Arquivo da categoria: Copas do Mundo

1970 GUERREIROS INCAS LIDERADOS POR UM PRINCIPE ETÍOPE

Em 1970 a Seleção Peruana de Futebol, estava de volta a uma Copa Mundo exatos 40 anos desde a sua primeira participação no mundial do Uruguai em 1930. Certamente com a sua melhor geração no futebol que contava com jogadores com talento e habilidade com a bola como Teofilo Cubillas, Gallardo, Mifflin, Léon, Baylon e Sotil e o bom zagueiro Chumpitáz sob o comando do nosso Didi o principe Etiope que passou a comandar os peruanos em 1969 e deu um toque todo especial a equipe que conseguiu com bravura a classificação em um jogo decisivo contra a Argentina em Buenos Aires após um empate em 2 a 2 com Ramirez sendo o heroi da classificação ao marcar os dois gols do Peru no jogo em Lima a equipe derrotara a Argentina por 1 a 0 gol de Léon. A equipe foi recebida com festa em Lima no retorno e todos tinham a certeza que a equipe faria um bom papel na Copa do Mundo pois tinham não somente bons valores em campo mais fora dele um técnico que ensina a seus jogadores com praticar um bom futebol e certamente o jeito malicioso de bater na bola de Cubillas foi aprimorado pelo nosso Didi pois ele também sabia aplicar a famosa folha seca como fez um belo gol na Copa de 78 contra a Argentina desta maneira.

[img:Argentina_e_Peru_em_69.jpg,full,alinhar_esq]

Ramirez e Cubillas comemoram o gol contra a Argentina.

A poucos dias do Mundial uma tragédia caiu sobre o Peru em 31 de maio de 1970 na região de Ancash um terremoto que atingiu entre 7 e 8 graus na escala Richter, vitimando mais de 80.000 e mais de 143.000 afetadas pela catastrofe natural. A Seleção já se encontrava no México e estavam a dois dias da estreia diante os bulgáros e o fato abalou o time todo, pois todos estavam preocupados com seus familiares, chegou até se cogitar do time abandonar a competição, mais os dirigentes do mundial e os jogadores liderados por De La Torre e Chumpitáz decidiram que a equipe entraria em campo e que se eles jogassem bem e ganhassem as partidas serviriam um pouco de alento para superar a dor de todo o país e assim eles o fizeram.

[img:181_teofilo_cubillas.jpg,full,alinhar_esq]

Cubillas o craque maior do Peru em todos os tempos.

Em 02 de Junho de 1970 na cidade de Léon a equipe entra em campo sob sol quente e ainda um pouco pertubados pela tragédia o time não se encontra em campo e leva um gol logo aos 12º minutos de jogo, no inicio do segundo tempo logo aos 5º minutos outro gol dos bulgaros, apartir dai os peruanos se superaram e partiram para cima do adversário que sentia também com o forte calor local, Gallardo descontou e Chumpitáz minutos depois igualou o placar, o jogo passou a ser todo do time peruano a a virada veio com seu nome maior Cubillas de falta da a vitória uma vitória que serviu de alento para os jogadores e todo o povo peruano num momento dificil.

Na segunda partida dia 6 de Junho, a equipe enfrentou o Marrocos, que deu trabalho para a poderosa Alemanha que sofreu para derrotar o time africano por 2 a 1, e com o Peru pelo menos no primeiro tempo a equipe marroquina segurou o impeto e o desespero do Peru em vencer mais um jogo, no intervalo Didi ponderou e acalmou os nervos da equipe e na volta o time deslanchou e venceu por 3 a 0 com dois gols de Cubillas e Chalé, a vitória classificou para a próxima fase e o jogo contra a Alemanha seria para decidir que venceria a chave, de qualquer forma a equipe fez o seu papel e o povo peruano estava orgulhoso de seus bravos compatriotas que aliviavam o sofrimento da perda em um momento de alegria o que viesse dali para a frente seria lucro, Brasil ou Inglaterra seriam o adversário seguinte no jogo contra os alemães a equipe sentiu o peso da camisa alemã e saiu perdendo ainda no primeiro tempo queera o ponto fraco do time, por 3 a 1 no segundo tempo a equipe apertou tentando uma reação mais parou nas mãos de Sepp Maier.

14 de Junho de 1970 Estádio Guadalajara, Brasil e Peru entram em campo para um duelo pela vaga nas semifinais, até ali o Peru já vinha satisfeito com a campanha, mais Didi sabia que poderia tirar proveito de conhecer bem o time canarinho, antes em 1969 em dois amistosos foram duas derrotas apertadas por 2 a 1 e 3 a 2 e o potencial de seus jogadores poderiam causar um surpresa no Brasil, não foi exatamente o que aconteceu sabemos, mais novamente um pessimo inicio de jogo levou a equipe a ter de correr atrás do prejuizo e o Brasil mesmo sem ter apresentado um bom futebol e mesmo com falhas gritantes, saiu vencedor por 4 a 2 e seguiu rumo ao tricampeonato mundial. Aos peruanos restaram o consolo de missão cumprida e terem saido da competição pelas mãos do futuro campeão mundial e a campanha que terminou com a setima posição a melhor até hoje, premiou não somente o seus jogadores mais toda uma nação que os receberam com festa como um ano antes quando se deu a classificação, o Peru não conseguiu a classificação para a Copa seguinte em 74 na Alemanha, em 1975 boa parte desta geração foi premiada com a conquista da Copa América de 1975 quando bateu a Colômbia, mais a campanha em 70 é que muitos peruanos guardam na memória.

Texto: Galdino Silva
Pesquisa e Fotos: fifa.com e rsssf brasil

1982 e a seleção de Telê: o time que merecia mais do que o mundo

Júnior dominou a bola na intermediária, pelo lado esquerdo. Percebeu a movimentação de Zico e tocou-lhe rasteiro, correndo para o espaço vazio, como fazia no Flamengo. Zico dominou e parou o tempo, o suficiente para atrair Daniel Passarela. Conhecia o ritmo exato de Júnior e seu passe colheu o lateral atrás de Galvan e Olguin, de frente para o gol. Júnior chutou colocado, entre as pernas do grande Ubaldo Fillol. A Argentina campeã mundial estava incontestavelmente batida no estádio de Sarriá, em Barcelona.

O jogo variado e agressivo do time de Telê Santana era cantado pela imprensa mundial como um futebol de outra galáxia. Desde a virada na estréia contra a União Soviética, com dois chutes sobrenaturais de Sócrates e Éder, passamos a acreditar que a seleção tinha três ou quatro soluções para cada problema de campo que lhe fosse proposto. A falha de Valdir Perez no chute de Bal abriu uma inesperada vantagem soviética e pôs o time a bombardear um Rinat Dasaev que parecia intransponível. A quinze minutos do fim Sócrates abriu o meio da defesa a dribles diagonais e acertou o ângulo direito numa combinação de precisão e potência, um a um. Mas a disciplina do adversário não caiu com o gol de empate. Caiu aos quarenta e três minutos. Falcão recebeu de Paulo Isidoro na meia-direita e iludiu a marcação abrindo as pernas, deixando a jogada seguir até Éder Aleixo. Vindo de trás, o ponta ergueu a bola com um toque e no exato instante em que ela caía entre dois defensores, voou para pegá-la no ar. A bomba explodiu à esquerda do estático Dasaev, enfim indefeso.

Com cores de drama e final épico, a virada deu a nós, torcedores, a sensação de invencibilidade. A entrada de Cerezo a partir do segundo jogo derrubou as últimas resistências dos que pediam um time com pontas. Era no vazio da ponta-direita que surgiam Sócrates ou Falcão, ou ainda Leandro resguardado por Cerezo, às vezes dois deles ao mesmo tempo para jogar com Zico. Tudo aconteceria por ali ou pelos pés de Éder e Júnior, que ficavam livres do outro lado quando o adversário resolvia povoar de defensores o seu flanco esquerdo. Talvez tenha sido a exatidão dessa variação de jogadas, ou o talento incalculável de um time que tinha Falcão, Sócrates, Éder e Zico no auge de suas formas, mas o pecado cresceu e se consolidou através da excelência do escrete: a seleção brasileira de 1982, assim como a sua torcida, passou a se sentir invencível.

Não havia soberba. Os pecados eram, todos e em sua plenitude, escusáveis. Surgiram na formação do time, e não se corrige um defeito de formação sem se alterar uma virtude. Quando um time se dá por pronto é porque tem uma essência indivisível. A seleção de 1982 não se achava perfeita, mas sabia-se pronta e invencível. Seria campeã do mundo ou se tornaria uma lição, mais funda que a de 1950, mais dolorida que a de 1978, porque incompreensível.

Assim foi que o gol de Júnior contra os argentinos teve um significado imediato maior que a vitória selada. Batidos os campeões mundiais restava um jogo protocolar contra a Itália de três empates pequenos contra Polônia, Peru e Camarões, e com ela bastava empatar. Sairíamos do pequeno Sarriá para o monumental Camp Nou, para uma semifinal contra a previsível União Soviética ou contra a Polônia do cansado Lato e do instável Boniek. Daí para Madrid e a grande celebração do futebol bem jogado contra a França de Tresor, Tiganá e Michel Platini.

Já revi a partida contra a Itália mais de vinte vezes. A perfeição dos gols de Sócrates e Falcão é quase proibitiva para um jogo tão humano e inexato. E por mais que reveja, eu não entendo o que aconteceu em campo. Nos meus sonhos, a foto de Paulo Roberto Falcão – uma das últimas do grande J.B. Scalco – vem com a legenda o gol que abriu o caminho para o tetra.

