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Primeiro jogo entre Rio Negro x Nacional, em 1914: O Clássico mais Antigo do Norte do Brasil

Na maioria dos Estados brasileiros há os grandes clássicos como: Inter e Grêmio (RS); Atlético e Cruzeiro (MG); Bahia e Vitória (BA); Paysandu e Club do Remo (PA); Moto Club e Sampaio Correa (MA) e por aí vai. No Amazonas, a maior rivalidade futebolística da história é entre Nacional e Rio Negro.

Um clássico centenário, ambos o clubes nasceram no mesmo ano: 1913, com uma diferença de 10 meses de um para outro. Antes do surgimento dos dois clubes, as principais rivalidades em Manaus eram entre as equipes do Racing, Brasil e Manáos Athletic. Com o desaparecimento desses clubes,o caminho ficou aberto para nacionalinos e rio-negrinos se consolidarem e se perpetuarem na hegemonia do futebol amazonense até os dias atuais.

 

CONFRONTOS                                                                                               

Nacional e Rio Negro se enfrentaram mais de 250 vezes e os nacionalinos ainda tem uma boa vantagem sobre seu rival no número de vitórias. Os dois clubes chegaram a colocar mais de 40 mil pessoas no Estádio Vivaldão em dia de clássico.

No dia de um”Rio-Nal“a cidade de Manaus praticamente parava. O clássico baré viveu seu auge nas décadas de 60, 70 e 80, quando os dois times estavam na 1ª Divisão do Brasileiro e contavam com excelentes jogadores. Entre eles, Campos e Gilmar Popoca (que jogaram na seleção brasileira).

 

Time do Nacional de 1913

DA ASCENSÃO A DECADÊNCIA

Hoje, as novas gerações de amazonenses desconhecem essa rivalidade e não fazem ideia do que esse duelo representou para a história esportiva do Amazonas. Devido á situação de decadência que ainda perdura em nosso futebol, o “Rio-Nal” hoje não ultrapassa um público de 2 mil pessoas.

No passado, tanto Rio Negro e Nacional como Paysandu e Remo, eram os maiores clássicos do norte do Brasil. A rivalidade era tanta que o Rio Negro passou o período de 1945 a 1960 afastado do futebol, em protesto contra o Nacional que era acusado pelos rivais de armarem um complô entre a Federação Amazonense e o Tribunal de Justiça, para prejudicar o Rio Negro.

 

2º CLÁSSICO MAIS ANTIGO DO NORTE E NORDESTE

O tradicional “Rio-Nal” é o clássico de futebol mais antigo do norte do  Brasil e o segundo mais antigo de todo o norte e nordeste, só perdendo para o duelo entre Sport e Náutico de Pernambuco.

Equipe do Rio Negro de 1918

 

PRIMEIRO JOGO DO CLÁSSICO ‘RIO-NAL’

O primeiro jogo entre os aguerridos rivais aconteceu no ano de 1914. A partida foi válida pelo Campeonato Amazonense daquele ano. O Nacional já era uma equipe calejada e experiente com bons atletas como o goleiro Craveiro, Paiva, Cícero Costa, Cazuza e outros. Já o Rio Negro ainda contava com jogadores inexperientes, mas aguerridos e esforçados, uma vez que ainda eram em sua maioria adolescentes. Os principais destaques eram Pudico, Anízio e Lobão.

O Nacional vinha de uma vitória de 2 a 1, na estreia, frente ao seu maior rival, o Manáos Athletic. Já o Rio Negro vinha de uma derrota para o Manáos Sporting. Ambas as equipes buscavam a vitória para superar ou igualar-se aos perigosos ingleses. O jogo foi marcado para o dia 1º de março de 1914, com arbitragem do inglês Burnett. Os dois times compareceram no Bosque, naquela tarde de domingo, com a seguinte escalação:

NACIONAL: Craveiro; Silva e Adail;  Authberto, Laiza e Cyriaco; Santos Linhares, Paulo Mello, Cícero Costa, Cazuza e Paiva.

RIO NEGRO: Ércio; Marinho e Washington; Basílio, Mendes e Lobão; Pudico, Anízio, Peres, Cyrillo e Oliveira.

 

É bom lembrar que naquele ano ainda não havia acendido a chama da rivalidade entre Nacional e Rio Negro, devido ao fato dos rio-negrinos ainda ser uma equipe nova e pouco competitiva. Na verdade, o  clube ainda se encontrava á sombra do principal clássico daquele período: Nacional e Manáos Athletic.

Eram 16 e 15 da tarde quando nacionalinos e rio-negrinos começaram a peleja. O clima estava bem frio e as arquibancadas do Bosque estavam lotadas. O Nacional com seu uniforme branco, com a estrela azul estampada do lado esquerdo do peito. O Rio Negro com seu uniforme todo preto. Logo aos 12 minutos Cícero, com um violento chute, abre a contagem para o Nacional. Um pouco depois,é a vez de Paulo Mello, também com um forte chute, marcar o segundo gol nacionalino.

O Nacional pressiona, mas a zaga rio-negrina consegue rebater diversas vezes o ataque inimigo. Até que, altando 5 minutos para findar a etapa inicial, Cícero novamente assinala, marcando o terceiro gol.  E assim terminou o 1º tempo com o placar de 3 a 0 favorável ao Nacional. Tem inicio o 2º tempo. Logo aos 5 minutos, Cícero marca o quarto gol de sua equipe. Depois, é a vez de Paulo Mello assinalar o quinto e sexto gols. Cícero (2 vezes) e Cazuza, davam pontos finais ao jogo que terminou ás 17 e 40 da tarde com o placar final: NACIONAL 9 X 0 RIO NEGRO {gols de Cicero Costa(cinco vezes), Paulo Mello (três) e Cazuza uma vez}.

O JOGO DO RETURNO: NOVO MASSACRE

Era chegado o momento das duas equipes se reencontrarem em partida do returno do campeonato. O Rio Negro vinha de uma  vitória contra o Vasco pretendia vencer o Nacional para melhorar sua colocação na tabela e, quem sabe, entrar na disputa pelo título.

