Amistoso Internacional de 1975: Palmeiras (SP) goleou o Yanmar Disel S.C., do Japão, no Pacaembu

Por Sérgio Mello

A Sociedade Esportiva Palmeiras confirmou o amistoso (valia a Taça Osaka), para enfrentar o Yanmar Diesel Soccer Club, da cidade de Cerezo, no Japão, na sexta-feira, do dia 14 de fevereiro de 1975. Ο time japonês contava com três brasileiros, que atuaram no futebol paulista: Nilson, que se naturalizou japonês, Sérgio e Júlio. Esse time era a base da Seleção do Japão que no ano seguinte disputou as Olimpíadas de Montreal, no Canadá, em 1976.

O Palmeiras não pode contar com vários titulares para a partida. Na oportunidade, o Palestra fez a troca das faixas: de um lado o campeão paulista de 1974, enquanto do outro campeão do Campeonato Japonês de 1974.

No Departamento Médico, o meia Dudu foi uma das ausências. Leivinha, cujo contrato terminava no dia 28 de fevereiro de 1975, achava que não seria problema para a renovação.

Sem poder contar com técnico Oswaldo Brandão que estava comandando a Seleção Brasileira, o time foi comandado pelo ex-goleiro e auxiliar-técnico Valdir de Moraes, enquanto o preparador físico Hélio Maffia fiou como auxiliar.    

O Yanmar Diesel Soccer Club chegou na segunda-feira, no dia 10 de fevereiro, onde ficou hospedado no Hotel Danúbio, localizado na Av. Brigadeiro Luís Antônio, 1099 – Bela Vista, São Paulo (SP). Dias depois se mudou para Lord Palace Hotel, situado em Santa Cecilia, no Centro de São Paulo (SP).

Palmeiras não toma conhecimento e goleia time japonês

Um atropelo! A Sociedade Esportiva Palmeiras confirmou o favoritismo e goleou por 6 a 1, o Yanmar Diesel Soccer Club, do, no Japão, no Estádio do Pacaembu. A ingenuidade do time nipônico contribuiu para atuação brilhante do Palestra. O ponta-esquerda Nei, Ademir da Guia e Leivinha, deram uma ‘aula de futebol‘.

A goleada começou cedo, logo aos 8 minutos, Leivinha driblou dois zagueiros, deu um “lençol” em Matsumoto e chutou sem chances para o goleiro Kayto, a grande “vítima da noite”. Três minutos depois, foi a vez de Ademir da Guia confirmar seu bom futebol: fez 2 a 0, de cabeça.

O mesmo Leivinha – um dos melhores em campo – fez o terceiro gol do seu time: aos 25 minutos, recebeu um bom passe de Nei e completou com categoria.

Assim terminou o primeiro tempo com o placar de 3 a 0 para o Palmeiras e o público que compareceu ao Pacaembu, já começava a se divertir às custas do futebol amador e de pouca categoria do Yanmar.

Mas, logo no início do segundo tempo, os japoneses fizeram seu gol de honra: aos 23 minutos, numa cobrança de falta cometida por Alfredo, o atacante Yamura aproveitou o rebote e completou, demonstrando que, pelo menos, sabe ser muito oportunista.

Só que, pouco tempo depois, aos 27 minutos, Zé Mário aumentou a contagem: num belo lance, completou fazendo os 4 a 1. Aos 35 minutos, o quinto gol foi de pênalti, do zagueiro Matsmura em Nei: Ronaldo cobrou com categoria, no canto direito de Kayto.

Aos 38 minutos, o mesmo Ronaldo fez o seu 2º gol: entrou na área na corrida, esperou o cruzamento e completou de cabeça, levando a torcida palmeirenses ao delírio e dando números finais a peleja.

os craques: Kunishige Kamamoto (Yanmar Diesel SC) e Ademir da Guia (SE Palmeiras)

S.E. PALMEIRAS (SP)     6        X        1        YANMAR DIESEL S.C. (JAP)

LOCALEstádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, em São Paulo/SP
CARÁTERAmistoso Internacional (Taça Osaka)
DATASexta-feira, do dia 14 de fevereiro de 1975
HORÁRIO21 horas (de Brasília)
RENDACr$ 238.416,00
PÚBLICO16.665 pagantes
ÁRBITROOrêncio Caputo (F.P.F.)
S.E. PALMEIRASEmerson Leão (Tonho); Eurico, Luís Pereira (João Carlos), Alfredo e Zeca; Jair Gonçalves e Ademir da Guia (Zé Mário); Edu (De Rosis), Leivinha (Fedato), Ronaldo e Nei. Técnico: Valdir de Moraes.
YANMAR DIESEL S.CNishikita Kayto; Sakano, Hamato, Matsmura e Nizuguchi; Kabayashi (Imamura) e Abe; Uenishi, Yoshimura, Kamamoto e Horiji. Técnico: Kenji Onitake
GOLSLeivinha aos 8 e 25 minutos (Palmeiras); Ademir da Guia aos 11 minutos (Palmeiras), no 1º Tempo. Yamura aos 23 minutos (Yanmar); Zé Mário aos 27 minutos (Palmeiras); Ronaldo, de pênalti, aos 35 e 38 minutos (Palmeiras);
P.S.: F.P.F. – Federação Paulista de Futebol
Escudo e uniforme utilizados a partir de 1981

Quem era o Yanmar Diesel?

O Yanmar Diesel Soccer Club foi uma agremiação da cidade de Cerezo, no Japão. Fundado em 1957, por 14 funcionários da Yanmar Co., Ltd. A sua Sede ficava na cidade de Osaka, na região de Kansai de Honshu (JAP).

O Yanmar Diesel Soccer Club foi a 1ª organização no Japão a estabelecer um programa esportivo corporativo totalmente integrado.

Os jogadores (funcionários da empresa) podiam trabalhar pela manhã e treinar à tarde e recebiam hora-extra quando compareciam nos jogos aos sábados e domingos.

 A Yanmar Diesel foi o 1° time a escalar jogadores estrangeiros e foi o primeiro a fortalecer a sua escalação formando duas equipes. A segunda equipe estreou com o nome de “Yanmar Club” e foi a precursora da atual equipe da J League Gamba Osaka.

Na década de 70, foi uma época de ouro, com os atacantes Kunishige Kamamoto e Nelson Yoshimura levando o time a quatro títulos da liga e três na Copa do Imperador.

Em 1970, o Yanmar Diesel enfrentou o Flamengo

Pelo Torneio Internacional, realizado em Kyoto (JAP),o Yanmar Diesel enfrentou o Clube de Regatas Flamengo. Na quinta-feira, do dia 12 de março de 1970, o Rubro-negro venceu por 2 a 1, com cerca de 6 mil torcedores, presentes no Stadium Nisikik Vogoku.

Guilherme abriu o placar aos 7 minutos, mas Kamamoto deixou tudo igual aos 11 minutos. Porém, Waldemir Germano, de cabeça, recolocou o Flamengo na frente do placar, aos 27 minutos. Essa foi a primeira vitória no torneio do Rubro-negro, uma vez que na estreia ficou no empate em 3 a 3, com a Seleção Japonesa B.

Kunishige Kamamoto foi um jogador-chave tanto para o clube quanto para o país. Foi o artilheiro da liga seis vezes e marcou 7 gols nas Olimpíadas do México em 1968. Kamamoto continua sendo o maior goleador de todos os tempos da seleção japonesa, com um recorde de 75 gols em 76 partidas.

