ZICO X MARADONA – O DUELO ENTRE UM TITÃ E UM GÊNIO DA BOLA

No mundo inteiro do futebol há uma pergunta que jamais se cala! “Quem foi melhor Pelé ou Maradona” até a própria FIFA entrou nesta questão promovendo uma votação e que no final teve controvérsias e muita polemica e terminou agradando a todos. Mas para mim que acompanhei a carreira Del Pibe d’oro por ser mais de meu tempo e só ter visto Pelé jogar com a camisa do Santos no dia da sua despedida na Vila Belmiro e no Cosmos de Nova York, afirmo que Maradona foi um gênio da bola, mais jamais comparável a Pelé, alem do mais eles jogaram em épocas diferentes quando Maradona nasceu Pelé já era o “Rei do Futebol” encantava o mundo parava até guerra era visitados por príncipes e rainhas, quando El Pibe começou a sua trajetória Pelé já estava praticamente se despedindo; porém na década de 80 foi feita outra pergunta envolvendo um brasileiro e o famoso craque argentino! “Quem é melhor Zico ou Maradona” ai já se cabia uma melhor analise pois apesar de Zico já ter começado a se destacar desde as categorias de base do Flamengo, Maradona aos 15 anos despontava no Argentino Juniors.

Em 1978 Maradona está pré-convocado para a Copa da Argentina mais fora preterido por César Luis Menotti por ser muito jovem e Villa foi em seu lugar, Dieguito tinha 17 anos, já Zico vinha sendo destaque da seleção brasileira com 25 anos disputava seu primeiro mundial mais sem o brilho e dividia a condição de titular com Jorge Mendonça, no final da década de 70, Zico deu uma guinada e iniciou-se uma época de ouro na sua carreira com grandes conquistas muitos gols jogadas geniais levando ao Flamengo a conquistar o Brasil á América e o Mundo foram dias de glorias embora fosse marcado com jogador de Maracanã o que não era verdade na seleção o galinho também começou a se destacar brilhando nas eliminatórias e em jogos amistosos numa turnê pela Europa em 1981, enquanto isto na Argentina, Maradona era unanimidade absoluta foi eleito o melhor jogador do Mundial Junior de 1979 vencido pela Argentina, encantou os olhos do mundo com dribles, golaços e jogadas de mágico uma genialidade total e uma transferência para o famoso Boca Juniors em 1981 e fora neste mesmo ano que se começou a especular quem era melhor “Zico ou Maradona” em 15/09/1981 se realizou o jogo de despedida de Carpegiani e o Boca Junior de Maradona veio jogar contra do Flamengo, mais o que interessava mesmo era o embate entre Zico X Maradona e deu Zico que marcou os dois gols da vitória do Flamengo, mas antes desde embate eles já haviam se enfrentado defendendo suas seleções em 1979 pela Copa América em 02/08/1979 no Maracanã deu Brasil 2 x 1 com Zico marcando um dos gols da nossa seleção, ás vésperas da Copa da Espanha em 1982, Maradona é contratado por um dos gigantes do futebol europeu o Barcelona sendo recebido com muita pompa na Catalunha enquanto Zico era a maior referência da seleção brasileira que ao lado da Argentina eram as favoritas ao títulos e a pergunta não se parava de calar “Zico ou Maradona” bem a Copa foi um fracasso para Maradona ele não jogou a que se esperava dele e Zico apesar de belos gols e ter ajudado o Brasil a encantar o mundo com um futebol mágico e alegre também não ter conseguido o titulo, porém houve um novo confronto entre eles no dia 02/07/1982 no Estádio Sarriá o Brasil bateu a Argentina por 3 x 1, Zico deixou sua marca com um gol e duas assistências uma para Falcão servir a Serginho no segundo gol e outra para Junior marcar o terceiro e Maradona ainda fora expulso por entrada violenta em Batista.

Depois de alternar boas jornadas e muitas contusões e muitas confusões pelo Barcelona, Dieguito é contratado pelo Napoli time de grande torcida na Itália mais sem conquistas, lá já estava Zico jogando também por uma equipe mediana a Udinese e fazendo uma primeira temporada estupenda sendo vice-artilheiro do cálcio mais ai os ventos mudaram de lado Zico se viu no inferno na sua segunda temporada italiana, Maradona começou a brilhar no final do primeiro turno da temporada 84/85 no dia 06/05/1985 o único confronto deles na Itália e deu Napoli de Maradona que marcou dois de pênalti na vitória por 4 x 3, Zico partiu sem vencer na velha bota e Maradona começou a viver a sua era de ouro, vence o Scudetto por duas vezes em 86/87 e 89/90, a Copa Itália de 86/87 e a Copa da Uefa de 88/89 levando o Napoli a ser conhecido no mundo.

