio de esperança, cheio de entusiasmo, cheio de dedicação à vossa bandeira, verde e branca. Aproveito-me do final de seu estribilho para terminar as nossas palavras: ‘Verde e branco para a glória haveis sempre de marchar’“, discursou Anísio Massorra.

Energia é filiado em 1932

Na sexta-feira, do dia 06 de Maio de 1932, a Liga Bahiana de Desportos Terrestres (LBDT), mandou um oficio a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), comunicando que filiou mais duas equipes: Antarctica Football Club e Energia Circular Sport Club.

Clube debuta na Elite do Futebol Baiano

Na sua estreia no Campeonato Baiano da 1ª Divisão de 1932, que contou com dez times em turno único, o Energia terminou na 8ª colocação: nove jogos e seis pontos. Foram três vitórias e seis derrotas; 27 gols pró, 23 tentos contra e um saldo positivo de quatro.  Destaques para a goleada em cima do Guarany Sport Club por 8 a 0, no dia 5 de Junho de 1932; triunfo diante do Sport Club Vitória por 4 a 2, no dia 31 de Julho de 1932.

Quarto lugar em 1933

Na sua segunda participação no Campeonato Baiano da 1ª Divisão de 1933, que contou com dez times em turno único, o Energia terminou na 4ª posição: 12 jogos e 11 pontos. Foram quatro vitórias, três empates e cinco derrotas; 29 gols pró, 11 tentos contra e um saldo positivo de 18.  

Destaques para a goleada em cima do Guarany Sport Club por 11 a 1, no dia 25 de Maio de 1933; triunfo diante do Sport Club Bahia por 3 a 2, n a noite do dia 8 de Junho de 1933, no Estádio Arthur Morais, na Graça. Uma curiosidade nesse jogo foi a presença de dois árbitros: Oswaldo de Souza e Genebaldo Figueiredo, um em cada tempo.

Vice-campeão Baiano de 1934

Na sua 3ª participação no Campeonato Baiano da 1ª Divisão de 1934, o Energia fez a sua melhor campanha, terminando na 2ª colocação (Bahia foi campeão com 16 pontos): 12 jogos e 15 pontos. Foram seis vitórias, três empates e três derrotas; 31 gols pró, 27 tentos contra e um saldo positivo de quatro.  

Destaques para o triunfo diante do Sport Club Ypiranga por 3 a 1, no dia 17 de Junho de 1934; vitória em cima do Sport Club Bahia por 3 a 2, no dia 22 de Novembro de 1934; goleada em cima do Sport Club Ypiranga por 6 a 1, no dia 2 de Dezembro de 1934.

Após o ápice veio a queda em 1935

Na sua 4ª participação no Campeonato Baiano da 1ª Divisão de 1935, o Energia fez a sua pior campanha, terminando em 8º e último lugar: 14 jogos e 09 pontos. Foram quatro vitórias, um empate e nove derrotas; 30 gols pró, 54 tentos contra e um saldo negativo de 24.  

Apesar da campanha decepcionante, o Energia Circular conseguiu alguns destaques: vitória diante do Sport Club Bahia por 2 a 1, no dia 12 de Dezembro de 1935; triunfo diante do Sport Club Vitória por 5 a 3, no dia 29 de Dezembro de 1935.

Nessa temporada, a Liga Bahiana tinha reativado o Campeonato da Segunda Divisão (a sua última edição aconteceu em 1923). Pelo regulamento da entidade máxima do futebol baiano, o campeão tinha o direto de enfrentar o último colocado para definir o participante da temporada seguinte na Elite Baiana!

Com isso, o Energia Circular enfrentou o São Pedro Football Club (campeão da Segundona, numa melhor de três jogos. No final, o Alviverde acabou rebaixado.  

Campeão Invicto da Segundona de 1936

Na temporada seguinte, a modesta agremiação disputou o Campeonato da 1ª Categoria de Amadores (Segunda Divisão) de 1936. Fez uma campanha invicta, se sagrando campeão.

Dessa forma, teve o direto de lutar pelo acesso diante do Fluminense Foot-Ball Club (último colocado na 1ª Divisão), numa melhor de três. No entanto, o Energia não obteve êxito e seguiu na Segundona.

Diretoria de 1953

Bicampeão Invicto e com direto ao acesso

No Campeonato da 1ª Categoria de Amadores (Segunda Divisão) de 1937, o time alviverde estreou em Junho de 1937, ao golear o Guarany por 4 a 1. Nos Segundos Quadros, também venceu pelo placar de 2 a 0.  No final, novamente voltou a conquistar o título, sem perder nenhum jogo.

Novamente decidiu o acesso contra o Fluminense Foot-Ball Club (último colocado na 1ª Divisão), numa melhor de três. E, desse vez, o Energia conquistou o acesso para Elite do Futebol Baiano.

