Protegido: FUTEBOL E POLÍTICA

Em algumas partes do mundo o futebol possui uma forte conotação política. Podemos citar como exemplo o glorioso clube St. Pauli na Alemanha, onde a maioria de seus torcedores são comunistas, anarquistas e libertários. Do mesmo modo temos o Rayo Vallecano na Espanha, West Ham United na Inglaterra, o Celtic na Escócia etc. E, claro, não podemos deixar de citar o Livorno na Itália, que faz encher os nossos olhos d’água de emoção.
Na Europa, apesar dos nazistas se infiltrarem nos estádios e fazerem seu merchandising rotineiro, há um outro lado que a imprensa não divulga: a participação e organização dos antifascistas nos estádios de futebol, que muitas vezes terminam em batalha campal contra os fascistas. Aqui no Brasil, infelizmente, o futebol é completamente despolitizado, as torcidas organizadas daqui são na sua grande maioria lumpens que brigam (e matam) por qualquer besteira, sem nenhuma conotação política. Como diria a banda catalã Inadaptats: “A VIOLÊNCIA PROLETÁRIA É SINAL DE INTELIGÊNCIA!” (Supporters del Carrer).

De um lado, o futebol operário, ou comunista, como o Livorno é chamado na Itália. Esta equipe não chegava à Série A faz 55 anos e seus integrantes e torcedores reclamam de discriminação dos árbitros, que não os querem na primeira divisão só porque são todos de esquerda. Do outro lado, o clube que congrega torcedores ligados a organizações de extrema-direita ligadas ao nazi-fascismo, o Lazio, que era a equipe de coração de Benito Mussolini. Seu filho, Bruno, chegou até a ser presidente. Ainda hoje a Lazio é considerada uma das equipes mais racistas do mundo. Assim se resumem estes dois times do futebol italiano, que ultimamente vêm chamando a atenção do cenário futebolístico (e político) internacional.
“A política está em todas as coisas, inclusive na minha camiseta”, disse à BBC Brasil o atacante do Livorno, Cristiano Lucarelli, um comunista assumido, que já rejeitou convites de clubes maiores por causa de suas convicções políticas. “Claramente (a política) se apresenta no futebol e tudo indica que possa influenciá-lo”. Segundo o deputado livornense Marco Susini, Lucarelli está certo: “Ele diz o que pensa 80% da cidade”.
“Estamos sendo prejudicados porque nossos torcedores foram a Milão provocar o primeiro-ministro”, diz ao referir-se ao jogo do ano passado contra o Milan, quando a maioria dos 10 mil torcedores do Livorno cantaram músicas comunistas e usaram lenços brancos na cabeça, imitando o primeiro-ministro — e proprietário do Milan — Silvio Berlusconi, que usou um destes lenços logo depois de ter feito um implante capilar. O prefeito Alessandro Cosimi evita falar em complô, mas reclama dos gols invalidados e das faltas não dadas a favor do time.

A BATALHA POLÍTICA ENTRE O LIVORNO E A LAZIO

A batalha política contra a torcida fascista da Lazio poderia muito bem ser creditada aos dois outros times que ficam na mesma região: Roma. Temos, de um lado, o Roma, que é o time do proletariado romano, e do outro, o Milan, o time do antifascismo milanês, que em 1968 inspirou as “Brigadas Rubro-Negras”, as tropas de assalto da torcida milanista. Entretanto, o Milan foi comprado por Silvio Berlusconi (que torce pelo Milan), primeiro-ministro da Itália e político neo-liberal da direita italiana, sendo agora “propriedade privada” dele. Enquanto o Roma, que é chamado o “time do povo”, continua na sua luta, mas não tanto quanto o Livorno, cuja torcida é assumidamente comunista e seu time um exemplo a ser seguido.
“Agora temos um jogador brasileiro”, disse o jovem Ricardo Nocci, empunhando uma bandeira do Brasil, refererindo-se a recente contratação do atacante Paulinho, ex-jogador do Juventude. “É uma homenagem a ele e também ao povo brasileiro”.
No ultimo encontro do Livorno contra o Cagliari, em meio a centenas de bandeiras vermelhas, duas brasileiras se destacavam. Na ocasião, Paulinho, que ainda não estreou na equipe, ficou surpreso ao ver que a quantidade de bandeiras comunistas nas arquibancadas era maior que a do time. “Não sei de nada. Só estou ouvindo falar disso agora”, afirmou o jogador de 19 anos. “Nos próximos dias vou procurar entender melhor o que representa tudo isso”.
Em Livorno, na região da Toscana, a 86 km de Florença, onde Antonio Gramsci fundou o Partido Comunista Italiano em 1921, a maioria da população de 175 mil habitantes torce pelo time. Entre os jogadores, grande parte é comunista, anarquista ou progressista.
“Não há torcedor do Livorno que não seja de esquerda”, afirma o estudante Christian Biasci, um entusiasmado torcedor, que usava uma camiseta com a inscrição CCCP, da antiga União Soviética. “Aqui somos todos comunistas”.
Se o Livorno conta com seus integrantes e torcedores de esquerda, a Lazio é conhecida pelo entusiasmo de simpatizantes de direita. Muitos de seus adeptos não aceitam a contratação de jogadores negros e latinos. Em 1998, a torcida da Lazio escandalizou o mundo quando exibiram uma faixa anti-semita dirigida aos judeus com os dizeres: “Auschwitz vossa pátria, os fornos vossas casas!”. Já em 2001, durante um jogo contra o Roma, a torcida da Lazio entoou cantos racistas contra os jogadores negros do Roma (entre os quais estavam jogadores brasileiros) e exibiram cartazes com os dizeres: “Equipe de negros, fundo de judeus!”. Depois da partida houve confrontos nas arquibancadas que resultaram em nove feridos e sete detidos.

