Flamengo tricampeão estadual 1944!!!

Que Expresso da Vitória, que nada!
O Flamengo venceu o poderoso Vasco e se tornou tricampeão estadual
Era uma tarde calorenta a de 29 de outubro. No pequeno Estádio da Gávea, mais de 20 000 pessoas se espremiam para assistir à decisão do Campeonato Estadual de 1944.
Lutando por um inédito tricampeonato, o Flamengo enfrentaria o poderoso Vasco, um esquadrão que logo se tomaria conhecido como o Expresso da Vitória. Os rubro-negros já não tinham mais Domingos da Guia, vendido antes da competição para o Corinthians, e Perácio, pracinha convocado pela Força Expedicionária Brasileira (FEB) para combater na Itália, quando o torneio já ia avançando em alguma rodadas.

Foi um jogo renhido. Os dois times chegaram à última rodada com os mesmos oito pontos perdidos. Persistia o 0 x 0 que levaria a decisão para uma melhor de três jogos. Mas, aos 42 minutos do segundo tempo, Vevé cobrou uma falta na entrada da área, o argentino Valido se aproveitou da indecisão da zaga e cabeceou a bola para a rede. Os vascaínos reclamaram que o ponta argentino teria se apoiado nos ombros de Argemiro, mas o juiz Guilherme Gomes nada viu de anormal.

Foi o gol de uma vitória heróica. Aos 30 anos, Valido só voltara ao futebol no fim de semana anterior, nos 6 x 1 sobre o Fluminense, atendendo a um pedido do técnico Flávio Costa, que perdera o ponta Jacy, machucado. O argentino abandonara os gramados, depois da conquista do Campeonato de 1942, para cuidar de sua gráfica. Tivera febre durante a semana da decisão e sofria com dores musculares. Para piorar, o artilheiro Pirillo jogou sofrendo com uma incômoda inflamação dos testículos. “Profissionais com alma de amadores” foi uma das manchetes do Jornal dos Sports, que virou definição para exaltar o feito do time que entrou para a história rubro-negra.

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Fonte:Placar

Flamengo Bi-campeão Carioca 1943

Por Zizinho:

No ano de 1943, como de costume e para não perder o habito sofremos uma grande perda. Nosso grande ponteiro Augustin Valido abandonava as canchas para assumir definitivamente o comando da sua tipografia.
Chegou do Paraguai um grande reforço na figura do centro-médio Modesto Bria e veio da Bahia o porteiro Nilo, subiu o Jacyr, cria da casa.
Com a entrada definitiva do Perácio ma equipe titular, passamos a jogar com quatro homens na frente.Começou assim o grande passo para a evolução dos Sistemas Táticos no Rio de Janeiro, fugindo do ABC, que recebemos como herança dos ingleses para a evolução de uma formação ousada de ataque.

Era a primeira vez que alguém ousava tocar no “legendário M ofensivo” do mais perfeito sistema tático para se jogar futebol, o MM.
Com essa formação de ataque mais um homem na frente já não havia necessidade do revezamento que eu e Nandinho fazíamos no apoio a Pirilo. Ele tinha ganho um companheiro para dialogar com ele na frente. “Já não precisava fazer discurso no deserto.”
Como tinha uma função específica no ataque e jogava na mesma linha de campo com Jaime, eu me tomei o primeiro meia-armador do futebol carioca. Com essa formação de ataque, Pirilo abriu mão de sua marca de artilheiro para acrescentar em sua bela carreira uma nova faceta, abrir espaço para outros goleadores. Nós tínhamos sempre em mente a nossa primeira jogada de ataque: Quando a bola estava em meu poder no meio-campo, Pirilo vinha ao meu encontro, se o zagueiro o acompanhasse eu lançava Perácio ou Nilo que foi o ponta que mais atuou.

Se o zagueiro não o acompanha, Pirilo recebia a bola e Jaime se adiantava pelo setor esquerdo para receber o passe. Poucos técnicos se preocupavam com esse jogador de meio-campo por ter uma função específica de defensor. No caso do Jaime, era puro engano, ele passava muito bem e era um excelente chutador de meia distância.
A campanha do bi-campeonato não foi dificil como a do ano anterior, a equipe tinha amadurecido e pôde encarar as pequenas dificuldades que ocorreram com mais confiança Chegamos ao final do campeonato com um resultado que não surpreendeu.Talvez o excesso de confiança tenha tirado alguns pontinhos que não deveríamos ter perdido.
Perdemos a primeira partida no 1° turno contra o América, em nosso campo, por 2x 1 e tivemos cinco empates em que mereceríamos uns bons puxões de orelha. Empatamos com Vasco, Bangu, Canto do Rio, Fluminense e São Cristóvão.

