Arquivo da categoria: Blog História do Futebol

SEIS FLA-FLUS QUE ABALARAM O RIO

——————————————————————————–
“Tudo é Fla-Flu, o resto é paisagem”. (Nelson Rodrigues)
——————————————————————————–

Em 21 de dezembro de 1919:
Fluminense 4 x 0 Flamengo (Flu tricampeão).
Local: Laranjeiras.
Público presente: cerca de 20 mil torcedores.
Gols: Machado (2), Welfare e Bacchi.
“[Japonês, do Flamengo, bate o penâlti e] Marcos cai de um lado e rebate a bola com a mão. Sidnei invade a área e emenda. Marcos rebate de novo. Japonês corre e chuta outra vez. Marcos segura a bola. A multidão ficou parada, sem compreender logo, tal qual um cômico de cinema que só percebe, minutos depois, a graça de uma anedota. … A bola estava longe quando a torcida despertou, prorropendo em aplausos” (Mário Filho).

Em 23 de novembro de 1941:
Fluminense 2 x 2 Flamengo 2 (Flu campeão).
Local: Gávea.
Público presente: cerca de 15 mil torcedores.
Gols: Pedro Amorim e Russo, para os tricolores; Pirilo, para o Flamengo.
“[Faltavam seis minutos para o jogo acabar, quando os rubros-negros empataram, mas só a vitória lhes interessava] A bola caía na Lagoa. O cronometrista travava o cronômetro. E o tempo parava. O Flamengo queria que o cronômetro parasse, o Fluminense que corresse. Eram duas concepções de tempo que se chocavam, irreconciliáveis. Não é possível, o cronômetro não anda. E andava, bem que andava. Para o Flamengo corria. A angústia fazia com que para o Fluminense o tempo parasse; e corresse, desembestado, para o Flamengo” (Mário Filho).

Em 15 de dezembro de 1963:Flamengo 0 x 0 Fluminense (Fla campeão).
Local: Maracanã.
Público pagante: 177.020 torcedores.
“Amigos, o berro da legião flamenguista, ao soar o apito final, comoveu o Maracanã em suas raízes eternas…” (Nelson Rodrigues).

Em 15 de junho de 1969:
Fluminense 3 x 2 Flamengo (Flu campeão).
Local: Maracanã.
Público pagante: 171.599 torcedores.
Gols: Wilton, Cláudio e Flávio, para o Flu; Liminha e Dionísio, para o Fla.
“Enorme, esmagador, capaz de transformar em carnaval um espetáculo de futebol, o Maracanã já é uma lenda. A realidade, contudo, é muito maior. A memória que em mim para sempre ficará do Fla-Flu e, mais, do próprio futebol brasileiro, será desta enorme, pungente, feliz experiência humana” (Hugh McIllvaney, correspondente do Observer, de Londres).

Em 16 de dezembro de 1984:
Fluminense 1 x 0 Flamengo (Flu campeão).
Local: Maracanã.
Público pagante: 153.520 torcedores.
Gol: Assis.
“Quando o urubu, solto pela torcida rubro-negra, antes do jogo começou a sobrevoar o anel da arquibanda, senti que a sorte estava lançada. Na primeira passagem os flamenguistas comemoraram o vôo do seu símbolo, que, ao passar do lado tricolor, foi bombardeado por rojões tricolores, sem qualquer resultado; na segunda passagem, os rubro-negros, eufóricos, saudavam o pobre urubu, já cansado, que, mesmo assim, conseguiu sair incólume, mais uma vez, do nosso bombardeio, provocando incontido entusiasmo entre os adeptos do clube da Gávea. Na terceira passagem por cima dos arquibaldos tricolores, finalmente o urubu foi abatido. Uma explosão de alegria carnavalesca animou a galera tricolor, como se um gol fora feito. Começamos a ganhar o jogo exatamente naquele momento” (Moacy Cirne).

Em 25 de junho de 1995:
Fluminense 3 x 2 Flamengo (Flu campeão).
Local: Maracanã.
Público pagante: 109.204 torcedores.
Gols: Renato Gaúcho (2) e Leonardo, para o Flu; Romário e Fabinho, para o Fla.
“… Ailton, rejeitado pelo presidente Kleber Leite no começo da temporada, driblou Charles duas vezes pelo setor direito de ataque e chutou com raiva. A bola iria para fora, mas bateu na barriga de Renato Gaúcho e entrou” (Clóvis Martins).

