Fotos do Icaraí FC (Niterói-RJ), campeão municipal e estadual

O Icaraí Futebol Clube, de Niterói, passou feito um cometa pelo futebol fluminense. Fundado em janeiro de 1940 por iniciativa dos diretores do Hotel Balneário Casino Icarahy, a equipe logo contratou craques veteranos do futebol carioca como Clóvis, Possato, Válter, Jaguarão e Oscarino (esse último com passagem mais marcante no futebol fluminense, apelidado de “Herói de Niterói”).

O “Clube do Cassino”, como era conhecido, estreou no campeonato niteroiense em 1941 substituindo o Canto do Rio (que entrou para o Campeonato Carioca – depois o Cantusca criaria um time “B” para as disputas de Niterói). Conquistou, na sequência, o Torneio Início, o Campeonato de Niterói e se classificou para o Campeonato Fluminense, onde passou pelo Esperança de Nova Friburgo (vitórias por 1 a 0 fora e 6 a 1 em casa), Royal de Barra do Piraí (vitória por 8 a 2 em casa, empate de 5 a 5 fora e desistência do Royal no jogo extra) e Ypiranga de Macaé na final (1-0 fora e 7-1 em casa). Título invicto, humilhando todos os rivais em casa (onde fez 21 gols em três jogos!!).

Ainda em 1941, convidou o Canto do Rio para um amistoso e venceu com facilidade por 2 a 0 – provocando comentários de que o Icaraí deveria ter sido o escolhido para representar a cidade no Campeonato Carioca.
Em 1942 o clube foi bi do Torneio Início, bi niteroiense e no estadual foi eliminado por um regulamento bizarro: empatou duas vezes com o Esperança de Friburgo e foi desclassificado por ter tido o menor público em casa (???). Nesse mesmo ano enfrentou a equipe de amadores do Botafogo, campeão carioca da categoria (onde aplicava sonoras goleadas nos adversários), e perdeu por apertados 1 a 0.

Em 1943 o Icaraí perdeu o Torneio Início, mas conquistou o tri do Campeonato Niteroiense e na sequência o seu segundo título estadual. A campanha: dois empates com o Barra Mansa (e vitória na prorrogação por 1 a 0), duas vitórias sobre o Frigorífico de Mendes, um empate e uma vitória sobre o Cascatinha de Petrópolis e na final contra o Goytacaz, quatro jogos emocionantes: vitória por 3 a 2 no Caio Martins, derrota por 2 a 1 em Campos, empate em 2 a 2 em Campos, prorrogação sem definição nesta, e na quarta partida, em Caio Martins, vitória por 1 a 0.

Em 1944 o Icaraí, pela primeira vez, não levantou um único título. O Fluminense Atlético venceu tanto o Torneio Início quanto o Campeonato Niteroiense.

Em 1945, com a aposentadoria de muitos “cracks” e discussões internas do Casino sobre os custos com o time (que, na prática, era profissional) o clube se licenciou do campeonato. E as chances de retorno foram sepultadas em 1946 com a proibição de jogos de azar no Brasil e o fechamento do Hotel Balneário Casino Icaraí (e consequentemente do Icaraí Futebol Clube).

O departamento de esportes da Cia Fluminense de Diversões (nome real da empresa que administrava o complexo Balneário / Hotel / Casino e o clube) chegou a organizar um outro clube, chamado Olímpico Clube de Niterói, mas voltado para esportes de quadra.

A foto abaixo é do Icaraí que conquistou o estadual de 1941. Os jogos foram todos realizados em 1942, e o Icaraí já está com o uniforme desta temporada (listrado vermelho e branco com calções pretos). O uniforme de 1941 era camisa branca, com escudo alvirubro e calções pretos e uniforme reserva idêntico ao do América FC do Rio.

 

Já a foto abaixo é da equipe campeã de Niterói em 1942.

Times posados do SC Abolição e SC Opposição (RJ)

Ainda falando de clubes da Federação Athletica Suburbana, ótimas fotos dos grandes rivais Opposição e Abolição. Reparem que um time segura a bandeira do outro. Essa foto também é boa por nos apresentar um escudo melhor do Opposição do que o desenho que era publicado nas páginas de “O Radical”.