Já para os nacionalinos só a vitória interessava para assim se distanciar do Athletic que estava na sua cola. Muitos já previam que o Nacional ganharia novamente de goleada. O jogo realizou-se no dia 19 de abril de 1914 e teve como juiz o inglês George Fenton. Os times foram os seguintes.

RIO NEGRO: Arthur; Peres e Joca; Oliveira, Marinho e Campos; Azevedo,Gonzaga, Cyrillo, Pudico e Anízio.

NACIONAL: Craveiro; Ernesto e Adail;  Hermes, Laiza e Authberto; Santos Linhares, Paulo Mello, Cícero Costa, Cazuza e Paiva.

 

CURIOSIDADE

Apesar de estar escalado, Pudico não participou do jogo (não se sabe o motivo), o que enfraqueceu mais ainda o Rio Negro pois ele era o principal jogador de sua equipe e artilheiro. Definido os times,um inesperado problema complicou ainda mais o Rio Negro. A equipe apresentou-se em campo com apenas 9 jogadores, pois os outros dois haviam desaparecido.

Mesmo assim, o jogo teve início. O Rio Negro jogou o 1º tempo heroicamente. Mesmo em desvantagem numérica, conseguiu resistir ás investidas do arrasador ataque nacionalino por 30 minutos. Mas, já próximo do final do 1º tempo, Linhares enfiava a bola na rede do Rio Negro, abrindo o placar para o Nacional.

Esse gol acabou desmotivando os rio-negrinos, o que fez com que Linhares novamente marcasse pela segunda vez. E assim terminou a etapa inicial com o seguinte placar:Nacional 2 a 0 Rio Negro. No 2º tempo,o Rio Negro completou seu time,colocando Joca e Alencastro nas vagas em aberto. Com o time completo se pensava que os rio-negrinos melhorariam, mas, ao contrário, piorou.

O Nacional não tomou conhecimento de seu adversário e marcou mais 10 gols. Apesar dos esforços do goleiro Artur (que fez excelentes defesas, evitando que o placar fosse ainda mais dilatado), de Marinho e Anízio, não foi possível parar o bombardeio dos nacionalinos, que colocaram os rapazes adversários dentro da roda. Placar final: NACIONAL 12 X 0 RIO NEGRO {gols de Cicero Costa (cinco), Linhares (três), Cazuza (três) e Paiva(um)}.

Até hoje essa é a maior goleada, na história, que o Nacional infringiu ao seu tradicional rival. Estava iniciado, há 101 anos atrás, aquele que viria a ser o maior duelo de futebol da terra de Ajuricaba e que hoje está adormecido. Ficamos na torcida para que um dia o honroso “Rio-Nalressurja das cinzas com toda sua história, emoção, fanatismo, paixão e tradição.

 

FONTES & FOTOS: Professor e Pesquisador do Futebol Amazonense, Gaspar Vieira Neto

A história do 1º Campeonato Amazonense de 1914: O triunfo do Manáos Athletic

Taça Gordon: prêmio máximo do Campeonato Amazonense de 1914

Desde os primeiros registros de jogos de futebol em Manaus, no início do século XX, que aos poucos aquela modalidade esportiva foi caindo no gosto e simpatia dos amazonenses, desbancando o ciclismo e o turfe, até então, as modalidades esportivas preferidas da elite Baré. A cada dia, mais clubes iam surgindo e número de adeptos aumentava.

A imprensa passava a dar mais destaque ás reuniões, treinos,jogos e posse de diretorias dos principais clubes de futebol. Com o crescimento do esporte no Amazonas, se lançou a ideia de realizar um campeonato local para premiar o melhor time do estado. A primeira tentativa ocorreu em 1909. Os dirigentes dos principais clubes daquele ano chegaram a fazer reuniões mas,devido a divergências entre eles,a ideia não foi adiante.

 

CRIADA A LIGA AMAZONENSE DE FOOTBALL

Somente Quatro anos depois é que novamente se lançou novamente o antigo desejo. Depois de muitas reuniões, finalmente era fundada, em 7 de janeiro de 1914, a Liga Amazonense de Football (LAF) com o coronel José Ramalho como presidente e o inglês William Gordon na função de vice.

 

DEFINIDOS OS TIMES PARA JOGAR A 1ª & 2ª DIVISÕES

Superada a primeira barreira, a Liga tratou de organizar o 1º Campeonato Amazonense. Aberta as inscrições, ficou decidido que haveriam duas divisões do torneio. Na Primeira Divisão foram definidos Cinco clubes para a disputa:

Nacional;

Vasco da Gama;

Manáos Sporting;

Rio Negro e

Manáos Athletic.

 

Na Segunda Divisão foram definidos sete equipes (quatro clubes e mais três suplentes de Rio Negro, Manáos Sporting e Vasco da Gama):

Luso;

Onze Português;

Naval;

Satéllite;

Rio Negro (reservas: Time B);

Manáos Sporting (reservas: Time B) e

Vasco da Gama (reservas: Time B).    

 

FÓRMULA DE DISPUTA

A fórmula de disputa do campeonato de 1914, era bem simples. As equipes se enfrentavam em turno e returno. No final, o time que somasse o maior número de pontos seria decretado o campeão. Feito isso, o Manáos Athletic chegou aos 14 pontos, em oito jogos, e foi o 1º Campeão Amazonense de 1914.  O vice-campeão foi o Nacional que somou 12 pontos, em oito partidas.

LOCAIS DOS JOGOS

Os jogos da Primeira Divisão seriam realizados no Bosque Municipal e os da Segunda Divisão aconteceriam na Praça Floriano Peixoto. O prêmio máximo para a equipe campeã seria a Taça Gordon, um belo troféu que foi confeccionado a mando do comerciante inglês William Gordon. Antes do certame começar,já era unanimidade entre os torcedores afirmar que o campeão seria o Nacional ou o Manáos Athletic,o que de fato acabou se concretizando.

