Arquivo da categoria: Jogos Históricos

Escudo diferente: Associação Atlética Matarazzo – São Paulo (SP): Campeã Estadual Amador de 1955

Escudo e uniforme utilizado nos anos de 1955 e 1956

A Associação Atlética Matarazzo foi uma agremiação da cidade de São Paulo (SP). Fundada no sábado, do dia 14 de novembro de 1914, reunia os empregados dos escritórios comerciais e industriais da S/A Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo.

Breve história

Voltada principalmente ao “cultivo do futebol“, segundo estabelecia seu 1º estatuto (1928), a Associação também se destinava à promoção de festivais esportivos e recreativos, bem como bailes com a participação de sócios e seus familiares.

Ao ser admitido a um daqueles escritórios, automaticamente, o empregado se tornava sócio dessa agremiação. Como os escritórios sempre mantiveram uma média de 1.800 funcionários, este também deveria ser o número aproximado dos associados da Atlética Matarazzo.

As mensalidades pagas variavam segundo faixas salariais. Os valores envolvidos eram pequenos, mas regularmente descontados das folhas de pagamento. Assim, todos os funcionários dos escritórios contribuíam, mesmo aqueles que não frequentavam a Atlética. Os funcionários não poderiam optar entre serem ou não associados. Como informou um ex-diretor, todos eram obrigados a se filiar:

Na Atlética era o seguinte. Você entrava como empregado na Matarazzo, automaticamente, você era sócio. Então você fazia parte do quadro da Atlética. (…) Descontava-se a mensalidade na folha de pagamento. (…) Quando você assinava o contrato de trabalho, você já era sócio da Atlética. Era obrigatório. Várias pessoas tentaram mais tarde sair, quando ela já não oferecia nada… Mas não era possível. Nunca ninguém conseguiu. Então eles descontavam. Não era uma coisa exorbitante, mas vinha descontado na folha de pagamento. (…) Você era obrigado a entrar. (L.R.)

Sedes Sociais

Em julho de 1931, a diretoria resolveu desocupar a sala situada na Av. Brigadeiro Luís Antônio nº 44. Alegava tratar-se “De um prédio muito acanhado, fora de mão e de aluguel demasiado alto“.

Em 1932, a Associação comprou um terreno situado na Alameda Casa Branca, de propriedade do Conde Luiz Eduardo Matarazzo, onde foi instalada a praça de esportes. Além de um bangalô e de uma quadra de tênis já existentes no local, a Associação pretendia construir um ginásio para jogos de basquete, aproveitável também para bailes.

O Conde Francisco Matarazzo Jr., então administrador gerente da S/A Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, prometia que, durante o primeiro ano posterior à compra, a empresa contribuiria com a soma de um conto de réis (1:000$000) por mês, a fim de auxiliar a Associação a saldar sua dívida de 400 contos de réis!

A tarefa, bastante árdua, não foi levada adiante e, em maio de 1936, a Associação desfez o negócio, passando, então, a alugar o mesmo terreno, utilizando-se apenas da quadra de tênis. Nesse mesmo ano, uma nova sede social (alugado) foi instalada num conjunto de salas do Edifício Martinelli.

Associação Atlética Matarazzo, montou no 19º andar, a sua sede, onde ocupava praticamente três quartos do espaço físico. Pegava toda a parte da Avenida São João e parte da Rua Líbero Badaró.

Tinha uma mesa de bilhar, tinha uma bonita biblioteca, um bar, mesa de pingue-pongue, xadrez, dama, dominó. Naquela ocasião, o clube já contava com time de futebol, onde disputava o campeonato, organizado pela Federação Paulista de Futebol (FPF).

Em 1940, devido às dificuldades financeiras pelas quais passava, a Atlética deixou de alugar a quadra de tênis. Os custos com sua manutenção e com a compra do material para a prática do esporte tornaram-se muito onerosos. Para os jogos de futebol, a Atlética alugava o campo da vila operária Maria Zélia, na Rua Catumbi.

Escudo publicado no História do Futebol em 2011: https://historiadofutebol.com/blog/?p=21686

No Martinelli, a Associação ficou até 1956, quando recebeu uma notificação para desocupar as salas. Mudou-se, então, para um salão de propriedade da empresa num edifício recém-construído na Av. do Estado.

Finalmente, por volta de 1958, a empresa permitiu que o clube construísse a sede definitiva em um terreno de sua propriedade, situado à Av. Ordem e Progresso, no bairro do Limão.

Lá permaneceu até 1986, quando a empresa vendeu a praça de esportes para uma fábrica de retentores. Hoje, a Atlética Matarazzo se resume à sua secretaria, que funciona precariamente numa das salas dos escritórios da fábrica do Belenzinho.

Futebol na Matarazzo

Escalação: Tião; Cardoso e Oldemar; Chico, Marino e Douglas; Mineiro, Yube, Piloto, Dante e Gasolina.

O futebol era praticado na Associação Atlética Matarazzo, desde sua fundação, em campeonatos internos entre as diferentes seções dos escritórios centrais, de onde selecionavam-se os integrantes da equipe principal. Esta, por sua vez, disputava os campeonatos internos interfábricas, que reuniam os grêmios das Indústrias Matarazzo da Capital e também do interior do estado de São Paulo.

A partir da década de 30, esse quadro passou por transformações. Em 1933, a primeira participação da Atlética no Campeonato da Liga Esportiva Comércio e Indústria (LECI), quando obteve a 2ª colocação.

Já nessa época, a diretoria constatava e criticava o pequeno entusiasmo dos associados com relação ao desempenho do time de futebol, problema que se intensificaria nos anos seguintes: “Provavelmente teríamos obtido ainda melhor colocação se houvesse mais entusiasmo por parte dos senhores sócios por esta modalidade de esporte, fato este, aliás, já consignado no relatório da Diretoria relativo a 1932“.

A inclusão no torneio da LECI motivou a Atlética Matarazzo a admitir jogadores dos grêmios das fábricas para integrar sua equipe. Com isso, os campeonatos internos interfábricas ganharam novo ânimo, acirrando ainda mais as disputas entre os jogadores que, agora, deparavam-se com a possibilidade de participar de um campeonato oficial e de aumentarem seus proventos, projetando-se como futebolistas.

Desse modo, favoreceu-se a profissionalização paralela de operários-jogadores, que dependiam do emprego para seu sustento e que não encaravam o esporte como diversão, mas como uma forma de complementação salarial.

No entanto, com o passar do tempo, esses operários-jogadores deixaram de ser privilegiados pela Atlética Matarazzo em virtude da entrada no time de jogadores profissionais de fato.

A partir dos anos 40, o quadro de futebol manteve-se muito próximo da administração da empresa, despertando o interesse dos filhos do Conde Jr., que chegaram a integrar a equipe como jogadores. Pode-se mesmo afirmar que o time de futebol estava mais estreitamente ligado à administração da empresa que à própria diretoria da Atlética Matarazzo. Era quase outro clube.

A adoção do profissionalismo parecia ocorrer de modo concomitante a uma maior autonomia do departamento de futebol dos clubes em relação às suas demais atividades.

Escalação: Mion; Cardoso e Oldemar; Chicão, Marino e Douglas; Mario, Yube, Piloto, Dante e Zeca.

Essa autonomia garantia maiores recursos à prática do futebol, pois, caso se mantivesse equiparada às outras atividades do clube, as verbas teriam que ser divididas.

Ainda na década de 40, a Associação deixou de participar com frequência dos torneios da LECI. Sua maior atividade centrava-se, então, na disputa de jogos amistosos contra times varzeanos, até, finalmente, ser incluída entre os clubes com direito à participação do Campeonato Amador da Cidade de São Paulo, organizado pela Federação Paulista de Futebol (FPF).

Ao contrário do Campeonato Amador do Interior, as exigências da FPF para a inscrição no torneio da Capital eram menores. A partir de determinado número de associados, os clubes já teriam condições de participar, mesmo não dispondo de instalações necessárias à prática do futebol, como era o caso da Atlética Matarazzo.

Na década de 50, com a participação dos irmãos Ermelino e Eduardo Matarazzo, filhos do Conde Júnior, foi decisiva nesse sentido. Cuidaram de dotar a Atlética das condições necessárias à manutenção de uma equipe profissional.

Montaram uma comissão técnica com massagista, roupeiro e um técnico de futebol com experiência anterior, que já era funcionário da empresa. Mas, sobretudo, passaram a fornecer o dinheiro para o pagamento do “bicho” aos jogadores.

Craques de bola

Ermelino, então goleiro da equipe juvenil do Palmeiras (1943/45), valendo-se de sua influência no meio futebolístico, também conseguiu reunir jogadores profissionais, seus colegas, para integrarem, eventualmente, o time da Matarazzo.

Matarazzo campeão da Divisão de Comércio e Industria (ACEA) de 1955

Na quinta-feira, às 21 horas, do dia 22 de dezembro de 1955, a Atlética Matarazzo se sagrou campeão da Divisão de Comércio e Industria, organizada pela ACEA (Associação Comercial de Esportes Atheticos. Fundada em 1930), ao vencer a Metalúrgica Matarazzo por 1 a 0, no Estádio do Pacaembu, na capital paulista.

Durante a disputa do Campeonato Amador da Capital e dos torneios da LECI e do Serviço Social da Indústria (SESI), a equipe da Atlética era formada basicamente por jogadores profissionais de clubes da cidade, que, mais tarde, tornar-se-iam nomes famosos do futebol brasileiro como, por exemplo: Colombo (Corinthians); Gino Orlando, Bibe, Savério e Bauer 121 (apelidado “o monstro do Maracanã” por sua atuação na Copa do Mundo de 1950), todos do São Paulo F.C. entre outros.

O gol do título saiu aos 23 minutos do primeiro tempo. Após receber o passe, Mineiro toca para Yube, que rapidamente centra a meia altura para Mineiro, que mesmo marcado, conseguiu dominar e chutar firme para o gol da noite. Arbitragem ficou a cargo de João Etzel.

A.A. Matarazo: Tião; Cardoso e Oldemar; Chico, Marino e Douglas; Mineiro, Yube, Piloto, Dante e Gasolina.

Met. Matarazzo: Bilu; Pires e Stelvio; Mario, Carlito e Moraes; Jacob, Abelha, Hélio, Placido e Valdemar.

Campeonato Paulista de Futebol Amador do Estado de 1955

No primeiro jogo, fora de casa, Matarazzo arrancou empate

No domingo, às 15 horas, do dia 2 de junho de 1956, foi realizado o 1º jogo, na melhor de três, entre Atlética Matarazzo (campeão da capital)e Associação Atlética Itapetininga (campeão do Interior), para definir o Campeão Amador do Estado de São Paulo, certame este referente ao ano de 1955, organizado pela Federação Paulista de Futebol (FPF).

O Matarazzo arrancou empate em 2 a 2, fora de casa, após estar perdendo por dois gols. O primeiro tempo foi marcado pelas defesas sobressaindo os ataques e o placar terminou sem gols.

Na etapa final, Alceu marcou duas vezes colocando os itapetininganos em vantagem. No entanto, Dante e Mario deixaram o placar novamente em igualdade. O árbitro foi Norberto Rodrigues de Paula e a Renda foi de 26 mil cruzeiros.

Itapetininga: Bili; Rubens e Roque; Silvio, Cacau e Tempero; Tico-Tico, Alceu, Name, Coquita e Quitu.

Matarazzo: Tião; Cardoso e Oldemar; Chicão, Marino e Douglas; Mario, Yube, Piloto, Dante e Zeca.

Na segunda partida, Matarazzo goleou

A segunda peleja da série melhor de três será realizada no domingo seguinte, às 15 horas, do dia 9 de junho de 1956, entre Atlética Matarazzo e Associação Atlética Itapetininga, no Parque Antarctica. A partida foi transmitida pela Rádio Panamericana.

Com a entrada franca, o que se viu foi de um público apenas regular. O árbitro foi Casimiro Gomes, que cometeu alguns erros, mas em que nada influíram no resultado final.

O Matarazzo conquistou uma imponente goleada sobre o Itapetininga pelo placar de 5 a 0. Com o resultado, o time só precisava de um ponto no terceiro jogo para fica com o título.

O primeiro tempo foi fraco tecnicamente, com poucas chances de gol. Mas quando melhor chance surgiu o Matarazzo abriu o placar aos 5 minutos. Yube tocou para Mario, pela direita, que driblou o seu marcador e centrou na área. Piloto testou firme para o 1º gol.

Na segunda etapa, o Matarazzo ampliou aos 6 minutos. Após bela jogada, Piloto deu passe “açucarado” para Mario, que dentro da área, fuzilou a meta de Bili, que nada pode fazer.

Com o Itapetininga atordoado, veio o 3º gol. Dante deu ótimo passe para Zeca que tocou na saída do goleiro, colocando a bola no fundo das redes. O 4º tento saiu aos 22 minutos, quando Dante lançou Yube fez um golaço com maestria.

O 5º tento, saiu aos 38 minutos, numa arrancada de Zeca, que invadiu a grande área e foi derrubado por Rubens. Pênalti, Yube cobrou com categoria, dando números finais a peleja.

Matarazzo: Mion; Cardoso e Oldemar; Chicão, Marino e Douglas; Mario, Yube, Piloto, Dante e Zeca.

Itapetininga: Bili; Rubens e Roque; Silvio, Cacau e Tempero; Tico-Tico, Alceu, Marolo, Coquita e Quitu.

Matarazzo volta a vencer e fica com o título inédito do Estadual Amador

Escalação: Mion; Cardoso e Oldemar; Chicão, Marino e Douglas; Mario, Yube, Piloto, Dante e Zeca.

No domingo, às 15 horas, do dia 16 de junho de 1956, foi realizado o 3º jogo e último, na melhor de três, entre Atlética Matarazzo e Associação Atlética Itapetininga, no Estádio do Esporte Clube São Bento, em Sorocaba, no Interior Paulista. Mais uma vez o árbitro foi Casimiro Gomes, que teve uma atuação regular. A Renda foi de Cr$ 12.530,00.

Após um empate (2 a 2) e uma vitória (5 a 0), a Atlética Matarazzovoltou a derrotar o Itapetininga pelo placar de 2 a 1, ficando com o inédito título do Campeonato Paulista de Futebol Amador do Estado de 1955.

Ao contrário dos dois primeiros jogos, a primeira etapa foi agitada com as duas equipes buscando o gol. Melhor para o Matarazzo que abriu o placar aos 12 minutos, após o zagueiro Rubens cometer um pênalti. Ciro cobrou com categoria. Porém, aos 18 minutos, o Itapetininga conseguiu o empate por intermédio de Alceu. O que se viu até o final da primeira etapa foi um jogo equilibrado.

No segundo tempo, melhor coordenado, o Matarazzovoltou a ficar na frente do placar aos 20 minutos por intermédio de Mario. O clima esquentou e o meia do Itapetininga Tempero agrediu o árbitro Casimiro Gomes. Na sequência o juiz expulsou quatro jogadores Itapetininga: Tempero, Roque, Quitu e Tico-Tico. Com isso, sem forças e emocionalmente abalado o Itapetininga não foi páreo e viu a Associação Atlética Matarazzo ficar com o título!

Matarazzo: Mion; Cardoso e Oldemar; Chicão, Marino e Douglas; Mario, Yube, Piloto, Dante e Zeca.

Itapetininga: Bili; Rubens e Roque; Silvio, Cacau e Tempero; Tico-Tico, Alceu, Marolo, Coquita e Quitu.

FONTES: A Gazeta Esportiva (SP) – “Futebol de Fábrica em São Paulo”, um trabalho de Dissertação de Mestrado em Sociologia apresentada ao Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, por Fátima Martin Rodrigues Ferreira Antunes.  

Inédito!!! Rio Foot-Ball Club – Rio de Janeiro (RJ): Foi o 1º adversário na história do Fluminense F.C. (RJ), em 1902!

