Arquivo da categoria: Carências

Categoria criada a fim de listarmos aquilo que nos falta informações. E assim, quem sabe; finalmente conseguirmos eliminá-los de nossa lista!

Campeonato Paulista da 2ª Divisão (atual Série A2) de 1983: Fichas, resultados e classificação do Quadrangular Final

Campeonato Paulista da 2ª Divisão de 1983

Fase Final

1ª Rodada (Domingo, dia 13 de Novembro de 1983)

XV de Piracicaba

2

X

0

Nacional

Noroeste

1

X

1

Bandeirante de Birigui

 

2ª Rodada (Terça-feira, dia 15 de Novembro de 1983)

Nacional

1

X

1

Noroeste

Bandeirante de Birigui

1

X

2

XV de Piracicaba

 

3ª Rodada (Domingo, dia 20 de Novembro de 1983)

Noroeste

1

X

1

XV de Piracicaba

Bandeirante de Birigui

4

X

1

Nacional

 

4ª Rodada (Domingo, dia 27 de Novembro de 1983)

XV de Piracicaba

1

X

0

Noroeste

Nacional

0

X

1

Bandeirante de Birigui

 

5ª Rodada (Quarta-feira, dia 30 de Novembro de 1983)

XV de Piracicaba

3

X

2

Bandeirante de Birigui

Noroeste

1

X

1

Nacional

 

6ª Rodada (Domingo, dia 04 de Dezembro de 1983)

Nacional

4

X

0

XV de Piracicaba

Bandeirante de Birigui

0

X

1

Noroeste

  XV DE PIRACICABA CAMPEÃO DA SEGUNDONA PAULISTA DE 1983

Classificação Final

CLUBES

PG

J

V

E

D

GP

GC

SG

XV de Piracicaba

9

6

4

1

1

9

8

1

Noroeste

6

6

1

4

1

5

5

0

Bandeirante de Birigui

5

6

2

1

3

9

8

1

Nacional (Capital)

4

6

1

2

3

7

9

-2

FONTE: Revista Placar

Reportagem de 1977: Comercial Futebol Clube – Belém (PA)

O Comercial Futebol Clube foi uma agremiação da cidade de Belém (PA). Sediado no Bairro do Telégrafo Sem Fio, em Belém, a equipe foi Fundada em 1970, como Dom Vital por funcionários da Transportadora Dom Vital. Seis anos depois adentrou na esfera profissional, quando alterou o nome para Comercial F.C.

HISTÓRIA

Tudo começou em 1970, quando um grupo de empregados da Transportadora Dom Vital fundaram uma agremiação para jogos fins de semana – e naturalmente a batizaram com o nome da empresa. O time começou a ganhar fama com as vitórias sobre os irmãos mais pobres e aos poucos admitiu o ingresso de aficionados de fora, principalmente os residentes no Bairro do Telégrafo Sem Fio, onde se localiza a firma.

Em 1974, Antero Ribeiro, dirigente da empresa em Belém, resolveu oficializar o Dom Vital, inscrevendo-o na Federação Paraense de Futebol (FPF), para disputar o Campeonato Distrital. Estava longe, então, de supor que seguiria o mesmo caminho de outros irmãos bastante ligados ao futebol: Paulo, ao Bonsucesso; João de Deus, ao Náutico; e Reginaldo, ao Sport.

No mesmo ano de sua oficialização, o Dom Vital conseguiu faturar o Distrital; repetiu à dose no ano seguinte. Não foi tão bem em 1976: conseguiu apenas o terceiro lugar. Por isso, chegou a ser surpreendente o convite da FPF para que o clube adotasse o futebol profissional.

Pensei muito antes de tomar a decisão. Conversei com Said Xerfan (líder de outro grupo empresarial) e surgiu a idéia de levarmos a coisa meio a meio”, contou Antero Ribeiro.

Dizem alguns que o experiente Paulo Ribeiro teria aconselhado ao irmão evitar que a firma corresse algum risco lançando seu nome numa aventura. Antero diz que o negócio não foi bem assim.

Meus irmãos fizeram algumas ponderações e eu cheguei à conclusão de que o nome da empresa poderia nos trazer alguns problemas, pois muitos de nossos clientes são torcedores do Paysandu ou Clube do Remo”, revelou.

 

Dom Vital não podia. Outro nome foi aventado: um dos muitos utilizados pela Xerfan, firma de confecções. Vetado, pois chegou-se à conclusão de que o clube deveria ter um nome neutro. E assim surgiu o Comercial.

Com força total – surpreendentemente. Ao fim do primeiro turno do campeonato, havia desbancado Tuna Luso e Paysandu. Dentro e fora de campo. Dentro, já garantiu sua participação na fase decisiva do título – tudo é lucro para o Comercial no segundo turno; fora, só perdeu em rendas (por muito pouco) para o Clube do Remo.

Sucesso que tem explicações convincentes. A primeira delas: uma boa organização, com perfeito suporte financeiro, apesar dos bons salários pagos, quinzenalmente e sempre em dia. “Faturo tanto quanto no Remo e em dia, o que é mais importante”, disse o lateral Lúcio Oliveira, salários de 6 mil cruzeiros.

Não é de se admirar que o Comercial esteja fazendo e acontecendo – afinal é o clube que paga os maiores bichos. Se o time tivesse faturado o primeiro turno, cada jogador receberia 5 mil cruzeiros.

Quanto ao time, sem maiores novidades para o torcedor – o que soa como castigo para os grandes. O Remo forneceu Lúcio Oliveira, Zé Lima e Amaral; a Tuna Luso contribuiu com o Carvalho; o Paysandu emprestou Da Silva; os demais titulares foram conseguidos no Santarém e no Castanhal, afora o Edgar, cedido pelo Rio Negro, do Amazonas.

O elenco que temos é suficiente para o campeonato, até porque já estamos classificados, junto com o Remo, para a decisão do título. Mas temos de pensar em reforços, pois nossos planos vão além”, afirmou o técnico José Maria Cunha.

Enganam-se quem pensa que o treinador é o único a sonhar com um futuro brilhante. O presidente Antero Ribeiro também alimenta esse acesso meteórico do Comercial. “Isso mesmo. Queremos o título paraense e depois esperamos entrar no Brasileiro”, destacou Antero Ribeiro.

Comercial de 1977: Pedrinho (La Ursa); Chico, Edgar, Olaci (Carvalho) e Lúcio Oliveira (Zé Quéti); Da Silva (Orlando Lima), Carlitinho (Zezinho) e Zé Lima (Mickey); Rangel (Nazareno), Fidélis (Isaías) e Amaral (Gonzaga). Técnico: José Maria Cunha

Artilheiros: Fidélis com dez tentos; Carlitinho e Zé Lima com seis.

Colaborou: Marco André Araujo Pinheiro

Desenho dos escudos e uniformesSérgio Mello

FONTE: Revista Placar (15/07/1977)

Associação Athletica São Geraldo – São Paulo (SP): 1º Clube paulista fundado por negros

A Associação Athletica São Geraldo foi uma agremiação da Cidade de São Paulo (SP).O “clube dos homens de cor” foi Fundado no dia 1º de novembro de 1917, por um grupo de “homens de cor”: Silvério Pereira, Rufi no dos Santos, Felisbino Barbosa, Horácio da Cunha, Benedito Costa e Benedito Prestes. A finalidade era promover a prática tanto do futebol quanto do atletismo .

O Alvinegro teve sedes na Barra Funda e posteriormente nos Perdizes. Não obstante, ao longo do tempo, seus investimentos maiores concentraram-se no esporte bretão. Como já assinalamos, o time do São Geraldo era composto por atletas negros.

Sua criação foi uma resposta à “linha de cor” que vicejava dentro e fora dos gramados na época. As grandes agremiações do futebol paulista – como o Club Athlético Paulistano, a Associação Athlética das Palmeiras e o Sport Club Corinthians Paulista (instituído em 1910) – dificultavam ou restringiam a presença de atletas “pretos” e “mulatos” (Leite, 1992, p. 26).

Alguns dirigentes acreditavam na inferioridade congênita do “jogador de cor, inadaptável à técnica e à ciência do futebol clássico” (Mazzoni, 1968, p. 159). Mesmo quando incorporado à equipe de futebol, os grandes clubes lhe vetavam a participação nas suas atividades sociais – como festas e bailes.

A criação do São Geraldo não se revestiu tão somente de um caráter reativo. Sua articulação igualmente se inseriu na rede de associativismo negro que, a partir do início do século XX, floresceu na terra dos bandeirantes. Eram dezenas de associações voltadas para fomentar as atividades recreativas, culturais, políticas e sociais dos autodenominados “homens de cor”.

Os tipos de eventos por elas promovidos, bem como as atividades a que se dedicavam, mostram que as suas finalidades eram bastante diferentes. Tais finalidades apareciam no próprio nome das associações ou nos vocábulos que os adjetivavam (“dançantes”; “recreativas, dançantes”; “dramático recreativas”; “dramático recreativa e literária”; “dramático recreativa literária e beneficente”; “beneficente e humanitária, recreativas e esportivas”, ou exclusivamente “esportivas”).

Apesar das diferenças existentes entre elas, as associações confluíam para o desenvolvimento de uma identidade específica – de um nós, negros, em oposição a eles, os brancos –, sendo, portanto, fundamental para a formação e desenvolvimento da experiência racial do grupo (Pinto, 2013, p. 80-81; Butler, 1998; Andrews, 1998; Trindade, 2004; Seigel, 2009).

