Saudades de um bom meio de campo

Um time precisa ter padrão de jogo, conjunto e um esquema definido. Hoje , mais do que nunca no futebol profissional, vencer é mais do que um objetivo é uma necessidade para sobreviver. Para um técnico de futebol , definições táticas estão atreladas a um intenso preparo físico da equipe e a dimensão tática tem se refletido na colocação de 4 ou 5 jogadores no meio de campo, dando especial atenção àqueles de marcação, de contenção.
Este humilde preâmbulo vem de encontro à lembrança que tenho dos grandes jogadores de meio de campo dos diversos times do Brasil pelos anos 60 , 70 e alguns dos anos 80.
Sem querer esgotar a grande quantidade de craques que passaram por nossos campos, comecei a relacionar num pedaço de papel alguns jogadores que vi jogar a partir de 1962. Evidente que esquecerei de muitos e uma ou outra posição pode estar invertida.
Relacionei apenas duplas para o meio de campo, não entrei no mérito se o esquema era 4-3-3, 4-4-2 ou 4-2-4.
Para cada dupla um breve relato sobre um jogador

PALMEIRAS
1-Zequinha e Chinesinho.
Chinesinho foi decisivo na conquista do Supercampeonato Paulista pelo Palmeiras em 1959, quebrando um jejum de quase nove anos. O Palmeiras derrotou o Santos por 2 a 1, de virada, no Pacaembu. Os gols foram de Julinho e Romero. Do Palmeiras, Chinesinho foi para o Modena, da Itália. Com o dinheiro de sua venda a equipe verde reformou o Parque Antártica e construiu o atual Jardim Suspenso.
2-Dudu e Ademir da Guia
Ademir foi um dos mais geniais meios-campistas do futebol brasileiro em todos os tempos. Assim como o pai, ele começou a carreira no Bangu e foi contratado pelo Palmeiras em 1961. Herdou o apelido do pai, “Divino”, e brilhou no Parque Antártica até 1977, quando encerrou a carreira.
3-Cesar Sampaio e Rincon
Nascido em Buenaventura, Colômbia, em 14 de agosto de 1966, Freddy Eusébio Gustavo Rincón Valencia, conhecido como Rincón, foi um grande jogador de futebol. Volante e meia, começou a carreira no Atlético Buenaventura, passando depois por Independiente de Santa Fé, América de Cali, Palmeiras, Napoli, Real Madrid, Santos e Corinthians.

SANTOS
1-Zito e Mengálvio
Nascido no dia 17 de dezembro de 1939, em Laguna (SC), Mengálvio começou a carreira de jogador na equipe do Aimoré, da cidade de São Leopoldo (RS), no final dos anos 50. Jogando pela modesta equipe, o meio-campista foi vice-campeão estadual. Contratado pelo Santos, em 1960, ele formou uma das mais famosas linhas de ataque do futebol mundial: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Pelo Peixe, Mengálvio, que sabia atuar na meia e também como volante, conquistou vários títulos.
2-Ze Mario e Ailton Lira
Nascido no dia 19 de fevereiro de 1951, em Araras (SP), Lira fez parte do time santista campeão paulista em 1978, na época dos “Meninos da Vila”. Além do Peixe, Aílton Lira jogou na Ponte Preta, na Caldense (MG), no São Paulo, no Al Nassr (Arábia Saudita), Guarani, União São João (SP), Comercial (SP), Portuguesa Santista (SP), Itumbiara (GO) e Guará (DF).