A grande resposta de quem era melhor Zico ou Maradona para muitos veio na Copa de 1986 no México, Maradona brilha nas eliminatórias com a Argentina apesar do susto contra o Peru, Zico também mais discreto, depois das eliminatórias Zico sofre uma seria contusão no joelho que ameaça sua participação no mundial, e Maradona segue sua trajetória de sucesso na Itália o desfecho desta questão chega com Maradona passando de vilão a herói dando a Argentina com um time em que ele era o astro rei o título e atuações fantásticas e gols marcantes de todo jeito até de mão e Zico passando de herói a vilão por ter perdido um pênalti contra a França no tempo normal no jogo que eliminou o Brasil da Copa, Maradona depois seguiu brilhando até o inicio da década de 90 quando seu mundo deu um volta ao contrario com escândalos com drogas e seu retorno à Argentina e Zico continuou no Flamengo até 1989 conquistou a Copa União de 1987 seguiu até o Japão onde virou ídolo por difundir o futebol na terra do sol nascente.

Para mim Zico foi um Titã da bola um jogador que os números jamais poderão omitir seu brilho, suas jogadas e seus belos gols até hoje são lembrados não só por torcedores do Flamengo, da Udinese e do Kashima Antlers da Seleção Brasileira, Zico encantou o Brasil e o mundo suas cobranças de faltas seus lançamentos sua classe sempre em busca do gol e foram muitos gols 812 no total da sua carreira, Zico não foi só jogador de Maracanã, Zico foi jogador da vários estádios pelo Brasil, foi jogador do Estádio Centenário em Montevidéu, foi jogador do Estádio Comunalle de Friuli, foi jogador do Estádio Nacional de Tóquio, foi jogador de vários estádios do Mundo.

Para mim Maradona foi um gênio da bola, um artista que brincava de jogar futebol seus números generosos traduzem o que ele representou para o futebol mundial, sua plástica impressionante agilidade seus toques de canhota como no gol histórico contra a Inglaterra o domínio da bola os dribles todos com a perna esquerda, aliás um inglês me confessou que por causa de gol marcado os ingleses não choram muito o gol de mão marcado antes no mesmo jogo pois este gol valeu por mil.

Números da Carreira:

Zico (Flamengo, Udinese, Seleção Brasileira e Kashima Antlers)
Gols: 812
Títulos: Mundial Interclubes 1981, Libertadores 1981, 7 Campeonatos Carioca, 3 brasileiros e 1 Copa União 1987, Torneio Bicentenário dos EUA em 1976 pela Seleção Brasileira, bola de ouro revista placar 74 e 82, melhor jogador das Américas em 77 e 82 em 1981 eleito o melhor jogador do mundo pelas revistas EL Mundo, Guerin Esportivo e El Balón.

Maradona (Argentino Juniors, Boca Juniors, Barcelona, Napoli, Sevilha, New Old Boys)
Gols: 345
Títulos: Mundial 1986 e Mundial Junior 1979 pela Seleção Argentina, 2 Campeonatos Italianos, 1 Copa Itália e 1 Copa da Uefa pelo Napoli, 1 Copa do Rei pelo Barcelona, eleito melhor jogador do Mundo em 1986 e das Américas em 79,80, 86 e 89

Confrontos Diretos:

02/08/1979 – BRASIL 2 X 1 ARGENTINA – Maracanã/BRA
15/09/1981 – FLAMENGO 2 X 0 BOCA JUNIOR – Maracanã/BRA
02/07/1982 – BRASIL 3 X 1 ARGENTINA – Sarriá-ESP
06/01/1985 – NAPOLI 4 X 3 UDINESE – Napoli/ITA

Gols nos confrontos:

Zico 4 x 2 Maradona

Fonte: Pesquisa dos Confrontos, Gols e Numeros da Carreira Biografias de Zico e Maradona.

A Improbabilidade Infinita ou A Batalha dos Aflitos…..

….ou ainda, Eu Nunca Deixei de Acreditar

“- Mas… mas… Isso é impossível! – gritou ele, atônito.
– Não. É apenas muito, muitíssimo improvável.”

Existem momentos. Existem mistérios. E existem os deuses. Sim, os deuses. Aqueles mesmos que eu canto, vez por outra, e em quem alguns de vocês se recusam a acreditar. Os deuses da bola, que sabem quando devem agir, e quando devem esperar.

Os mesmos deuses que têm sido tão atacados esse ano por aqui. O Brasil demorou mais de 100 anos pra ter um campeonato de verdade. Era a vergonha maior: o país do futebol passou um século vivendo apenas com “torneios” ou
“taças”, e só em 2003 ganhou o direito de ter um campeonato. O sonho durou dois anos. No terceiro, resolveram dar um jeito de voltar à bagunça cotidiana. Jogos anulados, resultados manipulados, equipes com jogos a mais
ou a menos, times jogando cinco vezes em oito dias. O feijão com arroz que nos acostumamos a achar “normal”.

Os deuses a tudo assistiram, impávidos. Esperavam o seu momento para agir, castigar os responsáveis pelos sacrilégios cometidos. Para grandes males, grandes remédios. Eles foram dando sinais de que algo especial estava para acontecer. Os ateus se recusavam a percebe-los, mas eles eram visíveis, como nuvens escuras prenunciando a tempestade redentora.

E ela veio, como não poderia deixar de vir.