O sonho é sonho, o pesadelo é real. Paolo Rossi correndo de braços abertos, as veias saltadas e o número vinte branco vazado do fundo azul é um fantasma de pesadelo. Mas se não consigo entender aquela partida, foi no dia 5 de julho de 1982 que entendi outras coisas. Entendi que jamais seria plenamente feliz, que nunca mais me sentiria invencível e que estava eternamente preso ao jogo incompreensível que chamamos de futebol.

Protegido: JOGOS TREINOS DA SELEÇÃO BRASILEIRA EM 1950 (2ª parte)

Fonte: A Gazeta Esportiva

No dia 1º de junho de 1950, no Estádio de São Januário, no Rio de Janeiro, a Seleção Brasileira que se preparava para disputar a Copa do Mundo daquele ano, enfrentou os quadros do Bangu e do Flamengo, que foram convidados pela C.B.D.

CONTRA O BANGU

Primeiramente, o treinador Flávio Costa colocou em campo o considerado time principal, que usando camisetas azuis jogou com os banguenses. A equipe de Moça Bonita foi um adversário difícil para o selecionado “A” da CBD. Houve bastante luta, os jogadores correram e se empenharam ardorosamente, sendo bom o resultado da prática. Exibindo um futebol convincente, os rapazes selecionados abateram os adversários pela contagem de 3 x 1, sendo que na primeira fase registrou-se um placar de 1 x 1.

MARCADORES

Conquistaram tentos os seguintes jogadores: Chico, aos 13 minutos, com esplêndida virada. Ismael, aos 30 minutos, empatou para o Bangu. Na fase complementar, o oportunista Baltazar conquistou mais dois tentos para a seleção, aos 2 e aos 38 minutos. Os pontos conquistados pelo centro avante corintiano foram marcados em belo estilo, sendo que o segundo foi realmente excepcional, de vez que o jogador colocou com bastante classe a pelota no fundo das redes.

AS EQUIPES

A seleção “A” treinou assim constituída: Barbosa, Augusto e Juvenal (Nena); Eli, Danilo e Bigode (Alfredo); Maneca, Zizinho, Baltazar, Ademir (Jair) e Chico. BANGU: Luiz (Pedrinho), Rafagnelli (Mendonça) e Sula; Walter, Mirim (Elói) e Irani (Pinguela); Djalma, Menezes (De Paula), Simões (Calixto), Ismael (Joel) e Moacyr.

De um modo geral, todo quadro “A” esteve bem, notando-se apenas uma ligeira indecisão entre os zagueiros. Também o centro-médio Danilo não foi muito feliz, marcando mal o adversário. Entretanto, Barbosa, Alfredo e Eli estiveram bem, Augusto está progredindo e Alfredo foi melhor que Bigode. No ataque, todos apresentaram um bom futebol, sendo que Zizinho, Baltazar e Jair foram as figuras mais destacadas. É necessário frisar que a entrada de Jair, substituindo Ademir, melhorou bastante a linha de frente, pois o popular “Jajá” esteve em tarde magnífica.

A SELEÇÃO “B” ESMAGOU O FLAMENGO

O segundo treino do dia, entre o quadro “B” e o Flamengo, caracterizou-se por um amplo domínio do selecionado. A equipe do Flamengo atravessa uma fase desfavorável, o que levou a partida para um campo bastante fácil para a representação secundaria da CBD. A defesa e o ataque dos convocados agiram muito bem, devido talvez à fragilidade adversária. Verificou-se o placar de 6 x 1 a favor do selecionado, que ganhava no primeiro tempo por 4 x 1.

OS ARTILHEIROS

Hélio abriu a contagem para o Flamengo, mas o avante Pinga, aos 7 minutos, empatou e iniciou a série dos tentos dos “pupilos” de Flávio Costa. Ipojucan aos 12, Pinga aos 20 e 29 minutos estabeleceram 4 x 1 no primeiro tempo. Jair e Rodrigues, respectivamente aos 12 e aos 17 minutos, completaram o marcador na fase final 6 x 1.

OS QUADROS

A equipe “B” entrou em campo com a seguinte constituição: Castilho, Nilton Santos e Mauro; Bauer, Rui (Brandãozinho) e Noronha; Friaça, Ipojucan (Pinga), Adãozinho, Pinga (Jair) e Rodrigues. Flamengo: Claudio, Osvaldo (Gago) e Jair; Biguá, Bria e Valter; Aloísio, Arlindo (Quiba), Hélio, Lero e Esquerdinha.

OS MELHORES

Como tivemos oportunidade de frisar, todos os elementos do quadro agiram de modo satisfatório. O zagueiro Mauro realizou na tarde de hoje seu melhor treino, conseguindo impressionar bastante. O jovem paulista não apresentou uma falha sequer. A intermediaria esteve num mesmo plano bom, e na linha Adãozinho, Pinga e novamente Jair foram figuras máximas, bem auxiliados pelos pontas Friaça e Rodrigues.

Protegido: JOGOS TREINOS DA SELEÇÃO BRASILEIRA EM 1950

Fonte: Gazeta Esportiva

CONTRA OS GAÚCHOS

A Confederação Brasileira de Desportos, atendendo às necessidades do treinamento dos craques convocados, e de acordo com o preparador Flavio Costa, convidou a Federação Gaúcha de Futebol para enviar ao Rio de Janeiro uma representação de futebol, a fim de realizar com o quadro “A”, em São Januário, uma partida treino.
A representação sulina chegou ao Rio de Janeiro em 3 de junho, pela Panair, às 16 horas, com 22 homens. Os jogadores visitantes ficaram hospedados no Vasco da Gama.
No mesmo dia 3 de junho, os jogadores brasileiros foram submetidos a exercícios individuais, no Gavea Golf Clube.

O JOGO

Esse encontro foi levado a efeito na tarde de 4 de junho de 1950 e, além de apresentar o placar de 6 x 4 a favor do selecionado, veio evidenciar que os nossos craques ainda se encontram em fase de recuperação. De fato, a equipe da CBD, principalmente no primeiro tempo desentendeu-se completamente, desaparecendo, por diversas vezes, ante o “onze” sulino. A retaguarda do quadro principal dirigido por Flavio Costa falhou hoje de maneira incrível, somente vindo a se firmar no segundo tempo, quando a linha media foi inteiramente substituída;
O jogo foi iniciado às 15 horas e terá como árbitro o sr. Mario Viana.

OS MÉDIOS DO SÃO PAULO E O ATACANTE JAIR SALVARAM A SELEÇÃO

Como dissemos, na etapa inicial, a equipe “A” não apresentou o mínimo entendimento em suas linhas, devido ao fracasso total da defesa. O centro médio Danilo, sem marcar o adversário e infeliz ao extremo em várias jogadas confundiu inteiramente seus companheiros. Eli e Alfredo que completavam o trio médio nada puderam fazer para reter a ofensiva contrária. A zaga Augusto e Mauro não conseguiu também boa atuação nestes 45 minutos iniciais, salvando-se, somente, na retaguarda o arqueiro Barbosa. No segundo tempo, Flavio Costa colocou no gramado Bauer, Rui e Noronha, que vieram dar novo alento ao quadro brasileiro. Pode-se dizer mesmo que os componentes sãopaulinos salvaram o quadro “A”, firmando uma defesa inteiramente nula. Também Jair, que aos 20 minutos da fase complementar integrou a ofensiva, contribuiu para um melhor desempenho dos nossos.
Quanto ao quadro gaúcho, atuou de maneira convincente, fazendo notar que possui ótimo jogo de conjunto e grandes valores individuais. O jogador Hermes constitui-se hoje um espetáculo a parte, na linha de ataque sulina, conquistando os 4 tentos do seu bando e exibindo magnífico futebol.
Conforme tivemos oportunidade de ver, a primeira fase foi bastante infeliz para o quadro que representará o Brasil na Taça do Mundo, de vez que as falhas da defesa prejudicaram todo o jogo do “onze”, lançando a confusão sobre todos os setores. Os gaúchos, aproveitando o desentendimento dos jogadores convocados souberam atacar com precisão e marcar 3 tentos. O grande valor do atacante Ademir permitiu que também a nossa ofensiva consignasse 3 tentos, igualando o marcador.
Hermes, o goleador dos gaúchos, marcou o primeiro tento de sua série aos 14 minutos. Barbosa defendeu parcialmente um pelotaço desse meia-direita, que na recarga conquistou o tento. Ademir, recebendo de Maneca, empatou aos 16 minutos, e o mesmo Ademir, demonstrando a sua grande capacidade, voltou a marcar, aos 30 minutos. Logo após, aos 32 minutos, Hermes recebeu de Balejo e igualou o placar. Ademir aos 43 minutos, em sensacional chute desferido de longe, venceu o goleiro Ivo e estabeleceu o 3×2. Hermes, disputando um parco a parte de Ademir, voltou a empatar a peleja aos 44 minutos.

VITÓRIA DA SELEÇÃO NA FASE FINAL — 6 x 4

Apresentou-se o esquadrão da CBD no segundo período com a linha media inteiramente modificada, razão pela qual pôde estabelecer o equilíbrio de ações e o caminho para o domínio. De fato, pouco a pouco o nosso selecionado foi-se impondo até conquistar uma vitoria por 6 x 4. Também Jair foi outro grande valor. proporcionando a possibilidade desse triunfo.
Hermes conseguiu, aos 5 minutos, nova vantagem para os gaúchos. Aliás, seria esse o quarto e ultimo ponto dos sulinos nessa partida.
Zizinho, elemento que vinha se desinteressando pela partida, aos 19 minutos, conseguiu o quarto tento dos comandados de Baltazar. Aos 31 minutos, o meia-esquerda Jair, da altura da linha média adversária, cobrando uma penalidade, colocou o selecionado em vantagem. É interessante frisar que o pelotaço desferido pelo “Jajá” desnorteou inteiramente o goleiro contrario, que se atirou para um canto e a pelota entrou pelo outro… Novamente, Jair, aos 41 minutos veio ampliar a contagem a favor dos “pupilos” de Flavio Costa, recebendo um passe de Baltazar.