Excursão à Aracaju/SE

Após faturar o título o clube viajou para Aracaju (SE), a fim de realizar três jogos:

na tarde de sábado, no dia 30 de Outubro de 1937, jogou contra o Palestra/Sergipe; na tarde de domingo, no dia 31 de Outubro de 1937, enfrentou o Sport Club Sergipe; na segunda-feira, no dia 1º de Novembro de 1937, encarou o Cotinguiba Sport Club.

Delegação foi composta assim: Dr. Synval Vieira da Silva (presidente); acadêmico José Vieira da Silva (Secretário); Edenival Vieira da Silva (técnico). E os jogadores – Menezes e Tijolo (goleiros); Regalia, Luiz e Brandão (zagueiros); Parella, Nonô, Aloysio e Palmier (médios); Mundinho, Caixão, Pedro Braz, João Caboclo e Aureliano (atacantes).

Após o bicampeonato invicto, o clube retorna à 1ª Divisão

O jornal Correio da Manhã/RJ noticiou – no domingo, do dia 08 de Maio de 1938 – que o Energia Circular poderia ingressar na Elite do Futebol Baiano: “Com a retirada do Fluminense Football Club, da Liga Bahiana de Desportos Terrestres (LBDT), firmou-se na 1ª Divisão o Energia Circular, que há dois anos vem ocupando a liderança do Campeonato da Segunda Divisão. Sabendo-se que o Energia nunca foi derrotado em jogos de campeonato pelo Sport Club Bahia, campeão do Torneio Início de 1938, e o clube que apresentou melhor conjunto, aguarda-se com vivo interesse o prélio entre as duas fortes          equipes, pois já o povo passou a considerar o Energia com o “Espantalho do Bahia“.

Nesse período, o dirigente do alto escalão do Energia, estaria se preparando para viajar ao Rio e São Paulo, a fim de tratar de contratações de grandes jogadores para reforçar o time. Além disso, o clube estava fazendo melhoramentos nas arquibancadas do seu estádio, considerado um dos melhores do futebol baiano.  

Energia fica em 5º lugar em 1938

Na sua 5ª participação no Campeonato Baiano da 1ª Divisão de 1938, num total de sete equipes em turno, o Energia fez terminou na 5ª posição: em seis jogos e três pontos. Foram uma vitória, um empate e quatro derrotas; 16 gols pró, 30 tentos contra e um saldo negativo de 14.

Os pontos conquistados foram a vitória em cima do Yankee Football Club por 3 a 2, no dia 9 de Junho de 1938; e o empate diante do Sport Club Vitória em 2 a 2, no dia 24 de Julho de 1938

Time posado de 1952/53

Vice-campeão de 1939

O time retornou a disputar o Campeonato da 1ª Categoria de Amadores (Segunda Divisão), em 1939. No final, acabou com o vice-campeonato ao perder o título para a Associação Desportiva Guarany.

Energia fatura o 3º titulo na Segundona

Na temporada seguinte, veio o terceiro título do Energia Circular no Campeonato da 1ª Categoria de Amadores (Segunda Divisão), em 1940. Porém, na disputa pelo acesso enfrentou o Botafogo Sport Club (último lugar na 1ª Divisão). No entanto, acabou perdendo os dois jogos: 4 a 2 e 3 a 0, e permanecendo na Segunda Divisão.

Com isso, o Energia Circular jogou o Campeonato da 1ª Categoria de Amadores (Segunda Divisão), em 1941, sem conseguir o título. A partir daí, que se sabe é: em 1942, a entidade máxima extinguiu a Segunda Divisão, só retornando anos depois. O A Alviverde foi vice-campeão de amadores em 1952, dois pontos a menos que o Vitória (campeão).

matéria de 1953

Colaborou: Rodrigo S. Oliveira

Recorte do escudo: Ubiratan Brito

Desenho do escudo, uniforme, pesquisa e texto: Sérgio Mello

FONTES: Jornal do Commercio (RJ) – Jornal do Commercio (AM) – Almanak Laemmert : Administrativo, Mercantil e Industrial (RJ) – O Imparcial (BA) – Gazeta de Notícias (RJ) – Correio da Manhã (RJ) – Jornal dos Sports (RJ) – Rsssf Brasil – O Momento (BA) – Unica : quinzenario illustrado : mundanismo, esportes, cinema, actualidades (BA)

Centro Sportivo da Encruzilhada – Recife (PE): sete edições do Estadual, entre 1929 a 1935

O Centro Sportivo da Encruzilhada foi uma agremiação da cidade do Recife (PE). O “Alviverde da Encruzilhada“, “Centro“, “Campeão da Sympathia“, “Periquitos da Encruzilhada“, “Grêmio da Camisa Verde” foi Fundado na quinta-feira, do dia 31 de Agosto de 1916.

