Arquivo da categoria: Curiosidades

Quatis Futebol Clube – Quatis (RJ): Fundado em 1916

Contando com a colaboração do amigo Diogo Paula, apresentaremos uma agremiação quase Centenária. Trata-se do Quatis Futebol Clube que foi um dos primeiros times de futebol da região Sul-Fluminense do Rio. Fundado em 14 de Maio de 1916,  a escolha do nome Quatis foi uma homenagem ao município homônimo, onde o clube tem a sua sede (Rua Coronel José Leite, 380, Centro de Quatis RJ) e o Estádio Alfredo de Oliveira Júnior, que outrora era um Distrito de Barra Mansa (Quatis se emancipou no dia 25 de Novembro de 1992).

O clube alvianil (as cores da bandeira de Quatis) foi participante assíduo do Campeonato Municipal de Barra Mansa, onde faturou alguns títulos. Em 1968, o Quatis F.C. foi campeão do Torneio de Início. Em 1970, o Quatis FC conquistou o seu primeiro caneco do Campeonato Municipal de Barra Mansa. Além desse título o clube alvianil foi campeão mais três vezes: 1976, 1981 e 1988. Foi um tradicional clube da cidade, onde participou até o final da década de 80.

Fontes e Fotos: Site Futebol Barra Mansense – Acervo do Marinheiro – Diogo Paula

C.S.E. – Clube Sociedade Esportiva, de Palmeiras dos Índios (AL): Escudo de 1967

Encontrei um escudo que foge dos padrões do C.S.E. (Clube Sociedade Esportiva), da cidade de Palmeiras dos Índios (AL). É do time de 1967, como é possível ver na foto posada abaixo, com a seguinte escalação. Em pé: Deda. Zé Luiz. Normando. Dija. Mario e Zé Leite. Agachados: Roberval. Salê. Brás. Aranha e Guaraná.

Fonte: Arquivos Implacáveis (página no Facebook) 

Estrela D’Alva Futebol Clube – São Gonçalo (RJ): Fundado em 1938

O Estrela D’Alva Futebol Clube foi uma agremiação da cidade de São Gonçalo (RJ). O clube alviceleste foi Fundado numa quinta-feira, do dia 02 de Junho de 1938, tendo a sua Sede localizada na Travessa Nova de Azevedo, 289, no Bairro de Neves, em São Gonçalo (RJ). A equipe mandava os seus jogos no Estádio das Neves.

O clube participou durante décadas o Campeonato de São Gonçalo de futebol, organizado pela Liga Gonçalense de Desportos (LGD). Além dos torneios interestaduais, o Estrela D’Alva F.C. disputou o Campeonato Fluminense de 1959, onde ficou na 4ª Zona (Zona Centro), que contou ainda com três equipes niteroienses: Cruzeiro Futebol Clube de Pendotiba; Fonseca Atlético Clube e Manufatura Atlético Clube. Além de dois times gonçalenses: Esporte Clube Trindade e o Estrela D’Alva Futebol Clube.

No final, o Fonseca foi o campeão da chave, avançando para o triangular final, onde acabou faturando o título vencendo três jogos e empatando um, em cima do Nacional (3 x 2 e 1 x 1) e Goytacaz (1 x 0 e 2 x 0). Com o caneco o Fonseca assegurou a vaga na Taça Brasil de 1960.

 

Fontes: Rsssf Brasil – O Fluminense

Campeonato Niteroiense de 1971: C.R. Espanhol é o grande campeão

O Jornal O Fluminense, de Niterói deu grande destaque, na terça-feira, na página 12, do dia 27 de julho de 1971, para o título do Campeonato Niteroiense de 1971, conquistado pelo Centro Recreativo Espanhol. Leia (abaixo) a reportagem na íntegra:

 ESPANHOL CAMPEÃO DE 1971

A cidade tem novo campeão. O CR Espanhol ao vencer o Canto do Rio, em sensacional virada no segundo tempo, transformando um placar adverso de 1 x 0 em 4 x 1, conquistando o título máximo da cidade de Niterói. O Canto do Rio se apresentou bem apenas nos 45 minutos iniciais. No período complementar caiu de produção e os jogadores foram dominados por forte tensão nervosa e além do mais pecaram pela falta de preparo físico.