O São Geraldo surgiu na Barra Funda, bairro que aglutinava um importante segmento da “população de cor”, oriunda sobretudo de pequenas cidades do interior do estado. A migração dessa população para a metrópole paulistana relacionava-se com a procura de emprego e melhores condições de vida no pós-abolição.

Na Barra Funda, foram construídos, além da estação ferroviária, grandes armazéns para estocar especialmente o café. Os homens negros constituíam a mão de obra básica, realizando as tarefas mais penosas de carregamento e descarregamento de mercadorias, seja nesses armazéns, seja naqueles situados no porto de Santos, para onde se deslocavam sempre que escasseava o trabalho em São Paulo. Já as mulheres prestavam serviços como domésticas nas casas das famílias ricas da cidade.

No tempo livre, estratos da “população de cor” realizavam batuques em torno dos botequins da Alameda Glette, rodas de samba, jogos de pernada, umbigada e tiririca (espécie de capoeira) no Largo da Banana e comemoravam os dias de Momo por meio dos Grupo Barra Funda, Campos Elísios e Flor da Mocidade – os primeiros cordões carnavalescos de São Paulo.

Assim, não é de estranhar que a Barra Funda já tenha sido identificada como um dos “territórios negros” da cidade nas primeiras décadas do século XX (Rolnik, 1989). Na parte alta do bairro, próximo ao Bom Retiro, havia vários terrenos baldios os quais, à medida que se desencadeou a popularização do futebol, passaram a ser utilizados para a prática do esporte.

Num desses terrenos, no fim da Rua Tupi, localizava-se o primeiro campo do São Geraldo (A Voz da Raça, 25/03/1933, p. 2). De acordo com Iêda Marques Brito, o clube foi erigido pelos “negros da Glette”, um grupo de negros que se encontravam na Alameda Glette, próximo à linha férrea. Não contavam com habilidades artesanais que pudessem favorecê-los profissionalmente, nem dominavam um ofício, razão pela qual trabalhavam como carregadores e ensacadores. Por vezes viviam à margem da ordem social vigente.

Eram respeitados pela sua força física, daí terem recebido a alcunha de “valentes da Barra Funda” (Britto, 1986, p. 100-101). Todavia, as informações fragmentadas disponíveis não permitem tecer detalhes acerca da origem do São Geraldo.

O certo é que a agremiação lavrou seus estatutos em cartório e estabeleceu uma estrutura de funcionamento alicerçada em várias instâncias, tais como diretoria, corpo de associados e programa de atividades. Sua sede foi instalada na Rua Barra Funda, mais tarde transferida para a Rua Florêncio de Abreu.

Aos poucos seu time de futebol, cujo uniforme ostentava as cores preto e branco, foi se estruturando até se filiar à Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA) – a entidade esportiva encarregada de organizar o futebol no Estado – e disputar o campeonato da chamada Divisão Municipal, a qual reunia uma série de clubes de várzea.

O São Geraldo ganhou destaque no meio negro, sobretudo pela qualidade de seus jogadores. Zelão, Tita, Africano, Filipão, Olavo, Caçaróia, Pé, Buiú, Alfredo, Goiabada, Bizerrão, Caetano, Vaca Braba, Bode, Hilário foram alguns dos jogadores que vestiram a camisa do clube e protagonizaram, na “zona Pacaembu, jogos de escol” (A Voz da Raça, 25/03/1933, p. 2).

Também tiveram passagem pelo “alvinegro” da Barra Funda o “valoroso” defensor Carlos Campos (O Clarim, 17/07/1927, p. 1; Cultura: Revista da Mocidade Negra, abr.-maio 1934), o “famoso beque” Sarará (Britto, 1986, p. 100), o atacante Ditinho – considerado um dos craques do time – e o “meia esquerda” Paulo, que “tem feito, nos nossos meios esportivos, uma fi gura brilhante” (Progresso, 26/09/1929, p. 7).

Praticar o futebol naquela época era algo dispendioso. Parte do material (bola, meias, calções, luvas, joelheiras, tornozeleiras) era importada (Caldas, 1990, p. 122-123). Não se sabe exatamente os meios com os quais o São Geraldo arcava com as despesas da equipe. É bem plausível que a sua principal fonte de recursos derivava das mensalidades dos sócios.

Outras fontes de renda provinham de donativos e da arrecadação das festas e bailes. “Revestiu-se de grande brilhantismo o festival dançante que A.A. São Geraldo fez realizar no sábado p.p. no salão Modelo à Rua da Consolação, 27, dedicado aos seus associados e suas famílias”, noticiou a revista Cultura (Progresso, 22/07/1928, p. 3; Cultura: Revista da Mocidade Negra, jan. 1934). Anos mais tarde, Dionísio Barbosa – o fundador e principal dirigente do cordão carnavalesco Camisa Verde – informou que cedia o salão da agremiação ao São Geraldo, para que este realizasse bailes “pra arrumá dinheiro, pra comprá camisa”, e os jogadores do São Geraldo, por sua vez, retribuíam fazendo a proteção dos bailes do Camisa Verde.

 

Campeão da Copa do Centenário da Independência do Brasil de 1922

Em nenhuma delas adquiriu a projeção do São Geraldo. Não é para menos. Ao longo de sua trajetória, o “alvinegro” da Barra Funda colecionou resultados positivos dentro dos gramados, sendo o principal deles a conquista da Copa do Centenário da Independência do Brasil – nome dado ao campeonato paulista de 1922 –, evento que fez parte das comemorações alusivas aos cem anos da emancipação política da nação.

Tratou-se de uma competição bastante disputada, que despertou a atenção do crescente número de fãs do futebol. Ao final do certame, o São Geraldo consagrou-se campeão da Divisão Municipal. Anos mais tarde, Deocleciano Nascimento relatou – detalhadamente e com emoção – como transcorreu a partida daquela grand finale.

O São Geraldo, clube constituído “somente de elementos de cor”, enfrentou o Flor do Belém, time “formado por brancos” e considerado favorito ao ambicionado título. A decisão do campeonato do Centenário se deu no Estádio da Floresta, num domingo de Páscoa. Deocleciano era um “dos membros da diretoria” do clube da Barra Funda.

 

Narrativa do jogo decisivo de 1922

Conta que, pela manhã, fez “alguns dos elementos sangeraldenses” verem a “grande responsabilidade que iam assumir dali a algumas horas. Em cada rosto, em cada fisionomia, notava-se um ar de esperança”, pois o desânimo não se abateu sobre os componentes do “quadro dos jovens pretos”. No primeiro tempo da partida, estes “produziram pouco, ou quase nada”.

O adversário então marcou um gol e, instantes depois de abrir o placar, fez o segundo gol de vantagem, de modo que seus “torcedores já o aclamavam campeão”. Mas, como diz o provérbio, “é melhor quem ri por último”. No segundo tempo, operou-se uma reviravolta surpreendente. “Diante da formidável pressão dos negros”, o Flor do Belém cedeu “os pontos conquistados e mais um”, sendo derrotado pelo placar de três tentos a dois. “Oh!… Meu Deus! Que alegria descrevo estas linhas!…”, exclamava Deocleciano em tom saudosista no ano de 1934:

Sinto, em mim, tamanha comoção… parece-me que estou ouvindo os gritos de entra!… centra!… não durma!… é sua!… E depois aquela vozeria que se elevára, demoradamente nos ares: gôôôôl! Gôôôôl! E em triunfo, ‘os onze’, saírem carregados do campo, levando para o São Geraldo o cetro de Campeão Municipal do Centenário (A Voz da Raça, 28/04/1934, p. 4).

Com a conquista do título, o “alvinegro” da Barra Funda tornou-se mais conhecido em São Paulo, especialmente no meio negro, legitimando-se como o principal time de futebol do gênero. De acordo com o Progresso, não foi a partir daquele instante que o São Geraldo compreendeu seu papel no mundo esportivo. De longa data os jogadores vinham “apurando a sua performance”. E “merecidamente levantaram o título de campeão do Centenário”, feito que souberam guardar com “usura”.

Afinal, colocou a agremiação na “dianteira de suas congêneres”. Instrumentalizando um discurso racial, o jornal da imprensa negra frisava que a “Associação Atlética São Geraldo é uma das agremiações de homens pretos que, no esporte, tem sabido não só na capital, como em todo o Estado, honrar sobremaneira o nome do negro brasileiro” (Progresso, 26/09/1929, p. 7).

Por essa perspectiva, o “alvinegro” da Barra Funda representava, antes, um símbolo da raça. Sua conquista da “taça” do Centenário foi, realmente, vista pelos afro-paulistas como uma grande proeza, que os enchia de orgulho racial, daí ter sido lembrada e relembrada diversas vezes pelos seus órgãos de comunicação.

Em junho de 1928, o Progresso noticiava que o “conhecido campeão do Centenário” destacava-se na “vanguarda dos clubes de sua categoria. Em cada luta em que se empenha aquela associação, numerosa é a assistência, que vai levar-lhe o apoio de sua torcida” (Progresso, 23/06/1928, p. 5). Cerca de um ano depois, o periódico voltava a se reportar aos seus leitores: “Na história das festas, com que se comemorou, esportivamente, os 100 anos de nossa emancipação política, o clube que bem representa os pretos da capital e do Estado de S. Paulo, ocupa capítulo à parte. De um modo que nos honra sobremaneira, o S. Geraldo conquistou o disputado título de Campeão do Centenário. Deus, parece, que escolheu a camisa alvinegra, para dar-lhes essa honrosa designação, evidenciando, deste modo, o quanto a nós, pretos, o Brasil deve a sua Independência” (Progresso, 28/07/1929, p. 5).