OS QUADROS

Os dois esquadrões atuaram na tarde de hoje com as seguintes constituições: Seleção “A”: — Barbosa; Augusto e Mauro; Eli (Bauer), Danilo (Rui) e Alfredo (Noronha); Maneca, Zizinho (Ademir), Baltazar, Ademir (Jair), e Chico. Gaúchos: — Ivo; Nena e Jony; Hugo, Ruarinho e Heitor; Balejo, Hermes, Adão, Mojica e Ariovaldo (Api). Nena e Adãozinho tiveram permissão para integrar a equipe da Federação Sul Riograndense aliás qual estão vinculados. Aliás, esses dois elementos cumpriram destacadas atuações.

AS ATUAÇÕES INDIVIDUAIS

Analisando o desempenho na partida de hoje dos nossos craques, temos:
Barbosa não foi culpado dos tentos sofridos, pois os seus companheiros de defesa falharam. Augusto e Mauro — não se houve muito bem esta zaga apresentada por Flavio Costa. Entretanto, no segundo tempo, melhorou bastante. Eli, Danilo e Alfredo. A péssima atuação do centro-médio levou os dois companheiros de ala à desorganização. Assim talvez tenha sido Danilo o culpado do fracasso da fase inicial. Bauer, Rui e Noronha. Os três integrantes do selecionado paulista reequilibraram o nosso sistema defensivo. Dessa forma, contribuíram de maneira categórica para o triunfo. Maneca trabalhou bastante e regularmente. Entretanto, foi um pouco abandonado. Zizinho disputou boa peleja na fase inicial, mas pouco a pouco foi perdendo o interesse, tendo sido acertada sua substituição. Baltazar não repetiu as suas atuações anteriores, Ademir e Jair — foram as figuras máximas do esquadrão da C.B.D., realizando grandes jogadas. Chico — da mesma forma que Maneca agindo de forma irregular.
No quadro gaucho, os convocados Nena e Adãozinho foram figuras de destaque. O zagueiro demonstrou segurança e decisão nos lances dentro da área, barrando varias investidas contrarias. Hermes foi a revelação, marcando 4 tentos, apresentando ainda uma estupenda atuação. Ariovaldo, Ruarinho e Mojica foram outros bons elementos.

O SR. JULES RIMET EM SAO JANUÁRIO

Assistiu ao jogo da representação brasileira frente aos gaúchos o sr. Jules Rimet, presidente da FIFA, e que veio ao Brasil, afim de assistir aos jogos da Copa do Mundo.

RENDA

Um público bastante numeroso compareceu ao estádio do Vasco da Gama, tendo a renda do encontro atingido a importância de Cr$ 111.970.00.

TESOURINHA E BIGODE CONTUNDIDOS

O ponta direita Tesourinha foi poupado na pratica de hoje (3 de junho), pois está com o joelho bastante inchado. Desta forma, não existem quase dúvidas sobre o corte desse jogador da seleção. Friaça deverá disputar com Maneca a posição.
O médio Bigode que se encontra com músculo distendido sentiu a contusão, retirando-se logo no inicio do treino de hoje.

PRESENTE O SR. PAULO DE CARVALHO

O sr. Paulo de Carvalho, dirigente do São Paulo F. C. e diretor das “Emissoras Unidas” da Capital bandeirante, encontra-se nesta Capital, em viagem de negócios e aproveitou a ocasião para assistir ao treino de hoje, em São Januario. A reportagem esteve com o desportista bandeirante que declarou ter apreciado a movimentação do exercício e o futebol posto em pratica pelos craques convocados.

A história do Carrossel Holandes – Mais uma vez o melhor não venceu!!!

A Seleção Holandesa de 1974 revolucionou a maneira de jogar futebol: Criou o futebol 100%

O COMEÇO DE TUDO

Desde a famosa seleção húngara de 1954 que a Europa não produzia uma equipe como aquela – lá se iam 20 anos de futebol. Nem mesmo a bela seleção francesa de 1958 podia ser comparada a ela. E vinha de um pequeno país sem tradição no mundo seleto e exigente do esporte – a Holanda. Tão bom era o time que, mesmo sem conquistar o título da Copa de 1974, na Alemanha Ocidental, entrou para a história como o Carrossel Holandês, que mudou muitas das concepções do jogo até aquela data e abriu novos caminhos para o espetáculo do futebol.

Na verdade, não foi a seleção da Holanda que começou a chamar a atenção da crônica européia, mas o time do Ajax, que na época já era tricampeão de clubes, sendo que no último título com uma eloqüente goleada sobre o Bayern Munich. O Ajax era a base da seleção holandesa; o Bayern era a base da seleção alemã. Muitos cronistas viram com perspicácia que ali podia estar o prenúncio do que seria a final da Copa de 1974. O Ajax tinha um jogador que a unanimidade daqueles cronistas considerava o novo fenômeno do futebol – Johan Cruyff. Sabia fazer de tudo, era uma espécie de homem-equipe. Tinha, também, um treinador chamado Rinus Michels, inteligente, sofisticado e ambicioso, que sonhava em revolucionar o futebol. Michels tinha em mãos, na seleção, um material capaz de ajudá-lo a realizar seus desígnios: Jongbloed, goleiro enorme, de meter medo nos atacantes; Suurbier, na época o melhor lateral-direito da Europa; Krol, zagueiro admirável em qualquer época; Van Hanegen e Neeskens, incansáveis no trabalho de ligação entre a defesa e ataque; na frente, dois pontas velozes e hábeis, Rep e Resenbrink; e no meio deles, Cruyff.

[img:holanda74_1__1.jpg,resized,vazio]
A Laranja Mecânica, conhecida também como o Carrossel Holandês, da esquerda para a direita: Neeskens, Krol, Van Hanegen, Jansen, Suurbier, Rep, Rijsbergen, Resenbrink, Haan, Jongbloed e Cruyff

Por quê uma seleção de futebol de um país que ocupa pouquíssimo espaço no globo terrestre, que teve duas participações totalmente insignificantes nas Copas de 1934 (derrotada pela Suécia por 3 a 2 no único jogo) e 1938 (também derrotada, pela Tchecoslováquia, por 3 a 0) e sem a menor tradição no mundo futebolístico de repente é seríssima candidata ao título mundial na Copa de 1974 disputada na Alemanha? O período que antecede esta Copa mostra que as coisas não foram assim tão de repente. No intervalo entre a Copa do México em 70, e a Copa da Alemanha em 74, muitas águas passaram pelos moinhos e pontes holandesas. As seleções e times europeus estavam numa fase excelente, enquanto o Brasil ia perdendo seus craques após a conquista do tricampeonato no México.

Logo após a Copa do México em 1970, a Polônia revelava uma seleção muito forte, campeã olímpica de 1972 em Munique. Um futebol força com excelente qualidade de movimentação de bola. O Bayern Munique da Alemanha, Feyenoord de Rotterdam e Ajax de Amsterdam foram colecionadores de títulos na década de 70. Correndo por fora estavam a Suécia, que sempre participou das copas com uma seleção de boa qualidade e a Alemanha Oriental, a Alemanha do outro lado do muro de Berlim, que só viria a ser destruído no início da década de 90 reunificando as Alemanhas.

O Feyenoord ganhou o Campeonato Mundial Interclubes e a Copa Européia dos Clubes Campeões em 1970; o Ajax ganhou o Mundial Interclubes em 1974, e a Copa Européia dos Clubes Campeões em 1971, 1972 e 1973. E, para manter a tradição, mais um campeonato para o Feyenoord em 1974: a Copa da UEFA. Cruyff, cérebro e capitão do Ajax, jogou oito anos nesse clube, transferindo-se para o Barcelona da Espanha após a Copa de 1974, e merecidamente eleito o melhor jogador do mundo nos anos 1971 e 1973. A base do “dream team” da Holanda 1974 eram jogadores do Ajax e Feyenoord, como um “combinado”. Pela primeira vez na história do futebol holandês conseguia-se uma união entre dois times tão rivais. Mas o objetivo desta união era sublime.

CAMPANHA DA HOLANDA NAS ELIMINATÓRIAS PARA 1974

01 de novembro de 1972 – Rotterdam
Holanda 9 X 0 Noruega

19 de novembro de 1972 – Antuérpia
Bélgica 0 X 0 Holanda

22 de agosto de1973 – Amsterdã
Holanda 5 X 0 Islândia

29 de agosto de 1973 – Deventer
Islândia 1 X 8 Holanda

12 de setembro de 1973 – Oslo
Noruega 1 X 2 Holanda

18 de novembro de 1973 – Amsterdã
Holanda 0 X 0 Bélgica

De 1970 a 1973 a Holanda jogou 23 vezes. Teve 14 vitórias, 6 empates e 4 derrotas. Marcou 61 gols e sofreu 15.
Suas derrotas foram para as seleções da Alemanha Oriental por 1 x 0 em 1970, Iugoslávia por 2 x 0 em 1971 e seleções da Áustria e Finlândia ambas por 1 x 0, atuando com jogadores reservas. Essa foi a temporada de preparação para a disputa da Copa de 1974.

