O início do football na América Latina

Apesar de, historicamente, em grande parte, terem sido colonizadas por portugueses e espanhóis, podemos observar nas sociedades latino-americanas a predominância, exceção feita a algumas nações caribenhas e à Venezuela, de uma prática esportiva implementada pelos ingleses na virada do século XIX para o XX. Estamos nos referindo ao futebol, que, de apenas mais um símbolo de dominação estrangeira passou em diversos países a se constituir num dos mais importantes elementos formadores de identidades nacionais.

Após a sua introdução, não tardou para que este esporte rompesse o círculo inicial representado pelos clubes ligados predominantemente à colônia britânica, ou então, aos membros da aristocracia local. Segundo Pereira (2000), o futebol aparecia naquela época como “uma celebração da identidade bretã”. A força com a qual essa modalidade se espalhou por boa parte do planeta deu-se de uma forma tão impressionante que, Mascarenhas (2002), afirma ser esse esporte “o mais duradouro, bem sucedido e disseminado produto de exportação da sisuda Inglaterra vitoriana”.

Na passagem do século XIX para o século XX, a Inglaterra ainda despontava como a principal potência marítima, colonial, comercial e industrial do planeta. A expansão da rede capitalista somada ao surto desenvolvimentista vivido por alguns países latino-americanos, especialmente Argentina e Uruguai, fez com que um intenso intercâmbio comercial, aliado a vultosos investimentos em obras de infra-estrutura e serviços públicos, notadamente na ampliação da malha ferroviária, atraíssem capitais e cidadãos ingleses (operários, professores, técnicos de ferrovias, comerciantes etc.) que passaram a funcionar como os grandes agentes disseminadores da modernidade, sendo o futebol um de seus mais importantes elementos.

As atividades relacionadas à exploração mineral e ao comércio despontavam entre aquelas que mais despertavam interesse dos capitais ingleses. Não por acaso, as cidades portuárias (Buenos Aires, Montevidéu, Valparaíso, Rio de Janeiro, Rio Grande etc.) e mineiras (Coquimbo, Iquique, Pachuca etc.) consolidaram-se como alguns dos mais importantes centros pioneiros do futebol na América Latina.
No Brasil, a data oficial de implantação do futebol remonta a 1894, por obra de Charles Miller. Entretanto, existem relatos de partidas realizadas por marinheiros ingleses na Praia do Russel, em 1874, e, em 1878, em frente à residência da Princesa Isabel.

Apesar da existência de divergências em relação à paternidade do futebol no nosso país, uma coisa é certa: após cada partida realizada, apesar de toda uma sensação inicial de estranheza em relação àquele curioso esporte trazido das Ilhas Britânicas, a prática do foot-ball rapidamente incorporava-se aos hábitos da nossa aristocracia, ávida por tudo aquilo que representasse a reprodução nos trópicos de um modo de vida moderno, refinado, europeu.
Entretanto, da mesma maneira que o novo esporte caiu no gosto da elite, ele também chamou a atenção das camadas menos favorecidas da nossa população. Era fato comum a presença nos barrancos localizados ao redor das primeiras canchas de uma pequena multidão de curiosos a assistir a exibição de um grupo de vinte e dois bem nascidos jovens, divididos em dois teams de onze, disputando a atenção de uma platéia composta por moças e rapazes, elegantemente trajados, das mais distintas famílias locais.
Logo o entusiasmo tomou conta das classes populares que rapidamente começaram a procurar os terrenos baldios, improvisando marcações, balizas e adaptando as regras do jogo às condições do terreno. Surgia dessa maneira uma das mais importantes instituições do futebol: a pelada, mais um reflexo da imensa capacidade de improvisação que caracteriza o povo brasileiro.

Fonte:http://www.efdeportes.com/ Revista Digital – Buenos Aires
Inserido por Edu Cacella

O mortífero Luis Artime

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Antes de jogar pelo Palmeiras, Artime defendeu o River Plate e o Independiente, ambos da Argentina, além de ter disputado a Copa da Inglaterra, em 1966, pela seleção de seu país.

Artime, o argentino Luiz Artime, centroavante matador do Palmeiras entre 1968 e 1969, brilhou no Uruguaio Nacional de Montevidéo (URU) ao lado do goleiro Manga e de Ubiñas, Mujica, Cubilla, Morales, Esparrago, Monteiro Castillo e etc… e foi artilheiro do campeonato nacional do uruguai ppor três anos seguidos.
Sempre tive admiração por este centroavante. Toda vez que eu ia ver o Derbi Corinthians x Palmeiras sabia de antemão que se sobrasse algum rebote na área, era caixa na certa. Estou inserindo este artigo movido pela admiração que hoje tenho de alguns jogadores argentinos. Deixo de lado a rivalidade para falar de quem realmente merece destaque. Por acaso não vimos ontem, 21/05/2008, o excelente futebol praticado pelo Conca do Fluminense?
Voltando a Luis Artime, dentro da área somente um era mais mortífero: Coutinho do Santos Futebol Clube. Portanto, digno de destaque este argentino.
Abaixo segue os números do título mundial ( intercontinetal ) do Nacional do Uruguai, com Artime de centroavante.

