O FUTEBOL NO BAIRRO DE VILA PRUDENTE – SÃO PAULO – CAPITAL

Em 1911 foi fundada a primeira agremiação de Vila Prudente: União de Vila Prudente FC, cujo principal esporte era o futebol e o seu campo era na Praça Irmãos Falchi. Os jogos eram realizados aos sábados á tarde, pois aos domingos havia missa campal na Capela de Santo Emidio. Aos sábados á noite ainda por volta de 1912 havia uma casa muito grande, um sítio localizado onde hoje é a Rua Américo Vespucci com a Rua Fidelis Papini e que era de propriedade de Giusepe Cadurini que realizava em um salão, bailes, brincadeiras e jogos aos sábados. Havia também um bilhar que era atração aos domingos depois da missa até à noite.

 A Companhia Cerâmica também tinha seu quadro de futebol e as atividades sociais também se intensificavam. O nome do clube era Flor da Vila FC e sua sede era na Rua Ibitirama (na época Estrada de São Caetano ) e este clube era formado pelos dissidentes do Oriente que falaremos adiante. Seu uniforme era de calções brancos, camisas brancas com golas verdes. Mais tarde, por volta de 1918 aos sábados haviam bailes na sede  social. Criaram um departamento dentro do clube para assistir às famílias daqueles que sem muito recurso precisavam de ajuda, mesmo que fossem pessoas ligadas ou não à empresa. Seu campo de futebol ficava na Quinta das Paineiras e possuíam sua sede com jogos de mesa e também um corpo teatral, que mensalmente encenavam espetáculos artísticos muito bons. Este clube funcionou até 1916,  quando então foi arrebanhado pelo Capelifício Crespi  que também falaremos adiante. Dentre os participantes mais ativos deste clube encontravam-se os irmãos Jaime e Pedro Ugatti, Ângelo Gardini, Carlos iezzi, João Manetti, José Pirraça e outros.

Na época como dissemos atrás, existia um clube, o primeiro do bairro, o União de Vila Prudente FC , que, com o advento da manufatura se desfez e seu pessoal pedindo participação da empresa na ajuda da construção de um novo clube, em 1914 surge o Oriente FC. O contentamento é geral. O povo desfrutava de boas horas de lazer, muito esporte, futebol à vontade com o campo em frente da fabrica na Praça Irmãos Falchi, uma quadra de bola ao cesto e animadíssimas festas sociais com bailes, shows de marionetes, bons espetáculos de teatro, conjunto musical, banda de música e muitos convescotes para os mais diversos lugares de São Paulo e do Litoral. Este realmente pode se considerado o primeiro grande clube do bairro, que marcou época pelas realizações sempre marcantes na vida social da comunidade.

O fundador do Oriente FC foi o Sr Paulino Del Nero que também foi seu primeiro presidente. A sede social do clube estava na Rua Cavalheiro Pamphilio Falchi hoje Rua Carlos Muller,na esquina da Rua Indaiá (atual). Na época de guerra, o Oriente perdeu seu campo devido às manobras que se faziam, principalmente os cavalos que ficavam no local trazidos pelos soldados. Provisoriamente montaram outro campo, na Rua Cavour que foi gentilmente cedido por Dona Luiz Ugatti Lucio a “ Gijona” e assim durante muito tempo aquele campo ficou conhecido como “Campo da Gijona. Mais tarde construíram um novo campo na área do Mato do Caetano ( atual Quinta das Paineiras), na confluência das Ruas atuais Maria Daffré, Igaratá e Pindamonhangaba. Neste local permaneceu até 1928 com o arruamento da Quinta das Paineiras, o campo foi transferido para a Rua da Paz ( atual R Coelho Neto) onde ficou ate 1934. O uniforme era composto de camisas brancas com golas e punhos vermelhos, os calções brancos e meias vermelhas e havia um outro uniforme que era listrado e nas mesmas cores. O primeiro técnico foi o sr Ângelo Barbagalo, o massagista era o Sr Francisco Corsato e o juiz era o Sr José Dirola.

