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Caio Martins, um ‘gigante’ adormecido em Niterói

A história do futebol de Niterói, rica na revelação de atletas e jogos memoráveis, perdeu, há anos, uma de suas principais referências. Construído no “coração” de Icaraí, na Zona Sul da cidade, o estádio Caio Martins, ou Mestre Ziza, inaugurado na década de 1940, quem diria, virou uma espécie de “gigante” adormecido aos 74 anos de existência, completados no último dia 20, sem nenhuma comemoração.

Inaugurado em julho de 1941 junto com o ginásio poliesportivo e um parque aquático, o campo não recebe jogos oficiais de futebol desde 2004.

Atualmente, o estádio que pertence ao Governo do Estado, está cedido ao Botafogo através de um termo de concessão, desde 1988, com prazo de término em 2023. No mês passado, o clube iniciou uma tímida reforma, com vistas a uma possível utilização no Campeonato Carioca de 2016. A intervenção para a melhoria, é na realidade, uma espécie de ‘sopro’ de esperança para o histórico campo, quase vendido, no fim do ano retrasado à construtoras, interessadas em erguer no local um condomínio de apartamentos e um shopping. São dias de incerteza que nada lembram o “glamour” do passado de glórias.

Serie de futebol 29 500 FOTOS DO CANÓDROMO DO CAIO MARTINS foto DIV FAN
Campo era usado para exposições e corridas

Palco de partidas de várias edições de campeonatos estaduais, competições nacionais, e até da Seleção Brasileira, o campo, hoje, é utilizado pelo Botafogo apenas para treinos das divisões de base. Por causa dessa situação, o local por onde desfilaram craques de primeira grandeza do futebol brasileiro, passou os últimos anos vazio.

Para o presidente da Liga Niteroiense de Desportos (LND), Vanir Ferreira da Silva, o Dado, a concessão ao Botafogo é nociva aos clubes da cidade filiados à entidade, uma vez que a exclusividade dada ao Botafogo impede que equipes locais ou de regiões vizinhas possam realizar partidas no campo de Icaraí.

“É um contraste com a bela história que se construiu no futebol a partir do surgimento do estádio”, afirmou. Não são apenas os clubes de Niterói que gostariam de jogar em Icaraí. Em setembro do ano passado, duas equipes de São Gonçalo chegavam à final da 3ª Divisão estadual. Já classificados para a 2ª Divisão, Gonçalense e São Gonçalo Futebol Clube tiveram que disputar o título no Estádio do América, em Edson Passos, na Baixada Fluminense, bem longe de suas torcidas.

Serie de futebol 29 500 CONSTRUÇÃO DO COMPLEXO ESPORTIVO foto DIV Fan
Década de 1940: operários trabalham na construção

Em 2015, para a participarem da Segundona, as duas equipes enfrentaram o mesmo problema: foram obrigadas a jogar a competição fora de casa e a pagar aluguéis para essa finalidade. O vereador niteroiense Luiz Carlos de Freitas Gallo, que é ex-jogador profissional de futebol e faz do esporte uma das “bandeiras” de trabalho, manteve, nos últimos anos, uma autêntica “queda de braço” com o governo do estado e com o Botafogo em prol da revitalização do imóvel e formas de utilização, principalmente do campo, pelas equipes locais.

Gallo, que já foi administrador do Complexo do Caio Martins entre 1992 e 1996, diz que existem meios de manter o campo, após o fim da concessão ao clube alvinegro, através de novas parcerias. O vereador pretende, nos próximos dias, reapresentar em plenário o projeto que prevê o tombamento do estádio para que ele possa, num futuro breve, ser preservado não apenas como um patrimônio do esporte, mas também da história de Niterói.