Com a fundação da J.League, em 1993, a diretoria optou em mudar o nome da agremiação para Osaka Soccer Club (atual: Cerezo Osaka), em 1994. Abaixo, os títulos conquistados pela Yanmar Diesel:

COMPETIÇÕESTÍTULOSANOS
Campeão do Campeonato Japonês041971, 1974, 1975 e 1980
Vice-campeão do Campeonato Japonês041968, 1972, 1978 e 1982
Campeão da Copa do Imperador031968, 1970, 1974

ARTE: desenho dos escudos e uniformes – Sérgio Mello

FOTOS: Cidade de Santos (SP) – Acervo de Natan Silveira

FONTES: A Tribuna (SP) – Cidade de Santos (SP) – Jornal Correio Braziliense (DF) – Jornal dos Sports (RJ)

Sociedade Esportiva Ourofinense – Ouro Fino (MG): enfrentou o Corinthians e a Ponte Preta, na década de 50.

Por Sérgio Mello

A Sociedade Esportiva Ourofinense, ou simplesmente Esportiva, foi uma agremiação da cidade de Ouro Fino, que fica na região montanhosa, sendo cortada por vales – com altitudes variando entre 997 e 1.591 metros – do estado de Minas Gerais. A localidade, que fica a 459 km de distância da capital mineira (Belo Horizonte), conta com uma população de 33.639 habitantes, segundo o Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2019.

Foi Fundada na terça-feira, do dia 15 de Abril de 1952. A sua Sede Social ficava na Rua Marginal da Ferrovia, nº 163, no Centro de Ouro Fino/MG.

Em 1956, já filiada à Federação Mineira de Futebol (FMF), era conhecida todo o Sul de Minas quanto no futebol paulista, pois realizavam diversos amistosos contra fortes equipes de São Paulo. A diretoria era constituída naquele ano com os seguintes membros:

Presidente de honra: Dr. Krizanto Muniz;

Presidente: Liduardo José de Mello;

1º Vice-Presidente: Ramez Kahabaz;

2º Vice-Presidente: Amauri Almeida;

Secretário Geral: Olympio de Mattos;

Diretor Esportivo: José Vicentini;

Diretor Social: Acacio Paulini.

O Elenco da Esportiva de 1956:

Goleiros – Dino, Mauro e Veludinho;

Zagueiros – Hamilton, Venancio, Jurandir, Maximino e Zé Olynto;

Médios – Amauri, Ico, Natana, Chico, Zaga, Tody, Chiquinho e Waltinho;

Atacantes – Nelsinho, Bonini, Clayton, Itiberê, Robertinho, Mauricio, Zé Carlos, Claudino, Telé, Aurelio, Capitão e Burza.

Alguns jogos realizados em 1956

No domingo, do dia 07 de Outubro de 1956, a ‘Esportiva’ goleou o Vasco de Itajubá, por 5 a 1, no Estádio Municipal Capitão Armando, em Ouro Fino. Os gols foram assinalados por Clayton, duas vezes, e Robertinho, com três tentos; enquanto Ginha fez o de honra do Vasco.

O árbitro foi sr. Roberto Barros, que teve uma atuação de regular para fraco. A ‘Esportiva’ jogou assim: Mauro; Ico e Venancio; Amauri, Tody e Natana; Nelsinho, Bonini, Clayton, Robertinho e Itiberê.

Na sexta-feira, do dia 07 de Setembro de 1956, aproveitando o feriado (Dia da Independência do Brasil), a Esportiva enfrentou a Associação Atlética Ponte Preta, de Campinas, no Estádio Municipal Capitão Armando, em Ouro Fino. No final, a Macaca venceu pelo placar de 4 a 2.

Outros jogos

    RESULTADOSLOCAL
S.E. Ourofinense2X1E.C. São Bernardo do Campo (SP)Poços de Caldas/MG
S.E. Ourofinense2X1A.A. Caldense (MG)Ouro Fino/MG
S.E. Ourofinense3X2A.A. Caldense (MG)Ouro Fino/MG
S.E. Ourofinense2X1Seleção Pinhalense *Ouro Fino/MG
Rio Branco de Andradas (MG)1X1S.E. OurofinenseAndradas/MG
S.E. Ourofinense2X4A.A. Ponte Preta (SP)Ouro Fino/MG
Veteranos Paulistas2X2S.E. OurofinenseSão Paulo/SP
S.E. Ourofinense8X2Seleção Pouso-alegrenseOuro Fino/MG
Seleção de Limeira1X1S.E. OurofinenseLimeira/SP
S.E. Itapirense (SP)1X3S.E. OurofinenseItapira/SP
S.E. Ourofinense8X2Smart F.C. de Itajubá (MG)Ouro Fino/MG
S.E. Ourofinense3X2Uracan F.C.Ouro Fino/MG
* Referente a cidade de Espirito Santo do Pinhal (SP)

Clube revelou grandes craques

Em 1957, vários jogadores que se destacaram se transferiram para grandes clubes como foi o caso de Jurandir que foi para a Portuguesa de Desportos (SP); Itiberê, Dino, Natanael e Nelsinho que foram para o Atlético Mineiro.

Esportiva enfrentou o Tupy de Juiz de Fora

Dentre os jogos disputados em 1957, pela Esportiva, a partida diante do Tupy de Juiz de Fora (MG), no mês de julho, que jogou pela 1ª no Sul de Minas. A peleja terminou com a vitória do Tupy pelo placar de 2 a 1. Os gols de Ipojucan e Celso para o Tupy.

O resultado não espelhou na realidade, pois a Esportiva merecia pelo menos um empate, já que conseguiu em grande parte da peleja dominar seu adversário, só não conseguindo um triunfo por absoluta falta de sorte, o que não faltou ao Tupy, que no “apagar das luzes” do segundo tempo, conseguiu o gol da vitória.

Ourofinense goleou o Juventus da Mooca

Porém, o resultado não chegou a abalar o prestigio da Esportiva, que seguiu treinando para enfrentar o Clube Atlético Juventus (SP). O “Moleque Travesso“, que jogaria pela primeira vez em Ouro Fino, possuíam grandes jogadores como: Cavani, Mendonça, Osvaldinho, Bonfiglio, Manduco e o popular ponta-esquerda da seleção brasileira, Rodrigues.

No domingo, do dia 25 de agosto de 1957, a Sociedade Esportiva Ourofinense goleou o Juventus da Mooca pelo placar de 4 a 1, no Estádio Municipal Capitão Armando, em Ouro Fino.

Os gols foram consignados por Robertinho, duas vezes; Itiberê e Benedito para a Esportiva; enquanto Osvaldinho marcou o único gol dos paulistas. O Juventus não apresentou sua força máxima, ou seja, o “onze” que derrotou o Palmeiras, mas ainda assim colocou em campo profissionais de reconhecida capacidade.

O árbitro foi Geraldo Pinto Ribeiro. A Renda somou Cr$ 40.000,00.  

S.E. OUROFINENSE: Dilo; Amilton e Jurandir; Amauri, José Americo e Laercio; Aroldinho (Cladon), Itiberê. Robertinho, Dales e Benedito.

C.A. JUVENTUS: Claudiney; Pando (Cabral) e Sinval; Messias, Моreto e Nilo; Aroldo (Antoninho), Aureo, Osvaldinho, Zeolinha (Manduco) e Girio.

Esportiva foi goleado pelo Corinthians

No sábado, às 15h30min., do dia 07 de Setembro de 1957, a Sociedade Esportiva Ourofinense encarou o poderoso Sport Club Corinthians Paulista, no Estádio Municipal Capitão Armando, em Ouro Fino.

Apesar de jogar com uma equipe mista, o Timão goleou a Esportiva por 5 a 2 (2 x 0, no 1º tempo), diante de um grande público, que resultou numa Renda de 60 mil cruzeiros. O árbitro foi o Sr. Francisco Moreno.  

No primeiro tempo, o Corinthians abriu o escore por intermédio de Zague aos 8 minutos, aumentando Fernandes aos 16 minutos. Na etapa final, Joãozinho aumentou aos 5 minutos. A Esportiva diminuiu com Osvaldo, aos 25 minutos.