 

CRAQUES QUE DESFILARAM NO 1º ESTADUAL  

O campeonato contaria com a presença de grandes craques daquela época. Cazuza, Paulo Mello e Cícero Costa pelo Nacional; Carneiro e Borges do Vasco; Pudico e Anízio do Rio Negro; Loureiro e Américo do Manáos Sporting e Burns, Barton e Gorvin do Manáos Athletic.

Partida realizada no bosque e válida pelo Amazonense de 1914. Jogadores do Vasco (camisa branca) dividem a bola com os atletas do Rio Negro (uniforme preto). Os vascaínos venceram por 2 x 1.

COMEÇA O I CAMPEONATO AMAZONENSE DE 1914

O jogo de estreia aconteceu no dia 1º de fevereiro de 1914, no Bosque Municipal. Em campo, os times do Nacional e Manáos Athletic. As arquibancadas estavam lotadas e o juiz escolhido foi Alcebíades Antongini.

Debaixo de muita chuva (fazendo com que os torcedores se refugiassem em casa das imediações), o Nacional estreava com o pé direito perante o seu maior rival pois, venceu os ingleses por 2 a 1, gols assinalados por Paulo Mello.

NOTA TRISTE: O zagueiro inglês Mckenzie fraturou a perna numa dividida, ficando de fora definitivamente do certame. Durante o andamento do torneio, Nacional e Manáos Athletic disputaram, palmo a palmo, a liderança do campeonato. Aconteceram alguns fatos curiosos.

Bosque Municipal. Foi nesse campo que se realizou o 1º Estadual

POLÊMICAS & GOLEADAS

No jogo em que o Manáos Sporting ganhou do Vasco por 2 a 0, houve abandono  de campo por parte dos vascaínos, alegando que foram prejudicados pelo árbitro que validou dois gol ilegítimos.

Já o Nacional massacrava o Rio Negro por 12 a 0 que é, até hoje, a maior goleada registrada na história entre os dois rivais. O Manáos Sporting realizou a maior “zebra” do torneio ao ganhar do Nacional por 2 a 0, evitando assim que os nacionalinos fossem campeões antecipados.

 

MANÁOS ATHLETIC O ‘1º CAMPEÃO AMAZONENSE DE 1914’           

O jogo decisivo ocorreu no dia 14 de junho de 1914. Cerca de 3 mil pessoas foram ao Bosque Municipal acompanhar o duelo final, a maioria torcendo pelo Nacional. Em campo, o juiz escolhido foi Eurico Borges (que pertencia ao Vasco).

Após um jogo empolgante, os ingleses venciam os nacionalinos por 3 a 2, gols assinalados por Ernesto (contra), Burns e Barton para o Manáos Athletic e Bevilaqua e Cícero Costa para o Nacional. Desse modo, os ingleses do Athletic se tornavam os primeiros campeões da história do futebol do Amazonas.

 

FESTA CONTOU COM A PRESENÇA DO GOVERNADOR DO AMAZONAS

A grande festa de premiação de entrega de medalhas e da Taça Gordon para os campeões, aconteceu em dezembro de 1914, no Bosque. Houve um jogo entre dois times provisórios formados pelos melhores jogadores do campeonato. Os representantes da Liga Amazonense de Football (LAF) e o governador do estado, Jonathas Pedrosa, estiveram fizeram presentes.

 

PREMIAÇÕES

Infelizmente, alguns dos jogadores ingleses do Athletic não puderam estar presentes pois, haviam sido convocados pelo exército britânico e estavam nas trincheiras da Europa combatendo  os alemães.

Também foi entregue a Taça Ramalho Júnior ao Manáos Sporting, o grande campeão do 1º Campeonato Amazonenses da 2ª Divisão. Cícero Costa foi artilheiro do certame com 16 gols. O primeiro Estadual foi um sucesso de público, organização e cobertura da imprensa.

CURIOSIDADE

Talvez muitos não saibam, mas o Campeonato Amazonense é um dos pioneiros do Brasil. Na verdade, é o 5º mais antigo do  país pois, só perde para o Paulista (1902), Baiano (1905), Carioca (1906) e Paraense (1908).

 

TODOS OS JOGOS DO ESTADUAL DE 1914

1ª Rodada:

Nacional                   2          x          1          Manáos Athletic

Manáos Sporting     5          x          2          Rio Negro   

2ª Rodada:

Manáos Athletic      3          x          0          Vasco  da Gama    

Nacional                   9          x          0          Rio Negro  

3ª Rodada:

Manáos Athletic      2          x          0          Manáos Sporting                                                               

Nacional                   3          x          0          Vasco  da Gama    

4ª Rodada:

Manáos Athletic      8          x          0          Rio Negro                                                                        

Nacional                   3          x          0          Manáos Sporting   

5ª Rodada:

Rio Negro                 2          x          1          Vasco  da Gama

Manáos Athletic      5          x          1          Manáos Sporting     

6ª Rodada:                                             

Nacional                   12       x          0          Rio Negro

Manáos Sporting     2          x          0          Vasco  da Gama    

7ª Rodada:

Manáos Athletic      10       x          0          Rio Negro

Nacional                   3          x          0          Vasco  da Gama

8ª Rodada:

Manáos Sporting     2          x          0          Rio Negro        

Manáos Athletic      3          x          0          Vasco  da Gama

9ª Rodada:

Manáos Sporting     2          x          0          Nacional    

Vasco  da Gama      2          x          1          Rio Negro

10ª Rodada:

Manáos Athletic      3          x          2          Nacional  

Manáos Sporting     2          x          1          Vasco  da Gama

 

FONTES & FOTOS: Professor e Pesquisador do Futebol Amazonense, Gaspar Vieira Neto

 

Pudico: 1º craque da História do Rio Negro, de Manaus (AM)

Pudico no Rio Negro, em 1921

Leopoldo da Silva Amorim Neves, era mais um nome no meio de tantos outros. Mas o apelido de Pudico já o diferenciava, sobretudo, quando adentradava em campo em infernizava as defesas adversárias. Pudico nasceu no dia 24 de janeiro de 1898 em Manaus. Era membro de tradicional família da cidade. Ainda muito jovem, teve contato com o futebol que ,naquela época, ainda se engatinhava no Amazonas. Passou a jogar peladas com os amigos e logo mostrava um precoce talento. Estudante do tradicional ginásio D.Pedro II, Pudico era um aluno aplicado, sempre aproveitando as horas vagas para praticar o seu esporte preferido: o “Foot-Ball“.