A COPA DE 74

[img:jc11_1_.jpg,full,alinhar_esq_caixa] Cruyff e Rep num dos ataques da “laranja mecânica”

O segredo dessa equipe, era que a posição dos jogadores servia apenas para obedecer à formalidade da escalação, uma vez que, começado o jogo, ninguém mais tinha posição nenhuma. Era, em suma, o próprio carrossel. A primeira vítima foi o Uruguai, que perdeu de 2 a 0 como podia ter perdido de oito ou de quinze. O jogo foi um dos maiores massacres táticos de que o futebol tem notícia. Basta dizer que, lá pelas tantas, Pedro Rocha, o clássico e elegante Pedro Rocha, dominou uma bola no peito e logo olhou para o chão – pois que uma bola dominada no peito por Pedro Rocha deveria estar agora submissa aos seus pés. Mas não estava, e Rocha ficou alguns segundos olhando para o chão, perplexo, à procura da bola. No curtíssimo trajeto entre o peito e os pés de Pedro Rocha, a bola lhe havia sido roubada por três ou quatro holandeses que estavam com ela lá adiante, tramando um ataque. A Holanda jogava assim, defendendo e atacando em ondas, se assim se pode dizer: quatro ou cinco corriam na mesma bola, contra apenas um adversário, e saíam com ela como um bando de colegiais em alegre pelada de recreio.

Alguns observadores viram ali um meio desorganizado e irresponsável de jogar. – Eles não sabem – respondia Cruyff – que toda essa desorganização é meticulosammente ensaiada. E era mesmo. A seqüência de jogos da Holanda consagrou aquele estilo novo, vibrante, mortalmente eficaz e objetivo – uma harmoniosa mistura de futebol-força com futebol-arte. Ao chegar à final, a Holanda se orgulhava de uma campanha inigualável naquela Copa: seis jogos invictos, 14 gols a favor, apenas um contra – e era considerada favorita.

Alguns observadores, porém, conhecedores dos labirintos traiçoeiros de uma Copa do Mundo, viam esse favoritismo com reservas, porque do outro lado estava a Alemanha Ocidental, uma equipe consistente o bastante para fazer frente a qualquer adversário. No seu comando estava Helmut Shoen, discípulo direto de Sepp Herberger, responsável pela vitória de 20 anos atrás sobre a fantástica seleção húngara. Assim como Rinus Michels, seu adversário, Shoen tinha à mão um punhado de grandes jogadores: o goleiro Sepp Maier, então o melhor de todos; os excelentes laterais Vogts e Breitner; um forte meio de campo formado por Hoeness, Bonhof e Overath, este último um craque completo; na frente o maior artilheiro da história das Copas, o centroavante Gerd Müller, de precisão cirúrgica na hora de finalizar em gol; e, no plano mais elevado que fosse possível, o capitão Franz Beckenbauer que, de tão altivo e elegante no seu relacionamento com a bola, dizia-se que podia ter sido ele o próprio inventor do futebol. Às vésperas da grande decisão, na confortável concentração holandesa, Rinus Michels saboreava com justiça e prazer, cercado de repórteres do Mundo todo, o sucesso do seu trabalho. Indagado por um dos jornalistas sobre os fatores a que atribuía o êxito de sua equipe, remexeu-se na poltrona com um sorriso que não deixava dúvidas sobre a glória que vivia naquele momento:

– Primeiro – respondeu depois de alguns segundos – , por que a seleção holandesa possui grandes individualidades. Segundo por que essas individualidades se adaptam perfeitamente ao esquema de jogo coletivo. E terceiro, por que tem um técnico chamado Rinus Michels.

[img:9_1_.jpg,full,vazio]
Johann Cruyff, o gênio da Holanda e melhor jogador da Copa de 74.

…………………………………………………………………………….

PRIMEIRA FASE

[img:20px_Flag_of_Uruguay_svg.png,full,vazio] URUGUAI 0 x 2 [img:20px_Flag_of_the_Netherlands_svg.png,full,vazio] HOLANDA
15 de junho, 1974 – 16:00h
Hannover, Niedersachsenstadion
Público: 53,700
Árbitro: Palotai (Hungria)
Gols: Rep 6′, 85′
HOLANDA: Jongbloed, Suurbier, Haan, Rijsbergen e Krol; Jansen, Van Hanegen e Neeskens: Rep, Cruyff e Resenbrink.
URUGUAI: Mazurkiewicz, Forlan, Jáuregui, Masnik e Pavoni; Montero Castillo, Espárrago e Pedro Rocha; Cubilla (Millar), Morena e Mantegazza.

[img:20px_Flag_of_the_Netherlands_svg.png,full,vazio] HOLANDA 0 x 0 [img:20px_Flag_of_Sweden_svg.png,full,vazio] SUÉCIA
19 de junho, 1974 – 19:30h
Dortmund, Westfalenstadion
Público: 53,700
Árbitro: Winsemann (Canadá)
HOLANDA: Jongbloed, Suurbier, Haan, Rijsbergen e Krol; Jansen, Van Hanegen (De Jong) e Neeskens: Rep, Cruyff e Resenbrink.
SUÉCIA: Hellstroem, Olsson (Grip), Nordgvist, Karlsson e Andersson; Tapper (Person), Graham e Larsson, Edjersted, Edstroem e Sandberg.

[img:20px_Flag_of_the_Netherlands_svg.png,full,vazio] HOLANDA 4 x1 [img:20px_Flag_of_Bulgaria_1971_1990.png,full,vazio] BULGÁRIA
23 de junho, 1974 – 16:00h
Dortmund, Westfalenstadion
Público: 52,100
Árbitro: Bosković (Austrália)
Gols: Holanda – Neeskens (pen) 5′, (pen) 44′, Rep 71′, de Jong 88′; Bulgária – Krol 78′ (g.c.)
HOLANDA: Jongbloed, Suurbier, Haan, Rijsbergen e Krol; Jansen, Van Hanegen e Neeskens; Rep, Cruyff e Resenbrink.
BULGÁRIA: Sataynov, Vassilev, Ikov, Velischov, Penev; Bonev, Stoyanov, Volnov, Panov (Borissov) e Denev (Michailov).

SEGUNDA FASE

[img:20px_Flag_of_the_Netherlands_svg.png,full,vazio] HOLANDA 4 x 0 [img:20px_Flag_of_Argentina_svg.png,full,vazio] ARGENTINA
26 de junho, 1974 – 19:30h
Gelsenkirchen, Parkstadion
Público: 55,348
Árbitro: Davidson (Escócia)
Gols: Cruijff 11′, 90′, Krol 25′, Rep 73′
HOLANDA: Jongbloed, Suurbier(Israel), Haan, Rijsbergen e Krol; Jansen, Van Hanegen e Neeskens: Rep, Cruyff e Resenbrink.
ARGENTINA: Carnevali, Wolf (Glaría), Perfumo, Heredia, Sá, Valbuena, Telch, Squeo, Ayala, Yazalde e Houseman (Kempes).

[img:20px_Flag_of_East_Germany_svg.png,full,vazio] ALEMANHA ORIENTAL 0 x 2 [img:20px_Flag_of_the_Netherlands_svg.png,full,vazio] HOLANDA
30 de junho, 1974 – 16:00h
Gelsenkirchen, Parkstadion
Público: 67,148
Árbitro: Scheurer (Suíça)
Gols: Neeskens 7′, Rensenbrink 59′
HOLANDA: Jongbloed, Suurbier, Haan, Rijsbergen e Krol; Jansen, Van Hanegen e Neeskens: Rep, Cruyff e Resenbrink.
ALEMANHA ORIENTAL: Croy, Kitsche, Weise, Branchs, Burbjuweit, Lauck, Sparwasser, Schnupasse, Hoffman, Lowe, Pommerenke.

[img:20px_Flag_of_the_Netherlands_svg.png,full,vazio] HOLANDA 2 x 0 [img:20px_Flag_of_Brazil_svg.png,full,vazio] BRASIL
3 de julho, 1974 – 19:30h
Dortmund, Westfalenstadion
Público: 52,500
Árbitro: Tschenscher (Alemanha Ocidental)
Gols: Neeskens 50′, Cruijff 65′
HOLANDA: Jongbloed, Suurbier, Haan, Rijsbergen e Krol; Jansen, Van Hanegen e Neeskens: Rep, Cruyff e Resenbrink.
BRASIL: Leão, Zé Maria, Luís Pereira, Marinho Peres e Marinho Chagas; Paulo César Carpegiani, Rivelino e Dirceu; Valdomiro, Jairzinho e Paulo César Lima (Mirandinha) .

[img:holxbrasil_1__1.jpg,full,alinhar_esq_caixa] O Carrossel de branco, pronto para enfrentar o Brasil

Uma partida marcada pelo nervosismo de ambas as partes. A Holanda, pelo fato de enfrentar os tradicionais tricampeões mundiais, que não se encontravam taticamente nos primeiros minutos de jogo; O Brasil, que decepcionantemente apelou para a violência fugindo completamente das suas características habituais, querendo disputar a final da Copa a qualquer custo. Seguramente a partida na qual os brasileiros foram mais violentos em todas as histórias das Copas do Mundo.

Fazia frio em Dortmund, com vento e chuva e média de 16 graus de temperatura. Mas em pouco tempo, dentro das quatro linhas, essa temperatura triplicaria.

O curriculum da seleção brasileira, que ainda contava com alguns nomes do grande time tricampeão em 1970, intimidava os holandeses a princípio. Mas, como citou Cruyff em seu livro sobre a Copa de 1974 “Futebol Total” : “Depois de meia hora de dificuldades, despojados já de qualquer temor, sacudindo o complexo de estar à frente dos invencíveis, perdemos todo o respeito por eles e pelo que sem dúvida são e significam na história do futebol”.

