Social Ramos Clube – Rio de Janeiro (RJ): História entre 1945 a 1965. Ronaldo Fenômeno jogou em 1989

Normalmente, as minhas postagens se limitam ao futebol de campo. Mas nesta, vou abrir uma exceção. Um clube que foi um dos mais badalados e prestigiados entre os anos 50 a 80. E que na década de 90, entrou em crise e, aos poucos está se reerguendo para a felicidade dos moradores de Ramos e adjacências. Esse clube nunca enveredou no futebol de campo, mas ajudou para o forjamento de vários craques, entre eles: Ronaldo Fenômeno!

História detalhada entre 1945 a 1965

O Social Ramos Clube (SRC) é uma agremiação da cidade do Rio de Janeiro (RJ). A história começou no “Bar Ferro de Engomar“, onde um grupo de rapazes se reuniam aos domingos pela manhã, elaborando a criação de clube para congregar todos os moradores do bairro de Ramos.

A ideia do clube ganhou corpo e as solidariedades foram aumentando cada vez mais até que foi oficializado a Fundação no domingo, do dia 22 de Abril de 1945, com o nome de “Centro Progressista e Social de Ramos (CPSR)“, numa reunião realizada no Colégio Cardeal Leme, situado na Rua Dr. Miguel Vieira Ferreira, nº 646, em Ramos.

Na ocasião estiveram presentes 31 pessoas: Henrique Bonilha, Dr. Enio de Faria, Ministro Antônio Francisco Carvalhal, Dr. Antônio Mourão Vieira Filho, Senador José Pires Rolita, Ivo de Pinho Beato, Norberto Alves Espinha, J. A. Barros, Dr. Manoel Esteves de Sá, Te. Joaquim Silva, Abel Augusto de Siqueira, Dr. Ademar dos Santos Pinto, Amadeu Inocêncio Fonseca, Dr. Percio Gomes de Melo, Antonio da Silva Adonias, Américo José de Carvalho, J. Cochoféu Guimarães, Célio da Silva Monteiro, Vicente Varca, Lamartine Pinto de Oliveira, Ernesto Lourenço da Silva, Alfredo Portela, Mário Júlio Matos Ramos, Altamiro Luís da Silva, José Laureano Nova Lago, Dionísio Trindade, Sorcher Fisch, A. Sousa e O. Santos, Marcelino Firmino Pinto, João de Paiva e Almeida, Dr. Euclides Veloso Faria e Artur Alves da Cunha.

Após a fundação, o CPSR funcionou, provisoriamente, na Rua Uranos, nº 1.063, que era o escritório da União Panificadora Fluminense, gentilmente cedida pelo Sr. Antonio da Silva Adonias.

1ª Sede Social

Em meados de 1945, por decreto do então Ministro da Guerra, o general Eurico Gaspar Dutra extinguindo os tiros de guerra, o Centro Progressista e Social de Ramos foi beneficiado, ganhando as dependências e o patrimônio do Tiros de Guerra 115, situado na Rua Peçanha Povoas, nº 52, na estação de Ramos.

O clube se instalou na sua 1ª Sede no domingo, do dia 09 de dezembro de 1945. Quatro meses depois, no domingo,do dia 28 de Abril de 1946, foi inaugurada as suas remodelações festejada com grande pompa.   

Com 60 sócios que pagavam a mensalidade de 10 cruzeiros, o CPSR tinha inicialmente como objetivo, cuidar tão somente dos serviços jurídicos, contábeis e médicos dos seus associados, sem, todavia, deixar de promover festas sociais.

Clube altera o nome em 1946

E foram justamente as festas levadas a efeito que proporcionaram uma maior convivência e congraçamento da gente de bem do bairro de Ramos. Nasceu então a idéia da mudança do nome do clube que ecoava muito bem na época por causa dos partidos políticos.

Revista do Social Ramos Clube – 1945

E assim, no domingo, do dia 12 de Maio de 1946, o nome foi alterado para Social Ramos Clube, nome sugerido pelo Comissário Augusto Barreira aprovando-se a ideia de José Pires Rolita para a confecção da bandeira, flâmulas e distintivos.

Sede atual adquirida em 1948

Ficara igualmente estabelecido um número limitado de 300 sócios proprietários que foi aumentado gradativamente. Em 1948, com cerca de 1 mil sócios, era necessário um espaço maior.