É no ano de 1912, com apenas 14 anos, Pudico estreava num clube de futebol, o Sport Club Amazonense, no qual jogou ao lado de outros craques como Cícero Costa, Benévolo, Soeiro e Althberto. Já no ano seguinte, em 1913, passou a fazer parte do quadro da nascente equipe do Nacional, embora fizesse parte do time reserva do clube.

Depois de deixar o Nacional, Pudico se junta com um grupo de amigos, liderados pelo jovem Schinda Uchoa, e fundam, no dia 13 de novembro de 1913, uma nova agremiação futebolística: o Athletico Rio Negro Club.  No Rio Negro, Pudico fazia parte do time titular. É no dia 28 de novembro de 1913 que se registra o 1º gol do pequeno atacante em sua nova equipe.

Durante um amistoso com o Vasco, realizado no Bosque, Pudico marca o gol de honra do Rio Negro na goleada que sofreu de 5 a 1.Apesar da pouca altura, motivo pelo qual era mencionado pela imprensa esportiva como um elemento pequeno e perigoso na grande área e que merecia atenção redobrada dos zagueiros adversários. Com a bola nos pés, o pequenino “player” fazia diabruras, com belíssimos dribles, passes na medida e muitos gols.

No Campeonato Amazonense de 1914, Pudico tinha como principal companheiro de ataque o hábil Anízio. A estreia dos Rio-Negrinos no certame deu-se com uma derrota de 5 a 2 frente ao Manáos Sporting. Aos 16 anos, Pudico bem que tentou, mas não conseguiu salvar sua equipe que se tornou o saco de pancadas do torneio, sofrendo grandes goleadas como de 12 a 0 para o Nacional e 10 a 0 para o Manáos Athletic.

A principal explicação para esse fracasso é que a maioria dos jogadores Rio-Negrinos eram ainda adolescentes ,com pouca experiência no futebol. Após o fim da participação do Rio Negro no campeonato, Pudico reuniu um grupos de colegas da escola em que estudava (Ginásio D.Pedro II) e fundou, em junho de 1914, o Gymnasio Football Club, na qual seus atletas costumavam treinar e jogar na praça da República (atual praça D.Pedro II).

No Estadual de 1915, o Rio Negro veio com uma equipe melhor. Apesar de ter estreado com uma derrota de 7 a 0 para o Manáos Athletic, o clube fez bons jogos, como uma vitória sobre o Luso por 3 a 0. Pudico balançou as redes adversárias várias vezes no torneio. Se Cícero Costa brilhava no Nacional, Pudico não deixava por menos no Rio Negro. Defendeu o time barriga-preta desde sua fundação,em 1913, até o ano de 1922.

Em 1921 conquistou o primeiro e único título de sua carreira, quando foi campeão amazonense, no primeiro título da história do Rio Negro, derrotando o arquirrival Nacional. Depois de encerrada sua carreira no futebol, Pudico se formou em agronomia (1921)  e entrou na política. Foi deputado estadual (1935) e prefeito de Parintins.

Foi governador do Amazonas no período de 08-05-1947 a 31-01-1951. Dois anos depois de deixar o cargo, em 1953, Pudico falecia com a idade de 55 anos.       Sobre seu talento e peripécias em campo, há uma curiosa história. Segundo se diz, em um amistoso do Rio Negro com o Manáos Athletic,em 1915, no Bosque, houve uma cobrança de falta em favor do time barriga-preta.

Cobrada a falta, a bola bateu na barreira e sobrou para Hermínio que, vendo Pudico sozinho na grande área, fez o lançamento. Foi aí que o pequeno artilheiro deparou-se com um gigante zagueiro inglês de quase 2 metros. Para passar pelo grandalhão, Pudico só teve uma solução :ele passou com a bola por entre as pernas do inglês, marcando assim o gol da vitória de seu time. O feito gerou muita vibração e risadas dos torcedores.

Humilhado e enfurecido, o inglês partiu em debandada carreira atrás do pequeno atrevido para agredi-lo. Felizmente, a turma do “deixa disso“interviu, acalmando os ânimos. Leopoldo Neves jogou os campeonatos amazonense de 1914 a 1921, somente por uma equipe: Athletico Rio Negro Club.

 

FONTES: Professor e Pesquisador do Futebol Amazonense, Gaspar Vieira Neto

Atlético Rio Negro Clube – Manaus (AM): 1º Escudo e Uniforme de 1913

Seguindo na busca por novidades do futebol brasileiro, segue o 1º escudo do Atlético Rio Negro Clube. É uma agremiação da cidade de Manaus (AM), Fundado em 13 de Novembro de 1913 como “Athletic Rio Negro Club”, mais tarde rebatizado usando a grafia atual.

A escolha pelo nome é uma homenagem ao Rio Negro, um dos mais importantes do país. É um dos clubes mais tradicionais e importantes do Estado do Amazonas, no qual se destaca em diversas modalidades esportivas dentre as quais o vôlei e o futebol profissional.

Distintivo atual

FONTE E IMAGEM: Wikipédia – Gaspar Vieira Neto                                                                                                                                          

Praça Floriano Peixoto: 1º local em que se praticou o futebol no Amazonas

A Escola Euclides da Cunha e uma parte da Praça Floriano Peixoto, no bairro da Cachoeirinha (1901). Foi nesse local que se realizaram as primeiras partidas de futebol em Manaus, entre os ingleses.

Lá se vão 112 anos que o futebol é praticado no Amazonas. Durante todos esses anos surgiram centenas de campos e estádios espalhados por todo o estádio, na qual jovens, crianças, velhos e mulheres correm atrás de uma bola de couro, em uma animada disputa do esporte mais popular do povo brasileiro.