Os brasileiros apelam. Marinho Peres barra Jansen rispidamente, Rivelino provoca Rep, Valdomiro atinge deslealmente Neeskens com um pontapé por trás, Marinho Chagas passa o jogo inteiro intimidando Cruyff como disse anos atrás, que fez tudo para ser expulso junto com o capitão holandês e que nada adiantava, “o homem era frio”, Marinho Chagas de novo revida uma entrada de Suurbier, Marinho Peres soca Neeskens – isso tudo nas costas do juiz. Os holandeses até que deram alguns trocos, mas estavam mesmo preocupados em jogar futebol e ir para a finalíssima com a Alemanha Ocidental, que vencia a Polônia por 1 a 0 num jogo também bem disputado. As tentativas de ataque brasileiras eram desorganizadas, e o goleiro brasileiro Leão evitava, como podia, o pior.

Enquanto isso, Neeskens, aos 6 minutos do segundo tempo abre o placar através de uma rápida infiltração, após combinação com Cruyff. Este, aos 20 minutos marca 2 x 0 com um tiro rasteiro e indefensável, definindo o jogo.

Minutos antes do término, o desespero final: Luís Pereira quase parte Neeskens em dois, sendo expulso. E o técnico Zagalo, que menosprezava o “futebol alegrinho” jogado por uma das melhores seleções de todos os tempos, declarando estar preocupado unicamente com a final contra a Alemanha Ocidental, e que “podia fazer um suco dessa imensa laranja”, já se achando finalista, teve que engolir suas palavras, reconhecendo: “caímos diante de um futebol de primeira linha”. Entrevistado em 1994, quando a seleção brasileira enfrentaria novamente a seleção holandesa na Copa dos Estados Unidos, Zagallo, com uma letra “l” a mais em seu nome e na função de Coordenador Técnico, justificava suas palavras 20 anos depois dizendo que “precisava dar moral à minha equipe na época”.

[img:neeskensxpereira_1_.jpg,full,vazio]
Luís Pereira foi expulso após entrada violenta em Neeskens

…………………………………………………………………………….

A BATALHA FINAL

E mais uma vez o melhor não venceu!!!

O dia 7 de junho de 1974 é uma data inesquecível para o futebol holandês. Era a primeira vez, após dez Copas do Mundo, que a Holanda chegava a uma finalíssima para a disputa do título mundial. Era a favorita e tinha a opinião geral a seu favor. Logo nos primeiros instantes da partida, exatamente aos dois minutos, após vários passes trocados pela laranja mecânica numa tentativa de enervar os alemães ocidentais promovendo um “olé”, Cruyff penetra na área, perseguido por Vogts, sua sombra, e sofre pênalti. O árbitro inglês Jack Taylor não quer nem saber que são apenas 2 minutos de jogo: assinala acertadamente a marca fatal. Johan Neeskens, camisa 13, batedor oficial de pênaltis e o artilheiro dos momentos difíceis, chuta de pé direito e vence Sepp Maier à meia altura, para o conforto das esposas dos jogadores holandeses, presentes com seu apoio, no Estádio Olímpico de Munique, marcando então seu 5º gol na Copa.

[img:neeskenspenalty_1_.jpg,full,vazio]
O gol de Neeskens de pênalti abria a contagem.

Holanda um a zero. O que muitos previam começava a se tornar realidade. Mas o placar parcial a seu favor parecia ter dado uma tranqüilidade excessiva à equipe holandesa, inexperiente em finais de Copa, jogando contra uma equipe competente, que estava atuando em sua casa e com o apoio incessante de sua torcida. Os alemães ocidentais, orientados dentro das quatro linhas pelo capitão e principal jogador Franz Beckenbauer, também conhecido como o “Kaiser”, tentavam se recuperar do golpe aos poucos, tendo como apoio 80% da massa. Um pouco antes do empate alemão, a tranqüilidade excessiva holandesa começava a prejudicar a própria equipe. O meio de campo Van Hanegen mostrava isso, agredindo Gerd Müller com um empurrão violento jogando-o ao chão, nas costas de Jack Taylor, mas recebia cartão amarelo após ser dedurado pelo bandeirinha uruguaio Ramón Barreto. Aos 25 minutos de jogo, pênalti de Jansen em Holzenbein quando este tentava se infiltrar pela área via ponta esquerda. Paul Breitner, o batedor oficial da Alemanha Ocidental converte em gol e a história do jogo então mudaria. A armadilha do técnico Helmut Shoen, discípulo de Sepp Herberger, o técnico alemão campeão mundial de 1954, começava a funcionar.

[img:breitnerpenalty_1_.jpg,full,vazio]
Paul Breitner engana Jongbloed e empata.

Berti Vogts, que viria a ser o técnico da Alemanha na Copa de 1994, chuta à queima-roupa e perde um gol feito, evitado pela excelente defesa de Jongbloed. Minutos depois a defesa laranja, num instante de desatenção, permitia a Gerd Müller, aos 42 minutos ainda do primeiro tempo desempatar o jogo após um passe vindo da direita, chutando da meia lua. Krol não consegue evitar o arremate. A rápida jogada pela direita e o bom posicionamento do atacante alemão colocam a Alemanha Ocidental em vantagem no placar: Alemanha 2 a 1.

[img:mullergol_1_.jpg,full,vazio]
O artilheiro Gerd Muller vira o jogo em 2 x 1.

No segundo tempo, as coisas começavam a mudar.
A Holanda tentava se reorganizar na partida, atacava constantemente criando inúmeras oportunidades de gol, mas a bola negava-se a entrar. Breitner salva um gol quase em cima da linha.
O incansável ataque do carrossel dá muito trabalho ao grande goleiro Sepp Maier, mas o alemão estava impressionante na partida. O artilheiro Gerd Müller ainda faria um gol anulado por Jack Taylor.

Num raro minuto de desatenção da defesa holandesa, Holzenbein ataca pela esquerda e sofre novo pênalti cometido por Jansen, a mesmíssima jogada do primeiro tempo quando se deu o empate, mas dessa vez o juiz inglês Jack Taylor não marca nada. E Maier, cuja atuação foi irrepreensível, quase se contundia com uma entrada de Cruyff e se irritava com Neeskens, mas foi acalmado pelo maestro Franz Beckenbauer, que então detinha o controle do jogo. Talvez a Holanda mereceu o empate pelo futebol que apresentou no segundo tempo. Talvez a Alemanha chegara à final contando com a caprichosa ajuda da sorte, sem dúvida um fator necessário a toda equipe que aspira à vitória.

[img:ataquelaranja_1_.jpg,full,vazio]
A defesa alemã resiste às incessantes investidas holandesas à sua meta.

…………………………………………………………………………….

FICHA DO JOGO

[img:20px_Flag_of_the_Netherlands_svg.png,full,vazio] HOLANDA 1 x 2 [img:20px_Flag_of_Germany_svg.png,full,vazio] ALEMANHA OCIDENTAL
7 de julho, 1974 – 16:00h
Munique, Olympiastadion
Público: 75,200
Árbitro: Taylor (Inglaterra)
Gols: Holanda: Neeskens 2′ (pen); Alemanha Ocidental: Breitner 25′ (pen) Müller 43′
HOLANDA: Jongbloed, Suurbier, Haan, Rijsbergen (De Jong) e Krol; Jansen, Van Hanegen e Neeskens: Rep, Cruyff e Resenbrink (René Van der Kerkhof).
ALEMANHA OCIDENTAL: Maier, Vogts, Shwarzenbeck, Beckenbauer e Breitner; Bonhof, Hoeness e Overath; Grabowisky, Muller e Holzeinbein.

…………………………………………………………………………….

Mas o Futebol Total mostrado nessa Copa do Mundo foi, sem dúvida, apresentado pela fantástica Laranja Mecânica, ou Carrossel Holandês, como preferirem definir a seleção holandesa, a última das grandes seleções reveladas num Mundial.
Restaram para a Holanda dois consolos: o primeiro, de ter perdido para uma grande equipe, que atuava em sua própria casa, com o calor de sua torcida; o segundo, de ter entrado para a história do futebol como um alegre carrossel de colegiais, que tinham o prazer de jogar futebol.”

Fontes:
http://br.geocities.com/laranjamecanica74/
http://pt.wikipedia.org
www.varaldeideias.com

Copa do Mundo 1954 – A “Batalha de Berna” e a Hungria, uma máquina de jogar futebol

O BRASIL EM 1954

Mesmo passados quatro anos, o Brasil esportivo, em 1954, não havia esquecido o desastroso “maracanazzo” que acabou glorificando Gighia e condenando Bigode e Barbosa e, num nível mais brando, os demais jogadores brasileiros pela derrota para o Uruguai na Copa do Mundo de 1950, em pleno Maracanã.

Sempre foi muito comum, até os idos de 1970, a seleção brasileira ser formada com maioria absoluta de times que, na época da convocação estavam em boa fase, praticando o melhor futebol. Foi assim na Copa de 1930, com o Fluminense de Preguinho, Fernando Giudiceli, Veloso, Fortes e Ivan Mariz, embora, entre os titulares figurassem apenas Fernando Giudicili e Preguinho. Em 1950, com Barbosa, Eli, Maneca, Ademir Menezes, Danilo Alvim, Pinga. Em 1958 com Joel, Moacir, Dida, Gerson, Zagalo do Flamengo e Garrincha, Didi, Nilton Santos do Botafogo e em 1970 com Santos e Botafogo fornecendo quase todo o time titular.

Pois, em 1954 – claro que por conta do fracasso de 1950 – o Brasil mudou. Saiu Flávio Costa e entrou Zezé Moreyra no comando. Saiu Barbosa e entrou Castilho e outros que não haviam participado da derrocada de 50 assumiram a titularidade.