A Copa Intercontinental quase não foi jogada devido aos graves incidentes ocorridos na edição anterior, na Argentina, entre o Estudiantes e Feyenoord, da Holanda.
O representante Europeu, indicado pela UEFA para a disputa de melhor do mundo, foi o clube grego do Panathinaikos, vice-campeão europeu, na recusa do Ajax.

A primeira partida foi jogada em 15 de dezembro, na Grécia, no Estádio Karaiskaki del El Pireo, com empate em 1 a 1 – os gols foram marcados por Luis Artime e Fylakouris. Na segunda partida, realizada em Montevideu, no dia 28 de dezembro de 1971, o Nacional vence por 2 a 1, com gols de Luis Artime, e conquista o título de melhor do mundo. Eis a ficha da partida:
Nacional: Manga, Ángel Brunell, Juan Masnik, Luis Ubiña, Julio Montero Castillo, Juan Carlos Blanco, Luis Cubilla (Juan Martín Mujica), Ildo Enrique Maneiro, Víctor Espárrago, Luis Artime, Juan Carlos Mamelli (Ruben Bareño).
Panathinaikos: Oikonomoupoulos, Mitropolus, Athanassopoulos, Eletherakis, Kapsis, Sourpis, Dimitrou, Kamaras (Fylakouris), Antoniadis, Domazos, Kouvas.

Nascido na cidade argentina de Mendoza, no dia 25 de novembro de 1941, Artime vestiu a camisa do Palmeiras em 57 jogos (32 vitórias, 13 empates, 12 derrotas), marcou 48 gols e conquistou o Robertão de 1969.

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Artime teve também uma passagem pelo Fluminense do Rio quando o Flu formou um grande time. Na época, Gérson, o Canhotinha de Ouro, dizia o seguinte: – Agora é mole! Eu recebo a bola do Denilson, lanço para o Cafuringa e corro para abraçar o Artime, pois é gol na certa.
Só que no Fluminense o Artime não teve tanta notoriedade.
Gilberto Maluf

Copa Amistad 1990

Copa Amistad, 1990.

19.07.1990 Copa Amistad 1990

Santiago (Chile) Nacional

Club Social y Deportivo COLO-COLO (Chile) 0 X 0 SÃO PAULO Futebol Clube (Brasil)

GILMAR; ZÉ TEODORO, ANTÔNIO CARLOS, RONALDÃO e NELSINHO (IVAN); FLÁVIO, BERNARDO, CAFU e JUAN RAMÓN CARRASCO; BOBÔ e DIEGO AGUIRRE.
Técnico Pablo Forlán
Gols: Não houve gol do SPFC marcado nessa partida
Árbitro: Carlos Manuel Robles Mella (Chile)
Não houve jogador do SPFC expulso nessa partida
Renda Desconhecida
Público Desconhecido

21.07.1990 Copa Amistad 1990

Santiago (Chile) Nacional

Club Deportivo UNIVERSIDAD CATÓLICA (Chile) 0 X 2 SÃO PAULO Futebol Clube (Brasil)

GILMAR; ZÉ TEODORO, ANTÔNIO CARLOS, RONALDÃO e NELSINHO; FLÁVIO, BERNARDO, CAFU e JUAN RAMÓN CARRASCO (VIZOLLI); BOBÔ (EDMÍLSON) e DIEGO AGUIRRE (BETINHO).
Técnico Pablo Forlán
Gols: DIEGO AGUIRRE; CAFU
Árbitro: Salvador Imperatore Marcone (Chile)
Não houve jogador do SPFC expulso nessa partida
Renda Desconhecida
Público Desconhecido
*Embora tenha terminado empatado na liderança em todos os critérios com o Colo-Colo, o time local, co-anfitrião do torneio, desistiu do sorteio e ofereceu o troféu para a equipe visitante.

OS DIAS 21 E 22 DE MAIO NO FUTEBOL

21/05/1904 – É fundada a Federação Internacional de Futebol e Associados a FIFA.