Foram criadas as diretorias de Honra e a Effectiva! A Diretoria de Honra fora composta pelos seguintes membros:

Presidente – Cel. Francisco Araujo;

Vice-Presidente – farmacêutico Porfírio de Andrade;

1º Secretário – capitão Leôncio de Barros;

2º Secretário – José Penante I. Cunha;

Orador – acadêmico Luiz de Barros;

Vice-Orador – Eurico H. de Macedo;

Thesoureiro – capitão Antonio Cypriano Gomes;

Vice-Thesoureiro – capitão Joaquim Leitão.

Já a Diretoria Effectiva ficou formada da seguinte forma:

Presidente – acadêmico Ildefonso Lopes;

Vice-Presidente – Arnaldo Vieira de Mello;

1º Secretário – Mario A. Silva;

2º Secretário – José de Almeida e Silva;

Orador – Clovis Bráulio de Carvalho;

Vice-Orador – acadêmico José D. Guimarães;

Thesoureiro – Antenor Ferreira;

Vice-Thesoureiro – Manoel Alves Sobrinho;

Director de Sports – José Victorino de Almeida.

A sua primeira Sede social estava localizado na Rua de São João, s/n, no bairro de Campo Grande (vizinho ao bairro da Encruzilhada), no Recife. As suas cores: verde e branco.

Praça de Esportes

No mês seguinte, o clube inaugurou, no domingo, às 6h30min., do dia 29 de Outubro de 1916, o novo Ground, no bairro de Campo Grande, localizado na Zona Norte do Recife.

Na ocasião, o orador Clovis Bráulio de Carvalho discursou para os convidados. Depois ocorreu a partida inaugural entre os times A e B. O 1º Quadro foi escalado assim: Coelho; C. Miranda e Antenor Mineca; Joãozinho, Silvio do Val e Clovis; M. Pirette Santos, Zé de Almeida, Bruno, Oswaldo e Raul.

Há registros de que no início de 1917, o Centro já estava em outro campo: situado na Avenida Ferreira Gomes, s/n, no bairro da Encruzilhada, batizado por Stadium Ferreira Gomes.

Sete participações na Elite do futebol de Pernambuco

No futebol, o “Grêmio da Camisa Verde” disputou sete edições do Campeonato Pernambucano da 1ª Divisão: 1929, 1930, 1931, 1932, 1933, 1934 e 1935. Ao todo, foram 82 jogos, com 57 pontos: 21 vitórias, 13 empates e 48 derrotas; marcando 149 gols, sofrendo 261, e um saldo negativo de 112.

Reorganizado em 1927

Na quinta-feira, do dia 06 de Janeiro de 1927, na residência do benemérito Hilkar Machado, situado na Avenida Clementino Tavares (atual: Avenida Beberibe), na Encruzilhada, o “Centro” passou por um processo de reorganização, comandados por um grupo de onze desportistas:

Sylvio Fernandes, Alcides Lima, Arnaldo Costa, Arthur Neves, Alderico Freitas, José Ribeiro Campos, Luiz Leitão, Guilherme Machado, Hilcar Machado, Edgar Machado, Manassés Guimarães.

Essa mudança, o clube resolveu trocar o bairro vizinho (Campo Grande) pelo bairro que empresta o nome da agremiação alviverde. Apesar da mudança, a nova diretoria manteve uma relação carinhosa com o bairro vizinho. No início de 1929, a diretoria ofertou uma artística taça as torcedoras de Campo Grande, que ficou à mostra no pavilhão italiano, na Exposição.   

A diretoria foi constituída da seguinte forma:

Presidente – Alcides Lima;

Vice-presidente – João Muniz Ramos;   

1º Secretário – Alderico Freitas;

2º Secretário – Hulberto Gama;

3º Secretário – Ezequiel Piretti;

Orador – Arthur Neves;

Vice-Orador – Agapito de Freitas;

Thesoureiro – Manuel Filizola;

Commissão de Syndicancia – José Neves, Guilherme Coimbra, Sylvio Fernandes, Arnaldo Costa e Luiz Leitão.

Nova Sede e o Stadium do Encruzilhada

A sua nova casa, ficava na Rua Castro Alves, no bairro da Encruzilhada, localizado na Zona Norte do Recife. No local, magnificamente aparelhada e artisticamente mobiliada, contando com jogo de salão, com ping pong, jogo de dama, xadrez e b x marombas, etc. O que demonstra estar equipada para o atletismo.

O Stadium foi inaugurada no domingo, do dia 13 de Março de 1927, em amistoso, diante do Jandyra Sport Club (composto por rapazes do Sport Club do Recife).

Às 7 horas, no encontro entre os Terceiros Quadros, o “Centro” venceu por 3 a 1. Às14h30min., no jogo dos Segundos Quadros, deu Jandyra: 2 a 0. Por fim, às 16 horas, na partida de fundo, entre os Primeiros Quadros, terminou empatado em 1 a 1.