Equipe base do bi-campeonato: Jurandir, Domingos e Newton. Biguá, Bria e Jaime. Nilo, Zizinho, Pirilo, Perácio e Vevé.
Artilheiro do Flamengo: Perácio – 14 gols.

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Os Especialistas do 4-2-4

O 4-2-4 foi na realidade o primeiro sistema tático do Rio de Janeiro para se jogar futebol. Como toda formação inicial, houve necessidade de se criar dois especialistas para a difícil função de ocupar um espaço tão grande.
Foi um ato de coragem ou talvez de rebeldia quando tocaram em algo sagrado… o M ofensivo do Sistema Tático MM, colocando quatro atacantes adiantados.
Foi assim que Zé Perácio se tornou o primeiro ponta-de-lança do futebol carioca, e eu o primeiro meia-armador. Os dois jogadores do meio-campo tinham que marcar bem e ter uma inteligência acima da média para fazer seus lançamentos rápidos e precisos, e seus passes corretos para não cometerem erros. Por exemplo: Se você fizesse um passe lateral no meio-campo e o mesmo fosse cortado, seu sistema defensivo ficaria totalmente vulnerável. Nós já insistimos nesse tipo de erro muitas vezes, até mesmo em campeonatos mundiais.

Uma das regras de suas funções: quando você não puder chegar junto para a disputa da bola com o jogador que lhe cabe marcar, recue para o seu próprio campo com o objetivo de reduzir o espaço entre você e os seus zagueiros, para não permitir que os mesmos saiam em campo aberto na marcação de atacantes geralmente mais rápidos do que eles.
Toda essa estratégia defensiva era comandada por um dos dois jogadores do meio-campo do setor de sua defesa que estava sendo atacada com um aviso: – não sei. Ao reduzir o espaço, era o momento dos dois juramentados saírem para o combate, procurando sempre induzir o atacante que vinha com a bola, para o setor do campo que lhe convinha. “SEM FALTA”.

Às vezes eu brincava com meus companheiros de equipe referindo-me ao sistema. Eu dizia:
– O 4-2-4 é jogado com quatro cafetões na frente, quatro cafetões atraís e duas prostitutas trabalhando para o sustento de todos.
Tudo isso era pura brincadeira, eu adorava jogar 4-2-4, ele nasceu comigo!
Eu assisto muito futebol pela TV, e vejo sempre o Gérson e o
Rivelino martelando na mesma tecla o jogo inteiro:
– Tem que valorizar a bola, tem que valorizar o passe!
Hoje se joga 4-4-2. Imaginem, o valor que se dava a bola
quando se jogava 4-2-4!

Fonte:Verdades e Mentiras do Futebol, Mestre Ziza

As glórias do futebol português

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Matateu , o Diamante Negro, chegou em Setembro de 1951, viu e venceu. Estreou-se uma semana depois, a 16/09/51, contra o Futebol Clube do Porto (3-3), e deslumbrou o público das Salésias oito dias mais tarde, a 23 de Setembro – dia de aniversário do clube -, dando uma vitória ao Belenenses com dois golos da sua autoria.Foi levado em ombros. Conquistou a primeira “Bola de Prata”, na época de 1952/53 (29 golos), e outra em 1954/55, com 32 golos.

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Mário Esteves Coluna, grande referência do futebol dos anos 50 e 60 do Benfica e da famosa selecção portuguesa que obteve o 3º lugar no Mundial de Inglaterra (1966). O moçambicano voltou para a terra pátria, vivendo os anos exaltantes e difíceis do pós independência. Actualmente é Presidente da Federação Moçambicana de Futebol. . Ele é sem dúvidas o “monstro sagrado “do futebol moçambicano, português, e internacional.

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Vicente, mais uma Glória nascida em Moçambique, com equipamento dos veteranos do Belenenses. Um dos maiores marcadores de Pelé.