[img:24491_1_.jpg,full,vazio]
Brasil no mundial da Suiça – Time que empatou com a Iugoslávia em 1×1. Em pé: Djalma Santos. Brandãozinho. Nilton Santos. Pinheiro. Mario Americo. Castilho e Bauer. Agachados: Julinho. Didi. Baltazar. Pinga e Rodrigues. Foto: Placar

Apesar do fraco desempenho da seleção brasileira no Campeonato Sul-Americano de 1953, realizado em Lima, capital do Peru, que perdeu para o Paraguai e ficou em segundo lugar, e ainda sem ter conseguido superar o trauma da derrota para os uruguaios em 1950, a participação do Brasil na Copa do Mundo de 1954 era esperada com certa ansiedade pelos torcedores brasileiros, que torciam para que a renovação iniciada pelo técnico, Zezé Moreyra, fosse o caminho mais curto para alcançar o título de campeão mundial de futebol, o sonho maior da população. A bem da verdade, time o Brasil tinha: no sistema defensivo, Djalma Santos, Pinheiro e Nilton Santos eram jogadores de alta categoria, tecnicamente superiores aos da malfadada Copa de 50. O time ainda contava com Bauer, Didi, em grande forma e Rodrigues.

Os brasileiros ficaram mais otimistas quando, nos meses de fevereiro e março, iniciando a campanha o Brasil, nas eliminatórias, se classificou invicto, mas com certa dificuldade, derrotando o Chile (2 x 0, em Santiago, com gols de Baltazar, e 1 x 0, no Maracanã, também com gol de Baltazar) e o mesmo Paraguai (1 x 0, em Assunção, com gol de Baltazar, e 4 x 1, no Maracanã, com gols de Julinho (2), Baltazar e Maurinho).

A vitória sobre o Paraguai em Assunção foi tão dramática que, quando aconteceu o jogo de volta no Brasil, uma massa de torcedores (176.000), a maior desde o fatídico dia 16 de julho de 1950, lotou o Maracanã para incentivar o time nacional, acreditando a partir daí, que a conquista do título mundial não era um sonho tão distante assim.

No dia 25 de maio de 1954, após as dispensas de Osvaldo Baliza, Salvador e Gerson dos Santos, a seleção brasileira embarcou para a Suíça, onde iniciou a fase final de treinamentos, realizando alguns amistosos contra times amadores. Era a volta da Copa do Mundo à Europa, dezesseis anos depois, intervalo em que o certame fora realizado – somente em 1950 – devido a segunda guerra mundial.

A BATALHA DE BERNA

Após garantir ótimos resultados nas fases anteriores, chegara, finalmente, o dia do selecionado brasileiro enfrentar a poderosa seleção húngara, campeã olímpica de 1952, jogando em estilo militarizado, invicta há mais de um ano, e com um sistema de jogo considerado inédito e revolucionário, com os jogadores entrando em campo sem posição fixa.

[img:6031_1__1.jpg,full,vazio]
Antes do jogo, Bauer capitão do Brasil e Boszìk da Hungria se cumprimentam. A hungria venceu o Brasil por 4×2.

Em que pese o alerta da imprensa brasileira para o poderio da “máquina húngara”, uma das melhores seleções de futebol de todos os tempos, com jogadores como Puskas, Kocsis e Boszik, jogadores e Comissão Técnica da seleção brasileira não deram muita trela. Mas, como levar a sério uma seleção que nunca vencera o Brasil, apesar das inquestionáveis vitórias na primeira fase, goleando a seleção da Coréia do Sul por 9 a 0 e a poderosa Alemanha pela esmagadora vitória de 8 a 3, numa demonstração de força e vigor?

Para o jogo diante da seleção brasileira, a seleção húngara não contou com seu melhor jogador, Puskas, que havia se contundido na partida anterior, contra a Alemanha, o que acabou animando os jogadores brasileiros, que acreditavam que, mais uma vez, a vitória era coisa certa. Estavam enganados.

Como existem coisas que só acontecem ao Botafogo, naquela época aconteciam coisas estranhas no Brasil. Quando o Brasil se preparava para acompanhar a narração do jogo, aconteceu um defeito nas transmissões, exatamente quando a partida começou. Felizmente ou infelizmente, cerca de 10 minutos depois, quando foi restabelecida a transmissão, uma nação assombrada foi informada de que o Brasil já perdia por 2 a 0, gols de Hidegkuti e Kocsis. Aos 18, entretanto, o selecionado brasileiro diminuiria o placar, graças a um gol de pênalti convertido por Djalma Santos, estabelecendo 2 a 1. O placar ficou assim até o final do primeiro tempo.

O selecionado brasileiro retornou com tudo para o segundo tempo, imprimindo mais velocidade no jogo, passando a dominar as ações. E, quando tudo levava a crer que o gol brasileiro era uma questão de tempo, o juiz inglês, Arthur Ellis, que no primeiro tempo marcara um pênalti a favor do Brasil (convertido por Djalma Santos), pegou um toque de Pinheiro dentro da área brasileira. Era outro pênalti, agora em favor dos húngaros, convertido por Lantós, parecendo colocar uma pá de cal na esperança brasileira.

Correndo contra o tempo, o time de Zezé Moreyra saiu desesperado para o ataque, até que Julinho, driblando todo o time húngaro, marca o segundo gol para o Brasil, fazendo renascer as esperanças da torcida brasileira. Eis que, exatamente quando o time brasileiro precisava somar todas as forças, Nilton Santos, troca pontapés com o melhor jogador da Hungria em campo, Boszik. Os dois foram expulsos, com o selecionado brasileiro perdendo muito mais. Eram exatos 42 minutos do segundo tempo quando a Hungria fez outro gol, fechando o placar em 4 a 2. O selecionado brasileiro ainda perdeu outro jogador expulso: Humberto Tozzi, por jogo violento sem bola, contra o artilheiro Kocsis. Era a eliminação.

[img:home01_1_.jpg,full,vazio]
Húngaros vibram com vitória na “Batalha de Berna”

Quando o árbitro inglês encerrou a partida, começou uma confusão sem tamanho. Completamente descontrolado, Pinheiro deu uma garrafada na cabeça do craque Puskas que estava no banco dos reservas, mas levando outra no supercílio direito. Aí, aconteceu uma briga generalizada, todo mundo brigando contra todo mundo. No caminho dos vestiários, Zezé Moreyra acertou com uma chuteira o rosto do cartola adversário, o vice-ministro Gustavo Sebes, enquanto o então árbitro Mário Viana, forte como um touro, também entra na confusão, chamando Ellis de ladrão, sendo mais tarde, desligado da FIFA.

…………………………………………………………………………………………………………………

[img:bra_hun.jpg,full,vazio]

FICHA TÉCNICA
Jogo: Brasil 2 x 4 Hungria;
Local; Estádio Wankdorf, em Berna, na Suíça;
Árbitro: Arthur Edward Ellis, da Inglaterra;
Gols: 1 x 0 – Hidegkuti, aos 4; 2 x 0 – Kocsis, aos 7; 2 x 1 – Djalma Santos, aos 18, de Pênalti; 3 x 1 – Lántós, aos 53, de pênalti; 3 x 2 – Julinho, aos 65; 4 x 2 – Kocsis, aos 88.
[img:20px_Flag_of_Brazil.svg_1_.png,full,alinhar_esq_caixa] BRASIL: Castilho; Djalma Santos, Pinheiro, Nilton Santos e Bauer; Brandãozinho, Didi e Humberto Tozzi; Maurinho, Índio e Julinho. Técnico: Zezé Moreyra;

[img:hungria.jpg,full,alinhar_esq_caixa] HUNGRIA: Grosics; Buzánszky e Lántós; Bozsik, Loránt e Zakárias; Tóth e Kocsis; Hidegkuti, Czibor e József Tóth. Técnico: Gyula Mandi.

…………………………………………………………………………………………………………………

MAIS UMA VEZ O MELHOR NÃO VENCEU!!!

A poderosa “máquina húngara” faria mais uma vítima, goleando o selecionado do Uruguai por 4 a 2 nas semifinais, entrando favorita para a final contra a Alemanha, a quem tinha batido por 8 x 3 na primeira fase. Debaixo de muita chuva, logo no início da partida, os húngaros já ganhavam de dois a zero, tudo levando a crer que a história se repetiria contra os alemães.

Outra grande injustiça – Uma seleção habilidosa, que massacrou os adversários na fase inicial da competição, perdeu a Copa para um time limitado, mas guerreiro. Quatro anos depois do fracasso da seleção brasileira no Maracanã, a história se repetiu. Dessa vez, o “futebol-arte” da Hungria sucumbiu à força da Alemanha Ocidental.

A Copa de 1954 foi a primeira realizada na Europa desde 1938. E escolha da Suíça como sede obedeceu a razões políticas, uma vez que o país se manteve neutro durante a Segunda Guerra Mundial. A principal característica dessa Copa foi a bola na rede. Nada menos do que 140 gols foram marcados em 26 jogos (média de 5,4 por jogo, a maior até hoje).

[img:alemanhaxhungria54_1__1_2.jpg,full,vazio]
Mundial 1954 : Alemanha 3 x 2 Hungria. O dia que Alemanha parou “a Máquina”…

A Hungria, segunda colocada em 1938, era a franca favorita ao título. Campeã olímpica dois anos antes, a equipe estava invicta há 27 jogos até o início do torneio e contava com uma constelação de craques como Puskas, Kocsis e Czibor. Entretanto, na decisão, a Alemanha neutralizou o poder ofensivo húngaro e venceu a partida por 3 a 2, de virada. O resultado é considerado até hoje uma das maiores injustiças da história do futebol. Depois desse jogo, os húngaros nunca mais conseguiram formar uma seleção competitiva e fazer uma boa campanha. A história se repetia. Como em 1950, a equipe favorita perdia o título mundial, deixando, porém, para a posteridade, a imagem de uma das mais impressionantes seleções de futebol que o mundo esportivo já conheceu.