Pelo Oriente passaram grandes craques do futebol daqueles tempos. Era hábito, quando de disputas importantes ‘ laçar” jogadores da divisão especial, para reforçar seus quadros, pois todos eram amadores e assim sendo o reforço era necessário em dias de jogos importantes ou em comemorações de grande estilo, não como menosprezo pelos jogadores mas pela “ raça” de poder ganhar o jogo, o que era sempre motivo de grande festa, com repercussão até no centro de São Paulo e nos grandes clubes de São Paulo. Vários jogadores passaram pelo Oriente como : Pinheiro do Palestra; Amílcar do Corinthians ; Lagreca do Palestra ; Fritoli do Internacional; Rueda do Paulistano ; e outros. Mas também ótimos jogadores de Vila Prudente e que faziam o Oriente terem seus nomes gravados na fama foram; Caetano Saluti, Mario Predomo, Vital Predomo, Mario Capucci, Vicente Peres ( foi do Corinthians), Antonio Sartori, Izaltino Xavier, Aquiles Lombardi, Raul Pierroti, Vitorino Chiereghim, Gabriel dos Santos, José Daidone, Antonio Corsato ‘ tonhão”, Francisco Corsato “chicão”, Juio Vilches, Fernando Rago ‘ Firna”, Orlando Rago e Armando Rago ‘ mandú” e muitos outros.

Homenagem especial seja feita a um jogador que levou o nome de Vila Prudente para o mundo inteiro, até à Europa; que levou no peito o nome Brasil e o defendeu com garra e voracidade. Assim dizia um repórter da época , em reportagem no jornal A Gazeta Esportiva :

– ‘ … na mansidão de seu terno olhar,naquele todo sereno e pacífico, naquele falar suave está um craque: bíceps taurino, a vivacidade de um gato montês, a força de um leão em fúria, a inteligência de um pensador lúcido e tilado. O ás que cada vez tinha seu nome mais discutido e para receber nova consagração de ardentes louvadores. Exaltado sempre como o protótipo do jogador que sabia transmitir ventura e satisfação aos que torcia pelo clube em que atuava. Sabia ser invencivelmente um dominador.

Tinha aversão pela estática, pelo fácil comodismo, e assim sempre dava a uma partida um sentimento enorme de mobilidade, de destreza de vida. Ele conduzia a bola com a correção e a elegância dos que sabem controlar emeritamente. Passava como um corisco por uma defesa. E estabelecia pânico com os goleiros que tinham a desdita de enfrenta -lo. Marcava tantos que ficaram nos capítulos mais memoráveis da história do futebol brasileiro. Seu nome não deverá ser esquecido jamais ALEXANDRE DE MARIA , o grande jogador de Vila Prudente”.  

E assim foi, o nome de Alexandre de Maria, nascido em Vila Prudente, morador de Vila Prudente foi contratado pelo Lazio di Roma, jogou depois em Copas Mundiais dando maior calor e alegria aos seus admiradores.

 

MAIS CLUBES:

EXCELSIOR FC – Este clube teve duração muito curta, mas marcou época e foi muito conhecido em São Paulo, pois o seu comandante o engenheiro Ettore Ximenez, o escultor que erigiu o Monumento do ipiranga era sue fundador benemérito. Possuindo seu atelier e fundição na Praça Irmãos Falchi ( atual Veiga Cabral) esquina com a Rua Cananéia, os muitos operários que lá trabalhavam, tinham seu lazer través deste clube. Jogavam no campo que tinha o nome “ Luiz Napolitano” como era conhecido o sr Luiz Ambrosio, responsável por numerosa família. Sua localização hoje, seria onde está atualmente localizada a Praça Santa Helena no Parque de Vila Prudente. As cores de seu uniforme eram calções pretos e camisas brancas. O clube vencia pela simpatia. Possuía um departamento feminino que confeccionava os estandartes e flâmulas para os torcedores. Desapareceu em 1924 logo que o Monumento do Ipiranga ficou pronto.