A entrada de Reinaldo na lateral          esquerda, no lugar de Osmar que simulou estar bem no vestiário e Evandro no de Amantor, deu nova vida ao quadro espanhol que caiu aos pedaços na etapa primeira, tendo merecido perder de pelo menos uns 3 a 0. Somente depois das substituições e o deslocamento de Iti para a ponta esquerda, já que Manoel nº 2 cantorriense não fez nada a não ser colar-se com o meio campo amarelo é que o time subiu de produção.

 PRIMEIRO TEMPO: CANTO DO RIO MELHOR

O Canto do Rio começou bem a partida, parecendo inclusive outro quadro. Tocou bem a bola, o conjunto esteve otimamente bem e deu a impressão de que ganharia de goleada. Lilinho mandou que Manoel colasse com Iti e este obedeceu cegamente. Além de se encontrar bem melhor, o Canto do Rio foi beneficiado com um pênalti.

 MARRON 1 x 0

Marquinho penetrou com uma bola pelo flanco esquerdo. Artur derrubou dentro da área. Pênalti, que Marron cobrou e inaugurando o marcador aos 10 minutos do primeiro tempo.

Após o gol os alvicelestes cresceram ainda mais e os espanhóis se descontrolaram e não fosse a falta de sorte dos comandados de Lilinho, o escore poderia ter sido de dois ou três gols. Nessa primeira etapa, o que se viu mais foi um time azul jogando bom futebol e um amarelo fazendo tudo errado.

 SEGUNDO TEMPO: ESPANHOL CRESCE

Assim que os times voltaram para o segundo tempo, o Espanhol voltou com apenas uma modificação: Reinaldo entrara no lugar de Osmar, que estava contundido. Fizera teste antes no vestiário e simulara que estava bem, numa dividida voltou a sentir mais ainda a parte afetada. Com essa substituição. Gica que estava muito preocupação com aquele setor, tranquilizou-se. A defesa melhorou e passou a conter na entrada da área os ataques cantorrienses. O tempo foi passando e já se notava um Espanhol diferente, mais senhor de si e ameaçando dobrar o seu adversário. 

 GÉLSON 1 x 1

Vendo que Manoel não se separava de Iti de forma alguma, Juarez mandou que Iti fosse para a ponta esquerda, no lugar de Amantor, entrando Evandro para a ponta direita. Ficando Gélson no meio. Dois minutos depois Renato pressionava a defesa cantorriense, mas Fábio pós a corner uma bola perigosa: Evandro cobrou em meia altura, Gélson de bicicleta empatou o jogo, aos 15 minutos da segunda fase.

 MARCELO 2 x 1

Eram decorridos 20 minutos da fase final, com o Espanhol já bem melhor que o Canto do Rio, quando Gélson foi derrubado dentro da área e Célio Couto (árbitro) mais uma vez no lance marcou a falta máxima. Marcelo cobrou com força e maliciosamente.

 ITI 3 x 1

Deslocado para a ponta esquerda mas com Manoel sempre ao seu lado, Iti recebeu um cruzamento da direita e num lance rápido, burlou a vigilância de seu marcador e chutou quase sem ângulo para aumentar o escore para a 3 x 1, aos 25 minutos da fase derradeira.

 EVANDRO 4 x 1

O jogo já estava em seu final quando num avanço, Evandro a esta altura no miolo, recebeu excelente passe de Marcelo e penetrou, passando por três adversários e marcou o quarto ponto espanhol, recebendo, depois de caído, um chute do goleiro Fábio, que atuou como quarto zagueiro.

 EUFORIA

Ao final do jogo todo o pessoal do Espanhol invadiu o campo para comemorar a grande vitória que valeu o título de 1971, faltando ainda uma rodada para encerrar o certame: Manufatora e Cruzeiro jogam a última partida. O diretor de futebol Ari Magalhães do Canto do Rio foi cumprimentar os dirigentes espanhóis, ocasião em que reclamou do pênalti marcado contra o Canto do Rio.