Abolição (segurando bandeira do Opposição):

Opposição (segurando bandeira do Abolição):

Escudos de clubes da Federação Athletica Suburbana (RJ) – Magno, Abolição, Opposição, Central, Argentino, Adélia, Engenho de Dentro e Del Castilho

Às vezes “milagres” acontecem. Pesquisando um jornal menos conhecido, chamado “O Radical” (RJ), encontrei vários escudos nos anos de 1936 e 1937. Entre eles um que eu (e quase todo pesquisador do RJ que conheço) era doido para achar: o MAGNO Futebol Clube, de Madureira, grande rival do Fidalgo e que QUASE fez parte de uma fusão que resultaria no atual Madureira. Mas como nada é perfeito, em 1938 os escudos (fora dos grandes cariocas) parecem sumir – justamente quando o SC Ideal (outro que sou doido para encontrar) começa a participar. Caso alguém queira se aventurar nesse jornal e achar o Ideal (vai até os anos 40), todo o meu apoio…

Não vetorizei nenhum escudo, apenas peguei os do jornal e pintei com as cores equivalentes. O emblema da Federação Athletica Suburbana está em preto e branco pois desconheço as cores da entidade. Algumas observações sobre os clubes:

Adélia FC – apelidado de “Os Carijós”, tinha uniforme listrado preto e branco. Desconheço se ainda existe, acredito que esteja extinto há muito tempo.

SC Opposição – os “camisas rubras” eram os maiores rivals do SC Abolição. Há alguns anos passei em frente ao clube, ainda existia. Fica na Avenida Suburbana, não sei se aquele trecho é Abolição ou Piedade.

Magno FC – o clube era apelidado de “Os Mulatinhos Azuis”. Sua sede era próxima à Estação Magno, em Madureira. Era grande rival do Fidalgo. Em 1934 Magno e Fidalgo se fundiriam num clube só, chamado Madureira AC, de cores azul (do Magno), roxa (do Fidalgo) e branca (comum a ambos). Contudo, o Magno “pulou fora” da fusão, mas o Fidalgo, sozinho, tocou o projeto, mudou de nome para Madureira AC e adotou as citadas cores. (lembrando que na década de 70 o Madureira AC se juntou com outros clubes locais, virou Madureira EC e adotou as cores atuais).

Del Castilho FC – de camisas rubras, o Del Castilho existiu no mínimo até a década de 90. Segundo Raymundo Quadros, sua sede abandonada foi destruída em meados da década de 2000.

SC Abolição – O Abolição surgiu da fusão do Vasquinho FC, do Engenho de Dentro, e do SC Agryppus. Suas cores eram azul, preto e branco. Considerando que o Vasquinho era alvinegro, sempre suspeitei que o Agryppus fosse azul e branco, mas o Sérgio Mello descobriu que este também era alvinegro – ou seja, o azul do Abolição foi escolhido por outros motivos. Seu apelido era “Os Milionários, e o uniforme azul com faixa diagonal branca e calções negros.

Engenho de Dentro AC – os “Fantasmas Azuis” ainda existem, com uma modesta sede. É importante ressaltar que suas cores eram azul MARINHO e branco, e não um azul mais claro.

Argentino FC – os alvianis de Cascadura, tinham uniforme idêntico ao da seleção argentina (por que será? hehehe). A sede do clube era na Avenida Suburbana. Não sei quando o clube acabou, mas já li notícias sobre o mesmo até os anos 60. Já li seus estatutos, e sua bandeira é descrita como branca com debrum azul e escudo no centro. O debrum são as “bordas” da bandeira, explicando melhor.

CA Central – Achar esse escudo também me satisfez, pois eu tinha a descrição do mesmo nos estatutos, mas ela era tão vaga (escudo listrado verde e branco com iniciais e bola marrom) que nunca pude desenhá-lo. Os estatutos do “Clube dos Ferroviários” ainda descreviam seu uniforme (titular branco, reserva verde) e bandeira (semelhante a bandeira nacional, com campo verde, losango branco e esfera marrom, imitando uma bola de futebol, com iniciais em branco sobre esta).