Recife, Estádio dos Aflitos, 26 de novembro de 2005. Náutico e Grêmio decidem uma vaga na primeira divisão em 2006. O Náutico não pode mais disputar o título, mas precisa da vitória pra garantir o acesso à divisão superior. Já o Grêmio pode até ser campeão da segundona, basta vencer o jogo. Porém, entra em campo cauteloso, jogando com o regulamento, sabendo que o empate é suficiente para a subida. E como o Santa Cruz perde o outro jogo, contra a Portuguesa, esse empate é também o que basta para o título.

Por isso, uma retranca, uma estratégia de bloquear o jogo e não correr muitos riscos além do necessário. O Náutico, claro, tem que fazer o papel do gato, e parte para o ataque, embora sem muita qualidade. O tempo vai passando, o Náutico (”gato”) tem o domínio territorial do jogo, fica com a bola mais tempo, ataca mais, mas o Grêmio (o “rato”) vai levando a sua tática avante, conquistando o seu objetivo.

É quando o soprador de apito de plantão, senhor Djalma Beltrani, resolve começar a tentar desequilibrar o jogo, e ajudar o gato a fazer o que ele não consegue fazer sozinho. Um jogador do Náutico mergulha na área, e Djalma apita. Um penalti que se não é escandaloso é no mínimo muito duvidoso.

Bruno Carvalho bate, e a bola explode na trave. Os deuses deram o primeiro aviso. Hoje não!!!! Já basta tudo que fizeram durante o ano, vocês já se divertiram bastante inventando lances, anulando jogos, determinando resultados. Hoje não!

Mas o homem moderno não acredita em deuses. E não vai ser um aviso leve desses que vai fazer isso mudar. Os deuses balançam a cabeça. Homens de pouca fé. Vai ser preciso empregar uma dose maior.

O jogo continua na mesma toada. O gato corre a casa toda, sem objetividade, o rato dá algumas estocadas ocasionais, mas também não consegue levar o queijo à toca. O jogo caminha para um 0×0, se algo não for feito para mudar o equilíbrio.

Bem, se um pênalti não deu certo, que tal tirar um jogador do Grêmio? E é assim que o lateral Escalona é expulso, num lance um tanto quanto inexplicável. Os jogadores gremistas reclamam, sem entender que neste momento já são apenas peças num jogo muito maior que eles.

O Grêmio, com um a menos, se fecha ainda mais, segurando heroicamente o empate, e deixando apenas Ânderson isolado, para tentar algum contra-golpe. E o gato continua a caçada. O jogo começa a ganhar um leve tom épico. Garantir a classificação, na casa do adversário, com uma arbitragem
desfavorável, e com um jogador a menos, seria um grande feito.

É quando o temerário Djalma resolve desafiar de vez o poder dos deuses. Ah, incrédulo Djalma! Ah, tolo irreverente! Se tivesses percebido a mão divina, se tivesses visto os sinais, talvez as coisas ficassem por aí. Talvez os deuses se dessem por satisfeitos com o 0×0, com a heróica defesa do castelo
levada a cabo pelos tricolores. Mas não! Não, ó impenitente juiz! Tinhas que mostrar que os deuses não existem! Tinhas que mostrar que és tu que decides o resultado. Tinhas que inventar mais um penalti absurdo!

E é o que ele faz. Os jogadores do Grêmio, compreensivelmente, se desesperam. É demais. Primeiro, o pênalti. Depois, a expulsão. Agora, isso. O trabalho de um ano jogado no lixo em 90 minutos, por causa de uma arbitragem desastrosa. O tempo fecha. Os jogadores cercam Djalma. Três jogadores são expulsos. Mesmo que o penalti não entre, serão sete ratos cansados para tentar parar onze gatos famintos. Impossível. A torcida gremista, cabisbaixa, não quer acreditar no que vê.

Anoiteceu em Porto Alegre.

(Em algum lugar que não podemos revelar onde fica, os deuses sorriem.)

Vinte e poucos minutos depois, o “Rapidão Cometa” parte da marca do penalti em sua interminável jornada rumo à rede adversária. Longos milésimos de segundo, que terminam nas mãos de Galactus, Gallato, o goleiro mediano com nome de chocolate que é alçado à categoria de devorador de mundos e
candidato a herói.

A bola não entra. Plunct Plact Zum, o “Rapidão Cometa” não vai a lugar nenhum. O “Coração de Ouro” bate mais forte, com a dose extra de combustível que recebeu.

Agora são os jogadores do Náutico que parecem não acreditar no que aconteceu. Não percebem que não é nada pessoal. Eles apenas estão no lugar errado, na hora errada, destinados a fazer o papel secundário na ópera armada pelos deuses.

O que acontece no minuto e meio seguinte é simplesmente um dos momentos mais incríveis da história do futebol. Inesquecível. Um momento daqueles que torna privilegiados os que o assistem, e dignos de pena aqueles que não o viram. (Pra não falar daqueles que, tendo olhos, não viram, tendo ouvidos, não ouvem.)

É um sonho, um momento paradoxal. Paradoxal, sim. Por um lado, basta fechar os olhos, e o filme está inteiro na memória, e ficará assim pra sempre, cada cena, cada segundo. Mas por outro lado… a cada vez que relembro, duvido um pouco dos detalhes, e chegará o dia em que mesmo nós, aqueles que vivemos, iremos duvidar da sua realidade.