Para muitos afro-paulistas, o triunfo do São Geraldo em 1922 assumia um significado que ia além do desportivo. Servia para conferir centralidade e visibilidade ao negro, positivando a sua imagem pública e lhe possibilitando atestar o seu valor não somente para a afirmação do futebol, mas também do Brasil. Denotando um sentido cívico-político, o esporte bretão era, neste caso, apropriado para celebrar a “raça” e a “nação”, combinadamente.

Além de disputar o campeonato da APEA, o São Geraldo costumava jogar contra os clubes dos “homens de cor”. Os contatos entre os sujeitos do chamado meio negro eram proativos e constantes. Bastava a existência no bairro de um time de futebol para que a interação entre eles se desenvolvesse, em diversas latitudes.

Um dos grandes rivais do São Geraldo localizava-se justamente no mesmo bairro. Era o time de futebol do Grêmio Barra Funda, com o qual disputou partidas memoráveis (Silva, 1998). Em abril de 1926, o Grêmio Recreativo Nem que Chova abriu as inscrições de um “festival esportivo”, planejando reunir dez times de futebol do meio negro no campo do Paulista de Aniagens, situado na Rua Glicério. Como premiação, previa-se distribuir “duas ricas taças” (O Clarim, 25/04/1926, p. 4).

O “festival” ocorreu no dia 9 de maio daquele ano e, ao que parece, contou com a participação do São Geraldo (O Clarim, 20/06/1926, p. 3). Já no ano de 1932, a “pujante esquadra do São Geraldo suspendeu a linda Taça Clarim d’Alvorada, troféu máximo de campeão […] entre as agremiações esportivas da raça negra, que militam na capital” (O Clarim d’Alvorada, 31/01/1932, p. 3). Os intercâmbios do “alvinegro” da Barra Funda também ocorreram com os clubes do interior paulista. Em agosto de 1929, sua equipe viajou até a cidade de Campinas, para enfrentar a Ponte Preta.

O prélio, ainda que amistoso, se viu cercado de expectativas. “Perante grande assistência”, noticiou o Progresso, “foi disputada no dia 11 do corrente, em Campinas, uma partida amistosa de futebol entre as turmas da A. A. São Geraldo e a respectiva da A.A. Ponte Preta”.

A partida teria transcorrido muito movimentada e terminou com a vitória da Ponte Preta, pela contagem de 4 x 2, “sendo que o São Geraldo teve um ponto legítimo anulado, e uma pena máxima, que foi chutada fora. O S. Geraldo foi bastante prejudicado pelo juiz” (Progresso, 31/08/1929, p. 5).

Por vezes, o “alvinegro” da Barra Funda enfrentou adversários de outros estados, principalmente do Rio de Janeiro, em torneios e jogos amistosos (Silva, 1998).  Em 1925, ocorreu uma crise na organização do futebol paulista, o que levou o Clube Atlético Paulistano a abandonar a APEA e decidir criar a Liga de Amadores de Futebol (LAF). Seu gesto foi acompanhado imediatamente pela Associação Atlética das Palmeiras e pelo Sport Club Germânia. A nova associação nasceu com o propósito de “depurar” o futebol e incrementar a prática do esporte sobre as bases do “mais restrito amadorismo” (Rosenfeld, 1993).

Tanto a APEA quanto a LAF reivindicavam para si o direito de representar ofi cialmente o futebol do Estado de São Paulo. Neste cenário, o São Geraldo aderiu à nova associação, disputando o campeonato da divisão “intermediária”. Convém lembrar que, nessa época, não havia lei de acesso. Os nove times considerados grandes (Club Atlético Paulistano, Sport Club Germânia, Sport Club Corinthians, Associação Atlética das Palmeiras, Britânia Atlético Clube, Clube Atlético Santista, Antártica Futebol Clube, Clube Atlético Independência e Paulista Futebol Clube), que compunham a divisão mais importante da LAF, jogavam entre si e não corriam o risco de rebaixamento.

Já o São Geraldo jogava contra os clubes menores, muitos dos quais egressos do futebol de várzea. E mesmo que aí se destacasse, não havia a perspectiva de ascender à divisão principal (Silva, 2013). “Grandes são as vitórias do São Geraldo, que cioso pelo seu passado”, ressaltou o Progresso, “tem se empenhado em pugnas sérias, valendo-lhe lugar invejável na LAF. Na última luta em que se empenhou com o São Paulo Railway, levou de vencida o seu valente antagonista” (Progresso, 07/09/1928, p. 5).

A imprensa negra costumava acompanhar o desempenho do São Geraldo no campeonato da LAF e não perdia a oportunidade de repercutir e vibrar com os triunfos do “campeão do Centenário” (Progresso, 15/11/1928, p. 2). Quando, em 1928, este disputou o último jogo da divisão “intermediária” da LAF, no qual enfrentou os quadros principais do União Fluminense F.C., a imprensa negra voltou a pautá-lo.

O jogo era esperado com “grande interesse, pois sérios rivais e bem colocados na tabela do campeonato iam pela segunda vez no ano medir forças”. Ao Fluminense bastava um empate e ao São Geraldo uma vitória para ficar empatado com o rival na primeira colocação. Muitos “torcedores da forte falange negra estiveram presentes” no evento, no entanto, os “azares da sorte” impediram que eles saíssem de lá “jubilosos”, afinal, o “alvinegro” da Barra Funda se viu derrotado.

“Foi uma pena”, assinalou o Progresso, mas nada de arrefecer os ânimos. “O campeão do Centenário é digno, ainda, pelos esforços de seus componentes daquele título. […] O São Geraldo, estamos convictos, não se desanimará por isso. Apurará ainda mais o seu conjunto, e depois… mãos à obra, isto é, firme na liça, em guarda no campo. Confiante no destino” (Progresso, 13/01/1929, p. 6).

Se no campeonato de 1928 o “alvinegro” da Barra Funda se viu descambado pelos “azares da sorte”, no do ano seguinte a situação se alterou. Segundo O Clarim d’Alvorada, o São Geraldo fechou a competição de 1929 de “um modo brilhante e digno de todos os encômios”. Basta dizer que, no decorrer do ano, seu “quadro” não sentiu o gosto da derrota; os “jogadores não sofreram a menor pena ou censura, em se tratando de disciplina.

E isto, para nós, é motivo de júbilo, pois o S. Geraldo é uma associação essencialmente de nossa classe”, afirmou o jornal da imprensa negra. O rendimento da equipe em campo teria surpreendido a todos. Durante todos os jogos, “apenas uma meta vazou o gol São Geraldense”; no mais, “tudo foi levado de vencida, portanto, esse campeonato foi um ano de orgulho para os esportistas negros desta capital, e a diretoria que conduziu o invicto S. Geraldo, no ano findo, está de parabéns, pela conquista deste alto troféu que irá enriquecer a sede deste nosso acatado grêmio esportivo”, finalizou a reportagem d’O Clarim d’Alvorada (O Clarim d’Alvorada, 25/01/1930, p. 2).

Aquela foi a última vez que o “alvinegro” da Barra Funda disputou o campeonato da LAF, a entidade que, desde a sua criação, mostrava-se favorável à permanência do amadorismo. Tudo levava a crer que a LAF iria substituir a APEA como legítima representante do futebol de São Paulo, mas não foi isso que ocorreu. A despeito de seu dinamismo na fase inicial, a entidade dissidente não conseguiu se consolidar no meio futebolístico.

Lentamente, os times foram abandonando-a e regressando à APEA. Foi o caso do Sport Club Corinthians, que ajudou a erguê-la em 1925, e retornou à APEA em 1927, tendo nela participado de apenas um campeonato. Ao todo, a LAF organizou três campeonatos paulistas, extinguindo-se em 1929.

O insucesso da entidade deveu-se basicamente à sua insistência em manter o futebol amador – condição na qual os jogadores ficavam desprovidos de salário, vínculo formal e não conseguiam viver exclusivamente do futebol, tendo que exercer outras ocupações para garantir o seu sustento –, numa época em que os clubes cada vez mais se profissionalizavam.

Enquanto isso, a APEA, que na teoria preconizava o amadorismo, na prática deixava que clubes e jogadores experimentassem o profissionalismo. Waldenyr Caldas argumenta que poucos jogadores queriam continuar nos times da LAF, uma vez que só ganhavam o material de jogo (calção, camisa, meias, toucas e chuteira) para entrar em campo, ao passo que, nos times da APEA, eles poderiam receber um salário paralelo à sua eventual atividade profissional fora do futebol.

Não tardou para que os melhores jogadores da entidade dissidente começassem a se transferir para as equipes da APEA. Os que lá permaneceram, com raras exceções, “não desejavam mesmo se profissionalizar como futebolistas. Desse modo, a LAF não poderia mesmo ter vida longa”. Em São Paulo, mais do que em qualquer outro lugar do país, o profissionalismo no futebol “avançava de forma irreversível” (Caldas, 1990, p. 129).

Foi neste contexto que o São Geraldo elegeu uma nova diretoria e voltou a se afiliar à APEA, participando de suas competições. Em 1933, a revista Evolução – cujo subtítulo era bem sugestivo: “revista dos homens pretos de São Paulo” – reportava-se ao passado da “dedicada e sempre estimada associação” da Barra Funda, um passado que consistia numa “página cheia de glórias para o engrandecimento do progresso da nossa raça no esporte predileto do momento, o futebol.