Essa atitude racista dos adeptos da Lazio rendeu um protesto virtual da torcida corinthiana no mesmo ano. Hackers corinthianos invadiram o site da Lazio como forma de protesto e de acordo com a empresa responsável pela manutenção da página “as habituais notícias e links foram substituídas pelo logotipo do Corinthians, um clube brasileiro. Foram também colocadas palavras defendendo os jogadores brasileiros que atuam no Roma, entre os quais estão Cafú, Emerson e Antônio Carlos. A mensagem da torcida corinthiana dizia: “como vocês permitem outros italianos insultar os jogadores de cor, também vão sofrer a ira dos torcedores negros!”.
Entre os jogadores da Lazio a figura mais destacada é o atacante Paolo Di Canio, recentemente multado em 10 mil euros (US$ 13.410) pela Liga de Futebol Italiana, por ter celebrado a vitória contra o Roma, em janeiro, fazendo a saudação fascista, com o braço direito estendido para frente e a mão esticada. Di Canio, que tem tatuado no braço a palavra “Dux” (em referência ao título de Duce, usado pelo líder fascista Benito Mussolini) e foi um torcedor radical da equipe antes de se tornar jogador, nunca fez segredo de suas posições políticas. Fascinado por Mussolini, diz que o ditador “tem sido profundamente incompreendido”. Para tentar escapar da multa, negou que sua comemoração tivesse sido de conotação política, afirmando que se tratava de uma mera saudação “romana”. A neta do Duce, a deputada Alessandra Mussolini, elogiou o ato do jogador: “Foi uma linda saudação romana”, disse ela na ocasião. “Me deixou muito emocionada”.

Diplomático, o brasileiro César, lateral da Lazio, não quer se envolver com polêmicas. Não condena, nem elogia o gesto de Di Canio: “Sou totalmente leigo no assunto. Mas acho que o que é certo é certo em qualquer lugar. O que é errado é errado em qualquer parte do mundo”, disse. “Cada um tem seu ponto de vista, suas opiniões, seu modo de agir e de ser”.
Por outro lado, o comunista Cristiano Lucarelli do Livorno costuma comemorar seus gols com o braço esquerdo erguido e com o pulso fechado, como fazem os comunistas do mundo inteiro. Por causa disso, ele tem sido prejudicado. Em 1997, num jogo da seleção italiana sub-20, ao celebrar um gol, ele comemorou com a saudação comunista e mostrou que vestia embaixo do uniforme uma camiseta com a figura de Che Guevara. Recebeu um duro puxão de orelhas do treinador e nunca mais foi convocado.
Ultimamente a Liga de Futebol Italiana tem perseguido também os comunistas, aplicando uma multa de 10 mil euros a Riccardo Zampagna, do Messina, por ter feito a saudação comunista em uma partida contra o Livorno no dia 16 de janeiro. A Liga disse que os jogadores “não devem fazer nenhum gesto indicando algum tipo de ideologia política que possa potencialmente provocar uma reação violenta dos torcedores”. O comunista italiano Marco Rizzi levou a questão em tom de brincadeira e assinalou diferenças entre o gesto de Di Canio e o de Zampagna: “a saudação fascista está proibida pela constituição nacional. Há uma diferença de mérito: em 1945 os comunistas ganharam a guerra e é também graças a eles que Berlusconi pode dizer as porcarias que diz. Se tivesse ganhado os pais de seus aliados no governo, isso não seria possível”, assinalou.
Tanto Lucarelli como Di Canio, vêm de famílias pobres. Apesar do dinheiro ganho com o futebol, renunciaram a muito dinheiro para jogar nos times de seus corações. Di Canio abriu mão dos 900 mil euros, que ganhava com o Charlton Athletic, da Inglaterra, pelos 250 mil pagos pela Lazio. Já Lucarelli deu adeus ao 1,2 milhão de euros do Torino pelos 700 mil oferecidos pelo Livorno e segue recusando propostas mais tentadoras.


O CONFRONTO POLÍTICO ENTRE AS DUAS TORCIDAS

Segundo o “Observatório Europeu contra o Racismo de Viena” o site da torcida “Irriducibili Lazio” é considerado como uma das mais “racistas da Europa”: “O site da torcida organizada da Lazio é particularmente perigoso, esta recheado de simbologia xenófoba, racista e fascista, e contém mensagens desse teor”, descreve o informe. Há pouco mais de um mês, no site da torcida da Lazio foram lançadas ameaças contra os seus adversários.
No Livorno, uma de suas torcidas organizadas, a “Brigada Autônoma Livornense”, conta com metade de seus 500 integrantes proibidos de entrar em estádios. Tudo porque no dia em que comemoravam o retorno à Série A decidiram destruir a sede de um partido de direita na cidade.
Quando os dois times se enfrentaram no estádio Olímpico de Roma no dia 10 de abril deste ano (2005), as torcidas se digladiaram política e fisicamente. Durante o jogo, foram exibidas, do lado da Lazio, bandeiras negras com o rosto de Mussolini, símbolos nazi-fascistas (suásticas e cruz celtas) e frases do tipo “ROMA É FASCISTA!” e outras contra o Livorno, tais como: “A Itália é Nossa, Livorno é Fossa Vermelha”, “Livornense Verme Vermelho, Teu Lugar é no Esgoto”. A torcida da Lazio ainda entoou palavras de ordem anti-semitas e coros de “Faccetta Nera” (Faceta Negra, hino do fascismo) e “Duce! Duce!”, em homenagem a Benito Mussolini. A estas provocações, cerca de 200 livornenses responderam agitando bandeiras vermelhas com a foice e o martelo e imagens de Che Guevara enquanto cantavam “Bandiera Rossa” (Bandeira Vermelha) e “Bella Ciao”, hinos comunistas italianos, e gritaram palavras de ordem antifascistas.
Na saída, a polícia agiu para evitar confrontos entre as duas torcidas (já que no ano passado havia acabado em confronto físico). Mas quando um grupo de torcedores do Livorno dirigia-se à estação ferroviária de São Pedro foram interceptados de forma provocadora pela polícia e responderam a esta provocação atirando pedras nos policiais. Em poucos minutos desencadeou-se uma verdadeira batalha na estação, com vagões danificados e vidros quebrados. A polícia deteve seis torcedores do Livorno. Aproximadamente dez policiais e outros dez torcedores ficaram feridos nos incidentes. Presos, os torcedores do Livorno foram levados à delegacia e trancados em uma sala, sem água e comida por mais de 12 horas, até a manhã de segunda-feira.

A TENTATIVA DE SUBVERTER A LAZIO

Há uma torcida organizada antifascista da Lazio chamada “Dissidenti”, o nome já diz tudo. São torcedores apaixonados pelo seu time de coração que resolveram se organizar para combater o fascismo que ronda sua equipe. A Dissidenti tenta subverter o time que é hoje considerado o mais racista da Europa. É realmente uma luta dura e difícil, já que grande parte dos torcedores da Lazio é de tendência fascista. A Dissidenti ainda é uma minoria, entretanto, não deixa de ser perseverante quanto à subversão de seu time. São declaradamente antifascistas e se orgulham em serem dissidentes. Torcemos para que um dia essa torcida colha bons frutos, mas, até lá, teremos que agüentar os adeptos da Lazio entoarem loas ao fascismo.