Vasco venceu ‘Cantusca’ na partida inaugural: 3 a 1
Vasco venceu ‘Cantusca’ na partida inaugural: 3 a 1

Venda – No fim do ano retrasado, Gallo liderou um movimento em defesa da manutenção do estádio. Na época, o governo do estado estudava a possibilidade de negociá-la à iniciativa privada, o que acabou não ocorrendo, a partir da mobilização dos vereadores de Niterói e do Ministério Público Estadual.

“A municipalização seria a melhor forma de garantir a preservação daquele prédio histórico, estimular a prática do futebol e o surgimento de novos atletas”, declarou o vereador. A Assessoria de Imprensa da Suderj informou que o Botafogo, por deter a concessão desse local, em regime de comodato, é o responsável pela manutenção.

Serie de Futebol 29 500 FOTO CAIO MARTINS COM PISTA DE ATLETISMO foto FAN
Na década de 1970, já com a pista olímpica

Na semana passada, o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, e o secretário estadual de Esporte e Lazer, Marco Antônio Cabral, fizeram reunião para acertar detalhes de uma possível utilização do estádio na disputa do Campeonato Carioca de 2016.

A direção do Botafogo busca, através da reabertura, uma alternativa em função da futura perda temporária do Estádio Nilton Santos, no Engenho de Dentro, do qual também tem concessão, e do Maracanã, ambos no Rio, por causa das Olimpíadas de 2016, cujos organizadores exigem exclusividade desses locais a partir de janeiro.

A tarefa, no entanto, não será das mais fáceis, já que existem também, na Justiça, ações de moradores contrárias à utilização do estádio, por causa de assaltos, furtos de veículos e brigas, engarrafamentos, entre outros motivos.

Campo não recebe um jogo oficial desde 2004

Muitas diferenças separam o Estádio Caio Martins do Complexo Esportivo – que inclui um ginásio poliesportivo e um parque aquático. No Estádio, a falta de manutenção do campo e do espaço físico nos arredores da área de jogo, até meados de junho, contrastou muito com o visual no restante do Complexo, que está bem cuidado e sem nenhuma pichação.

A sujeira deixada por vândalos existe do lado de fora de todos os muros do estádio. Até o mês passado, o problema mais grave estava na Rua Presidente João Pessoa, onde as paredes externas estavam tomadas por mato, do tipo ‘trepadeira’, que se espalhavam pelas calçadas, dificultando a passagem de pedestres. Mas o problema foi resolvido com a poda do mato e pintura de algumas partes.

A parte do estádio será administrada pelo Botafogo até 2023
A parte do estádio será administrada pelo Botafogo até 2023

Memória – No início de 2003, o Caio Martins chegou a passar por uma grande reforma para receber jogos do Botafogo pelo Campeonato Brasileiro da Série B. Com ampliação das arquibancadas, a capacidade de público foi aumentada para 15 mil pessoas, divididas entre arquibancadas de concreto e tubulares, cadeiras vips e camarotes. Importante na campanha que levou o clube de volta à Série A, o Caio Martins foi apelidado de ‘Caldeirão’ pela torcida alvinegra.

Um dos mais modernos painéis eletrônicos do Estado do Rio de Janeiro na época foi instalado no estádio. Mas em 2005, no entanto, as obras foram desfeitas. A última partida oficial no estadio ocorreu em 12 de dezembro de 2004, quando o Botafogo perdeu para o Corinthians por 2 a 1.

Escoteiro herói deu nome ao estádio

O escoteiro-herói Caio Viana Martins, morto em acidente de trem, deu nome ao estádio
O escoteiro-herói Caio Viana Martins, morto em acidente de trem, deu nome ao estádio

O Caio Martins foi inaugurado em 1941, atendendo ao desejo do então governador Ernâni do Amaral Peixoto, que queria que jogos do Campeonato Carioca fossem realizados em Niterói, a antiga capital Fluminense. No local existia um ‘canódromo’, onde aconteciam exposições e corridas de cães, e parte da estrutura das arquibancadas foram aproveitadas.