Ânderson, rato atrevido, parte pela ponta, pra cima de Batata, o gato gordo. O gato, inebriado pela superioridade, dá uma patada no ratinho, e não sobra outra alternativa pra Djalma a não ser expulsa-lo. Dez contra sete. Ainda é muita diferença, mas nem tenho tempo pra pensar nisso. Ânderson levanta, e segue seu caminho, segue rumo ao seu destino programado.

Ele entra pela cozinha, no meio de dois gatos tontos com aquela audácia. Mas como aquele rato ainda não percebeu que ele está morto? E Ânderson vai, avança, rumo ao meio da área, driblando a oposição.

Se isso fosse um jogo de futebol, ele podia ser parado. Mas não era. Já tinha deixado de ser um jogo há muito tempo. Ali, ele não era mais Ânderson, o camisa 17 do Grêmio. Ele era Ânderson, o escolhido, o mensageiro dos deuses, aquele que tinha um recado a dar aos que não acreditam.

E foi assim, aos 61 (61!!!!!) minutos do segundo tempo, que a palavra se fez ouvir, através do seu profeta. A bola encosta mansamente no fundo da rede.

O Grêmio é campeão.

Eu nunca deixei de acreditar! Eu nunca deixei de acreditar!

O sol brilha, azul, no céu negro.

Amanheceu em Porto Alegre.

Eu não vou ser doido de tentar descrever a minha reação depois disso. Eu não vou ser louco de tentar imaginar o que sentiu um gremista, em Porto Alegre, vendo esse jogo. Eu não vou ser maluco de tentar sequer sonhar com a sensação de viver um momento desses no estádio.

Só vou dizer que isso, senhores, isso é futebol. Não são 22 jogadores correndo atrás de uma bola. Não é uma mesa redonda discutindo sobre as vantagens do 4-3-3. Tudo isso faz parte, mas não *é*. Assim como futebol não é apenas um gol bonito, um drible bem dado. Isso é arte. E futebol pode ter traços de arte, mas não *é* arte. Futebol é algo além. Futebol é um título ganho aos 61 minutos do segundo tempo, com sete jogadores em campo, e um juiz trapalhão complicando tudo. Futebol é sangue, é suor, é lágrimas. É alma.

Ou, como diria Bobby Robson, “Futebol não é um caso de vida ou morte. É algo muito maior que isso.”

Caio de joelhos, agradecido aos deuses por, uma vez mais, mostrarem a sua força a nós, os que acreditamos sempre. Essa foi a prova de que mesmo com todos os “erros”, toda a manipulação, toda a politicagem, tudo isso que aconteceu esse ano, ainda existe algum espaço pra magia do futebol.

Sinto minha alma lavada, purificada de todos os Zveiters e Cia. Em qualquer época, esse jogo seria especial, fantástico, inesquecível. Mas nesse ano, ele foi ainda mais. Ele foi simbólico, em vários sentidos.

“Eu vou contar isso pros meus netos, daqui a 50 anos, e eles vão me chamar de mentiroso”. Marcelo Costa, meia do Grêmio.

É isso. E bem-aventurados os que viveram esse momento. Felizes os convidados para a ceia.

Finalizando, não posso deixar de fazer um agradecimento e um cumprimento.

Primeiro, o meu muito obrigado ao senhor Djalma Beltrani. Sem ele, nada disso seria possível. Gallato e Ânderson podem dividir as honras de “herói do jogo”. Mas não vamos nunca esquecer que o sr. Beltrani é o principal responsável por termos vivido essas emoções. Sem ele, não haveria os penaltis, nem as expulsões. Sem ele, o título do Grêmio seria mais fácil, mas muito menos significativo. A torcida gremista devia entregar uma medalha a ele, a diretoria lhe dar o título de sócio honorário. Com suas lambanças, Djalma Beltrani fez pelo Grêmio algo muito maior do que a imensa maioria dos beneméritos do clube. Ajudou a criar uma lenda que irá acompanhar o Grêmio por décadas.

Muito, muito obrigado, senhor Beltrani. Do fundo do coração.

O verdadeiro campeão de 2005 é o Grêmio. Eu sempre pensei que 2005 seria marcado como “aquele ano do Zveiter, e dos juízes que roubaram, e dos jogos anulados, em que o Corinthians ganhou o título por causa disso”, mas agora tenho certeza que 2005 será sempre “o ano daquele título do Grêmio”.

É ou não é uma sorte?

cap.navarre@gmail.com

Fla x Flu, por Nelson Rodrigues

Reacionário, no meu caso, é a reação contra tudo o que não presta. Se o homem não fosse eterno, ou não tivesse uma alma eterna, não tivesse garantido a sua eternidade, esse homem andaria de quatro. Toda manhã sairia de quatro, ferrado, aí pelas ruas e montado num Dragão de Pedro Américo. Eu diria, quando me perguntam, como você agora: mas quando, quando começou o Fla-Flu? Eu diria: – O Fla-Flu não tem começo. O Fla-Flu não tem fim. O Fla-Flu começou quarenta minutos antes do nada. E aí então as multidões despertaram. E Mário Filho, já então, antes do Paraíso, escrevia sobre o Fla-Flu e dizia que o Fla-Flu ia ser o assombro do futebol, o milagre do futebol.