21/05/1985 – CHILE 2 X 1 BRASIL, em Santiago do Chile o Brasil perde as vésperas do inicio das eliminatórias para a Copa de 1986 e Evaristo de Macedo perde o cargo e o Mestre Telê Santana é chamado as pressas para a vontade do povo. Os gols foram de: Rubio, Caszely (Chi); Casagrande (Bra).

21/05/1997 – INTERNAZIONALE 1 X 0 SCHALKE 04, em Milão com um gol de Zamorano a Inter vence e leva o jogo para os pênaltis, ai quem brilhou foi Lehmann que defendeu três pênaltis e o time alemão conquistou a Copa da UEFA.

22/05/1963 – MILAN 2 x 1 BENFICA, em Londres o Milan conquista pela primeira vez a Copa dos Campeões da Europa de virada sobre o Benfica de Eusébio que abriu o placar mais o nosso Altafini (Mazola) marcou os dois gols milaneses.

22/05/1969 – ESTUDIANTES 2 X 0 NACIONAL, em Mar Del Plata com gols de Flores e Conigliaro a equipe Argentina conquista o bicampeonato da Taça Libertadores da América.

22/05/1996 – JUVENTUS 1 X 1 AJAX, em Roma após empate no tempo normal com gols de Ravanelli (Juv) e Litmanen (Ájax) a Juventus vence nos pênaltis por 4 x 2 e conquista o bicampeonato da Copa dos Campeões da Europa.

Rivaldo, o melhor das Copas de 1998 e 2002.

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Noves fora, terminada a Copa da Alemanha, cabe uma constatação em forma de homenagem: o melhor jogador brasileiro de sua geração é Rivaldo. Não é Ronaldo, não é Cafu, não é Ronaldinho Gaúcho. No início desta semana, aos 34 anos, o meia do Olympiakos, da Grécia, anunciou sua despedida dos gramados. Joga mais uma temporada na Europa, e pronto. É hora, portanto, de repararmos a injustiça que o transformou em atleta normal e não em um gênio da bola, o melhor da Seleção em duas Copas do Mundo, em 1998 e 2002. Rivaldo, o Zidane brasileiro, só não tem o tamanho merecido porque é tímido, avesso ao marketing, não gosta de holofotes. José Miguel Wisnik, poeta, compositor e crítico literário, escreveu o seguinte a respeito do camisa 10 de 2002 em um artigo publicado logo depois do Mundial da Coréia e Japão na revista Época: “A foto de Rivaldo chutando diz tudo: os braços e as pernas se arremessam num espasmo de direções contrárias, em X – pião barroco em pleno equilíbrio. Pode ir rápido quando conduz a bola (muitas vezes sem olhar o jogo ) e parecer lento quando volta bamboleando com ela, como se sofresse de uma longínqua esquistossomose. Mas é antes de tudo um forte. A frase de Euclides da Cunha serve para ele não propriamente como sertanejo, mas como nordestino temperado de litoral, capaz de converter fraquezas em capacidades inacreditáveis.. Lembremos, pois, de alguns instantes mágicos do pernambucano Rivaldo em Mundiais:

1)Ele fez oito gols em Copas do Mundo – 3 em 1998 e 5 em 2002

2)Sua atuação nos 3 a 2 diante da Dinamarca, nas quartas-de-final de 1998, foi antológica, fez lembrar Didi no apogeu.

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3)O gol contra a Bélgica, nas oitavas de 2002, virando em voleio depois de matar no peito, é outro lance de rara beleza estética

4)Se é preciso uma reação semelhante a de Zidane e sua já lendária cabeçada, para incluir na lista um instante menor, Rivaldo tem uma também: foi aquela encenação, na bandeirinha de escanteio, fingindo ter levado na cara uma bola que lhe bateu nas canelas, jogado pelo turco Hakan Unsal, na primeira partida de 2002. Ali o Brasil começou a erguer a taça do penta.

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Salve Rivaldo, o homem a quem o sentimento de rejeição o afastou da fama. Esse sim, lembremos, joga bonito.
Por Fábio Altman

Agora, quando eu morava em São Paulo lembro-me muito bem como era rejeitado o Rivaldo. Também falei que foi o melhor jogador da copa de 2002. Só faltaram me execrar. Mas eu sabia do estava falando.
Gilberto Maluf

Alguns comentários/elogios/adjetivos do Blog Fotolog.terra.com.br
-Ele foi, simplemente MARAVILHOSO!!!

-Ele foi o maior da copa de 2002, e todos queriam que o Ronaldo fosse escolhido o melhor da copa, se não fosse o Rivaldo o Ronaldo não seria nada em 2002. Ele marcou 5, o Ronaldo 8 gols em 2002, e isso conta tudo pois ele não era o matador do time.