Atualmente, Manaus usufrui de três belos estádios: a Arena da Amazônia, Colina e Carlos Zamith. Além demais estádios espalhados pelo interior. Mas, afinal, qual foi o primeiro campo onde se praticou o futebol no Amazonas? Talvez alguns digam que foi o saudoso Estádio Parque Amazonense, mas não foi.

O Parque foi inaugurado em 1906 como um Hipódromo e somente em 1918 passou a receber partidas de futebol. Teria sido então o Bosque Municipal? Também não. Apesar de ter sido o principal palco nos primeiros anos do século XX , o bosque foi inaugurado em 1904 e somente a partir de 1909 que se registram os primeiros jogos no local.

Na verdade, o primeiro local, que se tem noticia, onde o futebol local foi praticado foi na extinta Praça Floriano Peixoto. A praça localizava-se em Manaus, no bairro da Cachoeirinha. Situava-se entre a Avenida Canaçari (atual Carvalho Leal), Borba, Canutama (atual Rua Ipixuna) e a Rua Santa Isabel. Por estar próximo á capela de Santo Antonio (conhecida como igreja do pobre diabo), era também chamada de praça do pobre diabo.

Anúncio da Festa promovida pelo Racing Club, relativo a aquisição da Praça Floriano Peixoto. O evento ocorreu no dia 22 de Agosto de 1909

O logradouro surgiu no final do século XIX. Em 1894 passa a chamar-se oficialmente de Floriano Peixoto, em homenagem ao famoso militar alagoano que governou o Brasil. Manaus passava por um período de grande prosperidade econômica, impulsionado pela exportação da borracha.

Devido a isto,firmas inglesas começam a se instalar na cidade.com ela vieram seus diretores,engenheiros, técnicos e funcionários. Em suas horas vagas e de lazer,os britânicos praticavam os principais esportes de sua terra: tênis, críquete e… Futebol.

Para praticar o “Foot-Ball“, os ingleses resolveram escolher um local bem amplo e que ficasse afastado da zona central da cidade,pois eles eram membros de uma  comunidade fechada. Após pesquisarem bem, decidiram que a Praça Floriano Peixoto, na Cachoeirinha, era o local ideal pois, era um campo vasto e num local bem tranquilo.

Foi no logradouro da Cachoeirinha que os britânicos começaram a jogar suas primeiras partidas. O primeiro registro de um jogo de futebol no Amazonas aconteceu no dia 16 de março de 1903, quando, nesse dia, os ingleses realizaram, no final da tarde, uma animada partida na Praça Floriano Peixoto.

Foi ao redor dessa praça que alguns amazonenses viram, com curiosidade, aquele até então desconhecido esporte sendo praticado pelos estrangeiros. Com o tempo, os manauaras foram simpatizando com o futebol e, em alguns anos,começaram a fundar seus próprios clubes.

Com relação á praça, ela continuou servindo de palco para o futebol. Eis que em 1906, um grupo de amazonenses fundam o primeiro clube do futebol local: o Racing. O nascente clube escolheu como local para seus treinos e jogos,a praça Floriano Peixoto.

O primeiro registro de um jogo oficial entre dois clubes distintos na referida praça, foi no dia 16 de junho de 1907,no encontro entre o Racing e o Sport Football Manáos. Já o primeiro resultado conhecido do lugar, foi o jogo entre o Racing e o Sport Club de Manáos, que terminou empatado em 2 a 2, no dia 22 de setembro de 1907. De tanto treinarem e jogarem no local,os sócios do Racing chegaram a conclusão que ali era o lugar ideal para ser seu campo oficial. A diretoria do clube pede uma autorização á prefeitura e tem parecer favorável.

Para comemorar a aquisição de sua nova casa esportiva, a diretoria alvinegra realiza, no dia 22 de agosto de 1909, uma grande festa com a realização de várias modalidades esportivas. O evento teve a participação de 2 mil pessoas.Começaram a ter importantes partidas entre o Racing e o   Brasil, Manáos Athletic, e outros.

Foi na praça que desfilaram os primeiros craques de nosso futebol como Alberto Ballalai, Deodoro Freire, Pingarilho, Loureiro, Américo, Pudico, Gordon Huascar Purcell, Cícero Costa, Craveiro e outros. A Praça Floriano Peixoto e o Bosque Municipal eram os principais campos de futebol do Amazonas daquele período.

Em 1912,o Racing era extinto, deixando a praça sem um clube de futebol de sua posse. Somente em outubro de 1913 é que uma nova equipe,o Manáos Sporting, toma posse do lugar como seu campo oficial. Em 1914, com a realização do 1º Campeonato Amazonense, a praça é designada para comportar os jogos da 2ª Divisão com partidas entre Luso, Onze Portugês, Naval, Satéllite e os times reservas do Vasco, Rio Negro e Manáos Sporting.

Nos anos seguintes, continuou recebendo jogos da 2ª Divisão. Com o surgimento, em 1918, do Parque Amazonense para o futebol, e o surgimento de outros campos, o tradicional logradouro foi perdendo sua importância para o futebol. Ainda na década de 20 se realizavam partidas no local.

Mas,c om o tempo, o local teve o seu final.em 1942, o governo do estado concedeu ao exército um terreno fronteiriço á praça para ali construir o hospital militar. Acontece que os militares acabaram tomando posse do terreno da praça, decretando assim o desaparecimento daquele histórico logradouro.

A Praça Floriano Peixoto teve como vizinhos dois patrimônios históricos de Manaus: a escola Euclides da Cunha e a igreja do pobre diabo, que conseguiram sobreviver ao tempo. Hoje no local está assentado o hospital geral do exército.  Hoje, com certeza muitas pessoas ao passarem por suas imediações não imaginam que foi ali que começou a se desenvolver uma das grandes paixões do amazonense: o futebol.

 

FONTES & FOTOSProfessor e Pesquisador do Futebol Amazonense, Gaspar Vieira Neto

Três jogos marcaram a Inauguração do Estádio Parque Amazonense, em 1918

É no ano de 1918 que acontece em Manaus um grande evento esportivo que praticamente parou a cidade: a inauguração de uma nova praça esportiva para o futebol local, o Estádio Parque Amazonense.  Na verdade o antigo parque existia desde 1906 e era inicialmente um hipódromo pois as corridas de cavalo eram, até então, a principal modalidade esportiva da sociedade manauense. Com o passar dos anos, com o crescimento e importância que o futebol adquiriu em Manaus, foi preciso procurar um outro local que acomodasse maior número de público.

