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De Taquaritinga nos vem: A LEITURA QUE SE FAZIA DO FUTEBOL

A Revista do CAT, de autoria do jornalista Hamilton Roberto Aiéllo, editada em setembro de 1992, tem um conteúdo valioso.

Revista do CAT - autoria do jornalista Hamilton Roberto Aiéllo - 1992

Além de informar os acontecimentos que cercaram a vida do clube de Taquaritinga, traz-nos descrições por vezes curiosas e também divertidas envolvendo o mundo futebolístico.
Trata-se de um registro de tempos idos – e também de tempos não tão idos assim – na cobertura feita com capricho pelo aludido jornalista, referente aos 50 anos de existência do CAT (1942-1992), o Clube
Atlético Taquaritinga.
As matérias foram originalmente publicadas no jornal “Cidade de Taquaritinga”.
Pinçamos alguns trechos que nos chamaram a atenção, contidos no início da publicação:

1942

 Paulista de Araraquara 5 x 1 CAT (16/set)
Com vários jogadores machucados e tendo que contratar para essa partida dois jogadores de renome: Silvinha e Belem (que dizem ter vendido o jogo) o CAT foi derrotado pelo alto escore de 5 x 1
(portanto conhecendo o seu primeiro resultado negativo) pelo Paulista de Araraquara sendo que o nosso tento foi marcado por Tatias. Acompanhou o nosso conjunto enorme caravana que se acomodou em 11 carros de uma composição da E.F.A., tendo a mesma sido bem recebida na gare araraquarense.”

Guarani de Catanduva 0 x 1 CAT (20/set)
O CAT conseguiu a sua reabilitação ao jogar na cidade de Catanduva contra a forte equipe do Guarani local e vencê-lo por 1 x 0, com um gol de Dema. O destaque dessa partida foi o nosso goleiro Buck que praticou defesas que abismaram todos os assistentes. Suas seguidas pegadas eram alvos de vibrantes palmas.  …
Uma surpresa estava reservada aos jogadores e à diretoria cateana, pois, uma multidão calculada em aproximadamente 3.000 pessoas se comprimia desde a gare até a principal via que dá acesso ao centro
da cidade à espera de nossos heróis com Banda de Música, Foguetes e Vivas.”

CAT 0 x 6 S.E. Palmeiras (13/dez)
Encerrando a temporada esportiva de 1942, o CAT homenageando todos seus associados e o povo de nosso município, fez realizar no dia 13 do corrente, no Estádio Municipal o maior e mais empolgante prélio futebolístico do último decênio com a visita da Sociedade Esportiva Palmeiras de São Paulo, time que sagrou-se Campeão do País no corrente ano. E, numa tarde de total infelicidade de seu goleiro Armandinho, o CAT foi derrotado pelo elevadíssimo placar de 6 x 0. Participaram desta partida pela equipe do Palmeiras craques de renome do futebol brasileiro tais como: Clodô – Celestino – Carneira – Gengo – Américo – Del Nero – Ministrinho – Valdemar – Cabeção – Viladonica – Joane – Brandão – Romeu – Oliveira – Gagliardo – Gabardo. À noite a diretoria do CAT ofereceu em sua sede à distinta caravana palmeirense um grandioso baile, o qual se estendeu até altas horas.”

1943

CAT 7 x 1 São Paulo de Araraquara (7/mar)
Este jogo estava marcado para o dia 28 de fevereiro mas devido ao péssimo estado em que se encontravam as estradas de rodagem, por causa das chuvas, e visto que a equipe sãopaulina, transportando-se de jardineira não conseguiu chegar à nossa cidade em hora para o desenrolar da peleja, a mesma foi marcada para o dia 7 de março…”

A.A. Internacional de Limeira 1 x 1 CAT (10/abr)
Num gramado cheio de palha de arroz e sem as dimensões oficiais, teve início, perante grande torcida limeirense, a importante disputa futebolística. Apitava o jogo o Sr. Romeu Amatuzzi e o CAT vencia por 1 x 0, gol marcado por Odilon; aí, a torcida local demonstra sua insatisfação com o árbitro e começa a aprontar, chegando, inclusive, a acertar o nosso jogador Dema com uma pedrada nas costas
quando o mesmo, e uma arrancada, iria fazer o segundo tento. Com este e demais fatos foi trocada a arbitragem que teve em Gagliano Pagliuso o outro árbitro que começou aplaudido para depois o público assistente chamá-lo de irmão do outro. Ao final da partida a Inter empatou a peleja.”