O extenso terreno de uma área total de 2.676 metros quadrados, na esquina entre as ruas Áureliano Lessa e Miguel Ferreira no valor de 360 mil cruzeiros era o local ideal para a construção da sua nova Sede. O clube efetuou o pagamento de dois terços do valor fixado para a aquisição.

Então, na tarde de sexta-feira, do dia 16 de Janeiro de 1948, no Cartório do Tabelião Raul Sá, à Rua do Rosário, no Centro do Rio, foi pago a importância de 96 mil cruzeiros, referente ao saldo do débito restante para com o último dos três proprietários da área adquirida.

Assim, no terreno foi erguido a Sede social – onde até hoje habita o Social Ramos Clube, na Rua Áureliano Lessa, nº 97, em Ramos – na gestão do Dr. Ênio de Faria, prosseguindo na presidência de David Mendes e posteriormente pelos presidentes Valdemar Nunes de Morais e Joaquim Coelho dos Santos, quando foi então batida a 1ª pedra fundamental, no domingo, às 10 horas, do dia 31 de Dezembro de 1950.

Clube muda de patamar e se torna um dos melhores do país

No princípio tudo era flores. O clube começava a crescer. A política reinante, todavia, impediu o seu progresso, até terça-feira, do dia 22 de Março de 1955 quando o prestigioso desportista Adriano Rodrigues foi eleito presidente do clube.

O dirigente iniciou a campanha de soerguimento do Social Ramos Clube. Ao assumir, encontrou um clube com um saldo de 400 cruzeiros em dinheiro e com uma dívida de 38 mil cruzeiros. Adriano Rodrigues e sua diretoria elevaram o clube às culminâncias tanto assim que três anos depois a agremiação já não possuía nenhuma dívida.

Em 1958, o Social Ramos Clube contava com 500 sócios proprietários, 2.145 contribuintes, 2 mil sócios dependentes e com 215 propostas para novos sócios proprietários. Sete anos depois (1965), o clube já contava com cerca de 10 mil sócios, mostrando que estava em franca evolução.

Medalha Social Ramos Clube 1945-60 – Fraternidade Socialense, em homenagem ao ex-presidente Dr. Joaquim Coelho dos Santos. Em metal dourado e com o escudo esmaltado

Com um movimento de 3 milhões de cruzeiros, o clube alcançou o status de uma das melhores agremiações do Brasil, graças ao idealismo do presidente Adriano Rodrigues.

Assim, o “clube milionário” com um patrimônio no valor de 15 milhões de cruzeiros possuíam nas suas instalações:

Uma salão de festas com 30 metros de comprimento e 20 de largura; uma quadra olímpica; um jardim para crianças; um ginásio para 2 snookers (sinucas), um restaurante e televisão (com intensa frequência), uma sahalteres  e jiu-jítsu; um barco para representações; um departamento médico e um departamento feminino, além  de todas as dependências necessárias para os atletas.

Lembrando que a Sede social, foi oficialmente inaugurada em 1964. Um prédio de três andares, com uma quadra para futebol de salão, voleibol e basquete, construída do lado.

Seus salões para festas nada ficam a dever em beleza aos mais categorizadas agremiações do Rio de Janeiro. No último andar, está instalada uma confortável creche, a fim de que os pais pudessem ir aos eventos no clube. Em 1965, o clube adquiriu um terreno ao lado da quadra de esportes para a construção de uma piscina.    

Celeiro de craques

Ronaldo Fenômeno

O clube revelou craques do campo e das quadras! Ronaldo Nazário, ou simplesmente Ronaldo Fenômeno, aos 13 anos, o craque passou pelo clube de Ramos em 1989, onde disputou o Campeonato Carioca Mirim de Futsal.

Na ocasião, o Social Ramos Clube terminou na 3ª colocação, e Ronaldo Fenômeno foi o artilheiro do certame com 48 gols. No mesmo ano, o SRC jogou o Brasileiro da categoria, terminando como vice-campeão e o craque foi o vice artilheiro.

Mais ou menos, naquela época, outro que pintou no futsal do clube foi Vander Carioca, assim como o Fenômeno nascido em 1976. O pivô teve passagem pelo Atlético Mineiro (1997), Flamengo (2000), Vasco da Gama (2000-01), Corinthians (2016-18), além de ter jogado em clubes da Espanha, Itália, Rússia e Seleção Brasileira de futsal (1998-2004).