Desta Associação têm saído grandes astros”. Se o concurso de todos os elementos negros fosse uma realidade, “ela seria na atualidade uma grande demonstração de força da nossa raça. Porém, os seus dirigentes não se cansam de lutar. Esta sociedade nossa está filiada à APEA, fazendo parte da sua 2ª. divisão” (Evolução: Revista dos Homens Pretos de São Paulo, 13/05/1933, p. 14).

Como se percebe, o São Geraldo continuava sendo celebrado pelos porta-vozes da “comunidade negra”. Mais do que um mero time de futebol, ele era visto como uma referência cívica, um patrimônio-símbolo do aperfeiçoamento da raça.

Para além de um passado cheio de “glórias”, seus êxitos remeteriam às potencialidades, ao poder de realização e à capacidade de superação do negro na sociedade brasileira. Mas, naquela altura, o clube da Barra Funda já não era o mesmo.

Pouco a pouco entrou em crise, enfrentou tensões internas e se desarticulou coletivamente. Sem resultados expressivos dentro de campo, restava viver de um discurso saudosista. Não é possível assegurar, ainda, quando o time encerrou as suas atividades, mas parece que foi na primeira metade da década de 1940.

Também não é possível asseverar as razões internas que levaram a isso. Quanto às externas, tudo indica que o desmonte do São Geraldo esteve relacionado ao novo contexto social e cultural. Com a consolidação do futebol como esporte de massa e sua definitiva profissionalização, o que implicou um aumento na competitividade entre os grandes clubes, perderam terreno as linhas de cor e de classe social que imperavam no meio (Levine, 1980; Evolução: Revista dos Homens Pretos de São Paulo, 13/05/1933, p. 8).

Contribuiu para esse processo o crescente descrédito nas ideias do racismo científico e a ressignificação, para não dizer positivação, do papel da mestiçagem no imaginário nacional (Borges, 1993; Schwarcz, 1993; Ventura, 2000). Talvez mais importante que a condição de “preto”, “mulato” ou pobre de cada jogador seria a vitória do time.

Conforme revelou A Voz da Raça em julho de 1933, “os principais clubes de futebol aos poucos iam reformando seus estatutos e entre cláusulas abolidas figurava sempre a que proibia a entrada de homens de cor”. Para o veículo de comunicação “oficial da Frente Negra Brasileira”, o jogador símbolo do “ingresso do negro nos altos cenários” do futebol foi Mateus Marcondes.

O “másculo” atleta do Clube Espéria teria sido a última “figura a aparecer vitoriosamente em nossos esportes, vencendo e convencendo aos paredros do futebol bandeirante […]” (A Voz da Raça, 08/07/1933, p. 4).

Muitos clubes da primeira divisão do futebol paulista passaram a “recrutar” jogadores negros na década de 1930. Isto não significa que tenham cessado as denúncias de que tais jogadores, embora elevassem o nome das agremiações desportivas, eram aceitos apenas como atletas e não como sócios (O Clarim d’Alvorada, 26/07/1931, p. 3).

Seja como for, emergiu um fenômeno novo: alguns dos melhores jogadores colored migraram para os grandes clubes (Andrews, 1998, p. 222). Bianco, o famoso “gorrinho encarnado” do Sul-América, transferiu-se para a Associação Atlética das Palmeiras (A Voz da Raça, 08/07/1933, p. 4). Talvez o caso mais emblemático tenha sido Petronilho de Brito, um típico jogador da várzea paulistana que, na concepção de Thomaz Mazzoni, trouxe pioneiramente para o “futebol dos grandes clubes o verdadeiro futebol da raça negra” (Mazzoni, 1968, p. 159).

Do próprio São Geraldo saíram “grandes astros” (Evolução: Revista dos Homens Pretos de São Paulo, 13/05/1933, p. 14), alguns dos quais teriam ido parar no Sport Club Corinthians, pelo menos é o que Seu Zezindo da Casa Verde, um ex-jogador da equipe, afirma: Na Barra Funda jogava aqui no São Geraldo.

Negro não passava [para a primeira divisão do campeonato]. Então nóis desafiêmo tudo quanto era time de São Paulo. Tudo, Paulistano, nós desafiava todo mundo. Ninguém queria jogá com nóis. Sabe quem foi que um dia descobriu o São Geraldo? O Corínthians, começou a passá a mão nos negro devagarinho, tirô um, tirô outro, tirou um, tirou outro e destruiu o São Geraldo. Mas o São Geraldo era prá sê um time de primeira categoria. No, no campeonato era…

Os colored que permaneceram em seus times de origem, com raras exceções, não tinham a intenção de se profissionalizar como jogador de futebol. Assim, os times dos “homens de cor” se viram sem seus “craques”, passaram a enfrentar dificuldades para se manter e, de certo modo, perderam parte da coesão e do sentido de sua existência.

Prosseguiram atuando no futebol amador de várzea, sem, contudo, perspectivas de vida longa. No que concerne ao São Geraldo, continuou a ser evocado no meio negro como o campeão do Centenário. Dada a importância do acontecimento, devia ser celebrado, rememorado e transmitido de geração para geração, para não cair no esquecimento.

Em 1948, ao recordar os “maiores feitos do futebol brasileiro”, a folha Mundo Esportivo mencionou o título do São Geraldo de campeão do Centenário da “Divisão Municipal” (Mundo Esportivo, 16/01/1948, p. 14). A esse respeito, O Clarim d’Alvorada já tinha sido bem incisivo em sua edição de 26 de julho de 1931: “o São Geraldo é um clube que honra a coletividade negra no futebol paulista” (O Clarim d’Alvorada, 26/07/1931, p. 3).

Eis uma opinião compartilhada por Dionísio Barbosa, que, em depoimento prestado ao Museu da Imagem e do Som em 1976, referiu-se às supostas virtudes do “alvinegro” da Barra Funda.

Para muitas “pessoas de cor”, o São Geraldo era uma fonte de orgulho racial. Na prática desportiva, constituía uma espécie de sismógrafo do quanto o negro era perseverante, dotado de disciplina e qualidades físicas, aliadas à inteligência e competência para alcançar os pináculos da vitória e se impor perante os desafios da vida (e da nação), colocando em xeque a ideologia de sua inferioridade racial.

 

PS: O título do Torneio Eliminatório Paulista de 1923, está disponível em nosso Blog no seguinte Link: https://historiadofutebol.com/blog/?p=46969

 

FONTES: Progresso (23/06/1928, p. 5) – A Voz da Raça (25/03/1933, p. 2) – Correio de São Paulo (30/04/1941, p. 9; 08/06/1941, p. 18; 03/07/1941, p. 11; 17/07/1941, p. 10; 24/07/1941, p. 11; 10/08/1941, p. 20; 20/08/1941, p. 9). – Folha Mundo Esportivo – Livro “Os Esquecidos – Arquivos do Futebol Paulista, da Editora Datatoro, de autoria de Rodolfo Kussarev – O “campeão do Centenário”: raça e nação no futebol paulista, de Petrônio Domingues

Modelo de escudo Inédito, de 1973! Rio Branco Football Club – Rio Branco (AC)

Rio Branco Football Club, conhecido por Rio Branco ou Estrelão, e cujo acrônimo é RBFC, é um clube poliesportivo brasileiro, sediado na cidade de Rio Branco, no estado do Acre. Tem como principal modalidade o futebol. As cores do clube – presentes no escudo, uniforme e bandeira oficial – são o vermelho e branco. Seu mascote é a Estrela Altaneira, símbolo da Revolução Acriana, que também está presente na bandeira do Estado do Acre.

Suas principais conquistas consistem em 45 títulos do Campeonato Acreano, três do Copas da Amazônia e uma da Copa Norte, conquistada de forma invicta no ano de 1997. Este último garantiu ao clube uma vaga na Copa Conmebol, tornando-se o primeiro clube da Região Norte do Brasil a disputar uma competição oficial sul-americana.

História

Fundação

O Rio Branco foi fundado na noite do dia 8 de junho de 1919, em uma reunião ocorrida no Eden Cine Theatro (no local do Cine Teatro Recreio), na Rua 17 de Novembro no 2° Distrito da cidade de Rio Branco. A reunião foi convocada pelo advogado amazonense Dr. Luiz Mestrinho Filho, o qual estava na cidade para presidir uma comissão de inquérito na Agência dos Correios. Compareceram ao todo 16 pessoas, entre os quais estavam Nathaniel de Albuquerque, Conrado Fleury, José Francisco de Melo, Mário de Oliveira, Luiz Mestrinho Filho, Alfredo Ferreira Gomes, Manoel Vasconcelos, Francisco Lima e Silva, Pedro de Castro Feitosa, Jayme Plácido de Paiva e Melo, que assinaram a primeira ata do clube.

No mesmo dia da fundação, foram sugeridos por Luiz Mestrinho o nome do clube (em louvor à cidade e ao Barão do Rio Branco) e as cores vermelho e branco. Como primeiro presidente do Rio Branco, foi escolhido Nathaniel de Albuquerque.

Após eleita a primeira diretoria, o clube recebeu a doação de um terreno no local onde hoje está situada a Praça Plácido de Castro, por parte do prefeito, Dr. Augusto Monteiro. O terreno doado consistia em uma área de mata nativa, que em poucos dias foi substituída por um campo de terra batida para, mais tarde, tornar-se a sede social do clube.

A primeira partida oficial disputada pelo Rio Branco ocorreu no dia 14 de julho de 1919, com vitória por 5 a 0 sobre o Militar Foot-Ball Club, equipe da Polícia Militar do estado. O primeiro uniforme do Rio Branco era totalmente branco, com uma grande estrela vermelha no local do distintivo da camisa.