 

C.R. ESPANHOL    4          X         1          CANTO DO RIO F.C.

 LOCAL: Estádio Caio Martins, em Icaraí

DATA: Domingo, do dia 25 de Julho de 1971

Público e Renda: Não divulgados

ÁRBITRO: Célio Couto

AUXILIARES: Gustavo de Almeida e Dauto Ferreira da Silva

 C.R. ESPANHOL: Alfredo; Artur, Pedrinho, Gica e Osmar (Reinaldo); Marcelo, Wilson Ferreira e Iti; Gélson, Renato e Amantor (Evandro). Técnico: Juarez

 CANTO DO RIO F.C.: Baiano; Manoel, Ulisses, Fábio e Mário; Jorginho e Marquinho; Zezinho, Russo, Negão e Marron. Técnico: Lilinho

 GOLS: Marron, de pênalti, aos 10 minutos (Canto do Rio) do 1º tempo; Gélson, de bicicleta, aos 15 minutos (Espanhol); Marcelo, de pênalti, aos 20 minutos (Espanhol); Iti aos 25 minutos (Espanhol); e Evandro aos 42 minutos (Espanhol) do 2º tempo. 

Fonte: Jornal O Fluminense

Campeonato Campista de Profissionais de 1971: Sapucaia 0 X 0 Americano

AMERICANO EMPATOU  COM SAPUCAIA

 CAMPOS (Sucursal) – Americano e Sapucaia empataram sem abertura de contagem, em jogo dos mais movimentados, pontilhando de lances espetaculares, onde ambos perderam excelente excelentes chances de gols. Válida pelo Campeonato Campista de Profissionais, a partida foi disputada na tarde de anteontem (Domingo, do dia 25 de Julho de 1971) no Estádio “Francisco Gayoso Y Almendra”, em Sapucaia, e assistida por grande número de torcedores dos dois clubes.

OS LANCES

Foi uma disputa ímpar, na qual o Sapucaia tentou todos os meios furar o bloqueio, mas a defesa do Americano nunca esteve tão bem. durante os 90 minutos de partida presente ao “Francisco Gayoso” pode assistir a verdadeiro “festival” de ataques, sendo os tirambaços defendidos pelo arqueiro René e Haroldo, respectivamente do Sapucaia e Americano.

Entretanto, a pretensão de um ou outro vencer foi quebrada pelo placar de 0 x 0, e o único beneficiado com o resultado foi o Goytacaz, que permaneceu na liderança do certame, agora mais longe ainda dos seus seguidores, que estão com 5 pontos cada um. A renda somou Cr$ 2.308,00 com 789 pagantes.

 

E.C. SAPUCAIA      0          X         0          AMERICANO F.C.

LOCAL: Estádio Francisco Gayoso Y Almendra, em Campos dos Goytacazes

PÚBLICO: 789 pagantes

RENDA: Cr$ 2.308,00

ÁRBITRO: Ronaldo Soares Bastos (boa atuação)

AUXILIARES: Nelson Soares Filho e Edevaldo Nogueira Rodrigues

 E.C. SAPUCAIA: Renê; Mundinho, Marcolino, Célio e Eurico; Cláudio e Adilson; Joélio, Mickey (Carlos Hilton), Toninho (Palitó) e Joceir.

 AMERICANO F.C.: Haroldo; Cachola, Zé Henrique, Altamir (Biduça) e Joaquim; Dudu e Adalberto; Lula (Messias), Luís Carlos, Chico e Paulo Roberto. 

 

Fonte: Jornal O Fluminense

Riachuelo Atlético Clube – Niterói (RJ): Campeão do Torneio Início de 1998

Fundado no dia 13 de Janeiro de 1973, o Riachuelo Atlético Clube,  localizado na Rua Dr. Mario Viana, 576 – Bairro de Santa Rosa, foi campeão do Torneio Início da Liga Niteroiense de Desportos de 1998, e, de quebra, teve o prêmio de artilheiro máximo: Ricardo. Ao todo foram quatro jogos e quatro vitórias; marcando 16 gols e sofrendo 11, com saldo de cinco.