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Eusébio, atacante, representou em Portugal o Benfica, Beira-mar, e União de Leiria. Títulos: Campeonato Nacional: 11, Títulos: (60/61, 62/63, 63/64, 64/65, 66/67, 67/68, 68/69, 79/71, 71/72, 72/73 E 74/75). Campeões Europeus: 1 vitória: (61/62). Taça de Portugal: 5 vitórias (61/62, 63/64, 68/69, 69/70, 71/72). Campeonato dos EUA: 1 titulo (75/76). Campeonato do México (Vice Campeão 75/76). Melhor marcador do Mundial 66 (9 GOLS). Bola de Ouro (1965). Bola de Prata (1962 E 1966). Bota de Ouro: (67/68 – 42 gols) e (72/73 – 40 gols). Internacionalizações: 64, gols: 40.
MGM@groups.msn.com

A VISITA DOS CHILENOS AO BRASIL EM 1912

Desde meados de 1912 que o América vinha entabulando negociações, através do Itamarati, com a delegação do Chile, para a vinda do selecionado andino de futebol ao nosso país. A precária situação financeira não permitia ao clube realizar despesas de vulto, como as que seriam necessárias, forçosamente, para bem receber os distintos visitantes. Contudo, a diretoria criou ânimo pela promessa de ajuda, feita pelo Chanceler Lauro Müller.
Acertados os detalhes, fixadas as datas, começaram os preparativos. Um escritório foi instalado no centro da cidade (Avenida Central, n.° 117, 1.° andar, sala 4), para facilitar a coordenação das providências. Entre as medidas administrativas, duas foram logo atacadas: a reforma e ampliação das arquibancadas e a colocação de enorme tapume (com anúncios das companhias Hanseática, Águas Corcovado e Salitre do Chile), vedando a visão dos “caronas”, que, já naquela época, enchiam a saudosa barreira, prejudicando sensivelmente a arrecadação.

A 25 de julho, o Ministro do Chile, Dr. Alfredo Irarraxagabai, foi agraciado com o título de sócio honorário do clube. E a 4 de setembro, outra comissão de americanos compareceu ao Itamarati, para entregar ao Ministro Lauro Muller a presidência honorária do América, vaga desde a morte do Barão do Rio Branco.
A delegação andina aqui chegou a 11 de setembro, pelo “Orcoma” após 17 dias de viagem. Era composta por um chefe, um secretário, também juiz, e 16 jogadores, a ela tendo-se incorporado em Santos a comissão formada por Guilherme Medias, Durval Toledo e Fernando Ojeda, que o América enviara para recepcioná-la naquela cidade.

O navio ancorou ao largo da Baía de Guanabara e o traslado para terra foi feito no iate presidencial “Tenente Rosa”, impulsionado a remo por uma guarnição de 60 marinheiros. No Cais Pharoux foram os visitantes recebidos por uma pequena multidão, onde se notavam os desportistas do América e dos demais clubes cariocas, diplomatas, representantes da colônia chilena, jornalistas, etc. Hospedaram-se no Hotel Avenida, um dos mais categorizados da cidade, à época.
Do esmerado programa elaborado, constavam quatro jogos. A estréia, a 14, contra uma seleção organizada com jogadores militares, do Exército e da Marinha, recrutados nas principais equipes cariocas, teve a assisti-la o Presidente da República, Marechal Hermes da Fonseca, e terminou com a vitória dos visitantes por 2 x 1.

Seguiu-se, a 16, a partida contra o selecionado brasileiro, cujo resultado final favoreceu aos nossos por 2 x 1. O terceiro compromisso, contra o América, foi a 18, em comemoração à dupla data, da independência do Chile e da fundação do América. Por fim, a despedida, a 21, terminou com o triunfo surpreendentemente fácil do scratch carioca, por 6z1.
A 22, os rapazes do Chile seguiram para S. Paulo, onde disputaram nova série de partidas.

São Cristóvão, campeão carioca de 1926

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Esse título é o maior amuleto da história do São Cristóvão. Sua maior glória. Basta dizer que dos mais de sessenta clubes que já disputaram os Campeonatos Cariocas, apenas oito se sagraram campeões, a saber: Fluminense, Botafogo, Flamengo, Vasco da Gama, Américo, Bangu, Paissandu (cuja seção de Futebol foi extinta) e o São Cristóvão.
O livro de Mário Filho “O Negro no Futebol Brasileiro” na parte 3 do capítulo III dedica a narração dos bastidores do time do São Cristóvão por ocasião do título. Foi uma campanha árdua, porém muito regular.
Foram 18 jogos com 14 vitórias 2 empates 2 derrotas, com 70 gols pró e 37 contra. Com direito. inclusive, a 1 jogo anulado. Eis a campanha:

1° Turno

1) 04-04 – Na R. Figueira de Meio. 4×4 Botafogo
Gols de S. Cristóvão: Octávio “Jaburu” (3), Vicente (2) e Artur “Baianinho”

2) 18-04 – Nas Laranjeiras, 2×6 Fluminense Gols: Baianinho e Octávio “Jaburu

3) 21-04 – Na R. Campos Sales, 3×2 Vila Isabel Gols: Vicente (2) e Baianinho

4) 25-04- Na R. Paissandu, 2×1 Vasco Gols: Henrique e Octávio “Jaburu”

5)16-04 – Na R. Figueira de Melo, 5×0 Flamengo
Gols: Vicente (2). Octávio “Jaburu”, Baianinho e Osvaldo

6) 23-05 – Na R.Figueira de Melo, 8×2 Sport Club Brasil Gols: Osvaldo (3). Vicente (2). Teófilo (2) e Octávio “Jaburu”

7) 30-05 – Nas Laranjeiras, 3x 1 Syrio e Libanez
Gols: Osvaldo (2) e Baianinho
8) 13-06 – Na R. Figueira de Melo. 2×2 Bangu Gols: Vicente e Teófilo

9) 20-06 – Na R. Campos Sales. 3xl América Gols: Baianinho, Teófilo e Octávio “Jaburu”

2° Turno

10) 27-06 – Na R. Gen. Severiano, 4×3 Botafogo Gols: Octávio “Jaburu”(2), Baianinho e Vicente

11) 04-07 – Na R. Figueira de Melo, 4×2 Fluminense Gols: Vicente (3) e Doca

12) 14-07 – Na R. Figueira de Melo, 2×3 Vasco da Gama Gols: Teófilo e Vicente
No jogo aconteceu muita confusão, fruto da rivalidade entre torcedores dos Clubes (o Vasco já havia adquirido um terreno no bairro para construção de seu Estádio e Sede). Vicente desperdiçou um penalty decepcionando os sãocristovenses e novas confusões ocorreriam, sobressaindo uma torcedora do São Cristóvão chamada Eusébio. Os jornais narraram o fato.

13) 18-07 – Na R. Figueira de Melo, 2×1 Vila Isabel Gols: Vicente (2)

Em 01-08 ocorreu o jogo com o Flamengo que posteriormente haveria de ser anulado, a pedido do próprio Flamengo. O placar estava 3×1 Flamengo, quando por volta dos 18’do 2° tempo o árbitro Ciro Werneck marcou penalty a favor do S. Cristóvão. Estourou um grande conflito com agressão ao árbitro e com a torcida do flamengo impedindo a cobrança da infração. O jogo foi interrompido e houve uma decisão de recomeçar com o penalty em outro dia, com portões fechados ao público. O Flamengo não concordou, e foi jogado em 21-10 como veremos.

14) 08-08 – Na R. Gen. Severiano, 6×0 Brasil
Gols: Vicente (2), Octávio “Jaburu” (2), Baianinho(2 )

15) 15-08 – Na R. Figueira de Melo, 7×5 Svrio e Libanez Gols: Baianinho (2), Teófilo (2). Henrique. Vicente e Octávio.
16) 12-09 – Na R. Ferrer. 2×0 Bangu Gols: Vicente e Baianinho
17) 19-09 – Na R. Figueira de Melo, 4×4 América Gols: Vicente (2). Baianinho e Octávio “Jaburu”

18) 2 1-09 – Na R. Paissandu, 5×1 Flamengo Gols: Vicente (3) e Octávio “Jaburu”(2)

Os 70 gols marcados ficaram assim distribuídos entre os jogadores:

Vicente = 25
Octávio “Jaburu” = 16
Baianinho = 13
Teófilo = 7
Osvaldo = 6
Henrique = 2
Doca = 1

A Diretoria da época era constituída pelos seguintes nomes: Presidente: Amadeu Macedo
Vice: Oscar Valim
Diretores: Adélio Martins, José Maria de Melo Castelo Branco e Manoel Ignácio Pimentel
Colaborador da Campanha: Álvaro Teixeira Novaes
Técnico: Luis Vinhaes
É importante ressaltar que o próprio livro de Mário filho cita como presidente o Sr. Álvaro Novaes, mas felizmente as atas do ano 1926 estão intactas e nela vemos Amadeu Macedo como Presidente. Esse é um reparo que o livro faz.