No entanto, Fernandes fez o quarto gol aos 30 minutos. Um minuto depois, Rubens fez o segundo gol para Esportiva. Porém, aos 35 minutos, Zague deu números finais a peleja.

CORINTHIANS: Jura (Milesi); Cássio e Eni; Ede, Sérgio e Benedito (Décio); Miranda (Boavista), Joãozinho (Marini), Zague, Fernandes e Benny.

S.E. OUROFINENSE: Mingo (Paulo); Pepino e Jacó; Toddy, Gaspar e Rafa (Zizito); Nelson, Cristo, Rubens, Osvaldo e Julieto.

Ourofinense venceu a Ponte Preta de Campinas

Na década de 60, a Sociedade Esportiva Ourofinense, se filiou a Liga Esportiva Ourofinense (LEO), onde conquistou o título do Super Campeã de 1961. Os amistosos também continuaram, como em 1960, a grande vitória em cima da Associação Atlética Ponte Preta, de Campinas, pelo placar de 5 a 4, no Estádio Municipal Capitão Armando, em Ouro Fino. Os gols foram de Zé Marcos, três vezes, e Tite, dois tentos.

Na década de 70, seguiu disputando as competições organizadas pela Liga Esportiva Ourofinense (LEO). Na década de 80, a Esportiva disputou o Campeonato das Estancias de 1982, sem destaque.

ARTE: escudo e uniforme – Sérgio Mello

Colaborou: Fabiano Rosa Campos

FOTOS: Acervo fotográfico de Nilzio Eneido Rasteli, Tite e Nilton Rasteli.

FONTES: A Gazeta Esportiva (SP) – O Correio de Itajubá (MG) – Folha Mineira (MG) – A Notícia (MG) – A Notícia de Ouro Fino (MG)

Foto rara de 1956: ASAS Esporte Clube – Campo Grande (MS)

Por Sérgio Mello

O ASAS Esporte Clube foi uma agremiação da cidade de Campo Grande (MS). Fundado em 1955, a sua Sede ficava na Avenida Duque de Caxias, nº 2.905, no Bairro de Amambaí, em Campo Grande. A 1ª Diretoria foi composta da seguinte maneira:

Presidente de Honra – Cel. Ari Saião Caldeira;

Presidente – Luiz Gonzaga Del Nero;

Vice-presidente – João Batista de Campos;

Tesoureiro – Alan Chaves Rachel;

Secretário – Mair Vieira;

Técnico – Maurício Peludo.

HISTÓRIA

Na década de 40 as unidades militares implantadas no sul de Mato Grosso, em diversas cidades, disputam entre si, torneios alusivos as datas cívicas e comemorativas da pátria. Essas festas esportivas (em várias modalidades) representam um verdadeiro congraçamento das instituições militares da região, especialmente da cidade de Campo Grande/MS.

No início da década de 50 as disputas militares nas unidades cresceram  e numa viagem da equipe da Base Aérea de Campo Grande, para mais uma jornada esportiva, na cidade de Jardim, aflorou no meio da rapaziada que compunha a equipe,  a feliz teria um quadro para representá-lo nos campeonatos de futebol da cidade.

Decorria o ano de 1955, quando o comandante da Base Aérea de Campo Grande, Coronel Ari Saião Caldeira recebeu em seu gabinete uma comissão composta dos atletas da instituição:

cabo Alan Chaves Rachel, tenente Luiz Gonzaga Del Nero, sargento Elizeu Ferreira Anunciação, sargento José de Castro Barros, sargento Mair Vieira Almeida, sargento Maurício Peludo e o civil Nilton Castro que, não somente apoiou a luminosa ideia, como determinou providências para a formação do quadro de futebol.

Assim surgiu o ASAS Esporte Clube, nome que homenageia o símbolo maior da Aeronáutica brasileira, o avião.

Campeão Invicto do Campeonato Varzeano de 1956

O ASAS Esporte Clube, formado pelos militares do Destacamento da Base Área de Campo Grande, sagrou-se campeão invicto de 1956 do certame varzeano daquela cidade de Mato Grosso.

Na foto (acima), times dos Primeiros e Segundos Quadros do ASAS e mais os dirigentes que vemos juntamente com as suas vitoriosas equipes: o tenente Del Nero, presidente; sargento Bizzi, diretor técnico; sargento Bulhões; diretor social e sargento Mauricio Peludo, treinador.

O quadro principal do ASAS totalizou 32 vitorias e três empates e o secundário somou 33 vitorias e dois empates, realizando, portanto, excepcional campanha no ano que findou.

ASAS Esporte Clube – Campeão Invicto de 1963
EM PÉ (esquerda para a direita): Galvão, Miralha, Pedro César, Atanásio, Tachinha e Jacaré;
AGACHADOS (esquerda para a direita): Alan, Pafúncio, Miguel, Cuiabano e Décio.

Campeão Citadino de 1963

O ASAS Esporte Clube foi dono de campanhas memoráveis, todavia, nenhuma foi comparada a de 1963 quando levantou o título de campeão do Campeonato Citadino de Campo Grande/MS, organizado pela LEMC (Liga Esportiva Municipal Campo-grandense), invicto, transformando-se num time imbatível naqueles idos.

Outros títulos vieram somente com a chegada do profissionalismo no Estado, em 1972. O ASAS Esporte clube deixou de existir, porém enquanto durou, honrou de sobremaneira, o símbolo, os emblemas e as cores da Base Aérea de Campo Grande.

 

Foto do ASAS Esporte Clube do ano de 1959 (Abaixo os nomes): 
EM PÉ (esquerda para a direita): Caldeiras, Dequinha, Espíndola, Alan, Galvão, Vicente, Genilton, Pintinha e Edisel;
AGACHADOS (esquerda para a direita): Castro (técnico), Arantes, Gabriel, Moura, Cucharinha e Jacaré.
 

As Cores do escudo e Uniformes

As cores do ASAS Esporte Clube eram camiseta laranjada, golas brancas, calções brancos e meias brancas até 1958, porém com a mudança das cores da aeronáutica brasileira, o quadro da Base Aérea ganhou uma padronagem azul na jaqueta, escudo branco no formato de duas asas, calções brancos e meias brancas.

O ASAS sempre vencendo, ganhou fama e logo foi convidado para ingressar no bloco de elite dos clubes de futebol da cidade, isto é, disputar o famoso campeonato da LEMC (Liga Esportiva Municipal Campo-grandense).

 FONTES E FOTOS: Livro ‘A História do Futebol Campo-grandense’, de autoria Reinaldo Alves de Araújo – A Gazeta Esportiva (SP)

Foto rara de 1964: Associação Desportiva Jacutinguense – Jacutinga (MG)

Na quarta-feira, do dia 16 de setembro de 1964, o município de Jacutinga (MG) comemorava o aniversário de 63 anos de emancipação. Nessa data, a modesta Associação Desportiva Jacutinguense enfrentou e derrotou o time misto da Sociedade Esportiva Palmeiras (SP).

EM PÉ (esquerda para a direita): Dauro (técnico), Armando (massagista), Ulisses, Tiãozinho, Tatau, Vilela, Donato, Lucatelli e Fausto (auxiliar técnico);
AGACHADOS (esquerda para a direita): Maurilio, Aleluia, Nio, Helinho e Ronaldo.

ARTE: Desenho do escudo e uniforme – Sérgio Mello

 Colaborou: Fabiano Rosa Campos

FOTO: Acervo de Claudio Aldecir Oliveira

FONTES: jornais paulistas

Torneio Intermunicipal Cidade de Pouso Alegre, em 1963: Rodoviário foi o Campeão!