Primeira Fase

Cometa                     2          x          1          Atlético

Riachuelo                1          x          0          Engenhoca

Bolivar                      3          x          2          Praiano

Martins Torres          0          x          1          Cruzeiro      

Portobello                3          x          0          Piratininga

 

Segunda Fase

Riachuelo                11       x          9          Cometa

Cruzeiro                   1          x          0          Bolivar

 

Terceira Fase

Riachuelo                1          x          0          Portobello

 

Final

Riachuelo                3          x          2          Cruzeiro

 

 Fonte: O Fluminense

Clube dos Pioneiros de Niterói (RJ): Luta para não fechar às portas

O Clube dos Pioneiros, outro fundador da Liga Niteroiense de Desportos (LND),  agoniza para não desaparecer. A agremiação localizada na Rua Doutor Souza Dias, 140 – no Bairro da Vital Brasil, em Niterói (RJ), vem travando uma luta para continuar de pé. Leiam abaixo a reportagem do Jornal O Globo, publicada no dia 12 de agosto de 2014, que conta o atual momento do clube áureo-anil:

“Aos 52 anos, Lurdes Mathias passa parte de seus dias sentada na frente de um portão de madeira desgastado e sem verniz, no Vital Brazil. O que ela guarda hoje não é nenhum tesouro — mais parece uma casa fantasma. Piscina vazia, churrasqueiras empoeiradas e muitas folhas de amendoeira pelo chão. Mas, sob a soleira do portão, Lurdes também guarda as memórias do que já viu ali: o Clube dos Pioneiros em seus tempos áureos, os bailes, as festas, as crianças na piscina. Com os olhos que observaram a realidade se transformar ao longo dos 20 anos em que trabalha no lugar, hoje ela só vê um destino para o clube: a venda. É a intenção também do presidente do conselho, Frederico Augusto.

— Vender é a única solução. Já tivemos cerca de 900 sócios. Hoje temos 84, mas só 20 pagam as mensalidades em dia. Temos dívidas trabalhistas de funcionários, IPTU, multas da Vigilância Sanitária, multas por realização de eventos sem alvará e inúmeras contas de luz e água atrasadas. Não temos como pagar tudo isso há muitos anos — afirma Augusto.

Assim como Lurdes, o atual presidente tem uma longa relação com o lugar, para o qual entrou como sócio há 34 anos e nunca mais saiu. Sobre a derrocada do clube — que ele afirma já ter recebido shows dos Mutantes e bailes da Orquestra Tabajara —, Augusto garante ser resultado de más administrações, irresponsabilidade fiscal e “mudança dos tempos”.

— Santa Rosa (bairro vizinho) foi invadida por edifícios nos últimos anos. Hoje as pessoas têm piscina, quadra esportiva, churrasqueiras e toda estrutura nesses condomínios… Não precisam mais pagar por um clube — avalia ele.

Com a venda, que deve ser feita para alguma construtora que erguerá ali mais um condomínio, Augusto pretende arrecadar aproximadamente R$ 23 milhões. O dinheiro, segundo ele, será usado para pagar as dívidas. Entre elas, salários e benefícios atrasados de Lurdes e mais três funcionários. O restante, será dividido em frações iguais entre os 84 sócios remanescentes”.

 

Fonte e Foto: O Globo (12-08-2014) http://oglobo.globo.com/rio/bairros/clube-dos-pioneiros-mais-um-fechar-as-portas-por-causa-de-dividas-em-niteroi-13543514

 

Esporte Clube Rosita Sofia – Rio de Janeiro (RJ): ‘O time do Comendador’

O Esporte Clube Rosita Sofia foi uma agremiação da cidade do Rio de Janeiro (RJ). O clube Rositano foi Fundado no dia 05 de Fevereiro de 1941, a sua Sede e o Estádio Serafim Sofia, ficavam localizados na Rua Itagibá, s/n, no Bairro do Cosmos, na Zona Rural (atual Zona Oeste) do Rio (RJ).