— Considero Rivaldo um dos maiores jogadores brasileiros. Basta levantar a “ficha corrida” dele. Esta, deve estar carregada, mas não de situações desagradáveis como jogadores desta Copa e sim de muitos títulos e gols ao redor do mundo.

-Rivaldo, sem marketing ou com marketing, é simples,eficiente e mágico dentro das quatro linhas.Nunca precisou nem precisará de Galvão Bueno para ser o craque que é.

-Simplesmente injustiçado pela midia e pelos brasileiros. Um grande jogador.

-Ufa! Até que enfim alguém faz justiça neste país sem justiça. Rivaldo foi (para mim) nos anos 90/2000 o que Zico foi nos anos 80/90. Era só jogar a bola no pé dele que o encanto começava. Ronaldo foi artilheiro da Copa em 2.002? Deveria ajoelhar-se aos pés de Rivaldo. Se era para ter um capitão na Copa da Alemanha que não falasse em campo(Cafu) era melhor este calado ter sido o craque Rivaldo. Pelo menos teríamos a chance de agradecer a ele tudo que fez por nós, brasileiros e palmeirenses. Pensando bem, os anjos do céu o protegeram da mediocridade da Copa e, principalmente, de nossa seleção. Um craque como Rivaldo nunca pára de jogar, apenas descansa. O seu lugar já está garantido no sonho daqueles que adoram ver o futebol como arte e espetáculo. Parabéns Rivaldo! E apareça para jogar uma pelada com a gente!

-Depois de Pele, Zico, Falcao e Cerezo, Rivaldo foi o melhor. O resto pode ate ser bom de bola, mas dai a chamar de fenomeno, ai ja é demais .

-Ele sera’ sempre lembrado,trata-se de um gênio da bola e de um grande homem de carater.Bom de bola sempre………
Já estamos com saudades, do nosso grande astro tímido, porém muito … especial!

-Eu vi Rivaldo jogar no início da carreira no meu Santa Cruz; foi neste clube onde ele começou e despontou para o Mundo. O resto da história vcs sabem.

-Sem dúvida alguma é um dos maiores craques do futebol brasileiro. E aqui falo de craques de verdade, não daqueles que pagam para ter o nome em evidência na mídia.

-Por outro lado, se não foi à Alemanha, certamente isto não lhe fará falta no currículo, posto que esse bando que se juntou lá nunca representou, de fato e de direito, a gloriosa Seleção Brasileira.

-Rivaldo foi um craque que não precisou de bajuladores e marqueteiros para mostrar o grande jogador que foi para o Brasil. Lamento que vai abandonar o futebol. Grande perde. Mas que se faça a homenagem que ele merçe de todos brasileiros.

-Sabe cabecear, marcar gols de bicicleta, chutar de longe de perto, bater penaltis, puxar a responsabilidade de um jogo para si e virar o placar e quando esta no time os outros correm mais atras da bola porque nao tem outro jeito.

Major Puskas – o maior nome da seleção húngara que encantou o mundo

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Puskas era o maior nome da seleção húngara que encantou o mundo nos anos 50, quando ganhou os Jogos Olímpicos de 1952, em Helsinki, na Finlândia e provocou a primeira derrota da história da Inglaterra no Estádio de Wembley, em Londres (6 a 3, em 1953).

Após tais feitos, em 1954, na Copa da Suíça, a Hungria despontou como favorita, principalmente após a goleada por 8 a 3 sobre a Alemanha Ocidental, logo na primeira fase. A final foi contra a seleção alemã, que dessa vez levou a melhor vencendo por 3 a 2. Assim como a seleção brasileira de 1982, a Hungria de 54 também faz parte de uma dessas “injustiças do futebol”.

Nascido no dia 2 de abril de 1927, Ferenc Puskas defendeu a seleção húngara em 84 oportunidades e marcou 83 gols, adquirindo a excelente média de aproximadamente 0,99 gols por jogo. Nos clubes, o sucesso maior veio no Real Madrid, onde jogou de 1958 a 66, e ao lado de Di Stéfano fez parte um dos melhores times que o clube espanhol já formou em sua história, conseguindo seis títulos espanhóis (1958, 1961/62/63/64/65), duas Taças da Europa (atual Liga dos Campeões – 1959/60), um Mundial de Clubes (1960) e uma Copa da Espanha (1962).