Por Sérgio Mello

O Rio Foot-Ball Club foi uma agremiação da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Fundado da sexta-feira, do dia 18 de julho de 1902, por iniciativa dos jovens desportistas Armando Savio, Harold Cox, Gabriel e Jorge Nicklaus, Francisco Loup, Adolpho Nery, T. Mackintosh e Jorge Paes Leme. No primeiro mês, o Rio contava com 14 sócios, número esse que se elevou a 26, no segundo mês e assim foi aumentando gradativamente até chegar a 87. As cores escolhidas foram, o preto, branco e roxo.

A polêmica escolha do nome

A história começou meses antes, quando Oscar Cox organizou uma excursão para São Paulo, aonde iria realizar dois jogos, com o nome de “Rio Team”. Ali nascia o embrião que depois surgiria o Tricolor das Laranjeiras.

Oscar Cox montou a lista dos jogadores que viajariam para a Terra da Garoa. Dentre os “cortados” estava o Mister T. Mackintosh, que não gostou nem um pouco dessa decisão.

Então, organizou um grupo de rapazes e fundou o Rio Foot-Ball Club. A curiosidade do nome é que Oscar Cox já tinha manifestado para os amigos que o nome escolhido para fundar a futura equipe seria Rio Foot-Ball Club.

Porém, Mister T. Mackintosh, talvez por picuinha, se antecipou e batizou o seu time com o nome que Oscar Cox escolhera. Com isso, tal imprevisto determinou a mudança de nome para Fluminense Football Club.

A sua 1ª Diretoria estava composta pelos seguintes senhores:

Presidente – Armando Savio;

Vice-Presidente – Jorge Paes Leme;

Secretario – Jorge Nicklaus;

Thesoureiro – Francisco Loup;

Captain – Harold Cox.

A 2ª Diretoria foi eleita cerca de dois meses depois, na terça-feira, do dia 30 de Setembro de 1902, com os seguintes dirigentes:

Presidente – Raul Brandão;

Secretario – Emílio da Rocha Lima;

Thesoureiro – Heitor Luz;

Commisiorario – Manoel da Guia Ferreira;

Commisão Diretora de Jogos – João Ferreira, Henrique Palm, T. Mackintosh, Affonso Castro e Arnaldo Cerqueira.

Primeira “Praça de Esportes”

No mês seguinte, a diretoria trabalhou muito em prol do clube, pois o Rio se via em dificuldades para realizar seus jogos devido à falta de campo. O clube já contava com um grande número de sócios e conseguiram comprar terrenos na Rua Dona Mariana, no bairro de Botafogo, na Zona Sul do Rio, com o intuito de construir a sua Praça de Esportes.

O Rio conseguiu o seu campo na Rua Guanabara, esquina da do Paysandú, graças aos esforços tanto da diretoria como dos sócios em geral. Apesar dessa afirmação da matéria, acredito que na realidade, o Rio F.B.C. fez alguma parceria com o Fluminense Football Club, pois esse endereço correspondia ao Tricolor das Laranjeiras.

Harold Cox era irmão de Oscar Cox

Um dos fundadores do Rio F.B.C., Haroldo Cox era filho de um cidadão inglês vice-cônsul da Inglaterra no Equador e irmão de Oscar Cox, que três dias depois (do surgimento do Rio F.B.C.)  ajudou a fundar o Fluminense Football Club. Então, tempos depois, os dois irmãos resolveram fazer de forma oficial a estreia das duas agremiações e marcaram a data para a peleja: 19/10/1902.

Fluminense Football Club x Rio F.B.C. – 1º jogo da história do Tricolor!

No dia do jogo, uma matéria no Correio da Manhã, destacava o encontro: “Para assistir esta emocionante prova recebemos amável convite assignado pelos directores srs. Mario Rocha e dr. Domingos Moitinho.

Três meses e um dia depois da sua fundação, o Rio Foot-Ball Club entrou para a história do futebol carioca e brasileiro, pois foi o 1º time que enfrentou o Fluminense Football Club, no domingo, às 16 horas (de Brasília), dia 19 de outubro de 1902, na Praça de Esportes, da Rua Payssandu, em Laranjeiras.

Na ocasião, o Tricolor das Laranjeiras goleou o Rio F.B.C. pelo elástico placar de 8 a 0. Os gols da peleja foram assinalados por Horácio Costa Santos, três vezes; Heráclito Vasconcellos, em duas oportunidades; Félix Frias, Eurico de Moraes e Adolpho Simonsen um tento cada.

O curioso foi que oito dias antes da partida, uma pequena nota no Jornal do Brasil (sábado do dia 11 de outubro de 1902), descreveu que o Rio F.B.C. estava se preparando para a peleja: “Logo que o Rio Foot-Ball Club completar o seu team, consta-nos que desafiará o Fluminense Foot-Ball Club”.

O segundo jogo do Fluminense aconteceu no domingo seguinte (26/10/1902), diante do Paysandu Cricket Club, na Praça de Esportes, da Rua Payssandu, em Laranjeiras. O Tricolor, desperdiçou dois pênaltis – defendido pelo arqueiro Harrison, acabou derrotado por 3 a 0. Os gols foram de K. Robinson, duas vezes, e R. Brenton completou o placar. 

FLUMINENSE F.B.C (RJ)           8        X        0        RIO F.B.C. (RJ)

LOCALEstádio da Rua Payssandu, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio (RJ)
CARATERAmistoso Estadual
DATADomingo, do dia 19 de outubro de 1902
HORÁRIO16 horas (de Brasília)
PÚBLICOEntrada Franca
ÁRBITROLouis Nóbrega Junior
AUXILIARESJ. Rocha Lima e Dr. Domingos Moitinho
FLUMINENSEAmerico Couto (Goal-keeper); Victor Etchegaray (full-bocks) e Mario Frias (holf-bocks); Walter Schubak, Oscar Cox e Mario Rocha (holf-bocks); Félix Frias, Heráclito Vasconcellos, Horácio Costa Santos, Eurico Moraes e Adolpho Simonsen (forwards).
RIO F.B.C.R. Belfort (Goal-keeper); T. Mackintosh e H. Palm (full-bocks); B. Lockhost, Alvarenga Senior e D. Croik (holf-bocks); T. Pereira, Alvarenga Junior, H. Brenton, J. Stewart e A. Cerqueira (forwards).
GOLSHorácio Costa Santos aos 5 minutos (Flu); Adolpho Simonsen aos 12 minutos (Flu); Heráclito Vasconcellos aos 20 minutos (Flu); Félix Frias aos 32 minutos (Flu), no 1º Tempo. Eurico de Moraes aos 8 minutos (Flu); Horácio Costa Santos aos 16 e 23 minutos (Flu); Heráclito Vasconcellos aos 28 minutos (Flu), no 2º Tempo.

Amistosos

Em 1903, o club jogou somente um jogo contra o Internacional Sport Club, vencendo pelo placar de 3 a 1. Em 1904, o Rio disputou dois jogos contra o Internacional Football Club. Vencendo um e sendo derrotado no outro.

Em pouco tempo depois jogou com Carioca Foot-Ball Club, do bairro de Botafogo, perdendo por 4 a 1. Uma das causas dessa derrota foi que o time estav2a desfalcado de dos jogadores.

Uniforme inglês

O club encomendou na Inglaterra o seu uniforme completo, que consta de camisa branca com monograma bordado a cores preta e roxa, bonet e faixas da mesma cor. As referidas cores branca, preta e roxa de tom violáceo, são ainda usadas e pertencem bem ao seu altivo pavilhão.

Em 1905, o Rio Fot ball Club tornou-se uma time forte e adquiriu bons reforços como: M. Simonsen, R. Brancante, Alberto Borgerth, A. de Almeida, D. Amaral, H. Peixoto, F. Figueira, A, Antunes e outros. Contra o Carioca, também um adversário forte, empenhou-se nos jogos vencendo em dois e empatando dois.

Em março de 1905 foi definido a Diretoria para os dois próximos anos, formado pelos seguintes membros:

Presidente – Mario Campello;

Vice-Presidente – Harold Cox;

Secretario – Adolpho Nery;

Thesoureiro – Francisco Loup;

Conselho Fiscal – Crespo Savio, Antônio Araujo e Armando Savio.

Um fato curioso é que nos próximos anos (1905-07) foram encontrados, algumas notas no qual o clube realizavam treinos, no campo do Fluminense Football Club, e jogos-treinos contra o Tricolor das Laranjeiras, demonstrando que a relação de ambos era da mais alta fidalguia. 

Em 1906, no começo da temporada jogou contra o Humaytá, mas a partida nã não terminou, porque o adversário desistiu, depois do Rio ter marcado o primeiro gol. Em seguida, jogou contra o Brasil Foot-Ball Club: derrotando-o por 5 a 1; contra o Gymnasio, do qual goleou por incríveis 10 a 0; contra o Carioca Football Club, derrotando-o por 5 a 2.

Grandes goleadas

Disputou depois contra o Ypiranga, infringindo uma inapelável goleada de 15 a 0; poucos dias após contra o Cattete levando-o de vencida por 3 a 0; e encerrou a sua brilhante temporada, no sábado dia 3 de novembro de 1906, goleando novamente o Cattete peplo placar de 10 a 1. O 2º Team também jogou na estação de 1906, com dois jogos e duas vitórias diante do Carioca (2 a 0) e contra o Guanabara (1 a 0).

Os jogadores que mais se destacaram na temporada foram: F. da Silveira, Mario Rezende, A. Antunes, A. Barreto, Brancente, Simonsen, Alair, Décio, Figueira, Arminio Motta, Alberto Borgerth, A. Almeida, W. Silva, Harold Cox, M. Campello, Η Peixoto, F. Loup, C. Smart, O. Ferreira, H. Rezende, J. Ayrosa, A. Bartholomeu, L. Bartholomeu, J. Paes Leme, Armando Dutra e Leoncio de Carvalho.

O 1º Team jogou, na temporada de 1906, 10 jogos, vencendo em todos; marcando 52 gols e sofrendo apenas cinco. Os artilheiros foram H. Peixoto, F. Loup e Armande de Almeida; cada um tendo assinalado mais de 10 gols.

Rio F.B.C. ajudou a fundar a União Sportiva Fluminense

No domingo, às 16 horas, do dia 5 de Maio de 1907, em amistoso, o Rio enfrentou o Cattete, no campo do Cattete, na Escola Militar. O 1º Team escalado foi: F. da Silveira; F. Lopes e Simonsen; A. Borgeth, A. Oliveira e C. Menezes; H. Peixoto, F. Loup, G. Carvalho, M. Campello e F. Mattos. Reservas: A. Valente, L. Bartholomeu, J. Paes Leme e Adolpho Nery.

Na preliminar, às 14 horas, as duas equipes também se enfrentam nos Segundos Team. O Rio estava assim escalado: M. Rezende (Cap.); D. Amaral e A. Gomes de Castro; H. Cox, W. Silva e G. Agese; M. Lopes, J. de Castro, A. Bartholomeu.

Por iniciativa do Rio Foot-Ball Club foi fundado na quarta-feira, do dia 08 de Maio de 1907, a União Sportiva Fluminense (USF), com Sede ficava na Rua Paysandu, n° 40, no bairro do Flamengo, na Zona Sul do Rio/RJ. O Cattete Football Club e Bahia Football Club também estiveram presentes e filiados.

A 1ª Diretoria da União Sportiva Fluminense (USF) foi composta pelos seguintes membros:

Presidente – Luiz Costa Carvalho;

Secretário – Emmanuel de Almeida Sodré;

Thesoureiro – Oswaldo Palhares.

Pela 3ª rodada do Campeonato da União Sportiva Fluminense (USF), no domingo, do dia 14 de Julho de 1907, O Rio Foot-Ball Club derrotou o Sport Club José Floriano, de Copacabana, pelo placar de 2 a 1, nos Primeiros Team e 4 a 0, nos Segundos Team.

O Rio liderava nos Primeiros Team ao lado Cattete com 4 pontos (três jogos, com duas vitórias e uma derrota; marcando seis gols e sofrendo quatro). E, nos Segundos Team, o Rio liderava isolado com seis pontos: três vitórias em três jogos; marcando oito gols sem sofrer nenhum.

No entanto, o Rio F.B.C. e o Carioca Football Club, do bairro de Botafogo (não confundir com o homônimo e tradicional do Jardim Botânico) abandonaram a competição.

Não se sabe oficialmente o motivo do abandono, mas talvez tenha relação com a partida entre as duas equipes quando aconteceu uma briga generalizada, que ganhou repercussão em parte da imprensa.

A briga aconteceu uma vez que o Rio era quase uma filial do Fluminense, enquanto o Carioca era uma filial do Botafogo F.C. Devido a rivalidade, na época, os jogadores acabaram indo às vias de fato.

Alberto Borgerth ajudou a montar o futebol no C.R. Flamengo

Apesar do começo trincado, a relação entre o Rio Foot-Bball Club e Fluminense Football Club ao longo do tempo estreita. Muitos sócios frequentavam as duas agremiações de forma harmoniosa.

No final, o Rio F.B.C. passou a ser um “Clube Satélite” do Tricolor, onde possuia uma equipe juvenil de sócios do Fluminense que passavam a jogar nessa equipe. Nessa leva de jovens atletas, um em especial: Alberto Borgerth.

Nascido no Rio de Janeiro/RJ, em 03 de dezembro de 1892, Borgerth começou no futebol do Rio F.B.C. em 1905, aos 13 anos. No ano seguinte (1906), acumulou o futebol com o Remo, no Flamengo.

Em 1910, aos 18 anos, começou a jogar no primeiro time do Fluminense, sagrando-se campeão carioca em 1911. No final de 1911, por causa de um desentendimento interno no clube, do qual foi pivô, passou para o Flamengo, que não tinha seção de desportos terrestres e fundou o Departamento de futebol.

Fez o seu 1º jogo, na sexta-feira, do dia 03 de maio de 1912, na sonora goleada imposta pelo Flamengo ao Mangueira pelo placar de 15 a 2, no Estádio da Campos Salles, no bairro da Tijuca, na Zona Norte do Rio. Jogou no Flamengo até 1916, marcando um total de 27 gols.

Sedes sociais

Em 1902, a sua 1ª Sede (provisória, onde ficava a Federação Brasileira das Sociedades de Remo) ficava na Rua Evaristo da Veiga, nº 74, no Centro do Rio (RJ). Até o clube definir a sua Sede na Rua Dona Mariana, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, alguns imóveis serviram de “casa”. Em 1907, dois endereços: no 1º semestre estava na Rua São Clemente, nº 140, em Botafogo, na Zona Sul do Rio; e no 2º semestre na Rua Paysandu, nº 40, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio. Em 1908, na Avenida Central, 183/ Sobrado, no Centro.

Homônimos 

Vários times, possuindo um senso de “originalidade extrema” resolveram fundar com o mesmo nome. Como por exemplo, o Rio Football Club, fundado no domingo, do dia 19 de maio de 1912, no bairro da Lapa, na região central do Rio.  Em junho de 1912, agremiação denominada Curso Anexo Football Club, mudou o nome para o Rio Football Club.

Algumas formações:

Time base de 1902 (1º Team): R. Belfort; T. Mackintosh e H. Palm; B. Lockhost, Alvarenga Senior e D. Croik; T. Pereira, Alvarenga Junior, H. Brenton, J. Stewart e A. Cerqueira.

Time base de 1905 (1º Team): Mario Rezende; F. Ramos (Cap.) e A. Borgeth; O. Trompowsky, J. Paes Leme e Alberto Borgerth, Sabino Antunes, Godofredo Sylvio Rocha, Mario Campello e Alair Antunes.

 Time base de 1905 (2º Team): Adolpho Nery; Renato Machado e Harold Cox; Jorge Dodsworth, Antônio de Araujo e Armando de Almeida; Francisco Loup, Jonas Cunha (Cap.), Brigard Biunt, Armando Savio e D. Dodsworth.