Fonte:http://br.geocities.com/resistenciacoral/
Inserido por Edu Cacella

Dom Filpo Nunes, treinador da Academia de Futebol do Palmeiras em 1965

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Descrição da foto: Arnaldo Tirone (ex-dirigente do Palmeiras) ladeado pelo saudoso repórter Tom Barbosa, da Rádio Record, e por Filpo Nuñez. Ferruccio Sandoli é o quarto. Milton Peruzzi é o quinto. Eli Coimbra, o sexto. O último é o massagista Reis.

QUANDO FILPO PASSOU A SER CHAMADO DE ” DOM ”

Os anos corriam até que em 1957, com uma vitória de virada em partida histórica contra o bicampeão paulista Santos FC na Vila Belmiro, a partir daí Filpo passou a ser chamado de Dom Filpo pelo seu feito de vitórias consecutivas no Jabaquara, salvando ainda o clube de um rebaixamento pela segunda vez em 1959.

Na Briosa, Filpo, um bom marqueteiro, soube capitalizar após invencibilidade de 15 partidas, em excursão por Angola e Moçambique, países africanos. Pode-se dizer que aí começou sua ascensão no futebol, até que em 1964 foi contratado pelo Palmeiras, que tinha um timaço, culminando com o batismo de “academia do futebol” no ano seguinte.

A equipe era tão respeitada a ponto de a antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos) requisitá-la para representar a Seleção Brasileira na inauguração do Estádio Magalhães Pinto, o Mineirão, no dia 7 de setembro de 1965, em partida amistosa contra o Uruguai. E foi show de bola dos palmeirenses, com goleada por 3 a 0, gols de Tupãzinho, Rinaldo e Germano, num time formado por Valdir de Moraes (Picasso); Djalma Santos, Djalma Dias, Valdemar Carabina (Procópio) e Ferrari; Dudu (Zequinha) e Ademir da Guia; Julinho (Germano), Servílio, Tupãzinho (Ademar Pantera) e Rinaldo (Dario). O jogo foi visto por 96.669 pessoas.

ALGUMAS PASSAGENS
-Após uma partida, Filpo Nunes reuniu o elenco e perguntou a um jogador que atuava do meio para frente e que tinha sido eleito pela imprensa o craque do jogo: “Quantos gols você fez?” O jogador respondeu: “Nenhum”. “Quantos passes deu que resultaram em gols ou que deixaram os companheiros na cara do gol?” “Nenhum”. Filpo concluiu: “Então, você correu muito e não jogou nada.”

-Após o atacante César ter perdido um pênalti, transtornado, invadiu o gramado, colocou a bola na marca de pênalti com a intenção de mostrar ao jogador como converter a cobrança. Só que ao correr para bola escorregou, caiu, e o estádio “caiu” em gargalhadas.

Antigos palmeirenses reconheceram méritos de Filpo Nunes para motivar jogadores. A rigor, por isso era sempre requisitado para comandar clubes em crise. Com boa psicologia, sabia injetar vibração ao grupo e extraía bons resultados no começo do trabalho. Posteriormente caía na rotina.

Os folclóricos nomes que dava para seus esquemas de jogo: esquemas Pim Pam Pum e Carrousel.

El Bandoneón foi também um de seus apelidos ( instrumento de tango ). Será que era porque seu time jogava por música?

CURRÍCULO

Filpo Nuñez, o Nelson Ernesto Filpo Nuñez, o famoso técnico argentino criador da Academia de Futebol do Palmeiras, nos anos 60, morreu no dia 6 de março de 1999, em São Paulo (SP). Pouco antes de falecer, Filpo Nuñez morava nas dependências do projeto Jerusalém Ação Social, no bairro do Heliópolis. “Sua fortuna se perdeu. Ele não tinha recursos financeiros. Por isso, morava lá. Antes de morrer, o Filpo treinava um time de crianças carentes na escolinha de futebol das meninas. Passou os últimos dias da sua vida treinando aproximadamente 97 meninas”, contou Carlos Altheman, presidente do CONSEG Heliópolis.

Nascido em Buenos Aires, Argentina, no dia 19 de agosto de 1920, Filpo Nuñez formou-se em Educação Física no Equador e depois ingressou na carreira de treinador de futebol profissional no seu país.

Comandou o Independiente Rivadavia. Também treinou outros vários outros times sul-americanos como o Santiago National (Chile), Sport Boys (Peru), España (Equador), Municipal (Bolívia), Libertad (Paraguai), San Martin (Argentina) e Vélez Sarsfield (Argentina).

Filpo chegou ao Brasil ainda jovem para ser um treinador. Dirigiu o Cruzeiro em 1955 e depois passou por várias equipes, entre elas Guarani, Atlético Paranaense, Jabaquara, Portuguesa Santista, América de Rio Preto e Vasco da Gama, antes de assumir o Palmeiras. Pelo alviverde, entre 1964 e 1965, Filpo adotou jogar em velocidade, tocar de primeira e chegar ao gol. Nesse período, o Palmeiras começou a ser batizado de “Academia de Futebol”.
Filpo chegou a ter outras duas passagens pela Sociedade Esportiva Palmeiras: entre 1968 e 1969; e entre 1978 e 1979. Ao todo, foram 154 jogos no comando do Verdão (94 vitórias, 27 empates e 33 derrotas) e uma conquista: o Torneio Rio-São Paulo de 1965.

Mas o Palmeiras não foi o único grande clube da capital paulista a ter o argentino como técnico. Filpo Nuñez dirigiu duas vezes o Corinthians. Primeiro, em 1966, quando o alvinegro chegou a liderar o Campeonato Paulista. Depois, em 1976. O treinador comandou o Timão em 34 partidas (16 vitórias, 7 empates e 11 derrotas).

Outros clubes

Filpo Nuñez fez sucesso como treinador por vários países. Em Portugal, por exemplo, dirigiu o Leixões, o Vitória de Setúbal e o Lusitano Évora. No México, trabalhou pelo Monterrey. No Brasil, ele também comandou o XV de Piracicaba (SP), Paulista de Jundiaí (SP), Galícia (BA), Coritiba, Marília (PR), Francana (SP), Sport Club Recife (PE), São José (SP), Fabril de Lavras (MG), C. A. Atlanta (Buenos Aires – Argentina), Santo André (SP), Saad (SP) e Foz (Foz do Iguaçu–PR).

