Arquivo da categoria: História do Futebol

Inédito!! São Paulo Football Club – Rio de Janeiro (RJ): Fundado nos anos 30!

O São Paulo Football Club foi uma agremiação da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Fundado no começo da década de 30, tinha a sua Sede e a Praça de Esportes, ficavam localizados na da Estrada do Itararé, nº 152, na Estação de Ramos, na Zona Norte do Rio.

A equipe presidida pelo Sr. Manoel da Costa, tinha como principal rival o Alvacelli Sport Club (Fundado em 1930), onde a sua Praça de Esportes ficava também na Estrada do Itararé, no número 363 e depois 370.

No domingo, do dia 1º de Novembro de 1931, o São Paulo goleou o Ramos Football Club pelo placar de 4 a 1, na Praça de Esportes da Estrada do Itararé.

 Em 1935 e 1936, disputou o Campeonato Carioca do Sport Menor (Campeonato Inter-Clubs).

Algumas formações:

Time de 1932: Domingos; Ary e Aguiar; Rubens, Silva e Jamico; Toninho, Paulino, Baptista, Canoa e Elly.

Time de 1935: João; Chatô (Alfredo) e Paulino (Ary); Rubens (Quinzinho), Memé e Hugo; Toninho I, Canoa, Bucki (Ernesto), Caio (Nelsinho) e Toninho II.

Time de 1936: João; Toninho II e Ary; Quinzinho, Memé e Rubens; Toninho, Demaco, Ernesto, Canoa e Nelsinho.

 FONTES: A Batalha – A Noite (RJ) – A Noite (RJ) – Diário da Noite (RJ) – O Jornal (RJ) – O Radical (RJ) – Álbum Grande Concurso da Bala Favorita dos jogadores de football Fabrica “Vênus”

Inédito!! Cascavel Clube S/A – Cascavel (PR)

O Cascavel Clube S.A. foi uma agremiação da cidade de Cascavel, localizado na região Oeste do estado do Paraná. Com uma população de 348.051 habitantes, segundo o Censo do IBGE/2022, fica a 491km da capital (Curitiba).   

Fundado na terça-feira, do dia 15 de dezembro de 1998, possuía a sua Sede administrativa na Rua Carlos Chagas, nº 629, no bairro Pacaembu, em Cascavel/PR. As suas cores eram o azul, verde e branco.

O Cascavel Clube S.A. participou de duas edições do Campeonato Paranaense da Segunda Divisão, nos anos de 2000 e 2001, organizado pela FPF (Federação Paranaense de Futebol).

No Estadual de 2001, contou com a participação de 10 clubes, divididos em dois grupos de cinco. O Cascavel Clube S.A. ficou no Grupo B, juntamente com Cataratas Atlético Clube (Foz do Iguaçu), Ponta Grossa Esporte Clube (Ponta Grossa), Associação Atlética Batel (Guarapuava) e Marechal Esporte Clube (Marechal Cândido Rondon).

No final, o Cascavel Clube S.A. terminou na lanterna, com apenas 6 pontos em oito jogos: uma vitória, três empates e quatro derrotas; marcando 10 gols, sofrendo 15 e um saldo negativo de cinco.

Foto posada de 2001

Resultados:

Domingo, dia 04 de marçoA.A. Batel                2X0Cascavel Clube
5ª-feira, dia 08 de marçoCascavel Clube2X0Cataratas A. C.                 
Sábado, dia 24 de marçoMarechal E.C.1X1Cascavel Clube
Domingo, dia 1º de abrilCascavel Clube1X2Ponta Grossa E.C.
4ª-feira, dia 11 de abrilCascavel Clube1X1A.A. Batel                
Sábado, dia 21 de abrilCataratas A. C.                 4X1Cascavel Clube
Domingo, dia 29 de abrilPonta Grossa E.C.1X0Cascavel Clube
Domingo, dia 06 de maioCascavel Clube4X4Marechal E.C.

Após a sua participação na Segundona do Paraná, na segunda-feira, do dia 17 de dezembro de 2001, a direção se fundiu com o Cascavel Esporte Clube e SOREC (Sociedade Recreativa Cascavel), dando origem ao Cascavel Clube Recreativo.

FOTOS e FONTES: Rsssf Brasil – Acervo do Interior Paranaense – Profissionais, de Luiz Souza

Fotos raras de 1965: Inauguração do Estádio Mineirão, em Belo Horizonte (MG)

Na partida diante do River Plate, a Seleção Mineira jogou com uniforme verde

No domingo, do dia 05 de Setembro de 1965, foi oficialmente inaugurado o Estádio Minas Gerais (posteriormente ganhou o nome de Estádio Governador Magalhães Pinto, popularmente chamado de “Mineirão”). A partida foi entre a Seleção Mineira diante da forte equipe do River Plate (ARG). No final, os mineiros saíram de campo com a vitória pelo placar de 1 a 0. O gol foi assinalado pelo atacante Buglê.

O Estádio Minas Gerais, construído em tempo recorde pelo Governo Magalhães Pinto, era o 2º estádio coberto do mundo. Tem capacidade para 130 mil pessoas e sua área total – incluindo pista de atletismo, parques de estacionamento parα automóveis e jardins – é de 300.000 m2. Sua cobertura abriga totalmente as arquibancadas, as cadeiras e ainda (este, um detalhe inédito) parte das gerais atrás dos gols.

O conjunto esportivo para o esporte especializado e universitário se completa com 5 quadras de tênis, 2 piscinas, 8 quadras de voleibol, 5 quadras de basquete, 6 campos de futebol, Departamento de Esportes Náuticos e Ginásio.

Modelo utilizado em 1965

Programação definida

A administração da ADEMG (Administração do Estádio de Minas Gerais), informou a programação, com quatro jogos no Estádio Minas Gerais, sendo que a carga total disponibilizada de ingressos para cada partida foi de 103 mil.

