Em 4 de junho de 1972 Natal trocou o acanhado estádio “Juvenal Lamartine” com capacidade para 10 mil lugares, pelo bonito, moderno e grandioso estádio de Lagoa Nova com capacidade para 55 mil lugares. O nome dado de Humberto de Alencar Castelo Branco, apelidado de “Castelão” se deu, por decisão da Câmara Municipal, na ânsia de agradar aos líderes da “Revolução” de 64., apesar deste presidente não ter nenhuma ligação com o estado ou ter feito algo no estado que despertasse esta homenagem. Na abertura o ABC venceu o America por 1×0, gol de William.
O prefeito na época Agnelo Alves deu a largada para a construção, empenhando-se, antes, para obter um local amplo, que não fosse tão distante do centro, inconveniente para o torcedor. O local foi encontrado: o bairro de Lagoa Nova, mas o terreno pertencia a uma empresa que detinha a concessão do fornecimento de água à população, propriedade do grupo Saturnino de Brito. Após várias viagens de emissários ao Rio de Janeiro, sede da empresa, foi obtido com a participação do então governador do estado, Dinarte Mariz a doação do terreno.
Superados os problemas técnicos, a construção foi iniciada em maio de 1967. O outro problema grave foi a falta de recursos da prefeitura, sendo necessário levantamento de empréstimos nos bancos locais, em nome pessoal do prefeito Agnelo Alves e do vice-prefeito, Ernani da Silveira. Nem tudo foi pacífico nos cinco anos de duração da obra. Agnelo Alves foi cassado. Do início da construção, até a inauguração em junho de 1972, passaram pela prefeitura os prefeitos Ubiratã Galvão e Jorge Ivan Cascudo Rodrigues, este o da inauguração. Teve ainda a colaboração do governador Cortez Pereira, ao assumir a responsabilidade de cobrir todo o anel da arquibancada. Antes de terminar seu governo, Cortez entregou o Machadão, completo, garantindo conforto ao torcedor. Nesses 39 anos do “poema de concreto” completados neste 4 de junho, nem tudo foi futebol, tiveram também shows, missas, suicídios, dois assassinatos, quedas da arquibancada, brigas, presenças da seleção Brasileira e a Mini Copa participando as seleções de Portugal, Eire, Equador e Chile.
Fez-se então justiça quando de 1989 o estádio trocou de nome de Castelo Branco para João Claudio de Vasconcelos Machado, logo apelidado de “Machadão”. Este desportista potiguar que foi varias vezes presidente da Federação e que lutou muito pelo futebol da sua terra. O jogo de estréia do Machadão foi em 07/10/89, com o América vencendo o ABC por 1x , gol contra do zagueiro Divino.
Em 2011 em dia que completa 39 anos, o Machadão recebe ao invés de futebol e torcidas a presença de apressados funcionários de uma empresa de mudança, responsáveis por conduzir os últimos objetos aproveitáveis do mobiliário do Machadão, antes da demolição.
A demolição que terá a implosão do anel superior do estádio, enquanto a parte inferior e menor será demolida de forma mecânica A implosão do Machadão e do Ginasio Machadinho está prevista para começar no início do mês de julho. Se antes se especulava que a Arena das Dunas iria ser erguida no local do atual estádio, a dúvida foi desfeita. É no local do ginásio Machadinho que vai erguer a nova praça esportiva de Natal, a Arena das Dunas com vistas a Copa de2014.
Ainda que com tudo confirmado para demolição e construção do Arena das Dunas, passeatas e protestos contra a demolição e processo para tombamento do estádio ainda estão em prática na esperança de manter o velho vivo o já saudoso “poema de concreto armado”, apelido dado pelo jornalista João Saldanha.
Para quem conheceu o futebol e viveu toda uma vida de alegrias e tristezas, conhecendo cada parte do Machadão, como eu, fica realmente um sentimento de culpa por deixar morrer um cartão postal tão importante na cidade. Que chegue logo o novo estádio, o Arena das Dunas, para suprir esta perda inesquecível.
primeira foto: dia da inauguração 4/6/72
segunda foto: dias atuais
fonte: Tribuna do Norte e arquivo do autor