Principais títulos e prêmios no Brasil

Campeão do Torneio Início de 1956 pelo Guarani; eleito o melhor técnico do Torneio Preparação de 1957, pelo Jabaquara; Campeão do Torneio Início de pelo América de Rio Preto de 1958; Cinta Azul do Futebol Brasileiro (15 jogos, 15 vitórias, 75 gols a favor e 10 contra) pela Portuguesa Santista em 1959; Eleito melhor técnico do ano pela Agência de Notícias “Sport Press”, quando dirigia a Portuguesa Santista em 1960; Vencedor do Troféu Conhecimento, premio da “Rádio Universal de Santos”, em 1960; Vice-campeão paulista pelo Palmeiras em 1964; Campeão invicto do torneio internacional “IV Centenário da Guanabara”, pelo Palmeiras; Campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1965, pelo Palmeiras; Vice-campeão baiano pelo Galícia em 1967; Vice-campeão do Torneio Mar del Plata de 1968, pelo Palmeiras e Vice-campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1969, pelo Palmeiras.

Alguns dos jogadores dirigidos por Filpo

A lista de grandes craques que foram comandados por Filpo Nuñez é extensa. Entre eles aparecem os nomes de: Julinho Botelho, Bellini, Djalma Santos, Dudu, Garrincha, Alfredo Mostarda, Zequinha, Servílio, Orlando, Brito, Ademir da Guia, Rivellino, Valdir Joaquim de Moraes, Vavá, Ademar Pantera, Wladimir, Cabeção, Barbosa, Piazza, Eurico, Leivinha, Dirceu Lopes, Tupãzinho (ex-Palmeiras), Jair Marinho, Zé Maria, Leão, Tostão, Luís Pereira, César, Djalma Dias, Procópio e Dino Sani.

MILTON NEVES
ARIOVALDO IZAC * É jornalista em Campinas
GILBERTO MALUF

AMISTOSOS INTERNACIONAIS

Jogos dos clubes de Caxias do Sul, ACF, Flamengo e Caxias

03/02/1952 Caxias do Sul Flamengo 1×3 Ferrocarril(ARG)
31/03/1962 Montevideo, Uruguai Seleção do Uruguai 6×1 Flamengo
10/04/1962 Bahia Blanca, Argentina Seleção de Bahia Blanca 2×3 Flamengo
13/04/1962 Mar del Plata, Argentina Seleção de Mar del Plata 3×3 Flamengo
16/04/1962 Tandil, Argentina Seleção de Tandil 1×5 Flamengo
19/04/1962 Tunuyan, Argentina Seleção de Tunuyan 1×6 Flamengo
22/04/1962 General Alvear, Argentina Pacífico 2×6 Flamengo
25/04/1962 San Rafael, Argentina Seleção de San Rafael 1×3 Flamengo
28/04/1962 Mendoza, Argentina Godoy Cruz 1×1 Flamengo
01/05/1962 San Nicolau, Argentina Seleção de San Nicolau 3×5 Flamengo
04/05/1962 Pergamino, Argentina Pedal Pergamino 2×4 Flamengo
07/05/1962 Zarate, Argentina Seleção de Zarate 0x2 Flamengo
10/05/1962 Mercedes, Argentina Seleção de Mercedes 2×6 Flamengo
13/05/1962 La Plata, Argentina Gimnasia y Esgrima 2×2 Flamengo
14/02/1963 Bahia Blanca, Argentina Ligado Sul 1×0 Flamengo
17/02/1963 Santa Rosa, Argentina Argentino 1×4 Flamengo
23/02/1963 Villegas, Argentina Villegas 1×2 Flamengo
01/03/1963 San Rafael, Argentina Sportivo Pedal 1×2 Flamengo
04/03/1963 Tunuyan, Argentina Seleção da Liga de Tunuyan 1×6 Flamengo
08/03/1963 San Luis, Argentina Estudiantes(SL) 0x4 Flamengo
11/03/1963 Junin, Argentina Sarmiento 1×1 Flamengo
14/03/1963 Chivilcoy, Argentina Seleção da Liga de Chivilcoy 2×2 Flamengo
18/03/1963 Rojas , Argentina Argentino Parques 0x4 Flamengo
09/07/1963 La Plata, Argentina Estudiantes(LP) 3×2 Flamengo
07/04/1964 Rosario, Argentina Rosário Central(ARG) 4×2 Flamengo
10/02/1974 Caxias do Sul ACF 2×0 Danúbio(URU)
15/02/1974 Montevideo, Uruguai Rentistas(URU) 1×1 ACF (3×2 pen)
17/02/1974 Montevideo, Uruguai Liverpool(URU) 2×1 ACF
18/06/1977 Montevideo, Uruguai Seleção do Uruguai 1×1 Caxias
29/01/1997 Caxias do Sul Caxias 1×2 Olímpia(PAR)
24/01/1998 Caxias do Sul Caxias 1×0 Seleção da Jamaica
28/01/1999 Caxias do Sul Caxias 1×0 Grasshopers(SUI)
23/01/2003 Caxias do Sul Caxias 2×2 Sporting Cristal(PER)
30/06/2007 Rivera, Uruguai Nacional(URU) 0x0 Caxias (3×4 pen)

AMISTOSO INTERNACIONAL

A poderosa equipe do Peñarol fazia uma excursão pelo Brasil e foi convidado para uma partida em Olímpia, contra o OFC. Esta partida foi realizada no dia 12 de Agosto de 1928.
Toda cidade e região compareceram para apreciar o acontecimento. O campo da municipalidade tornou-se pequeno para receber tanta gente que se acotovelava. Após as solenidades iniciais, entregas de flores e tudo mais, iniciou-se a partida. Nesta partida o Olímpia perdeu por 1×0. Não se conformando, Emílio Galmacci marcou uma nova partida para daí a 3 dias. Desta feita houve um empate por 1×1. O Gol olimpiense foi marcado por Bertolino.

Fonte:http://www.olimpiafc.com
Inserido por Edu Cacella

Maracanã, maior símbolo do futebol em todo o mundo

1-Opinião de um torcedor

2-Maquete e inauguração

3-Método de construção e reformas

4-Recordes de público

5-Os 40 notáveis e os 10 maiores artilheiros

6-Curiosidades ( história dramática e gol mais rápido )

7-Crônica de Nelson Rodrigues sobre o Rio ( Maracanã ) ocupado.

