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Fotos Raras, anos 20: Velódromo de São Paulo

Velódromo de São Paulo ou simplesmente Velódromo Paulistano, foi o segundo campo (estruturas arquitetônicas com conceitos diferentes de estádios, conforme conceitos das primeiras décadas do século XX) e o primeiro estádio de futebol da história do Brasil. Aberto em setembro de 1895 e inaugurado oficialmente em 21 de junho de 1896 para o ciclismo e em 1901 para o futebol, com o nome oficial de Velódromo Paulistano, ficava na rua da Consolação entre as ruas Martinho Prado e Olinda, onde é hoje a rua Nestor Pestana e o Teatro Cultura Artística, na região central da cidade de São Paulo.

Acabou sendo palco da maioria dos jogos da primeira edição do Campeonato Paulista de Futebol, em 1902.

No estádio havia uma placa em que se lia “É expressamente proibido vaiar”, Essa proibição tinha a ver com os valores morais da época, em que a vaia era considerada indelicada. “Se uma pessoa vaiava, logo um torcedor do próprio time desaprovava e um torcedor do outro time também olhava estranho, com espanto”, explicou o jornalista Orlando Duarte, em 2016.

campo-berço do futebol brasileiro é a Chácara Dulley, mas quem escutou pela primeira vez o ruído do pique de uma bola foi a Várzea do Carmo. Ali, Charles Miller deixou cair ao solo brasileiro aquela bola que ele, juntamente com outra, trouxera de Southampton, onde disputara a sua última partida na Inglaterra. A Chácara Dulley ficava localizada no Bom Retiro, onde hoje é a Avenida Tiradentes, entre a Luz e a Ponte Grande. Depois que de lá saiu o São Paulo Athletic Club, foi treinar o Hans Nobilings Team, e mais atrás, na Chácara Witte, onde se instalou o SC Internacional, treinaram e jogaram também os alunos do AA Mackenzie College, enquanto a melhor praça de esportes da cidade passava a ser a do São Paulo Athletic, na Rua da Consolação. Isso até 1899.

Em 1900, o Club Athlético Paulistano surgiu e fez sua sede no Velódromo, construído em 1896 para abrigar competições de ciclismo por Antônio da Silva Prado, primeiro prefeito da Capital, fã do esporte e um dos fundadores do clube. O novo clube adaptou o local para jogos de futebol, e, em 18 de outubro de 1901, enfim foi inaugurado o campo, com um empate por 1 a 1 entre as seleções paulista e carioca. No mesmo ano, o Sport Club Germânia arrendou um terreno no Parque Antártica, lá nivelando o seu campo.

Em sua inauguração, o Campo do Velódromo tinha dois conjuntos de arquibancadas cobertas com capacidade para mil pessoas cada uma, com o restante do público assistindo às partidas de pé, como era comum nos primeiros anos do futebol brasileiro. Foi nesse estádio que se popularizou o conceito de “gerais”, com seus ingressos mais acessíveis. O Velódromo monopolizou durante muitos anos todas as atenções. Raros eram os jogos nos campos do Germânia (Parque Antártica) e do São Paulo Athletic (Consolação).

O destino do Velódromo começou a ser selado em 1910, com a morte de Veridiana da Silva Prado.[3] Os herdeiros foram pressionados pela especulação imobiliária que transformaria a cidade nas décadas seguintes e venderam o local para o Banco Italiano, que pretendia lotear o terreno, abrindo uma rua no meio. O estádio seguiu sendo usado até 1915 e foi pivô da primeira cisão do futebol paulista, em 1913.

Como maior estádio da cidade, ele era usado para a maioria das partidas do Campeonato Paulista, porém a Liga Paulista de Foot-Ball (LPF) tinha de pagar um aluguel ao Paulistano. Insatisfeito com o profissionalismo velado de começava a aparecer no futebol da cidade, ainda predominantemente amador, o clube decidiu aumentar os valores cobrados da LPF para o Campeonato Paulista de 1913. Diante da situação, a liga optou por alugar o Parque Antarctica por um valor menor. A estreia do Paulistano, contra o Americano, foi agendada para o Parque Antarctica, mas o clube do Jardim América compareceu ao Velódromo, alegando que a “mudança” tinha sido comunicada em cima da hora.[3] Quando a LPF decidiu dar os pontos do jogo ao Americano, o Paulistano anunciou sua saída e fundou a Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA).

Quando a cisão finalmente terminou, em 1917, o Velódromo já tinha sido não só desapropriado, para a abertura da Rua Nestor Pestana, em 1915, como também demolido, no primeiro semestre de 1916. A derradeira partida no estádio ocorreu em 7 de novembro de 1915, uma vitória da seleção paulista sobre a seleção carioca por 8 a 0.