A escolha foi feita em função da boa localização para o acesso das torcidas do Rio, Niterói e cidades vizinhas. A partida inaugural aconteceu em 20 de julho daquele mesmo ano, e reuniu as equipes do Canto do Rio e do Vasco, pelo segundo turno do Campeonato Carioca.

O jogo tinha estímulo especial para a equipe niteroiense, que ganhava ‘casa própria’ para sediar seus jogos. Nas edições anteriores, o time alvianil, por não possuir campo oficial, tinha que jogar na capital (nas Laranjeiras, no estádio do Fluminense; no Andaraí, do América, e na Rua Ferre, do Bangu).

O jogo inaugural era também a chance do ‘Cantusca’ se reabilitar da goleada por 5 a 0 sofrida no primeiro turno, em São Januário. O Vasco jogou com Chiquinho, Jaú e Florindo; Figliola, Dacunto e Argemiro; Armandinho, Alfredo I, Villadoniga (Carlos Leite), Gonzalez e Orlando. Já o Canto do Rio entrou em campo com Valter, Draga e Degas; Vicentini, Portela e Canalli; Álvaro, Bocão, Geraldino, Beressi e Cussatti.

O gol inaugural foi do vascaíno Armandinho. Beressi empatou e Carlos Leite, que substituiu Villadoniga, fez o segundo para o Vasco, com Orlando fechando o placar para os cariocas em 3 a 1, diante de um público de mais de 10 mil pessoas.

Origens – Situado em área nobre da cidade, o estádio recebeu inicialmente, o nome do escoteiro Caio Viana Martins, que ficou conhecido nacionalmente por um ato heróico durante um grave acidente de trem na cidade mineira de Barbacena em 1938, que teve 40 mortos e dezenas de feridos, entre eles o próprio adolescente, aos 15 anos.

Caio, que mesmo ferido, ajudou os bombeiros e achou que outras pessoas precisavam de socorro mais do que ele, preferiu caminhar por quilômetros até o hospital. O esforço foi determinante para decretar sua morte, por hemorragia interna.

Além de Caio Martins, o outro homenageado na história do estádio foi Zizinho, craque do Flamengo popularmente conhecido como Mestre Ziza. Mas até hoje, os botafoguenses o tratam como Caio Martins, pelo fato de o jogador ter sido ídolo do clube rival e não do alvinegro.

O acidente de trem em Barbacena-MG
O acidente de trem em Barbacena-MG

FONTE:  Jornal O São Gonçalo – Ari Lopes e Sérgio Soares

FOTO: Fundação de Arte de Niterói

Estádio Assad Abdalla, no Bairro do Barreto, em Niterói (RJ): ‘Palco’ de dribles de Zizinho está abandonado

Grandiosa abertura do Campeonato municipal de 1960

Por Ari Lopes, Sérgio Soares e Gustavo Aguiar

A história da Rua Doutor March, nº 196, que interliga vários bairros de São Gonçalo ao Barreto, em Niterói, é marcada por episódios memoráveis no futebol. Não apenas por estar numa região onde foram criados alguns dos principais clubes das duas cidade, mas também por ter sido endereço de um campo que, durante anos, mobilizou milhares de torcedores e foi palco de grandes jogos, tendo como mandantes o Byron, o Manufatora e ADN (Associação Desportiva Niterói ), entre as décadas de 1920 e 1980.

Já como estádio, pertencente à Companhia de Tecidos Manufatora Fluminense, a ‘arena’ Assad Abadalla, foi fundada em 1955, com capacidade para 3 mil espectadores, e recebeu partidas durante quase 30 anos, entre as décadas de 1955 e 1980, até ser literalmente “engolida” pelo mato, quando a empresa acabou com o time de futebol e fechou as portas, encerrando uma história de glórias e partidas memoráveis, como jogos contra o Flamengo e seleção juvenil do Kwait.