30/08/1962 – Santos F.C. , campeão da Libertadores da América

Santos: 45 anos do primeiro abraço à América

Há 45 anos o Santos dava o primeiro passo para tornar-se sinônimo de futebol brasileiro no exterior. No dia 30 de agosto de 1962, Pelé e seus companheiros foram à Argentina para levantar a primeira das duas Taças Libertadores da América do Alvinegro praiano. A irrepreensível vitória por 3 a 0 sobre os uruguaios do Peñarol iniciou o maior período de glórias conquistadas por um time de futebol.

A finalíssima foi cercada de muita polêmica. Alguns dias antes, as duas equipes protagonizaram uma batalha campal na segunda partida. O valente Peñarol não se inibiu com a Vila Belmiro e ganhou na bola (3 a 2) e na mão. Como o Santos havia vencido o primeiro jogo, em Montevidéu, a Confederação Sul-americana marcou a decisão para um país supostamente neutro: a Argentina.

No entanto, neutralidade foi tudo o que não se viu no campo do River Plate. Os craques santistas tiveram de superar as vaias dos argentinos, solidários aos “hermanos” de língua espanhola, e o péssimo estado do gramado – só havia grama nas proximidades das duas áreas. Cenário perfeito para um filme que o Brasil já se acostumara a assistir: a habilidade contra a catimba.

Mas quem vestia os uniformes brancos era uma elenco de artistas disposto a mudar o enredo. Caçados em campo, os santistas revidavam com fantasia. Como um rolo compressor, o time abriu placar aos onze minutos de jogo, quando Coutinho desceu pela direita e chutou em direção ao gol; o lateral-esquerdo Caetano tentou cortar e acabou colocando a bola dentro das redes.

O segundo tempo serviu para ratificar a supremacia brasileira. Logo aos quatro minutos, Pelé fez o que mais gostava: tabela com Coutinho, drible de corpo no zagueiro e bola no canto do goleiro. A um minuto do fim, Maidana não segurou escanteio de Pepe e soltou a bola nos pés do Rei, que só empurrou para as redes.

Mas o 10 não teve tempo para comemorar. Mal havia chutado a bola, foi abraçado pelos argentinos que, conquistados por sua magia, invadiram o gramado para festejá-la. Toda a adversidade do início transformou-se em festa – com o toque portenho, como não poderia deixar de ser. As camisas de Pelé, Durval e Lima viraram motivos de briga e obrigaram a intervenção da polícia. Era a prova cabal de que o Santos subira o litoral para abraçar a América.

Ficha técnica da decisão:

Santos 3 x 0 Peñarol
Santos: Gilmar; Lima, Mauro e Dalmo; Zito e Calvet; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.
Peñarol: Maidana; Gonzalez, Lescano, Cano e Caetano; Gonçalves e Sasia; Rocha, Matosa, Spencer e Joia.
Data: 30/08/1962
Horário: 15h15 (de Brasília)
Local: Estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires (Argentina)
Árbitro: Léo Horn (Holanda)
Gols: Caetano (contra) aos 11 minutos do 1° tempo; Pelé aos 3 e aos 45 do 2°.

Campanha:

1ª fase:
Deportivo Municipal (Bolívia) 3 x 4 Santos
Santos 6 x 1 Deportivo Municipal (Bolívia)
Cerro Porteño (Paraguai) 1 x 1 Santos
Santos 9 x 1 Cerro Porteño (Paraguai)

Semifinais:
Universidad Católica (Chile) 1 x 1 Santos
Santos 1 x 0 Universidad Católica (Chile)
Santos 2 x 1 Universidad Católica (Chile)

Finais:
Peñarol 1 x 2 Santos
Santos 2 x 3 Peñarol
Santos 3 x 0 Peñarol
Fonte : Gazeta Esportiva

O maior clássico que o Mineirão já viu.

Seria exagero afirmar que o Cruzeiro 5 x 4 Internacional, da Libertadores 76, foi o maior jogo da história do Mineirão? Definitivamente, não.