Ferenc Puskas, o “Major Galopante” da Hungria, um dos mitos do futebol, está em algum lugar muito próximo de Pelé, Cruyff e Maradona na história do esporte. Recordista de gols pela seleção magiar, marcou 83 vezes em 84 jogos, em uma média de 0,98 tento por partida. O camisa 10 do Brasil fez 95 nas 115 oportunidades em que vestiu a canarinho (média de 0,88). Puskas foi, nos anos 1950, capitão de uma das maiores equipes de todos os tempos, vice-campeã mundial de 1954 e campeã olímpica de 1952. Aos 79 anos, internado em um hospital de Budapeste com uma doença degenerativa semelhante ao Mal de Alzheimer, Puskas caminhou para a vizinhança de um outro craque: Garrincha, o gênio das pernas tortas que morreu pobre, o homem que fizera os brasileiros sorrir e não conseguiu driblar a decadência física e financeira.

A família do húngaro pôs 100 objetos pessoais do ex-jogador a leilão, de modo a arrecadar dinheiro para o tratamento. O martelo bateu em 2 de novembro, na casa inglesa Bonhams, fundada em 1793. Entre as peças, estava a chuteira de ouro ganha pelo recorde como goleador, com lance inicial de US$ 2, 6 mil. Tinha ainda um troféu entregue pela Federação Húngara de Futebol pelos 511 gols marcados nos campeonatos europeus, avaliado em US$ 5,3 mil. Despontaram curiosidades como uma camisa presenteada por Pelé no aniversário de 75 anos , cujo lance inicial é de US$ 1760.

“O lote foi posto a venda a pedido da mulher de Puskas”, disse Dan Davies, responsável pelo departamento de coleções olímpicas e de futebol da Bonhams. Não há um cálculo final para o montante amealhado, mas ele atingiu pelo menos US$ 180 mil. É valor que ajudou a apagar a triste imagem de evento denunciado pelo diário inglês Daily Telegraph. Debaixo da manchete, “Insulto a uma lenda”, revelou-se uma tramóia. Em agosto, uma equipe de atletas húngaros enfrentou o Real Madrid, time pelo qual Puskas atuou de 1958 a 1967. Mais de 40 mil pessoas foram ao estádio em Budapeste para ver em campo Ronaldo, Zidane e Beckham, em prol do conterrâneo. O time espanhol ganhou cachê de US$ 1,5 milhão, de modo a pagar hotel e outros custos. A mulher de Puskas, porém, recebeu meros US$ 12 mil.

Assim que o escândalo explodiu, dirigentes do Real prometeram entregar outros US$ 98 mil. Contudo, nada havia chegado às mãos da companheira. Como se não bastasse, no hospital Puskas recebeu a notícia de que a emblemática equipe do Honved, comandada por ele no auge, caíra para a segunda divisão em virtude de uma dívida com um treinador. Foram péssimas notícias que o leilão tentou reverter. Foi o caminho possível para salvar a história do supercraque de uma seleção que, a seu tempo, declamava-se como poesia, em um verso de 11 palavras: Grosics; Buzansky, Lorant, Lantos e Zakarias; Bozsik e Hidegkuti; Budai, Kocsis, Puskas e Czibor.
Puskas morreu em 2006.

Alguns comentários/adjetivos sobre Puskas:

-Melhor atacante depois de Pelé;

-Um dos craques galopantes e alegre que sabia usar a magia da bola;

-Uma lenda viva do futebol mundial, maestro do escrete húngaro no início dos anos 50. Apenas Pelé foi melhor, hoje com tristeza nos despedimos da máquina de fazer gols, maior recordista em gols em estatística de jogos;

– Que pena! Vai-se um gigante, do mesmo nível de Di Stéfano, Pelé e Maradona. Quem puder, assista a um vídeo chamado “The gold team”, e terá uma “pequena” noção de seu talento;

– Mais um craque que vai jogar o jogo das estrelas lá no céu. Felizes aqueles que puderam vê-lo jogar;

– Dêem uma parada na década de 60 e 70… Pelé, Rivelino, Eusébio, Boby Charlton, Gerge Best, Beckembauer, Gigi Riva, Johann Cruyf, Beatles, Woodstock, Rolling Stones, Pink Floyd, Bee Gees, Santana, Deep Purple, Black Sabath, Fidel Castro, Chê ,Rinus Mitchel… o que estes caras fizeram….melhoraram para sempre a vida inteligente do Planeta.