OS CAMPEÕES

O São Cristóvão utilizou apenas 15 jogadores. O time base foi: Paulino: Póvoa e Zé Luiz; Julinho, Henrique e Alberto; Osvaldo, Jaburu, Vicente. Baianinho e Teófilo.
Os outros 4 utilizados foram: Doca, Mendonça, Martins e o Luis Vinhaes (que também era técnico).

Eis os nomes completos:

Paulino Cataldo – 18 jogos
Octávio de Menezes Póvoa – 17 Jogos
José Luis de Oliveira – “Zé Luis” – 18 jogos
Judo Castilho de Faria – “Julinho” – 18 jogos
Henrique Carneiro – 17 jogos
Oswaldo Affonso de Castro – Osvaldo “Manobra- – 17 jogos
Octávio de Oliveira – Octávio “Jaburu” – 18 jogos
Vicente Alves de Oliveira – 18 jogos
Artur dos Santos – Artur “Baianinho” – 18 jogos
Theóphilo Bethencourt Pereira – Teófilo – 18 jogos
Álvaro Martins – 2 jogos
Alfredo de Almeida Rego – “Doca” – 2 jogos
Eduardo Medeiros Mendonça – 1 jogo
Luís Vinhaes – 1 jogo

Eis as manchetes dos jornais do dia seguinte a conquista do título:

1 – O Globo de 22-11-26:
“Bravo, São Christovão Athletico Club! Bravo!”
2 – Jornal do Brasil de 23-11-26:
“O S. Christovão A.C. é o Campeão Carioca do Footbal” 3 – O Correio da Manhã de 23-11-26:
“O São Christovão A.C. levanta o título de Campeão do Rio de Janeiro— 4 – O Paiz dos dias 22/23-11-26:
“O heroe do mais sensacional torneio do football Carioca” Subtítulos:
“Vencendo o Flamengo, por 5×1, O São Christovão tornou-se o Cam¬peão de 1926 – Vicente e Octávio, os autores dos pontos do vencedor” 5 – O Imparcial de 23-11-26:
“A Bella Victória do São Christovão Athletico Club”

Fonte:Chuvas de Glórias de Raymundo Quadros

AO MESTRE COM CARINHO (TELÊ SANTANA NA COPA DE 1986)

No dia 21 de Maio de 1985, em Santiago do Chile a Seleção Brasileira dirigida pelo treinador Evaristo de Macedo, jogava um amistoso contra o Chile, ultimo jogo preparatório para as eliminatórias para a Copa de 1986 no México. Evaristo tinha estreado no comando técnico no dia 25 de abril quando o país ainda se ressentia do falecimento do Presidente Tancredo Neves, ele era o terceiro treinador da seleção desde a saída de Telê Santana depois da Copa de 1982, Carlos Alberto Parreira assumiu em 1983 que ficou até a perda da Copa América para o Uruguai, em 1984 assumiu Edu Antunes o irmão de Zico que só durou três partidas e não emplacou.

Evaristo era a bola da vez, assumia o cargo num momento difícil, o Brasil vivia o êxodo de jogadores para o exterior que veio depois da Copa da Espanha, Zico, Sócrates, Junior e Toninho Cerezo se juntariam a Falcão, Edinho e Dirceu no futebol italiano e os clubes só liberariam os jogadores para jogos oficiais e Evaristo teve de iniciar o trabalho com jogadores que atuavam no Brasil que tinha bons valores como Casagrande, Alemão, Elzo, Bebeto, Renato Gaúcho, Mozer, Branco e Luis Carlos Winck, mais certos nomes com Edson Boaro, Dema, Jorginho, Reinaldo, e o veterano Mario Sérgio não vinham agradando. No período que dirigiu a seleção foram seis partidas com três vitórias e três derrotas e as duas ultimas contra a Colômbia e o Chile foram a gota d’água para a CBF que não agüentou a pressão da mídia e da torcida e trouxeram de volta Telê Santana a dez dias da estréia contra a Bolívia em Santa Cruz de la Sierra no dia 02 de junho de 1985.

Telê estava de volta para a felicidade de toda a nação, ele que fora bastante questionado antes da Copa de 1982, por não escalar dois pontas como eram de costume as equipes jogarem no Brasil, era perseguido até em programas humorísticos como o de Jô Soares que na pele do Zé da Galera todas as segundas ligava para o Telê pedindo ponta quem não se lembra do jargão “Bota ponta Telê” o que não sabíamos que apesar da boa safra de pontas direitas como Paulo César do São Paulo, Robertinho do Fluminense, Lúcio do Guarani, Wilsinho do Vasco, o mestre Telê armava sua seleção apenas com um ponta nato que era Eder na esquerda, e que com um quadrado no meio campo formado por Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico, permitiam que Leandro e Junior jogassem como verdadeiros pontas.