Grêmio Campeão do Primeiro Turno

Por Sérgio Mello

PRIMEIRO TURNO

Encerrou-se no domingo, do dia 15 de setembro de 1963, o 1º turno do Torneio Intermunicipal Cidade de Pouso Alegre, e o Grêmio Jacutinga se sagrou campeão. A competição contou com oito equipes:

Grêmio Jacutinga (Jacutinga);

Rodoviário (Pouso Alegre);

ADJ – Associação Desportiva Jacutinguense (Jacutinga);

Sete de Setembro Esporte Clube (Ouro Fino);

Facit Futebol Clube (Rua Herculano Cobra, nº 164, em Pouso Alegre);

Clube Atlético Flamengo (Pouso Alegre);

Fluminense (Ouro Fino);

Independente (Pouso Alegre);

7ª Rodada

RESULTADOSGOLSÁRBITRORENDA
Rodoviário 3 x 1 Flamengo  Edmundo (2) e Tista (Rodoviário); Francisco (Flamengo).Geraldo GuedesCr$ 27.450,00
Grêmio 3 x 2 FacitAleluia, Joaquinzinho e Chuveiro, contra (Grêmio); Fernando e Masseli (Facit).Valentim PereiraCr$ 41.500,00
Sete de Setembro 12 x 1 IndependenteAyrton (5) Layrton (2), Bira, Otávio, Jurandir, Vitor e Bolinha (Sete); Dote (Independente)Herminio GerbiottCr$ 19.555,00

Classificação do 1º Turno

CLUBESPGJVEDGPGCSG
Grêmio Jacutinga11751123149
AD Jacutinguense10752251015
Rodoviário97412211110
Flamengo87430915-6
FACIT FC7731308080
Sete de Setembro6722320128
Fluminense47250816-8
Independente17160735-28
Sete de Setembro ficou na 4ª colocação no geral

Estatística do Primeiro Turno

TOTAL DE JOGOS:28
TOTAL DE GOLS:121
MAIOR RENDA:Rodoviário x Sete de Setembro (4 de agosto) – CR$ 90.750,00.
MENOR RENDA:Flamengo x independente (8 de setembro) – CR$ 7.250,00.
TOTAL DE RENDA:CR$ 1.074.385,00.
MELHORES ATAQUES:ADJ 25, Grêmio 23 e Rodoviário 21
PIORES ATAQUES:Independente 7, Facit 8 e Flamengo 9.
DEFESA MENOS VAZADAS:Facit 8, Rodoviário 11 e Sete de Setembro 12.
DEFESAS MAIS VAZADAS:Independente 35, Fluminense 16 e Flamengo 15.
GOLEIROS MENOS VAZADOS:Ferreira do Facit (4 jogos) 4 gols e Chuveiro Facit (3 jogos) 4 gols.
GOLEIROS MAIS VAZADOS:Helinho (Fluminense) 16 e Quadrado (Grêmio) 14.
PÊNALTES MARCADOS:11 (Oito convertidos e três desperdiçados).
EXPULSÕES:Três jogadores: Paturi Conrado e Ulacha (Independente) e Geraldo (Facit).
GOLS CONTRA:Sete vezes: Américo (2) e Emidio (Grêmio); Roberto (Flamengo); Nelsinho (Fluminense); Március (Rodoviário); Chuveiro (Facit).

ARTILHARIA

12 gols – Santana (ADJ);

11 gols – Aleluia (Grêmio);

7 gols – Edmundo (Rodoviário) e Ayrton (Sete de Setembro);

6 gols – Tista (Rodoviário); Masséli (Facit) e Kleber (Flamengo);

4 gols – Airton (Rodoviário); Joaquinzinho, Julião e Xepa (Grêmio);

3 gols – Pádua (ADJ) e Layrton (Sete de Setembro);

2 gols – Adilson (Rodoviário); Canhotinho (Facit); Régis (ADJ); Tista e Tite (Fluminense); Wilsinho, Escurinho e Bolinha (Sete de Setembro) e Gentil (Independente);

1 gol – Dentinho, Carlos Honório, Courinho e Dote (Independente); Antoninho, Lambari, Helinho e Tatáo (ADJ); Ronaldo e Neto (Grêmio); Batata, Custódio e Francisco (Flamengo); Siécola e Deise (Rodoviário); Belini, Maciel, Paraguassú Wilson (Fluminense); Bira, Otávio, Jurandir e Vitor (Sete de Setembro) e Fernando (Facit).

ÁRBITROS QUE MAIS ATUARAM

5 Vezes – Nivaldo de Barros e Geraldo Guedes;

4 Vezes – Valentim Pereira;

3 Vezes – Carlos Roberto Rodrigues Viotti;

2 Vezes – Raimundo Alves da Silva e Hermínio Gerbiott;

1 Vez – Caetano Charlante, Dante Charlante, Alexandre Crocetti, José Fausto Ricêto, Alcides José Peroni, Benedito Gerbiott e Clemente Scodeler.

Observações: Fluminense e Independente, respectivamente, 7º e 8º colocados, não disputaram o returno, uma vez que de acordo com o regulamento do Torneio intermunicipal Cidade de Pouso Alegre o penúltimo e último colocados seriam eliminados da sequência do certame.

SEGUNDO TURNO

O returno do Torneio intermunicipal Cidade de Pouso Alegre, foi realizado no domingo, do dia 6 de outubro de 1963. O Clube Atlético Flamengo acabou derrotado pela Associação Desportiva Jacutinguense (Jacutinga), pelo placar de 2 a 1, no Estádio Municipal da LEMA (Liga Esportiva Municipal de Amadores), em Pouso Alegre/MG.

Estatística do Torneio intermunicipal Cidade de Pouso Alegre

TOTAL DE JOGOS:42 (Jogados 40 e não realizados dois).
TOTAL DE GOLS:161.
MAIOR RENDA:Sete de Setembro x Rodoviário (4 de agosto) – Cr$ 97.750,00.
MENOR RENDA:Flamengo X Independente (8 de setembro) – Cr$ 7.260,00.
TOTAL DE RENDA:Cr$ 1.584.990,00.  
MELHORES ATAQUES:AD Jacutinguense, 35; Rodoviária, 34; Grêmio Jacutinga, 29; Sete de Setembro, 28.
PIORES ATAQUES:Fluminense, 08 e independente, 07.
DEFESA MENOS VAZADAS:AD Jacutinguense e Sete de Setembro, ambos com 7 gols sofridos.
DEFESAS MAIS VAZADAS:Independente com 35 gols sofridos.
GOLEIROS VAZADOS:Rubão 8 e Sidney 3 vezes (ADJ); Paulo Afonso 13 vezes e Tite uma vez (Sete de Setembro); Helindo 16 vezes (Fluminense); Quadrado 19 Vezes (Grêmio); Zé Lucio 12, Morais 6 e Clóvis 3 vezes (Rodoviário); Ferreira 19 e Chuveiro 4 vezes (Facit); Roberto 25 e Boschinho 6 vezes (Flamengo); Bertelli 23 vezes, Mário Ito e Bulacha 6 vezes cada (Independente).
PÊNALTES MARCADOS:16. Cobrados 15 e um não cobrado (Convertidos nove e desperdiçados seis).  
EXPULSÕES:Geraldo (Facit), duas vezes, contra o Independente (6 de agosto) e diante do Grêmio (20 de outubro); Paturi e Conrado (Independente) no jogo contra o Grêmio (30 de junho); Bulacha (Independente) diante do Facit (6 de agosto); Batata (Flamengo) diante da ADJ (6 de outubro de 1963).
GOLS CONTRA:Nove – Emídio do Grêmio para o Flamengo (4 de agosto); Roberto do Flamengo para o ADJ (11 de agosto); Nelsinho do Fluminense para o Independente (25 de agosto); Américo do Grêmio, 2 tentos contra o ADJ (25 de agosto); Március do Rodoviário para o ADJ (8 de setembro); Chuveiro do Facit para o Grêmio (15 de setembro); Zezão do Facit a favor do Rodoviário (10 de novembro); Grapette do Rodoviário para o Grêmio (17 de novembro).