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Fábio Altman
Milton Neves

Guevara e o esporte

A lenda voltou a circular, nos últimos dias, em Buenos Aires. Por um lado, porque estamos recordando o quadragésimo aniversário da morte de Che Guevara e, por outro, porque os argentinos, fanáticos por futebol, parecem hoje enlouquecidos com o rúgbi, um dos esportes favoritos do mítico guerrilheiro.
Reza a lenda que, em agosto de 1961, o motorista do carro que conduziu Guevara à sua reunião secreta com o então presidente argentino, Arturo Frondizi, não sabia quem era o personagem que transportava, e tinha ordens de não lhe dirigir a palavra sobre política. Mas Guevara, que estava maquiado, perguntou-lhe no trajeto se ele sabia “como tinham se saído o CASI e o SIC”. E que o motorista, assustado diante da situação e por não saber o que essas siglas estranhas significavam, respondeu: “Sou motorista, senhor, de política não sei nada, peço que me desculpe”.
Reconstituições posteriores pareceriam indicar que esta situação jamais aconteceu, mas ela é ainda assim considerada possível porque Che não só havia sido jogador e jornalista de rúgbi mas também amou o xadrez, jogou futebol, tênis, golfe, pingue-pongue, basquete, beisebol, e praticou patinação, pesca, hipismo, tiro, alpinismo e remo; chegou a conquistar uma marca de 2,80m no salto com vara, em uma edição dos Jogos Universitários argentinos.
Em seu livro “Che, Periodista-Deportista, Pasión y Aventura”, o jornalista argentino Hernán Santos Nicolini afirma que Guevara chegou a praticar 26 esportes. “Foi o esportista asmático mais célebre da história, ainda que sua notoriedade não proviesse nem do esporte e nem da asma”, escreveu por sua vez o colega Ariel Scher, no livro “La Pátria Desportista”, no qual dedica um capítulo inteiro ao Guevara esportista.
Foi exatamente a asma de “Ernestito” que levou sua família, de classe média confortável, a deixar Buenos Aires e se instalar em Alta Gracia, Córdoba, à procura de um clima mais amável. E em Alta Gracia, mais por necessidade, para que a asma não o consumisse, Ernestito começou a se dedicar à natação, um esporte que herdou de sua mãe Célia e que aprendeu com lições do campeão argentino de estilo borboleta, Carlos Espejo.

Não demorou muito para que começasse a praticar os saltos dos acrobatas de um circo japonês ao qual admirou em numerosas tardes de Alta Gracia, se interessasse pelo montanhismo nas serras de Córdoba e aprendesse golfe, porque vivia a poucos metros de um campo de jogo e havia feito grande amizade com os caddies, segundo contou uma vez Ernesto Guevara de la Serna, seu pai. A nova casa em Córdoba estava a metros de uma quadra de tênis, esporte que também aprendeu graças às lições da filha do zelador das quadras, ao mesmo tempo em que praticava boxe e pingue-pongue.
Argentino até a raiz dos cabelos, Ernestito se apaixonou pelo rei futebol, mas quis se diferenciar de seus amigos, que eram fãs dos populares Boca Juniors ou River Plate, e por isso escolheu o Rosário Central, em homenagem a Rosário, sua cidade natal, na província de Santa Fé. Seu jogador favorito era Ernesto “Chueco” García, apelidado de “o poeta da canhota”. A asma o condenou ao posto de goleiro, que honrou em sua primeira grande viagem fora da Argentina, na companhia do inseparável amigo Alberto Granados, aquela jornada de iniciação relatada no filme “Diários de Motocicleta”, do brasileiro Walter Salles, com o mexicano Gael García Bernal encarnando um jovem Guevara.
Che ganhou dinheiro, casa, comida e transporte até Iquique jogando futebol no norte do Chile; jogou também com os leprosos da cidade de San Pablo, no norte do Peru, e chegou a viver um momento glorioso em Letícia, Colômbia, quando agarrou um pênalti em uma final de campeonato, ainda que seu time, treinado por ele e Granados, terminasse perdendo o título.

Em Cuba ele é conhecido e celebrado como grande impulsor do xadrez, e muitos de seus companheiros de guerrilha o recordam, na serra, sempre equipado de fuzil e tabuleiro. “O xadrez”, dizia Guevara, “é um passatempo, mas é também um educador do raciocínio, e os países que têm grandes equipes de enxadristas marcham também à frente do mundo em outras esferas mais importantes”. Inaugurou torneios, competiu com seus colegas, jogou partidas simultâneas com grandes jogadores, como Victor Korchnoi, Mikhail Tal e Miguel Najdorf, e até se deu ao luxo de vencer o grande mestre nacional cubano Rogelio Ortega.