CAT 1 x 1 Botafogo de Ribeirão Preto (18/abr)
A partida deste dia 18, em virtude dos valores futebolísticos postos em luta, atraiu para o nosso Estádio uma numerosa assistência. Fator que contribuiu para a presença dessa grande massa popular foi o aviso antecipado de que o jogo seria filmado, o que na verdade se verificou…”

“Nota das mais curiosas foi publicada no dia 4 de julho pelo ‘Cidade de Taquaritinga’. Eis a nota:
Sob o número 638, foi apresentada e aprovada pela diretoria do CAT, em sua reunião de 22 de junho último, a proposta de sócio do menino Gilberto Bassi, com apenas dois dias de idade. Essa proposta, que estava devidamente endossada pelo seu progenitor Osvaldo Bassi é registrada como um caso inédito nos anais esportivos e sociais de Taquaritinga.”

Nota: Os grifos são nossos.

 Fonte:
CAT – 50
Anos – Sempre no Coração dos Taquaritinguenses – Hamilton Roberto Aiéllo –
Revista do CAT, do Diário “Cidade de Taquaritinga” 1992, setembro

Texto: Vicente Henrique Baroffaldi
Edição: Paulo Luís Micali

Estrela da Bela Vista Esporte Clube – São Carlos (SP)

Há 60 anos surgiu o Estrela da Bela Vista Esporte Clube (Estrela da Bela Vista ou Estrela de São Carlos). O time (nas cores verde amarelo e branco)  foi Fundado no sábado, do dia 12 de Janeiro de 1952, no Jardim Cruzeiro do Sul, em São Carlos (SP).

A equipe mandava seus jogos no Campo da Boa Vista, no Campo da Vila Nery e no Campo do Rui Barbosa. A partir de novembro de 1956 passou a jogar no Estádio João Ratti, de sua propriedade, no Jardim Cruzeiro do Sul (sub-distrito da Bela Vista São-Carlense).

O clube na realidade nunca conseguiu cativar a população da cidade para o seu lado, provavelmente devido levar o nome de um bairro, com isso não despertando o interesse dos anunciantes do comércio e da indústria, e nem da mídia da cidade, com os apoios necessários.

O clube foi fundado para representar o tradicional bairro da Bela Vista.  Na  primeira inauguração do estádio Campo Municipal Prof. Luís Augusto de Oliveira, Luisão, no domingo, do dia 10 de Junho de 1956,  o Estrela da Bela Vista fez amistoso comemorativo contra o Corinthians, que terminou com vitória do Timão pelo placar de  5 a 0. O 1º gol foi anotado por Luizinho, os outros por Zezé; Cláudio, de pênalti; e, Rafael, duas vezes.

A estreia no futebol profissional ocorreu no ano seguinte (1957), debutando no Campeonato Paulista da Terceira Divisão (atual A-3), e disputou 16 campeonatos não sucessivos na Quarta (atual Série B), e Segunda (atual A-2) divisões.

Apesar de tantas competições, o Estrela da Bela Vista se licenciou da Federação Paulista de Futebol (FPF) em 1994. Atualmente, o clube segue inativo, sem, sequer, disputar as competições amadoras da região.