Marcos de Mendonça, Fortes, Vidal e Chico Neto eram os heróis, os verdadeiros heróis. Mais que o cow-boy, mais que o mocinho, mais que o próprio bandido. O futebol era a epopéia, o épico, compreendeu? … Eu me lembro, uma vez andava na rua, era um garoto de calças curtas, tinha cinco anos, quando passou um jogador de futebol. Eu não sei, devia ser Lais ou Manga, que morreria em 22, ou Welfare. Eu sei que aquilo para mim foi um espanto, eu corri para dentro de casa como se estivesse sendo ungido de glória, de glórias fantásticas.

O Fla-Flu, já me dizia o meu irmão Mário Filho, o Fla-Flu é um jogo para sempre, não é um jogo para um século, um século é muito pouco para a sede e a fome do Fla-Flu… Começado o Fla-Flu, ele percorreria o tempo dos tempos. Foi uma criação do meu irmão Mário Filho, ele que era o gênio da crônica esportiva, ele era o autor de piadas fantásticas. Ele se lembrou de fazer Fla-Flu, tinha notado que Fla-Flu possuía uma flama, uma trepidação que nenhum outro jogo possuía. Até hoje em todo o mundo não há um jogo que chegue aos pés do Fla-Flu. Que é cada vez mais empolgante. E cada jogo entre o Fluminense e o Flamengo parece ser o maior do século e será assim eternamente.

E então, o Welfare pegou sua bola fora da área e encheu o pé, foi um estrondo. O nosso amigo keeper, o goleiro quis defender, foi atirado no fundo da rede como se também fosse uma bola, foi radiante, foi uma coisa incrível e a nossa torcida, naquele tempo em treino também havia torcida, a nossa torcida ficou naquela euforia louca com este gol. Este gol nunca eu me esqueci. Agora neste momento eu estou vendo o campo do São Cristóvão e a bomba de Welfare. Há gols que atravessam os tempos que atravessarão os séculos. E por isso que digo que o futebol vive de eternidade e por isso não acaba nunca, não acabará nunca. Ou tudo se acaba, menos o Fla-Flu.

E depois, o futebol é a pátria da piada. O sujeito vai para a arquibancada, que além de ser a pátria do palavrão é uma pátria da piada, uma pátria da graça popular das graças que vem das profundezas do nosso querido povo. A pessoa fica criando, inventando até palavrões.

De vez em quando, eu ouço das arquibancadas um palavrão que não conhecia, que ninguém conhecia, e o sujeito sai com um palavrão novo e uma satisfação profunda. Só o futebol é que te dá isso, essas surpresas maravilhosas.

Porque o futebol é uma linguagem universal. Todo mundo entende de futebol. Você pega uma velhota grã-fina, ela sabe discutir futebol com você. A grã-fina das narinas de cadáver, por exemplo, esta, até esta, que foi a primeira que não entendeu de futebol, e ela entrou um dia no estádio Mário Filho e disse:”Quem é a bola?” Aí, todo mundo apontou para a bola e ela ficou ali radiante e passou a ser uma enciclopédia de futebol. Esse é o problema do futebol. E que não tem problema nenhum de comprensão…

Chegamos ao fim de nossa longa conversa, não é?… Eu sou um brasileiro triste! É, um brasileiro triste, o brasileiro, diga-se de passagem, de uma maneira geral, não sou eu só, está sempre a um milímetro da melancolia, na esquina, no boteco, ele está sempre roendo melancolias milenares. E aí nós acabamos.

Nélson Rodrigues

SEIS FLA-FLUS QUE ABALARAM O RIO

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“Tudo é Fla-Flu, o resto é paisagem”. (Nelson Rodrigues)
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Em 21 de dezembro de 1919:
Fluminense 4 x 0 Flamengo (Flu tricampeão).
Local: Laranjeiras.
Público presente: cerca de 20 mil torcedores.
Gols: Machado (2), Welfare e Bacchi.
“[Japonês, do Flamengo, bate o penâlti e] Marcos cai de um lado e rebate a bola com a mão. Sidnei invade a área e emenda. Marcos rebate de novo. Japonês corre e chuta outra vez. Marcos segura a bola. A multidão ficou parada, sem compreender logo, tal qual um cômico de cinema que só percebe, minutos depois, a graça de uma anedota. … A bola estava longe quando a torcida despertou, prorropendo em aplausos” (Mário Filho).