Mas, na Argentina, a figura de Guevara como esportista está vinculada sobretudo ao rúgbi. Ele aprendeu a jogar com seu amigo Granados em Córdoba e, quando a família retornou a Buenos Aires, entrou para o San Isidro Club (SIC), um dos clubes de rúgbi mais poderosos do país. No entanto, sua passagem pelo time durou pouco, porque seu pai exerceu influência junto ao presidente do clube para que o proibisse de jogar, por causa da asma e de advertências médicas de que poderia morrer em campo. Obstinado, Guevara continuou jogando por outros clubes, primeiro o Yporá e depois o Atalaya, nos quais se destacava pelo tackle duríssimo, o que lhe valeu o apelido de “Furibundo Serna”, pelo sobrenome de sua mãe.
A lembrança de que ele foi também jogador de rúgbi provocou nos últimos dias alguns protestos entre os setores mais conservadores desse esporte, hoje mais popularizado, mas historicamente vinculado com as classes abastadas, que simplesmente detestam o Guevara comunista. Mas Che, que também foi cronista esportivo e correu atrás dos esportistas argentinos nos Jogos Pan-americanos do México em 1955, e cujo rosto aparece nas tatuagens célebres de Diego Maradona ou Mike Tyson, é hoje uma figura corrente nos campos de futebol, onde os torcedores costumam portar bandeiras e cartazes que mostram seu rosto.
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Autor:Por: Ezequiel Fernández Moores
Inserido por Edu Cacella

St.Pauli e a política!!!!

St. Pauli é um bairro portuário que fica ao norte de Hamburgo, na Alemanha. Do mesmo modo que o Livorno na Itália, St. Pauli é um dos bairros mais antifascistas da cidade de Hamburgo. Neste artigo falaremos da história da torcida de sua equipe de futebol: o FC St. Pauli. Que expulsaram, na base do confronto físico, todos os fascistas de seu Estádio, o Millentorn. E como diria a banda alemã “Stage Bottles”: “A violência não é o único caminho, mas é o único que muitos entendem. Fuck Fascism!”.

No final dos anos 70 os neonazistas, de forma similar a outros países (especialmente na Inglaterra), começam a se infiltrar nos estádios de futebol de Hamburgo, que até então não tinha nenhum caráter político, tomando em pouco tempo o controle dos estádios graças a sua grande organização. A partir de então eles começam a se situar no “Bloco E” da Curva Norte, por esse motivo muitos torcedores deixam de ir aos estádios. Essas organizações fascistas, que ainda hoje continuam na ativa (como “FAP”, “NF” ou o mais velho partido nazista alemão “NDP”), eram capazes de criarem torcidas organizadas de caráter neonazista como os “Borussenfront” em Dormunt ou os “Hertafrösche” em Berlim. Muitos dos importantes líderes destes grupos eram militantes de partidos neonazistas. Suas zines, bandeiras e outros materiais eram dessa mesma influência política, assim como os hinos que cantavam nos estádios. Não tardou para a polícia interceptar, nesse mesmo ano, uma circular interna escrita pelo líder nazista Michael Kühnen, na qual dizia que “o futebol devia ser um campo de captação de recrutas para o movimento nazista alemão”.

Por outro lado, ao norte da cidade, no bairro de St. Pauli, dar-se início a uma série de acontecimentos significativos para a história do bairro: os “squatters” se multiplicam em muito pouco tempo e as baixas rendas que pagavam pelos tetos fazem com que a maioria dos habitantes da esquerda de Hamburgo se desloque para o bairro de St. Pauli, trazendo consigo, claro, um aumento no número de espectadores do Millentorn (estádio do St. Pauli) que até então não superava os 2000 afiliados.
O FC St. Pauli sempre foi uma equipe modesta, limitando-se apenas a jogar na Bundesliga, e quase sempre jogou na segunda e terceira divisão alemã. Seu estádio, o Millentorn, conta com uma capacidade de 21000 espectadores. Por volta de 1985 começa-se a notar esse crescimento na torcida do St. Pauli. Em apenas um ano a equipe começou a dobrar o número de sócios, passando para 4000 afiliados. Já em 1989 começam a se organizar de um modo mais efetivo os primeiros grupos de torcida do St. Pauli. Em 1991 editam um vídeo sobre eles mesmos em sua passagem pela Bundesliga, feito que voltariam a realizar em 1997. Também começam a organizar seu meio de comunicação próprio, o famoso “Millentorn Roar!”, que atualmente tem uma tiragem de mais de 30000 números, tornando-se assim a revista de torcidas com maior tiragens do mundo.

