O Serrano Football Club é uma agremiação da cidade de Petrópolis, fica localizado na Região Serrana do estado do Rio de Janeiro. A ‘Cidade Imperial’ fica a 68 km da capital do Rio, e conta com uma população de 278.881 habitantes, segundo o censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2023.
A sua Sede social e o Estádio Atilio Marotti (Capacidade: 8.500 pessoas), ficam localizados na Rua Madre Francisca Piá, nº 400, no bairro Quarteirão Ingelheim, em Petropólis/RJ.
O “Leão da Serra” foi Fundado na terça-feira, do dia 29 de junho de 1915, por dirigentes do antigo Terra Santa Football Club, durante as festividades de São Pedro.
O nome do clube foi sugerido por Guilherme Frederico Kozlowsky, um dos antigos dirigentes, em alusão à região serrana do Rio. Em 1916, Antônio Marques é eleito o primeiro presidente.
Foram seus fundadores: Antônio Lopes da Motta, Antônio Gomes Carvalho, Alberto Boller, Alfredo dos Santos Lemos, Guilherme Frederico Koslowsky, José Fernandes Vieira, José Maria Mattos, Mario Caetano de Paiva, Newton Antônio de Mello, Antônio Marques, Álvaro de Abreu, Carlos José Gomes, José Koslowsky, Júlio Ernesto da Silva e Raymundo Vieira.
Tetracampeão Citadino na década de 30
Disputou um grande número de campeonatos, tendo merecidamente levantado, além de muitos outros, o Tetracampeonato Citadino de Petrópolis, nos anos de 1930, 1931, 1932 e 1933. No seu currículo constam três participações na elite do futebol do Rio (1979,1980 e 1981).
Pelas andanças, buscando encontrar fatos interessantes, encontrei uma crônica escrita por Gabriel K. Fróes, que narra à história do nascimento do clube de maior prestígio no futebol de Petrópolis. O texto diz:
ESTRELA QUE BRILHA DESDE AQUELA NOITE TÃO LINDA!
O treino estava quase no fim. A noite, em junho (1913), chega mais cedo e o lusco-fusco já começava a tomar conta da Praça Jerusalém, na Terra Santa. O pior era que o jogo continuava empatado e ninguém arredava pé do “campo”. A vitória seria do primeiro que marcasse goal.
De repente, o center-forward pega a bola a jeito, escapa velozmente, dribla o back e, frente a frente ao keeper, cerra os olhos e – bumba! – desfecha formidável kick contra o goal.
O pobre keeper, coitado, nem viu a cor da bola. Era a vitória do team de baixo, daquele que atuava contra o goal da igreja. Hip, hip, hurrah! Gritavam, berravam os vencedores.
Tal era o entusiasmo, que ninguém reparou que a bola, depois de vazar o imaginário goal – ali só havia duas pedras a sete metros uma da outra – fora espatifar uma vidraça da igreja.
E frei Gaspar, o capelão, com cara de poucos amigos, havia aparecido à porta. Dando com ele, os players, vencedores e vencidos, fugiram em desabalada carreira.
Com a pracinha vazia, o bom franciscano olhava, desolado, a vidraça partida, a décima, talvez, substituída depois que haviam inventado, no local, o tal de futebol…
Aquele goal, positivamente, tinha acabado com o Terra Santa Football Club. Sim, porque ninguém podia admitir que frei Gaspar, depois de tanta condescendência para com o clubinho do bairro, só exigindo, em troca, que a praça não servisse de campo de Football, viesse a desculpar mais aquela traquinada.
Maldito goal!
O céu estava que era só balão na noite de São Pedro de 1915. As próprias estrelas refulgiam tanto, que mais pareciam balões soprados ao vento.
O frio não era de brincadeira, mas sempre havia uma ou outra família da bucólica Terra Santa, soltando fogos e balões nos jardins e quintais de suas casas.
Mais ao longe, sim, é que deveria ser grande a animação. Lá para os lados das ruas Montecaseros, 13 de Maio e 7 de Abril, onde espoucavam bombas e os foguetes sem cessar.