1-Venho render homenagem a este estádio, verdadeiro monumento ao futebol mundial. Sou mais um torcedor, mas venho da terra do Morumbi e do Pacaembu, chegando nesta cidade há 4 anos. Se coloco o Maracanã como o máximo que se fez de um estádio no Brasil é motivo de sobra que não entra aqui bairrismo/clubismo.

Minha gente, sua localização é fantástica. Você chega de Trem, Metrô, Ônibus e Carro em minutos. E a pé também, afinal está localizado em bairro de grande população.

Se o Maracanã estivesse localizado em local de acesso dificultado por trânsito em jogos noturnos , como em algumas cidades brasileiras, certamente eu não estaria aqui escrevendo e elogiando. E sua história seria outra também. Fiz algumas perguntas a torcedores cariocas do tipo: Se o Maracanã tivesse sido construído em Jacarepaguá, você se disporia a perder duas horas para chegar no estádio em jogo de quarta-feira á noite? Eles responderam que não iriam ao estádio.

E tem mais, você não toma chuva, por conta das marquises.

Então chega-se a conclusão que o torcedor carioca ganhou um grande presente. Parada obrigatória de turistas nacionais e estrangeiros, estudantes e visitantes de todas as idades, o gigante tornou-se conhecido mundialmente e perde, em popularidade, apenas para o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar.
Gilberto Maluf

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Em 1947 a prefeitura do Rio de Janeiro abriu concorrência pública para o projeto arquitetônico do estádio. O projeto vencedor foi de autoria da equipe de arquitetos formada por Waldir Ramos, Raphael Galvão, Miguel Feldman, Oscar Valdetaro, Orlando Azevedo, Pedro Paulo Bernardes Bastos e Antônio Dias Carneiro
Seu nome oficial, Estádio Jornalista Mário Filho, é uma homenagem a um dos mais importantes jornalistas brasileiros e fundador do Jornal dos Sports. Em 16 de junho de 1950, o Maracanã foi inaugurado com um jogo entre cariocas e paulistas, com o eterno Didi marcando o primeiro gol de placa da história do estádio. Paixão, emoção e muita adrenalina se misturam nas espetaculares torcidas organizadas, que balançam o estádio levando o público ao delírio..
Riotur

3 – A Construção
Este histórico estádio, que é conhecido pelo nome do pequeno rio que corre em frente e que também dá nome ao bairro onde está localizado, foi construído para sediar a Copa do Mundo de 1950.

A sua construção teve início dia 2 de agosto de 1948, na administração do prefeito Ângelo Mendes de Morais. Trabalharam na obra gigantesca 1.500 homens, e nos meses finais este número elevou-se para 3.500. O engenheiro que iniciou os trabalhos foi o Dr. Paulo Pinheiro Guedes.

A Copa do Mundo de 1950 foi realizada com as obras ainda incompletas. A rigor só terminaram em 1965.
A Arquitetura
O formato do estádio é oval, medindo 317 metros no eixo maior e 279 metros no menor. Sua altura máxima é de 32 metros. A distância entre o centro do campo e o espectador mais afastado é de 126 metros.

O gramado tem 110 metros de comprimento por 75 de largura. É circundado por um fosso de 3 metros de largura e profundidade, com bordas em desnível. O acesso ao gramado é feito por intermédio de 4 túneis subterrâneos.

A parte destinada ao público era, originalmente, constituída por três lances: a geral (hoje extinta), que costumava acomodar até 30 mil espectadores de pé; o segundo lance, com 30 mil cadeiras e 300 camarotes com 5 lugares cada; no terceiro, situado sobre as cadeiras, ficam as arquibancadas, originalmente com capacidade para 100 mil espectadores sentados. Na parte central do eixo menor, lado da sombra, ficam a Tribuna de Imprensa, a Tribuna Desportiva e as Cadeiras Especiais, incluindo as Cadeiras Perpétuas. Logo abaixo destas estão as cabines refrigeradas de emissoras de rádio e televisão.

Com as reformas feitas para o I Campeonato Mundial de Clubes da FIFA em janeiro de 2000, as arquibancadas foram divididas em cinco setores, assentos individuais foram colocados em todos os degraus e camarotes foram instalados nos lances superiores, diminuindo-se assim substancialmente a sua capacidade, porém dotando o estádio de mais conforto e segurança. Depois da última reforma, para os Jogos Pan-Americanos de 2007, as gerais foram extintas para dar lugar à extensão do setor das cadeiras.

O estádio é dotado de uma marquise que cobre parcialmente as arquibancadas em toda a sua circunferência. Refletores a vapor de mercúrio estão instalados sobre a marquise, ao longo das duas laterais do campo.

A altura do estádio corresponde ao de um edifício de seis andares. O acesso do público às arquibancadas se dá por duas gigantescas rampas nas extremidades opostas do eixo menor do estádio. Cada rampa se desdobra em duas, desembocando nos anéis que circundam as arquibancadas na altura do terceiro e do sexto andar. Pode-se chegar às Cadeiras Especiais e Tribunas pelos elevadores. A área circundante ao estádio abriga o Ginásio Gilberto Cardoso (o “Maracanãzinho”), o Estádio de Atletismo Célio de Barros, o Estádio Aquatico Júlio Delamare e um estacionamento, além de um pequeno museu do futebol sob uma das rampas de acesso, em frente ao hall dos elevadores. Última Reforma
Visando a realização dos XV Jogos Pan-Americanos de 2007, o Estádio Mário Filho passou por uma longa reforma, que acabou custando mais de R$195 milhões ao governo do Estado do Rio de Janeiro. A capacidade do estádio reformado, que por alguns anos vinha sendo limitada a no máximo 80 mil espectadores, é de 89 mil.