 

Vista aérea do campo, no Barreto
Vista aérea do campo, no Barreto

 

 

Hoje, quem passa pelo local jamais imagina que ali havia uma grande praça de esportes, que teve a “pedra fundamental” lançada pela primeira diretoria do extinto Byron. Os diretores dessa agremiação criaram o clube no Barreto em 21 de outubro de 1913, e decidiram fazer ali, não apenas a sede, mas um campo de futebol que atendesse às necessidades da equipe.

Foi feita uma parceria com a diretoria da Manufatora, que cedeu a área vizinha à empresa para a construção do campo e também jogadores – funcionários da fábrica. A parceria deu certo. A conquista do primeiro Campeonato Fluminense veio poucos anos depois, em 1917. Segundo registros da Liga Niteroiense de Futebol, o feito se repetiu em 1922, 1924 e 1925, nas chamadas modalidades ainda amadoras.

Em uma época em que o “bicho” já começava a se tornar prática comum no futebol, com a profissionalização das primeiras equipes, o Byron, com generosas colaborações dadas pelos diretores da empresa, conseguiu levantar outras duas taças, em 1928 e 1934.

Flamengo em Niterói – Curiosamente, o primeiro grande clube carioca a pisar no gramado do Barreto foi o Flamengo, por causa da contratação de um jogador que viria, anos mais tarde, a se tornar o primeiro “gênio da bola” brasileiro em âmbito mundial: o gonçalense Zizinho, ou Thomáz Soares da Silva, seu nome de batismo. O próprio jogador, então atleta do Byron, conta como foi sua transferência na autobiografia “Verdades e Mentiras do Futebol”, lançada em de 2000, dois anos antes da sua morte, em decorrência de um infarto, em Niterói.

Zizinho havia sido suspenso por um mês do Byron por conta de uma confusão no chamado “Clássico da Zona Norte”, disputado contra o arqui-rival Barreto, no campeonato de Niterói. Para neutralizar a suspensão e acelerar a ida do jogador, o time rubro-negro, com jogadores famosos, como o goleiro Yustrich, Domingos, Valido e Leonidas da Silva, atravessou a baía e jogou na Rua Doutor March, no fim de 1939.

 

Um dos times da década de 1960, ainda com nome da Manufatora
Um dos times da década de 1960, ainda com nome da Manufatora

 

 

Nos relatos de seu livro, Zizinho revela que a partida foi memorável, e graças à grande atuação do goleiro do Byron, Leônidas, terminou empatada em 0 a 0. Nesta partida, já com a camisa do Flamengo, Zizinho iniciou sua história no clube da Gávea, segundo ele mesmo revelou no livro.

O outro jogo aconteceu em dezembro de 1962, quando o estádio, já com alambrados e arquibancadas, recebia jogos de divisões intermediárias do estado. Naquele amistoso, o Fla veio com um time misto, formado por Ivan, Bolero, Ananias, Carlos, Alberto, Gilberto, Juarez, Aílton, Roberto, Jurandir Veloso e José Mauro, segundo o jornal ‘O Fluminense”.
Em julho de 1980, a seleção do Qatar, treinada por Evaristo Macedo, em excursão no Rio, chegou a marcar jogo com time local, mas a partida foi cancelada. Nessa mesma época, a seleção juvenil do Kwait treinou com o time local.

Campo virou ‘arena’ Assad Abdalla a partir da década de 1950

Ao mesmo tempo que ganhou fama de ter revelado Zizinho, o Byron passou a ser ameaçado por causa da vontade dos diretores da fábrica em ter o próprio clube, a partir do final da década de 1940. Por causa do “racha”, o caso foi parar na Justiça e o Byron acabou despejado da área em que havia erguido o campo de futebol e a sede. Tudo ficou com o Manufatora, que anos mais tarde, passou a elaborar o projeto para a construção do estádio.