DATASPARTIDASPRELIMINAR
05 de setembro de 1965Seleção Mineira x River PlateNão teve
07 de setembro de 1965Seleção Brasileira (representada pelo Palmeiras) X Seleção UruguaiaAmérica Mineiro x Uberaba
12 de setembro de 1965Seleção Mineira x BotafogoAtlético x Siderúrgica
15 de setembro de 1965Seleção Mineira x Santos FCCruzeiro X Vila Nova

Na partida entre Minas Gerais x River Plate foram inaugurados os refletores do estádio. A venda de ingressos já foi iniciada sendo arrecadados oito milhões de cruzeiros no primeiro dia. A partir da próxima segunda-feira (30 de agosto de 1965) a tesouraria da CBD (Confederação Brasileira de Desportos) terá também ingressos à venda.

EM PÉ (esquerda para a direita): Dawson, Canindé, Buglê, Fábio, Grapete e Bueno;
AGACHADOS (esquerda para a direita): Silvestre, Dirceu Lopes, Tostão, Noventa e Tião.

Programação para a partida inaugural

O Governo do Estado e a Administração do Estádio Minas Gerais (ADEMG), estabeleceram, para as solenidades comemorativas da inauguração do novo estádio, a seguinte programação:

10 horas – salva de canhões na Pampulha;

11 horas – abertura dos portões do Estádio Minas Gerais e logo a seguir, desfile das balizas que participarão dos Jogos da Primavera, promoção do JORNAL DOS SPORTS;

13 horas – exibição dos cães amestrados da Polícia Militar;

13h30m – saltos de paraquedistas no gramado e evoluções da Banda da Polícia Militar;

13h45m – apresentação das placas alusivas à inauguração do estádio, sendo que na ocasião o engenheiro Gil César Moreira de Abreu, autor das maquetes do estádio, e o Governador Magalhães Pinto discursarão. Antes, ambos serão recebidos pela Banda de Música do Exército;

14 horas – entrega do estádio ao povo, pelo Governador Magalhães Pinto;

14h05m – bênção do campo, com a presença dos alunos da Escola Técnica de Belo Horizonte e do Colégio Municipal;

14h15m – desfile de colégios com a participação, mais uma vez, das balizas que participarão dos Jogos da Primavera;

14h40m – exibição da Esquadrilha da Fumaça. Dois paraquedistas pularão de aviões especiais, um trazendo a bola do jogo e outro a bandeira brasileira que será levantada no mastro central do estádio;

14h50m – entrada em campo das equipes da seleção mineira e do River Plate, para o jogo inaugural, que se postarão no gramado em forma olímpica;

14h55m – entrada do Governador Magalhães Pinto em campo e execução dor hinos nacionais do Brasil e da Argentina. Após a execução dos dois hinos o bicampeão mundial de futebol, Nilton Santos, desfilará pela pista, levando a tocha olímpica e acendendo a pira olímpica. Na ocasião será feita uma exaltação ao esporte pelas alunas da Escola Nacional de Educação – Física de Minas Gerais;

15h05m – o Governador do Estado de Minas saudará os atletas que participarão do jogo inaugural e vai dar o pontapé inicial;

15h15m – Início do jogo Seleção Mineira x River Plate,

Estádio Minas Gerais que depois ganhou alcunha de Mineirão

Transporte e Polícia

Para facilitar o acesso do público ao estádio Minas Gerais, serão colocados hoje (domingo, do dia 05 de Setembro de 1965), pelo Departamento Municipal de Transportes Coletivos, a partir das 10h, 130 ônibus, que não cobrarão passagens e ligarão o Centro da Cidade e a Pampulha, onde está localizado nôvo estádio.

Os veículos rodarão até quando o movimento de público exigir. A Prefeitura deslocou quase todas as urnas do Departamento de Obras para o preparo das vias de acesso ao estádio todas as obras foram concluídas na madrugada de hoje, depois de o pessoal de obras ter trabalhado durante toda a noite.

Cerca de 2 mil homens foram mobilizados para o policiamento: guardas civis, soldados e oficiais da Policia Militar, investigadores do corpo de segurança e elementos do Departamento Estadual do Trânsito, além da Rádio Patrulha, e receberam ordens severas no sentido de prender todas as pessoas suspeitas e ficam atentos aos marginais de outros Estados que aparecem, atraídos pela notícia da inauguração do estádio Minas Gerais.

EM PÉ (esquerda para a direita): Bueno, Canindé, Grapete, Buglê, Fábio, Décio Teixeira e Ubaldo Miranda (ex-jogador com passagens pelo Atlético-MG, Bangu-RJ, Villa Nova-MG, Bela Vista-MG e Corinthians);
AGACHADOS (esquerda para a direita): Não identificado (massagista),Wilson Almeida, Silvestre, Tostão, Dirceu Lopes, Tião e Bolão (massagista).

Câmbio Negro

Outra recomendação aos policiais foi a repressão total ao câmbio negro de ingressos, que desde a quinta-feira (dia 02 de Setembro de 1965) começará a vigorar.

Ontem à tarde (dia 03 de Setembro de 1965), uma guarnição da Rádio Patrulha prendeu os cambistas Antônio Pereira e Raimundo Rodrigues, que adquiriram 120 arquibancadas a Cr$ 1 mil e estavam vendendo na Rua da Bahia a Cr$ 2 mil, cada uma. Os dois marginais foram encaminhados a Delegacia de Representação e Vadiagem serão processados.