Time base de 1907 (2º Team): Mario Rezende (Cap.); D. Amaral e A. Gomes de Castro; H. Cox, W. Silva e G. Agese; M. Lopes, J. de Castro, A. Bartholomeu.

COLABOROU: Auriel de Almeida

Estatuto: Acervo de Gerson Rodrigues

FONTES: A Notícia (RJ) – Correio da Manhã (RJ) – Gazeta de Notícias (RJ) – Jornal do Brasil (RJ) – Revista da Semana (RJ) – Semana Sportiva (RJ)

Campeonato Sul-Americano de Futebol de 1919: Brasil conquista seu 1º título no continente

BRASIL CAMPEÃO

Por: Sérgio Mello

Após ter sido realizado na Argentina (1916) e Uruguai (1917), respectivamente, a 3ª edição do Campeonato Sul-Americano de Futebol de 1919, aconteceu no Brasil. Na realidade a competição deveria ter acontecido um ano antes, porém devido a epidemia mundial de gripe espanhola adiou em um ano. A doença vitimou mais de 50 milhões de pessoas pelo mundo, só no Brasil matou mais de 35 mil.

URUGUAI VICE-CAMPEÃO

Para fazer bonito, o Estádio da Rua Guanabara (atual Estádio das Laranjeiras e de propriedade do Fluminense), foi construído para o torneio, com capacidade para 25 mil torcedores, na época era o maior estádio das Américas. Localizado na Rua Guanabara, atual Rua Pinheiro Machado, no bairro das Laranjeiras, situado na Zona Sul do Rio/RJ.

ARGENTINA 3º LUGAR

O torneio contou com a participação de quatro países: Brasil, Argentina, Chile e Uruguai. O regulamento simples, todos contra todos e aquele que somasse mais pontos ficaria com o título.

CHILE 4º COLOCADO

Brasil estreia com goleada

Na tarde de domingo, às 15 horas, do dia 11 de maio de 1919, a Seleção Brasileira não tomou conhecimento e goleou o Chile pelo placar de 6 a 0, no Estádio das Laranjeiras, que estava lotado. Os gols foram assinalados por Haroldo, uma vez; Neco, duas vezes e Arthur Friedenreich, que balançou as redes em três oportunidades.

Seleção Brasileira: Marcos de Mendonça; Píndaro e Bianco; Sérgio Pires, Amílcar e Gallo; Menezes, Neco, Arthur Friedenreich, Haroldo e Arnaldo. Comissão Técnica: Arnaldo da Silveira (capitão), Amílcar, Mário Pollo, Affonso de Castro e Ferreira Vianna Netto.

Chile: Guerrero; Gatica e Poirier; Baez, Baeza e Gonzalez; Fuentes, Dominguez, Francia, Muñoz e Varas.     

Seleção Brasileira conquistou primeiro grande título no Campeonato Sul-Americano de 1919, sediado no Estádio de Laranjeiras

Segundo jogo e nova vitória

A segunda partida, aconteceu na tarde de domingo, às 15h30min., do dia 18 de maio de 1919, quando o Brasil bateu a Argentina por 3 a 1, novamente com o Estádio das Laranjeiras estava abarrotado. Os gols da partida, foram assinalados por Heitor, Amílcar e Millon para os brasileiros e Carlos Izaguirre fez o de honra para “Los Hermanos”. O árbitro da partida foi o uruguaio A. Minoli.

Seleção Brasileira: Marcos de Mendonça; Píndaro e Bianco; Sérgio Pires, Amílcar e Fortes; Millon, Heitor, Arthur Friedenreich, Neco e Arnaldo. Comissão Técnica: Arnaldo da Silveira (capitão), Amílcar, Mário Pollo, Affonso de Castro e Ferreira Vianna Netto.

Argentina: Isola; Castagnola e Reys; Mattozzi, Uslenghi e Martin; Calomino, Laiolo, Clarke, Izaguirre e Perinetti.

EM PÉ (esquerda para a direita): Píndaro, Sérgio Pires, Marcos de Mendonça, Fortes, Bianco e Amílcar;
AGACHADOS (esquerda para a direita): Millon, Neco, Arthur Friedenreich, Heitor e Arnaldo.  

Brasil e Uruguai ficam no empate

Brasileiros e uruguaios venceram os seus dois jogos e se enfrentaram para definir quem ficaria com a taça! De um lado, a Celeste lutando pelo seu 3º título e do outro, a Seleção Canarinho buscando uma inédita conquista.

Na tarde de sábado, às 15h30min., do dia 25 de maio de 1919, bola rolando e o que se viu foi uma partida truncada e muito disputada. Final de jogo e o empate em 2 a 2, no Estádio das Laranjeiras (adivinha? Casa cheia!). O árbitro foi o chileno R. L. Todd.

Nos 18 primeiros minutos houve uma grande superioridade dos uruguaios que abriram dois gols com Isabelino Gradín e H. Scarone. Com o desenrolar da peleja o Brasil conseguiu reequilibrar a partida. Mas foi no segundo tempo, que a Seleção Canarinho voltou com tudo, chegando ao empate com dois gols de Neco.

Seleção Brasileira: Marcos de Mendonça; Píndaro e Bianco; Sérgio Pires, Amílcar e Fortes; Millon, Neco, Arthur Friedenreich, Heitor e Arnaldo. Comissão Técnica: Arnaldo da Silveira (capitão), Amílcar, Mário Pollo, Affonso de Castro e Ferreira Vianna Netto.

Uruguai: Saporiti; Varella e Foglino; Vauzzino, Zibecchi e Nagun; H. Scarone, Carlos Scarone, Carlos, Gradin e Maran. Técnico: Severino Castillo.

Reunião definiu o jogo-extra

Após o resultado, no período da tarde e começo da noite, os Srs. Hector Gomes, presidente da Confederacion Sudamericana, B. Pereyra e R. Mibelli, delegados uruguaios, tiveram uma conferência com a diretoria e membros da comissão terrestre da Confederação Brasileira, tendo ficado resolvido:

a) desempatar o Campeonato Sul- Americano na próxima quinta-feira, 29 do corrente;

b) começar a prova ás 2 horas da tarde em virtude das prorrogações que podem ir até 3 horas, de acordo com o regulamento;

c) propor o Sr. J. Barbera, juiz argentino, para servir no desempate.

EM PÉ (esquerda para a direita): Sérgio Pires, Fortes, Millon, Bianco, Marcos de Mendonça, Neco, Píndaro, Amílcar, Heitor, Arnaldo e Arthur Friedenreich.

Jogo-extra e prorrogação: veio o título inédito para o Brasil

 Apesar do Brasil ter um saldo melhor (8 a 3), o regulamento previa nesse caso, um jogo-extra e, se persistisse o empate: prorrogação. Então, na tarde de quinta-feira, às 14 horas, do dia 29 de maio de 1919, Brasil e Uruguai voltaram a campo para definir o campeão.

Após 150 minutos (com direito a duas prorrogações), o Brasil superou o desgaste físico e bateu o Uruguai por 1 a 0, ficando com o inédito título do Campeonato Sul-Americano de Futebol de 1919.

A partida terminou empatado em 0 a 0. Veio a prorrogação e um novo empate sem ninguém ter balançado as redes. Aí veio a 2ª prorrogação! Não precisa ser um gênio para deduzir o nível absurdo de esgotamento físico e emocional dos dois lados.  A partir daí o que restou foi a famosa frase: “Coração na ponta da chuteira”, a Seleção Brasileira foi para cima.

Aos 2 minutos do primeiro tempo da segunda prorrogação saiu o gol do Brasil. Neco avança pelo lado esquerdo e dá excelente lançamento para Arthur Friedenreich, que muito bem colocado, chutou firme a meia-altura, sem chance para o arqueiro uruguaio Cayetano Saporiti, que viu a bola morrer no fundo das redes.

Um baixinho invocado, de pele escura, olhos caros, filho de funcionário público e com mãe negra aproveitou a situação para anotar o gol do título brasileiro: Arthur Friedenreich, nascia ali o 1º herói do futebol brasileiro, para o delírio de 27.500 torcedores presentes no Estádio das Laranjeiras.

Artilharia foi verde e amarela

Os brasileiros Arthur Friedenreich e Neco foram os artilheiros do Campeonato Sul-Americano de 1919, com quatro gols cada um. Além da dupla outros quatro brasileiros também deixaram a sua marca na competição: Haroldo, Heitor, Amílcar e Millon, com um gol cada.

EM PÉ, NA PARTE ACIMA (esquerda para a direita): Bianco, Píndaro, Sérgio Pires, Píndaro, Amílcar e Fortes;  
EM PÉ, NA PARTE ABAIXO (esquerda para a direita): Marcos de Mendonça, Millon, Neco, Arthur Friedenreich, Heitor e Arnaldo.  

Curiosidades pós-jogo

Após o apito final da partida, apesar dos esforços empregados pelos policiais não conseguiram evitar que os torcedores brasileiros invadissem o gramado para carregar nos ombros os jogadores brasileiros pelo inédito título.  

A Taça Rio Branco foi oferecida pelo Ministro do Exterior, o Dr. Domício da Gama, fez a entrega ao Dr. Arnaldo Guinle, presidente da Confederação Brasileira de Desportos, uma rica e artística taça destinada ao campeão.

Preços durante a competição: o valor da arquibancada estava 5$000 (cinco mil réis) e a geral 3$000 (três mil réis). A cerveja 1$300 (um mil e trezentos réis); água mineral 1$000 (um mil réis); soda 600 réis e guaraná 800 réis. Os Bondes que levaram a maioria dos torcedores custavam 200 réis.

Tabela dos jogos do Sul-Americano de 1919

1ª Rodada:

Domingo, 11 de maio, às 15 horasBrasil6X0ChileEstádio das Laranjeiras
3ª-feira, 13 de maio (feriado), às 14 horasUruguai3X2ArgentinaEstádio das Laranjeiras

2ª Rodada:

Sábado, 17 de maio, às 14 horasUruguai2X0ChileEstádio das Laranjeiras
Domingo, 18 de maio, às 15h30min.Brasil3X1ArgentinaEstádio das Laranjeiras

3ª Rodada:

5ª-feira, 22 de maio, às 15h30min.Argentina4X1ChileEstádio das Laranjeiras
Domingo, 25 de maio, às 15h30min.Brasil2X2UruguaiEstádio das Laranjeiras

Jogo-Extra:

5ª-feira, 29 de maio, às 14 horasBrasil1X0UruguaiEstádio das Laranjeiras

BRASIL        1        X        0        URUGUAI

LOCALStadium da Rua Guanabara, no bairro das Laranjeiras, na Zona Sul do Rio/RJ
CARÁTERFinal do Campeonato Sul-Americano de 1919
DATAQuinta-feira, do dia 29 de maio de 1919
HORÁRIO14 horas (de Brasília)
RENDANão divulgado
PÚBLICO27.500 pagantes
ÁRBITROJuan Pedro Barbera (ARG)
AUXILIARESErnesto Matozzi (ARG) e Armindo Castagnola (ARG)
BRASILMarcos de Mendonça (Fluminense); Píndaro (Flamengo) e Bianco (Palestra Itália, atual Palmeiras); Sérgio Pires (Paulistano-SP), Amílcar (Corinthians) e Fortes (Fluminense); Millon (Santos), Neco (Corinthians), Friedenreich (Paulistano), Heitor (Palestra Itália-SP) e Arnaldo (Santos). Comissão Técnica: Arnaldo da Silveira (capitão), Amílcar, Mário Pollo, Affonso de Castro e Ferreira Vianna Netto.
URUGUAICayetano Saporiti; Manuel Varela e Alfredo Foglino; Rogelio Naguil, Alfredo Zibechi e José  Vanzzino; José Pérez, Héctor Scarone, Angel Romano, Isabelino Gradín e Rodolfo Marán. Técnico: Severino Castillo.
GOLArthur Friedenreich, aos 2 minutos (Brasil), no 1º Tempo da segunda prorrogação.

Classificação Final do Sul-Americano 1919

PAÍSESPGJVEDGPGCSG
BRASIL74311239
Uruguai54211752
Argentina2312770
Chile03311211

Elenco da Seleção Brasileira no Sul-Americano de 1919

ATLETASCLUBES
Marcos de MendonçaFluminense F.C. (RJ)
Píndaro de CarvalhoC.R. Flamengo (RJ)
Bianco GambiniS.S. Palestra Itália (SP)
Sérgio PiresC.A. Paulistano (SP)
Amílcar BarbuyS.C. Corinthians Paulista (SP)
Fortes FilhoFluminense F.C. (RJ)
Adolpho MillonSantos F.C. (SP)
NecoS.C. Corinthians Paulista (SP)
Arthur FriedenreichC.A. Paulistano (SP)
Heitor DominguesS.S. Palestra Itália (SP)
Arnaldo SilveiraSantos F.C. (SP)
DyonísioC.A. Ypiranga (SP)
PalamoneA.A. Mackenzie College (SP)
LaísFluminense F.C. (RJ)
PicagiliS.S. Palestra Itália (SP)
MartinsSão Cristóvão A.C. (RJ)
CarregalC.R. Flamengo (RJ)
ArlindoAmerica F.C. (RJ)
HaroldoSantos F.C. (SP)
GalloC.R. Flamengo (RJ)
Luiz MenezesBotafogo F.C. (RJ)
JunqueiraC.R. Flamengo (RJ)


A Comissão Técnica composta por Arnaldo da Silveira (capitão), Amílcar, Mário Pollo, Affonso de Castro e Ferreira Vianna Netto convocaram 22 jogadores, todos o eixo Rio São Paulo: sendo 10 cariocas e 12 paulistas.

O clube mais cedeu jogadores foi o Flamengo com quatro atletas. Depois com três jogadores: Palestra Itália, Santos e Fluminense. Na sequencia, com dois atletas o Paulistano e o Corinthians. Com um jogador, cinco clubes: Botafogo, America, São Cristóvão, Mackenzie College e Ypiranga.

DESENHOS DOS ESCUDOS E UNIFORMES: Sérgio Mello

FOTOS: O Malho (RJ) – Arquivo Nacional – Vida Sportiva (RJ)

FONTES: CBF – Wikipédia – O Malho (RJ) – Vida Sportiva (RJ) – Jornal do Commercio (RJ) – Correio da Manhã (RJ)

Fotos raras de 1965: Inauguração do Estádio Mineirão, em Belo Horizonte (MG)

Na partida diante do River Plate, a Seleção Mineira jogou com uniforme verde

No domingo, do dia 05 de Setembro de 1965, foi oficialmente inaugurado o Estádio Minas Gerais (posteriormente ganhou o nome de Estádio Governador Magalhães Pinto, popularmente chamado de “Mineirão”). A partida foi entre a Seleção Mineira diante da forte equipe do River Plate (ARG). No final, os mineiros saíram de campo com a vitória pelo placar de 1 a 0. O gol foi assinalado pelo atacante Buglê.

O Estádio Minas Gerais, construído em tempo recorde pelo Governo Magalhães Pinto, era o 2º estádio coberto do mundo. Tem capacidade para 130 mil pessoas e sua área total – incluindo pista de atletismo, parques de estacionamento parα automóveis e jardins – é de 300.000 m2. Sua cobertura abriga totalmente as arquibancadas, as cadeiras e ainda (este, um detalhe inédito) parte das gerais atrás dos gols.

O conjunto esportivo para o esporte especializado e universitário se completa com 5 quadras de tênis, 2 piscinas, 8 quadras de voleibol, 5 quadras de basquete, 6 campos de futebol, Departamento de Esportes Náuticos e Ginásio.

Modelo utilizado em 1965

Programação definida

A administração da ADEMG (Administração do Estádio de Minas Gerais), informou a programação, com quatro jogos no Estádio Minas Gerais, sendo que a carga total disponibilizada de ingressos para cada partida foi de 103 mil.