Jogo Histórico – Portuguesa(RJ) x Filhos de Iguaçu(RJ)

AA PORTUGUESA (RIO DE JANEIRO-RJ)

4

SC FILHOS DE IGUAÇU (NOVA IGUAÇU-RJ)

2

DATA: 09 de fevereiro de 1936 LOCAL: Nova Iguaçu – RJ
JUIZ: CARÁTER: Amistoso Nacional
GOLS: Cebinho (2), Cabo 25 e Nelson – Aderbal e Wilson
PORTUGUESA(RJ): Veloso; Ludovico e Magalhães; Alö, Carlos e Orlando; Pascoal, China, Gallego, Cebinho e Cabo 25.
FILHOS DE IGUAÇU(RJ): Beleza; Rogerio e Cazaro; Olavo, Edmundo e Taninho; Wilson, Jarbas, Marcola, Eloi e Aderbal.

Esporte Clube Independente – Campo Bom (RS): Existiu entre 1943-49

O Esporte Clube Independente foi uma agremiação do Município de Campo Bom (RS). Após uma crise administrativa, gerada entre a setor esportivo SC 15 de Novembro com a parte social. Assim, o clube, que acabou abandonou a Liga, passando a disputar apenas amistosos até 1943.

Time de 1947

Nesse mesmo ano (1943), Sport Club 15 de Novembro, entrou em crise e acabou rompendo com a Sociedade Concórdia (clube social, ao qual se havia fusionado em 1917). Além disso, a agremiação mudou o nome para Esporte Clube Independente, alterou as cores (passando a ser alvinegro), e, de quebra, se filiou na Liga Leopoldense de Esportes Atlético (LLEA). Com essa nova estrutura participou do Campeonato do Interior contra o Grêmio Sportivo Sipla.

O EC Independente existiu por mais seis anos até que em 1949, o  clube voltou a se chamar Esporte Clube 15 de Novembro, retomando as cores originais (verde, amarelo e vermelho), contudo com um distintivo um pouco diferente.

 

Time de 1946

 

Fontes: Jornal Correio de São Leopoldo – Jornal 5 de Abril – Diário de Notícias – Correio do Povo – Site do Clube – Arquivo Pessoal

Clube 15 de Novembro – Campo Bom (RS): Fundado em 1911

O Clube 15 de Novembro é uma agremiação do Município de Campo Bom (População        de 60.081 habitantes, segundo IBGE de2010), que fica a 57 km da capital Porto Alegre (RS). Fundado no dia 15 de novembro de 1911, como Sport Club 15 de Novembro, por operários da primeira indústria de calçados de Campo Bom, a Vetter & Irmãos.

Time de 1911-15

Os primeiros jogos do clube ocorriam em um potreiro no Morro das Pulgas, nos fundos da fábrica dos irmãos Vetter. O primeiro time do 15 de Novembro era formado pelos jogadores: Juvenal Soares, Carlos Blos, Osvaldo von Reisswitz, Gustavo Blos, Vergílio Feltes, Alfredo Blos, Oscar Vetter, Franz Appol, Edmundo Ermel, Alvício Lauer e Lulu Schaeffer.

No dia 17 de novembro de 1912, foi inaugurada a bandeira do clube, havendo a realização de uma partida amistosa com o Sport Club Colombo de Porto Alegre, que venceu pelo placar de 5 a 1.  Frequentemente o clube realizava amistosos contra as demais equipes locais no campo que pertencia a São Leopoldo até 1959.

Seus principais adversários eram SC Rio Grandense e EC Oriente, ambos de Campo Bom; SC Novo Hamburgo, FBC Esperança, SC Ypiranga, Grêmio Sp.Hamburguez, FBC Municipal, SC Progresso e SC Guarany todos de Novo Hamburgo, Sapyranga FBC e FBC Avante de Sapiranga, Estância Velha FBC, SC União de Estância Velha, SC Tiradentes de Dois Irmãos.

Time de 1933

Mesmo tendo recebido diversos convites, somente em 1934 o SC 15 de Novembro  ingressou na Liga, curiosamente na cidade vizinha, em Novo Hamburgo: A.H.E.A. (Associação Hamburguesa de Esportes Atléticos), onde começou disputando o Campeonato Citadino da 2ª Divisão.

 Surge o Esporte Clube Independente

A experiência não foi bem sucedida e o clube abandonou a Liga ainda em 1934, passando a disputar apenas amistosos até 1943. Nesse mesmo ano, Sport Club 15 de Novembro, entrou em crise e acabou rompendo com a Sociedade Concórdia (clube social, ao qual se havia fusionado em 1917). Além disso, a agremiação mudou o nome para Esporte Clube Independente, alterou as cores (passando a ser alvinegro), e, de quebra, se filiou na Liga Leopoldense de Esportes Atlético (LLEA). Com essa nova estrutura participou do Campeonato do Interior contra o FBC Esteio.