No dia 18 de julho de 1920, o Rio Branco faria sua primeira partida intermunicipal, com vitória sobre a Seleção de Xapuri pelo placar de 1×0.

Primeiros jogos

Em seu primeiro ano de existência, o Rio Branco disputou alguns amistosos e o primeiro torneio da Liga Acreana de Esportes Terrestres (LAET) e venceu todos os jogos, faturando o primeiro título do estado:

A Estrela Altaneira, transformada em segundo escudo do clube, é usada frequentemente em seu uniforme. As 3 estrelas vermelhas representam o tricampeonato do Copão da Amazônia. A estrela dourada representa o título da Copa Norte de 1997.

09 de julho — Rio Branco 10 x 0 Acreano – Liga Torneio Initiun
09 de julho — Rio Branco 2 x 0 Ypiranga – Liga Torneio Initiun
14 de julho — Rio Branco 5 x 0 Militar – Amistoso
20 de julho — Rio Branco 4 x 0 Militar – Amistoso
01 de agosto — Rio Branco 4 x 0 Acreano – Campeonato Acreano
06 de agosto — Rio Branco 2 x 1 Militar – Amistoso
17 de agosto — Rio Branco 8 x 0 Ypiranga – Campeonato Acreano
06 de setembro — Rio Branco 11 x 1 Team Negra – Amistoso
21 de setembro — Rio Branco 1 x 0 Ypiranga – Campeonato Acreano
28 de setembro — Rio Branco 3 x 0 Acreano – Campeonato Acreano
15 de novembro — Rio Branco 2 x 0 Combinado Acreano/Ypiranga – Amistoso (entrega de faixas)
14 de dezembro — Rio Branco 2 x 1 Ypiranga – Amistoso
28 de dezembro — Rio Branco 5 x 0 Ypiranga – Amistoso

Os times existentes à época promoviam diversos amistosos, cultuando uma rivalidade saudável e unia uma frente única para derrotar aquela equipe poderosa no futebol e pela composição de seus membros influentes na vida social, administrativa e política territorial, como advogados, promotores, juízes, desembargadores, médicos, militares, delegados, escritores, altos comerciantes.

A primeira derrota

Em 1920, o Rio Branco continuaria a colher louros no futebol, mas conheceria no último jogo do ano o amargo sabor da derrota que tanto impunha aos rivais. Os jogos de 1920:

30 de maio — Rio Branco 4 x 2 Acreano S.C.
06 de junho — Rio Branco 3 x 1 Ypiranga S.C.
27 de junho — Rio Branco 2 x 1 Acreano S.C.
18 de julho — Rio Branco 1 x 0 Xapurienses (*)
22 de agosto — Rio Branco 5 x 0 Catuaba F.C.
12 de setembro — Rio Branco 3 x 0 Acreano S.C.
05 de outubro — Rio Branco 2 x 0 Ypiranga S.C.
12 de outubro — Rio Branco 1 x 0 Brasil E.A.
14 de novembro — Rio Branco 1 x 3 Catuaba F.C.

(*) o jogo de 18 de julho, contra a seleção Xapuriense, vencido pelo Estrelão, marcou o primeiro amistoso inter-municipal ou inter-departamental.

Primeiros títulos

O ano de 1919 marca também a criação da Liga Acreana de Esportes Terrestres (LAET). O Rio Branco foi um de seus fundadores, juntamente com o Acreano Sport CIub e o Ypiranga Sport Club. A associação recém-criada promoveu a disputa de um torneio, a Liga Torneio Initium, no dia 9 de julho daquele ano. O Rio Branco sagrou-se campeão, vencendo o Acreano por 10×0 e o Ypiranga por 2×0.

No dia 1º de agosto de 1919, teve início o primeiro campeonato oficial da LAET, disputado em dois turnos. No primeiro, o Rio Branco goleou o Acreano por 4×0 e o Ypiranga por 8×0. No segundo turno, 3×0 no Acreano e 1×0 no Ypiranga. O time do Rio Branco que foi campeão da competição estava assim formado: Alfredo; Zé Bezerra e Olavo; Nobre, Bandeira e Joca; Fortenelle, Gaston, Mello, Jacob e Carlos.

Infelizmente, o Delegado Chiquinho pôde somente registrar quatro jogos estrelados em 1921, pelo campeonato, ainda os três clubes, mas é fácil saber que o Estrelão faturou o bicampeonato, aferindo-se pelos escores do primeiro turno, agora já minguados talvez pela retrancagem:

16 de julho — Rio Branco 1 x 1 Militar
23 de julho — Rio Branco 1 x 0 Rio Negro A.C.
30 de julho — Rio Branco 1 x 0 Militar
05 de agosto — Rio Branco 1 x 0 Militar.

No dia 1º de outubro de 1921, o Rio Branco disputou um amistoso para a entrega das faixas de campeão, contra um Combinado Acreano-Ypiranga. Vitória do Estrelão pelo placar de 3 x 2.

Entre 1922 e 1927, a LAET não organizou o seu campeonato. Os clubes acreanos tiveram de se contentar com amistosos. Somente em 1928 houve um novo campeonato, faturado pelo Rio Branco sobre o Ypiranga. Em 1929, o clube rompeu relações com a mentora e decidiu não mais participar dos torneios. O retorno para competições só aconteceu em 1935, com mais um título estadual, desta vez em cima do América.

Dez anos depois de sua fundação, o Rio Branco inaugurava o seu estádio próprio no dia 8 de junho de 1929, em um terreno oferecido pelo fundador e chefe de Polícia, José Francisco de Melo e a sua esposa, dona Isaura Parente. O estádio foi batizado de Stadium José de Melo, e está localizado na Avenida Ceará. É lá onde a sede do clube se encontra até os dias de hoje.

Estrela Solitária

Nas décadas de 30 e 40, o Rio Branco reinava absoluto no futebol do Acre, conquistando nada menos do que 12 títulos estaduais, entre 1935 e 1947, sendo onze deles organizados pela LAET e o primeiro campeonato organizado pela Federação Acreana de Desportos (FAD) (criada em 24 de janeiro de 1947). Na anos 1950, o clube faturou mais cinco títulos estaduais.

Entre 1964 e 1970, o Rio Branco amargou um jejum de títulos, algo incomum para um clube acostumado com conquistas. A torcida teve que esperar até 1971 para comemorar outro campeonato.

O tricampeonato da Amazônia

Sem poder participar de campeonatos nacionais e de categoria profissional devido a não serem regularizadas profissionalmente, as federações de AcreAmapáRondônia e Roraima criaram o Torneio Integração, mais conhecido como Copão da Amazônia. A primeira edição aconteceu em 1975 em Porto Velho. O Rio Branco debutou na competição na sua segunda edição, e já faturando o título diante do Baré-RR no Estádio José de Melo. Em 1977, em Macapá, o Estrelão buscou o bicampeonato, mas perdeu a grande final para o Moto Clube-RO nos pênaltis, depois de um empate em 1×1 no tempo normal. Em 1978, nova derrota na final para o Moto Clube, desta vez por 1×0 em Boa Vista. A revanche aconteceu em 1979, na casa do adversário, com um 2×1 em pleno estádio Aluízio Ferreira, faturando o bicampeonato. O tricampeonato só aconteceu 5 anos depois, em 1984, depois de vencer o Baré por 2×0 no dia 23 de Outubro no estádio Glicério Marques, em Macapá. Em 1986, novo vice-campeonato: Depois de dois empates (1×1 em Rio Branco e 2×2 em Macapá), o título foi decidido em um terceiro jogo, com vitória do Trem-AP por 2×1, na capital amapaense. O torneio deixou de existir após a profissionalização das federações e dos clubes. O Rio Branco é o segundo maior vencedor do Copão, atrás apenas do Trem-AP, que faturou 5 títulos.

A conquista do Norte

Após a implantação do profissionalismo no futebol acreano em 1989, o Rio Branco consolidou seu domínio local, conquistando, até hoje, 13 títulos estaduais. Em 1989, o Estrelão estreou em competições nacionais, disputando a Série B do Campeonato Brasileiro. O clube foi a grande surpresa da competição, sendo eliminado apenas nas oitavas-de-final diante do Ceará, terminando entre os 16 primeiros e garantindo vaga na Série B de 1990.

O ano de 1997 ficou marcado como o ano mais importante da história do clube, com a principal conquista da história do clube: a Copa Norte. Após estrear na competição com um empate sem gols com o Ji-Paraná-RO, o Rio Branco passou por Baré-RR (1×0), Independência (1×0) e goleou o Nacional-AM (4×1), garantindo o primeiro lugar em seu grupo e, consequentemente, a vaga para a final.

O adversário da decisão foi o Clube do Remo. No primeiro jogo, no José de Melo, um empate sem gols. Na decisão em Belém, o Rio Branco não tomou conhecimentos do time mandante e venceu o Remo em pleno Estádio Mangueirão pelo placar de 2 x 1, com gols de Palmiro e Vinícius, fazendo do Rio Branco o primeiro campeão do torneio e ganhar a alcunha de “O Melhor do Norte”. A conquista do título regional permitiu que o Rio Branco fosse a primeira equipe da região Norte a disputar uma competição sul-americana: a Copa Conmebol.