Já imaginaram Raul, Nelinho, Zé Carlos, Joãozinho, Jairzinho, Palhinha Manga, Falcão e Figueroa dirigidos por Rubens Minelli e Zezé Moreira, dois dos maiores treinadores da história do futebol?! O resultado foi uma aula de futebol ofensivo a ser lembrada pro resto da vida.

Na verdade, aquela partida começou 3 meses antes, na final do Brasileiro 75, num jogo igualmente memorável vencido pelo Inter.

Mesmo reconhecendo a luta do time, a derrota naquela final ficou atravessada na garganta do torcedor celeste. Mais uma vez o fantasma das decisões assombrava o clube. Amarga seqüência: derrota para o Vasco na decisão do Brasileiro 74, desclassificação diante dos argentinos na Libertadores 75, perda do Brasileiro 75 para o Inter. Estava na hora de mudar a história. E a estréia na Libertadores 76, no Mineirão, parecia feita sob medida pra uma guinada.

Não fui ao jogo. Com 13 anos recém-completados, não tinha autonomia pra decidir o que fazer. E, naquele final de semana, fui, com pais e irmãos, visitar parentes em Sete Lagoas. Restava ouvir a transmissão pelo rádio.

Ainda estávamos na estrada quando começou a epopéia. De cara, Palhinha fez Cruzeiro 1x 0. Festa no carro, onde eu e meus 2 irmãos, o mais novo também cruzeirense, nos apertávamos.

Dez minutos, Cruzeiro 2 x 0! Palhinha, de novo. O Chevette azul trepidou com a vibração. Lula diminuiu para o Inter. Joãozinho fez Cruzeiro 3 x 1. Vinte minutos, 4 gols. Chegamos em casa: alívio pro irmão do meio, atleticano, que ficou livre da algazarra.

Grudamos no radinho pra acompanhar o resto da partida. Foi dramática. Valdomiro fez o 2º gol do Inter, no fim do 1º tempo. No inicio do 2º, Zé Carlos, coisa rara, marcou contra: Inter 3 x 3.

O fantasma voltou. Pra piorar, Palhinha foi expulso, após aplicar cotovelada que mal acertou Figueroa, vingança de outra, essa sim, pra valer, que recebera na final do Beira-Rio, 84 dias antes.

Mas Joãozinho, em tarde cinematográfica, nos tranqüilizou: Cruzeiro 4 x 3. Mas o Inter não se entregou. Aos 25, Ramon fez 4 x 4. Inacreditável. Que jogo!

Já me sentia veterano em emoções, mas aquilo era demais. O coração quase me saiu pela boca quando Joãozinho fez outra grande jogada pela esquerda e sofreu pênalti de Valdir, que substituíra Cláudio Duarte, ameaçado de expulsão pelas entradas violentas no Bailarino da Toca.

O intervalo entre a marcação e a cobrança foi o mais angustiante da minha vida de torcedor. Felizmente, Nelinho deslocou Manga e estufou as redes: Cruzeiro 5 x 4!

O nome do jogo foi Joãozinho. Na maior atuação de sua carreira, ele fez 2 gols, infernizou a vida de Don Elias Figueroa, tido e havido como o maior beque das Américas e, na hora do aperto, sofreu o pênalti que decidiu a partida.

Quatro meses depois, meu ídolo decidiria outra partida épica, a final da Libertadores, em Santiago. Mas esta é outra história…

CRUZEIRO 5 x 4 INTERNACIONAL, domingo, 07mar76, 1ª rodada da 1ª fase da Libertadores 1976 – Público: 65.463 pagantes – Renda: Cr$793.407 – Juiz: Luiz Pestarino (Argentina) – Cartão vermelho: Palhinha, 12 do 2º tempo – Gols: Palhinha, 3 e 10, Lula, 14, Joãozinho, 21, Valdomiro, 39 do 1º tempo; Zé Carlos, contra, 6, Joãozinho, 18, Ramon, 25, e Nelinho, 40 do 2º – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Darci Menezes e Vanderlei Lázaro; Zé Carlos e Eduardo Amorim; Roberto Batata (Isidoro), Palhinha, Jairzinho e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / Internacional: Manga, Cláudio Duarte (Valdir), Figueroa, Hermínio e Vacaria; Caçapava e Falcão; Valdomiro, Escurinho, Flávio Minuano (Ramon) e Lula.