Trecho da história do E.C. Rosita Sofia contada pelo Jornal dos Sports, na página 3, do dia 29 de janeiro de 1944 (acima):

Fundado em 5 de fevereiro de 1941, o Esporte Clube Rosita Sofia teve sentido da madrugada e, em pleno alvorecer, compreendeu a necessidade imperiosa de trabalhar pelo fortalecimento da Pátria, não hesitando em lançar mão de todos os meios ao seu alcance para proporcionar aos Rositanos, mas à população de Kosmos, os elementos imprescindíveis para os embates da vida futura.

Então, a fundação da agremiação-modelo destinada a aprimorar as qualidades físicas, morais e intelectuais de sua juventude. Atendendo a um convite do Comendador, joalheiro e escritor português Serafim Moreira Sofia, reuniram-se no histórico prédio da Rua Guarujá, 34, na Estação do Kosmos, as pessoas de maior destaque na sociedade local, aprovaram os Estatutos e eleita a Diretoria. Entre os nomeados o Presidente: João Teixeira Dias; o Secretário: José Pereira da Silva Carneiro; o Tesoureiro: Adelino Moreira de Castro.

Fundadores

Entre os outros que assinaram  a Ata de fundação do simpático clube Alvi-Anil os conceituados esportistas Guilherme R. Barbosa, João Teixeira Dias, Adelino Moreira de Castro, Arnaldo Moreira Castro, José Pereira Carneiro, e o grande benemérito da instituição Sr. Serafim Moreira Sofia.

Escolhe do nome

Faltava, porém, escolher o nome para a agremiação recém-fundada. Lembraram-se então os seus fundadores de prestar uma merecida homenagem ao idealizador do notável empreendimento, Sr. Serafim Moreira Sofia, e, por proposta do Sr. Guilherme R. Barbosa, foi aclamada Patrona do clube a sua dileta filha Rosa Moreira Sofia, cujo nome na intimidade – Rosita – inspirou a denominação de ESPORTE CLUBE ROSITA SOFIA.”

Curiosidade

Um dos filhos do Comendador Serafim Moreira da Silva, que se mudou para o Brasil em 1919, foi o compositor Adelino Moreira autor de inúmeros sucessos, como “A volta do boêmio”, “Negue”, “Fica comigo esta noite”, entre mais de 1.200 canções gravadas e regravadas. Destaque para o samba-canção “Meu bairro”, de 1962, em cuja última estrofe aparece o Rosita Sofia, assim:

“Você não pense mulher,

Que eu deixaria,

Campo Grande, Rosita Sofia,

Cosmos do meu coração,

Onde eu curti minha primeira dor,

Onde nasceu meu verdadeiro amor,

E a minha primeira canção.”

Pois bem, Serafim Moreira era conhecido como “Comendador Sofia”. Comendador, porque recebeu esse título do Papa, devido aos serviços prestados à Igreja. Sofia, dizem, porque filho de Sofia Moreira – que é nome de praça, onde há um busto em bronze do Comendador, feito pelo escultor Miguel Pastor, em 1968.

Eu tenho cá uma explicação para isso, se me permitem. É fato que o Comendador construiu a Igreja de Santa Sofia, no mesmo bairro, como pagamento de uma promessa, por não ter morrido num naufrágio, quando vinha de Portugal, durante a Segunda Guerra Mundial. Provavelmente era devoto dessa santa por influência familiar, tendo em vista o nome de sua mãe. E o título de Comendador creio que foi decorrência da construção dessa Igreja. Daí o nome com que era conhecido.

Ele foi um benemérito do bairro, tendo inclusive distribuído pão e leite para pessoas carentes. A importância do Comendador para o bairro, aliás, foi imortalizada no samba-enredo de 2008 do Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos de Cosmos (autores: Fábio Santana, G. Rios, Bira Nota 10, Renatinho e Marquinhos Imperial), em que se cantava o seguinte:

“Serafim Sofia deu emprego a muita gente

Amparou muitos carentes, foi um grande benfeitor

Pelo esporte e na saúde, contribuiu com a educação

A fé e a devoção se transformaram nesta canção.”