No dia 27 de agosto, o clube estreou na Copa Conmebol, um marco importante no futebol da região. O jogo era na Colômbia, contra o Deportes Tolima. Em um jogo bastante equilibrado e pegado, o Estrelão saiu da Colômbia com uma derrota por 2 x 1. No jogo de volta, dia 03 de setembro, com o Estádio José de Melo lotado, o Rio Branco foi em busca do resultado. e a estrela do atacante Gomes brilhou. O atacante marcou o único gol da partida, aos 41′ do segundo tempo, levando o jogo para os pênaltis. Nas penalidades, o Estrelão saiu derrotado por 3×1, com Hélio, Vinícius e Testinha perdendo as suas cobranças, fechando assim a sua única participação na competição.

Também em 1997, o clube conquistaria o Campeonato Acreano, eliminaria o Goiás (venceu o primeiro jogo no José de Melo por 1×0, e no segundo jogo perdeu por 2×1 no Serra Dourada, conseguindo a classificação para a próxima fase) e venceria o Flamengo (2×1 em casa), ambos pela Copa do Brasil, e terminaria na oitava colocação na classificação geral da competição, sua melhor participação.

Queda e reestruturação

Depois do auge, veio a queda. O Rio Branco passou por uma grande reformulação e não conseguiu forças para continuar crescendo no cenário nacional. O clube acumulou dívidas e não conseguia repetir os bons resultados em competições nacionais, chegando a desistir de participar das edições de 2002 e 2005 da Série C por motivos financeiros.

Somente a partir de 2002, o Estrelão voltou a se impor na região. Entre 2002 e 2005, o Estrelão sagrou-se tetracampeão estadual, o primeiro e único desde a profissionalização do futebol local. Em 2004, o clube deu o primeiro passo na tentativa de voltar à Série B. Em uma excelente campanha na Série C, O Rio Branco só foi parado na última fase antes do quadrangular final, diante do Gama, que seria vice-campeão e conquistaria o acesso. O clube ainda lamenta que, naquela oportunidade, teve de jogar no Estádio Biancão, em Ji-Paraná, no interior de Rondônia, por ter sido punido pelo STJD após uma lata ter sido arremessada para dentro do gramado do José de Melo na vitória diante do Grêmio Coariense-AM na fase anterior.

Em 2007, conquistou o Campeonato Acreano com uma campanha impecável, vencendo os dois turnos do campeonato de forma invicta.

Entre 2007 e 2009, o clube fez belíssimas campanhas pela Série C do Campeonato Brasileiro. Em 2007, o Estrelão chegou à terceira fase da competição. Em um grupo com ABC-RNBahia e Fast-AM, o Rio Branco acabou perdendo a vaga para o octogonal final no terceiro critério de desempate: o número de gols marcados. A vaga ficou com o Bahia, em meio à muita polêmica. A equipe terminaria na 10ª colocação na classificação geral da competição.

Em 2008, a vaga no octogonal final veio após incontestável campanha nas fases anteriores, sendo líder nos 3 grupos das 3 primeiras fases. Porém, na fase final, o Rio Branco teria que se superar: Viajar mais de 53 mil km em busca da vaga para a Série B. A tabela o desfavoreceu: Foi o único time do octogonal a não ter jogos seguidos em casa. Com jogos no meio e fins de semana, as viagens longas e os pouquíssimos treinos antes das partidas fez o elenco se desgastar bastante, não conseguindo manter o ritmo das fases anteriores, e terminou o octogonal na última colocação, a 2 pontos do acesso para a Série B, ficando em 3º colocado na classificação geral da competição, consolidando novamente a sua força na Região Norte. O atacante Marcelo Brás foi o vice-artilheiro da série C com 19 gols, e os jogadores Ley e Zé Marco foram considerados os melhores lateral e volante da competição, respectivamente.

Em 2009, novamente em busca do acesso à Série B, o clube fez parcerias com o Atlético Paranaense e com a empresa inglesa fornecedora de materiais esportivos, a Umbro. A princípio parecia o que faltava ao clube: parcerias. Mas os esforços não resultaram nos objetivos. O clube não conseguiu o Tricampeonato Acreano, perdendo de quebra também a vaga para a Copa do Brasil 2010. Na nova Série C, porém, apesar de só conquistar pontos dentro de casa, o clube conseguiu ser o líder do grupo mais equilibrado da competição, vencendo na última partida o Águia de Marabá por 2×1 em um jogo dramático. No jogo do acesso, porém, o Rio Branco acabou sendo eliminado pelo ASA-AL, depois de dois empates, terminando na 7ª colocação da competição. O camisa 10 Testinha figurou na seleção do campeonato, sendo considerado o melhor meio-campo do torneio.

2010 – 2011

O Estrelão começou bem a temporada 2010, conquistando seu 41º título estadual e a vaga para a Copa do Brasil 2011. Entretanto, o clube não fez uma boa campanha no Campeonato Brasileiro. O clube elaborou um projeto em busca tão sonhado do acesso, contratando jogadores experientes como o goleiro Marcelo Cruz (ex-Bahia, Coritiba, Fortaleza e Nacional-POR), o zagueiro João Vitor (ex-Paraná Clube), e os atacantes Marcelo Maciel (ex-Remo, Paysandu e Guarani), Valdir Papel (ex-ABC, Fortaleza, Sport e Vasco), além do retorno do treinador Tarcísio Pugliesi, que comandou o clube no Octogonal Final da Série C em 2008. O Rio Branco estava no Grupo A da Série C, junto com os times: São Raimundo-PAÁguia de Marabá-PAPaysandu-PA e Fortaleza-CE. No entanto, os resultados não foram satisfatórios, fazendo com que a diretoria decidisse demitir toda a comissão técnica e mais 5 jogadores, incluindo o veterano Valdir Papel, pelos péssimos resultados obtidos no primeiro turno.

O Alvirrubro terminou o primeiro turno como o lanterna do seu grupo, com 2 empates e 2 derrotas. Já no segundo turno, com nova comissão técnica comandada por Everton Goiano, a equipe enfim se encaixou, conseguindo 2 vitórias e 2 empates, fazendo a segunda melhor campanha do segundo turno entre todos os clubes da competição. Porém, a reação foi tardia e o time acabou apenas permanecendo para a Série C de 2011.

Memorial do clube, inaugurado em 2009.

Em 2011, o Rio Branco entrou em campo para jogar 3 torneios: Copa do BrasilCampeonato Acreano e a Série C do Brasileirão. No Estadual, a equipe conquistou o bicampeonato. A primeira partida foi contra o Náuas, no dia 13 de Março, na inauguração do Estádio Arena Juruá, em Cruzeiro do Sul, onde o Estrelão venceu o Cacique do Juruá por 2×1. Durante a competição, a equipe teve altos e baixos, terminando a primeira fase na terceira colocação. Classificado, o Estrelão enfrentou o arquirrival AC Juventus, segunda melhor equipe e com o melhor ataque da competição. Pela primeira fase, o Rio Branco perdeu os 2 clássicos que disputou (5×3 no primeiro turno e 2×1 no segundo). Porém o time estrelado superou o rival nas duas partidas das semifinais, com um 4×2 no primeiro jogo e 3×0 no segundo, se classificando para a grande final. O adversário da final foi o Plácido de Castro, quarto colocado na primeira fase e que superou o Atlético Acreano, o então primeiro colocado. Na primeira partida, o Estrelão cedeu o empate aos 47′ do segundo tempo, terminando 1×1. No segundo jogo, no dia 03 de julho, com o gol de Juliano César, o Rio Branco venceu por 1×0 o Tigre do Abunã e conquistou o seu 42º título estadual, o oitavo em 10 anos. Cerca de 8 mil pessoas presenciaram o título do maior clube do Acre na Arena da Floresta, recorde de público de toda a história do Campeonato Acreano.

Pela Copa do Brasil, o Rio Branco enfrentou o seu antigo parceiro, o Atlético-PR, na primeira fase da competição. Na primeira partida, o Estrelão se saiu vitorioso pelo placar de 2×1 na Arena da Floresta. Já no jogo de volta, o clube acabou perdendo por 3×1 na Arena da Baixada e acabou sendo eliminado do torneio, ficando na 35ª posição na classificação geral da competição.

Na Série C, o Rio Branco esteve no Grupo A, ao lado de Águia de Marabá-PAAraguaína-TOLuverdense-MT e Paysandu-PA. Sua estréia foi no dia 24 de julho, onde o Rio Branco arrancou um empate de 1×1 contra o Paysandu, no Estádio Mangueirão, em Belém do Pará. Mais uma vez, o Estrelão teve altos e baixos na competição. Desta vez, porém, a reação foi no tempo certo. O clube acabou vencendo todos os jogos do segundo turno e terminou na primeira colocação do Grupo A, com 16 pontos, se classificando para a segunda fase, onde formou um quadrangular com PaysanduAmérica-RN e CRB-AL. No entanto, começava ali uma briga judicial intensa e que resultaria na maior crise da história do clube.

O Caso Arena da Floresta

No início da Série C 2011, A Procuradoria da Defesa do Consumidor do Acre (PROCON-AC), órgão ligado ao Ministério Público, decidiu vetar a Arena da Floresta e todos os demais estádios acreanos para jogos oficiais, fazendo com que o Estrelão ficasse incapacitado de realizar jogos com a presença de seus torcedores. O Rio Branco e o Governo do Estado do Acre acionaram a Justiça Comum para recorrer da decisão. Conseguindo uma liminar favorável, o Rio Branco obteve o direito de que os seus jogos fossem realizados com a presença do torcedor. Porém, por ter o seu nome em uma ação fora da esfera esportiva, A CBF decidiu colocar o clube no banco dos réus da Justiça Desportiva. O clube acreano foi condenado com a exclusão da Série C 2011 por ter infringido o artigo 231 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que proíbe o acesso do clube à Justiça Comum. O julgamento, realizado pela 4ª Comissão Disciplinar, ocorreu ao final da primeira fase, quando o Rio Branco já estava classificado para a segunda fase da competição.