Dias depois, a 1ª vitória nessa nova era: 1 a 0 em cima do Commercial Foot-Ball Club. O gol da vitória foi assinalado pelo atacante Carlito. Já a maior goleada veio no domingo, do dia 20 de novembro de 1927, quando abateu o Nacional Foot Ball Club pelo placar de 5 a 1.

ALGUNS NÚMEROS DE 1927 e 1928

Entre as duas temporadas completas (1927 e 1928), o Centro Sportivo Encruzilhada acumulou um total de 89 jogos, com 41 vitórias (46,0%), 28 empates (31,5%) e 20 derrotas (22,5%). Triunfos que se destacaram foram diante do Jandyra, Vasco da Gama, Mocidade, Varzeano Sport Club, Fortaleza, Capibaribe e Associação Atlética Arruda.

Viagem à Campina Grande/PB   

Duas excursões em 1928: no domingo, do dia 23 de setembro, no município de Victoria, um amistoso estadual, o “Centro” venceu o Yankee Club por 2 a 0. No mês seguinte,  no domingo, do dia 14 de outubro, num amistoso nacional, empatou com o Palestra em 2 a 2, em Campina Grande, no estado da Paraíba.

Troféus conquistados nesse período

Taça Collares Vianna (vitória em cima do Bello Horizonte);

Taça Alcides Lima (vitória em cima do Tuyuty);

Taça Encruzilhada (festival da Associação de Cronistas Desportivos);   

Taça de Bronze (ofertado pelo Palestra de Campina Grande/PB);

Taça Campeão da Sympathia (ofertada pelo jornal O Esporte, vencedor do concurso simpatia com 4.162 votos).

Criação da Associação Suburbana de Desportos Terrestres (ASDT)

Às 20 horas, da sexta-feira, no dia 25 de Janeiro de 1929, o “Centro” liderou o movimento para a criação da Sub-Liga, onde fez uma reunião com os clubes suburbanos.

A assembléia com intuito da formação da Coligação Suburbana de Desportos Terrestres (ASDT). Uma semana depois, foi Fundada na sexta-feira, do dia 1º de Fevereiro de 1929, que teve como 1º Presidente o Sr. Ramos de Freitas.

Estranhamente, o Encruzilhada não se filiou a nova liga, o que acarretou problemas, pois os clubes filiados foram proibidos de enfrentá-lo. Segundo o Pequeno Jornal fez uma avaliação da postura do clube alviverde: “Um carrancismo tolo, uma vaidade inútil, fizeram repelir as inúmeras solicitações e o clube querido de Alcides Lima (então o presidente) permaneceu isolado“.

Após idas e vindas, enfim, a diretoria do “Alviverde da Encruzilhada” aceitaram as argumentações e o clube se filiou a ASDT e depois a  Liga Pernambucana de Desportos Terrestres (LPDT). Assim, o alviverde disputaria pela 1ª vez o Campeonato Pernambucano da 1ª Divisão, em 1929.   

Varzeano x Encruzilhada para 4 mil torcedores

No domingo, do dia 03 de Março de 1929, o Encruzilhada foi até o bairro da Várzea (2º maior em extensão territorial do Recife), a fim de enfrentar o temível Varzeano Sport Club.

O Estádio estava completamente lotado com cerca de 4 mil pessoas, que assistiram um jogo equilibrado que terminou empatado em 1 a 1. O mesmo resultado na partida entre as duas equipes nos Segundo Quadros.  

Debutou na Elite Pernambucana em 1929

Então, no Campeonato Pernambucano da 1ª Divisão, organizado pela Liga Pernambucana de Desportos Terrestres (LPDT), teve o pontapé inicial. Na tarde de domingo, do dia 12 de maio de 1929, o Centro Sportivo Encruzilhada estreou diante do forte Náutico Capibaribe, nos Aflitos.

Num jogo de seis gols, a partida terminou empatada em 3 a 3. Nos Segundos Quadros, o Náutico venceu por 5 a 1, enquanto nos Terceiros Quadros, o Encruzilhada ganhou 1 a 0.   

Pela 2ª rodada, colocou no caminho do “Centro” o atual campeão do estado: o Sport do Recife, na tarde de domingo, do dia 26 de maio de 1929, no Estádio da Avenida Malaquias. O árbitro foi o folclórico Alcindo Wanderley, o Pitota.

O Encruzilhada fez história e abateu o Sport do Recife pelo placar de 3 a 2. Após estar perdendo com, menos de 15 minutos de jogo (dois tentos de Bulhões), por dois a zero, o Centro virou com gols de Zequinha; Baltar, o “Velho Cabo 70“, de pênalti; e após receber passe de Pinto, Faísca fez o gol da vitória. Nos jogos dos Segundos e Terceiros Quadros, o placar foi o mesmo: 1 a 1.