Em 23 de novembro de 1941:
Fluminense 2 x 2 Flamengo 2 (Flu campeão).
Local: Gávea.
Público presente: cerca de 15 mil torcedores.
Gols: Pedro Amorim e Russo, para os tricolores; Pirilo, para o Flamengo.
“[Faltavam seis minutos para o jogo acabar, quando os rubros-negros empataram, mas só a vitória lhes interessava] A bola caía na Lagoa. O cronometrista travava o cronômetro. E o tempo parava. O Flamengo queria que o cronômetro parasse, o Fluminense que corresse. Eram duas concepções de tempo que se chocavam, irreconciliáveis. Não é possível, o cronômetro não anda. E andava, bem que andava. Para o Flamengo corria. A angústia fazia com que para o Fluminense o tempo parasse; e corresse, desembestado, para o Flamengo” (Mário Filho).

Em 15 de dezembro de 1963:Flamengo 0 x 0 Fluminense (Fla campeão).
Local: Maracanã.
Público pagante: 177.020 torcedores.
“Amigos, o berro da legião flamenguista, ao soar o apito final, comoveu o Maracanã em suas raízes eternas…” (Nelson Rodrigues).

Em 15 de junho de 1969:
Fluminense 3 x 2 Flamengo (Flu campeão).
Local: Maracanã.
Público pagante: 171.599 torcedores.
Gols: Wilton, Cláudio e Flávio, para o Flu; Liminha e Dionísio, para o Fla.
“Enorme, esmagador, capaz de transformar em carnaval um espetáculo de futebol, o Maracanã já é uma lenda. A realidade, contudo, é muito maior. A memória que em mim para sempre ficará do Fla-Flu e, mais, do próprio futebol brasileiro, será desta enorme, pungente, feliz experiência humana” (Hugh McIllvaney, correspondente do Observer, de Londres).

Em 16 de dezembro de 1984:
Fluminense 1 x 0 Flamengo (Flu campeão).
Local: Maracanã.
Público pagante: 153.520 torcedores.
Gol: Assis.
“Quando o urubu, solto pela torcida rubro-negra, antes do jogo começou a sobrevoar o anel da arquibanda, senti que a sorte estava lançada. Na primeira passagem os flamenguistas comemoraram o vôo do seu símbolo, que, ao passar do lado tricolor, foi bombardeado por rojões tricolores, sem qualquer resultado; na segunda passagem, os rubro-negros, eufóricos, saudavam o pobre urubu, já cansado, que, mesmo assim, conseguiu sair incólume, mais uma vez, do nosso bombardeio, provocando incontido entusiasmo entre os adeptos do clube da Gávea. Na terceira passagem por cima dos arquibaldos tricolores, finalmente o urubu foi abatido. Uma explosão de alegria carnavalesca animou a galera tricolor, como se um gol fora feito. Começamos a ganhar o jogo exatamente naquele momento” (Moacy Cirne).

Em 25 de junho de 1995:
Fluminense 3 x 2 Flamengo (Flu campeão).
Local: Maracanã.
Público pagante: 109.204 torcedores.
Gols: Renato Gaúcho (2) e Leonardo, para o Flu; Romário e Fabinho, para o Fla.
“… Ailton, rejeitado pelo presidente Kleber Leite no começo da temporada, driblou Charles duas vezes pelo setor direito de ataque e chutou com raiva. A bola iria para fora, mas bateu na barriga de Renato Gaúcho e entrou” (Clóvis Martins).

30/08/1962 – Santos F.C. , campeão da Libertadores da América

Santos: 45 anos do primeiro abraço à América

Há 45 anos o Santos dava o primeiro passo para tornar-se sinônimo de futebol brasileiro no exterior. No dia 30 de agosto de 1962, Pelé e seus companheiros foram à Argentina para levantar a primeira das duas Taças Libertadores da América do Alvinegro praiano. A irrepreensível vitória por 3 a 0 sobre os uruguaios do Peñarol iniciou o maior período de glórias conquistadas por um time de futebol.

A finalíssima foi cercada de muita polêmica. Alguns dias antes, as duas equipes protagonizaram uma batalha campal na segunda partida. O valente Peñarol não se inibiu com a Vila Belmiro e ganhou na bola (3 a 2) e na mão. Como o Santos havia vencido o primeiro jogo, em Montevidéu, a Confederação Sul-americana marcou a decisão para um país supostamente neutro: a Argentina.

No entanto, neutralidade foi tudo o que não se viu no campo do River Plate. Os craques santistas tiveram de superar as vaias dos argentinos, solidários aos “hermanos” de língua espanhola, e o péssimo estado do gramado – só havia grama nas proximidades das duas áreas. Cenário perfeito para um filme que o Brasil já se acostumara a assistir: a habilidade contra a catimba.

Mas quem vestia os uniformes brancos era uma elenco de artistas disposto a mudar o enredo. Caçados em campo, os santistas revidavam com fantasia. Como um rolo compressor, o time abriu placar aos onze minutos de jogo, quando Coutinho desceu pela direita e chutou em direção ao gol; o lateral-esquerdo Caetano tentou cortar e acabou colocando a bola dentro das redes.

O segundo tempo serviu para ratificar a supremacia brasileira. Logo aos quatro minutos, Pelé fez o que mais gostava: tabela com Coutinho, drible de corpo no zagueiro e bola no canto do goleiro. A um minuto do fim, Maidana não segurou escanteio de Pepe e soltou a bola nos pés do Rei, que só empurrou para as redes.