Arena da Floresta. Segundo o Ministério Público, o estádio causa riscos ao torcedor e foi o motivo da polêmica eliminação do Rio Branco na Série C 2011

Com um pedido de efeito suspensivo, o Estrelão conseguiu continuar no torneio até que o caso fosse julgado pelo Pleno do STJD, a última instância da esfera esportiva. Este julgamento aconteceu no dia 13 de outubro, quando o Rio Branco encerrou a sua participação no primeiro turno do quadrangular da Série C e se preparava para o segundo turno (O clube havia feito 3 jogos, sendo 1 empate contra o CRB e 2 derrotas, para Paysandu e América-RN. Por 5 votos a 1, a decisão de exclusão da equipe foi decretada e, mesmo com 3 jogos ainda por fazer, o Rio Branco foi retirado da competição.

Começava aí uma extensa briga judicial. Graças a uma ação da Procuradoria Geral do Estado do Acre protocolada nos Tribunais de Justiça do Acre(TJ-AC) e do Rio de Janeiro (TJ-RJ) que revogava a decisão da Justiça Desportiva, em 17 de outubro de 2011 a CBF anunciou a volta do Rio Branco à Série C. A entidade recorreu e, quatro dias depois, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu suspender os jogos do Grupo E até que o caso fosse julgado. No entanto, em 26 de outubro de 2011, o Rio Branco abdicou de sua vaga na segunda fase e aceitou a sua exclusão do torneio. Um dia depois, a CBF anunciou que o Luverdense-MT, terceiro colocado do Grupo A, substituiria o Estrelão na segunda fase e faria os 6 jogos determinados.

O caso se encerrou após Rio Branco, CBF e STJD firmarem um acordo extrajudicial em uma audiência de conciliação no TJ-RJ. No acordo, confirma-se a exclusão do Rio Branco da Série C 2011, ocorrida pelo Pleno do STJD, confirma-se a participação do clube na Série C 2012 e o caso se encerra, não sendo levado para a FIFA, com o Rio Branco ficando imune a possíveis punições. O ponto conquistado pelo clube na segunda fase foi anulado e o Rio Branco encerrou a sua participação na competição, terminando em 9º colocado, com 16 pontos.

A grave crise

O ano de 2012 começou de maneira ruim para o clube. Com uma nova diretoria, o clube passou por grandes reformulações no elenco e se preparava para a disputa da Copa do Brasil 2012, onde enfrentaria o Cruzeiro-MG. O que ninguém esperava é que o Estado do Acre passasse pela maior enchente de sua história, onde mais de 140 mil pessoas foram afetadas pelas águas do Rio Acre. O grande volume de chuvas na região prejudicou o planejamento do Rio Branco, onde muitos treinos acabaram por ser cancelados. Sem jogar oficialmente por mais de 5 meses, a falta de ritmo também prejudicou o elenco. O resultado não poderia ser pior: Jogando em casa, o Estrelão levou a maior goleada de sua história e a primeira dentro de casa, perdendo para o clube mineiro por 6×0 e encerrando a sua pior participação na Copa do Brasil.

Todavia, a goleada serviu para mudar os rumos do clube. Depois de uma estreia no estadual abaixo do esperado e alguns jogos sem demonstrar um bom futebol, a comissão técnica liderada pelo treinador Samuel Cândido acabou sendo demitida, juntamente com alguns jogadores e o diretor de futebol Artur Oliveira. Uma nova mudança começou no decorrer do estadual e a equipe finalmente se encontrou. Próximo da disputa da Série C, a diretoria acertou a contratação do experiente técnico Guilherme Macuglia, que assumiu o clube na semifinal do Campeonato Acreano. O interino, o ex-jogador e ídolo Ico, assumiu o comando de Diretor de Futebol do clube. Ico impôs um novo padrão de jogo e, com os reforços do goleiro Vanderlei (ex-Brasil de Pelotas), do lateral-esquerdo Xaro (ex-São Luiz de Ijuí), do zagueiro Luciano (ex-CRAC-GO) e do meia Thomaz (ex-Caxias-RS), o Rio Branco conquistou, de maneira invicta e suprema, o seu 43º título estadual, com uma campanha impecável de 14 vitórias e apenas 4 empates, em um aproveitamento de 85%, tendo o melhor ataque (60 gols), uma média superior a 3 gols por partida. O clube ainda teve o domínio na seleção do estadual, com 6 jogadores premiados.

Completando 93 anos, a diretoria do clube iniciou uma grande reforma no estádio José de Melo, que completava 83 anos. O projeto consiste em transformar o estádio em um moderno Centro de Treinamentos. As arquibancadas laterais (popularmente conhecidas pela torcida do clube como “Vietnã”) foram demolidas para ampliar o espaço e construir mais um campo de futebol, este especialmente para as categorias de base do clube. O projeto segue a passos lentos.

A grave crise começou no segundo semestre. Na Série C de 2012, o “Caso Arena da Floresta” voltou à tona. Treze-PB (5º colocado da Série D 2011) e Araguaína-TO (clube rebaixado para a Série D) contestaram no STJD a participação do Rio Branco na competição, alegando que o clube havia sido excluído rebaixado judicialmente. Nos julgamentos, o STJD, de forma unânime, julgou improcedente as contestações, voltando a afirmar que a participação do Rio Branco era legítima, uma vez que o clube terminou a Série C 2011 em 9º lugar. As duas equipes, porém, não aceitaram a decisão e procuraram a Justiça Comum para pleitearem a vaga do Estrelão, onde conseguiram liminares favoráveis em seus respectivos estados. Tendo a participação ameaçada, o Governo do Acre, como patrocinador do clube, também entrou com uma ação na justiça, garantindo a participação do Alvirrubro. O STJD decidiu, então, suspender a Série C, que iniciaria no dia 27 de junho, até possuir alguma posição final. Temendo represálias e ameaça de desfiliação, o Araguaína-TO acabou desistindo da ação após uma reunião com o presidente da CBF. O Treze-PB, porém, permaneceu lutando para participar da Série C, sendo incluído após uma nova liminar a seu favor e retirando o Rio Branco da Série C de 2012. CBF e Rio Branco tentaram cassar as liminares que favoreciam o clube paraibano, mas sem sucesso. O Treze participou da Série C assegurado por uma liminar e o Rio Branco acabou de fora da edição. Com folha salarial próxima de R$ 500 mil e contratos até o fim do ano, o Estrelão se viu em uma situação de grave crise financeira por não participar da competição nacional. Alguns atletas não admitiram a rescisão de seus contratos de forma amigável. A situação foi parar na Justiça do Trabalho.

Retorno à Série C e rebaixamento

Com a grave crise devido à exclusão da Série C, o Rio Branco só voltou às competições no ano de 2013. O clube focou as suas atenções para o estadual e para a Copa do Brasil. Lutando pelo tetracampeonato acreano, o clube montou uma equipe modesta. De uma folha salarial que girava em torno dos R$ 500 mil em 2012, o clube fez um orçamento de pouco menos de R$ 80 mil para o primeiro semestre. O ano começou com título, vencendo o Torneio Início do Campeonato Acreano, depois de 6 anos. Mesmo com a crise e o baixo orçamento, a equipe demonstrava ampla superioridade sob os adversários estaduais, mas uma invencibilidade de mais de 2 anos no torneio foi quebrada, perdendo também o título e o sonhado tetracampeonato para o Plácido de Castro.

Extracampo, o pensamento continuava nos tribunais, já que o clube permanecia na tentativa de voltar à Série C. Através de uma ação no Supremo Tribunal Federal, o relator da causa, o Ministro Luiz Fux, convocou a CBFSTJDFederação Paraibana de Futebol e os clubes Treze e Rio Branco, para uma audiência de conciliação, pretendendo pôr fim ao caso que se arrastava desde 2011. O ministro Fux propôs a extinção de todas as ações e a figuração de ambos os clubes na Série C do Brasileirão. Com o acordo firmado, o Rio Branco passou a ser o 21º figurante da Série C de 2013. O clube entrou no Grupo A da competição e seu retorno ocorreu no dia 13 de junho, diante do Fortaleza na Arena da Floresta, na qual o Estrelão foi derrotado pelo placar de 2×0, diante de 4.243 pagantes. A entrada inesperada na competição, associada à falta de planejamento e de patrocinadores agravou a situação financeira do clube, e isso se refletiu no campo. Em 20 jogos, o clube venceu apenas 2 partidas e foi derrotado 18 vezes, realizando a sua pior participação e sendo rebaixado para a Série D de 2014.

 

FONTES: Wikipédia – Revista Placar

Santa Cruz de Vitória-ES

Santa Cruz Futebol Clube

Nome : Santa Cruz Futebol Clube
Local : Vitória
Fundação:  23 de outubro de 1928
Títulos :  Turno Campeonato Capixaba  Série B 1957, Vice Campeão da Série B 1957

O Santa Cruz do Espírito Santo foi fundado em 1928 no Bairro Santa Lúcia em Vitória.
Por vários anos participou do Campeonato Suburbano e a Série B capixaba. Chegou perto de disputar a 1ª Divisão algumas vezes mas a falta de poder financeiro sempre impedia a equipe de crescer mais, mesmo assim com muito empenho enfrentava as equipes com mais capacidade financeira, AA Vale e Ferroviário formados por ferroviários da Companhia Vale do Rio Doce que os ajudava, Atlético e Santos de Vila Velha entre outros.
Sua sede em Santa Lúcia era usada para todo tipo de eventos, bailes de carnaval, festas de formatura, concursos de Miss entre outras atividades nos primeiros anos de existência do SCFC.
O Santa Cruz participou da Série B por pelo menos oito vezes, os anos 50 foram os melhores da equipe dentro de campo, tanto que disputou quase todas as séries B nos anos 40,50 de forma ininterrupta.