DATASPARTIDASPRELIMINAR
05 de setembro de 1965Seleção Mineira x River PlateNão teve
07 de setembro de 1965Seleção Brasileira (representada pelo Palmeiras) X Seleção UruguaiaAmérica Mineiro x Uberaba
12 de setembro de 1965Seleção Mineira x BotafogoAtlético x Siderúrgica
15 de setembro de 1965Seleção Mineira x Santos FCCruzeiro X Vila Nova

Na partida entre Minas Gerais x River Plate foram inaugurados os refletores do estádio. A venda de ingressos já foi iniciada sendo arrecadados oito milhões de cruzeiros no primeiro dia. A partir da próxima segunda-feira (30 de agosto de 1965) a tesouraria da CBD (Confederação Brasileira de Desportos) terá também ingressos à venda.

EM PÉ (esquerda para a direita): Dawson, Canindé, Buglê, Fábio, Grapete e Bueno;
AGACHADOS (esquerda para a direita): Silvestre, Dirceu Lopes, Tostão, Noventa e Tião.

Programação para a partida inaugural

O Governo do Estado e a Administração do Estádio Minas Gerais (ADEMG), estabeleceram, para as solenidades comemorativas da inauguração do novo estádio, a seguinte programação:

10 horas – salva de canhões na Pampulha;

11 horas – abertura dos portões do Estádio Minas Gerais e logo a seguir, desfile das balizas que participarão dos Jogos da Primavera, promoção do JORNAL DOS SPORTS;

13 horas – exibição dos cães amestrados da Polícia Militar;

13h30m – saltos de paraquedistas no gramado e evoluções da Banda da Polícia Militar;

13h45m – apresentação das placas alusivas à inauguração do estádio, sendo que na ocasião o engenheiro Gil César Moreira de Abreu, autor das maquetes do estádio, e o Governador Magalhães Pinto discursarão. Antes, ambos serão recebidos pela Banda de Música do Exército;

14 horas – entrega do estádio ao povo, pelo Governador Magalhães Pinto;

14h05m – bênção do campo, com a presença dos alunos da Escola Técnica de Belo Horizonte e do Colégio Municipal;

14h15m – desfile de colégios com a participação, mais uma vez, das balizas que participarão dos Jogos da Primavera;

14h40m – exibição da Esquadrilha da Fumaça. Dois paraquedistas pularão de aviões especiais, um trazendo a bola do jogo e outro a bandeira brasileira que será levantada no mastro central do estádio;

14h50m – entrada em campo das equipes da seleção mineira e do River Plate, para o jogo inaugural, que se postarão no gramado em forma olímpica;

14h55m – entrada do Governador Magalhães Pinto em campo e execução dor hinos nacionais do Brasil e da Argentina. Após a execução dos dois hinos o bicampeão mundial de futebol, Nilton Santos, desfilará pela pista, levando a tocha olímpica e acendendo a pira olímpica. Na ocasião será feita uma exaltação ao esporte pelas alunas da Escola Nacional de Educação – Física de Minas Gerais;

15h05m – o Governador do Estado de Minas saudará os atletas que participarão do jogo inaugural e vai dar o pontapé inicial;

15h15m – Início do jogo Seleção Mineira x River Plate,

Estádio Minas Gerais que depois ganhou alcunha de Mineirão

Transporte e Polícia

Para facilitar o acesso do público ao estádio Minas Gerais, serão colocados hoje (domingo, do dia 05 de Setembro de 1965), pelo Departamento Municipal de Transportes Coletivos, a partir das 10h, 130 ônibus, que não cobrarão passagens e ligarão o Centro da Cidade e a Pampulha, onde está localizado nôvo estádio.

Os veículos rodarão até quando o movimento de público exigir. A Prefeitura deslocou quase todas as urnas do Departamento de Obras para o preparo das vias de acesso ao estádio todas as obras foram concluídas na madrugada de hoje, depois de o pessoal de obras ter trabalhado durante toda a noite.

Cerca de 2 mil homens foram mobilizados para o policiamento: guardas civis, soldados e oficiais da Policia Militar, investigadores do corpo de segurança e elementos do Departamento Estadual do Trânsito, além da Rádio Patrulha, e receberam ordens severas no sentido de prender todas as pessoas suspeitas e ficam atentos aos marginais de outros Estados que aparecem, atraídos pela notícia da inauguração do estádio Minas Gerais.

EM PÉ (esquerda para a direita): Bueno, Canindé, Grapete, Buglê, Fábio, Décio Teixeira e Ubaldo Miranda (ex-jogador com passagens pelo Atlético-MG, Bangu-RJ, Villa Nova-MG, Bela Vista-MG e Corinthians);
AGACHADOS (esquerda para a direita): Não identificado (massagista),Wilson Almeida, Silvestre, Tostão, Dirceu Lopes, Tião e Bolão (massagista).

Câmbio Negro

Outra recomendação aos policiais foi a repressão total ao câmbio negro de ingressos, que desde a quinta-feira (dia 02 de Setembro de 1965) começará a vigorar.

Ontem à tarde (dia 03 de Setembro de 1965), uma guarnição da Rádio Patrulha prendeu os cambistas Antônio Pereira e Raimundo Rodrigues, que adquiriram 120 arquibancadas a Cr$ 1 mil e estavam vendendo na Rua da Bahia a Cr$ 2 mil, cada uma. Os dois marginais foram encaminhados a Delegacia de Representação e Vadiagem serão processados.

Maracanã e Estádio Minas Gerais: Os Dois Gigantes

Num confronto do Maracanã, maior do mundo, com o “Minas Gerais“, terceiro, a diferença, no que toca à parte técnica de sua construção é a seguinte:

ITENSMINAS GERAISMARACANÃ
Capacidade130 mil pessoas200 mil
Forma geométrica de uma falsa elipse, medindo no eixo maior276.00m308,74m
medindo no menor216,30m280.75m
Perímetro785.77m844.62m
Altura25,00m32.00m
Arquibancadas (número de degraus)3548
1.° degrau em relação ao nível do campo8.00m7.50m
Último17,87m23,67m
No último degrau o espectador fica em relação ao centro do campo90.00m126,00m
Medidas máximas do gramado (Internacional)110 x 75m110 x 75m
Fosso lateral de proteção – profundidade3,00m3.00m
largura2,50m3.00m
Túneis de Acesso ao gramado34
Placares eletrônicosem projeto3
Vestiários (música permanente, gabinete médico, sala de massagens, banheiras térmicas e oxigenoterapia)55
Alojamentos400 pessoas100 pessoas
Escoamento do público, quando lotado10 minutos15 minutos
Projetores de iluminação240 220
Material usado na construção – Madeira284.000m2850.000m2
Material usado na construção – Sacas de cimento284.000500.000
Material usado na construção – Ferro4.000.000kg9.582.781kg
Cabines para rádios e TVs, com ar condicionado, isolamento acústico e visor panorâmico2426

Gérson já tem time base dos Mineiros

Belo Horizonte – O técnico Gérson dos Santos, da seleção mineira que se prepara os jogos inaugurais do Estádio Minas Gerais, informou ontem (terça-feira, dia 24 de agosto de 1965) que, depois dos últimos coletivos realizados conseguiu formar a equipe base do escrete para o primeiro jogo dos mineiros, dia 5 de setembro, com o River Plate, de Buenos Aires (ARG).

Gérson revelou que deverá ser o seguinte, o quadro que jogará contra o River: Fábio; Canindé, William, Rui e Décio Teixeira; Edson e Dirceu Lopes; Wilson Almeida, Silvestre, Jair Bala e Tião. Disse ainda que escolheu os que melhor produzem em conjunto e não os que demonstram ação individual, mesmo que sejam ótimos.

Foto: acervo pessoal do ex-jogador Silvestre
EM PÉ (esquerda para a direita): Bueno, Canindé, Grapete, Buglê, Fábio, Décio Teixeira e Ubaldo Miranda;
AGACHADOS (esquerda para a direita): Wilson Almeida, Silvestre, Tostão, Dirceu Lopes, Tião e o massagista Bolão.

Próximos Ensaios

Hoje à tarde (quarta-feira, dia 25 de agosto de 1965) será realizado o terceiro treino coletivo da seleção mineira, no Estádio Independência, contra o time do Banco da Lavoura. De amanhã até sábado os jogadores darão apenas treinamento individual e domingo haverá nova prática de conjunto, também do Estádio Independência, contra o Olímpic, de Barbacena, atual campeão do certame promovido pela Liga de Juiz de Fora. Nessa partida, a equipe barbacenense surpreendeu ao vencer por 2 a 1.

A Tática

Gérson dos Santos disse ainda que vai adotar o sistema 4-2-4 nos jogos em que a seleção mineira participar, acentuando, entretanto, que não será um sistema rígido, devendo haver variação para o 4-3-3, acordo com o adversário e o andamento das partidas.

Já deu ordens ao ataque para jogar pelas pontas. acompanhando e deslocando Jair Bala e Silvestre para as extremas em que se der a jogada.

O River Plate, que é o primeiro adversário dos mineiros, está sendo aguardado em Belo Horizonte nos primeiros dias de setembro, procedente da Europa, para onde seguirá depois do jogo de hoje em Caracas (VEN), com o Real Madrid (nesse jogo, terminou empatado em 1 a 1, com a presença de 15 mil pagantes. O espanhol Agüero abriu o placar para a equipe madrilenha no primeiro tempo. Cubillas deixou tudo igual para os argentinos na etapa final).

Tevê Tupi transmitiu o jogo

No Jornal dos Sports, teve o anúncio de que a Televisão Tupi, Canal 6, iria transmitir às 15 horas, a partida entre Seleção Mineira x Club Atlético River Plate, direto do Estádio de Minas Gerais para o Rio de Janeiro, São Paulo e Vitória (ES), através de uma rede nacional de televisão. O Banco Nacional de Minas Gerais S/A foi o patrocinador da transmissão e também ajudou na construção do Estádio mineiro.

Imponentes festejos marcaram inauguração

Com a vitória do selecionado mineiro sobre a representação do River Plate, da Argentina, o povo de Minas Gerais e, sobretudo, de Belo Horizonte, teve um fecho de ouro para as festividades de inauguração do Estádio Minas Gerais, o segundo do Brasil e terceiro do mundo, em capacidade, perdendo apenas para o Maracanã e para o Hampden Park, de Glasgow, na Escócia.

Desde as primeiras horas da manhã de ontem a Capital mineira começou a vi- ver seu dia de festa, com salva da canhão que anunciou o nascimento do novo estádio, já chamado de “colosso da Pampulha“.

Os festejos continuaram com o Arcebispo de Belo Horizonte, Dom Serafim Fernandes de Araújo dando a bênção ao estádio e com apresentação de bandas de música, ginastas e, com destaque, das balizas que participarão dos Jogos da Primavera, numa promoção do JORNAL DOS SPORTS.

Governador Entrega

O Governador Magalhães Pinto chegou ao estádio por volta das 14 horas recebendo consagradora ovação do enorme público presente e, logo após, fez a entrega simbólica da nova praça de esportes ao povo mineiro.

Antes do início da partida que encerrou as festividades do dia de ontem (domingo, do dia 05 de Setembro de 1965), o Governador mineiro cumpri- mentou a todos os jogadores dos dois times, ressaltando, junto aos integrantes da equipe argentina “a honra a satisfação do povo mineiro de ter o River Plate como convidado num momento histórico como o da inauguração do Estádio Minas Gerais”.

Como convidados especiais do Governo de Minas estiveram presentes às solenidades da inauguração do nôvo estádio, os presidentes da Federação Paulista de Futebol, Sr. Mendonça Falcão; da CBD, Sr. João Havelange; do CND, Sr. Elói Meneses; e o técnico da Seleção Brasileira, Vicente Feola.

Mineiros venceram na Festa de Inauguração

Com uma renda muito aquém da esperada pelas autoridades e sem que se saiba o número exato de espectadores porque as borboletas dos portões de acesso ainda não foram instaladas, o Estádio Minas Gerais foi inaugurado, ontem, com festividades que se encerraram com o encontro entre a seleção mineira e o River Plate, vencido pelos mineiros por 1 a 0, gol de Buglê aos 3 minutos da etapa final.

A arrecadação foi de 82.792.625,00 e calcula-se, entre público pagante e autoridades convidadas, cerca de 80 mil pessoas presentes ao jôga, embora a Administração do Estádio Minas Gerais tivesse anunciado, anteriormente, que a venda de ingressos já havia atingido Cr$ 90 milhões (sábado). O estádio ainda não está acabado, devendo ter suas obras finalizadas, definitivamente, dentro de um ano.

Jogo Fraco

A partida entre o escrete mineiro e o River Plate teve duas características distintas: o nervosismo dos mineiros e o cansaço dos argentinos. A consequência foi um jogo fraco, que somente começou a melhorar depois que a equipe local inaugurou o marcador, no segundo tempo, e, perdendo um pouco a inibição inicial, partiu para o jogo emocional, suprindo as deficiências de falta de conjunto com a vibração de seus jogadores, incentivados pela imensa torcida que pedia “mais um, mais um“.

Até os primeiros 35 minutos da partida o River Plate, embora um pouco lento, comandou o jogo, tendo perdido, aos 9 minutos, oportunidade de inaugurar o marcador num pênalti cometido por Grapete, que tirou com a mão uma bola que ia entrando depois de haver passado pelo goleiro Fábio. Sarnari cobrou e chutou para fora. Depois os mineiros melhoraram um pouco, indo mais à frente, embora pecassem nas finalizações.

Gol Único

O gol da seleção de Minas nasceu de uma jogada de Dirceu Lopes, que deu em profundidade para Buglê, que adiantara, tendo o goleiro Gatti tentado interceptar, falhando. Buglê apanhou a bola, driblou, ainda, um zagueiro e fuzilou, aos 3 minutos da etapa final.

Depois desse gol, os mineiros, jogando mais na base do entusiasmo, pressionaram com mais frequência o gol adversário, até os 30 minutos. Quando faltavam 15 minutos para o término do jogo, o time adversário, que vinha mantendo um ritmo lento, mostrando cansaço, começou a reagir, passando a pressionar, mas a equipe local, caindo toda na defesa, conseguiu manter marcador.

Duas Expulsões

Aos 35 minutos da fase inicial, o ponta-esquerda Tião, do escrete mineiro, entrou violentamente em Sarnári, que revidou com um pontapé, tendo o juiz da partida, Sr. Antônio Viug, expulsado os dois jogadores, passando os dois times a jogar com apenas 10 homens. Mesmo depois dessas expulsões, o jogo continuou viril, com as defesas de ambos os lados jogando duro e, por vezes, violentas.

Começou Atrasado

A partida, que estava por ser iniciada às 15h15m, começou com um atraso de 15 minutos por que as solenidades de inauguração demoraram mais tempo que o previsto pelas autoridades.

As 14h30m, Hideraldo Luís Belini, bicampeão mundial de futebol e capitão da seleção da campanha da Suécia, em 1958, deu a volta olímpica no campo levando o fogo simbólico e depois acendeu a pira olímpica, sob o aplauso de todos os espectadores. Antes do início da partida, os capitães da seleção de Minas, Bueno, e do River Plate, Ramos Delgado, trocaram flâmulas.

Os Melhores

Os melhores jogadores da partida foram Fábio, Dirceu Lopes, Buglê, Grapete e Wilson Almeida, para os mineiros, e Ramos Delgado, Oscar Más, Matozas e o brasileiro Delém (Vladem Lázaro Ruiz Quevedo), para os argentinos. O goleiro Fábio, da seleção de Minas, merece destaque especial, tendo sido o melhor homem em campo.

O árbitro Antônio Viug teve bom trabalho, embora um pouco prejudicado pela virilidade dos jogadores. Quase chega atrasado ao campo porque o avião em que viajou do Rio se atrasou, tendo aterrissado na Pampulha 15 minutos antes do jogo. Os bandeirinhas foram Joaquim Gonçalves e Luís Pereira, ambos da Federação Mineira de Futebol (FMF).