ARTILHARIA

18 gols – Santana (ADJ);

14 gols – Aleluia (Grêmio);

12 gols – Edmundo (Rodoviário); Airton (Sete de Setembro);

9 gols – Tista (Rodoviário);

5 gols – Airton I (Rodoviário); Joaquinzinho (Grêmio); Saméia (Facit); Kleber (Flamengo);

4 gols – Pádua (ADJ); Lairton (Sete de Setembro); Vasco (Facit);

3 gols – Julião e Xêpa (Grêmio); Vilsinho (Sete de Setembro); Batata (Flamengo);

2 gols – Régis, Adíber e Helinho (ADJ); Adilson e Airton II (Rodoviário); Escurinho, Bolinha e Otávio (Sete de Setembro); Canhotinho e Fernando (Facit); Duarte (Flamengo); Tista e Tite (Fluminense); Gentil (Independente);

1 gol – Tatáo, Antoninho e Lambari (ADJ); Siécula, Dayse e Marcinho (Rodoviário); Ronaldo e Neto (Grêmio); Vitor, Jurandir e Bira (Sete de Setembro); Zé Maria e Juvenal (Facit); Luiz Carlos, Julinho, Chichico e Custódio (Flamengo); Beline, Wilson, Paraguaçú e Maciel (Fluminense); Dentinho, Carlos Honório, Courinho e Dote (Independente);

 ÁRBITROS QUE MAIS ATUARAM (40 jogos)

6 Vezes – Nivaldo de Barros e Valentim Pereira;

5 Vezes – Geraldo Guedes;

4 Vezes – Carlos Roberto Rodrigues Viotti;

3 Vezes – Hermínio Gerbiet;

2 Vezes – Raimundo Alves da Silva José Fausto Ricêto e Virgílio Izsac Facury;

1 Vez – Caetano Charlante, Dante Charlante, Alexandre Grocetti, Alcides José Peroni, Benedito Gerbiot, Clemente Scodeler, Hilson Gonçalves, Lucrécio Gonçalves, Ivan Barroso e José Tudisca.

Os Jogos do Segundo Turno

Domingo: 06 de outubroFlamengo1X2Jacutinguense
Domingo: 06 de outubroSete de Setembro1X0Facit FC
Domingo: 13 de outubroRodoviário2X1Sete de Setembro
Domingo: 20 de outubroGrêmio Jacutinga1X0Facit FC
Domingo: 20 de outubroSete de Setembro5X0Flamengo
Domingo: 27 de outubroRodoviário4X2Flamengo
Domingo: 27 de outubroJacutinguense8X1Facit FC
Domingo: 03 de novembroGrêmio Jacutinga2X1Flamengo
Domingo: 03 de novembroSete de Setembro *1X0Jacutinguense
Domingo: 17 de novembroGrêmio Jacutinga3X4Rodoviário
Domingo: 17 de novembroFacit FC3X2Flamengo
Domingo: 17 de novembroRodoviário**WOXJacutinguense
Domingo: 24 de novembroFacit FC3X3Rodoviário
Domingo: 24 de novembroGrêmio Jacutinga ***XSete de Setembro
Domingo: 1º de dezembroJacutinguense***XGrêmio Jacutinga
* Aos 13 minutos do 2º tempo, o árbitro José Tudisco paralisou a partida, alegando falta de segurança. A LEMA (Liga Esportiva Municipal de Amadores), marcou para o domingo, do dia 24 de novembro de 1963, que os 32 minutos que faltavam fosse realizado. No entanto, Associação Desportiva Jacutinguense (Jacutinga) não compareceu. Com isso a LEMA deu os pontos para o Sete de Setembro. ** Com o não comparecimento do Jacutinguense para a partida, o Rodoviário venceu por W.O. *** As partidas foram canceladas, pelo desinteresse das equipes.

Classificação do 2º Turno

CLUBESPGJVEDGPGCSG
Rodoviário1812822342014
Grêmio Jacutinga1510712291910
AD Jacutinguense141174351421
Sete de Setembro1211524281414
Facit FC10124261523-8
Flamengo812481531-16
Fluminense47250816-8
Independente17160735-28
Rodoviário é o Campeão do Torneio Intermunicipal Cidade de Pouso Alegre de 1963

Algumas formações:

Rodoviário: Zé Lúcio (Clóvis); Alemão (Edemir), Pedrinho e Március (Régis); Grapete e Benedito; Adilson, Bonga (Marcinho), Tista (Vitor), Edmundo e Darcy (Airton).

Sete de Setembro: Paulo Afonso (Tite ou Rastele); Zé Acácio (Toninho), Jura (Nelsinho) e Hugo (Herculano ou Nuno); Vitor (Lobo) e Bolinha (Saquete); Lairton (Vantania), Airton (Luizinha), Vilsinho (Tista), Anardino (Bira) e Escurinho (Otávio).

Grêmio Jacutinga: Quadrado; Sapucaí, Américo e Etualpes; Guaraná e Darci (Joaquim); Julião, Xepa, Aleluia, Lambreta e Ronaldo.

FACIT: Ferreira; Roberto (Zezão), Geraldo e Marcos (Baiano); Paulinho (Cláudio Claret) e Roberto II (Juvenal ou Batata); Deley (Zé Maria), Tião (Vasco), Fernando (Chiquito ou Reginho), Canhotinho (Dauro ou Fernando II) e Evandro (Joviano).

FONTES: Minhas anotações – Jornal Semana Religiosa, de Pouso Alegre (MG)

Inédito!! Esporte Clube Londrina: 1º time de futebol da cidade de Londrina (PR), em 1934

Por Sérgio Mello

O Esporte Clube Londrina foi a 1ª agremiação de futebol que existiu na cidade de Londrina (PR). O “Alvinegro Londrinense” foi Fundado em 1934, por pioneiros da Companhia de Terras do Norte do Paraná (CTNP) com o nome de Sport Club Londrina.

A sua Praça de Esportes ficava localizado na Avenida Paraná (atual: Avenida Celso Garcia Cid), na Vila Siam, em Londrina. Foi o 1º campo de futebol na cidade. Na década de 50, o campo de futebol deu lugar à antiga Cooperativa Cotia.

O 1º time do Esporte Clube Londrina tinha a seguinte escalação: Jacó Minatti (goleiro); Nicodemo, Leonino e Galvino (Beques); Mário, Américo, Fascio e Cézar Traballi; Celso Garcia Cid e Rafael Ferrari (Alfos); Aurélio Paglia (Center Alfo). Técnico: Alfredo Batini.

Na formação inicial dos núcleos urbanos planejados pela CTNP, havia o interesse dos colonizadores apresentarem um ideal de urbanidade ligado à vida esportiva. Isto talvez pelo fato de que para os próprios funcionários da CTNP fosse interessante manter atividades que preservassem a cultura nativa dos seus poucos funcionários ou ainda para auxiliar no empreendimento atraindo futuros compradores por meio da imagem de uma cidade planejada e próspera não apenas economicamente, mas também sociocultural do ponto de vista da sua organização e distribuição espacial de práticas de passatempo e esportivas. E dessa forma, destacamos o sentido atribuído ao campo de Football por parte dos colonizadores e do poder público local.

Foto posada no domingo, do dia 20 de janeiro de 1935

Mesmo relegado às determinadas áreas marginais, o futebol se desenvolveu de uma maneira que a interação social entre grupos com diferentes parcelas de poder denunciasse a questão de distinção social expressa pela distribuição e organização espacial do centro urbano.

Assim, a introdução do campo de Football na planejada cidade de Londrina é marcada por um discurso que condicionou e encarregou a área destinada a tal prática esportiva e de passatempo nos anos 1930.