Campo do Santa Cruz fundado por Julio Henriques

Entre estas participações o Santa Cruz carrega em sua história algo único, na 2ª Divisão de 1945 conseguiu o feito de derrotar o Centenário duas vezes no mesmo dia.
Antes da partida do returno as duas equipes disputaram 05 minutos referentes a partida do turno que foi paralisada antes do fim quando o placar era de 1×1. E não é que nestes 05 minutos o Santa Cruz fez um gol em venceu! O responsável pelo gol  da vitória foi Egídio!
Já na partida do returno com tempo completo o Santa voltou a vencer, e  com propriedade por 4×2, Mululo, Carlos, Julio e Egídio marcaram, enquanto que José Angelo e Getúlio marcaram para o Centenário.
O Santa Cruz foi a campo com Coca,Moacir, Hiltom, Julio, Tercio, Edson, Carlos, Levino (Nélio), Egidio, Mululo (Luiz Paulo) e José Alves (Nascimento). Ermenegildo Gave apitou a partida que acabou expulsando Egídio grande destaque do Santa Cruz com dois gols e Altamiro do Centenário.
A campanha da 1ª fase que credenciou o Santa Cruz a disputar as finais foi a seguinte.

Turno
Santa Cruz 2×1 Centenário
Santa Cruz 4×3 Jucutuquara
Santa Cruz 1×1 Recreio

Returno
Santa Cruz 4×2 Centenário
Santa Cruz 6×1 Jucutuquara
Santa Cruz 7×2 Recreio

Os anos com maior destaque foram em 1956 e 57, onde a equipe brigou pelo título até as rodadas finais da competição.
Em 57 foi o melhor ano sem dúvidas, na penúltima rodada da firmou-se na liderança da Zona Norte ao derrotar o Guarany por 4×2. A partida aconteceu no Estádio Governador Bley, João Zambelli auxiliado por Manoel Araujo e João Pereira comandaram a cancha. A primeira etapa não agradou os presentes no estádio da Avenida Albérico Torres, mas isto tem explicação, o motivo eram os temporais que assolaram a capital capixaba deixando o gramado totalmente encharcado.
O Guarany foi quem inaugurou o placar com Artur aos 26 minutos. Na segunda etapa Caboclo deu lugar a Nélio no intervalo, Genézio treinador do Santa Cruz botou o time para frente com Gazolina, Nélio, Giginho, Tércio e Barrica no ataque, deu muito certo o esquema ofensivo, Tércio empatou, depois Gidinho deu show marcando 3 gols seguidos, aos 40 Jair contra descontou para o Guarany encerrando em 4×2 a partida, detalhe que um bom público acompanhou esta partida que colocava o Santa como maior favorito ao título.

Santa Cruz F.C : Edson, Jair, Çitinho, Julio, Aloísio, Moacir, Gazlina, Caboclo (Nélio), Gidinho, Tércio e Barrica.
Guarany E.C : Gildo, Fabio, Cláudio, Aroldo, Ailton, Milton (Altino), Gildo II, Wilson, Artur, Eudócio (Adalberto) e Manoel.

A partida que valeu o título aconteceu e 14 de janeiro de 1957, pela última o Santa Cruz encarou o Bangu na partida pre-liminar de Santo Antônio  e Rio Branco que disputavam a Serie A, a partida contra o Bangu foi muito acirrada, o placar foi apertado vitória por apenas 2×1, Gidinho e Nélio marcaram os gols da vitória, o presidente Humberto Balbi que ficou mais de 16 anos a serviço do clube mesmo com a alegria do  título não iludia os torcedores e sócios, e já afirmava que mesmo conquistando o título da Série B o clube não tinha pretensões de disputar a Série A de 58 deixando a vaga para alguém com mais poder econômico, Genesio treinador estava feliz com o título e satisfeito mesmo com  o time rendendo a baixo do que podia segundo ele.

Santa Cruz F.C : Paulo (Édson), Aloísio, Litinho, Moacir, Zeli, Julio, Nélio, Caboclo, Giovani, Tercio e Barrica.
Bangu E.C : Rubens(Antônio), Pedro, Pedro Germano, Milton, Zaprogno, Reinaldo (Elozinho), Almir, Genovite, Clovis, Luiz Carlos e Adalberto.

A prova do título incontestável

A baixo a avaliação dos campeões nesta partida feita pelo Jornal Folha Capixaba.
Paulo – Não comprometeu em nenhum lance. Contundindo-se cedeu lugar para Edson que esteve bem melhor.
Aloísio – Confirmou as suas boas atuações dos jogos anteriores. Excelente marcador e muito espírito de luta.
Litinho – Desempenhou bem a missão.
Moacir – Foi um grande elemento em campo. Folego e categoria s serviço da equipe. Esteve incansável durante o tempo.
Julinho – Só na etapa final conseguiu firmar-se no terreno, constituindo-se então numa das figuras principais da equipe santa cruzense.
Nélio –  O elemento lutador de sempre, marcando o gol que garantiu a vitória santa cruzense.
Geovani – Não esteve bem o meia direita do clube de Santa Lúcia. Além de estar numa noite infeliz foi expulso de campo.
Gidinho – O melhor jogador da cancha, dominando sempre o seu marcador. Conquistou o 1º gol batendo toda a defesa banguense.
Tercio – Outro grande elemento. Embora veterano na equipe, nota-se o seu esforço, sua qualidade.
Barrica –  Apenas esforçado. Perdeu a oportunidade de conquistar  o terceiro tento da noite.
pelo brilhante feito o Santa Cruz a diretoria do clube resolveu que a festa se prolongue até amanhã. Assim sendo na parte da tarde a sede do querido suburbano, haverá uma grandiosa festa, com bebidas e etc, e culminará com um grandioso baile à noite.

Mais tarde com decorrer da competição o Santa Cruz foi para a final contra o Atlético de Aribiri Vila Velha, na melhor de três deu o Atlético que pode ser visto nesta matéria do Jornal Folha Capixaba de 1957.

Dias depois as duas equipes voltariam a se enfrentar valendo troféu, desta vez a pugna foi válida pela Taça Dilio Penedo em comemoração aos 14 anos de fundação do Atlético, a partida correu no 3º Batalhão de Caçadores em Vila Velha e com gol de Tunico que havia substituído Gidinho o Santa venceu e se sentiu vingado. O Santa Cruz foi a campo com Edson, Luiz. Moacir, Caboco, Jorge, Julinho, Nélio (Geovani), Tercio, Tunico, Gazolina (Betinho) e Barrica.Mais tarde o Santa Cruz enfrentou o Santo Antônio, forte esquadrão da primeira divisão, o Santo Antônio havia prometido uma pugna com o Santa Cruz e cumpriu os enfrentando no Estádio Governador Bley, Arli Silva auxiliado por Benedito Vieira e Ermenegildo Gave dirigiram a partida. O Santa Cruz recebeu a renda de Cr$ 4.540,00 pelo amistoso entre por Rubens Gomes dirigente antonino que foi homenageado com seu nome no Estádio do Santo Antônio anos depois.
O Santo Antônio foi a campo com Etiene., Tião, Zé Português, Leitão, Nélio, Smate, Carlços Alberto, Antîo Português, Zé Carlos, Zezé e Vasconcelos (Alcir).
Já o Santa Cruz foi a campo com Edson, Caboco, Jorge, Julinho, Tércio, Moacir (Aluizio), Joaes, Geovani (Gidinho), Lecinho (Barrica) e Castelo (Nélio).

Com o passar dos anos e o crescimento urbano os campos de futebol espalhados pela capital foram diminuindo em com isso os times também, o Santa Cruz acabou perdendo espaço no futebol e nas décadas seguintes as que teve sucesso parou de disputar as competições que antes jogava, muitos time foram extintos nesse período pós anos 60 no Espírito Santo.
Até hoje o Campo do Santa Cruz existe, localizado no Bairro Santa Lúcia atualmente pertence a União devido uma dívida por não pagamento de 650 mil entre 2004 e 2009, referentes a taxa de Marinha, com isso a Superintendência de Patrimônio da União no Espírito Santo (SPU-ES) se apropriou do local.

A Prefeitura de Vitória interviu na ação judicial em favor do Santa Cruz Futebol Clube, como assistente na reintegração de posse, impetrada pela a União. O processo iniciou em abril de 2015 mas não tem prazo para a decisão com isso cerca de 150 crianças ficam sem ter onde pois o Campo do Santa Cruz é utilizado pela escolinha do Santa Cruz e do  CTCE (Centro de Treinamento Cosme Eduardo, ex-jogador e treinador capixaba).


Uniformes

Área de campo de futebol pegou fogo, em Vitória (Foto: Dennis Adam/ Internauta)
Em 2015 os moradores do bairro tiveram um grande susto, um incêndio tomou conta o seco gramado do Campo. Foi controlado sem feridos ou mais problemas.

Abraço simbólico dos moradores de Santa Lúcia no Campo do Santa Cruz em 2014, revoltados e preocupados em perder a única área de lazer do Bairro. 

Fontes:
https://memoriafutebolcapixaba.blogspot.com.br