Os diretores da fábrica se estruturaram até o ano de 1955 para iniciar a construção do estádio, segundo informações da ‘Revista Manufatora’, que circulava com uma espécie de “boletim” interno da empresa e trazia notícias variadas. Em reportagens nas páginas 6, 7 e 8 da edição do final de ano de 1954, existem fotos da terraplanagem do terreno para a construção de muros e alambrados. O estádio foi inaugurado no dia 24 de junho de 1955, com uma grande festa, que contou com a presença do governador Miguel Couto Filho.

 

Em 1954, diretoria da fábrica começou a transformar o campo do Barreto em um estádio
Em 1954, diretoria da fábrica começou a transformar o campo do Barreto em um estádio

 

 

O estádio levou o nome do ex-presidente Assad Abdalla, um dos que defendiam a autonomia própria no futebol. O Manufatora usou o campo para o mando de seus jogos na conquista do Campeonato Niteroiense de 1958. O então ‘badalado’campo servia para equipes locais e também sediava jogos do Campeonato Estadual, que reunia equipes do interior fluminense.

Jogos memoráveis – Lá, por exemplo, foi realizada a final do campeonato municipal de São Gonçalo em 1973, entre o Porto da Pedra e o Clube Mauá, partida vencida pelo ‘Tigre’ por um a zero. Quando o Manufatora chegou à elite e virou Associação Desportiva Niterói (ADN), em 1980, para disputar o Campeonato Carioca, além do campo, havia área social e até instalações que funcionavam como concentração.

Após dois rebaixamentos, a empresa fechou as portas e acabou com o time e o campo, em 1983. Hoje só restam ruínas e um denso matagal que toma conta do local, tornado-o irreconhecível para quem viveu naquela época.

Encontro inesquecível e muitas lembranças

 

Ex-jogadores foram à Rua Doutor March para relembrar o passado
Ex-jogadores foram à Rua Doutor March para relembrar o passado

 

 

Muito embora, hoje, seja mato, abandono e ruínas, o Estádio Assad Abdalla permanece ainda vivo na memória de ex-atletas e moradores da região que, em domingos já distantes na história, viveram ali emocionantes momentos.

Em encontro promovido por O SÃO GONÇALO, alguns desses ex-jogadores recordaram e se divertiram com episódios e situações de uma época em que o Manufatora marcou época no futebol fluminense.

 

Laudelino ainda tem carteira
Laudelino ainda tem carteira

 

 

O ex-centroavante Aílton Ferreira da Silva, o Tinho, recordou alguns de seus gols marcados com a camisa do clube fabril, em meados de 1960. “Apesar de pequeno, sempre fui goleador. Lembro-me de um gol em que, após finalização do Joel, nosso meio-campista, que tinha um chute forte e certeiro, a bola, involuntariamente acertou minha testa. Fiquei meio tonto, mas aumentei o placar”, se diverte.

Ora lateral, ora ponta esquerda, Laudelino Siqueira, de 66 anos, relembra das partidas em jogou, ainda no infanto, ao lado do meia Lulinha, sua maior lembrança.

Da base para o futebol da Europa, Jeremias é grato

Entre os talentos revelados pelo Manufatora, talvez Jorge da Silva Pereira, o Jeremias, hoje com 66 anos, seja o ‘filho’ mais ilustre. A carreira meteórica, encerrada precocemente aos 30 anos, em 1980, em virtude de uma lesão pubiana, não impediu seu sucesso: além de defender o clube niteroiense, “Jerê”, envergou as camisas do América-RJ, Fluminense, Vitória de Guimarães-POR e Espanyol-ESP e Vitória de Setúbal-POR.

Hoje, Jeremias coordena uma escolinha de futebol no Combinado Cinco de Julho, no Barreto, em Niterói. O ex-atacante, que em 1973 conquistou o Campeonato Carioca pelo Tricolor das Laranjeiras, enfrentou grandes nomes do futebol internacional, como Cruyff, Del Bosque e Eusébio, no tempo em que viveu na Europa. “Tenho saudades dos tempos antigos, desse clube que me revelou”, contou.