Maracanã e Estádio Minas Gerais: Os Dois Gigantes

Num confronto do Maracanã, maior do mundo, com o “Minas Gerais“, terceiro, a diferença, no que toca à parte técnica de sua construção é a seguinte:

ITENSMINAS GERAISMARACANÃ
Capacidade130 mil pessoas200 mil
Forma geométrica de uma falsa elipse, medindo no eixo maior276.00m308,74m
medindo no menor216,30m280.75m
Perímetro785.77m844.62m
Altura25,00m32.00m
Arquibancadas (número de degraus)3548
1.° degrau em relação ao nível do campo8.00m7.50m
Último17,87m23,67m
No último degrau o espectador fica em relação ao centro do campo90.00m126,00m
Medidas máximas do gramado (Internacional)110 x 75m110 x 75m
Fosso lateral de proteção – profundidade3,00m3.00m
largura2,50m3.00m
Túneis de Acesso ao gramado34
Placares eletrônicosem projeto3
Vestiários (música permanente, gabinete médico, sala de massagens, banheiras térmicas e oxigenoterapia)55
Alojamentos400 pessoas100 pessoas
Escoamento do público, quando lotado10 minutos15 minutos
Projetores de iluminação240 220
Material usado na construção – Madeira284.000m2850.000m2
Material usado na construção – Sacas de cimento284.000500.000
Material usado na construção – Ferro4.000.000kg9.582.781kg
Cabines para rádios e TVs, com ar condicionado, isolamento acústico e visor panorâmico2426

Gérson já tem time base dos Mineiros

Belo Horizonte – O técnico Gérson dos Santos, da seleção mineira que se prepara os jogos inaugurais do Estádio Minas Gerais, informou ontem (terça-feira, dia 24 de agosto de 1965) que, depois dos últimos coletivos realizados conseguiu formar a equipe base do escrete para o primeiro jogo dos mineiros, dia 5 de setembro, com o River Plate, de Buenos Aires (ARG).

Gérson revelou que deverá ser o seguinte, o quadro que jogará contra o River: Fábio; Canindé, William, Rui e Décio Teixeira; Edson e Dirceu Lopes; Wilson Almeida, Silvestre, Jair Bala e Tião. Disse ainda que escolheu os que melhor produzem em conjunto e não os que demonstram ação individual, mesmo que sejam ótimos.

Foto: acervo pessoal do ex-jogador Silvestre
EM PÉ (esquerda para a direita): Bueno, Canindé, Grapete, Buglê, Fábio, Décio Teixeira e Ubaldo Miranda;
AGACHADOS (esquerda para a direita): Wilson Almeida, Silvestre, Tostão, Dirceu Lopes, Tião e o massagista Bolão.

Próximos Ensaios

Hoje à tarde (quarta-feira, dia 25 de agosto de 1965) será realizado o terceiro treino coletivo da seleção mineira, no Estádio Independência, contra o time do Banco da Lavoura. De amanhã até sábado os jogadores darão apenas treinamento individual e domingo haverá nova prática de conjunto, também do Estádio Independência, contra o Olímpic, de Barbacena, atual campeão do certame promovido pela Liga de Juiz de Fora. Nessa partida, a equipe barbacenense surpreendeu ao vencer por 2 a 1.

A Tática

Gérson dos Santos disse ainda que vai adotar o sistema 4-2-4 nos jogos em que a seleção mineira participar, acentuando, entretanto, que não será um sistema rígido, devendo haver variação para o 4-3-3, acordo com o adversário e o andamento das partidas.

Já deu ordens ao ataque para jogar pelas pontas. acompanhando e deslocando Jair Bala e Silvestre para as extremas em que se der a jogada.

O River Plate, que é o primeiro adversário dos mineiros, está sendo aguardado em Belo Horizonte nos primeiros dias de setembro, procedente da Europa, para onde seguirá depois do jogo de hoje em Caracas (VEN), com o Real Madrid (nesse jogo, terminou empatado em 1 a 1, com a presença de 15 mil pagantes. O espanhol Agüero abriu o placar para a equipe madrilenha no primeiro tempo. Cubillas deixou tudo igual para os argentinos na etapa final).

Tevê Tupi transmitiu o jogo

No Jornal dos Sports, teve o anúncio de que a Televisão Tupi, Canal 6, iria transmitir às 15 horas, a partida entre Seleção Mineira x Club Atlético River Plate, direto do Estádio de Minas Gerais para o Rio de Janeiro, São Paulo e Vitória (ES), através de uma rede nacional de televisão. O Banco Nacional de Minas Gerais S/A foi o patrocinador da transmissão e também ajudou na construção do Estádio mineiro.

Imponentes festejos marcaram inauguração

Com a vitória do selecionado mineiro sobre a representação do River Plate, da Argentina, o povo de Minas Gerais e, sobretudo, de Belo Horizonte, teve um fecho de ouro para as festividades de inauguração do Estádio Minas Gerais, o segundo do Brasil e terceiro do mundo, em capacidade, perdendo apenas para o Maracanã e para o Hampden Park, de Glasgow, na Escócia.

Desde as primeiras horas da manhã de ontem a Capital mineira começou a vi- ver seu dia de festa, com salva da canhão que anunciou o nascimento do novo estádio, já chamado de “colosso da Pampulha“.

Os festejos continuaram com o Arcebispo de Belo Horizonte, Dom Serafim Fernandes de Araújo dando a bênção ao estádio e com apresentação de bandas de música, ginastas e, com destaque, das balizas que participarão dos Jogos da Primavera, numa promoção do JORNAL DOS SPORTS.

Governador Entrega

O Governador Magalhães Pinto chegou ao estádio por volta das 14 horas recebendo consagradora ovação do enorme público presente e, logo após, fez a entrega simbólica da nova praça de esportes ao povo mineiro.

Antes do início da partida que encerrou as festividades do dia de ontem (domingo, do dia 05 de Setembro de 1965), o Governador mineiro cumpri- mentou a todos os jogadores dos dois times, ressaltando, junto aos integrantes da equipe argentina “a honra a satisfação do povo mineiro de ter o River Plate como convidado num momento histórico como o da inauguração do Estádio Minas Gerais”.