FONTE: Acervo pessoal

Pratinha F.C. – São João da Boa Vista (SP)

No começo dos anos 40, alguns jovens sanjoanenses apaixonados pelo futebol batiam sua bola nas imediações do Rio da Prata, no Bairro Pratinha. Por idéia de alguém, a nova equipe que ali nascia foi batizada como Clube Atlético Prata. Tratava-se do surgimento, na verdade, do antecessor do Pratinha Futebol Clube.

Mudança para Frigorífico Futebol Clube

Perto do final de década de 40, alteração de nome e o Clube Atlético Prata passa a se chamar Frigorífico Futebol Clube, pela proximidade com aquele estabelecimento municipal situado no bairro. Com esta denominação, a agremiação do Bairro Pratinha foi adquirindo carisma de vencedora e já incomodando os tradicionais times da cidade em alguns jogos e torneios da Liga, até o final de 1952, quando foi surgindo aos poucos a idéia do nascimento, de vez, do Pratinha Futebol Clube.   

1960 - Em pé; Binho Peres, Tomate, Efraim, Manoel, Guaraci e Armando Pigati; agachados, Zé Carlos, Joãozinho, João Mançano, Edval e Beiçola.

A fundação do Pratinha Futebol Clube
 No dia 1º de janeiro de 1953, na residência do Sr. Pedro Rezende Lopes (Rua Racticliff, nº 282), com as presenças de diversos moradores e simpatizantes do time de futebol do bairro do Pratinha, foi discutida a formação da primeira diretoria da nova agremiação que nascia, o PRATINHA FUTEBOL CLUBE, ficando assim constituída: Presidente de Honra: José Varzone Fajardo; Presidente, Jacinto Valentim Lopes; 1º Secretário, Pedro Rezende Lopes; 2º Secretário, Dimas Rezende Lopes; 1º Tesoureiro, Lúcio Rafael Penha; 2º Tesoureiro, Amado Valentim; Orador Oficial, Paulo Rezende Lopes; Diretor Esportivo, Emílo Buzon e, membros do Conselho Fiscal, Carlos Paiva, João Diniz, Daniel Doni, Romão Santamaría, Dario Ambrósio e Sebastião Pinto. Devidamente registrada e filiada perante a Liga Sanjoanense de Futebol, a data de fundação do clube ficou constando como 1º de março de 1953.  

Destaque jornalístico
O Clube Atlético Prata e o Frigorífico Futebol Clube deram origem ao Pratinha Futebol Clube, noticia de primeira mão editada pelos jornalistas Hélio Fonseca e Ito Amorim no semanal “A Cidade de São João” naquele inicio de 1953, com os dizeres: “Foi informada nossa reportagem que, no certame municipal Amador Extra de 1953, uma nova agremiação representará o Bairro da Pratinha”. Em abril daquele ano, o Pratinha partiu para a disputa do Torneio Inicio do 5º Campeonato Amador Extra, ao lado do Santo André, DER, Jabaquara, Ipiranga, Harmônicas Sartorello, São Lázaro, Juventus, Ponte Preta, Palmeirinhas (uma espécie de filial do Palmeiras) e Comerciários. O Palmeirinhas venceu o torneio.

Primeira partida com novo nome
Em 26 de abril de 53, finalmente a estréia oficial do Pratinha Futebol Clube no Campeonato Extra, pela primeira rodada, no campo da Rua Racticliff (terreno da prefeitura, onde a equipe manda seus jogos até os dias de hoje) contra o Jabaquara, jogo que terminou empatado em dois gols. Ventania e Beto (contra) marcaram para o Pratinha, Maringo (2) para o Jabúca. A primeira vitória veio com a goleada por 4 a 0 sobre o Comerciários, pela segunda rodada, gols de Dídi Michelazzo, Faé, Cezário Cassiano e Suan.       

1960 - Da esquerda para a direita, Lúcio Penha, Miltão, Pedro Barba, Colé,Dirceu, Baltazar, Loiro, Faé, Roberto Fajardo, Dino Célio, Dedé e Binho Peres.