 

 

 

Jeremias fez sucesso na Europa
Jeremias fez sucesso na EuropaFONTE:  Jornal O São Gonçalo – Ari Lopes, Sérgio Soares e Gustavo Aguiar
FOTOS: Fundação de Arte de Niterói

Foto de 1983: Clube Atlético Taquaritinga – Taquaritinga (SP)

Em 1942 o clube nascia tricolor, inspirado nas cores da bandeira da Itália, almejando promover o esporte na região, tão quanto elevar o nome da cidade no cenário futebolístico. Todavia, como à época o Brasil estava em campanha na II Guerra Mundial do lado oposto aos italianos, legalmente italianos e descendentes não podiam integrar altos escalões e fundar clubes de reunião. Assim, avisado pela Secretaria de Segurança do Estado, fora obrigado a alterar o branco original de suas cores pelo preto, talvez sinal de luto pela afronta. Surgia assim uma combinação de cores única em todo o país.

Até 1954 o clube permaneceu disputando os certames regionais do Campeonato Paulista do Interior. Em pouco tempo tornou-se um clube assíduo da Segunda Divisão de Profissionais. Em revés, do final dos anos sessenta ao início dos setenta, permaneceu licenciado, somente voltando à Terceira Divisão em 1974, e em um período de inconstância (do time e do número de divisões do campeonato estadual) chegou a frequentar a Quarta Divisão. A volta por cima iniciou-se em 1981com o acesso à Segunda Divisão, culminando com o título estadual, deste nível, no ano seguinte. Enfim, em 1983, após 41 anos de sua fundação o clube alcançava a elite do futebol paulista.

O estádio

O título conquistado da segunda divisão do Campeonato Paulista de Futebol assegurava uma vaga entre os melhores clubes do Estado na 1ª Divisão de Profissionais. Contudo, a cidade não possuía um estádio condizível com os padrões e normas requeridos para aquela competição. Aconteceu então o fato mais significativo de toda a história do clube, e talvez do município. A população se mobilizou de tal forma, que em três meses, algo que estava fora do alcance e impedindo a realização de um sonho, enfim concretizou-se tornando o desejo dos cidadãos possível. O mutirão ergueu para a Prefeitura o Estádio Adail Nunes da Silva – no coração de todos os Cateanos, Taquarão.

O jogo amistoso de inauguração contou com um visitante ilustre, o Cruzeiro de Minas Gerais. Casa cheia, a partida ficou gravada para sempre na alma do povo taquaritinguense e na placa honorífica estampada na entrada do Estádio até os dias de hoje.

Títulos

Estaduais

Outras conquistas

FONTES & FOTO: Blog do clube – Revista Placar

Ribeirão Pires Futebol Clube – Ribeirão Pires (SP)

O Ribeirão Pires Futebol Clube, da cidade do mesmo nome, foi fundado na data de 8 de julho de 1911.

Sua sede está estabelecida na Avenida Brasil número 330. no Centro de Ribeirão Pires.

A primeira diretoria do clube foi assim constituída:

  • Presidente José Laurito;
  • Vice-presidente Arcanjo Boareto;
  • Secretário João Duarte Jr.;
  • Vice-secretário Francisco Carpinelli;
  • Capitão Roberto Zimmerman;
  • CobradorJosé Fortes;
  • Fiscais de Campo Antonio Grecco, Arcá Prisco e Jacondino Carcillo.

As primeiras sedes foram provisórias, em imóveis cedidos por integrantes da diretoria. Em 1936 o clube comprou um terreno na Avenida Santo André (atual Conteto) e foi iniciada a construção da sua primeira sede social própria, inaugurada no dia 20 de janeiro de 1940. Nos primeiros anos da década de 40, as atividades consistiam em reuniões dançantes e futebol, no campo ao lado do Moinho da rua Major Cardim.