A APEA, então, levou as arquibancadas do Velódromo para a Chácara da Floresta, que, ampliada, com capacidade para dois mil lugares sentados sobre as antigas arquibancadas e treze mil lugares em pé, passou a ser o principal campo da cidade. Ao lado, os jogadores do Corinthians estavam construindo seu próprio campo (que só ficaria pronto em 1918), em um terreno doado pela Prefeitura na Ponte Grande. Já o Paulistano passou a jogar, a partir do fim de 1917, no Estádio Jardim América.

Em 1919 a Sociedade de Cultura Artística adquiriu o terreno do antigo Velódromo para a construção de sua sede própria, que só seria construída na década de 1950, fundando ali o Teatro Cultura Artística.

 

FONTES: Wikipédia – Lauthenay Perdigão

 

Álbum “Varzeana Paulista”, anos 50/60: S.L. Benfica do Brasil – Bairro: Vila Maria – Zona Norte – São Paulo-SP

O Sport Lisboa e Benfica do Brasil, do bairro de Vila Maria, Zona Norte da cidade de São Paulo, foi fundado na data de 9 de julho de 1938.

Seu estádio se situa na Avenida Morvan Dias de Figueiredo número 213, próximo a Marginal do Rio Tietê.

Fontes: álbum de figurinhas “Varzeana Paulista” dos anos 50/60, o historiador Waldevir Bernardo (Vie), meu acervo e google maps.

Esporte Clube Humberto Primo / Esporte Clube Vila Mariana – bairro: Vila Mariana – Zona Sul – São Paulo (SP)

O Esporte Clube Humberto Primo, do bairro de Villa Marianna, foi fundado na data de 1º de setembro de 1919.

O nome do clube é uma homenagem a  Humberto Primo de Savoya, rei da Itália entre os anos 1878 e 1900.

Seu primeiro campo para a prática do futebol situava-se na Rua França Pinto número 135, no bairro de Villa Marianna.

Esse estádio foi inaugurado na data de 22 de junho de 1931.

Disputou os campeonatos paulistas em cinco oportunidades, sendo três delas na 2ª Divisão, nos anos de 1932, 1933 e 1934 e duas na 1ª Divisão, nos anos de 1935 e 1936.

Esporte Clube Humberto Primo no ano de 1936 – A Gazeta

Quando da 2ª Guerra Mundial, os clubes que ostentavam nomes estrangeiros foram obrigados a mudar suas denominações.

Desta forma, na data de 30 de outubro de 1942, o Esporte Clube Humberto Primo mudou seu nome para Esporte Clube Vila Mariana.

Atualmente sua sede se situa na Rua Domingos de Moraes número 1768, no bairro de Vila Mariana.

Fontes: A Gazeta, Diário Nacional, Correio Paulistano, Almanaque do Futebol Paulista e site do clube.

Club Athletico São Paulo Gaz – bairro do Brás – São Paulo (SP)

O Club Athletico São Paulo Gaz foi fundado na data de 25 de maio de 1928, e era filiado a ACEA (Associação Commercial de Esportes Athleticos), da cidade de São Paulo.

Inicialmente sua sede se situou na Rua do Carmo, no Centro da cidade e, posteriormente, foi transferida para a Rua do Gazometro, 126, no bairro do Braz.

 

Os GAZISTAS, como eram conhecidos, possuíam estádio de futebol situado na Avenida do Estado, no bairro do Braz, o qual era mantido pela Companhia de Gaz de São Paulo.

O estádio foi inaugurado na data de 21 de maio de 1932. Nesse dia o São Paulo Gaz enfrentou a equipe do Club Athletico Britannia e venceu pelo placar de 4 a 0.

O árbitro foi o senhor Francisco Ganovez Sobrinho.

Os gols foram marcados por Edmundo, Cayuba, Moreno e Cesar, nessa sequência.

As equipes assim alinharam:

SÃO PAULO GAZ: Mathias, Orestes e Bertinelli. Josias, Cayuba e Edmeu. Edmundo, Victorino, Puttin, Cesar e Moreno.

BRITANNIA: Skinner, Lipdhim e Chitchester. Tairot, Pettigrew e Melvile. Toal, Hilton, Jamieson, Maclean e Dowaldsch.

OBS: A denominação Club Athletico São Paulo Gaz foi encontrada escrita dessa forma no Almanaque Esportivo Olympicus, do autor Tomaz Mazzoni, publicado no ano de 1943.

Entretanto, cumpre informar que, em todas as citações feitas a esse clube, encontradas nos diversos periódicos consultados, a denominação é São Paulo Gaz Futebol Clube.

Fontes: Diario Nacional, A Gazeta, Correio Paulistano e Almanaque Esportivo Olympicus, de Tomaz Mazzoni.

Amistoso Internacional, de 1937: Náutico Capibaribe (PE) 6 x 10 Club Atlético Atlanta (ARG)

A estreia dos quadros dos “Bohemios” argentinos entre nós, foi magnífica, brilhante. São elementos formidáveis, no manejo da pelota. Aliás, já foram os rapazes do Club Atlético Atlanta cognominados os “Bohemios” da pelota por dominarem inteiramente o couro.