Como convidados especiais do Governo de Minas estiveram presentes às solenidades da inauguração do nôvo estádio, os presidentes da Federação Paulista de Futebol, Sr. Mendonça Falcão; da CBD, Sr. João Havelange; do CND, Sr. Elói Meneses; e o técnico da Seleção Brasileira, Vicente Feola.

Mineiros venceram na Festa de Inauguração

Com uma renda muito aquém da esperada pelas autoridades e sem que se saiba o número exato de espectadores porque as borboletas dos portões de acesso ainda não foram instaladas, o Estádio Minas Gerais foi inaugurado, ontem, com festividades que se encerraram com o encontro entre a seleção mineira e o River Plate, vencido pelos mineiros por 1 a 0, gol de Buglê aos 3 minutos da etapa final.

A arrecadação foi de 82.792.625,00 e calcula-se, entre público pagante e autoridades convidadas, cerca de 80 mil pessoas presentes ao jôga, embora a Administração do Estádio Minas Gerais tivesse anunciado, anteriormente, que a venda de ingressos já havia atingido Cr$ 90 milhões (sábado). O estádio ainda não está acabado, devendo ter suas obras finalizadas, definitivamente, dentro de um ano.

Jogo Fraco

A partida entre o escrete mineiro e o River Plate teve duas características distintas: o nervosismo dos mineiros e o cansaço dos argentinos. A consequência foi um jogo fraco, que somente começou a melhorar depois que a equipe local inaugurou o marcador, no segundo tempo, e, perdendo um pouco a inibição inicial, partiu para o jogo emocional, suprindo as deficiências de falta de conjunto com a vibração de seus jogadores, incentivados pela imensa torcida que pedia “mais um, mais um“.

Até os primeiros 35 minutos da partida o River Plate, embora um pouco lento, comandou o jogo, tendo perdido, aos 9 minutos, oportunidade de inaugurar o marcador num pênalti cometido por Grapete, que tirou com a mão uma bola que ia entrando depois de haver passado pelo goleiro Fábio. Sarnari cobrou e chutou para fora. Depois os mineiros melhoraram um pouco, indo mais à frente, embora pecassem nas finalizações.

Gol Único

O gol da seleção de Minas nasceu de uma jogada de Dirceu Lopes, que deu em profundidade para Buglê, que adiantara, tendo o goleiro Gatti tentado interceptar, falhando. Buglê apanhou a bola, driblou, ainda, um zagueiro e fuzilou, aos 3 minutos da etapa final.

Depois desse gol, os mineiros, jogando mais na base do entusiasmo, pressionaram com mais frequência o gol adversário, até os 30 minutos. Quando faltavam 15 minutos para o término do jogo, o time adversário, que vinha mantendo um ritmo lento, mostrando cansaço, começou a reagir, passando a pressionar, mas a equipe local, caindo toda na defesa, conseguiu manter marcador.

Duas Expulsões

Aos 35 minutos da fase inicial, o ponta-esquerda Tião, do escrete mineiro, entrou violentamente em Sarnári, que revidou com um pontapé, tendo o juiz da partida, Sr. Antônio Viug, expulsado os dois jogadores, passando os dois times a jogar com apenas 10 homens. Mesmo depois dessas expulsões, o jogo continuou viril, com as defesas de ambos os lados jogando duro e, por vezes, violentas.

Começou Atrasado

A partida, que estava por ser iniciada às 15h15m, começou com um atraso de 15 minutos por que as solenidades de inauguração demoraram mais tempo que o previsto pelas autoridades.

As 14h30m, Hideraldo Luís Belini, bicampeão mundial de futebol e capitão da seleção da campanha da Suécia, em 1958, deu a volta olímpica no campo levando o fogo simbólico e depois acendeu a pira olímpica, sob o aplauso de todos os espectadores. Antes do início da partida, os capitães da seleção de Minas, Bueno, e do River Plate, Ramos Delgado, trocaram flâmulas.

Os Melhores

Os melhores jogadores da partida foram Fábio, Dirceu Lopes, Buglê, Grapete e Wilson Almeida, para os mineiros, e Ramos Delgado, Oscar Más, Matozas e o brasileiro Delém (Vladem Lázaro Ruiz Quevedo), para os argentinos. O goleiro Fábio, da seleção de Minas, merece destaque especial, tendo sido o melhor homem em campo.

O árbitro Antônio Viug teve bom trabalho, embora um pouco prejudicado pela virilidade dos jogadores. Quase chega atrasado ao campo porque o avião em que viajou do Rio se atrasou, tendo aterrissado na Pampulha 15 minutos antes do jogo. Os bandeirinhas foram Joaquim Gonçalves e Luís Pereira, ambos da Federação Mineira de Futebol (FMF).

Os mineiros terão hoje o dia livre e voltarão a se concentrar amanhã a fim de se preparar para o jogo com o Botafogo, domingo. Amanhã farão individual; quarta-feira, coletivo no Estádio Minas Gerais; quinta-feira, individual; e sexta-feira, apronto. O técnico mineiro, Gérson Santos, informou que pretende manter a mesma equipe para o Jogo de domingo.

EM PÉ (esquerda para a direita): Carlos Alberto Sainz, Jose Manuel Ramos Delgado (Capitão), Hugo Gatti, Roberto Matosas, Vladislao Cap e Hector Grispo;
AGACHADOS (esquerda para a direita): Luis Cubilla, Juan Carlos Sarnari, Luís Artime, Delém e Oscar Más.