GRÊMIO JARDIM INDEPENDÊNCIA – Esse era o clube do sr Francisco Fernandes “ Chico” e que futuramente foi-lhe dado o nome de uma praça no local ( Praça Francisco Fernandes, mais conhecida como o lugar da “ venda do chico”). Seu campo era defronte do armazém que havia no local e fazia parte da liga de futebol amador da capital.

EC PARQUE DE VILA PRUDENTE – Esse clube tinha a sua sede na Avenida Parque de Vila Prudente ( atual Rua  Jose dos Reis). Seu primeiro presidente e fundador foi o sr Francisco Falconi, político muito ativo do bairro. Seu irmão Antonio Falconi era seu braço forte nas lutas de crescimento do clube.

EC VILA EMA – Esse era o clube do sr Alfredo Magalhães e do Sr Vicente Paulela. O campo de futebol situava-se onde hoje é o centro de Vila Ema, perto das famosas barreiras. Sua vida foi muito curta e não ajudou muito na constituição de fatores positivos para a comunidade.

INDUSTRIAL PAULISTA FC – BÚFALO AC –  A Companhia Industrial de Papeis e Papelão Búfalo, fundou sua agremiação com seu campo dentro dos terrenos da empresa e sua sede social mais tarde, depois de realizar campanha com livro de ouro na comunidade, era na Rua Cavour esquina com Rua Conde Barbielini ( atual Ettore Ximenes). O clube em 1954 conquistou o prêmio de Galo da Várzea e Galo de Ouro, premio este que depois de acirrados jogos com todos os clubes varzeanos da capital, torna-se campeão e Vila Prudente fica ainda mais conhecida depois dessa vitória. O Búfalo AC teve como seu primeiro dirigente o sr Idílio Bertolassi. A torcida era a maior que havia depois de encerrada as atividades do Capelifício Crespi. Era conhecido por todos os clubes como o Galo da Várzea Paulista.

EC QUINTA DAS PAINEIRAS – Seu fundador foi o Professor Adriano Francisco Genovesi, que residiu muitos anos no local que dava nome ao clube. Por ser uma pessoa de íntegra confiança e honestidade, com respeitabilidade ele levou o clube para todas as partes de São Paulo. Todos admiravam pela liderança que exercia.

COMERCIAL FC – Essa associação desportiva fundada em 1926 pelo sr Boaventura Hernandez, tinha sua sede no começo da estrada de Vila Ema, quase esquina com a Rua Cavour. Em sua sede os bailes semanais, os grandes jogos de futebol onde o Comercial era sempre o campeão esperado, com uma bela torcida e sempre muito grande, sempre afoita e muito divertida nos campos, onde cantavam para alegrar os jogadores. Era chamado o clube-artista da várzea.

OUTROS CLUBES:

1 . FLAMENGO F C

2 . SANTOS OKINAWA E C

3 . BATOTA F C

4 . CANANEIA E C

5 . ÁS DE OUROS F C

6 . ITAMARATY F C

7 . CRISTOVÃO COLOMBO F C

8 . FLOR DA VILA F C

9 . INDEPENDÊNCIA F C

10. A R VASCO DA GAMA

11. NACIONAL A C

12. VILA LIBANEZA E C

13. PALMEIRAS DE VILA PRUDENTE F C

14. RECIFE E.C.

15. CORINTHIANS DE VILA LIBANEZA E C

16. ÁS DE ESPADAS F C

17. JUVENIL FLOR DA QUINTA F C

18. TOPA TUDO E.C.

 

FONTE: extraído da revista

O BAIRRO DE VILA PRUDENTE – SUA HISTÓRIA

Autor: Mário Ronco Filho

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