Houve discurso higienista corroborando com os interesses da CTNP e dos representantes do poder público por meio da racionalização dos espaços, isto desde a sua concepção de núcleo urbano até a execução do projeto de cidade.

Foto posada no domingo, do dia 08 de agosto de 1937

Embora a cidade de Londrina em sua fase inicial apresentasse uma paisagem rural, não podemos deixar de frisar que o empreendimento inglês era um projeto moderno de exploração de terras e consequentemente de modelos de núcleo urbano planejado, sendo o campo de Football um elemento constitutivo da vida sociocultural.

Por fim, a representação do futebol dentro do projeto de núcleo urbano da CTNP, indica, por um lado, abertura a um possível lugar onde as diferenças deveriam conviver; por outro lado, a quadra de tênis indica o lugar de convívio daqueles que se julgavam pertencentes de uma elite social e condutora da cidade planejada e em urbanização.

ARTE: desenho dos escudos e uniformes: Sérgio Mello

FOTOS: Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss – Acervo Nair Paglia Piantini – Londrina Foto Memória

FONTES: Paraná Norte (PR) – “O Enquadramento do Football na Cidade Planejada – Londrina dos anos 30”, de autoria de André Xavier da Silva e Tony Honorato – Aurélio Paglia

1º Escudo!! Operário Futebol Clube – Campo Grande (MS)

Escudo e uniforme de 1938

Por Sérgio Mello

O Operário Futebol Clube é uma agremiação da cidade de Campo Grande (MS). A sua Sede social fica localizado na Rua Dr. Eduardo Olímpio Machado, nº 300, no bairro de Monte Castelo, em Campo Grande (MS).

O “Galo” foi Fundado no domingo, do dia 21 de agosto de 1938, por representantes da construção civil liderados pelo pintor Plínio Bittencourt. O time foi criado por cidadãos comuns que buscavam espaço na sociedade brasileira regida pelo Estado Novo.

Preto no Branco: Vasco da Gama e Operário quebraram barreiras políticas e sociais para revolucionar o futebol

Operário do Povo

Operários criavam um clube de origem popular, combatendo o preconceito para disseminar o esporte bretão que na época era praticado apenas pela elite. A instituição do povo, mostraria o seu valor durante o período do futebol amador da cidade com as conquistas da Liga Campo-Grandense em 1942 e 1945 e mais tarde, dando fim ao enorme jejum de 21 anos, levantando a taça de 1966 a última da era amadora.

Uma “seca” de títulos, que o Operário voltaria a enfrentar mais de 30 anos depois desse feito. Após o Bicampeonato Sul-Mato-Grossense (em 1996 e 1997) o Operário ficou 21 anos sem levantar o título do campeonato estadual e só voltou a soltar o grito de campão “entalado na garganta” em 2018, justamente no ano das comemorações dos 80 anos de existência do clube.

O atual Presidente do Conselho Deliberativo do Operário, Estevão Petrallas se lembra de uma história envolvendo a torcedora símbolo do Operário que esteve presente durante todo esse jejum.

Eu me lembro do último episódio na cidade de Rio Brilhante, quando nós recebemos o Operário com uma dívida de 12 mil reais perante a justiça desportiva e a perda de mando de seis jogos. Estávamos jogando a Série B e eu assisti ao jogo, atrás do gol juntamente com Dona Maria Preta. E ela dizia, ‘seu Petrallas, eu vou morrer e não vou ver esse operário campeão’ e eu disse, Dona Maria não morre não, que nós vamos ser campeão”, se lembra Estevão.

A comemoração realizada no Rádio Clube Cidade, foi um verdadeiro marco para o Operário Futebol Clube, que enfim, pode reescrever a sua própria história apagando as injustiças cometidas com aqueles operários da construção civil que fundaram o clube e que foram impedidos de jogar futebol naquele mesmo lugar ainda no período do amadorismo.

Foto posada de 1938

O Operário nasceu de um clube social chamado Clube dos 30, que era visto como o clube para o povão bailar. Já que o Rádio Clube pertencente a elite, acabou sendo fechado por perseguição política e por conta disso, muitos dos seus integrantes, mais tarde, ajudariam a fundar o Operário Futebol Clube. Estevão se recordou desse fato inusitado durante a comemoração dos 80 anos do Galo.

O clube surgiu na Mato Grosso onde hoje é o Sinduscon, Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e a festa foi no Rádio Clube porque era onde os operarianos não tinham espaço para que pudesse adentrar, porque era o clube da elite e o Operário era o clube do povão, então não tinha como ter acesso. E lembramos desse fato rapidamente durante a comemoração, claro sem causar nenhum constrangimento, porque não era o foco”, lembra Estevão.

Seu eterno rival, o Esporte Clube Comercial foi fundado por comerciantes e estudantes do Colégio Dom Bosco juntamente com o esportista Etheócles Ferreira tempos depois, em 15 de março de 1943.

Operário Campeão da Liga Municipal de Campo Grande de 1942

O escritor Reginaldo Alves Araújo que escreveu o livro: Futebol Uma Fantástica Paixão, a história do futebol campo-grandense tomo 1, cita a definição da Liga Municipal de Campo Grande de 1951.

Na ocasião, o Operário perdeu o título para o Comercial e a torcida operariana atribuiu a derrota, as cores do uniforme que foram modificadas pelo então Presidente do Operário, Silvio Andrade, justamente no embate decisivo. Após o apito final, o lado “preto e branco” das arquibancadas ficou tão irritado que arrancou o conjunto vestido pelos jogadores para atear fogo, numa demonstração de enorme insatisfação com o resultado, o que de modo geral, mostra um pouco do tamanho da dimensão da rivalidade que envolve o clássico Comerário.

Na década de 70, o Colorado se profissionalizou para a disputa da Seletiva para o Campeonato Brasileiro, se tornando o primeiro clube do estado do Mato Grosso a disputar a elite do futebol brasileiro em 1973. No mesmo ano em que seu arquirrival disputou a primeira divisão do nacional, o Galo da Bandeirantes conquistou o seu primeiro torneio internacional. Operário campeão da Taça Seleção União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Foi nessa época que o Operário uniu forças para poder competir no ano seguinte.

O clube de trabalhadores que talvez não tivesse condições nem de fazer o seu documento. E a gente tem histórias de um diretor da época em que sua mulher estava gravida, e ele aguardando o nascimento do filho, ele investiu todo esse dinheiro na Federação Mato-Grossense de Futebol”, relembra Estevão.

Escudo atual

Em 2023 o clássico Comerário completou 50 anos de rivalidade profissional. Foi no dia 20 de janeiro de 1973 pela tradicional Taça Campo Grande, que o estádio Morenão foi palco da partida histórica entre o Operário Futebol Clube e Esporte Clube Comercial, segundo registros do jornalista Marcelo Nunes.

Esse jogo foi num sábado à noite, começou às 21h30 e teve 6 mil e 71 pagantes para uma renda de 51 mil e 35 cruzeiros. Esse jogo foi 1 a 0 para o Operário e gol foi marcado pelo Pinho, aos 30 minutos do segundo tempo em um chute de fora da área. O árbitro foi o Mário Vinhas e os assistentes foram o Ladislau de Oliveira e Agnaldo de Barros, o trio do Rio de Janeiro”, relata Marcelo.

Marcelo Nunes é jornalista e tem mãos o maior acervo de registros da história do clássico Comerário com mais de 20 anos de pesquisa intensas computados, incluindo os jogos da era do amadorismo e partidas amistosas entre os dois clubes. Pesquisa que segundo ele próprio teve o apoio dos companheiros, Ricardo Paredes, Edna de Souza, Artur Mário, Elson Pinheiro e Marquinhos. Marcelo ainda tem o desejo de publicar o livro: “História dos Comerários”, obra na qual começou a escrever, mas que ainda não foi finalizada.