Bem no dia 02 de junho na estréia contra os bolivianos o time que o povo e a mídia queriam estavam em campo, Carlos; Leandro, Oscar, Edinho e Junior; Cerezo, Sócrates e Zico; Renato Gaúcho, Casagrande e Eder, a esperança estava de volta e as vitórias também a classificação fora conseguida praticamente nos dois primeiros jogos fora de casa, depois ficou uma certa frustração por não ter vencido nem Paraguai e Bolívia, houve empate por 1 a 1 em ambos os jogos e uma vitória sobre o Chile por 3 x 1 no intervalo do primeiro para o segundo jogo.

Depois das eliminatórias e com o passaporte carimbado para o México o Brasil iniciou o ano de 1986 numa expectativa muito grande, no dia 31 de maio se iniciaria o mundial e o México trazia boas lembranças, mais nos dois primeiros amistosos contra Alemanha e Hungria na Europa nos deixaram preocupados mesmo sem contar com Junior, Cerezo e Edinho que continuavam a jogar na Itália o time tinha Sócrates e Falcão que voltaram a jogar no Brasil, além de Zico que voltou em 1985, mais depois das eliminatórias em um jogo do campeonato carioca foi violentamente atingido por Marcio Nunes do Bangu logo na segunda rodada da competição, o Brasil perdeu para a Alemanha por 2 x 0 e para a Hungria por 3 x 0, o pânico se generalizou pelo Brasil! e ai será que o time que encantou o mundo em 82 voltaria a se juntar e jogar juntos de forma encantadora? Ou será que nossos maiores craques já passados dos trinta teriam fôlego para jogar uma Copa inteira ! e Zico será que ele se recuperaria antes do mundial? Bem apesar das atribulações e vontade popular de ver os mesmos craques jogando uma Copa; o Mestre Telê sabia como resolver a questão. Ele aproveitou para mesclar os velhos talentos com jogadores campeões mundiais juniores na Rússia em 1985, Dida, Muller e Silas começaram a serem chamados com freqüências além de Valdo do Grêmio, Alemão do Botafogo, Elzo e Edvaldo do Atlético/MG, Telê sabia que tinha um time envelhecido mais em compensação tinha novos valores, nos quatros amistosos seguintes vitórias diante Peru, Alemanha Oriental, Finlândia e Iugoslávia, neste jogo no Recife Zico retornou a camisa canarinho e com uma atuação nota 10 marcou três gols e nos encheu de esperanças novamente o time começara a ganhar forma, na despedida antes do mundial o ultimo amistoso contra o Chile no Paraná e um empate por 1 x 1, mais Telê ganhou um novo problema; Renato Gaúcho e Leandro voltaram tarde para a concentração e somente Renato fora cortado em solidariedade ao amigo Leandro também pediu para ser desligado da delegação que viajaria dois dias depois rumo ao México, Telê chamou Josimar do Botafogo para seu lugar, que terminou sendo o lateral direito da Copa.

Mais os problemas não terminaram por ai, Oscar e Cerezo foram cortados as vésperas da estréia contra a Espanha no dia 01 de junho, mais Telê mostrou que sabia tudo de bola e começou a remontar o time com o mundial em andamento, nos dois primeiros jogos foram vencidos na marra por 1 x 0 contra a Espanha com uma ajuda do bandeirinha que não viu a bola dentro do gol num chute de Michel e contra a Argélia quando começou a despontar a estrela do atacante Careca que era reserva nas eliminatórias, Telê pois Josimar na lateral direita pois Edson não vinha agradando,Branco na lateral esquerda, na zaga Edinho ganhou a companhia de Julio César, firmou o meio campo com Elzo e Alemão na marcação, pondo Sócrates e Junior mais a frente, aproveitando que Junior jogava como meia no Torino, na frente sacou Casagrande que era unanimidade nas eliminatórias e colocou Muller junto a Careca por ter entrosamento melhor pois atuavam juntos pelo São Paulo, no terceiro jogo diante a Irlanda do Norte, Zico retornou nesta partida entrando no segundo tempo o Brasil ganhou fácil 3 x 0 com Josimar fazendo um golaço e dois de Careca.