Mas não avancemos tanto, pois como já dissemos, pouco a pouco a massa do St. Pauli vai aumentando, chamando a atenção da extrema-direita. Em 1988 após uma disputa entre Alemanha e Holanda em Hamburgo, alguns fascistas decidem, para celebrar a vitória da seleção alemã, acabar com a Haffenstrabe, conjunto de okupas situada em St. Pauli. A resposta do bairro é incrível: avançaram em fúria contra os fascistas, confrontando-se fisicamente com eles; os nazistas sofreram numerosas perdas. Depois deste fato, mais e mais antifascistas uniram-se à torcida do St. Pauli. Porém, neste momento, o verdadeiro motivo de sua organização foi para lutar contra os projetos mesquinhos da diretoria do clube, que queria transformar o St. Pauli em um “time grande” à custa da população. Eles planejaram um mega-projeto esportivo que necessitava, como infra-estrutura, milhões de marcos… um estádio novo, um centro comercial, uma cidade esportiva… Enfim, isto supunha o encarecimento do preço dos tetos, o desalojamento das casas okupas, maior controle policial na zona, aburguesamento do bairro etc., e as torcidas do St. Pauli se organizaram para impedir este projeto. Foram ao estádio e fizeram uma série de manifestações, agitando cartazes e bandeiras. O clube então cedeu e as coisas ficaram como estavam. Era a segunda grande vitória, em tão pouco tempo, ganhada pela torcida do St. Pauli, esse foi o verdadeiro começo do que viria depois: deslocamentos de milhares de torcidas organizadas para ver o St. Pauli jogar por toda a Alemanha, o reconhecimento das torcidas estrangeiras (Celtic Glasgow, Athletic de Bilbao etc.) e a perplexidade dos meios de comunicação pela “estranha” torcida do St. Pauli (comunistas, anarquistas e antifascistas em geral), pelas bandeiras de Che tremulando no Estádio de Millentorn e pelos hinos antifascistas cantados por toda a sua torcida. O movimento contra-cultural também se fez presente: punks e skinheads antifascistas prestaram toda a sua solidariedade ao time do St. Pauli, formando inclusive algumas torcidas organizadas.

No início dos anos 90 torcedores antifascistas começaram a se organizar em torno do St. Pauli, surgindo assim o primeiro deles: o “St. Pauli Fans”. Nesse mesmo ano, surgiu também o “St. Paulianer”, que era uma torcida organizada que agrupava todo o tipo de juventude antifascista, contendo em suas fileiras um grande número de skinheads libertários, Redskins e SHARP. Sobre esta torcida ocorreu um fato curioso no final dos anos 90, quando os torcedores do “St. Paulianer” foram a Nuremberg, assistir à partida de seu time, se confrontaram fisicamente com os fascistas. A imprensa e as pessoas leigas ficaram completamente surpreendidas ao ver uma “encarniçada briga de rua entre skinheads de esquerda contra skinheads de direita”. Existia também uma outra torcida denominada “BAFF” (Bündnis Antifas chistischer FusballFans). Entretanto, como já dissemos, o St. Pauli também contava com um grupo de torcedores fascistas que faziam manifestações políticas dentro do Estádio de Millentorn. Em todos os campos que iam, os neonazistas se mobilizavam para enfrentar os torcedores do St. Pauli. Mas a união entre as torcidas antifascistas do St. Pauli resultou na vitória final contra o eixo nazista. As brigas foram continuas e selvagens, mas no final de tudo as torcidas organizadas do St. Pauli limparam seu estádio da sujeira nazi-fascista, os expulsaram na base da violência (a única linguagem que os fachos conhecem). Também são famosos seus confrontos com os fascistas de Hamburgo, Berlim e Borussia Dortmund. Seu reflexo em outras torcidas alemãs é incrível, seguiram seus exemplos outras torcidas como as do Schalke 04, Kaiserlauntern e Mainz.

Enfim, a ideologia no seio do St. Pauli, tanto dos torcedores como da própria equipe, é o antifascismo. Foram os primeiros a organizar partidas contra o racismo, convidando imigrantes a participar. Até pouco tempo, a torcida e a equipe protestaram contra a guerra dos EUA no Iraque, levantando faixas com os dizeres: “FUCK THE WAR!”. Atualmente, o St. Pauli conta com dezenas de grupos organizados que animam regularmente a equipe (todos eles antifascistas, claro!) distribuídos entre a Curva Norte e a “Gegengerade”, que é a parte do estádio situada em frente à tribuna central. Todos eles animam de pé os 90 minutos da partida. Seu lugar de encontro é o ?Fanlanden?, uma espécie de lugar clandestino onde se reúnem todas as torcidas do St. Pauli, e onde se distribuem material do grupo e da equipe, elaboram a fanzine, reúnem bandeiras, discutem futebol e política e, naturalmente, tomam algumas cervejas. Também tem um programa de rádio próprio onde retransmitem diretamente todas as partidas que o St. Pauli joga fora de casa.
Nos últimos anos, as torcidas ficaram muito contentes porque o St. Pauli e o 1.FCN regressaram à primeira divisão juntos, enquanto o Waldhof Mannheim, que é conhecido por suas torcidas fascistas, caiu para a segunda divisão.

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