O EC Independente existiu por mais seis anos até que em 1949, o  clube voltou a se chamar Esporte Clube 15 de Novembro, retomando as cores originais (verde, amarelo e vermelho), contudo com um distintivo um pouco diferente. Disputou o Campeonato Citadino de São Leopoldo até a emancipação do município de Campo Bom. Nos anos 60 voltou a usar o escudo no estilo original.

Time de 1953

Fontes: Jornal Correio de São Leopoldo – Jornal 5 de Abril – Diário de Notícias – Correio do Povo – Site do Clube – Arquivo Pessoal

O primeiro título do Auto Esporte Clube

O Auto Esporte Clube foi um clube brasileiro de futebol, da cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas. Como bem destaca o nome, era chamado de time dos motorizados, uma vez que nasceu dentro da classe e que teve como seus maiores lutadores, os desportistas Antônio Lourenço Marques e Odorico Andrade. Uniforme amarelo-ouro com a gola e punhos verde, calções também verde e escudo de águia no peito. Tinha o de número dois com as mesmas cores, mas em grossas listras, amarelo ao centro e verde nas laterais. Fundado no início da década de 50, ingressou na primeira divisão do futebol amazonense, em 1955, na época da Federação Amazonense de Desportos Atléticos (FADA), após participar de alguns Campeonatos da Segunda Categoria.

Ao subir à primeira divisão, ainda se praticava o futebol amador e um período em que se atravessava uma crise muito grande, principalmente por falta de público no estádio do Parque. Um dos fatores era atribuído aos movimentados campeonatos nos subúrbios, como por exemplo, no campo do Hore, no Plano Inclinado ou no Estádio General Osório, do hoje Colégio Militar, com bons jogos aos sábados e aos domingo à tarde e de graça.

Cláudio Coelho, antigo ídolo do Rio Negro, acabara de dar quatro títulos seguidos ao América dos irmãos Teixeira (Artur e Amadeu), resolveu ajudar o Auto Esporte e com ele foram quase todos os jogadores do seu antigo clube, como Guarda, Clemente, Juarez Souza Cruz, Brás Gioia, Hélcio Peixoto, Gordinho, Osmar, Mário Matos e Nicolau.

Auto Esporte de 1957: Em pé, o técnico Cláudio Coelho, Manteiga, Valdér, Claudinho (filho do técnico), Mário China,
Waldir Santos e Borges. Agachados: Totinha, Pratinha, Gordinho, Nonato e Hugo

PRIMEIRO TÍTULO

O Auto tornou-se a maior potência do futebol local, tanto que no ano seguinte, 1956, conquistava seu primeiro título na divisão principal.

Coroado no primeiro turno, após decidir com o Fast. No segundo turno, o Nacional estava na frente. No jogo final do campeonato, uma vitória do Auto, por 3 a 1, com muitos jogadores expulsos de campo: Jaime Basílio do Nacional, Gatinho e Nicolau, do Auto Esporte e logo a seguir, expulsões de Dadá e Boanerges, do Nacional.

Outro jogo foi marcado para decidir o título. O Auto venceu por 1 a 0, já no mês de abril de 1957, com um gol de penalidade máxima cobrada pelo zagueiro Clemente Iberê. Pior para o Nacional que nesse mesmo jogo Adamor e Nelson Pereira desperdiçaram uma penalidade máxima cada.

O time base era formado por Vicente, Guarda e Gatinho; Juarez Souza Cruz, (Jaime Basílio), Gilberto e Brás Gioia; Sílvio (Gildo), Gordinho, Osmar, Sandoval e Nicolau, mas ainda participaram da campanha, o goleiro Osman, Ruy, Mário Matos, Anacleto, Clemente e Moacir.

O atacante Osmar (Ferreira Vieira), vindo do município de Óbidos, foi o terceiro goleador do campeonato com 15 gols.

O Auto Esporte Clube teve nove participações na 1ª divisão do estadual: de 1955 a 1963 (último ano do amadorismo) e dois títulos de Campeão Estadual da 1ª divisão: em 1956 e 1959.

Fonte: http://www.bauvelho.com.br/