SÃO PAULO
1-Edson e Gerson
Nascido no Rio de Janeiro no dia 20 de junho de 1943, Édson Cegonha começou no Bonsucesso (RJ). Chegou ao Corinthians em 1963 e ficou no Parque São Jorge até 1969. Atuou ao lado de jogadores como Rivellino, Tales, Flávio Minuano e Paulo Borges. O período era difícil. O Corinthians não conseguia superar o Santos de Pelé e também vivia um jejum de títulos que durava desde 1954.
Mesmo assim, Édson, que era volante e foi deslocado algumas vezes para a lateral-esquerda (chegou a estar na lista dos 40 jogadores para a Copa do Mundo de 1966), fez boas partidas com a camisa alvinegra. Ao todo foram 186 jogos (110 vitórias, 37 empates e 39 derrotas) e 17 gols (fonte: Almanaque do Corinthians – Celso Unzelte).
Deixou o Corinthians para jogar o São Paulo, clube pelo qual foi bicampeão paulista: 1970/71. Assim como no Corinthians, Édson Cegonha se destacou com a camisa tricolor, num time que contava ainda com Toninho Guerreiro, Terto, Gérson, Roberto Dias, entre outros. Jogou 205 vezes pelo São Paulo (106 vitórias, 51 empates e 48 derrotas) e marcou 16 gols (fonte: Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa).
Para fechar o trio de ferro, em 1973 o versátil jogador se transferiu para o Palmeiras. Fez parte de bons times alviverdes. Ficou no Palestra Itália até 1975. Foram 80 partidas (45 vitórias, 20 empates e 15 derrotas) e três gols

CORINTHIANS
1-Tião e Rivelino
Tião, que jogou também no Guarani e no Juventus, ficou marcado como fiel escudeiro de Rivelino ao defender o Timão de 1968 a 1975. O volante disputou 363 jogos e marcou 13 gols com a camisa alvinegra (fonte: Almanaque do Corinthians – Celso Unzelte).O jogo da vida de Tião foi Corinthians 4×3 Palmeiras, no Morumbi, em 71. Na ocasião, Tião marcou um dos gols da histórica virada corintiana sobre o arqui-rival. Os outros gols do Corinthians foram marcados por Mirandinha (2) e Adãozinho. César Maluco (2) e Leivinha fizeram para o Verdão.
O jogo foi no dia 25 de abril de 1971, numa tarde gelada de domingo de 8 graus no Morumbi. O técnico Francisco Sarno escalou: Ado, Zé Maria, Sadi, Luis Carlos Gálter, Pedrinho, Tião, Rivellino, Lindóia depois Natal, Samarone depois Adãozinho, Mirandinha e Peri. Apitou Armando Marques, que expulsou Leivinha e Rivellino.

2-Biro Biro e Sócrates
O pernambucano, nascido no dia 18 de maio de 1959, começou a carreira no Sport Recife e se transferiu para o Corinthians em 1978. Na época, o folclórico presidente corintiano Vicente Matheus o anunciou como Lero-Lero, o que provocou enorme gozação.
Dentro de campo, Biro-Biro não brincou em serviço e jogando um futebol muito sério conquistou os torcedores do Timão, que o elegeram como símbolo da equipe. Se Sócrates, Palhinha, Zenon, eram os talentos da equipe, Biro-Biro figurava como um jogador importante na marcação e muito disciplinado taticamente.
Graças aos fãs corintianos, elegeu-se vereador em São Paulo, em 1988. No ano seguinte, deixou o Parque São Jorge para jogar na Lusa, onde não brilhou. Também atuou no Guarani e Remo, antes de encerrar a carreira.

PORTUGUESA
1-Pampolini e Nair
Pampolini foi contemporâneo de Manga, Nilton Santos, Chicão, Cacá, Zé Maria, Paulistinha, Zé Carlos, Neivaldo, Édson, Airton Povil, Elton, Garrincha, Amarildo, Quarentinha, Zagalo, Paulo Valentim, e tanta gente boa que, brilhantemente, defendeu o Botafogo. Pampolini, 347 jogos e 27 gols (1955 a 1962).
Em 1962, deixou o Glorioso e foi defender a Portuguesa de Desportos, então dirigida pelo saudoso Aimoré Moreira. Na Lusa, Pampolini sagrou-se vice-campeão paulista de 1964 jogando ao lado de Félix, Orlando Gato Preto, Jair Marinho, Wilson Pereira, Henrique Pereira, Wilson Silva, Edilson, Ditão, Almir, Dida, Ivair, Henrique Frade, Sílvio Major, Nair e Édson, também ex-Botafogo.
Na Lusa, Pampolini jogou até 1968, quando encerrou sua carreira. Defendeu outras duas equipes por rápidos empréstimos, enquanto tinha o passe preso à Lusa do Canindé: em 1965, jogou pelo Atlético-MG, e em 1966, pelo Taubaté.