Nas oitavas no baile agora diante da Polônia, mais não foi fácil pois os polacos assustaram com uma bola na trave no inicio da partida, a defesa sólida não sabia o quera sofrer gol naquele mundial e ai finalmente encontramos o caminho do sonhado tetra, com uma defesa bem protegida e um meio campo organizado e técnico e tendo Zico recuperado e Careca dando show o Brasil atropelou a Polônia e partiu para as quartas de finais para enfrentar a França a outra equipe que encantou no mundial de 82 e não levou vinha de eliminar a atual campeã mundial a Itália por 2 x 0, tinha também um time renovado mais conhecidas peças como Amoros, Battiston, Bossis, Tigana, Girese, Rocheteau e o genial Michel Platini, o jogo começou a toda e o Brasil saiu na frente numa bela jogada triangulada por Junior, Muller e Careca que finalizou com maestria, o jogo continuava quente ao sol do meio dia em Guadalajara, a nossa defesa tinha mais trabalho mas a França jogava e deixava jogar tivemos chances de ampliar o placar com Muller mais Joel Bats começara a fazer a diferença no gol dos blues, antes do final do primeiro tempo a França empata, no segundo tempo o jogo continuou quente com chances de ambos os lados, Zico entra no lugar de Muller na primeira bola que recebe lança Branco que entra pela diagonal o lateral é derrubado na área pênalti festa dos jogadores e nos país inteiro são 27 minutos do segundo tempo um gol aquela altura seria uma ducha fria para os franceses, Zico recebe a bola de Careca, ajeita a pelota bate e para a surpresa geral Bats defende a ducha fria se virou o jogo foi para a prorrogação e nos pênaltis nos perdemos por 4 a 3. Telê mais uma vez se vê num turbilhão de questionamentos, Careca deveria ter batido o pênalti ou Sócrates, Zico acabara de entrar e estava frio! Telê é pé-frio não ganha nada, fora Telê e muito mais, este jogo contra a França foi o ultimo do velho mestre á frente da seleção brasileira, ele e aqueles mágicos jogadores não ganharam as Copas mais deram brilho ao futebol mundial, ele mostrou competência, visão futebolística, não tremeu diante a impaciência de jogadores estrelas, capacidade de remontar um time já com um mundial iniciado e se fosse em um pais europeu ele continuaria para a próxima Copa, depois da seleção Telê levou o Atlético/MG as semi-finais do brasileiro de 87 e a fama de pé-frio voltou a ser lançada, monta boas equipes da show e não leva a taça, mais a sua competência viria a ser premiada quando passou a comandar um time brasileiro com administração com modelos europeus o São Paulo no primeiro ano novo vice e a fama de pé-frio, de 1991 em diante Telê mostrou que era mais que vencedor: campeão brasileiro e paulista em 1991, paulista, libertadores e mundial em 92, libertadores, mundial e super copa libertadores 93 e muitos outros títulos.

O Mestre Telê para mim foi o melhor treinador de futebol sua simpatia e carisma eu presenciei de perto em 1981 quando a seleção brasileira enfrentou a Espanha aqui na Fonte Nova eu fui um dos gandulas daquele dia no jogo e no dia anterior no treino. Em um momento de descontração me aproximei do Mestre e ele gentilmente me perguntou “ esta gostando de ver tantos craques juntos”respondi sim estou gostando e ele me disse “ estou treinando o melhor elenco do mundo e vamos dar muitas alegrias as vocês, vamos trazer a Taça de volta para a nossa casa” ele não cumpriu a promessa mais é certamente o maior treinador que a seleção brasileira já teve.

Fonte: Texto Galdino Silva

Quem é o maior campeão brasileiro?

O futebol brasileiro é recheado de “histórias e estórias”, fatos e curiosidades. Mas de uma coisa jamais terão certeza: Quem realmente foi o primeiro campeão Brasileiro da história? O que se sabe é que a CBD (antiga denominação da CBF) realizou o primeiro Torneio Interestadual de Clubes no ano de 1920 que reuniu, no estado do Rio de Janeiro, os campeões de três estados: Paulistano, de São Paulo, Brasil de Pelotas, do Rio Grande do Sul, e Fluminense, campeão carioca. Todos os jogos foram realizados nas Laranjeiras, o maior estádio do Brasil na época. O campeão foi o Club Athletico Paulistano.

Depois, em 1936, Portuguesa de Desportos, de São Paulo, Atlético Mineiro, de Minas Gerais, Fluminense, do Rio de Janeiro e Rio Branco, do Espírito Santo, disputaram o II Torneio Interestadual de Clubes. Desta vez o campeão foi o Atlético Mineiro, que por conta disso, colocou o verso “nós somos campeões dos campeões” em seu hino.