Mas o 10 não teve tempo para comemorar. Mal havia chutado a bola, foi abraçado pelos argentinos que, conquistados por sua magia, invadiram o gramado para festejá-la. Toda a adversidade do início transformou-se em festa – com o toque portenho, como não poderia deixar de ser. As camisas de Pelé, Durval e Lima viraram motivos de briga e obrigaram a intervenção da polícia. Era a prova cabal de que o Santos subira o litoral para abraçar a América.

Ficha técnica da decisão:

Santos 3 x 0 Peñarol
Santos: Gilmar; Lima, Mauro e Dalmo; Zito e Calvet; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.
Peñarol: Maidana; Gonzalez, Lescano, Cano e Caetano; Gonçalves e Sasia; Rocha, Matosa, Spencer e Joia.
Data: 30/08/1962
Horário: 15h15 (de Brasília)
Local: Estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires (Argentina)
Árbitro: Léo Horn (Holanda)
Gols: Caetano (contra) aos 11 minutos do 1° tempo; Pelé aos 3 e aos 45 do 2°.

Campanha:

1ª fase:
Deportivo Municipal (Bolívia) 3 x 4 Santos
Santos 6 x 1 Deportivo Municipal (Bolívia)
Cerro Porteño (Paraguai) 1 x 1 Santos
Santos 9 x 1 Cerro Porteño (Paraguai)

Semifinais:
Universidad Católica (Chile) 1 x 1 Santos
Santos 1 x 0 Universidad Católica (Chile)
Santos 2 x 1 Universidad Católica (Chile)

Finais:
Peñarol 1 x 2 Santos
Santos 2 x 3 Peñarol
Santos 3 x 0 Peñarol
Fonte : Gazeta Esportiva

O maior clássico que o Mineirão já viu.

Seria exagero afirmar que o Cruzeiro 5 x 4 Internacional, da Libertadores 76, foi o maior jogo da história do Mineirão? Definitivamente, não.

Já imaginaram Raul, Nelinho, Zé Carlos, Joãozinho, Jairzinho, Palhinha Manga, Falcão e Figueroa dirigidos por Rubens Minelli e Zezé Moreira, dois dos maiores treinadores da história do futebol?! O resultado foi uma aula de futebol ofensivo a ser lembrada pro resto da vida.

Na verdade, aquela partida começou 3 meses antes, na final do Brasileiro 75, num jogo igualmente memorável vencido pelo Inter.

Mesmo reconhecendo a luta do time, a derrota naquela final ficou atravessada na garganta do torcedor celeste. Mais uma vez o fantasma das decisões assombrava o clube. Amarga seqüência: derrota para o Vasco na decisão do Brasileiro 74, desclassificação diante dos argentinos na Libertadores 75, perda do Brasileiro 75 para o Inter. Estava na hora de mudar a história. E a estréia na Libertadores 76, no Mineirão, parecia feita sob medida pra uma guinada.

Não fui ao jogo. Com 13 anos recém-completados, não tinha autonomia pra decidir o que fazer. E, naquele final de semana, fui, com pais e irmãos, visitar parentes em Sete Lagoas. Restava ouvir a transmissão pelo rádio.

Ainda estávamos na estrada quando começou a epopéia. De cara, Palhinha fez Cruzeiro 1x 0. Festa no carro, onde eu e meus 2 irmãos, o mais novo também cruzeirense, nos apertávamos.

Dez minutos, Cruzeiro 2 x 0! Palhinha, de novo. O Chevette azul trepidou com a vibração. Lula diminuiu para o Inter. Joãozinho fez Cruzeiro 3 x 1. Vinte minutos, 4 gols. Chegamos em casa: alívio pro irmão do meio, atleticano, que ficou livre da algazarra.

Grudamos no radinho pra acompanhar o resto da partida. Foi dramática. Valdomiro fez o 2º gol do Inter, no fim do 1º tempo. No inicio do 2º, Zé Carlos, coisa rara, marcou contra: Inter 3 x 3.

O fantasma voltou. Pra piorar, Palhinha foi expulso, após aplicar cotovelada que mal acertou Figueroa, vingança de outra, essa sim, pra valer, que recebera na final do Beira-Rio, 84 dias antes.

Mas Joãozinho, em tarde cinematográfica, nos tranqüilizou: Cruzeiro 4 x 3. Mas o Inter não se entregou. Aos 25, Ramon fez 4 x 4. Inacreditável. Que jogo!

Já me sentia veterano em emoções, mas aquilo era demais. O coração quase me saiu pela boca quando Joãozinho fez outra grande jogada pela esquerda e sofreu pênalti de Valdir, que substituíra Cláudio Duarte, ameaçado de expulsão pelas entradas violentas no Bailarino da Toca.

O intervalo entre a marcação e a cobrança foi o mais angustiante da minha vida de torcedor. Felizmente, Nelinho deslocou Manga e estufou as redes: Cruzeiro 5 x 4!

O nome do jogo foi Joãozinho. Na maior atuação de sua carreira, ele fez 2 gols, infernizou a vida de Don Elias Figueroa, tido e havido como o maior beque das Américas e, na hora do aperto, sofreu o pênalti que decidiu a partida.