Os mineiros terão hoje o dia livre e voltarão a se concentrar amanhã a fim de se preparar para o jogo com o Botafogo, domingo. Amanhã farão individual; quarta-feira, coletivo no Estádio Minas Gerais; quinta-feira, individual; e sexta-feira, apronto. O técnico mineiro, Gérson Santos, informou que pretende manter a mesma equipe para o Jogo de domingo.

EM PÉ (esquerda para a direita): Carlos Alberto Sainz, Jose Manuel Ramos Delgado (Capitão), Hugo Gatti, Roberto Matosas, Vladislao Cap e Hector Grispo;
AGACHADOS (esquerda para a direita): Luis Cubilla, Juan Carlos Sarnari, Luís Artime, Delém e Oscar Más.

River faturou 10 mil dólares pelo jogo

A Delegação do Club Atlético River Plate, viajando pela Ibéria, desembarcou no Rio de Janeiro, no sábado, do dia 04 de setembro de 1965. Logo depois viajou para Belo Horizonte, chegando por volta das 13 horas. Dali seguiu para o Brasil Palace Hotel, onde ficou hospedado.

A delegação do River Plate embarcou na segunda-feira (dia 06 de Setembro de 1965), às 14 horas, para o Rio de Janeiro e às 18 horas, do Galeão, seguiu viagem para Buenos Aires (ARG). Pela partida, o River Plate recebeu a cota de 10 mil dólares, além das despesas pagas.

As duas equipes perfiladas, ouvindo os hinos nacionais do Brasil e Argentina

SELEÇÃO MINAS GERAIS        1        X        0        C.A. RIVER PLATE (ARG)

LOCALEstádio Minas Gerais (atual Mineirão), no bairro da Pampulha, em Belo Horizonte/MG 
CARÁTERAmistoso Internacional
DATADomingo, do dia 05 de Setembro de 1965
HORÁRIO15 horas e 30 minutos (de Brasília)
RENDACr$ 82.792.625,00 (Oitenta e dois milhões, setecentos e noventa e dois mil, seiscentos e vinte e cinco cruzeiros)
PÚBLICO73.201 pagantes (a estimativa foi de um público presente de 100 mil)
ÁRBITROAntônio Viug (FIFA/RJ)
AUXILIARESJoaquim Gonçalves (FMF) e Luís Pereira (FMF)
EXPULSÕESTião (Minas Gerais) e Sarnari (River Plate)
MINAS GERAISFábio; Canindé, Grapete, Bueno e Décio Teixeira; Dirceu Lopes e Buglê; Wilson Almeida (Geraldo, e depois Noventa), Tostão, Silvestre (Jair Bala) e Tião. Técnico: Gérson Santos.
RIVER PLATEGatti; Sainz, Ramos Delgado, Hector Grispo (Mario Bonzuck) e Matosas; Vladislao Cap (Solanez) e Sarnari; Luis Cubilla (Jorge Solari), Artime (Juan Carlos Lallana), Delém e Oscar Más. Técnico: Jose Curti.
GOL(S)Buglê aos 3 minutos (Seleção Mineira), no 2º Tempo.

FOTOS: Acervo Fabiano Rosa Campos

FONTES: Jornal dos Sports (RJ)

Fotos raras de 1965: no dia que o Palmeiras vestiu a ‘Amarelinha’ e bateu a Seleção do Uruguai, no Mineirão!

EM PÉ (esquerda para a direita): Ferruccio Sandoli (dirigente), Djalma Santos, Valdir de Moraes, Valdemar Carabina (Capitão), Dudu, Filpo Nuñez (técnico argentino), Djalma Dias, Ferrari e diretor (não identificado);
AGACHADOS (esquerda para a direita): Romeu (mordomo), Julinho Botelho, Servílio, Tupãzinho, Ademir da Guia, Rinaldo e Reis (massagista).

Em comemoração ao Dia da Independência do Brasil e mais as festividades pela inauguração do Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão (naquele momento ainda se chamava Estádio Minas Gerais), foi marcado um amistoso internacional entre as seleções do Brasil e Uruguai.

Pela primeira vez no cenário do futebol nacional, uma equipe brasileira foi convidada para compor toda a delegação do Brasil. Do técnico ao massagista, do goleiro ao ponta-esquerda, incluindo os reservas, o Palmeiras, treinada pelo argentino Filpo Nuñez, é um dos dois estrangeiros a terem comandado a Seleção Brasileira (o outro foi o uruguaio Ramón Platero, na década de 20).

Em meio à época áurea de times como o Santos de Pelé e o Botafogo de Garrincha, o Palmeiras, sob critério da extinta CBD, foi escolhido por se tratar da melhor equipe do futebol brasileiro em atividade no período.

Já o Uruguai vinha de classificação para o Mundial de 1966 de forma invicta e apresentava craques como Manicera (que depois desfilou sua técnica no Flamengo), Cincunegui (ídolo no Atlético-MG), Varela, Douksas, Esparrago, entre outros.

Numa partida que entrou para a história do futebol mundial, o Palmeiras goleou a Celeste por 3 a 0. O troféu conquistado pela Seleção ficou na sede da CBD (depois CBF) por exatos 23 anos. Em 1988, decidiu-se pelas partes que o Verdão deveria honrosamente ficar com a taça.

Abaixo como o Jornal dos Sports (principal jornal esportivo do país)destacou essa partida na véspera e no pós-jogo. Boa leitura!

Reportagens na véspera do jogo

Em prosseguimento, ainda, as festividades de inauguração do Estádio Minas Gerais, em Belo Horizonte, o Palmeiras jogará hoje à tarde com a seleção do Uruguai, usando o uniforme da seleção brasileira. A atração do jogo será a presença dos dois mineiros que jogam pelo time paulista: Procópio e Dario.

O argentino Filpo Nuñes, técnico do Palmeiras, informou que a presença de Dario como ponta-de-lança ainda é duvidosa porque o jogador não se encontra em estado físico perfeito, mas que está fazendo todos os esforços para lançá-lo em homenagem aos mineiros. Caso não possa atuar Tupāzinho será mantido. O goleiro Valdir sofreu um princípio de distensão do treino de ontem e fará um teste hoje para confirmar se poderá ou não, jogar.

Treinaram Ontem (segunda-feira, dia 06/09/65)

Os jogadores do Palmeiras, dirigidos por Filpo Nuñez, realizaram individual, bate-bola e dois toques, durante 30 minutos, na manhã de ontem (segunda-feira, dia 06/09), no estádio Minas Gerais e, depois, mais 30 minutos de ginástica. No treino de dois toques um time jogou com camisa contra outro, sem camisa, os com camisas formaram com Ditão (3° irmão com o mesmo nome), Picasso, Julinho, Gildo, Servílio, Ademar e Valdemar Carabina, contra Djalma Dias, Djalma Santos, Procópio, Dudu, Ademir da Guia. Ferrari, Germano e

Zequinha. Os dois times jogaram sem goleiros e o time de Julinho saiu vencedor, com mais de 10 gols, tendo Ademar feito 5.

Durante a meia hora de ginástica, foram poupados Procópio, Djalma Dias, Djalma Santos, Ademir da Guia, Ferrari, Dudu e Servílio, que ficaram batendo bola. O goleiro Valdir logo no início do treino sentiu dores no músculo e foi poupado dos treinamentos. Filpo Nuñez informou que os jogadores estão em boa forma. embora um pouco cansados pela campanha do campeonato paulista, e acredita na vitória sobre os uruguaios.

O Time Para Hoje (07/09/65)

Filpo Nuñez acrescentou que, embora o quadro não tenha grandes problemas, deverá fazer algumas modificações durante a partida a fim de poupar os jogadores. Revelou que, em princípio, Palmeiras jogará com Valdir (Picasso); Djalma Santos e Djalma Dias; Procópio (Valdemar Carabina) e Ferrari; Dudu e Ademir da Guia; Gildo (Julinho), Servílio, Dario (Tupāzinho) e Germano (Rinaldo).

Ontem à tarde a delegação do Palmeiras esteve no Palácio da Liberdade, em visita ao Governador Magalhães Pinto. Na ocasião, o Presidente do clube paulista, St. Delfino Fachina, fez a entrega ao Chefe do Executivo mineiro, de uma placa de prata comemorativa da inauguração do estádio Minas Gerais.

EM PÉ (esquerda para a direita): Juan López Fontana (técnico), Omar Caetano, Héctor Cincunegui, Luis Alberto Varela, Raúl Núñez, Jorge Manicera, Walter Taibo e diretor (não identificado);
AGACHADOS (esquerda para a direita): Horacio Franco, Héctor Salvá, Héctor Silva, Vladas Douksas e Víctor Espárrago.

Uruguaios Chegaram

A Delegação da seleção do Uruguai chegou a Belo Horizonte ontem (segunda-feira, do dia 06 de setembro de 1965), às 23 horas, e o técnico Juan Lopes informou ao JORNAL DOS SPORTS que pretende, hoje pela manhã, levar os jogadores até o estádio Minas Gerais a fim de que conheçam o campo onde jogarão à tarde. Revelou. ainda, que o quadro jogará incompleto em virtude do campeonato uruguaio, pois a maioria dos times não quis ceder mais de dois jogadores para a seleção.

Os uruguaios entrarão em campo com a seguinte equipe: Taibo; Sircumegui, Nuñez, Varela e Caetano; Manizera e Salva; Franco, Silva, Doukzas e Espanero.

Djalma Santos: 90 Jogos

Em virtude de o Palmeiras jogar hoje com a camisa da CBD (Confederação Brasileira de Desportos), o zagueiro bicampeão mundial, Djalma Santos, completará a sua 90ª partida com a camisa da seleção brasileira.

A expectativa do público para o jogo de hoje é pequena porque, além de não haver festividades como no domingo, como atração, e nem jogar time mineiro, a torcida está se resguardando para os outros jogos, principalmente Santos e seleção mineira. As autoridades preveem para hoje uma renda fraca.

Vantagens de Minas

O estádio de Minas Gerais, que perde em capacidade de público para o Maracanã, tem, entretanto, algumas vantagens sobre ele, pois, enquanto o estádio carioca tem 186.638m2 de área ocupada pelo gramado. pista de atletismo, parque de estacionamento e jardins, o Minas Gerais tem 300.000m2. O estádio mineiro tem alojamento para 400 atletas, enquanto o Maracanã tem apenas 100.

O primeiro jogo noturno quando serão inaugurados, oficialmente, os refletores será entre o Santos e a seleção de Minas, dia 15. O estádio possui 240 projetores, enquanto o Maracanã tem 220.

Palmeiras derrotou Uruguaios com facilidade

BELO HORIZONTE – O Palmeiras, jogando com o uniforme da seleção brasileira, derrotou, ontem, tarde (na terça-feira, do dia 07 de Setembro de 1965), no estádio Minas Gerais, a seleção do Uruguai, num jogo em que foi sempre superior, não tendo vencido por escore mais dilatado em virtude da grande atuação do goleiro Taibo, do escrete uruguaio, e do trabalho de destruição da sua linha de quatro zagueiros.

O Palmeiras jogou uma partida perfeita, terminando por oferecer ao público que compareceu à segunda partida realizada no novo estádio mineiro, ainda em comemoração à sua inauguração, um verdadeiro show de futebol, comandado por Ademir da Guia, absoluto no meio-campo. Outro destaque foi o lateral-direito bicampeão mundial, Djalma Santos, que todas as vezes em que pegava a bola recebia verdadeira ovação do público.

Sempre Melhor

O Palmeiras, desde os primeiros minutos da partida mostrou sua superioridade, evidenciando logo qual seria o resultado do encontro. A seleção uruguaia, apesar de inferior em técnica, entretanto não se entregou de início e seus jogadores procuraram compensar as deficiências técnicas com um grande espírito de luta, competindo bravamente para fugir à derrota que parecia inevitável. Algumas vezes chegou até a linha de defesa do quadro brasileiro, mas Djalma Santos e Djalma Dias, ambos em grande tarde, com facilidade anulavam os ataques.

Com Ademir da Guia dominando inteiramente o meio-campo, bem assessorado por Dudu, a ofensiva brasileira não tinha dificuldades em alcançar a área do adversário e somente não chegou a uma goleada porque o goleiro Taibo veterano da seleção, – estava em tarde de grande inspiração e fez defesas espetaculares.

Além disso, os quatro zagueiros uruguaios, jogando com sobriedade e com boa cobertura, conseguiram, em parte, diminuir o ímpeto da ofensiva palmeirense, embora são conseguisse evitar os dois gols do primeiro tempo.

Primeiros Gols

A primeira etapa do jogo terminou de 2 a 0 para o Palmeiras, gols de Rinaldo, de pênalti, aos 27 minutos, e de Tupãzinho, aos 35. Depois do segundo gol brasileiro a equipe uruguaia esmoreceu um pouco e se concentrou mais na defesa, tentando o ataque, esporadicamente, em lançamentos de profundidade. Nas raras vezes em que o goleiro do Palmeiras, Valdir, foi chamado a intervir, o fez com segurança e categoria.

No primeiro tempo, além de Djalma Santos, Djalma Dias e Ademir da Guia, os atacantes Tupãzinho, Julinho e Rinaldo foram os que mais se destacaram, sendo que Tupãzinho foi o melhor dos três. Os outros, entretanto, também atuaram bem, porém com menos ímpeto.

A Confirmação

No segundo tempo o Palmeiras apenas confirmou sua grande atuação da primeira etapa, embora o uruguaio voltasse um pouco melhor depois de fazer algumas modificações. O Palmeiras também mudou vários jogadores, mas seu ritmo não sofreu solução de continuidade.

O terceiro gol da equipe brasileira veio aos 29 minutos, por intermédio de Germano, que substituiu a Julinho na ponta-direita. Depois desse gol o Palmeiras parece ter perdido o interesse de aumentar o marcador e passou a fazer exibição de futebol, sob os aplausos intensos dos torcedores, que pediam “olé“.

EM PÉ (esquerda para a direita): Juan López Fontana (técnico), Omar Caetano, Héctor Cincunegui, Luis Alberto Varela, Raúl Núñez, Jorge Manicera, Walter Taibo e diretor (não identificado);
AGACHADOS (esquerda para a direita): Horacio Franco, Héctor Salvá, Héctor Silva, Vladas Douksas e Víctor Espárrago.

Preliminar

Na partida preliminar o América, de Belo Horizonte, derrotou o Uberaba, por 5 a 2, tendo o primeiro tempo terminado com um empate de 2 a 2, gols de Mosquito, aos 6 minutos e Dirceu, aos 39, para o América, e Zé Luís, aos 36 minutos, e Sapucaia aos 41, para o Uberaba.

Na etapa complementar, Dirceu, aos 5 minutos; Mosquito, nos 7 minutos e Sabino, aos 13 minutos, ampliaram para o América. Na arbitragem funcionou o Sr. Doraci Jerônimo.

BRASIL (S.E. Palmeiras/SP)     3        X        0        URUGUAI

LOCALEstádio Minas Gerais (atual Mineirão), em Belo Horizonte/MG
CARÁTERAmistoso Internacional  
DATATerça-feira, do dia 07 de setembro de 1965
HORÁRIO15 horas e 15 minutos (De Brasília)
RENDACr$ 49.162.125,00
PÚBLICO44.984 pagantes
ÁRBITROEunápio de Queiroz
AUXILIARESCláudio Magalhães e Frederico Lopes.
BRASILValdir de Moraes (Picasso); Djalma Santos, Djalma Dias, Valdemar Carabina (Procópio Cardozo) e Ferrari; Dudu (Zequinha) e Ademir da Guia; Julinho Botelho (Germano) Servílio, Tupãzinho (Ademar Pantera) e Rinaldo (Dario Alegria). Técnico: Filpo Nuñez.
URUGUAIWalter Taibo (Carlos Fogni); Héctor Cincunegui (Miguel de Britos), Jorge Manicera e Luis Alberto Varela; Omar Caetano, Raúl Núñez (Homero Lorda), Héctor Salvá e Horacio Franco; Héctor Silva (Orlando Virgili), Vladas Douksas e Víctor Espárrago (Julio César Morales). Técnico: Juan López Fontana.
GOLSRinaldo, de pênalti, aos 27 minutos (Brasil); Tupãzinho, aos 35 minutos (Brasil), no 1º Tempo. Germano, aos 29 minutos (Brasil ), no 2º Tempo
PRELIMINARAmérica Mineiro 5 x 2 Uberaba.