Muitos outros torneios interestaduais estavam em disputa no Brasil, mas nenhum deles pode-se dizer, com status de campeonato nacional – o mais importante de todos era o Torneio Rio-São Paulo.

O Campeonato Brasileiro (como era conhecido a Taça Brasil) começou por “quase” que uma imposição da Confederação Sulamericana de Futebol – a Conmebol.

Com o início das competições continentais, principalmente na Europa, a Conmebol, viu-se na obrigação de ter o seu clube “campeão” – o melhor da América – dando inicio a Copa Libertadores da América em 1960. Com isso, muitas das federações filiadas viram-se obrigadas a ter oficialmente uma competição de nivel nacional a fim de indicar seu representante na disputa.

O Brasil, por ser um país “continente”, sempre teve dificuldades de realizar seu campeonato nacional. Mas a necessidade obrigou a CBD – Confederação Brasileira de Desportos – a criar uma competição de nivel “realmente nacional”. Para se indicar o representante brasileiro na Libertadores foi criada a Taça Brasil, em 1959, que reunia os campeões estaduais do ano. Os clubes se enfrentavam em jogos de ida e volta. O campeão da Taça Brasil era considerado o campeão brasileiro. O Torneio teve dez edições e durou até 1968.

Antes da extinção da Taça Brasil, em 1968, deu-se inicio ao Torneio Roberto Gomes Pedrosa ou Robertão – como era conhecido – no ano de 1967. Era a continuidade do Torneio Rio-São Paulo que teve inicio em 1933, porém como passou a abrigar clubes de outros estados, ganhou esta nova denominação. Dele participavam clubes do eixo Rio-São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. Em 1970, ano de sua última edição, passou a se chamar Taça de Prata.

Finalmente em 1971 teve inicio o campeonato brasileiro como conhecemos hoje, apesar de sua grande desorganização e interesses politicos, chegando a ter dois campeões num mesmo ano (1987) – O Sport Recife, considerado pela CBF como o verdadeiro campeão daquele ano e o Flamengo, campeão da Copa União que foi realizada pelo chamado “clube dos 13”. Sem contar a bagunça que foi o Torneio João Havelange em 2000.

O fato é que a CBF ignora a história não reconhecendo os campeões nacionais antes da criação do Brasileiro de 1971. Ingratidão à parte da CBF, fica a nós torcedores, a responsabilidade e o bom senso para “exigir” que se faça justiça e reconheça os campeões brasileiros ao longo da história.

A Confederação Brasileira de Futebol até que vê a possibilidade de reconhecer os títulos das equipes que venceram torneios nacionais antes de 1971. Caso venha o reconhecimento oficial da CBF, o CA Paulistano que teve seu departamento de futebol “extinto em 1929”, poderia comemorar 77 anos depois o título de primeiro Campeão Brasileiro, assim como o Botafogo/RJ poderia ter comemorado o seu segundo brasileiro em 1995. Já o Palmeiras e Santos passariam a ser os maiores vencedores do Brasil, com oito conquistas cada. Resta apenas aguardar que o bom sendo prevaleça na CBF.
» Veja abaixo como ficaria a “verdadeira” relação dos campeões nacionais, “caso a CBF reconheça o erro”:
Os Campeões Brasileiros
(unificando os titulos anteriores a 1971)

1° – Palmeiras (1960/67/67/69/72/73/93/94) 08
1° – Santos (1961/62/63/64/65/68/2002/04) 08
3° – São Paulo (1977/86/91/2006/07)………..05
3° – Flamengo (1980/82/83/87/92)……………05
5° – Vasco da Gama (1974/89/97/2000)…….04
5° – Corinthians (1990/98/99/2005)…………..04
7° – Internacional (1975/76/79)……………….03
8° – Grêmio (1981/96)……………………………02
9° – Fluminense (1970/84)……………………..02
10° – Bahia (1959/88)…………………………….02
11° – Botafogo/RJ (1968/1995)………………..02
12° – Atlêtico/MG (1936/71)…………………….02
13° – Cruzeiro (1966/2003)……………………..02
14° – Guarani (1978)……………………………..01
15° – Coritiba (1985)……………………………..01
16° – Atlêtico/PR (2001)…………………………01
17° – Sport Recife (1987)……………………….01
18° – CA Paulistano (1920)…………………….01

por Sidney Barbosa
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