Aliás, essa Escola de Samba ele mesmo ajudou a fundar em 01.01.1948. Doou o terreno para construção da quadra de ensaios e pediu em troca que seu filho Adelino fizesse os primeiros samba-enredos, enquanto não fosse formada uma ala de compositores – uma condição dessas nem era um requisito, mas um presente…

No futebol, o Comendador participou da fundação do Kosmos AC, em 01.05.1930. (A propósito, o bairro tem esse nome porque foi construído pela Companhia Kosmos Engenharia e Imobiliária, com base em planta elaborada por Oscar Niemeyer.)

Depois, em virtude de desentendimentos dentro do Kosmos, o Comendador fundou o Rosita Sofia. Confesso que não encontrei nenhuma referência direta ao porquê de Rosita, mas desconfio que foi uma homenagem à esposa. Ela se chamava Maria Rosa Martins de Castro e a mãe dela, Rosa Martins de Castro. Por ser Rosa e filha de Rosa, talvez fosse conhecida como Rosita – os portugueses têm esse costume de usar, no círculo de relações pessoais, alguns diminutivos em “ito” e “ita”, como Anita. E por ser casada com o Comendador Sofia, provavelmente era conhecida como Rosita Sofia.

Considero pouco plausível que fosse uma homenagem à sogra. Se bem que… segundo o Dicionário popular de futebol, o Rosita Sofia foi praticamente um precursor do Íbis, pois perdia para todo mundo nos anos 40 e 50, nos campeonatos do Departamento Autônomo da Federação Metropolitana de Futebol, do então Distrito Federal (Rio de Janeiro). Nelson Rodrigues, p.ex., ao dizer que um time era ruim, gostava de compará-lo ao Rosita Sofia, ou dizia que não conseguia ameaçar nem sequer o Rosita Sofia. Bem, tudo é possível, mas convenhamos que seria muito maquiavelismo dar ao clube o nome da sogra com o propósito de fazê-lo um saco-de-pancada…

PS1: Vale lembrar que ‘Rosita’, é diminutivo em espanhol, que traduzido para o português, seria o mesmo que ‘Rosinha’.

PS2: O Estádio do Rosita foi a casa da Associação Atlética Portuguesa até os anos 60, quando a ‘Lusinha Carioca’ adquiriu o Hipódromo Guanabara (hoje Estádio Luso-Brasileiro), na Ilha do Governador.

 

FONTES: ABRAHÃO, Raphael. <http://amigosdogresunidosdecosmos.blogspot.com>

ADELINO Moreira. <www.adelinomoreira.com.br>

ADELINO Moreira. <http://pt.wikipedia.org>

ADELINO Moreira, compositor de música ligeira (1918-2002). <http://portugal-mundo.blogspot.com>

COMENDADOR Serafim Moreira. <www.monumentosdorio.com.br>

CRAVO ALBIN, Ricardo (org.). Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro: Paracatu, 2006. p. 500-1.

ESPAÇO Cultural Compositor Adelino Moreira preserva a cultura da região oeste do Rio de Janeiro. <www.jornalriooeste.com.br>

G.R.E.S. Unidos de Cosmos. <http://unidosdecosmos.no.comunidades.net>

LOPES, Wellington. O sertão carioca está em festa, parabéns Cosmos, 60 anos de samba! <www.obatuque.com> – 22.05.2008.

MARCONDES, Marcos Antônio (org.). Enciclopédia da música brasileira: popular, erudita e folclórica. 2ª ed. São Paulo: Art Ed., 1998. p. 535.

PENNA, Leonam. Dicionário popular de futebol. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998. p. 179.

RODRIGUES, Nelson. A pátria em chuteiras. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. p. 76, 101.

SERAFIM Sofia. <www.revista.agulha.nom.br>

JORNAL DOS SPORTS