Mauro França, 44, bacharel em História, nasceu e mora em Belo Horizonte.

O medo da seleção húngara em 1954

Depois de um intervalo de oito dias de angustia e expectativa, o Brasil se preparava para enfrentar a temível e assustadora Hungria. O ambiente na concentração de Macolin, não poderia ser pior. Além de alarmados com o retrospecto, os jogadores brasileiros tinham se impressionado ao assistirem um treino dos húngaros contra um time de fábrica de relógios. As fotografias enviadas para os jornais do Brasil, mostravam o pânico nos seus olhos.

Na véspera da partida, circulava um boato de que, João Lira Filho, chefe da delegação brasileira, havia marcado as passagens de volta. Ele desmentiu e falou para os jogadores antes do jogo mostrando a bandeira do Brasil – “Olhem as cores que vocês terão que defender com galhardia dentro da cancha, honrando a nossa Pátria”. Um jornalista mineiro, Adelchi Ziller, se dirigia aos atletas com estas palavras – “Temos que ganhar o jogo. Temos que vingar os mortos de Pistóia”. Em Pistóia estavam enterrados cerca de 450 soldados da Força Expedicionária Brasileira, tombados na II Grande Guerra Mundial. A Hungria nada tinha ver com isso, muito menos seus jogadores.

Diante desse quadro, não seria de estranhar que a seleção abandonasse a camisa branca e azul, passando a usar a atual camisa amarela, por sugestão do jornalista Walter Mesquita. Para complicar, Bauer perdeu 5 quilos no jogo anterior e estava muito abatido. Recebeu autorização para ir a Zurique, acompanhado do radialista Geraldo José de Almeida, afim de telefonar para seus familiares. Veludo e Pinheiro saíram do Hotel e voltaram muito tarde. Quase foram desligados da delegação. Na noite anterior ao jogo, Humberto Tozzi praticamente não dormiu e fumou dois maços de cigarros. Pinga e Baltazar, ao acordarem, anunciaram que estavam contundidos.

O que se poderia esperar do jogo ? Com oito minutos do primeiro tempo, a Hungria já vencia por 2×0. Mas, o Brasil viu que o diabo não era tão feio como pintaram. Índio sofreu pênalti e Djalma Santos diminuiu ainda no primeiro tempo. No etapa final, o Brasil partiu em busca do empate. Entretanto, aos 16 minutos, Mr. Ellis marcou um pênalti contra o Brasil e o placar ficou em 3×1. O Brasil não desanimou, e Julinho fez o segundo gol. No finzinho do jogo, os húngaros fecharam o marcador em 4×2. O juiz ainda expulsou Nilton Santos e Humberto do Brasil e Boszik da Hungria.

Os brasileiros reclamaram da arbitragem. Nosso juiz na Copa, Mário Vianna, chamou Mr. Ellis de ladrão, safado e comunista. Esses xingamentos custou ao brasileiro sua expulsão do quadro de árbitros da FIFA. Depois do jogo, na concentração, no meio de choros e protestos, Mário Vianna retirou do paletó o pomposo escudo da FIFA e queimou diante de todos. Foi o fim de um capitulo triste da história do futebol brasileiro.

Revista Placar

O DIA 27 DE ABRIL NO FUTEBOL

27/04/1980 – INTERNAZIONALE 2 – 2 ROMA, com este empate em Milão a Inter volta a ser campeã italiana depois de nove anos de fila com três rodadas de antecipação os gols foram de: Oriali e Mozzini (Int); Pruzzo e Turone (Rom).

27/04/2005 – BRASIL 3 – 0 GUATEMALA, no Pacaembu cenário um pouco diferente para ele, Romário se despede da seleção brasileira em sua ultima partida com a camisa amarelinha, o jogo também fez parte das comemorações dos 40 anos da Rede Globo os gols foram de: Anderson, Romário e Grafite.

ANIVERSARIANTES:

27/04/1976 – WALTER PANDIANI atacante uruguaio do Birmingham City

O tempo passa…o tempo voa.., mas???????