Voltando aos gramados, aos 13 anos, o goleiro Wilson teve passagem pelo clube em 1997. Aos 38 anos, atualmente, o arqueiro defende o Figueirense/SC, mas começou nas divisões de base do Flamengo (2003-08). Depois, passou pela Portuguesa Carioca/RJ (2006), Olaria/RJ (2006), Figueirense/SC (2007-08), Vitória/BA (2013-15), Coritiba (2015-22) e Atlético Mineiro (2019).

Na foto acima, há alguns nomes que merecem destaque! Fernando Ferreti, um dos maiores treinadores da história do futsal brasileiro e mundial, comandou o Social Ramos Clube em 1986. Natural do Rio de Janeiro, graduou-se em Educação Física pela Universidade Castello Branco e em Fisioterapia pela Faculdade de Reabilitação da ASCE/RJ, em 1979 e em 1981, respectivamente.

Com uma carreira profissional invejável, dirigiu e consagrou equipes como a Malwee Jaraguá do Sul, SER Tigre (Joinville), a SER Perdigão (Videira), o Vasco da Gama (RJ), Banfort (CE), KRONA Futsal (SC), o Mitsubishi Ceuta, e outras.

Atual Coordenador Técnico da Seleção Brasileira de Futsal e técnico do ADJ Jaraguá (Jaraguá do Sul, Santa Catarina), ex-treinador das Seleções de Futsal do Brasil, Paraguai e Guatemala, orgulha-se de ser o técnico 11(onze) vezes campeão da Taça Brasil de Clubes, Tetra Campeão da Super Liga de Futsal, Pentacampeão da Liga Futsal e Pentacampeão da Taça Libertadores de América de Futsal.

Outro da foto, quando estava com 20 anos, é Marcelo Cabo, que foi técnico do Vasco da Gama, em 2021. Começou como treinador em 2004, quando comandou o Bangu. Entre 2009 a 2011, esteve no Kuwait e de 2013 pra cá, já treinou 19 clubes, sendo o último o CBR/AL.

Por fim, o goleiro Genésio Carneiro, que atuou em diversos clubes de futsal, sempre em destaque. Só para citar algumas equipes pelo qual jogou, podemos mencionar: Flamengo, Vasco da Gama, Botafogo, Hellênico AC (Rio Comprido), Tio Sam (Niterói), Associação Desportiva Classista Embraco (Joinville/SC), entre outros.

Flâmula – Lembrança da Festa Junina do Social Ramos Clube

Único título estadual de futsal

Organizado pela Federação de Futsal do Estado do Rio de Janeiro (FFSERJ), em 1991, o Social Ramos Clube se sagrou Campeão do Campeonato Estadual de Futsal Mirim (Sub 13), Juntamente com o Vasco da Gama, Grajaú Country Club e Grajaú Tênis Clube.

Desenho do escudo e uniformes, Texto e pesquisa: Sérgio Mello

FOTOS: Carlucio Leite Leiloeiro Público (Revista do Social Ramos Clube – 1945) – Lili Leiloeira (Flâmula – Lembrança da Festa Junina do SRC Social Ramos Clube. MBC) – Casa Rio Negro Colecionismo (Medalha Social Ramos Clube 1945-60 – Fraternidade Socialense, em homenagem ao ex-presidente Dr. Joaquim Coelho dos Santos. Em metal dourado e com o escudo esmaltado) – Acervo de Auriel Almeida (escudo em preto e branco)Acervo do ex-goleiro e técnico, Marcelão Marcelo Santos (foto posada em preto e branco)

FONTES: Almanaque de Futsal RJ  – A Manhã (RJ) – A Noite (RJ) – Diário de Notícias (RJ) – Gazeta de Notícias (RJ) – Jornal dos Sports (RJ)

2 pensou em “Social Ramos Clube – Rio de Janeiro (RJ): História entre 1945 a 1965. Ronaldo Fenômeno jogou em 1989

  1. Sérgio Mello Autor do post

    Verdade Roberta.
    Na torcida para que esse clube volte a ser protagonista na Zona Norte!
    Abs.

  2. Roberta Venâncio

    Acompanhei o Social Ramos nos anos 80 pra cá! Algumas administrações ruins quase levaram o clube a extinção! Hoje está se reerguendo. Torço para que volte a ser um clube familiar.

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