FOTOS: Acervo Fabiano Rosa Campos

FONTE: Jornal dos Sports (RJ)

Fotos Raras de 1973: Despedida de Mané Garrincha!

Por que os dois uniformes possuíam o escudo da FUGAP?

A partida que marcou a despedida de Mané Garrincha tinha uma curiosidade. Afinal, os dois selecionados entraram em campo com uniformes cujo escudo era um losango com a sigla FUGAP.  

Afinal, o que era? Bom, FUGAP quer dizer: Fundação Garantia do Atleta Profissional, entidade foi criada durante o governo de Carlos Lacerda/Estado da Guanabara, por determinação do Decreto “N” nº 107, na segunda-feira, do dia 09 de dezembro de 1963.

A Fundação de Garantia ao Atleta Profissional (FUGAP) é uma das poucas entidades a dar algum tipo de auxílio aos ex-jogadores. A FUGAP está localizada em uma pequena sala no complexo Célio de Barros, e sobrevivia com 2% da renda líquida dos jogos no Maracanã.

Roteiro da Despedida de Mané

Garrincha após se despedir deu a última volta olímpica no Maracanã

O vice-presidente da FUGAP, Gilbert informou a programação da despedida de Mané Garrincha. As duas preliminares foram confirmadas:

A partir das 19h15min., artistas de telenovelas x cantores, e, logo em seguida, às 20h15min., veteranos de 1958 e 1962 (Valdir, Jair Marinho, Belini, Orlando, Nilton Santos, Zózimo, Zito, Bauer, Maurinho, Chinezinho, Servílio, Canhoteiro e outros) x time da ADEG.

A partida da “Despedida de Mané Garrincha” estava programada para começar às 22 horas, entre a Seleção Nacional x Selecionado Estrangeiro.

O Flamengo cedeu o casarão da Rua Jaime Silvado, em São Conrado, para concentrar os jogadores.

Na ocasião, a ADEG, CBD e FUGAP abriram mão de suas taxas e a única despesa que os organizadores do espetáculo terão e da ordem de apenas 15 mil cruzeiros, referente ao quadro móvel do estádio do Maracanã.

O Ponto Frio (30 mil ingressos pela bagatela de Cr$ 300 mil cruzeiros) e Banco Delfin-Rio compraram 400 mil cruzeiros de ingressos para a distribuição entre seus clientes.

Ingressos (locais e valores)

Os ingressos foram vendidos na véspera (terça-feira, do dia 18 de dezembro de 1973) e no dia do jogo, se encerrando às 20 horas. O local das vendas foi nas 16 agências da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) no Rio Grande, nos seguintes locais:

Zona Sul

Rua Voluntários da Pátria, 254, no bairro de Botafogo;

Avenida Nossa Senhora de Copacabana, no bairro de Copacabana;

Largo Machado, 35, no bairro de Catete;

Rua Carlos Vasconcelos, 43, no bairro da Tijuca;

Centro do Rio

Rua 1º de Março, 64, no Centro;

Rua das Marrecas, 19, no bairro de Lapa;

Praça Mauá, 7, no Centro;

Subúrbio (atual Zona Norte)

Rua Padre Manso, no bairro de Madureira;

Rua Nicarágua, 517, no bairro da Penha;

Rua Teixeira Soares, 39, no bairro da Praça da Bandeira;

Campo de São Cristóvão, 378, no bairro de São Cristóvão;

Zona Rural (atual Zona Oeste)

Praça Raul Boaventura, 61, no bairro de Campo Grande;  

Baixada Fluminense

Avenida Getúlio Moura, 1.399, no município de Nilópolis;

Rua Otávio Tarquino, 87, no município de Nova Iguaçu;

Avenida Dr. Arruda Negreiros, 399, no município de São João de Meriti;

Região Serrana

Avenida 15 de Novembro, 350, no município de Petrópolis.

No 2 do jogo, os postos da ADEG também venderam os ingressos, das 9 as 19 horas:

Theatro Municipal, na Rua Treze de Maio, no Centro;

Mercadinho Azul, no bairro de Copacabana;

Posto Esso, na Av. Epitácio Pessoa;

Rua José Alvarenga, 127, no Centro de Duque de Caxias;

No estádio Mario Filho, o Maracanã, as bilheterias e os portões foram abertos a partir das 18h30min. Os ingressos estavam com os seguintes valores:

SETORESPREÇOS
Camarote nobreCr$ 1.500,00
Camarote lateralCr$ 175,00
Camarote de curvaCr$ 125,00
Cadeira lateral especialCr$ 50,00
Cadeira lateralCr$ 30,00
Cadeira de curvaCr$ 25,00
ArquibancadaCr$ 10,00
GeralCr$ 2,00
Geral (militar e/ou fardado)Cr$ 1,00

Homenagens

Uma linda homenagem na despedida de Garrincha

Pela manhã, às 10 horas da quarta-feira, do dia 19 de dezembro de 1973, a ECT homenageou Garrincha com o lançamento de um carimbo comemorativo, no Gabinete da Presidência da empresa. Às 11h30min., foi entregue no MEC o convite para o Ministro da Educação, o Sr. Jarbas Passarinho, que recebeu um autografo do “Anjo das Pernas Tortas”.  

No período da tarde, às 16h30min., Garrincha, acompanhado de toda a diretoria da FUGAP, foi recebido, em audiência especial, no Palácio Laranjeiras, para entregar ao Presidente da República, Sr. Emílio Garrastazu Médici, o convite para assistir a festa da gratidão. No jogo, Médici assistiu o jogo, em uma cabine de rádio, uma vez que a Tribuna de Honra estava passando por reformas.

O dia ainda teve o lançamento em todas as livrarias, o livro “Garrincha, o Demônio de Pernas Tortas”, de autoria de Renato Peixoto dos Santos, no qual o jogador fala de seus sonhos (terminar a carreira no Vasco da Gama), suas tristezas (perder a Copa do Mundo de 1966) e seu time de todos os tempos (no qual por modéstia escalou Julinho na ponta direita).    

EM PÉ (esquerda para a direita): Carlos Alberto Torres, Félix, Brito, Piazza, Clodoaldo e Everaldo;
AGACHADOS (esquerda para a direita): Nocaute Jack (massagista), ManéGarrincha, Rivellino, Jairzinho, Pelé, Paulo César Caju e Mário Americo (massagista).

Crônica do JS

O Jornal dos Sports assim fez a crônica da partida que marcou a despedida de Mané Garrincha, na noite (22 horas) do dia 19 de dezembro de 1973, no Maracanã para um público superior a 155 mil pagantes:  

“O Estádio Mário Filho viveu ontem um dia de grande festa, fazendo com que a homenagem a Garrincha se transformasse em tudo aquilo que se esperava. O Estádio lotou para mostrar sua gratidão ao maior ponta-direita do mundo e para assistir a um desfile de grandes estrelas, tendo ainda a satisfação de ver que Pelé continua como Rei.

Numa jogada sensacional, driblando seguidamente cinco adversários, ele fez o primeiro gol da Seleção de Brasileiros na vitória de 2 a 1 sobre a de Estrangeiros.

Mas, sobretudo, houve um momento, no primeiro tempo, que todo o Estádio ficou de pé para aplaudir a jogada tão esperada: Garrincha pegou a bola, jogou por entre as pernas de Brunei, entrou na área, mas chutou mal. Para a torcida foi alegria e ao mesmo tempo tristeza, porque ela reviveu as diabruras de Mané, sabendo que foi aquela a última vez.

Mas aos 23 minutos, o maior volume de jogo dos Estrangeiros resultou em gol. Everaldo falhou ao atrasar a bola e Brindisi, de direita, chutou sem defesa para Félix.

A tristeza acabou quando Garrincha pegou na bola. Ele era o dono da festa e mais uma vez aos 26 minutos, deixou saudades na torcida: cruzou na conta para Jair, que dominou no peito e chutou, mas Andrada pós a corner.

Aos 30 minutos, antes do programado Garrincha teve que deixar o campo. O jogo foi paralisado e ele deu a volta olímpica, jogando a camisa, chuteiras e meias para a torcida.

Garrincha arrancando em direção ao gol e levando o público ao delirio!

Com a entrada de Zequinha, a partida foi reiniciada, permitindo com isso mais  pressão dos brasileiros, que empataram numa jogada sensacional de Pelé. Ele recebeu de Clodoaldo na intermediária, driblou cinco adversários e, na saída de Andrada, tocou para o gol.

No segundo tempo, o jogo caiu. Pelas inúmeras substituições e pelo cansaço dos dois times. Como os brasileiros tinham mais reservas, puderam aguentar mais e pressionar, pois o time de estrangeiros recuou. Inclusive a partida perdeu a sua grande estrela, que vinha sendo Pelé, que mostrou que ainda continua sendo o maior jogador do mundo.

Com a pressão, os brasileiros conseguiram desempatar aos 20 minutos, numa arrancada de Jairzinho pela direita. Ele passou por seu marcador e cruzou rasteiro. Luís Pereira, que acompanhava o lance, tocou de direita, quase caindo, para as redes. Depois houve mais substituições e o jogou caiu, com os jogadores procurando deixar o tempo passar”.  

Mané Garrincha concedendo entrevista ao, então repórter de campo, Washington Rodrigues, o “Apolinho” e ao jovem Luiz Orlando (filho do lendário apresentador e narrador Orlando Batista, que cobriu 14 copas do mundo).

CANTORES           3        X        1        ATORES

LOCALEstádio Mario Filho, o ‘Maracanã’
CARÁTERDespedida de Mané Garrincha – 1ª Preliminar
DATAQuarta-feira, do dia 19 de dezembro de 1973
HORÁRIO19 horas e 15 minutos (De Brasília)
RENDACr$ 1.383.121,00
PÚBLICO131.555 pagantes (155 mil presentes).
ÁRBITRONão divulgado
CANTORESZeca do Conjunto do Simonal; Simonal (Paulo Sérgio Vale), Armando Migliácio, Gato Felix dos Novos Baianos e Agnaldo Timóteo (Paulinho Tapajós, depois Erlon Chaves); Mazola e Betinho (Jorge Ben); Rui do MPB4 (Silvio César), Chico Buarque (Galvão), Tobias (Morais) e Miltinho do MPB4 (Paulinho da Viola).
ATORESJadilson Santana; Mieli (Nicolau), Pitanga, Maurício do Vale e Edson França; Arnaud Rodrigues (Ivan) e João Carlos Barroso; Petraglia, Milton Morais (Carlos Eduardo Dolabela, depois Fúlvio Stefanini, Grande Otelo e Iata Anderson), Francisco Cuoco (Dari Reis) e Adriano Stewart.    
GOL(S)Jorge Bem (Cantores); Francisco Cuoco (Atores); Jorge Bem (Cantores); Galvão (Cantores).

ADEG          1        X        1        SELEÇÃO DO BI MUNDIAL

LOCALEstádio Mario Filho, o ‘Maracanã’
CARÁTERDespedida de Mané Garrincha – 2ª Preliminar
DATAQuarta-feira, do dia 19 de dezembro de 1973
HORÁRIO20 horas e 15 minutos (De Brasília)
RENDACr$ 1.383.121,00
PÚBLICO131.555 pagantes (155 mil presentes).
ÁRBITROGeraldino César (F.C.F.)
ADEGBarbosa; Joel Martins, Djalma Dias, Altair e Pampoline; Constantino (Antoninho) e Jansen (Barbosinha); Ademir Menezes (Sabará), Airton do Flamengo, Décio Esteves e Calazans (Zé Carlos).
BI MUNDIALAdalberto; Jair Marinho, Belini, Orlando e Nilton Santos; Zito (Bauer) e Zózimo; Julinho (Maurinho), Chinesinho, Vavá (Quarentinha) e Zagallo (Bené).
GOL(S)Vavá aos 6 minutos (Bi Mundial), no 1º Tempo. Pampoline aos 2 minutos (ADEG), no 2º Tempo.  
CURIOSIDADEO 1º tempo teve a duração de 30 minutos, enquanto no segundo tempo foi de apenas 17 minutos. Um total de 47 minutos.

SELECIONADO BRASILEIRO    2        X        1        SELECIONADO ESTRANGEIRO

LOCALEstádio Mario Filho, o ‘Maracanã’
CARÁTERDespedida de Mané Garrincha
DATAQuarta-feira, do dia 19 de dezembro de 1973
HORÁRIO22 horas (De Brasília)
RENDACr$ 1.383.121,00
PÚBLICO131.555 pagantes (155 mil presentes).
ÁRBITROArmando Marques (apitou o 1º tempo) e Arnaldo César Coelho (apitou o 2º tempo)
AUXILIARESManuel Espezim Neto (FCF) e José Roberto Wright (FCF)
BRASILFélix (Leão); Carlos Alberto Torres (Zé Maria), Brito (Luís Pereira), Piazza e Everaldo (Marinho Chagas); Clodoaldo (Zé Carlos) e Rivellino (Manfrini); Garrincha (Zequinha), Jairzinho (André), Pelé (Ademir da Guia) e Paulo César Caju (Mario Sérgio). Técnico: Mario Jorge Lobo Zagallo
ESTRANGEIROSAndrada; Forlan, Alex, Reyes (Olevanski) e Brunel; Dreyer e Pedro Rocha; Houseman (Babington), Brindisi, Doval e Onishenko (Levtchev). Técnico: Mário Travaglini
GOL(S)Brindisi aos 23 minutos (Estrangeiros); Pelé aos 38 minutos (Brasil), do 1º Tempo. Luís Pereira aos 20 minutos (Brasil), do 2º Tempo.

Segundo o Jornal dos Sports, Pelé foi o grande nome da partida. Abaixo destacamos alguns dos principais nomes da partida:

Roberto Rivellino – Uma das figuras de destaque. Correu muito e criou várias boas jogadas de estilo. Deu um drible em Doval que arrancou aplausos da galera.  

Mané Garrincha – O nome da noite, quando recebeu a primeira bola, o estádio Mário Filho cheio vibrou. Era o dono da festa e só por isso já merecia a nora máxima. Mas para lembrar o demônio de duas Copas, deu um drible por baixo das pernas de Brunel, o último “João”.

Pelé – Foi o grande nome da noite. Marcou um golaço sensacional, quando passou por cinco adversários e tocou na saída desesperada de Andrada. Continua Rei.  

Os gringos do jogo

O combinado estrangeiro contava com Andrada (Vasco), Forlan e Pedro Rocha (São Paulo), Alex (América-RJ), Reyes e Doval (Flamengo) e Dreyer (Coritiba). O técnico foi Mário Travaglini.

O argentino convidado Brindisi, que jogava pelo Huracán e seleção argentina, abriu o placar. Pelé, com um golaço, em jogada individual, empatou ainda no primeiro tempo. Luís Pereira fez no segundo o gol da vitória da seleção.

Curiosidades sobre a grana que Garrincha recebeu nesse jogo  

Foram arrecadados mais de US$ 160 mil. Garrincha, então com 40 anos, comprou sete casas (para as filhas), outra na Tijuca, um carro Mercedes-Benz (usado) e uma casa de shows no bairro de Vila Isabel, onde sua companheira e cantora Elza Soares poderia se apresentar.

Infelizmente, Mané Garrincha, morreu pobre, uma década depois, aos 49 anos, em decorrência do alcoolismo. Apesar do final não sido da forma como os fãs do Gênio das Penas Tortas, a história desse craque merece ficar guardado nos corações dos brasileiros e do resto do mundo! Obrigado Mané, por tudo que fez pelo Brasil!