O profissionalismo

O profissionalismo veio estabelecer um triste desequilíbrio em nossos meios futebolísticos.
Indivíduos de educação nula, de moral duvidosa, que se adestraram pelas varzeas no manejo da pelota, tornaram-se desejaveis. Muitos deles, descobertos por emissarios solertes, foram disputados a peso de ouro.
E esses elementos, cientes de representarem um capital-dinheiro que vale mais do que o capital-aptidão; sabem que dificilmente podem ser postos á margem. Daí, as continuas indisciplinas em campo. E essas indisciplinas, sempre graves, sempre depreciadoras, quase nunca podem ser severamente punidas pela entidade superior.
Porque os clubes interessados, visando a defesa do capital-dinheiro, queimam até os ultimos cartuchos na defesa do seu… amador ! E rebentam os casos, os famosos casos que, de tempos a tempos, têm convulsionado nossos meios esportivos.
Para logo surgem desgostos.
Aqueles que, fazendo esporte pelo esporte, se interessam por essas questões, pouco a pouco, aborrecidos, delas se desinteressam. Deixam os seus altos postos. Aposentam-se. E as vagas vão abrindo-se para os politiqueiros sem escrupulos, que tudo pervertem e desmoralizam. E a isto se acrescente que tais profissionaes, sempre insaciaveis, querem ganhar mundos e fundos. Assim, os cargos de directores de clubes são verdadeiros postos de sacrifício… monetario.
Deles fogem, pois, aqueles que se não amoldam as situacões amoraes e que não estão dispostos a concorrer para o sustento facil de … malandros.
O tema é ingrato e quase repelente; não obstante ficam aí essas linhas a salientar essa anomalia, que é uma das causas fundamentaes da decadência moral de nossos esportes.

A politicagem no esporte

A politicagem, no esporte, sempre existiu, sem duvida, mas em termos. Poucos eram, antanho,os indivíduos que, na Paulicéa, com as suas manobras na sombra, entravavam impatrioticamente o belo surto de nosso futebol. Dai haver o jogo bretào, entre nós, assumido requintes excepcionaes, tendo, na historia do esporte sul-americano, marcado uma phase de ouro, sem precedentes e sem rival.
Quer em technica, quer em organização,quer em harmonia, impunha-se como modelo. Pouco a pouco, porém, começou a delinear-se a decadencia… E isso com o retrahimento da maiór parte dos verdadeiros esportistas, os quaes se desgostaram com os avanços do profissionalismo, e tacanho senso social, e o reduzido grau (te adeantamento espiritual destes individuos que começaram a aparecer e a dar as cartas no alto scenario elo esporte paulista. Esses individuos, nas assembléas, nas commissões, e na propria directoria dos clubes e da maxima entidade, apenas procuram defender interesses subalternos e privados, deixando aos azares da sorte os altos interesses da colletividade.
Dahi o estado de cousas actuaes.
Só ha desanimos.
Os bens intencionados não estão para soffrer pecuinhas e imposições e a ver a cada passo pretenções descabidas e mesmo irritantes, de pessoas e até de clubes que deviam ser os primeiros a zelar pelo bom nome de nosso esporte. E assim, demos um passo a mais na tarefa de definitivamente arruinar o futebol paulista…

Amigos o texto acima não peguei hoje cedo na internet..rs, até pelo português, mas sim foi escrito por Leopoldo Santana no livro Supremacia e Decadência do Futebol Paulista, texto esse DE 1935, talvez com menos cuidado que temos hoje em dia de não manifestar qualquer tipo de discriminação, coisa que naquela data, 1935, pelo texto não parecia ser uma preocupação do autor.Mas fiquei admirado de ver como poucas coisas mudaram em tantas décadas.

O DIA 26 DE ABRIL NO FUTEBOL

26/04/1903 – É fundado o ATLÉTICO DE MADRID, clube espanhol da capital Madrid 9 vezes campeão espanhol e da Copa del Rey, Campeão Mundial Interclubes em 1974 e da Recopa Européia em 1962, clube dos brasileiros Fabiano Eller, Cleber Santana e Thiago Motta.

26/04/1953- SANTOS 2 – 5 BANGU, na Vila Belmiro Zizinho e Menezes deram um baile no peixe pelo Torneio Rio-São Paulo em uma das grandes vitórias do Bangu, gols: Zizinho, Menezes (2), Miguel e Décio Esteves (Ban); Alváro (2) (San).