Quatro meses depois, meu ídolo decidiria outra partida épica, a final da Libertadores, em Santiago. Mas esta é outra história…

CRUZEIRO 5 x 4 INTERNACIONAL, domingo, 07mar76, 1ª rodada da 1ª fase da Libertadores 1976 – Público: 65.463 pagantes – Renda: Cr$793.407 – Juiz: Luiz Pestarino (Argentina) – Cartão vermelho: Palhinha, 12 do 2º tempo – Gols: Palhinha, 3 e 10, Lula, 14, Joãozinho, 21, Valdomiro, 39 do 1º tempo; Zé Carlos, contra, 6, Joãozinho, 18, Ramon, 25, e Nelinho, 40 do 2º – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Darci Menezes e Vanderlei Lázaro; Zé Carlos e Eduardo Amorim; Roberto Batata (Isidoro), Palhinha, Jairzinho e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / Internacional: Manga, Cláudio Duarte (Valdir), Figueroa, Hermínio e Vacaria; Caçapava e Falcão; Valdomiro, Escurinho, Flávio Minuano (Ramon) e Lula.

Mauro França, 44, bacharel em História, nasceu e mora em Belo Horizonte.

O medo da seleção húngara em 1954

Depois de um intervalo de oito dias de angustia e expectativa, o Brasil se preparava para enfrentar a temível e assustadora Hungria. O ambiente na concentração de Macolin, não poderia ser pior. Além de alarmados com o retrospecto, os jogadores brasileiros tinham se impressionado ao assistirem um treino dos húngaros contra um time de fábrica de relógios. As fotografias enviadas para os jornais do Brasil, mostravam o pânico nos seus olhos.

Na véspera da partida, circulava um boato de que, João Lira Filho, chefe da delegação brasileira, havia marcado as passagens de volta. Ele desmentiu e falou para os jogadores antes do jogo mostrando a bandeira do Brasil – “Olhem as cores que vocês terão que defender com galhardia dentro da cancha, honrando a nossa Pátria”. Um jornalista mineiro, Adelchi Ziller, se dirigia aos atletas com estas palavras – “Temos que ganhar o jogo. Temos que vingar os mortos de Pistóia”. Em Pistóia estavam enterrados cerca de 450 soldados da Força Expedicionária Brasileira, tombados na II Grande Guerra Mundial. A Hungria nada tinha ver com isso, muito menos seus jogadores.

Diante desse quadro, não seria de estranhar que a seleção abandonasse a camisa branca e azul, passando a usar a atual camisa amarela, por sugestão do jornalista Walter Mesquita. Para complicar, Bauer perdeu 5 quilos no jogo anterior e estava muito abatido. Recebeu autorização para ir a Zurique, acompanhado do radialista Geraldo José de Almeida, afim de telefonar para seus familiares. Veludo e Pinheiro saíram do Hotel e voltaram muito tarde. Quase foram desligados da delegação. Na noite anterior ao jogo, Humberto Tozzi praticamente não dormiu e fumou dois maços de cigarros. Pinga e Baltazar, ao acordarem, anunciaram que estavam contundidos.

O que se poderia esperar do jogo ? Com oito minutos do primeiro tempo, a Hungria já vencia por 2×0. Mas, o Brasil viu que o diabo não era tão feio como pintaram. Índio sofreu pênalti e Djalma Santos diminuiu ainda no primeiro tempo. No etapa final, o Brasil partiu em busca do empate. Entretanto, aos 16 minutos, Mr. Ellis marcou um pênalti contra o Brasil e o placar ficou em 3×1. O Brasil não desanimou, e Julinho fez o segundo gol. No finzinho do jogo, os húngaros fecharam o marcador em 4×2. O juiz ainda expulsou Nilton Santos e Humberto do Brasil e Boszik da Hungria.

Os brasileiros reclamaram da arbitragem. Nosso juiz na Copa, Mário Vianna, chamou Mr. Ellis de ladrão, safado e comunista. Esses xingamentos custou ao brasileiro sua expulsão do quadro de árbitros da FIFA. Depois do jogo, na concentração, no meio de choros e protestos, Mário Vianna retirou do paletó o pomposo escudo da FIFA e queimou diante de todos. Foi o fim de um capitulo triste da história do futebol brasileiro.

Revista Placar

O DIA 27 DE ABRIL NO FUTEBOL

27/04/1980 – INTERNAZIONALE 2 – 2 ROMA, com este empate em Milão a Inter volta a ser campeã italiana depois de nove anos de fila com três rodadas de antecipação os gols foram de: Oriali e Mozzini (Int); Pruzzo e Turone (Rom).

27/04/2005 – BRASIL 3 – 0 GUATEMALA, no Pacaembu cenário um pouco diferente para ele, Romário se despede da seleção brasileira em sua ultima partida com a camisa amarelinha, o jogo também fez parte das comemorações dos 40 anos da Rede Globo os gols foram de: Anderson, Romário e Grafite.

ANIVERSARIANTES:

27/04/1976 – WALTER PANDIANI atacante uruguaio do Birmingham City