River faturou 10 mil dólares pelo jogo

A Delegação do Club Atlético River Plate, viajando pela Ibéria, desembarcou no Rio de Janeiro, no sábado, do dia 04 de setembro de 1965. Logo depois viajou para Belo Horizonte, chegando por volta das 13 horas. Dali seguiu para o Brasil Palace Hotel, onde ficou hospedado.

A delegação do River Plate embarcou na segunda-feira (dia 06 de Setembro de 1965), às 14 horas, para o Rio de Janeiro e às 18 horas, do Galeão, seguiu viagem para Buenos Aires (ARG). Pela partida, o River Plate recebeu a cota de 10 mil dólares, além das despesas pagas.

As duas equipes perfiladas, ouvindo os hinos nacionais do Brasil e Argentina

SELEÇÃO MINAS GERAIS        1        X        0        C.A. RIVER PLATE (ARG)

LOCALEstádio Minas Gerais (atual Mineirão), no bairro da Pampulha, em Belo Horizonte/MG 
CARÁTERAmistoso Internacional
DATADomingo, do dia 05 de Setembro de 1965
HORÁRIO15 horas e 30 minutos (de Brasília)
RENDACr$ 82.792.625,00 (Oitenta e dois milhões, setecentos e noventa e dois mil, seiscentos e vinte e cinco cruzeiros)
PÚBLICO73.201 pagantes (a estimativa foi de um público presente de 100 mil)
ÁRBITROAntônio Viug (FIFA/RJ)
AUXILIARESJoaquim Gonçalves (FMF) e Luís Pereira (FMF)
EXPULSÕESTião (Minas Gerais) e Sarnari (River Plate)
MINAS GERAISFábio; Canindé, Grapete, Bueno e Décio Teixeira; Dirceu Lopes e Buglê; Wilson Almeida (Geraldo, e depois Noventa), Tostão, Silvestre (Jair Bala) e Tião. Técnico: Gérson Santos.
RIVER PLATEGatti; Sainz, Ramos Delgado, Hector Grispo (Mario Bonzuck) e Matosas; Vladislao Cap (Solanez) e Sarnari; Luis Cubilla (Jorge Solari), Artime (Juan Carlos Lallana), Delém e Oscar Más. Técnico: Jose Curti.
GOL(S)Buglê aos 3 minutos (Seleção Mineira), no 2º Tempo.

FOTOS: Acervo Fabiano Rosa Campos

FONTES: Jornal dos Sports (RJ)

Distintivo raro de 1920: Sport Club Rio de Janeiro – Rio de Janeiro (RJ)

Sport Club Rio de Janeiro foi uma agremiação da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Fundado no dia 15 de Maio de 1914, a sua Sede ficava sediada na Rua São Francisco Xavier com Avenida Boulevard 28 de Setembro, em Vila Isabel. Em 1922, a sua Sede se encontrava na Rua Santa Luiza, nº 125, no bairro Engenho Velho (atualmente Tuijuca). Mandava seus jogos no extinto campo da Rua Morais e Silva, na Tijuca. Possuía as cores branca, azul e preta.

Entre os fundadores destacam-se Ernâni Silva de Almeida (presidente), Belmiro Alves (vice-presidente), Paulo Ramos Paz “Pazinho” (secretário), Guilherme Silva (tesoureiro), Waldemar Macieira (1° procurador), Carleto Botelho (2° procurador), Nicanor Tourinho (capitão-geral), Eliézer Leite (vice-capitão), Alberto Silva (comissão de sindicância), Arnaud Reis (comissão de sindicância) e Arsênio Brousse (comissão de sindicância).

Praça de Esportes da Rua Moares e Silva

O Sport Club Rio de Janeiro inaugurou o seu campo, no domingo, do dia 24 de novembro de 1918. O valoroso club da 2ª Divisão da Liga Metropolitana, O seu novo e excelente campo ficava situado na Rua Moraes e Silva, no bairro do Engenho Velho (depois passou para a Tijuca e atualmente no bairro do Maracanã).

A Vida Sportiva destacou: “O lindo ‘ground’ que está situado em uma optima zona proxima do centro, se bem que seja pequeno é, no entanto, uma obra elegante dentro das regras hygienicas e desportivas.

A “Vida Sportiva” publicando hoje algumas photographias do bello campo nada mais faz do que render uma justa homenagem ao esforço dos queridos ‘sportsmen’ componentes do Sport Club Rio de Janeiro”.

Foi reorganizado em 2 de julho de 1914, com as cores preto e branco. A partir de 1920 se tornou azul e branco. Em 1915, filiou-se á Associação Brasileira Sports Athleticos (ABSA), fazendo bela figura no campeonato. Em 1916, continuou na A. B. S. A., conseguindo o terceiro lugar. Neste ano, o S. C. Rio de Janeiro derrotou, em seu último jogo returno, o campeão invencível Americano, por 3 a 2, depois de um prélio movimentado.

Em 1917, filiando-se á L. M. D. T (Liga Metropolitana de Desportos Terrestres) conduziu-se de forma brilhante; embora não conseguindo o título de campeão, obteve boa colocação, proporcionando-lhe passar á 2ª Divisão, devido ao aumento de clubes em cada divisão.

Em 1918, foi o 3º colocado do Campeonato Carioca da Terceira Divisão. Conseguiu o acesso à Segunda Divisão ao derrotar o último colocado da Segunda DivisãoPaladino Foot-Ball Club por 6 a 1 na repescagem.

A diretoria de 1918 do S. C. Rio de Janeiro estava assim constituída:

Presidente, Horacio Werner;

Vice-presidente, Francisco da Cruz Vianna;

1° secretario, Pedro Lopes Macieira Sobrinho;

2° secretario, Domingos da Silva Manno;

1º thesoureiro, José Nunes Ribeiro;

2° thesoureiro, Carlos Leopoldo de Souza;

Procurador, Carlos Medeiros de Mello;

Conselho fiscal, Mario Guerra, Alipio Borges e Dermeval Freitas Gonçalves;

Commissão de syndicancia, Raul Portugal, Alvaro Leite Gomes e Arnaldo Reis.