O local escolhido foi o antigo hipódromo. Para abrilhantar a inauguração do novo palco, a federação local convidou um Combinado Paraense que prontamente aceitou o convite. O selecionado paraense foi formado melhores jogadores do Paysandu, Remo e Brasil Sport.

Os atletas convocados foram os seguintes: Carlito, Formigão, Cícero Costa, Suíço, Arthur Moraes, Zito, Flávio, Joãozinho, Aranha, Mamede, Barata e Saracura. Como chefe da delegação foi escolhido o senhor Edgard Proença.

Feito os devidos ajustes, os paraenses deixavam Belém e embarcavam no vapor São Luiz, rumo á capital amazonense. Naquela época havia uma forte rivalidade entre os clubes de futebol dos dois estados.

Os Paraenses foram recebidos, em sua chegada no porto de Manaus, por uma multidão de curiosos que queriam ver de perto jogadores como o atacante Suíço, considerado na época o melhor jogador de futebol do norte do Brasil.  Após desfilarem em carro aberto pelas principais ruas da cidade ,os atletas belemenses se instalaram no Grande Hotel, na Rua Municipal (atual 7 de setembro).

JOGO INAUGURAL

O primeiro jogo foi marcado no domingo, do dia 19 de maio de 1918. O parque ficou completamente lotado com a banda da polícia militar entretendo a todos. Também se fizeram presentes todos os representantes dos clubes de Manaus como também o pioneiro cineasta Silvino Santos, que filmou o jogo.

Em campo, o Combinado Paraense enfrentava o Combinado Português, que era formado por jogadores de dois clubes portugueses de Manaus: Luso e União Sportiva. O juiz escolhido para o jogo foi Raymundo Chaves. Foi posta a Taça Miranda Correa, a ser entregue para o time vencedor. O senhor Hamilton Leão representou o governador.

No 1º tempo, os portugueses dominaram o jogo que terminou em 0 a 0. O goleiro Arnaldo (que jogava no Luso) fez excelentes defesas, evitando que os visitantes abrissem o placar. Carneiro perdeu muitos gols para os luso-amazonenses. A torcida começou a insultar os paraenses.

No 2º tempo os portugueses relaxaram e Arthur Moraes, de pênalti, abre a contagem para o Combinado Paraense. Logo depois, Joãozinho e Cícero Costa ampliavam para os visitantes, terminando o jogo com o seguinte resultado: COMBINADO PORTUGUÊS 0 X 3 COMBINADO PARAENSE.

Combinado Português: Arnaldo; Marques e Cly; Valentim, Amadeu, Joãozinho, Silva, Affonso, Mattos, Tico-Tico e Carneiro.     

Combinado Paraense: Ovídio; Mamede e Carlito; Formigão, Suíço e Saracura; Zito, Joãozinho, Cícero Costa, Barata e Arthur Moraes.    

SEGUNDA PARTIDA   

O jogo seguinte, na sexta-feira, no dia 24 de maio, entre o Combinado Paraense (Foto acima, a equipe com camisa listrada nas cores em vermelho e branco; calção branco e meiões pretos) versus o Combinado Amazonense, formado pelos melhores jogadores do Nacional, Rio Negro e Manáos Sporting. Para que a população pudesse assistir o jogo, foi dado ponto facultativo a partir do meio dia e todas as casa comerciais da cidade fecharam as portas.

Para esse novo jogo, foi posta a Taça Estado do Amazonas que seria entregue ao combinado vencedor. O juiz escalado para o combate foi Raul Antony.

Começado o jogo, a partida foi bem disputada de lado a lado sendo que os amazonenses possuíam bons jogadores como Dantas, Pequenino e Hermínio. O primeiro gol dos paraenses foi marcado por Arthur Moraes, de pênalti, após Fidoca colocar a mão na bola. E assim terminou o 1º tempo.

Na segunda etapa é a vez de Barata, de cabeça, assinalar pela segunda vez, fechando a contagem e o resultado final: COMBINADO AMAZONENSE  0 X 2 COMBINADO PARAENSE.

Combinado Amazonense: Nery; Fidoca e Mário; Pequenino, Raul e Aurélio; Luiz, Hermínio, Paulo Mello, Kardec e Dantas.   

Combinado Paraense: Ovídio; Mamede e Carlito; Formigão, Suíço e Saracura; Zito, Joãozinho, Cícero Costa, Barata e Arthur Moraes.

                                                  

Nacional de 1918, que enfrentou com o Combinado Paraense

ÚLTIMO JOGO   

O último compromisso dos paraenses seria com o Nacional, Tricampeão Amazonense, e foi realizada no domingo, do dia 26 de maio. Novamente se ofereceu um prêmio ao time vencedor, a Taça Municipalidade.

Inicia-se o jogo. Os Paraenses começam a jogar com extrema violência, o que gerou protestos da torcida. Apesar das faltas graves do time do Pará, o árbitro nada fazia. Começam a pipocar confusões na arquibancada. A violência continua e o juiz se encontra perdido em campo.

As Arrancadas se proliferam de lado a lado, até que, numa rebatida do goleiro nacionalino Nery, a bola cai nos pés de Cícero Costa que só tem o trabalho de empurrar a esfera para as redes, marcando o primeiro gol dos visitantes. No final do 1° tempo, o juiz não marca um pênalti legítimo em favor do Nacional.

É iniciado o 2° tempo. O nacional, após muito pressionar, consegue o seu intento. Paulo Mello, em cobrança de pênalti, empata para o clube amazonense. A torcida comemora em delírio. E assim perdurou o placar com o seguinte resultado: NACIONAL 1 X 1 COMBINADO PARAENSE.

Nacional: Nery; Fidoca e Rodolpho; Pequenino, Bastos e Fernandes; Aureliano, Azevedo, Paulo Mello, Pará e Dantas.                                              

Combinado Paraense: Ovídio; Formigão e Carlito; Suíço, Saracura e Joãozinho; Zito, Cícero Costa, Aranha, Barata e Arthur Moraes.