Vídeo do jogo: https://www.youtube.com/watch?v=_vX07RXj5dE

FOTOS: Jornal dos Sports – Acervo pessoal

FONTES: Jornal dos Sports (RJ)

Excursão de 1966: C.F. Os Belenenses, de Lisboa (Portugal), onde disputou o Torneio Quadrangular de Belo Horizonte (MG)

O Clube de Futebol Os Belenenses, de Lisboa (Portugal), Fundado no dia 23 de setembro de 1919, comandado pelo técnico brasileiro Jorge Vieira veio para uma série de sete jogos, no Brasil, sem três jogadores convocados para disputar a Copa do Mundo na Inglaterra, em 1966: o goleiro José Pereira, o lateral direito Rodrigues e o zagueiro Vicente.

No Campeonato Português de 1965/66, o Belenenses terminou na 7ª colocação ao lado do Varzim, ambos com 25 pontos. O campeão foi o Sporting Lisboa, com 42 pontos, enquanto o Benfica ficou com o vice, com 41.

O clube luso embarcou rumo ao Brasil para um total de sete jogos, passando por seis estados (Nordeste, Sudeste e Sul): pelo Recife/PE, São Paulo/SP, Belo Horizonte/MG, Rio de Janeiro/RJ, Porto Alegre/RS e Brasília/DF.  

Técnico Jorge Vieira

Clube português comandado por brasileiro desembarcou no Recife/PE  

A Delegação do Belenenses, desembargou no Aeroporto dos Guararapes, no Recife, na manhã da quinta-feira, o dia 12 de maio de 1966, chefiada pelo dirigente Manuel Trindade; os dirigentes Fernando Cordeiro e Ernani Pinheiro; o treinador brasileiro Jorge Vieira; o massagista, João Silva; e mais 19 jogadores:

Gomes e Serrano (goleiros), Sá Pinto, Alberto Luís (ex-Portuguesa de Desportos/SP), Quaresma e Caneira (zagueiros); Carlos Pedro (ex-defensor do America/RJ), Santana, Cardoso (médios); Adelino, Pedras, Valdir (ex-Vitória/BA e Fluminense), Estêves, Ramos, Alfredo, Pedroso, Simão (natural de Moçambique), Teodoro e Pereira (atacantes). O Benfica cedeu para essa excursão dois atletas: Santana, 30 anos, e Pedras, enquanto o Porto emprestou Valdir.

A delegação ficou hospedada no Hotel São Domingos, na Praça Maciel Pinheiro, no bairro de Boa Vista, no Recife/PE.

Uma curiosidade foi o ex-defensor do America do Rio, Carlos Pedro serviu de guia e ajudou os companheiros lusos a trocar de Escudos (moeda da época de Portugal) por Cruzeiros (moeda da época do Brasil), além de matar a saudade de nove meses do Guaraná e do cafezinho brasileiro.

Antes de desembarcar em Belo Horizonte/MG, o Belenenses realizou dois jogos em território brasileiro: no , derrota para o Santa Cruz, no Recife/PE (domingo, às 16 horas, do dia 15 de maio de 1966), por 2 a 1, no estádio José do Rêgo Maciel, o Arruda, no Recife/PE. Pelo jogo, o clube luso recebeu, livre de impostos, a cota de US$ 7 mil dólares (cerca de 15 mil cruzeiros).

EM PÉ (esquerda para a direita): Reginaldo, Nilton, Agra, Carlos, Norberto e Valter Serafim;
AGACHADOS (esquerda para a direita): Josenildo, Terto, Manuel, Erandir e Fernando José.

SANTA CRUZ F.C. (PE)   2        X        1        C.F. OS BELENENSES (POR)

LOCALEstádio José do Rêgo Maciel, o Arruda, no Recife/PE
CARÁTERAmistoso Internacional
DATADomingo, dia 15 de maio de 1966
HORÁRIO16 horas
RENDACr$ 8.496.000,00
PÚBLICO2.832 pagantes
ÁRBITROErilson Gouveia (FPF)
AUXILIARESAlécio Siqueira (FPF) e Louralber Monteiro (FPF)
SANTA CRUZVálter; Reginaldo, Nilton, Carlos e Norberto; e Agra e Terto; Uriel, Manuel, Erandir e Fernando José. Técnico: Alexandre Borges
BELENENSESGomes; Sá Pinto, Quaresma, Cardoso e Alberto Luiz; Adelino (Estêves) e Santana; Valdir, Carlos Pedro, Pedras e Ramos. Técnico: Jorge Vieira.
GOLSErandir (Santa Cruz) aos 15 minutos; Pedras (Belenenses) aos 35 minutos do 1º Tempo. Erandir (Santa Cruz) aos 12 minutos no 2º Tempo.

Uma semana depois, com uma temperatura mais amena, de aproximadamente 13º graus césios, o Belenenses voltou a campo. Dessa vez o adversário foi a Seleção Paulista (devido diversos jogadores estarem servindo a Seleção Brasileira, visando a Copa do Mundo de 1966, o selecionado paulista foi formado por reservas), em São Paulo/SP, no domingo, às 16 horas, do dia 22 de maio de 1966. No final, os paulistas venceram pelo placar de 3 a 1, no Estádio do Pacaembu.  Os preços dos ingressos: Cr$ 2 mil as gerais e Cr$ 3 mil as arquibancadas.

SELEÇÃO PAULISTA (BRA)     3        X        1        C.F. OS BELENENSES (POR)

LOCALEstádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, em São Paulo/SP
CARÁTERAmistoso Internacional
DATADomingo, dia 22 de maio de 1966
HORÁRIO16 horas
RENDACr$ 22.242.000,00
PÚBLICONão divulgado
ÁRBITROArmando Marques (o trio teve uma boa atuação)
AUXILIARESGerminal Alba e Wilson Antônio Medeiros
EXPULSÃORenato (Paulista) aos 27 minutos do 2º tempo, por um pontapé sem bola em Alberto Luiz (Belenenses)
SEL. PAULISTAFélix; Osvaldo Cunha (Renato), Mauro, Jurandir e Edilson; Swing e Ademir da Guia (Benê); Almir, Babá, Coutinho (Ivair) e Tupãzinho. Técnico: Aimoré Moreira.
BELENENSESGomes; Sá Pinto, Quaresma, Caneiras e Alberto Luiz; Cardoso e Santana; Adelino (Alfredo), Carlos Pedro, Pedras, Valdir. Técnico: Jorge Vieira.
GOLSTupãzinho (Paulistas), aos 16 minutos; Carlos Pedro (Belenenses), aos 45 minutos do 1º Tempo. Tupãzinho (Paulistas), de pênalti, aos 17 minutos; Renato (Paulistas), aos 25 minutos do 2º Tempo.

Balanço da primeira semana no Brasil

Após os dois jogos, o treinador brasileiro afirmou que a equipe portuguesa sentiu muito a diferença de clima (no Recife um clima quente e em São Paulo uma temperatura melhor), mas prometeu que o time iria melhorar para os próximos jogos. A delegação do Belenenses teve problemas para sair de São Paulo em direção a capital mineira, onde ficou hospedado no Brasil Palace Hotel.

O motivo foi a falta de aviões da capital paulista para Belo Horizonte. Por isso, a delegação precisou se deslocar para o Rio de Janeiro e depois seguir em direção a capital de Minas Gerais.

Torneio Quadrangular de BH de 1966   

O Torneio Quadrangular Internacional de BH, em 1966, reuniu o América Mineiro, Atlético Mineiro, Cruzeiro e o Belenenses de Portugal. Na realidade, a competição seria “Torneio Pentagonal”, pois os organizadores contavam com a presença dos clubes acima e mais do West Bromwich Albion Football Club, mas o time inglês acabou desistindo dias antes.

A razão pelo qual torneio não teve as três, mas sim duas rodadas, não foi explicado pelos organizadores. O que foi apurado, nos jornais da época foi que na segunda rodada, os organizadores calcularam um prejuízo de cerca de Cr$ 6 milhões, o que talvez tenha feito com que a competição fosse abreviada. 

Com isso, a rodada inaugural programada para começar na quarta-feira, acabou sendo transferida para o dia seguinte: quinta-feira, do dia 26 de maio de 1966.

Pela 1ª rodada, com arbitragem de Juan de La Pasión Artês, 35 anos (Federação Mineira de Futebol), às 19h30min., o Cruzeiro bateu o América pelo placar de 2 a 1.

Cruzeiro Esporte Clube
EM PÉ (esquerda para a direita): Pedro Paulo, Neco, Wilson Piazza, William, Procópio e Raul;
AGACHADOS (esquerda para a direita): Natal, Tostão, Davi, Dirceu Lopes e Hilton Oliveira.

CRUZEIRO E.C. (MG)      2        X        1        AMÉRICA F.C. (MG)

LOCALEstádio Magalhães Pinto, o Mineirão, em Belo Horizonte/MG. 
CARÁTERTorneio Quadrangular de Belo Horizonte de 1966
DATAQuinta-feira, do dia 26 de maio de 1966
HORÁRIO19 hora e 30 minutos
RENDACr$ 15.988.000,00
PÚBLICO8.610 pagantes
ÁRBITROJuan de La Pasión Artês (FMF)
CRUZEIROTonho; Pedro Paulo, Vavá, Cláudio Danni e Neco; Wilson Piazza (Zé Carlos) e Dirceu Lopes; Wilson Almeida (Celton), Evaldo, Marco Antônio e Hilton Oliveira. Técnico: Airton Moreira.
AMÉRICA-MGZé Ernesto; Luisinho (Hamilton), Haroldo (Zé Horta), Zé Luís e Murilo; Edson e Ney (Eduardo); Ernani, Samuel, Araken e Nilo. Técnico: Dorival Knipel, ‘Yustrich’.
GOLSMarco Antônio (Cruzeiro), aos 25 minutos, no 1º Tempo. Samuel (América Mineiro), aos 15 minutos; Marco Antônio (Cruzeiro), aos 37 minutos; no 2º Tempo.  

Na sequência, com arbitragem de Silvio Gonçalves David (Federação Mineira de Futebol), às 21h15min., o Atlético Mineiro venceu o Belenenses por 3 a 1, no Estádio Magalhães Pinto, o Mineirão, em Belo Horizonte/MG.

Atlético Mineiro
EM PÉ (esquerda para a direita): Canindé, Hélio, Grapete, Vander, Vanderlei e Warley Ornelas;
AGACHADOS (esquerda para a direita): Buião, Lacy, Paulo Santana, Edgard Maia e Tião.

ATLÉTICO MINEIRO (MG)         3        X        1        C.F. OS BELENENSES (POR)

LOCALEstádio Magalhães Pinto, o Mineirão, em Belo Horizonte/MG. 
CARÁTERTorneio Quadrangular de Belo Horizonte de 1966
DATAQuinta-feira, do dia 26 de maio de 1966
HORÁRIO21 hora e 30 minutos
RENDACr$ 15.988.000,00
PÚBLICO8.610 pagantes
ÁRBITROSilvio Gonçalves David (FMF)
EXPULSÕESTião (Atlético); Alberto Luiz e Alfredo (Belenenses)
ATLÉTICO-MGHélio (Luizinho); Canindé (Dawson), Vânder e Décio Teixeira; Ayrton e Bouglê (Paulista); Ronaldo, Santana, Roberto Mauro e Tião. Técnico: Gradim.
BELENENSESGomes; Sá Pinto (Estêves), Quaresma, Cardoso e Alberto Luiz; Caneira (Ramos) e Santana; Adelino (Alfredo), Carlos Pedro, Pedras e Valdir. Técnico: Jorge Vieira.
GOLSSantana (Atlético) aos 5 e 12 minutos; Tião (Atlético) aos 17 minutos; Adelino (Belenenses) aos 43 minutos do 1º Tempo.

Na 2ª rodada, no domingo, do dia 29 de maio de 1966, começou com a preliminar. Nele, o Atlético Mineiro não teve dificuldades para vencer o América Mineiro por 3 a 0, no Mineirão. Destaque para o atacante Roberto Mauro, autor de dois gols, e Ronaldo marcou o outro tento para o Galo.

ATLÉTICO MINEIRO (MG)         3        X        0        AMÉRICA F.C. (MG)

LOCALEstádio Magalhães Pinto, o Mineirão, em Belo Horizonte/MG. 
CARÁTERTorneio Quadrangular de Belo Horizonte de 1966
DATADomingo, do dia 29 de maio de 1966
RENDACr$ 20.801.000,00
PÚBLICO11.579 pagantes
ÁRBITROHamlet Pernisa (FMF)
ATLÉTICO-MGLuizinho; Warlei, Dari, Vânder (Grapete) e Décio Teixeira; Ayrton e Bouglê; Ronaldo (Viladoniga), Santana, Roberto Mauro e Tião. Técnico: Gradim.
AMÉRICA-MGMussula; Hamilton (Luisinho), Haroldo (Zé Horta), Zé Luís e Murilo; Edson e Ney (Eduardo); Ernani, Samuel, Araken (Mosquito) e Nilo. Técnico: Dorival Knipel, ‘Yustrich’.
GOLSRonaldo (Atlético), aos 44 minutos, no 1º Tempo. Roberto Mauro (Atlético), aos 26 e 33 minutos, no 2º Tempo.  

Na partida de fundo, o Cruzeiro goleou o Belenenses por 5 a 2 (na etapa inicial a Raposa venceu por 3 a 1. Logo aos 11 minutos Marco Antônio abriu o placar para a Raposa. Aos 35 minutos, Pedras arriscou um chute de fora da área. A bola bateu na trave, e, no rebote, o brasileiro Valdir deixou tudo igual para os portugueses.

Porém, aos 40 minutos, Evaldo recolocou o Cruzeiro em vantagem. Cinco minutos depois, após um cruzamento de Hilton Oliveira, Marco Antônio ampliou para a Raposa o placar na primeira etapa.

No segundo tempo, logo aos 9 minutos, Marco Antônio marcou o quarto gol cruzeirense. Aos 28 minutos, o brasileiro Carlos Pedro cobrou falta de fora da área, acertando um belo chute, diminuindo a desvantagem.  Mas, aos 41 minutos, Dirceu Lopes deu belo passe para Marco Antônio, que marcou o seu quarto gol, tocando para o fundo das redes, dando números finais a peleja.

CRUZEIRO E.C. (MG)      5        X        2        C.F. OS BELENENSES (POR)

LOCALEstádio Magalhães Pinto, o Mineirão, em Belo Horizonte/MG. 
CARÁTERTorneio Quadrangular de Belo Horizonte de 1966
DATADomingo, do dia 29 de maio de 1966
RENDACr$ 20.801.000,00
PÚBLICO11.579 pagantes
ÁRBITROJosé Alberto Teixeira (FMF)
AUXILIARESDoraci Jerônimo (FMF) e Jarbas de Castro (FMF)
CRUZEIROTonho (Raul); Pedro Paulo, Vavá, Cláudio Danni e Neco; Zé Carlos e Dirceu Lopes; Wilson Almeida (João José), Evaldo (Batista), Marco Antônio e Hilton Oliveira. Técnico: Airton Moreira.
BELENENSESGomes (Serrano); Estêves, Quaresma, Cardoso e Alberto Luiz; Carlos Pedro e Adelino (Côrrea); Teodoro, Pedras, Santana e Valdir. Técnico: Jorge Vieira.
GOLSMarco Antônio (Cruzeiro), aos 11 e 45 minutos; Valdir (Belenenses), aos 35 minutos; Evaldo (Cruzeiro), aos 40 minutos, no 1º Tempo. Marco Antônio (Cruzeiro), aos 9 e 41 minutos; Carlos Pedro (Belenenses), aos 28 minutos, no 2º Tempo.  