Os seus quadros de football:

1º team: Roberto Ramos de Oliveira – Gustavo Moraes Vasconcellos e João Gomes Menezes – Armando Reis (cap.), Eurico Pinheiro Guerra, Arthur Machado Filho – Francisco Vianna Filho, Waldemar Alves Bragança, Emilio Champion, Carlito de Oliveira e Luciano Alver Bragança.

2º team: Horace Smith – Saint Clair Faria e Oswaldo Faria – Goamerges Silva, Oscar Couto e José Pinto Rodrigues – Humberto Malagutti de Souza, Ary Monteiro Amarante, Adalberto Santos Ribeiro, Oswaldo Carneiro e Alfredo José Vieira.

O quadro de honra:

Socios honorarios – Antonio de Miranda, Dr. Souza Silva, W Sylvester e Dr. Julio Fur- tado.

Socios benemeritos – José Nunes Ribeiro, Francisco Vianna Filho, Belmiro Alves, Horacio Werner e Alvaro Pereira da Costa.

Fundadores – Attila Ferraz, Ernaei Ferraz, Frederico Monken, Belmiro Alves, José Moreno Rodrigues, Arthur Soa- res, Nestor Soares, Alvaro Gomes, Paulo Ramos Paz e outros cujos nome nos escaparam.

Em 1919, foi vice-campeão da Segunda Divisão. O campeão e promovido à elite foi o Palmeiras Athletico Clube. Foi 6º lugar no Campeonato Carioca da Segunda Divisão, em 1920, em certame vencido pelo Carioca Foot-Ball Club.

Ainda em 1920, o Sport Club Rio de Janeiro prestou uma homanegem a bandeira do estado do Rio, alterando as suas cores. O uniforme passou a ser listrado na verticais nas cores azul e branco, enquanto o seu distintivo passou a ter o fundo na cor vermelha.

Em 1921, é campeão da Série A da Segunda Divisão. Na fase final perde para o Bonsucesso Futebol Clubecampeão da Série B, o título do campeonato. No mesmo ano conquista o Torneio Início da Segunda Divisão. 

Em 1922, faz fraca campanha e termina em sexto lugar na classificação da Série A, sendo eliminado na fase inicial. Em 1923, faz novamente má campanha e termina em último no campeonato. Em 1926 foi extinto. Em 1925, foi fundado o Sport Club Rio de Janeiro, no bairro de Copacabana, na Zona Sul fo Rio. Porém, não tem nenhuma relação.

“Hymno do Sport Club Rio de Janeiro”

(Musica da Canção do Soldado) – Letra de Moacyr Lafayette Chagas

Nós somos do glorioso Rio Janeiro.
Fieis defensores,
Nosso pavilhão garboso
Mostra altaneiro
Suas nobres côres.
 
Seguimos o mesmo trilho,
Cheios de crença,
Na altiva idéa,
– Cercal-o de intenso brilho,
Na gloria immensa,
Numa epopea!
 
Emblema das nossas tradições,
Das luctas, de nosso aureo, passado,
Tremula desfraldado,
Victorioso e evacionado
Em meio das multidões…
 
Inda se escuta,
Por onde vais,
– Eil-o nobre quando lucta,
– Sonhador, si reina a paz,
Cante o valor,
O mundo inteiro,
Do bi-color,
Sport Club Rio de Janeiro.
Publicado na Vida Sportiva, em 1918

Colaborou: Pedro Varanda

FONTES: Arquivo pessoal – O Malho (RJ) – Vida Sportiva (RJ) – Jornal do Commercio (RJ)

Fotos raras de 1965: no dia que o Palmeiras vestiu a ‘Amarelinha’ e bateu a Seleção do Uruguai, no Mineirão!

EM PÉ (esquerda para a direita): Ferruccio Sandoli (dirigente), Djalma Santos, Valdir de Moraes, Valdemar Carabina (Capitão), Dudu, Filpo Nuñez (técnico argentino), Djalma Dias, Ferrari e diretor (não identificado);
AGACHADOS (esquerda para a direita): Romeu (mordomo), Julinho Botelho, Servílio, Tupãzinho, Ademir da Guia, Rinaldo e Reis (massagista).

Em comemoração ao Dia da Independência do Brasil e mais as festividades pela inauguração do Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão (naquele momento ainda se chamava Estádio Minas Gerais), foi marcado um amistoso internacional entre as seleções do Brasil e Uruguai.

Pela primeira vez no cenário do futebol nacional, uma equipe brasileira foi convidada para compor toda a delegação do Brasil. Do técnico ao massagista, do goleiro ao ponta-esquerda, incluindo os reservas, o Palmeiras, treinada pelo argentino Filpo Nuñez, é um dos dois estrangeiros a terem comandado a Seleção Brasileira (o outro foi o uruguaio Ramón Platero, na década de 20).

Em meio à época áurea de times como o Santos de Pelé e o Botafogo de Garrincha, o Palmeiras, sob critério da extinta CBD, foi escolhido por se tratar da melhor equipe do futebol brasileiro em atividade no período.

Já o Uruguai vinha de classificação para o Mundial de 1966 de forma invicta e apresentava craques como Manicera (que depois desfilou sua técnica no Flamengo), Cincunegui (ídolo no Atlético-MG), Varela, Douksas, Esparrago, entre outros.

Numa partida que entrou para a história do futebol mundial, o Palmeiras goleou a Celeste por 3 a 0. O troféu conquistado pela Seleção ficou na sede da CBD (depois CBF) por exatos 23 anos. Em 1988, decidiu-se pelas partes que o Verdão deveria honrosamente ficar com a taça.