Todos os setores do estádio foram afetados por essa reforma, a começar pela grama, toda replantada. O gramado foi rebaixado em um metro e meio e a antiga Geral deixou de existir. No seu lugar, foram instaladas cadeiras, extendendo o setor que anteriormente se limitava ao espaço coberto debaixo das arquibancadas. Estas continuam a ser ocupadas por cadeiras na sua totalidade, organizadas por setores, cada um dotado de seus respectivos bares e banheiros, totalmente remodelados. Os setores atrás dos gols tem preços populares, como compensação pela extinção da Geral. Os três placares eletrônicos foram substituídos e dois teões foram instalados atrás das balizas. Ao término da reforma, as cabines de rádio terão sido modernizadas e seu número ampliado. Vestiários, banheiros e bares também foram modernizados.
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4 – Os Recordes de Público
Jogos da Seleção Brasileira
Uruguai 2 x Brasil 1, dia 16/7/50, final da Copa do Mundo: cerca de 200.000 (público oficial: 173.850).
Brasil 1 x Paraguai 0, dia 31/8/69, eliminatórias para a Copa do Mundo: 183.341.
Brasil 1 x Paraguai 0, dia 21/3/54, eliminatórias para a Copa do Mundo: 174.599.
Brasil 6 x Espanha 1, dia 13/7/50, Copa do Mundo: 152.260.

Jogos entre Clubes
Flamengo 0 x Fluminense 0, dia 15/12/63, final do Campeonato Carioca: 177.656.
Vasco 1 x Flamengo 1, dia 4/4/76, final da Taça Guanabara: 174.770.
Fluminense 3 x Flamengo 2, dia 15/6/69, jogo que deu o título estadual antecipado ao Fluminense: 171.599.
Flamengo 0 x Vasco 0, dia 22/12/74, final do Campeonato Carioca: 165.355.
Flamengo 2 x Vasco 1, dia 6/12/81, final do Campeonato Carioca: 161.989.

5 – Os 40 notáveis (ordem alfabética):

Ademir – Almir – Amarildo – Assis – Barbosa – Bellini – Carlos Alberto Torres – Castilho – Coutinho – Danilo – Dequinha – Didi – Dirceu Lopes – Djalma Santos – Edmundo – Falcão – Gérson – Gilmar – Ipojucan – Jair Rosa Pinto – Jairzinho – Joel – Julinho – Júnior – Manga – Nílton Santos – Orlando Peçanha – Paulo Cesar Caju – Pelé – Pepe – Renato Gaúcho – Rivelino – Rubens – Telê – Tostão – Vavá – Washington – Zagallo – Zito – Zizinho.

Os dez maiores artilheiros:
Zico – Roberto Dinamite – Luisinho Lemos – Romário – Quarentinha – Valdo – Pinga – Garrincha – Dida – Bebeto.

Seis craques estiveram nas duas listas e por isso abriram vagas no grupo dos notáveis. São eles: Zico, Roberto Dinamite, Romário, Garrincha, Dida e Bebeto.

A comissão de jornalistas esportivos que elegeu os principais nomes da história do Maracanã foi formada por Armando Nogueira, José Carlos Araújo, Luiz Mendes, Washington Rodrigues, Orlando Batista e Milton Neves. Como sempre acontece em listas de natureza subjetiva como esta, algumas indicações e omissões devem ser consideradas como normais.

Fontes de Consulta
Loris Baena Cunha, “A Verdadeira História do Futebol Brasileiro”
Jornal dos Sports
O Globo
Jornal do Brasil
SUDERJ

5 – HISTÓRIAS DRAMÁTICAS

Uma das histórias mais dramáticas nesses anos de vida do Maracanã, ocorreu com Marcelo, um
jovem goleiro do Vasco amaldiçoado por uma falha sofrida contra o Flamengo, em 1964.
Naquele dia, a bola veio mansa, como em muitas outras vezes, chutada da intermediária pelo
flamenguista Nelsinho Rosa, hoje técnico. Quando Marcelo agachou-se para a defesa, porém, não
pegou nada. Um frango monumental. Sem condições psicológicas para continuar jogando, o goleiro
chorava encostado à trave, implorando para sair enquanto ouvia as vaias da torcida do Vasco.
Trêmulo, nervoso, ele comoveu todo o estádio enquanto caminhava na direção do túnel. Então,
deu-se o inesperado. Solidárias na dor dor com o goleiro, as duas torcidas começaram a aplaudi-lo.
Assim mesmo Marcelo prosseguiu, rumo ao vestiário. Para nunca mais voltar.

GOL MAIS RÁPIDO

O gol mais rápido do Maracanã foi feito pelo atacante Gildo, do Palmeiras, aos 8 segundos de jogo,
na vitória por 2×0 sobre o Vasco, no Torneio Rio-São Paulo de 1965.
.

6 – CRÔNICAS DE NELSON RODRIGUES
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Nelson Rodrigues foi um grande escritor brasileiro, carioca e fanático torcedor do Fluminense escreveu um belo texto um dia após a histórica invasão corinthiana ao Rio de Janeiro; segue abaixo o texto publicado no jornal O GLOBO.

Uma coisa é certa: – não se improvisa uma vitória. Vocês entendem? Uma vitória tem que ser o lento trabalho das gerações. Até que, lá um dia, acontece a grande vitória. Ainda digo mais: – já estava escrito há seis mil anos, que em um certo domingo, de 1976, teríamos um empate. Sim, quarenta dias antes do Paraíso estava decidida a batalha entre o Fluminense e o Corinthians.

Ninguém sabia, ninguém desconfiava. O jogo começou na véspera, quando a Fiel explodiu na cidade. Durante toda a madrugada, os fanáticos do timão faziam uma festa no Leme, em Copacabana, Leblon, Ipanema. E as bandeiras do Corinthians ventavam em procela. Ali, chegavam os corinthianos, aos borbotões. Ônibus, aviação, carros particulares, táxis, a pé, a bicicleta.

A coisa era terrível. Nunca uma torcida invadiu outro estado, com tamanha euforia. Um turista que, por aqui passasse, havia de anotar no seu caderninho: – “O Rio é uma cidade ocupada”. Os corinthianos passavam a toda hora e em toda parte.

Dizem os idiotas da objetividade que torcida não ganha jogo. Pois ganha. Na véspera da partida, a Fiel estava fazendo força em favor do seu time. Durmo tarde e tive ocasião de testemunhar a vigília da Fiel. Um amigo me perguntou: – “E se o Corinthians perder?” O Fluminense era mais time. Portanto, estavam certos, e maravilhosamente certos os corinthianos, quando faziam um prévio carnaval. Esse carnaval não parou. De manhã, acordei num clima paulista. Nas ruas, as pessoas não entendiam e até se assustavam. Expliquei tudo a uma senhora, gorda e patusca. Expliquei-lhe que o Tricolor era no final do Brasileiro, o único carioca.

Não cabe aqui falar em técnico. O que influi e decidiu o jogo foi a torcida. A torcida empurrou o time para o empate.