26/04/1981 – SÃO PAULO 3 – 2 BOTAFOGO, no Morumbi numa virada heroica e confusa do tricolor do Morumbi com destaque para o meia Everton que marcou dois golaços que deram a virada depois de estar perdendo por 2 a 0 e uma confusão tremenda no final do primeiro tempo, no final o São Paulo carimbou o passaporte para a final do brasileiro contra o Grêmio que mesmo perdendo no Olimpico para a Ponte Preta com um gol de Osvaldo também se classificará para a grande decisão entre os tricolores.

26 de ABRIL é o dia do GOLEIRO

ANIVERSARIANTES:

26/04/1937 – MANGA ex-goleiro do Botafogo, Inter/RS, Coritiba
26/04/1955 – RONDINELLI O Deus da Raça ex-zagueiro do Flamengo

Domício Pinheiro, fatídico fotógrafo esportivo

Domício foi um gênio do mal, do azar e da sorte. Reza a lenda que, por onde passavam suas lentes, algo acontecia; uma boa foto se formava ou um fato ruim emergia. Isso lhe rendeu o apelido de “toque-toque”. Quando pronunciavam seu nome, batiam três vezes na madeira.
No dia 11 de fevereiro de 1998, morre Domício Pinheiro, aos 76 anos de idade. Acabava alí o trabalho de um dos mais importantes fotógrafos esportivos brasileiros.

Começou a atividade de fotógrafo na Folha Carioca do Rio de Janeiro e no jornal Última Hora. A partir de 1954 trabalhou no grupo Estado, onde permaneceu até 1989. Afirmou-se como fotógrafo esportivo e, apaixonado pelo futebol, era conhecido como o fotógrafo de Pelé por ter registrado magistralmente a carreira do jogador. Suas fotos buscam com precisão o instante memorável, onde se concentra ao máximo de significado, e constituiram uma referência importante para toda uma geração de fotojornalistas. Além do esporte, documentou também muitos momentos da história do Brasil, especialmente as manifestações populares, militares e religiosas no período do golpe de 1964 até 1994, seu último ano de atividade. Participou de inúmeras exposições; em junho de 1998 foi apresentada a retrospectiva Analogias e Contrastes no Museu da Imagem e do Som de São Paulo. Seu arquivo é conservado na Agência Estado de São Paulo.

Nenhuma fotografia exibiu com tanta dramaticidade a tragédia da perna quebrada como o flagrante do centroavante Mirandinha, do São Paulo, que fraturou a tíbia e o perônio diante das lentes de Domício Pinheiro. Mas nunca o país chorou tanto uma contusão como a distensão na virilha de Pelé na Copa de 1962, também documentado pelas lentes de Domício. O camisa 10 abandonou o Mundial, que seria vencido pelo Brasil com a ajuda do substituto Amarildo, O Possesso, e Garrincha. Para Tostão, a infelicidade foi uma bola dividida que lhe descolou a retina e o tirou dos campos.

TRÊS INSTANTES GENIAIS

FOTO DE PELÉ COM UMA AURÉOLA . ELE VIROU SANTO? – Claro que não! Na foto de Domício Pinheiro, Pelé acompanha o Hino Nacional Brasileiro Brasileiro, executado pela Corporação Musical do estado do Rio de Janeiro, antes de um jogo amistoso com a Seleção do Paraguai, momentos antes de um jogo pela Seleleção Brasileira no estádio do Maracanã. Atrás da cabeça de Pelé aparece um contorno da tuba, um tubo cilíndrico recurvado sobre si mesmo e que termina numa campânula em forma de sino, simbolizando assim a ” santidade” de Pelé.

TRINCHEIRA – É o nome de uma foto, de Domício Pinheiro. “Djalma Santos, Djalma Dias e Procópio, com a camisa do Palmeiras, no Parque Antarctica, em 1965, realizam um sincronizado passo de Balê. Os três param, esquecem a bola e olham para o mesmo ponto, certamente para a arbitragem que deve ter apontado alguma iregularidade no lance.

DRAMA: Nenhuma fotografia exibiu com tanta dramaticidade a tragédia da perna quebradade Mirandinha, em flagrante do centroavante do São Paulo, no exato momento em que fraturou a tíbia e o perônio diante das lentes de Domício Pinheiro em jogo contra o América em São José do Rio Preto.
Blog Mastrobuono e anotações pessoais