 

NOTA TRISTE

Um fato trágico e curioso que aconteceu durante esse jogo foi que um fanático torcedor nacionalino, chamado Cajuí, que se encontrava no Parque, morreu de infarto após comemorar, emocionado, o gol de empate de seu clube. Nesse último jogo, o Nacional lavou a honra dos Amazonenses evitando que os visitantes saíssem de Manaus com três vitórias.

FOTO ACIMA:  Chegada dos jogadores paraenses no porto de Manaus,a bordo do vapor São Luiz, onde foram recebidos por uma multidão

FESTEJOS E O RETORNO

Após o jogo final, jogadores e delegação Paraense foram convidados para festividades na Sede do Rio Negro (Rua Monsenhor Coutinho), no cinema Polytheama e na cervejaria Miranda Correa.  Agradecendo a hospitalidade que receberam em Manaus, os Paraenses embarcavam no vapor “Olinda” e voltavam para sua capital.

 

FONTES & FOTOSProfessor e Pesquisador do Futebol Amazonense, Gaspar Vieira Neto – Jornal A Capital – Site Baú Velho  – Mercado Livre

Nacional de Manaus: 1º clube do Amazonas a jogar em outro Estado

Time posado do Nacional antes da partida contra o Paysandu, em 1919

Após o futebol ganhar espaço em Manaus, era chegado a hora de atravessar alguma ‘fronteiras’. Afinal, já tinha recebido a visita de times provisórios formados por marinheiros ingleses quando seus navios aportavam na cidade, como também equipes de outros estados, como  o time do Sport Club Pará, de Belém, que aqui chegou em 1909 ou o Combinado Paraense, que realizou uma série de jogos, em 1918.

Agora era o momento de um clube amazonense ultrapassar as linhas do Estado e enfrentar o “inimigo” fora dos seus recintos. Após uma tentativa dos dirigentes amazonenses, em 1913, de organizar um combinado local para enfrentar o Belém do Pará, mas por falta de organização, apoio e verba, acabou fracassando.

Então, seis anos depois, finalmente o dia tinha chegado. Em 1919, o responsável por esse pioneirismo coube ao tradicional Nacional, que tinha se sagrado tetracampeão amazonense (1916, 1917, 1918 e 1919). A convite dos ‘cartolas’ do  Paysandu, a equipe nacionalina seguiu para Belém, no dia 9 de dezembro de 1919, tendo o senhor Mário Bayma foi designado como chefe da delegação, além dos jogadores: Nery, Fernandes, Antoniano, Amadeu, Eduardo, Jurandir, Orlando, Secundino, Craveiro, Leonardo, Rodolpho e Pequenino.

A população foi em peso ao porto acompanhar a partida dos jogadores. Cerca de 2 mil pessoas estavam presentes, ao som da banda de música da força policial do estado. Após dias de viagem,o Tejo singrava as águas da Baía do Guajará, aportando em Belém.

Atacante Jurandir autor de um dos gols contra o Paysandu, em 1919

PRIMEIRO JOGO FORA DE MANAUS

O 1º jogo foi marcado para o dia 21 de dezembro de 1919, contra o Paysandu, no estádio do próprio Paysandu, na Avenida Tito Franco. O local estava completamente lotado pois, dois dias antes, já haviam se esgotado os ingressos. As escalações:

NACIONAL: Nery; Fernandes e  Rodolpho; Amadeu, Eduardo e Jurandir; Orlando, Secundino, Azevedo, Dantas e Leonardo.

PAYSANDU: Joãosinho; Genaro e Garcia; Xavier, Suíço e Guimarães; Zito, Aristides, Leôncio, Mimi Sodré e Arthur Moraes.

O árbitro designado para o duelo foi o senhor Galdino Araújo. Foi posto um prêmio para o time vencedor, a Taça Moreira Gomes. Iniciado o jogo, o Paysandu abre a contagem aos 15 minutos, com um forte chute de Zito. Logo depois o time da casa ampliava, quando Leôncio driblou Rodolpho e marcou o segundo gol.

Um minuto depois, Aristides balança a rede dos amazonenses pela terceira vez. O nacionalino torce o pé gravemente e é levado por uma turma de escoteiros para fora do campo. E assim terminou o 1º tempo com a vantagem do Paysandu por 3 a 0.

Na etapa final, veio a reação do Nacional. Rodolpho marca o primeiro dos amazonenses logo aos quatro minutos. Jurandir, na sequência, assinala o segundo. Mas o Paysandu não estava morto e Aristides cola a bola na rede de nery, fazendo o quarto gol de sua equipe.

Já perto do final, Leôncio (em impedimento) fecha a contagem para o time local, marcando o quinto e último gol. Placar final: PAYSANDU 5 X 2 NACIONAL.

Após o fim do jogo,os nacionalinos foram bastante aplaudidos pela torcida adversária. O segundo jogo do Nacional foi realizado no dia 25 de dezembro, no campo do Paysandu, contra o time do Banco Ultramarino. O time amazonense estava desfalcado de Fernandes, Jurandir e Azevedo que eram alguns de seus melhores atletas

Enfraquecido,o Nacional acabou derrotado pelos bancários por 3 a 0.                                                                                                                              O terceiro e último compromisso do Nacional no Pará foi contra o seu xará: o Nacional de Belém. O jogo realizou-se no dia 28 de dezembro e o clube amazonense venceu o Nacional Paraense por 3 a 1, gols assinalados por Craveiro, Orlando e Rodolpho.

Novamente nesse jogo, o Nacional esteve desfalcado de seus principais atletas. Após a série de três jogos, os atletas manauaras se despediam de Belém e embarcavam no vapor “Tejo” rumo á Manaus.

Chegaram em Manaus precisamente ás 17 horas do dia 11 de janeiro de 1920. Um grande número de pessoas os aguardava no porto. Após desembarcar, os jogadores, acompanhados pela multidão, se dirigiram até a sede do clube onde muitos torcedores os aguardavam, como também a banda musical do Luso que os recebeu com seu vasto repertório.