A torcida não parou de incitar. Vocês percebem? Houve um momento em que me senti estrangeiro na doce terra carioca. Os corinthianos estavam tão certos de que ganhariam que apelaram para o já ganhou. Veio de São Paulo, a pé, um corinthiano. Eu imaginava que a antecipação do carnaval ia potencializar o Corinthians. O Fluminense jogou mal? Não, não jogou mal. Teve sorte? Para o gol, nem o Fluminense, nem o Corinthians. Onde o Corinthians teve sorte foi na cobrança dos pênaltis. A partir dos pênaltis, a competição passa a ser um cara e coroa. O Fluminense perdeu três, não, dois pênaltis, e o Corinthians não perdeu nenhum. Eis regulamento de rara estupidez. Tem que se descobrir uma outra solução. A mais simples, e mais certa, é fazer um novo jogo. Imaginem que beleza se os dois partissem para outro jogo.

Futebol é futebol e não tem nada de futebol quando a vitória se vai decidir no puro azar. Ouvi ontem uma pergunta: – “O que vai fazer agora o Fluminense?” Realmente, meu time não pode parar. O nosso próximo objetivo é o tricampeonato carioca. Vejam vocês: empatamos uma partida e realmente um empate não derruba o Fluminense. Francisco Horta já está tratando do tricampeonato. Estivemos juntos um momento. Perguntei: – “E agora?” Disse: – amanhã vou tomar as primeiras providências para o tricampeonato. Como eu, ele não estava deprimido. O bom guerreiro conhece tudo, menos a capitulação. Aprende-se com uma vitória, um empate, uma derrota. Só a ociosidade não ensina coisa nenhuma.

No seguinte jogo, vocês verão o Fluminense em seu máximo esplendor.

Quando um outro time tiver uma torcida que fizer algo parecido, começarei a discutir sobre torcida de futebol, mas por enquanto não tem discussão, a torcida do Corinthians é a melhor e pronto.

Perfil: Mário Gonçalves Vianna – ex-FIFA-RJ

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Em campo, fazia de tudo: peitava, gritava, agredia até. Era seu jeito de se fazer respeitado por todos. Mário Gonçalves Vianna tinha 1.74 de altura e pesava 90 quilos de uma vitalidade que impressionava a todos que o conheceram.

Mário Vianna foi de tudo um pouco: baleiro, engraxate, jornaleiro, empacotador de velas, fiscal da guarda civil, policia especial, juiz de futebol, técnico do Palmeiras, Portuguesa e São Cristovão, e finalmente, comentarista de arbitragem na Rádio Globo.

Sua excelente condição física foi adquirida na Policia Especial. E foi apitando peladas, que José Pereira Peixoto, um policial amigo, o convenceu a fazer um curso de árbitro para Liga Metropolitana onde ingressou como primeiro colocado de sua turma. Sua estréia oficial foi na partida de juvenis entre Girão de Niterói e São Cristovão. Neste jogo ele definiu o estilo que trataria de aperfeiçoar ao longo de sua carreira até torná-la uma espécie de marca pessoal: expulsou Mato Grosso, zagueiro do seu querido São Cristovão.

Desde então, começou a construir sua fama de juiz rigorosíssimo, destes que não perdem as rédeas da partida, mesmo nas situações mais adversas. Como naquele Botafogo e Flamengo em General Severiano. Mário Vianna expulsou jogadores do Flamengo, os torcedores não gostaram e começaram a atirar garrafas e pedras contra ele. E Mário não teve dúvidas: devolveu tudo para as arquibancadas.

Mário Vianna nunca foi homem de meias medidas. Foi responsável pela única expulsão de Domingos da Guia em onze anos de carreira. Também teve uma passagem com Nilton Santos no clássico Botafogo e Vasco. Atendendo a uma denuncia do bandeirinha, expulsou Nilton Santos que era um gentleman, por ofender o auxiliar. Mário achou estranho o caso e, nos vestiários pressionou o bandeirinha que terminou confessando que tinha mentido. Ele ficou sem graça, foi ao vestiário do Botafogo e pediu desculpas a Nilton Santos.

Houve um jogador que, talvez por ser estrangeiro e desconhecer a fama de valentão de Mário Vianna, teve a infeliz idéia de desafiá-lo. Foi durante o jogo Itália e Suíça na Copa do Mundo de 1954. Inconformado com uma marcação do brasileiro, Boniperti partiu para cima do juiz aos empurrões. Mário Vianna aplicou-lhe um direto no queixo. Mandou que o carregassem para os vestiários e, ironicamente, disse para o massagista – “Se ele tiver condições, pode voltar para o segundo tempo”. Boniperti voltou bem mansinho.

Durante a Copa do Mundo de 1954, no jogo Brasil x Hungria, chamou o juiz Mr. Ellis e os dirigentes da FIFA, de ‘camarilha de ladrões’. Foi expulso do quadro de árbitros da entidade. Quando já era comentarista de arbitragem na Rádio Globo, quase perdeu o emprego por duas vezes. Na primeira, disse que o juiz Abraham Klein, além de judeu era ladrão. Os patrocinadores do programa eram, como Klein, judeus.

Como todo personagem folclórico, Mário Vianna também tinha o seu lado místico. Era espírita da linha Alan Kardec, rezava ao se deitar e se levantar. Alguns casos são conhecidos. Na Copa de 1970, era companheiro de quarto de Luis Mendes. Certa manhã ao se levantar, virou-se para o companheiro e disse – “Mendes, liga para tua casa porque seu irmão desencarnou”. Apavorado, Luis Mendes pegou o telefone, ligou para casa e ficou sabendo que seu irmão havia falecido naquela madrugada. Waldir Amaral conta que certa vez estava embarcando com Mário para São Paulo. E Mário advertiu – “Waldir esse avião vai pifar. Vamos esperar outro vôo”. – Que nada, Mário, deixe de besteiras – retrucou Waldir Amaral. Os dois embarcaram e quando o avião ia decolar, o motor enguiçou e o piloto foi obrigado a dar um cavalo de pau para não cair na baía da Guanabara.