Os balões – coisa curiosa – soltos onde quer que fossem, teimavam em vir pairar sobre a Terra Santa. E como estava bonito o céu assim pintado de balõesinhos!
Alheios a tudo, achavam-se à porta do botequim do Melatti, à Rua Visconde de Itaboraí, alguns rapazolas. Algo os preocupava, porque permaneciam quietos, sem as brincadeiras habituais. Era a turma do Terra Santa Football Club – três ou quatro gatos pingados – que combinara uma reunião na rua Luiza para decidir o destino do clube. Sem campo e agora, com o estrilo de frei Gaspar, também sem sede, não era possível continuar.
Às oito horas da noite, como não houvesse aparecido mais ninguém, o pessoal, mais com ar de enterro do que de outra coisa, subiu a ladeira, entrou na Rua Eliza e chegou à Rua Luiza. O local da reunião era um tosco barracão cedido, por favor.
Coisa estranha para os que lá chegavam: algumas pessoas já se encontravam lá, umas da Terra Santa, outras não. Eram, ao todo, quinze os presentes.
Aberta a sessão, delicioso sonho tomou conta da assembleia: a fundação de um clube que reunisse os moradores do bairro, que tivesse campo de esporte e sede-social; e que possuísse um team capaz de enfrentar o Internacional, o São Sebastião e até o Sport Petrópolis.
– Pois que se funde esse clube! disse, despertando do sonho, o Guilherme Frederico Kozlowski. O nome? SERRANO Football Club, em homenagem às serras altaneiras em que vivemos. As cores? o azul do céu e o branco das nuvens.
E o sonho logo tornar-se-ia realidade. Foi fundado o SERRANO Football Club, substituindo o Terra Santa Football Club. Agora, já ao ar livre, todos olhavam embevecidos o lindo céu da Terra Santa, mais do que nunca, pontilhado de balõesinhos.
E de estrelas também, entre as quais, naquele justo momento, começara a brilhar intensamente mais uma: a do SERRANO Football Club!
Serrano empatou no Pacaembu
Na tarde de domingo, do dia 21 de outubro de 1945, o Serrano Football Club, tri e tetra campeão e, naquele momento, líder invicto do Campeonato de Petrópolis, foi até a capital paulista enfrentar o forte time do Comercial Futebol Clube, no Estádio Paulo Machado de Carvalho, o ‘Pacaembu’, na capital paulista. No final, a partida terminou empatada em 1 a 1.
O time paulista abriu o placar aos 39 minutos. Farid, do meio do campo, serviu Mendes com um passe em profundidade. O ponteiro avançou um pouco e, próximo à linha de escanteio, centrou bem. Saltaram vários jogadores e Vacaro, colhendo a bola no ar, cabeceou com firmeza, marcando no canto direito da meta de Bispo.
Na segunda etapa, logo aos 20 segundos, veio o empate. Dumas colheu a bola encobrindo Maioral e fez passe em direção ao meia Zeca. Este, após haver controlado, atirou quando Tufi havia se adiantado uns passos.
O arqueiro fez defesa, porém a bola escapou-lhe de mãos e voltou par Zeca. Rápido, o avante arrematou no canto direito, anulando os esforços de Jaú, que havia cerrado para a trave procurando cobrir o chute do ponteiro Fausto, que apareceu para concluir a jogada.
Árbitro errou no tempo
Dirigiu a peleja regularmente o árbitro José Cruz. Enganando-se na contagem do tempo, deu o final aos 30 minutos, quando ainda restavam 15 minutos de jogo. Constatando o erro ordenou a continuação da peleja com a bola ao chão.
O Serrano jogou: Bispo; Ari e Justen; Geraldo I, Silvio (Geraldo II) e Alaor (Silvio); Fausto, Zezinho, Dumas, Zeca (Vale) e Didi. Técnico: Walter Nascimento.
Comercial: Tufy; Maioral e Jaú; Ulisses, Bugre e Magri; Mendes, Farid, Invernizzi (Romeuzinho), Paulo e Vacaro.
FONTES E FOTOS: Site do Serrano FC – A Manhã (RJ) – Jornal dos Sports (RJ) – Diário de Notícias (RJ) – Correio Paulistano (SP) – O Diário (SP)