FERROVIÁRIA
1-Dudu e Bazani
Bazani é o maior símbolo da história da Associação Ferroviária de Esportes de Araraquara, equipe que ficou conhecida nos anos 60 como o “Santos do Interior”. Sonhava em rever a equipe grená na primeira divisão do Campeonato Paulista. Infelizmente, não conseguiu.
Cirurgião-dentista atuante até meses antes de falecer, Bazani jogou no Corinthians de 63 a 65, fazendo 87 jogos (41 vitórias, 18 empates, 30 derrotas) e marcando 15 gols, sendo um deles no Santos, de Pelé, no segundo turno do Campeonato Paulista de 1964 (fonte: Almanaque do Corinthians – Celso Unzelte). Só que o Santos, de virada, ganhou por 7 a 4.
Na Ferroviária, Bazani, por décadas, formou inesquecíveis alas-esquerdas, criadas por monumentais ataques Afeanos: Bazani e Boquita; Bazani e Beni; Bazani e Pio e Bazani e Nei.

FLAMENGO
1-Andrade
Andrade vestiu a camisa rubro-negra por 10 anos: 1977 até 1987. Segundo o “Almanaque do Flamengo”, de Roberto Assaf e Clóvis Martins, foram 566 jogos pelo rubro-negro (329 vitórias, 138 empates e 99 derrotas) e 28 gols. Transferiu-se para a Roma, da Itália, e retornou ao futebol carioca, em 90, para defender o Vasco da Gama. Jogou também no Linhares (ES).
Trata-se de um dos maiores vencedores de Brasileiros, já que venceu cinco (contanto a polêmica Copa União de 87). O último, em 89, vestindo a camisa do Vasco (era reserva de Zé do Carmo no time comandado por Nelsinho Rosa).
e Adílio

CRUZEIRO
1-Ze Carlos e Dirceu Lopes
Dirceu Lopes foi um jogador que empatou com Ademir da Guia em tudo: no talento, na humildade, na falta de ambição e vaidade, na má sorte e na injustiça. Ambos foram esquecidos pela seleção brasileira de forma lamentável. No interior mineiro, Divino, o algoz de Dirceu Lopes, é visto como um Márcio Nunes. Um (Márcio Nunes) acabou com o Galinho no Maracanã. E o outro (Divino) vitimou Dirceu Lopes

ATLETICO MINEIRO
1-Vanderlei e Humberto Ramos
Humberto Ramos passa por Mura, Carlos Roberto e Marco Aurélio. Chega na área e cruza para Dadá Maravilha. A cabeçada sai perfeita, longe do alcance de Wendell. O Atlético abre o placar contra o Botafogo e, minutos depois, começa a comemorar o título de campeão brasileiro de 1971. Este foi o momento mais importante da carreira de Humberto da Silva Ramos, ex-meia que chegou ao Galo em 1966, e defendeu também Grêmio, América (RN), Vila Nova (GO), Internacional de Limeira, Colorado (PR), Coritiba e Valério Doce de Itabira, onde parou em 1984.

BAHIA
1-Paulo Rodrigues e Bobo
Eleito um dos maiores ídolos do Tricolor Baiano em todos os tempos, Raimundo Nonato Tavares da Silva, o Bobô, foi peça essencial na equipe comandada por Evaristo de Macedo que conquistou o Campeonato Brasileiro de 1988. Ao lado do centroavante Charles, do meia Zé Carlos, do ponta Marquinhos, do volante Paulo Rodrigues, entre outros, fez do Bahia, o “azarão” do campeonato nacional de 1988, uma equipe muita temida.
Para ter Bobô, o Tricolor do Morumbi desembolsou mais de US$ 1 milhão, valor fora dos padrões dos clubes brasileiros na época, e ainda liberou para o Bahia os passes do centroavante Marcelo e do zagueiro Wágner Basílio.
No entanto, para infelicidade dos cartolas tricolores, Bobô não rendeu tudo o que podia no Tricolor Paulista, mas mesmo assim conquistou o título paulista de 1989.
No ano seguinte, em baixa no time paulista, Bobô foi defender por empréstimo o Flamengo e mais uma vez não vingou. Em 91, o São Paulo envolveu ele na troca com o Fluminense pelo ponta-esquerda Rinaldo, o mesmo que foi crucificado por não ter passado a bola para Pelé no jogo comemorativo do 50º aniversário do Rei.
No Tricolor das Laranjeiras, Bobô viveu um bom momento, fazendo dupla com o centroavante Ézio, que tinha sido contratado à Portuguesa.
Em 1993, o baiano deixou o Flu para jogar no Corinthians, clube que ele disse ter sido marcante na sua carreira apesar do pouco tempo que ficou no Parque São Jorge.
Depois do Timão, Bobô atuou pelo Internacional e depois ainda retornou para o Bahia, antes de encerrar a carreira e tornar-se comentarista esportivo.