Em 1947 foi comprado do Sr. João Ugliengo uma área de 30 mil metros quadrados para a construção da praça de esportes, atual área do RPFC. Na década de 50 foi iniciada a campanha para a construção do Estádio Felício Laurito, inaugurado em 1956 com um jogo entre Palmeiras e RPFC, com vitória do alviverde do Parque Antárctica por 4 a 2. O Ginásio de Esportes, que recebeu o nome do seu fundador, João Domingues de Oliveira, foi inaugurado quatro anos depois. A partir de 1960 foram iniciadas várias obras, como a primeira piscina, vestiários, futura sede social e outras dependências.

O Ribeirão Pires Futebol Clube é hoje o mais antigo clube em atividade na região do ABC.

FONTES: A Gazeta, site do clube, livro “Os Esquecidos – Arquivos do Futebol Paulista, da Editora Datatoro, de autoria de Rodolfo Kussarev.

Álbum “Varzeana Paulista”, anos 50/60: Lausanne Paulista Futebol Clube – Bairro: Lausanne Paulista – Zona Norte – São Paulo-SP

 

O Lausanne Paulista Futebol Clube, do Bairro do mesmo nome, situado na Zona Norte da capital paulistana, foi fundado na data de 20 de março de 1927.

Jovens dissidentes do então Pedreira Futebol Clube, capitaneados pelo saudoso Francisco Gaboni e Arquimedes Mateuchi, se reuniram na casa de Francisco Gaboni para tratarem da fundação de um novo clube.

Presentes estavam Serafim Valente, Alfredo de Souza, Ernesto Bandini, Eduardo Bandini, Pedro e José Gaboni.

Nessa reunião, às 21 horas, do dia 20 de março de 1927, determinou-se a fundação do Lausanne Paulista Futebol Clube.

 

Na década de 30, marcada por grandes conquistas esportivas, e pela proximidade da Serra da Cantareira, ganhou o apelido de “Tigre da Cantareira”.

 

O time que impunha respeito.

Uma das formações que alegrava os lausannenses.

Da esquerda para a direita: Edmundo, Zé Português, Silvio Ravelli, Albano.

Abaixados: Joaquim, Mesquita, Jorginho, Waldemar e Vivaldo.

 

No ano de 1962, O Lausanne Paulista Futebol Clube inaugurou sua sede própria e também sua Praça de Esportes denominada Alberto Savoy.

 

 

 

Hino do Lausanne Paulista Futebol Clube

Letra: Francisco Beloni

Música: Galilei Limoni

 

Lausannense, tu és uma glória

A lutar por uma raça no esporte

Sempre, sempre almejando a vitória

A luzir haverá uma estrela

Na várzea sempre hão de conhecê-la

No fulgor esportivo a brilhar

Em defesa do ideal a luta

 

Para frente, portanto, confiando

A jogar, a vencer, a sorrir

Uma vez a peleja atirando

Levarás a vitória ao porvir

Indo sempre, se impondo a conquista

Será sempre o glorioso vencedor

Tendo sempre por lema o amor

A legenda Lausanne Paulista

 

Falarão então, Lausanne, agremiação altaneira

Com orgulho e com ardor, oh! Tigre da Cantareira

 

Especiais agradecimentos a Waldevir Bernardo.

 

 

Fontes:

A História do Tigre da Cantareira – Edição histórica ilustrada dos 75 anos do Lausanne Paulista F.C.;

Álbum de figurinhas “Varzeana Paulista” dos anos 50/60;

Fotos google.

Fotos Raras, dos anos 50 a 70: Estádios brasileiros

Estádio Machadão (RN) em construção

 

Ilha do Retiro (PE), no final dos anos 60.

 

Estádio Presidente Vargas, o PV, em Fortaleza, 1972

 

Mais fotos de outros estádios brasileiros, basta entrar no link: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=766584

 

FONTE: Skyscrapercity