O escore de ontem (Sexta-feira, do dia 29 de Janeiro de 1937), que há muito não se verifica nesta capital (Recife), veio confirmar que a força do quadro visitante está na linha de ataque, perigosíssima, de uma rapidez pouco comum, e bem impetuosa.

Todos, sem distinção, se empenham com ardor na luta, auxiliando-se mutuamente e socorrendo o companheiro nos momentos difíceis, quando em perigo a sua barra.

É admirável, também, o jogo homogêneo de passes curtos e rápidos. A vitória alcançada ontem contra o Náutico foi legitima, sem a menor duvida. Ao quadro local faltou, além da chance, rapidez nas jogadas e melhor distribuição do centro-médio.

Quase todas as bolas iam aos pés dos adversários, ótimos controladores do balão. O Náutico jogou muito, conseguindo vazar a rede argentina seis vezes. Foi uma jogo admirável, enfim, o de ontem.

Árbitro teve atuação ruim

O árbitro Manoel Pinto, o “Né” teve sensíveis falhas. A marcação do 5º gol dos visitantes em visível ‘off-side’ e a marcação de um penal contra os locais, enquanto os visitantes praticavam penalidades iguais, sem salvá-las, foi duro… Empanou o brilho do jogo por momentos.

 

Público lotou as dependências do Parque da Jaqueira

A assistência foi vultosa. Todas as dependências do Estádio Parque da Jaqueira, estavam repletas. O nosso público demonstrou, ontem, mais uma vez, a sua educação desportiva aplaudindo os feitos mais emocionantes do embate, sem distinguir, se dos locais, se dos visitantes. Os Bohemios” poderão atestar a educação tão diferente da nossa assistência, para uma outra, bem pertinho de nós.

 

Preliminar termina empatada

A prova preliminar, que teve início às 19h30min., apitada pelo árbitro Argemiro Félix, disputada entre os segundos quadros do Sport Recife e do América, terminou empatada em 1 a 1.

 

Local e Valores dos Ingressos

Na Casa Azul, localizado na Rua João Pessoa, nº 171, no Bairro Casa Amarela, no Recife, foram vendidos nos dias 29 e 30 (sexta-feira e sábado), os ingressos para os jogos de 29 de janeiro de 1937. Foram estabelecidos os seguintes preços de entradas:

Arquibancada 6$600 (6 mil e 600 réis)
Geral 4$400 (4 mil e 400 réis)
Senhoras 4$400 (4 mil e 400 réis)
Militares e Crianças 3$300 (3 mil e 300 réis)
Cadeiras numeradas, no campo 11$000 (11 mil réis)
Automóveis 16$500 (16 mil e 500 réis)
Os Sócios do Tramways e disputante 50% de abatimento, exceto para as cadeiras e autos.

 

Escalte do jogo (Movimento geral da Partida)

ITENS

NÁUTICO

ATLANTA

Toques

6

10

Faltas

1

1

Impedimentos

0

2

Escanteios

2

4

Pênaltis

0

1

Defesas

14

20

Gols

6

10

 

 NÁUTICO CAPIBARIBE (PE)     6          X         10       C.A. ATLANTA (ARG)

LOCAL: Estádio Parque da Jaqueira (capacidade para 3 mil pessoas), na Avenida Rui Barbosa, nº 1.820, no Bairro da Jaqueira, no Recife (PE).

DATA: Sexta-feira, do dia 29 de Janeiro de 1937

HORÁRIO: 21 horas e 25 minutos (o jogo começou com 15 minutos de atraso)

CARÁTER: Amistoso Internacional

ÁRBITRO: Manoel Pinto, o “” (FPD)

DELEGADO E CRONOMETRISTA: Alonso Rodrigues de Souza

NÁUTICO: Orlando (Muniz); Fernando II e Salsinha; Zé Orlando, Edson e Ernani; Zezé (Emygdio), Athur Carvalheira, Fernando, Bermudes (Sidinho) e Celso (Siduca).

ATLANTA: Herrera; Ibanez II e Blanco; Ibanez Carlos, Del Felice e Esperon; Freiye, Morales, Miranda, Perez e Martino. Técnico: Maximo Garai

Reservas: Carigliano, Murra, Valdatti, Spitale, Tornaroli, Irazoqui, Lozano, Crippe e Lamas.

PRELIMINAR (Segundos Quadros): Sport do Recife          1          x          1  América-PE

GOLS: Miranda a um e aos 12 minutos (Atlanta); Zezé aos sete minutos (Náutico); Perez aos 15 e 32 minutos (Atlanta); Morales aos 19 minutos (Atlanta); Arthur aos 21 minutos (Náutico); Bermudes aos 40 minutos (Náutico), no 1º Tempo.

Arthur aos dois e cinco minutos (Náutico); Miranda, de pênalti, aos oito minutos (Atlanta); Martino aos 14 minutos (Atlanta); Perez aos 18, 35 e 40 minutos (Atlanta); Siduca aos 30 minutos (Náutico); no 2º tempo.

FONTES: Jornal Pequeno – Diário de Pernambuco