Campeão, no ano em que nasceu
Quatro equipes – Palmeirinhas, Juventus, São Lázaro e Pratinha – terminaram em primeiro lugar no Campeonato Extra, com 4 pontos perdidos cada, o que gerou um quadrangular para definição do campeão de 1953. Numa das semifinais, o Palmeirinhas (curiosamente dirigido pelo técnico Efraim Nogueira, que depois dirigiria o Pratinha por 43 anos), venceu o São Lázaro por 4 a 1. Na outra, o Juventus não compareceu para enfrentar o Pratinha caracterizando um W.O. O dia 18 de outubro de 53, domingo, ficou para sempre gravado na história do Pratinha, que conquistou brilhantemente seu primeiro título – no mesmo ano em que nasceu – ao bater na decisão do Extra o Palmeirinhas por 5 a 2.

Fotos: Leivinha

Sport Club Corinthians de Marília (SP)

O Timão original já inspirou diversos genéricos. Um deles é o Sport Club Corinthians de Marília, da cidade homônima. Fundado em 1958, o escudo e o uniforme eram muito parecidos com o verdadeiro da capital paulista.

O clube chegou a disputar uma edição do campeonato paulista de futebol profissional. Em 1959, o Corinthians de Marília participou da Terceira Divisão (atual A3).

Time posado do S.C. Corinthians de 1959

Apesar de ter disputado somente uma competição, o clube revelou alguns jogadores. O de maior destaque foi Jurandir de Freitas, que chegou ao ápice ao fazer parte da Seleção Brasileira campeã na Copa do Mundo de 1962, no Chile. Atualmente o Sport Club Corinthians de Marília encontra-se extinto.

FONTE: Anotações do autor

Associação Atlética Matarazzo – Rancharia (SP): Fundado em 1944

A Associação Atlética Matarazzo foi uma agremiação do município de Rancharia (com uma população de 29.799 habitantes), que fica a 520 km da capital (São Paulo) do estado de São Paulo.


A equipe “Grená Ranchariense” foi Fundado na quarta-feira, do dia 24 de Maio de 1944, por funcionários da tecelagem Matarazzo, que posteriormente colocaram a “mão na massa” e ajudaram na construção do 1º galpão até o último, como também na construção da praça, das residências dos diretores e técnicos e do campo de futebol de quadra do clube.

Na década de 40, o futebol teve grande impulso no município de Rancharia, com o surgimento da A.A. Ranchariense (Fundado no dia 20 de Janeiro de 1943) e, no ano seguinte da A.A. Matarazzo. Ambos, disputaram o Campeonato do interior da FPF (Federação Paulista de Futebol), a partir de 1944

Atlética Matarazzo de 1969: Nene, Cindo, Wilson Della Torre, Zezo, Tuzo Zorzetto, Adauto Maghaneli, Lageta, Neguito, Euro Marani, Tim, Ditinho, Julio Juca, Theophilo, Alecio, Alemão e Marinho da Vila.

FOTOS: Página no Facebook “Rancharia – Photos & Phatos”

FONTE: Diversos jornais paulistas – Rsssf Brasil – Wikipédia

Bariri Esporte Clube – Bariri (SP)

Amigos como diz o velho dito popular: “Quem está na chuva é para se molhar”… Eu me molhei. Lendo atentamente as ponderações do Rodolfo Kussarev, um especialista do futebol paulista concluí que o escudo do Bariri Esporte Clube (BEC), encontrado no Site Só Futebol Brasil não corresponde ao original.

Então, o verdadeiro escudo, na verdade é o Brasão do Município de Bariri (acima), fundado em 1978, que foi o sucessor do Municipal. O BEC – como era conhecido – disputou o Campeonato Paulista por duas vezes, em 1978 e 1979. O clube teve vida curta: foram apenas dois anos, deixando de existir devido a muitas dificuldades.

Abaixo o escudo bonito, porém que não é o verdadeiro:

 

 

Foto: Site Só Futebol Brasil