OS MÁGICOS MAGIARES

A Hungria desembarcou naquele Mundial com absoluto favoritismo. Vinha de ter conquistado a medalha de ouro nas Olimpíadas de 1952, em Helsinque, e estava invicta há quase cinco anos. Comandada por Puskas, estava fadada a fazer história na Copa. E fez, só que às avessas. Depois de massacrarem cada um de seus adversários – inclua-se aí o Brasil -, os húngaros, ou os mágicos magiares, acabaram esbarrando na força alemã e perderam por 3 x 2, em uma das maiores “zebras” da história dos Mundiais. Após a Copa, o “time de ouro”, como ficou conhecida aquela Seleção Húngara, se manteve mais um ano e meio invicto, vindo a perder novamente só no início de 1956.

[img:hungria1954_1__1.jpg,full,vazio]
Hungria 1954 : Grosics; Buzansky e Lantos; Bozsik, Lorant e Zakarias; Czibor, Kocsis, Hidegkuti, Puskas e Toth I. Técnico: Gusztav Sebes

Gusztav Sebes
O húngaro Gusztav Sebes foi o precursor do carrossel e da tese de que o jogador precisava ser multifuncional. No esquema tático da Hungria, havia uma rotatividade intensa dos jogadores de meio-campo e ataque, o que foi uma revolução para a época. O time envolvia o adversário. Para atingir a meta de correr o campo todo, a Hungria foi a primeira seleção a investir forte na preparação física. Gusztav Sebes tornou célebre uma frase: “Futebol é cabeça e pulmões”. Por essa determinação, a Hungria foi também a primeira seleção a fazer aquecimento antes dos jogos. Adotaram o 4-2-4, a príncipio, como alternativa defensiva ao comum esquema com 5 atacantes. Hoje em dia é considerada uma formação ofensiva.

O cérebro do time
[img:puskas_1_2.jpg,full,alinhar_esq_caixa] “Os adversários podem jogar melhor, mas a bola é redonda para todos.” O autor desta frase é Ferenc Puskas, o grande nome da Seleção Húngara de 1954. Quando disputou o Mundial, ele caminhava para ser um jogador veterano. Aos 27 anos, porém, já era um craque consagrado na Europa. No Mundial, Puskas jogou no sacrifício. Ficou de fora de duas partidas – entre elas, a “batalha de Berna”, como ficou conhecido o duelo contra o Brasil – e atuou sem condições na final contra a Alemanha. Sua presença no time, no entanto, era fundamental. Puskas não era apenas o cérebro, mas a alma do “time de ouro”.

Fontes:
www.jornalpequeno.com.br
www.sunrisemusics.com

DECISÕES POR PENALTIS EM COPAS DO MUNDO

A International Board estabeleceu que apartir da Copa de 1970 no México, os jogos nas fases eliminatórias teriam de ser decididas no caso de empate no tempo normal e na prorrogação de trinta minutos com tiros livres da marca do penalti, nas três Copas que se sucederam 70,74 e 78 não houve necessidade de algum jogo ser decidido desta maneira, apartir de 1982 com a dinâmica do futebol, as retrancas e até o equilibrio de seleções não deixamos de ter uma só Copa sem termos jogos decididos nas penalidades, até duas finais foram decididas desta forma, preparei um levantamento para os amigos sobre o tema:

08/07/1982 – SEMIFINAL DA COPA DA ESPANHA
ALEMANHA 1 X 1 FRANÇA
Nos Pênaltis a Alemanha venceu por 5 a 4.

21/06/1986 – QUARTAS DE FINAIS DA COPA DO MÉXICO
FRANÇA 1 X 1 BRASIL
Nos Pênaltis a França venceu por 4 a 3.

ALEMANHA 0 X 0 MÉXICO
Nos Pênaltis a Alemanha venceu por 4 a 1.

22/06/1986 – QUARTAS DE FINAIS DA COPA DP MÉXICO
BÉLGICA 1 X 1 ESPANHA
Nos Pênaltis a Bélgica venceu por 5 a 4.

25/06/1990 – OITAVAS DE FINAIS DA COPA DA ITÁLIA
IRLANDA 0 X 0 ROMÊNIA
Nos Pênaltis a Irlanda venceu por 5 a 4.

30/06/1990 – QUARTAS DE FINAIS DA COPA DA ITÁLIA
ARGENTINA 0 X 0 IUGOSLÁVIA
Nos Pênaltis a Argentina venceu por 3 a2.

03/07/1990 – SEMIFINAIS DA COPA DA ITÁLIA
ARGENTINA 1 X 1 ITÁLIA
Nos Pênaltis a Argentina venceu por 4 a 3.

04/07/1990 – SEMIFINAIS DA COPA DA ITÁLIA
ALEMANHA 1 X 1 INGLATERRA
Nos pênaltis a Alemanha venceu por 4 a 3.

05/07/1994 – OITAVAS DE FINAIS DA COPA DOS EUA
BULGÁRIA 1 X 1 MÉXICO
Nos Pênaltis a Bulgária venceu por 3 a 1.

10/07/1994 – QUARTAS DE FINAIS DA COPA DOS EUA
SUÉCIA 2 X 2 ROMÊNIA
Nos Pênaltis a Suécia venceu por 5 a 4.

17/07/1994 – FINAL DA COPA DOS EUA
BRASIL 0 X 0 ITÁLIA
Nos pênaltis o Brasil venceu por 3 a 2.

30/06/1998 – OITAVAS DE FINAIS DA COPA DA FRANÇA
ARGENTINA 2 X 2 INGLATERRA
Nos Pênaltis a Argentina venceu por 4 a 3.

03/07/1998 – QUARTAS DE FINAIS DA COPA DA FRANÇA
FRANÇA 0 X 0 ITÁLIA
Nos Pênaltis a França venceu por 4 a 3.

07/07/1998 – SEMIFINAL DA COPA DA FRANÇA
BRASIL 1 X 1 HOLANDA
Nos Pênaltis o Brasil venceu por 4 a 2.

16/06/2002 – OITAVAS DE FINAIS DA COPA CORÉIA/JAPÃO
ESPANHA 1 X 1 IRLANDA
Nos Pênaltis a Espanha venceu por 3 a 2.

22/06/2002 – QUARTAS DE FINAIS DA COPA CORÉIA/JAPÃO
CORÉIA DO SUL 0 X 0 ESPANHA
Nos Pênaltis a Coréia do Sul venceu por 5 a 3.

26/06/2006 – OITAVAS DE FINAIS DA COPA DA ALEMANHA
UCRÂNIA 0 X 0 SUIÇA
Nos Pênaltis a Ucrânia venceu por 3 a 0.

30/06/2006 – QUARTAS DE FINAIS DA COPA DA ALEMANHA
ALEMANHA 1 X 1 ARGENTINA
Nos Pênaltis a Alemanha venceu por 4 a 2.

01/07/2006 – QUARTAS DE FINAIS DA COPA DA ALEMANHA
PORTUGAL 0 X 0 INGLATERRA
Nos Pênaltis Portugal venceu por 3 a 1.

09/07/2006 – FINAL DA COPA DA ALEMANHA
ITÁLIA 1 X 1 FRANÇA
Nos Pênaltis a Itália venceu por 5 a 3.

TOTAL DE DISPUTAS = 20

FINAIS = 2 (1994/2006)

SEMIFINAIS = 4
QUARTAS DE FINAIS = 9
OITAVAS DE FINAIS = 5

ALEMANHA É A MAIS EFICIENTE A VELHA FRIEZA ALEMÃ É A CHAVE DO SUCESSO DOS GERMÂNICOS NA HORA DOS PENAIS, FORAM QUATRO DECISÕES NOS PENALTIS E QUATRO VITÓRIAS: 1982 – FRANÇA, 1986 – MÉXICO, 1990 – INGLATERRA E 2006 – ARGENTINA.

JÁ A INGLATERRA É A PIOR NA HORA DE ENCARAR OS PENAIS, OS INGLESES PARECEM OUVIR O SOM DO BIG BEM E FICAM ATORDOADOS, FORAM TRÊS DECISÕES E EM TODAS OS BRETÕES LEVAM A PIOR: 1990 – ALEMANHA, 1998 – ARGENTINA E 2006 PORTUGAL.

SCHUMACHER DA ALEMANHA E GOYCOECHEA DA ARGENTINA DEFENDERAM QUATRO PENAIS, SENDO QUE O ARGENTINO EM APENAS UM MUNDIAL EM 1990.

O BRASIL DISPUTOU TRÊS VEZES A SORTE NOS PENAIS, PERDEU PARA A FRANÇA EM 1986 E VENCEU A ITÁLIA NA FINAL DE 94 E A HOLANDA NA SEMIFINAL DA COPA DE 98.

RICARDO GOLEIRO DE PORTUGAL DEFENDEU TRÊS PENALIDADES NUMA MESMA DECISÃO, EM 2006 CONTRA A INGLATERRA.

A ITÁLIA PERDEU POR TRÊS VEZES SEGUIDAS NO CALCIO DEL RIGGORI, EM 1990 PARA A ARGENTINA, 1994 – BRASIL E 1998 – FRANÇA, O TRAUMA SÓ FOI SUPERADO NA ÚLTIMA COPA E NA FINAL CONTRA A FRANÇA EM 2006.

A FRANÇA EM QUATRO DECISÕES TEM UM EQUILIBRIO DUAS VITÓRIAS, 1986 – BRASIL E 1998 – ITÁLIA E DUAS DERROTAS EM 1982 – ALEMANHA E 2006 – ITÁLIA.

ALIÁS FRANÇA E ITÁLIA TEM O TOMA LÁ DA CÁ DOS PENAIS EM COPAS, A FRANÇA LEVOU EM 98 CONTRA OS ITALIANOS E A ITÁLIA LEVOU EM 2006 CONTRA OS FRANCESES.