VASCO
1-Felipe e Juninho
Por várias vezes, Juninho foi considerado o 12º jogador do time são-paulino. Era um reserva que entrava e incendiava a partida. Foi assim, inclusive, na final do Mundial de Clubes de 1993, quando Juninho participou da vitória do São Paulo sobre o Milan, 3 a 2.
Juninho defendeu o time do Morumbi entre 1993 e 1995. Uma proposta milionária do até então pouco conhecido Middlesbrough fez o meia-armador trocar de país. Juninho foi para a equipe inglesa. Jogou lá, e bem, até 1997, quando teve seu passe negociado com o Atlético de Madrid.
Juninho permaneceu no clube espanhol até 1999. Chegou a vestir ainda, mais uma vez, a camisa do Middlesbrough. Em 2000, ele retornou ao futebol brasileiro. Quem o contratou foi o Vasco da Gama, que já tinha um grande time.
E foi em São Januário, por causa de outro Juninho (o Juninho Pernambucano), que Juninho ganhou também o apelido de Juninho Paulista. E os dois, como armadores da equipe cruz-maltina, foram importantes para a conquista da Copa João Havelange de 2000. E no ataque, o Vasco tinha ainda o baixinho Romário.
Depois do Vasco, Juninho defendeu ainda o Flamengo (2001 até 2002), outra vez o Middlesbrough (entre 2002 e 2004), Celtic (2004 até 2005), Palmeiras (2005 até 2006), Flamengo mais uma vez (2006 até 2007) e Sidney (2007

BOTAFOGO
1-Carlos Roberto e Gerson
Carlos Roberto fez parte daquele time demolidor de 67 e 68 que tinha: Cao, Moreira, Moisés, Sebastião Leônidas e Valtencir. Nei Conceição, Carlos Roberto e Gérson; Jairzinho Furacão, Roberto Miranda e Paulo César Caju.
Carlos Roberto tem ótima lembrança também do Santos Futebol Clube, onde formou bom meio de campo na Vila, em 1976, ao lado de Clodoaldo e Aílton Lira.

BANGU
1- Lorico e Ocimar
Ocimar jogou no inesquecível time do Bangu Campeão Carioca de 1966. Ele participou daquela final dramática que não teve volta olímpica do Bangu – que foi campeão ao golear o Fla, de Valdomiro, por 3 a 0 -, mas que teve muita polêmica.
O goleiro Valdomiro (do Fla) foi acusado de corpo mole (nunca provado) e Almir, vendo que o título já estava perdido, agrediu jogadores do Bangu, principalmente Ladeira (hoje o técnico de juniores, Adaílton Ladeira).
O pau quebrou de forma generalizada no Maracanã e o jogo foi encerrado antes de seu tempo normal. Itamar, zagueiro-central do Flamengo, também brigou muito, mas igualmente foi um dos derrotados ao lado de Valdomiro, Murilo, Paulo Henrique, Carlinhos, Carlos Alberto, Silva, Almir, Nelsinho Rosa, dentre outros.
E o Bangu A.C. entrou para a história jogando com Ubirajara, Fidélis, Mário Tito (já falecido), Luís Alberto e Ari Clemente; Jaime e Ocimar; Paulo Borges, Ladeira, Cabralzinho e Aladim. O técnico era Alfredo Gonzalez.

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