Na 3ª Rodada, outra pedreira: o América do Recife, na tarde de domingo, do dia 16 de junho de 1929, no campo da Jaqueira. Num jogo, com cada time sendo melhor em cada tempo, a partida terminou empatada sem gols. O Time formou: Piancó; Palmeira e Sylvio; Baltar, Simões e Leitão; Pinto, Pedrinho, Lilla, Faísca e Zeca. Técnico: Lilla. Nos Segundos Quadros, o América venceu por 3 a 0. Já nos Terceiros Quadros, outro empate em 1 a 1.

Na 4ª Rodada, na tarde de domingo, do dia 30 de junho de 1929, o Encruzilhada empatou com o Torre, em 2 a 2, no campo da Jaqueira. Nos Segundos Quadros, empate em 1 a 1. Já nos Terceiros Quadros, o Torre venceu por 1 a 0.

Pela 5ª Rodada, na tarde de domingo, do dia 14 de julho de 1929, o Encruzilhada voltou a vencer ao bater o Equador Football Club por 3 a 0. Nos Segundos Quadros, o “Centro” goleou por 4 a 1

Na 6ª Rodada, na tarde de domingo, do dia 28 de julho de 1929, o Encruzilhada sofreu a primeira derrota no certame, ao perder para o Flamengo por 2 a 0. Pelo mesmo placar o “Centro” perdeu nos Segundos e Terceiros Quadros

Na 7ª Rodada, às 16h15min., de domingo, do dia 04 de agosto de 1929, o Encruzilhada caiu diante do Santa Cruz pelo placar de 1 a 0, na Avenida Malaquias. O gol saiu aos 27 minutos do 1º tempo, por intermédio de Alfredo. Nos Segundos Quadros o “Centro” venceu por 2 a 0. O time formou: Piancó; Sylvio e Palmeira; Baltar, Simões e Leitão; Zequinha, Aranha, Lilla, Pedrinho e Pinto. Técnico: Lilla.

Pela 8ª Rodada, na chuvosa tarde de domingo, do dia 25 de agosto de 1929, o Encruzilhada sofreu a terceira derrota seguida. Dessa vez para o Náutico Capibaribe por 2 a 0, no campo do América. Nos jogos dos Segundos e Terceiros Quadros, o “Centro” perdeu por 5 a 0 e 1 a 0, respectivamente.

Excursão e goleada em João Pessoa (PB)

O “Campeão da Sympathia” deu um intervalo no certame estadual e excursionou até João Pessoa, na Paraíba para enfrentar o Vasco da Gama (que também estava debutando na Elite do futebol paraibano)Às 15h35min., no domingo, do dia 1º de setembro de 1929, no campo do Cabo Branco. Com arbitragem de Aloysio França, o Encruzilhada goleou o Vasco por 4 a 1.

Aos 17 minutos, Lilla deu belo passe para Zezé que abriu o placar para o Encruzilhada. Aos 19 minutos, o “Periquitos da Encruzilhada” ampliou: Zezé deu passa para Arnaldo, que deixou passar para Zé Pedro, que chutou rasteiro, sem chances para o goleiro Raul.

Na etapa final, logo aos seis minutos, Zezé driblou Patrício e tocou para Zeca que fuzilou para aumentar o marcador. Com tranquilidade o Encruzilhada chegou ao 4º gol, após Zezé entregou o balão a Lilla, que bateu com categoria, colocando a bola para o fundo das redes. Aos 18 minutos, o Vasco fez o seu tento de honra, por intermédio de Zé Pedro, cobrando pênalti.    

Retornando ao Estadual, o Encruzilhada voltou a campo, pela 9ª Rodada,no domingo, do dia 08 de setembro de 1929. Contudo, nova derrota para o Flamengo por 2 a 0. Nos jogos dos Segundos e Terceiros Quadros, o “Centro” venceu por 2 a 0 e foi derrotado por 1 a 0, respectivamente.

Na 10ª Rodada,no domingo, do dia 22 de setembro de 1929, o “Centro” foi derrotado pelo Santa Cruz por 3 a 0. Nos jogos dos Segundos e Terceiros Quadros, derrotas por 2 a 0 e 5 a 2, respectivamente.

O Encruzilhada encerrou a sua participação no Estadual de 1929, na penúltima colocação, com sete pontos em 13 jogos: duas vitórias, três empates e oito derrotas; com 13 gols a favor e 21 contra, com um saldo negativo de oito.

Em 1930, o clube tinha uma nova Sede social, localizado na Avenida Bernardo Vieira, nº 393 (depois 421), no bairro Encruzilhada, no Recife, onde realizou grandes bailes de carnaval.

No Campeonato Pernambucano de 1930, o Encruzilhada fez uma excelente e melhor campanha da sua história, terminando na 3ª colocação no geral. O Centro só ficou atrás do Torre Sport Club, vice-campeão; e do América Football Club, campeão do certame. Ao todo, foram nove jogos e 10 pontos, com quatro vitórias e cinco derrotas; marcando 12 gols, sofrendo 15 e um saldo de menos três tentos.