Torcida Esquadrão celebra os 83 anos do Operário

Ao todo o Operário conta com 10 participações na 1ª Divisão nacional, tendo como marcante a campanha de 1977, quando o Galo derrubou gigantes dos gramados e terminou com um honroso e inesquecível 3 º lugar.

Criação de Mato Grosso do Sul

A Lei Complementar 31, que previa a divisão do estado do Mato Grosso foi oficializada em 11 de outubro de 1977. Porém, a lei sancionada pelo então Presidente da República Ernesto Geisel, só entraria em vigor em 1979. Com isso, o Operário foi impedido de ser hexacampeão estadual, justamente por conta da criação do estado de Mato Grosso do Sul. O Operário conquistou 6 títulos consecutivos em 76,77,78 (Mato-grossense) e 79,80,81 (Sul-mato-grossense).

Há exatos 34 anos, o Operário vencia o Campeonato Brasileiro
Operário Campeão Módulo Branco do Brasileiro de 1987

No polêmico ano de 1987, o Alvinegro fez história e se tornou o primeiro time do MS a vencer uma competição nacional. O Módulo Branco do Brasileiro daquele ano, ainda não é reconhecido pela CBF, mas, segue sendo motivo de orgulho para os operarianos. Até hoje, o Operário Futebol Clube é o maior do estado de Mato Grosso do Sul com 12 títulos estaduais.

FONTE E FOTOS: site de clubeSem Retranca

Seleção de Divinópolis, que disputou o Campeonato do Inteior Mineiro de 1947

Por Sérgio Mello

A Liga Municipal de Desportos de Divinópolis (LMDD) é a entidade máxima da cidade de Divinópolis, localizado na região metropolitana de Belo Horizonte (MG). Localizado a 120 km da capital mineira, conta com uma população de 231.091 habitantes, segundo o Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) de 2022.

Fundado na sexta-feira, do dia 03 de abril de 1936, a LMDD possui a sua Sede própria situado, na Rua Sion, n° 150, no bairro Esplanada, em Divinópolis/MG.

Divinópolis no 1º Campeonato do Interior Mineiro de 1947

A Seleção de Divinópolis, organizado pela LMDD (Liga Municipal de Desportos de Divinópolis), era praticamente o time do Ferroviário Atlético Clube, que na época era octacampeão municipal. Para se ter uma ideia, o selecionado titular contava com nove jogadores do Ferroviário: Voldack, Geraldinho, Palmiro, Bico-Fino, Bacharel, Pauzinho, Valtinho, Carmelinho e Torres.

A equipe se inscreveu para disputar o no Campeonato do Interior de 1947, chancelado pela Federação Mineira de Futebol (FMF). O Selecionado Divinopolitano ficou na 3ª Região, da 10ª Zona. A competição, com jogos de ida e volta de caráter eliminatório.

Preparação para o torneio

No domingo à tarde, do dia 21 de setembro de 1947, ensaiou pela segunda vez o selecionado divinopolitano, para seus compromissos no Campeonato do Interior de 1947. Os treinos vêm agradando plenamente, não só aos técnicos, mas também à grande assistência que tem comparecido ao campo da Esplanada.

O quadro Azul, ou seja, o titular, tem se exibido bem, mostrando boa fibra, técnica e ótima disciplina, acontecendo o mesmo com os suplentes. O escore do ensaio de domingo foi de 8 a 3 para os titulares.

Fizeram os gols: Pauzinho, três vezes; Torres e Piloto, dois tentos cada, e Valter, um gol; marcando para o team Branco: Rolô, duas vezes e Carmelinho, um tento.

Quadro Azul: Voldack (Jairo e depois Albertinho); Militão e Cuim; Silvio, Osvaldo e Bacharel; Pequeno, Valter, Piloto, Pauzinho e Torres.

Quadro Branco: Orácio (Jairo e depois Albertinho); Piola e Otacílio; Ascânio, Bico-fino e Didi; Baldo, Tiãozinho, Rolô, Toninho e Carmelinho.

O Campeonato do Interior terá início no domingo, do dia 5 de outubro de 1947, com jogo Formiga x Divinópolis. Lembrando que os jogos do Campeonato de Interior eram eliminatórios.

EM PÉ (esquerda para a direita): Mirgete, Otacílio, Orácio, Silvio Azevedo, Bico-Fino, Voldack, Bacharel, Geraldinho e Antenor Torres (treinador);
AGACHADOS (esquerda para a direita): Torres, Valtinho, Pauzinho, Joca Guimarães e Carmelinho.

Divinópolis arranca empate no fim

Pelo 1ª Campeonato do Interior Mineiro de 1947, na estreia, no domingo, às 15h30min., do dia 05 de outubro de 1947, o Divinópolis após ir para o intervalo perdendo por dois a zero, conseguiu o empate “no apagar das luzes”, arrancando o empate em 2 a 2 com o Selecionado de Formiga, no Estádio Benjamin de Oliveira (propriedade do Ferroviário), em Divinópolis/MG.

No primeiro tempo, Guita e Cabaça marcaram para Formiga. Na etapa final, Pauzinho e Torres (marcou aos 35 minutos) deixaram tudo igual para o Selecionado Divinopolitano. Pela primeira vez, em Divinópolis, ocorreu uma partida intermunicipal em que todos os divinopolitanos presentes torcessem para o clube de sua terra.

Crônica do Jogo

O jornalista Oliveira Neto, do Divinópolis-Jornal fez a crônica dessa partida:

Primeira Etapa – De Orácio a Carmelo só se salva o zagueiro Geraldo que desde o início ao final, foi dinâmico mostrando muita fibra e classe. A equipe de Formiga não jogou melhor que os nossos, pois, encontraram um selecionado completamente desnorteado, não tendo em absoluto controle da bola.

Poderia o quadro de Formiga produzir mais e assinalar muitos tentos na fase inicial o que só não fizeram pela pouca produção de sua equipe que não correspondeu à expectativa.

Os locais não foram os que vimos frente ao Tupi (foi o último amistoso, uma semana antes, no qual Divinópolis goleou por 11 a 0). Não queremos com isto dizer que não encontraram resistência por parte dos cajuruenses, mas sim que tiveram mais domínio da pelota e compreendiam-se muito bem. Na partida de domingo fracassaram completamente, passando bola a torto e a direito.

Segundo tempo – Os defensores da jaqueta alvi entraram em campo para o tempo complementar, ainda um pouco descontrolados, mas firmando, à medida que o tempo passava. Com os visitantes aconteceu o contrário. Nessa fase, sua defesa jogava melhor e o ataque falhou quando era preciso, não se organizando quase nenhum a- taque de valor”.

ATUAÇÕES

DIVINÓPOLIS

Orácio, não teve culpa alguma nos dois gols, mas teve atuação falha, é fraco. Geraldo, o melhor em campo, jogando como verdadeiro mestre.

Otacílio, menos firme que seu colega, só firmando na fase final.

Silvio, fez um primeiro tempo péssimo, sobressaindo apenas um gol certo que tirou, executando uma bicicleta quando o arco estava completamente desguarnecido.

Bico-fino, fez um 1º tempo regular, melhorando sensivelmente no final. Bacharel, nas mesmas condições de Bico-fino.

Torres, teve boas jogadas.

Valter, foi dinâmico, mas nada conseguiu, pois, estava numa tarde negra. Pauzinho, mais uma vez jogou mal, não satisfazendo embora com espanto geral, pois, sendo ele um grande jogador fez duas partidas péssimas, esperando, no entanto, seus admiradores, que faça ótima partida em Formiga.