Abaixo como o Jornal dos Sports (principal jornal esportivo do país)destacou essa partida na véspera e no pós-jogo. Boa leitura!

Reportagens na véspera do jogo

Em prosseguimento, ainda, as festividades de inauguração do Estádio Minas Gerais, em Belo Horizonte, o Palmeiras jogará hoje à tarde com a seleção do Uruguai, usando o uniforme da seleção brasileira. A atração do jogo será a presença dos dois mineiros que jogam pelo time paulista: Procópio e Dario.

O argentino Filpo Nuñes, técnico do Palmeiras, informou que a presença de Dario como ponta-de-lança ainda é duvidosa porque o jogador não se encontra em estado físico perfeito, mas que está fazendo todos os esforços para lançá-lo em homenagem aos mineiros. Caso não possa atuar Tupāzinho será mantido. O goleiro Valdir sofreu um princípio de distensão do treino de ontem e fará um teste hoje para confirmar se poderá ou não, jogar.

Treinaram Ontem (segunda-feira, dia 06/09/65)

Os jogadores do Palmeiras, dirigidos por Filpo Nuñez, realizaram individual, bate-bola e dois toques, durante 30 minutos, na manhã de ontem (segunda-feira, dia 06/09), no estádio Minas Gerais e, depois, mais 30 minutos de ginástica. No treino de dois toques um time jogou com camisa contra outro, sem camisa, os com camisas formaram com Ditão (3° irmão com o mesmo nome), Picasso, Julinho, Gildo, Servílio, Ademar e Valdemar Carabina, contra Djalma Dias, Djalma Santos, Procópio, Dudu, Ademir da Guia. Ferrari, Germano e

Zequinha. Os dois times jogaram sem goleiros e o time de Julinho saiu vencedor, com mais de 10 gols, tendo Ademar feito 5.

Durante a meia hora de ginástica, foram poupados Procópio, Djalma Dias, Djalma Santos, Ademir da Guia, Ferrari, Dudu e Servílio, que ficaram batendo bola. O goleiro Valdir logo no início do treino sentiu dores no músculo e foi poupado dos treinamentos. Filpo Nuñez informou que os jogadores estão em boa forma. embora um pouco cansados pela campanha do campeonato paulista, e acredita na vitória sobre os uruguaios.

O Time Para Hoje (07/09/65)

Filpo Nuñez acrescentou que, embora o quadro não tenha grandes problemas, deverá fazer algumas modificações durante a partida a fim de poupar os jogadores. Revelou que, em princípio, Palmeiras jogará com Valdir (Picasso); Djalma Santos e Djalma Dias; Procópio (Valdemar Carabina) e Ferrari; Dudu e Ademir da Guia; Gildo (Julinho), Servílio, Dario (Tupāzinho) e Germano (Rinaldo).

Ontem à tarde a delegação do Palmeiras esteve no Palácio da Liberdade, em visita ao Governador Magalhães Pinto. Na ocasião, o Presidente do clube paulista, St. Delfino Fachina, fez a entrega ao Chefe do Executivo mineiro, de uma placa de prata comemorativa da inauguração do estádio Minas Gerais.

EM PÉ (esquerda para a direita): Juan López Fontana (técnico), Omar Caetano, Héctor Cincunegui, Luis Alberto Varela, Raúl Núñez, Jorge Manicera, Walter Taibo e diretor (não identificado);
AGACHADOS (esquerda para a direita): Horacio Franco, Héctor Salvá, Héctor Silva, Vladas Douksas e Víctor Espárrago.

Uruguaios Chegaram

A Delegação da seleção do Uruguai chegou a Belo Horizonte ontem (segunda-feira, do dia 06 de setembro de 1965), às 23 horas, e o técnico Juan Lopes informou ao JORNAL DOS SPORTS que pretende, hoje pela manhã, levar os jogadores até o estádio Minas Gerais a fim de que conheçam o campo onde jogarão à tarde. Revelou. ainda, que o quadro jogará incompleto em virtude do campeonato uruguaio, pois a maioria dos times não quis ceder mais de dois jogadores para a seleção.

Os uruguaios entrarão em campo com a seguinte equipe: Taibo; Sircumegui, Nuñez, Varela e Caetano; Manizera e Salva; Franco, Silva, Doukzas e Espanero.

Djalma Santos: 90 Jogos

Em virtude de o Palmeiras jogar hoje com a camisa da CBD (Confederação Brasileira de Desportos), o zagueiro bicampeão mundial, Djalma Santos, completará a sua 90ª partida com a camisa da seleção brasileira.

A expectativa do público para o jogo de hoje é pequena porque, além de não haver festividades como no domingo, como atração, e nem jogar time mineiro, a torcida está se resguardando para os outros jogos, principalmente Santos e seleção mineira. As autoridades preveem para hoje uma renda fraca.

Vantagens de Minas

O estádio de Minas Gerais, que perde em capacidade de público para o Maracanã, tem, entretanto, algumas vantagens sobre ele, pois, enquanto o estádio carioca tem 186.638m2 de área ocupada pelo gramado. pista de atletismo, parque de estacionamento e jardins, o Minas Gerais tem 300.000m2. O estádio mineiro tem alojamento para 400 atletas, enquanto o Maracanã tem apenas 100.

O primeiro jogo noturno quando serão inaugurados, oficialmente, os refletores será entre o Santos e a seleção de Minas, dia 15. O estádio possui 240 projetores, enquanto o Maracanã tem 220.

Palmeiras derrotou Uruguaios com facilidade

BELO HORIZONTE – O Palmeiras, jogando com o uniforme da seleção brasileira, derrotou, ontem, tarde (na terça-feira, do dia 07 de Setembro de 1965), no estádio Minas Gerais, a seleção do Uruguai, num jogo em que foi sempre superior, não tendo vencido por escore mais dilatado em virtude da grande atuação do goleiro Taibo, do escrete uruguaio, e do trabalho de destruição da sua linha de quatro zagueiros.