No Estadual de 1931, o “Centro” não conseguiu repetir o belo desempenho da temporada anterior terminando na 9ª e antepenúltima posição. Foram 10 partidas e nove pontos; com quatro vitórias, um empate e cinco derrotas; marcando 33 gols, sofrendo 35 e um saldo negativo de dois.

Veio o Campeonato Pernambucano da 1ª Divisão de 1932, mas o desempenho continuou ruim. O Centro Sportivo Encruzilhada ficou na 10ª e penúltima colocação, com três pontos em oito partidas: uma vitória, um empate e seis derrotas; marcando 12 gols, sofrendo 22, e um saldo de 10 negativos.

Na temporada seguinte (Estadual de 1933), os “Periquitos da Encruzilhada” melhoraram, ficando na 7ª posição, com nove pontos em 14 jogos:  quatro vitórias, um empate e nove derrotas; assinalando 22 gols, sofrendo 61 tentos e um saldo de menos 39 gols.

No Campeonato Pernambucano da 1ª Divisão de 1934, num total de oito clubes, o Centro ficou em 5º lugar, com 12 pontos em 14 jogos: quatro vitórias, quatro empates e seis derrotas; marcando 28, sofrendo 41 e um saldo negativo de 13 gols.

No Torneio Início de 1935, o Encruzilhada acabou caindo na estreia ao perder para o Sport Recife por 3 a 2. Uma curiosidade: No domingo, do dia 07 de abril de 1935, no seu campo, o Encruzilhada enfrentou, amistosamente o Iris Sport Club, pelo placar de 3 a 1.

Os gols foram assinalados por Estácio, Neves e Marinheiro, enquanto Guerra fez o tento de honra do Iris. Essas duas equipes iriam protagonizar meses depois a ascensão de um e o declínio do outro.

Depois veio o Campeonato Pernambucano da 1ª Divisão de 1935, que acabou sendo marcante na história do Centro Sportivo Encruzilhada, mas da pior forma possível.

Num total de oito equipes, o “Camisa Verde” terminou na 8ª e última posição. Foram sete pontos em 14 jogos, com duas vitórias, três empates e nove derrotas; marcando 29, sofrendo 66 e um saldo de menos 37.

O Centro era sétimo colocado, porém diante da desistência do restante do jogo interrompido diante do América, acabou perdendo um ponto, suficiente para cair para o oitavo lugar.

Rebaixamento decretou um “caminho sem volta

Após terminar na lanterna, restou ao Encruzilhada ter a última chance de permanecer na Elite: enfrentar o Íris Sport Club (Santo Amaro), campeão da Segunda Divisão (ao vencer o Atheniense), numa melhor de três jogos. Exatamente o mesmo adversário que o Centro venceu com tranquilidade, em amistoso, antes do início do certame.

Centro é goleado

O 1º jogo, aconteceu no domingo, às 16h, do dia 05 de Janeiro de 1936, no Estádio da Avenida Malaquias. E o Centro foi goleado pelo Íris Sport Club por 7 a 2. O árbitro foi Alonso Rodrigues de Souza.

Logo no início de jogo, Gondim abriu o placar para o Centro. Aos oito, Calixto empatou. Aos 19, Guerra colocou o Íris na frente. No minuto seguinte, Ivo ampliou para os azulinos. Na etapa final, logo no início Damião diminuiu para o Centro.

Três minutos depois, Edgard, de pênalti, fez o 4º tento para o Íris. O jogo ficou complicado e o time azulino ainda marcou mais três gols: Guerra, duas vezes, e Edgard.  

Íris SC: Baracas; Popó e Walfrido; Electrico, Ramalho e Caboclo (Gato); Ivo, Calixto, Edgard, Sinésio (Guerra) e Miolo.

Encruzilhada: Francelino; Watson e Estácio; Soares, Moura e Odílio; Pinto, Bayma, Damião, Bessoni e Manoel Gondim 

Tudo igual no 2ª partida

O 2º jogo, ocorreu no domingo, às 15h15min., do dia 12 de Janeiro de 1936, no campo da Jaqueira (do Tramways). O Encruzilhada e o Íris ficaram no empate em 1 a 1. O árbitro da peleja foi João Elysio Lauria Ramos.

O 1º tempo teve muita disputa e pouca objetividade, terminando sem gols. Na etapa complementar, logo no início, Guerra abriu o placar para o Íris. O time azulino seguiu pressionando, mas aos poucos o Centro foi retomando às rédeas do jogo.  Então, Zeferino invadiu a área e tocou na saída de Barracas para deixar tudo igual. 