À noite, houve na sede do Nacional animado baile que varou a madrugada. Dos jogadores do Nacional, apenas Rodolpho e Pequenino não voltaram. O primeiro foi contratado pelo Clube do Remo e o segundo ficou em um hospital para ser operado.

Era a primeira vez na história que um clube do futebol amazonense visitava e jogava em outro estado brasileiro, abrindo caminho para que outros clubes de Manaus fizessem o mesmo.

 

FONTE: Professor e Pesquisador do Futebol Amazonense, Gaspar Vieira Neto 

Combinado Amazonense x Manáos Athletic, em 1913: Confronto entre os amazonenses e ingleses que gerou o desenvolvimento do futebol no Estado

Combinado Amazonenses de 1913

O futebol foi introduzido no Amazonas por volta de 1903, trazido pelos ingleses que residiam na capital amazonense. Naquele período, Manaus passava por uma grande efervescência econômica, impulsionada pela exportação da borracha. Inicialmente,o futebol era uma prática restrita dos britânicos, que costumavam jogá-lo no bairro da Cachoeirinha, que na época se encontrava um pouco distante da área central.

Com o tempo,os nativos acabaram sendo conquistados por aquele jogo e, a partir de 1906, passaram a fundar seus próprios clubes. A partir daí,começaram a se realizar jogos entres os ingleses e os manauaras.No início, os britânicos ganhavam com facilidade mas, com o tempo, os amazonenses foram assimilando as táticas e se aperfeiçoando a ponto de encarar os orgulhosos súditos da rainha sem nenhum temor.

Passados os anos,o futebol foi ganhando mais visibilidade no estado. Em 1913 o futebol já estava consolidado como esporte favorito de toda a população baré. Foi então que nesse ano os dirigentes dos principais clubes lançaram a ideia de organizar um combinado com os melhores jogadores amazonenses em um time que ficou conhecido como “Scratch Brasileiro“.

A finalidade era enfrentar a poderosa equipe inglesa do Manáos Athletic. Seria uma maneira de tentar tirar os orgulhosos ingleses de seu pedestal e também de saber qual era o melhor futebol praticado no Amazonas naquele momento,se o inglês ou brasileiro.

O primeiro confronto entre o Combinado Amazonense (que foi formado pelos melhores atletas do Brasil e do Nacional) e o Manáos Athletic, aconteceu no dia 16 de março de 1913 no campo do Bosque Municipal. O árbitro do duelo foi Fábio Loureiro e a partida terminou com uma goleada dos ingleses por 6 a 0, apesar dos esforços dos atacantes Paulo Mello e Pucú, que não conseguiram furar o gol do goleiro inglês Anderson.

O segundo jogo aconteceu quatro meses depois. Realizado no bosque, no dia 20 de julho, e arbitrado pelo inglês Meech. O resultado final foi a vitória do Athletic, de virada, por 4 a 2. Cunningham (duas vezes), Billet e Wright marcaram para os britânicos, enquanto Paulo Mello e Paiva descontaram para os manauaras.

Um fato curioso é que é que houve uma confusão entre os jogadores devido ao juiz ter validado um gol em impedimento dos ingleses e ter anulado um legítimo dos amazonenses. O terceiro duelo foi no dia 12 de outubro. Foi também realizado no Bosque e teve como juiz o senhor Hermano Braga.

O Combinado era formado pelos melhores jogadores do Manáos Sporting e Nacional. O confronto foi bem disputado, terminando empatado em 3 a 3. Paulo Mello (dois tentos) e Cícero Costa assinalaram para os brasileiros. Já Gorvin marcou três vezes para o Athletic. O jogo teve a presença ilustre do doutor Álvaro Zamith, presidente da Liga Metropolitana do Rio de Janeiro, que se encontrava em Manaus.

O quarto jogo foi realizado no mesmo local, e teve como juiz o inglês Gay. A partida foi bem emocionante com a vitória, de virada, do Combinado sobre o Manáos Athletic por 4 a 3. Cícero Costa (dois), Loureiro e Paiva marcaram para o Combinado. Cunningham, Wright e Fernandinho (contra) descontaram para os britânicos.

A partida foi dedicada ao superintendente da capital, doutor Jorge de Moraes. Um fato curioso é que, ao findar o 1º tempo, os manauaras perdiam por três gols de vantagem. Foi aí que o capitão do time percebeu o erro tático e tirou Cícero da zaga para colocar-lhe no ataque.E foi aí que começou a reação do escrete local, culminando com a vitória.

O quinto e último encontro aconteceu no dia 7 de dezembro, no Bosque. Foi arbitrado por Fábio Loureiro. Diferente dos outros jogos, este duelo não teve grande presença de público devido ao fato de estar sendo comemorado, naquele dia, festividades em honra á santa padroeira do Amazonas.

Além disso, uma torrencial chuva que caiu antes do jogo, afastou mais ainda a torcida. O jogo foi bem equilibrado e, no final, o Combinado Amazonense triunfava sobre o Athletic por 3 a 2.Cícero Costa (dois) e Cazuza balançaram a rede para os manauaras e Barton e Ostereich finalizaram para os ingleses.

O goleiro do Combinado, Craveiro, ainda defendeu um pênalti batido por Barton.   E assim,terminou a série de Cinco jogos entre os melhores atletas amazonenses e o Manáos Athletic. A disputa foi bem equilibrada: duas vitórias para cada lado e um empate. A conclusão final é de que tanto britânicos como os nativos se mostravam em pé de igualdade, em referência ao melhor futebol jogado no norte do Brasil.

Esses cinco duelos foram de grande sucesso na vida esportiva de Manaus em 1913. Houve grande cobertura da imprensa, arquibancadas lotadas, presença de autoridades e, lógico, grandes jogadas dos brilhantes atletas amadores que encantaram a exigente torcida amazonense, que a partir daquela data adotou o futebol como o principal esporte do Estado.

 

FONTE: Professor e Pesquisador do Futebol Amazonense, Gaspar Vieira Neto