Cruzeiro foi o campeão do Torneio Quadrangular de BH 1966

Após duas rodadas, o Cruzeiro Esporte Clube se sagrou campeão do torneio. A questão que não ficou claro foi qual critério definiu o título para a Raposa. Afinal, Atlético Mineiro e Cruzeiro venceram seus dois jogos, somando quatro pontos, sendo que o Galo marcou seis gols, sofrendo um e um saldo de cinco; enquanto a Raposa marcou sete tentos, sofrendo três e um saldo de quatro.

Nos 14 periódicos pesquisados, nenhum mencionou a razão do Cruzeiro ter ficado com o título. Caso alguém possua a informação (sem achismo, por favor!), peço que nos informem!

Marco Antônio o goleador máximo do Torneio

O artilheiro do Torneio Quadrangular Internacional de BH, em 1966, foi o atacante Marco Antônio, do Cruzeiro, com incríveis seis gols em dois jogos, uma média exata de três tentos por partida. Abaixo os goleadores do torneio.  

6 gols – Marco Antônio (Cruzeiro);

2 gols – Santana e Roberto Mauro (Atlético)

1 gol – Samuel (América Mineiro); Tião e Ronaldo (Atlético); Adelino, Valdir e Carlos Pedro (Belenenses); Evaldo (Cruzeiro).

Em amistoso, Flamengo goleia o Belenenses

Depois enfrentou o Flamengo, às 21h30min., na quinta-feira, do dia 02 de junho. Acabou goleado pelo rubro-negro por 4 a 1, no Estádio Mario Filho, Maracanã, na cidade do Rio de Janeiro/RJ.

Os gols foram assinalados por Fio Maravilha (Flamengo), aos 27 minutos do primeiro tempo. Juarez aos 4 minutos e César Lemos aos 11 e 17 minutos, para o rubro-negro; enquanto o brasileiro Carlos Pedro, de pênalti, aos 40 minutos, fez o tento de honra do time luso, na etapa final.

C.R. Flamengo
EM PÉ (esquerda para a direita): Murilo, Itamar, Jayme Valente, Valdomiro, Carlinhos Violino e Paulo Henrique;
AGACHADOS (esquerda para a direita): Luiz Luz (massagista), Carlos Alberto, Nelsinho Rosa, Almir Pernambuquinho, Silva Batuta e Osvaldo ‘Ponte Aérea’.

C.R. FLAMENGO (RJ)     4        X        1        C.F. OS BELENENSES (POR)

LOCALEstádio Mário Filho, o Maracanã, na cidade do Rio de Janeiro/RJ
CARÁTERAmistoso Internacional
DATAQuinta-feira, do dia 02 de junho de 1966
HORÁRIO21 hora e 30 minutos
RENDACr$ 6.900.560,00
PÚBLICO7.600 pagantes
ÁRBITROGualter Portela Filho
AUXILIARESNivaldo Santos e Arnaldo César Coelho
EXPULSÃORenato (Paulista) aos 27 minutos do 2º tempo, por um pontapé sem bola em Alberto Luiz (Belenenses)
FLAMENGOFranz; Nelsinho (Mário Braga), Luís Carlos, Jayme Valente e Leon; Carlinhos Violino (Derci) e Juarez; Carlos Alberto, Fio Maravilha (Paulo Alves), César Lemos (Almir Pernambuquinho) e Osvaldo II. Técnico: Aimoré Moreira.
BELENENSESSerrano; Estêves (Carneiras), Quaresma, Cardoso e Alberto Luiz; Carlos Pedro e Santana; Teodoro (Alfredo), Pedras, Adelino e Valdir. Técnico: Jorge Vieira.
GOLSFio Maravilha (Flamengo), aos 27 minutos do 1º Tempo; Juarez (Flamengo), aos 4 minutos; César Lemos (Flamengo), aos 11 e 17 minutos; Carlos Pedro (Belenenses), de pênalti, aos 40 minutos do 2º Tempo.
Grêmio F.B.P.A.
EM PÉ (esquerda para a direita): Arlindo, Cléo, Ortunho, Altemir, Airton e Áureo;
AGACHADOS (esquerda para a direita): Vieira, Joãozinho, Alcindo, Sérgio Lopes e Volmir.

Sexto jogo e nova derrota: Grêmio 3 a 0, no Olímpico

O Belenenses voltou a campo para enfrentar o Grêmio, no domingo, do dia 5 de junho, às 16 horas, no Estádio Olímpico, em Porto Alegre/RS. O Tricolor Gaúcho bateu o clube luso pelo placar de 3 a 0. Gols foram marcados por Joãozinho, Paraguaio e Volmir.

GRÊMIO F.B.P.A. (RS)    3        X        0        C.F. OS BELENENSES (POR)

LOCALEstádio Olímpico, em Porto Alegre/RS
CARÁTERAmistoso Internacional
DATADomingo, dia 05 de junho de 1966
HORÁRIO16 horas
RENDANão divulgado
PÚBLICONão divulgado
ÁRBITROAlberto Silva (boa atuação)
GRÊMIOArlindo; Altemir, Airton, Áureo (Paulo Sousa) e Ortunho; Cléo (Paíca) e Sérgio Lopes; Jorginho, Adão (Joãozinho e depois Paraguaio), Volmir e Vieira. Técnico: Luís Engelke.
BELENENSESSerrano; Quaresma, Caneiras, Cardoso e Alberto Luiz; Carlos Pedro e Santana; Teodoro, Adelino (Alfredo), Pedras, Valdir. Técnico: Jorge Vieira.
GOLSJoãozinho (Grêmio), aos 24 minutos do 1º Tempo. Paraguaio (Grêmio) aos 37 minutos; Volmir (Grêmio) aos 39 minutos do 2º Tempo.

Enfim, a primeira vitória: 2 a 1, no Cruzeiro

No seu último jogo em território brasileiro, enfim, a primeira e única vitória. Na quarta-feira, do dia 08 de junho, às 19 horas, voltou a enfrentar o Cruzeiro/MG, no Estádio Nacional, em Brasília/DF.

O Belenenses venceu a Raposa pelo placar de 2 a 1. Os gols foram assinalados por Pedras e Valdir para os portugueses, enquanto Zé Carlos fez o tento de honra dos mineiros.

CRUZEIRO E.C. (MG)      1        X        2        C.F. OS BELENENSES (POR)

LOCALEstádio Nacional, o Pelezão, em Brasília/DF
CARÁTERAmistoso Internacional
DATAQuarta-feira, do dia 08 de junho de 1966
HORÁRIO19 horas
RENDANão divulgado
PÚBLICONão divulgado
ÁRBITROArnaldo César Coelho
AUXILIARESIdélcio Gomes de Almeida (FDB) e Rubens Pacheco (FDB – Federação Desportiva de Brasília)
EXPULSÃOAlberto Luiz (Belenenses)
CRUZEIROTonho; Pedro Paulo, Vavá, Cláudio Danni e Neco; Zé Carlos (Wilson Piazza) e Wilson Almeida (Natal); Marco Antônio, Evaldo, Dirceu Lopes e Hilton Oliveira. Técnico: Airton Moreira.
BELENENSESGomes (Serrano); Sá Pinto, Quaresma, Cardoso e Alberto Luiz; Carlos Pedro e Santana; Adelino (Alfredo), Pedras, Valdir e Côrrea. Técnico: Jorge Vieira.
GOLSZé Carlos (Cruzeiro), aos 19 minutos; Pedras (Belenenses), aos 36 minutos, no 1º Tempo. Valdir (Belenenses), 15 minutos, no 2º Tempo. 

Balanço de excursão do clube português

No final, a passagem do Clube de Futebol Os Belenenses, de Lisboa (POR) foi decepcionante. Foram sete jogos, com uma vitória e seis derrotas; oito gols pró, 21 tentos contra e um saldo negativo de 13.

O artilheiro do Clube de Futebol Os Belenenses, nos sete jogos, em território brasileiro foi o carioca Carlos Pedro (ex-America do Rio) com três gols. Depois outro brasileiro, Valdir (ex-Vitória/BA e Fluminense) e o português Pedras, com dois tentos. Por fim, Adelino com gol marcado.

Na manhã da quarta-feira, no dia 14 de junho de 1966, a Delegação do Belenenses retornou para Portugal. À uma hora da madrugada, pela Varig com escala em Caracas (Venezuela) e de lá até Lisboa pela KLM, chegando na capital portuguesa às 21 horas da quarta-feira, hora local.

Colaboraram: Carlos Eduardo Magalhães, Arthur Mendes e Rodrigo S. Oliveira

FOTOS: Revista do Esporte (RJ) – Arquivo Cobra Coral

FONTES: Almanaque do Cruzeiro Esporte Clube 1919-2013, de Henrique Ribeiro – A Tribuna (SP) – Correio da Manhã (RJ) – Correio Brasiliense (DF) – Cruzeiropedia.org – Diário da Manhã (PE) – Diário de Notícias (RJ) – Diário de Pernambuco (PE) – Diário da Tarde (PR) – Jornal do Commercio (RJ) – Jornal dos Sports (RJ) – O Jornal (RJ) – Tribuna da Imprensa (RJ)

Maior público, entre clubes, da história do futebol mundial! Fla-Flu, com 194.603 presentes, em 1963!

EM PÉ (esquerda para a direita): Luiz Luz (massagista), Murilo, Marcial, Ananias, Luiz Carlos, Carlinhos e Paulo Henrique;
AGACHADOS (esquerda para a direita): Espanhol, Nelsinho, Airton, Geraldo e Oswaldo.

A cidade estava inteiramente dominada pelo espetáculo que se desenrolou no Maracanã, que definiu o Flamengo como o campeão Estadual de 1963. Nessa partida, no domingo, às 17 horas, do dia 15 de dezembro de 1963, o Fla-Flu registrou o recorde do maior público, entre clubes, no futebol brasileiro e mundial: 194.603 presentes.

O goleiro Marcial saltava para defender, salvando o Flamengo, o juiz Cláudio Magalhães encerrou a partida. Luís Carlos (3) salta de alegria enquanto Murilo (2) corre para comemorar o título de 1963.

O Flamengo, que jogava pelo resultado igual, conquistou o título do Campeonato Carioca ao empatar com o Fluminense em 0 a 0, no Estádio do Maracanã. O Jornal dos Sports destacou o frenesi do pós-jogo pela torcida rubro-negra, que lotou e quebrou o recorde do então, maior estádio do mundo!

(…) a cidade inteira mergulhou em alegrias e comemorações, que se estenderam até a madrugada, em autêntica antecipação do Carnaval Carioca.

O Fla-Flu decisivo sob grande nervosismo, em prejuízo da técnica, mas não decepcionou os 200 mil torcedores que compareceram ao estádio, incluindo os sócios do Flamengo e os ingressos gratuitos.

O Fluminense começou melhor, pressionando bastante os 10 minutos iniciais, mas ao final do primeiro tempo havia igualdade nas ações. Na fase final, o panorama foi idêntico, mas o Fluminense dominava a meia-cancha e teve maiores oportunidades de gol, inclusive um chute de Escurinho na trave. Os times estiveram armados no 4-2-4, mas variavam muito para o 4-3-3, com o recuo dos extremas.

Além do título máximo do futebol, o Flamengo venceu cinco dos sete páreos de remo, pela manhã, na Lagoa Rodrigo de Freitas, encerrando a temporada com ‘chave de ouro’, pois o título já estava assegurado desde a regata anterior.

No final, a campanha do campeão Flamengo foi de um total de 39 pontos em 24 jogos; com 17 vitórias, cinco empates e duas derrotas; marcando 46 gols, sofrendo 17 e um saldo positivo de 29. Airton foi o artilheiro da equipe rubro-negra com 15 gols.    

O vice-campeão Fluminense fechou com 38 pontos em 24 jogos; com 16 vitórias, seis empates e duas derrotas; marcando 48 gols, sofrendo 10 e um saldo positivo de 38. Manuel foi o artilheiro do Tricolor das Laranjeiras com 17 gols.    

Com dois pontos de vantagem sobre o vice-campeão Botafogo, o time de do Fluminense sagrou-se bicampeão de Aspirantes, vencendo o Flamengo.    
EM PÉ (esquerda para a direita): Édson, Zé Luís, Valdez, Laurício, Íris e Nonô;
AGACHADOS (esquerda para a direita): Calazans, Nélio, Ubiraci, Tito e Gilson.

ADEG informa: Borderô do Jogo

Arquibancadas138.264
Gerais21.525
Gratuidade17.583
Cadeiras numeradas6.341
Concessionários600
Militares402
Cadeiras especiais290
Camarotes de curva110
Camarotes laterais49
TOTAL (Pagantes)177.020
TOTAL (presentes)194.603

Curiosidades:

Os preços dos ingressos foram vendidos pelo preço de Cr$ 350,00;

O departamento médico da ADEG (Administração dos Estádios do Estado da Guanabara), do Maracanã atendeu 48 pessoas. Entre os quais, alguns clínicos, outros curativos em escoriações, contusões e lesões esteo-articulares, e um outro que teve de ser removido para o Hospital Sousa Guiar, com fratura do crânio. Nenhum em estado grave;

Após o jogo, o lateral-esquerdo Paulo Henrique ao sair do Maracanã para ir a sua residência, foi carregado pelos torcedores rubro-negros. Foi necessária a intervenção da Polícia para que o jogador saísse inteiro. Ele revelou: “Puxaram o meu braço direito, exatamente o que me machuquei”;

Os jogadores do Flamengo receberam Cr$ 150 mil pelo empate, havendo ainda uma promessa de mais de Cr$ 1,5 a 2 milhões pelo título.  

Após os 90 minutos de angustia do Fla-Flu, a torcida invadiu furiosamente o campo e carregou nos ombros os heróis do ano. Espanhol, o novo ídolo da Gávea, foi o mais ovacionado. Andou de mãos em mãos, exibindo na face e alegria de um time que venceu o campeonato pela fé inquebrantável (incansável) inspirado por seu comandante Flávio Costa.    

C.R. FLAMENGO (RJ)      0          X         0          FLUMINENSE F.C. (RJ)

LOCALEstádio Mario Filho, o Maracanã
CARÁTERFinal do Campeonato Carioca de 1963
DATADomingo, do dia 15 de dezembro de 1963
HORÁRIO17 horas (de Brasília)
RENDACr$ 57.993.500,00 (cinquenta e sete milhões, novecentos e noventa e três mil e quinhentos cruzeiros)
PÚBLICO177.020 pagantes (194.603 presentes)
ÁRBITROCláudio Magalhães (FCF)
AUXILIARESGuálter Portela Filho (FCF) e Valdemar Meireles (FCF)
FLAMENGOMarcial; Murilo, Luís Carlos, Ananias e Paulo Henrique; Carlinhos e Nelsinho; Espanhol, Aírton, Geraldo e Osvaldo. Técnico: Flávio Costa.
FLUMINENSECastilho; Carlos Alberto Torres, Procópio, Dari e Altair; Oldair e Joaquinzinho; Edinho, Manuel, Evaldo e Escurinho. Técnico: Fleitas Solich.  
GOLNenhum
PRELIMINARFluminense 1 x 0 Flamengo (Aspirantes)
HORÁRIO15 horas (de Brasília)
ÁRBITROJorge Paes Leme (FCF)
AUXILIARESMário Vinhas (FCF) e Álvaro Siqueira (FCF)
FLAMENGOGustavo; Joubert, Paulo Lumumba, Ílton e Silas; Nélson e Carlos Alberto; Fio, Paulo Chôco, Foguete e Fraga.
FLUMINENSEÉdson; Laurício, Zé Luís, Valdez e Nonô; Iris e Tito; Calazans, Nélio, Ubiraci e Gilson.
GOLUbiraci aos 36 minutos (Fluminense), do 2º Tempo.
CURIOSDADEO Tricolor das Laranjeiras faturou o Bicampeonato Carioca de Aspirantes de 1962/63.

FOTOS: Jornal dos Sports (RJ) – Revista Manchete (RJ) O Globo/ Veja

FONTES: Diversos jornais cariocas