Encruzilhada: Francelino; Perdido e Watson; Leitão, Moura e Estácio; Ayrton, Damião, Zeferino, Lylla (Bessoni) e Manoel Gondim 

Íris SC: Baracas; Popó e Walfrido; Gato, Baptista (Ramalho) e Ramalho (Electrico); Ivo, Calixto, Edgard, Guerra e Miolo.

Novo empate resultou na queda do Encruzilhada

O 3º e último jogo, transcorreu no domingo, às 15h35min., do dia 19 de Janeiro de 1936, Centro Sportivo Encruzilhada e Íris Sport Club voltaram a empatar em 1 a 1, na Avenida Malaquias (campo do Sport Recife). O árbitro foi Alberto Gomes Alves.

Aos 13 minutos, Varella abriu o placar para o Centro. E assim o jogo seguiu até o fim da etapa inicial. Na volta do intervalo, logo aos cinco minutos, após belo passe de Miolo, o atacante Edgard empatou. O placar seguiu inalterado até o apito do árbitro. 

Com esse resultado (uma vitória e dois empates; marcando nove gols e sofrendo quatro), o Íris Sport Club assegurou a volta para a Primeira Divisão, enquanto o Encruzilhada acabou rebaixado para a Segunda Divisão pela 1ª vez.

Íris SC: Baracas; Popó e Walfrido; Eletrico, Baptista e Ramalho; Caboclo, Calixto, Edgard, Sinésio e Miolo.

Encruzilhada: Francelino; Perdido e Lucas; Cosme, Leitão e Pita; Pinto, Franzé, Varella, Lylla e Estácio 

O último ato do Centro

No entanto, o rebaixamento do “Alviverde da Encruzilhada” ganhou um “novo capítulo” no mês seguinte. A Federação Pernambucana de Desportos (FPD), voltou atrás e manteve o clube na Elite. Apesar de não ficar claro os motivos, o Centro participou da competição que abria a temporada no estado.     

Torneio Início de 1936

No domingo, do dia 1º de Março, foi realizado o Torneio Início de 1936. O Encruzilhada estreou diante do seu algoz: Íris Sport Club, às 15h05min., tendo na arbitragem o Sr. Alonso Rodrigues, no campo do Tramways. E, novamente, o Centro foi derrotado por 1 a 0, dando adeus ao torneio.

Íris SC: Baracas; Popó e Joca; Marionettos, Zeca e Ramalho; Caboclo, Frajola, Edgard, Nicolau e Gato.

Encruzilhada: Francelino; Perdido e Lucas; Edith, Leitão e Pajú; Quinto, Ellon, Damião, Neco e Brayner.

A FPD divulgou a tabela do Campeonato Pernambucano da 1ª Divisão de 1936, no qual o Encruzilhada iria estrear na quinta-feira à noite, do dia 15 de março, diante do Náutico Capibaribe.

O clube trouxe o meia Paesinho (ex-Torre), depois Humberto (com um contrato de três anos). No entanto, com a vinda do Clube de Regatas Vasco da Gama/RJ, somado a convocação do selecionado pernambucano, as datas do início do estadual foram adiados.

Clube teve três jogadores convocados

Como preparação, o Encruzilhada enfrentou, amistosamente, o Torre Sport Club, no domingo, às 16 horas, do dia 15 de Março de 1936, no campo da Avenida Castro Alves. Antonio Machado foi o árbitro da peleja. O resultado não foi divulgado.

Na semana seguinte, o técnico da Seleção Pernambucana, Joaquim Loureiro  convocou o grupo para um período de treinos, visando o XI Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais. E o Encruzilhada teve três jogadores convocados: Perdido, Paesinho e Ivo.

Inesperadamente, o Centro se licenciou e depois se extinguiu

Porém, na sexta-feira, do dia 17 de Abril de 1936, a diretoria encaminhou um ofício, no qual solicitava uma licença do campeonato. No domingo, às 8 horas da manhã, do dia 19 de Abril, foi realizado uma assembléia geral, na Sede do clube. 

Na segunda-feira, do dia 20 Abril de 1936, reunido em sessão extraordinária, a diretoria formada pelo presidente, Pedro Alves Pereira da Silva; Vice-presidente, Benjamin Gonçalves; Secretário, Luiz Capibaribe; Thesoureiro, Reynaldo Paiva; Conselho Especial, Lafayette Vareda – Abílio de Barros – Júlio Moreira dos Santos – Hilkar Machado; deliberou a dissolução do Centro Sportivo Encruzilhada, ficando a liquidação de acordo com o estatuto do clube.

Nos anos 50, ocorreu uma tentativa de reorganizar o clube

Em 1953, foi formado a diretoria dos Veteranos do Centro Esportivo da Encruzilhada, como uma forma de manter viva as histórias e os antigos membros, que se reuniam na Sede (provisória) na Rua Carneiro Vilela, nº 448, no Espinheiro, um bairro nobre pertencente à 3ª Região Político-administrativa do Recife.