Joca esteve irreconhecível, não sendo o mesmo insider de domingo atrasado. Carmelinho, o elemento em quem nenhum dos esportistas locais depositava confiança foi o melhor da linha atacante, o 1º tempo, mas também é fraco,

FORMIGA

Marándola, um grande arqueiro, tendo efetuado uma grande partida.

Marico, muito falho.

Busina, regular.

A linha média, formada por Carlos, Nesir e Zezé, todos jogaram bem, sobressaindo o centro médio.

No ataque, Guita, o melhor.

Machado, foi um elemento de fibra que mostrou bom padrão de jogo.

Os demais no mesmo nível.

O JUIZ – O árbitro da partida foi o sr. Alcebíades M. Dias, o popular Cidinho agiu bem tendo algumas falhas. O sr. Cidinho é árbitro de categoria, pertencente ao quadro de juízes da F. M. F.

Waltinho Torres, Pausinho Torres e Joca Guimarães

DIVINÓPOLIS (MG)         2        X        2        FORMIGA (MG)

LOCALEstádio Benjamin de Oliveira, em Divinópolis (MG)
CARÁTER1º Campeonato do Interior Mineiro de 1947
DATADomingo, do dia 05 de outubro de 1947
HORÁRIO15 horas e 30 minutos (de Brasília)
RENDACr$ 4.135,00
PÚBLICONão divulgado
ÁRBITROAlcebíades M. Dias, o Cidinho (FMF)
DIVINÓPOLISOrácio; Geraldo e Otacílio; Silvio Azevedo, Bico-fino e Bacharel; Torres, Valtinho, Pauzinho, Joca e Carmelinho. Técnico: Antenor Torres
FORMIGAMarândola; Marico e Busina; Carlos, Nesir e Zezé; Machado, Guita, Pedro, Milton e Cabaça.
GOLSGuita e Cabaça (Formiga), no 1º Tempo. Pauzinho e Torres aos 35 minutos (Divinópolis), no 2º Tempo.

Divinópolis sofre a virada e dá adeus ao Campeonato do Interior de 1947

Crônica do Jogo

O jornalista Oliveira Neto, do Divinópolis-Jornal fez a crônica dessa partida:

Solenidades – Pelos 22 homens e todos os presentes foi cantado o Hino Nacional Brasileiro, sendo nesta ocasião hasteado o pavilhão Nacional pelos Drs. Edson Pinto Coelho e José Adolfo Pereira, promotores de justiça de Divinópolis e Formiga, respectivamente. O chute inicial foi dado pelo Dr. Antônio Noronha, juiz Municipal de Formiga.

Coube a Pauzinho movimentar a pelota. Logo de início, fizeram os visitantes forte pressão ao arco contrário. O marcador de 5 a 2 não refletiu bem o que foi a partida. Os divinopolitanos jogaram bem, dominando por completo o seu adversário, no 1º tempo e aos 20 minutos iniciais da fase complementar.

Não tiveram chance os azuis em assinalar maior quantidade de gols o que sobrava demasia no quadro local. Os ataques dos visitantes eram mais coordenados com passes calculados, entendendo-se as mil maravilhas, mas sempre falhavam no arremate final. Faltou ainda no time divinopolitano mais preparo físico.

É justo, no entanto, salientar a grande reação dos formiguenses, motivada pela grande influência da torcida feminina que não parou um só instante de incentivar seus craques, o que não vemos em nossos campos, isto é, quando acontece aparecer uma moça para assistir a uma partida de futebol.

ATUAÇÕES

DIVINÓPOLIS

Voldack, sem favor algum, o mais positivo de seus companheiros. Encaixou com segurança e defendeu pênalti bem colocado do direito de sua meta. Não foi culpado de nenhum dos gols, porquanto foram assinalados a menor de um metro do arco.

Geraldo, não foi o mesmo de domingo atrasado, não querendo com isto dizer que jogou mal. Aliás, jogou bem, mas não tanto como da primeira vez.

Otacílio, uma verdadeira barreira para a famosa ala Airton e Petito, não conseguindo a mesma uma atuação primorosa devido a vigilância.

Palmiro e Dô, os mais fracos, não se compreendendo o motivo do afastamento de Silvio, que, apesar de ter jogado mal, domingo atrasado, jogou bem melhor que Palmiro. Dô, completamente nulo, tomou um baile tremendo.

Bacharel, juntamente com Otacílio e Voldack, formaram uma autêntica ‘muralha da China’. Bacharel esteve soberbo. Firme na marcação e bom distribuidor. Quando este elemento quis avançar para auxiliar os atacantes nasceu o 2º tento formiguense.

Carmelo, fraco em excesso, perdendo nada menos de 3 gols um dos quais o arco de Marándola estava inteiramente desguarnecido.

Valter, Paulinho e Joca jogaram bem. Valter, mais uma vez brilhou mostrando sua invejável técnica.

Pauzinho, retificando suas péssimas exibições anteriores esteve infernal.

Joca, além do magistral gol assinalado de fora da grande área com um potente petardo que obrigou Maréndola a soltar a pelota o fundo das redes, fez uma partida de gala. O gol de Pauzinho surgiu também de um chute de Joca que o arqueiro formiguense soltou e Pauzinho finalizou marcando o 1º tento.

Torres, jogou bem e deu um tremendo bailado, sendo, desta vez, o dançarino, o famoso zagueiro Marico e depois Lulú, que não conformaram, deixando até a bola para atingi-lo.

FORMIGA

Maréndola, não jogou mal, mas deixou passar dois autênticos frangos.

Marico, teve algumas falhas, o mesmo acontecendo com seu colega de zaga. Carlos, deixou muito a desejar.

Nesir, dava ‘bolas com açúcar’, mas para os adversários. Completamente nulo.

Zezé e Niltinho, jogaram bem.

Machado, fez pivô , o que bem entendeu.

Guita, bem vigiado por Otacílio nada fez além do gol.

A infernal ala esquerda formada de Airton e Petito de trabalho constante para a retaguarda divinopolitana. São dois infernais.

O JUIZ – O árbitro foi o sr. Geraldo Fernandes da FMF, que teve uma atuação fraquíssima. Agiu com certo receio, prejudicando a quadro da L.M.D.D. (Liga Municipal de Desportos de Divinópolis). Vai mal o quadro de arbitragem da Federação Mineira. Dois gols foram assinalados em visíveis impedimentos.

FORMIGA (MG)     5        X        2        DIVINÓPOLIS (MG)

LOCALEstádio Juca Pedros, situado nas avenidas dos Viajantes e Paulo Lins, no centro de Formiga (MG)
CARÁTER1º Campeonato do Interior Mineiro de 1947
DATADomingo, do dia 12 de outubro de 1947
HORÁRIO15 horas e 30 minutos (de Brasília)
RENDACr$ 4.000,00
PÚBLICONão divulgado
ÁRBITROGeraldo Fernandes (FMF)
FORMIGAMarândola; Marico e Lulu; Carlos, Nesir e Zezé; Machado, Guita, Niltinho, Airton e Petito.
DIVINÓPOLISVoldack, Geraldo e Otacilio; Palmiro, Dô e Bacharel; Torres (Carmelinho), Valtinho, Pauzinho, Joca e Carmelinho (Torres). Técnico: Antenor Torres
GOLSPauzinho e Juca (Divinópolis); Petito (Formiga), no 1º Tempo. Petito, duas vezes; Guita e Airton, um tento (Formiga), no 2º Tempo.

Após a eliminação, o Selecionado divinopolitano ainda realizou um amistoso. Foi na quarta-feira, no dia 22 de outubro de 1947, quando enfrentou a Seleção de São João del Rei, fora de casa. A partida terminou empatada em 3 a 3.  Os gols foram assinalados por Valter, duas vezes, e Pauzinho, um tento. 

Escudo e uniforme: Sérgio Mello

FOTOS: Acervo de Fabiano Rosa Campos

FONTES: Divinópolis-Jornal (MG)