ALEMANHA, ARGENTINA, FRANÇA E ITÁLIA SÃO COM QUATRO DECISÕES AS SELEÇÕES QUE MAIS DECIDIRAM POR PENALIDADES EM COPAS DO MUNDO.

AS COPAS DE 1990 NA ITÁLIA, A DE 2006 NA ALEMANHA SÃO AS RECORDISTAS COM QUATRO DECISÕES.

Pesquisa: A História de todas as Copas de Orlando Duarte
Texto e Pesquisa: Galdino Silva

5 DE JULHO DE 1982! A SEGUNDA MAIOR TRAGÉDIA DO FUTEBOL BRASILEIRO

Existem três derrotas no futebol brasileiro que até hoje é difícil de ser digerida por uma grande quantidade de brasileiros de todas as idades:

1ª A derrota para o Uruguai na final da Copa de 1950
2ª A derrota para a Itália na Copa da Espanha em 1982
3ª A derrota para a França na final da Copa de 1998

No dia 05 de Julho de 1982, na cidade de Barcelona na Espanha no acanhado estádio de Sarriá que pertencia ao Espanyol segunda equipe da cidade da região da Catalunha, por um mero detalhe aquele grupo que seria também o grupo da morte naquela segunda fase de mundial teve a presença de Argentina campeã mundial em 1978, Brasil tricampeão do mundo e a Itália bicampeã mundial, por ficarem em segundo lugar em seus grupos na primeira fase Argentina e Itália caíram no grupo do Brasil, mais não era nada demais afinal tínhamos a melhor seleção, o melhor ataque, a equipe dava verdadeiras aulas de futebol arte, encantava não somente no mundial mais desde das eliminatórias quando passou sem problemas por Venezuela e Bolívia e ter vencido três gigantes da Europa em amistosos.

Brasil 1 x 0 Inglaterra em Wembley
Brasil 3 x 1 França em Paris
Brasil 2 x 1 Alemanha Ocidental em Stuttgart

No inicio de 1982 a Seleção iniciou a sua preparação dando um baile na Alemanha Oriental em Natal e depois voltou a vencer a Alemanha Ocidental no Maracanã por 1 a 0 com um gol de Junior, um empate contra o ferrolho suíço no Recife não abalou a confiança do torcedor brasileiro e na despedida do país no último amistoso na cidade de Uberlândia um baile comandado por Falcão na goleada de 7 a 0 sobre a Republica da Irlanda, então mais favoritismo impossível somente a Argentina de Maradona poderia fazer frente e olhe lá contava o Brasil com uma verdadeira constelação de craques em todos os setores da equipe: Leandro na lateral direita, Junior na lateral esquerda, uma zaga de categoria Oscar e Luisinho, dois volantes que eram meias disfarçados de volantes, Cerezo e Falcão, um cérebro um doutor mesmo na meia Sócrates, Zico meia armador meia atacante um gênio e Eder na ponta esquerda, destoava apenas o goleiro Waldir Peres e o atacante Serginho, ouve alguns contra tempos com as contusões de Reinaldo e Careca este último já na fase preparatória, no banco tinha Carlos para o gol, Edinho para a zaga, Batista e Paulo Isidoro, o veterano Dirceu e Roberto Dinamite, era mais que uma equipe era monstruosa a super equipe brasileira. Porém na primeira partida contra a URSS o time começou bem mais nada do gol sair devido a excepcional partida do goleiro Dasajev que pega tudo, um frango do goleiro Waldir Peres, um pênalti de Luisinho em Bessonov que o Castillo não marcou, nesta partida o Brasil não contou com Cerezo suspenso pelas eliminatórias, com Dirceu em campo e não rendendo o que podia no intervalo Paulo Isidoro entra e o time melhora o sufoco é grande e graças a dois golaços de fora da área de Sócrates e Eder a primeira vitória e o país respira aliviado, depois duas goleadas com verdadeiros shows de Zico e Eder contra a Escócia, Zico e Falcão contra a Nova Zelândia, primeiro lugar carimbado ataque fabuloso dez gols em três jogos, apesar da chave ninguém imaginaria que aquele time não seguisse a passos largos rumo ao tetracampeonato do mundo, a Itália passou no sufoco sem vencer ninguém e no saldo de gols numa chave com Camarões, Peru e Polônia, foram três empates, já a Argentina surpreendida pela Bélgica na estréia mais duas vitórias diante a Hungria e El Salvador deram os portenhos o segundo lugar no seu grupo, de camarote o Brasil assistiu “ será “ a vitória surpreendente dos italianos por 2 a 1 contra os argentinos, no dia 02 de julho, o Brasil entra em campo para enfrentar os seus maiores rivais, era o terceiro jogo seguido em mundiais entre ambos o Brasil não perdia para a Argentina fazia doze anos, los hermanos precisando a vitória e com Diego Maradona devendo muito em seu primeiro mundial não foi páreo para o time de Telê e vitória com baile de samba na grande vitória por 3 a 1, o Brasil com um gol a mais de saldo que os italianos, dono da melhor campanha de toda copa, seu ataque em quatro jogos marcando treze gols, sua defesa somente vazada apenas três vezes, cada jogo um espetáculo a seleção brasileira daquele ano era comparada a seleção de 58 e 70, a Hungria de 54 e a Holanda de 74, dia 05 de julho ao meio dia horário de Brasília as equipes entram em campo, jogando pelo empate um simples empate mais aquele time jogava pra frente não atuava pelo regulamento, a vitória era o que importava, mais aquele jogo começou de maneira estranha o jogo esta meio amarrado, Leandro e Junior não se soltavam com facilidade e justamente numa fracassada tentativa de subida de Leandro a Itália ataca Cabrini cruza e Paolo Rossi dá inicio a segunda maior tragédia do nosso futebol, o jogo se desenrola aos poucos o Brasil impõe seu ritmo os italianos marcam, apertam, soltam as botinadas, Zico tem a camisa rasgada por Gentile, Serginho perde gol e atrapalha a finalização de Zico, Paolo Rossi marcou aos 8’ e o Brasil com Sócrates empatou aos 12’ o jogo segue com o Brasil tentando o segundo gol e a Itália atrás na espreita como uma hiena na moita Il bambino volta a marcar numa falha do meio campo ele intercepta uma passe de Cerezo e marca na saída de Waldir Peres, ainda no primeiro tempo o Brasil teve chances de empatar e não consegue, começa o segundo tempo e como uma avalanche o Brasil vem com tudo em busca do gol da classificação com Bergomi no lugar de Collovati desde o primeiro tempo a Itália se segura como pode, Zoff segue pegando tudo, mais o time brasileiro não cria muito devido a forte marcação italiana, Gentile praticamente anula Zico, as jogadas pelos flacos com Junior e Leandro não sai, até que se aproveitando deste detalhe Cerezo e Falcão tramam uma jogada sensacional, Cerezo atrai a marcação caindo pelo lado direito, Falcão domina ameaça tocar e puxa para a entrada a ara e fuzila o gol de Zoff, golaço festa no Sarriá festa na Espanha, festa no Brasil festa no mundo todo eram 23’minutos do segundo tempo, porém seis minutos depois ele novamente Paolo Rossi se aproveita de nova bobeira e marca novamente, eram 34’minutos dava e como dava para aquele time dava sim o time se lança a todo o ataque a Itália se tranca como pode fazendo um verdadeiro testugo “ tartaruga em latim “ era como os romanos se defendiam dos ataques dos arqueiros inimigos, a aflição toma conta o tempo via passando, os dos auxiliares ainda dão uma força ao Brasil, anulando o quarto gol da Itália marcado por Antognoni que não houve, se fosse Paolo Rossi ele não marcaria será? Os minutos finais foram dramáticos, 45’minutos bola na área italiana o zagueiro Oscar sobe soberano testa firme no canto a torcida se levanta em todo o mundo seria o gol da classificação! Não Zoff o quarentão goleiro da squadra azurra segura a bola quase que em cima da linha aquele foi o ultimo detalhe daquele jogo, após o lance o arbitro Klein encerra o jogo, festa do lado italiano, superação , honra, jogadores sem falar com a mídia italiana, festejam eles não teriam comprado as passagens de volta, eles seguiram rumo ao campeonato, aqueles dois jogos contra os dois maiores papões do futebol era a vergonha na cara daqueles jogadores, do outro lado a face da derrota configurada pela foto de um garoto chorando no estádio Sarriá, o time saiu de pé, mais cambaleando, desfigurado pela tristeza de uma derrota que ninguém no universo poderia imaginar que poderia acontecer e o Brasil teve a sua segunda maior tragédia no futebol, mais aquele time deixou na memória de quem viu jogar a imagem da alegria, da cumplicidade de todos em dar show, brindar o torcedor com belas jogadas, belos gols, tabelinhas e etc, naquela seleção apenas Falcão e Dirceu jogavam fora, depois do mundial Edinho, Zico, Junior, Sócrates, Batista e Cerezo foram jogar no novo futebol tricampeão do mundo, eles voltaram a se juntar três anos depois para levar o Brasil a mais uma Copa conseguiram mais um ano depois contusões e a idade não deixaram o show continuar.

Edinho zagueiro reserva em 82 quando esteve aqui treinando o Vitória me disse que toda vez que ele que defendia a Udinese, olha para ele e ria e fazia com os dedos os números de gols daquele dia, o mesmo ele fazia toda vez que enfrentava Falcão, Junior, Zico, Dirceu, Sócrates e Batista, ao voltar ao Brasil para jogar no Flamengo, Edinho disse que uma vez retornou a Itália e estava num restaurante quando o garçom se dirige a ele e pede para olhar a mesa ao lado, lá estava ele Il Bambino fazendo o sinal que o marcará por sua vida os três gols que marcou naquele dia 05 de julho de 1982.

Texto: Galdino Silva