Essas reuniões foram se aflorando, com a realização de jogos amistosos até que na quarta-feira, do dia 19 de Agosto de 1959, foi noticiado no Diário de Pernambuco o desejo de reabrir a antiga agremiação:

Componentes do Antigo Clube Rex de Amadores, à frente o desportista Walter Marques de Oliveira, estão tratando da reorganização do Centro Esportivo da Encruzilhada, a agremiação que marcou época no futebol da cidade, inclusive na primeira divisão de profissionais. A sede do grêmio arrabaldino (arredor) será localizada, inicialmente, na Vila do IPASE, na Encruzilhada e seus reorganizadores já estão pensando num terreno onde será construída a praça de jogos do clube, já que é pensamento dos mesmos participar dos prélios oficiais da segunda categoria no próximo ano, passando à divisão de honra, no ano seguinte“. 

Apesar de toda empolgação, não foi encontrado mais nenhuma notícia de que esse projeto tenha ido para frente. E, com isso, a “última chama de esperança” do retorno do Centro Sportivo Encruzilhada se apagou definitivamente, colocando um ponto final no “Campeão da Sympathia“.

Algumas formações:

Time base de 1916 – Hygino (Coelho ou Santos); Octacilio (C. Miranda ou Candinho) e Lela (Cap.); Guimarães (Antenor), Sobrinho (Joãozinho) e Bruno (Elidio); Ildelfonso (Raul), Silvio do Val (Oswaldo) e José Victorino (Clovis); Vital (M. Pirette Santos) e Tatá (Zé de Almeida). Técnico: José Victorino de Almeida (depois: Elydio Macedo). 

Time base de 1917 – Chiquinho (Paulo Xavier); Pedro Guimarães e Mario Mattos (Mario Pinto); Balthazar (Cap.), Oliveira (C. Miranda) e Victorino (Deca); Waldemar (M. Mendonça), Coelho (Balthar), M. Dias (J. da Motta) e Eliezer (Victorino)Técnico: Elydio Macedo. 

Time base de 1918 – Tartaruga; Antenor e Dowsley; Peretti, Balthazar (Cap.) e  Candido; Euclides, Moreira, Guanabara, M. Silva e P. Silva

Time base de 1927 – Dedé; Machado e Cavalcanti; Guilherme, Pedrinho e Pires; Pinto, Motta, Lyla, Carlito e Almeida

Time base de 1928 – Ismael (Dedé); Machado (Palmeiras) e Pedro Sá; Guilherme, Pedrinho e Jacy (Pires ou Baltar); Almeida (Carlito), Motta (Pinto), Lyla (Zena), Pita (Julinho) e Karlyto (Seca). Técnico: Pedro Sá Cavalcanti

Time base de 1929 – Piancó (Lyra); Palmeira e Sylvio (Pedro Sá); Baltar (Pires), Simões e Leitão; Pinto (Zequinha), Pedrinho (Aranha), Lilla (Bulhões), Faísca (Motta) e Zeca. Técnico: Lilla.

Time base de 1930 – Piancó; Palmeira e Moacyr; Baltar, Sebastião e Leitão; Marinheiro, Lyla, Sabininho, Motta e Zeca

Time base de 1931 – Arthur Loyo (J. Trajano); Estácio (Hilkar) e Pedro Sá (Gesner Loyo); Leitão (Cão), Sebastião e Pita (Pires); Leitãozinho, Pintinho, Péricles, Lila e Manoel Godim

Time base de 1932 – Arthur Loyo; Estácio e Machado; Cão, Felinto e Pita; Leitãozinho, Marinheiro, Nickolas, Lila e Manoel Godim

Time base de 1933 – Encresio; Machado e Filintho; Leitão, Pedrinho e Cão; Hernani, Pita, Lila, Estácio e Manoel Godim

Time base de 1934 – Gouveia; Perdido e Luizinho; Leitão, Cão e Pita; Marinheiro, Estácio, Nadú, Lylla e Manoel Godim

Time base de 1935 – Gouveia (Francelino); Perdido e Estácio (Luizinho); Pita, Baptista e Leitão (Cão); Pinto (Dias ou Nadur), Neves (Marinheiro), Nelson (Lylla), Franzé (Varella) e Manoel Godim

Time base de 1936 – Francelino; Perdido (Watson) e Estácio (Lucas); Cão (Moura), Leitão (Soares ou Edith) e Pita (Odílio ou Pajú); Pinto (Quinto), Lylla (Brayner ou Ellon), Nadur (Damião), Cosme (Bessoni) e Manoel Godim (Neco)

Desenho do escudo, uniforme, pesquisa e texto: Sérgio Mello

FONTES A Província (PE) – Diário da Manhã (PE) – Diário de Pernambuco (PE) – O Jornal de Recife (PE) – Pequeno Jornal (PE) – RSSSF Brasil