Além dos problemas, Mario Vianna tinha outro orgulho: todos os técnicos brasileiros (da sua época), com exceção de Zezé Moreira, jogaram sob sua arbitragem. Por isso, ele se achava apto para julgar, e afirmar que Leônidas da Silva foi melhor que Pelé. Outros jogadores o enfrentaram em campo, com as armas da catimba. Zizinho, “macho dentro e fora do campo”. Eli do Amparo, “que quando tinha que expulsa-lo segurava pela pele”. E outra passagem de Heleno de Freitas. De Heleno, Mário lembrava-se com nostalgia. De vez em quando a mãe de Heleno telefonava pedindo paciência com seu filho que ele cansou de expulsar. No sul-americano de 1945, no Chile, Mário Viana apitava os treinos da seleção que tinha como técnico Flavio Costa. Num coletivo, ele marcou um impedimento e Heleno reclamou. E Mário foi logo retrucando – “ Flávio tira o Heleno do campo ou eu lhe dou uns sopapos”. É isso mesmo. Ele expulsava até treino.

Em compensação, foi suspenso tantas vezes pelas federações em que trabalhou – Rio, São Paulo e Pernambuco – que ele nem se lembra.
Quando encerrou sua carreira como arbitro, teve uma breve e frustrada experiência como técnico no Palmeiras. Como comentarista de rádio e televisão, Mario Vianna era considerado o rei das gafes.

A maior delas aconteceu quando entrevistavam, o ponta direita do Fluminense Cafuringa, num programa patrocinado pelo cigarro Corcel. Mário perguntou ao atleta – Você bebe, Cafuringa ?
– Não senhor.
– Muito bem. E fuma ?
– Fumar, eu fumo.
– Mas não deve. O cigarro é um veneno para a saúde. O cigarro faz muito mal.
O apresentador tentou avisar ao Mario Viana que o programa era patrocinado por uma fabrica de cigarro. Foi ai que o ex-arbitro deu a volta por cima.
– Todo cigarro tem veneno, Cafuringa, menos o Corcel, que tem uma dose mínima de nicotina.

Mas a sua grande mancada foi ao se despedir do apito em 1957. Ele dirigiu no maracanã um jogo de vedetes do Rio e de São Paulo. Ele mesmo é quem dizia – “Nunca ouvi tanto palavrão. Fui até agredido, e só não reagi porque eu matava uma com um soco. Mas precisei contar até dez para manter a calma.

Muitos que também viveram a época de Mario Vianna, afirmam que nessas histórias sempre existem um pouco de exagero. Com exagero ou não, as histórias são realmente deliciosas.

Faleceu em 16 de Outubro de 1989.

.Revista Placar

Os irmãos Carvalheiras!!!!

Depois da conquista do campeonato de 1934, pelo Náutico, a fama dos Carvalheiras (Zezé, Fernando e Artur), três unidos irmãos fora e dentro do campo, que compunham o ataque do time alvirrubro, começou a atravessar fronteiras e penetrou no Rio de Janeiro, mais precisamente dentro do Fluminense, onde o pernambucano e alvirrubro, Antonio Vicente Filho, se encarregava de decantar em prosa e verso o maravilhoso futebol dos
Carvalheiras, especialmente do mais jovem, Artur, que tinha 17 anos.

No Recife, o experiente técnico do Náutico, Umberto Cabelli, não fazia por menos. Quem quer que o perguntasse qual o melhor jogador pernambucano, no momento, respondia sem pestanejar: Artur Carvalheira. Artur era um meia consciente, aplicado, objetivo arquiteto das grandes vitórias do Náutico que no campeonato de 1935 tinha feito 79 gols, 31 dos quais assinalado pelo irmão de Artur, Fernando, artilheiro da equipe e da temporada.
Em setembro de 1936, acontecia a consagração de Artur.
Um telegrama passado do Rio pelo influente Antonio Vicente Filho pedia que embarcassem o atacante alvirrubro para o Rio deJaneiro, a fim de jogar pelo Fluminense. A notícia explodiu como uma bomba nos meios esportivos, deixando torcedores e dirigentes alvirrubros vaidosos e cheios de orgulho.
Artur viajou muito satisfeito e empolgado pelo fato de ser o primeiro jogador pernambucano a sair daqui direto para jogar num centro evoluído como o Rio, e pelo Fluminense, um clube de categoria. Ao seu embarque, compareceram não só dirigentes e torcedores do Náutico, mas também de outros clubes.

Com menos de uma semana, ele começava a se decepcionar com os novos colegas e ambiente. Só se falava em “bichos”, farras e outras coisas que Artur, como amador autêntico, não admitia e no Náutico não estava acostumado a ver. Porém, ele não queria voltar sem antes mostrar seu futebol, sua categoria. Cada treino que dava, os elogios aumentavam.
O Fluminense estava em francos preparativos para o grande “Fla-Flu” e Artur passou a ser olhado pelos dirigentes do tricolor carioca como uma arma secreta para o grande clássico.
Quando o Fluminense entrou em campo (13.9.1936), a torcida do clube “pó de arroz” ficou meio desconfiada, embora já tivesse tido conhecimento, através dos jornais, do bom futebol do jogador pernambucano.

Artur confirmou tudo que se dizia dele, sendo inclusive responsável pelo gol do empate em 1×1, quando o Fluminense perdia de 1×0. Foi derrubado dentro da área no momento em que ia deixar sua marca nas malhas do Flamengo. 0 pênalti foi cobrado com sucesso, estabelecendo-se o empate, resultado final do encontro.
Dois dias após, os jornais recifenses transcreveram em suas página esportivas matérias sobre a partida em que a imprensa carioca fazia os melhores elogios a atuação do atacante pernambucano. Os torcedores do Náutico vibraram como se fosse uma vitória do seu clube. Muitos deles recortaram as páginas dos jornais que destacavam as escalações do Fluminense e Flamengo. Era uma lembrança inolvidável da passagem de Artur Carvalheira pelo futebol carioca.
As equipes jogaram assim:

Fluminense – Batatais; Guimarães e Machado; Marcial, Brant e Orozimbo; Sobral, Russo, Romeu, Carvalheira e Hércules.

Flamengo – Yustrich; Domingos e Marin; Médio, Fausto e Oto; Sá, Leônidas, Alfredo, Angel e Jarbas.

A volta de Artur foi apoteótica. Ele retornou no dia 28 de setembro pelo navio “Oceania” e foi saudado no cais do porto por banda de música e uma salva de 21 tiros. Aos repórteres, teve que contar várias vezes como ocorreu a jogada do pênalti que originou o gol de empate do Fluminense. Revelou ter recebido convite do clube carioca para assinar contrato de profissional, porém recusou porque não queria mesmo fazer do futebol profissão.

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Fonte:A Historia do Futebol PE