O Palmeiras jogou uma partida perfeita, terminando por oferecer ao público que compareceu à segunda partida realizada no novo estádio mineiro, ainda em comemoração à sua inauguração, um verdadeiro show de futebol, comandado por Ademir da Guia, absoluto no meio-campo. Outro destaque foi o lateral-direito bicampeão mundial, Djalma Santos, que todas as vezes em que pegava a bola recebia verdadeira ovação do público.

Sempre Melhor

O Palmeiras, desde os primeiros minutos da partida mostrou sua superioridade, evidenciando logo qual seria o resultado do encontro. A seleção uruguaia, apesar de inferior em técnica, entretanto não se entregou de início e seus jogadores procuraram compensar as deficiências técnicas com um grande espírito de luta, competindo bravamente para fugir à derrota que parecia inevitável. Algumas vezes chegou até a linha de defesa do quadro brasileiro, mas Djalma Santos e Djalma Dias, ambos em grande tarde, com facilidade anulavam os ataques.

Com Ademir da Guia dominando inteiramente o meio-campo, bem assessorado por Dudu, a ofensiva brasileira não tinha dificuldades em alcançar a área do adversário e somente não chegou a uma goleada porque o goleiro Taibo veterano da seleção, – estava em tarde de grande inspiração e fez defesas espetaculares.

Além disso, os quatro zagueiros uruguaios, jogando com sobriedade e com boa cobertura, conseguiram, em parte, diminuir o ímpeto da ofensiva palmeirense, embora são conseguisse evitar os dois gols do primeiro tempo.

Primeiros Gols

A primeira etapa do jogo terminou de 2 a 0 para o Palmeiras, gols de Rinaldo, de pênalti, aos 27 minutos, e de Tupãzinho, aos 35. Depois do segundo gol brasileiro a equipe uruguaia esmoreceu um pouco e se concentrou mais na defesa, tentando o ataque, esporadicamente, em lançamentos de profundidade. Nas raras vezes em que o goleiro do Palmeiras, Valdir, foi chamado a intervir, o fez com segurança e categoria.

No primeiro tempo, além de Djalma Santos, Djalma Dias e Ademir da Guia, os atacantes Tupãzinho, Julinho e Rinaldo foram os que mais se destacaram, sendo que Tupãzinho foi o melhor dos três. Os outros, entretanto, também atuaram bem, porém com menos ímpeto.

A Confirmação

No segundo tempo o Palmeiras apenas confirmou sua grande atuação da primeira etapa, embora o uruguaio voltasse um pouco melhor depois de fazer algumas modificações. O Palmeiras também mudou vários jogadores, mas seu ritmo não sofreu solução de continuidade.

O terceiro gol da equipe brasileira veio aos 29 minutos, por intermédio de Germano, que substituiu a Julinho na ponta-direita. Depois desse gol o Palmeiras parece ter perdido o interesse de aumentar o marcador e passou a fazer exibição de futebol, sob os aplausos intensos dos torcedores, que pediam “olé“.

EM PÉ (esquerda para a direita): Juan López Fontana (técnico), Omar Caetano, Héctor Cincunegui, Luis Alberto Varela, Raúl Núñez, Jorge Manicera, Walter Taibo e diretor (não identificado);
AGACHADOS (esquerda para a direita): Horacio Franco, Héctor Salvá, Héctor Silva, Vladas Douksas e Víctor Espárrago.

Preliminar

Na partida preliminar o América, de Belo Horizonte, derrotou o Uberaba, por 5 a 2, tendo o primeiro tempo terminado com um empate de 2 a 2, gols de Mosquito, aos 6 minutos e Dirceu, aos 39, para o América, e Zé Luís, aos 36 minutos, e Sapucaia aos 41, para o Uberaba.

Na etapa complementar, Dirceu, aos 5 minutos; Mosquito, nos 7 minutos e Sabino, aos 13 minutos, ampliaram para o América. Na arbitragem funcionou o Sr. Doraci Jerônimo.

BRASIL (S.E. Palmeiras/SP)     3        X        0        URUGUAI

LOCALEstádio Minas Gerais (atual Mineirão), em Belo Horizonte/MG
CARÁTERAmistoso Internacional  
DATATerça-feira, do dia 07 de setembro de 1965
HORÁRIO15 horas e 15 minutos (De Brasília)
RENDACr$ 49.162.125,00
PÚBLICO44.984 pagantes
ÁRBITROEunápio de Queiroz
AUXILIARESCláudio Magalhães e Frederico Lopes.
BRASILValdir de Moraes (Picasso); Djalma Santos, Djalma Dias, Valdemar Carabina (Procópio Cardozo) e Ferrari; Dudu (Zequinha) e Ademir da Guia; Julinho Botelho (Germano) Servílio, Tupãzinho (Ademar Pantera) e Rinaldo (Dario Alegria). Técnico: Filpo Nuñez.
URUGUAIWalter Taibo (Carlos Fogni); Héctor Cincunegui (Miguel de Britos), Jorge Manicera e Luis Alberto Varela; Omar Caetano, Raúl Núñez (Homero Lorda), Héctor Salvá e Horacio Franco; Héctor Silva (Orlando Virgili), Vladas Douksas e Víctor Espárrago (Julio César Morales). Técnico: Juan López Fontana.
GOLSRinaldo, de pênalti, aos 27 minutos (Brasil); Tupãzinho, aos 35 minutos (Brasil), no 1º Tempo. Germano, aos 29 minutos (Brasil ), no 2º Tempo
PRELIMINARAmérica Mineiro 5 x 2 Uberaba.

FOTOS: Acervo Fabiano Rosa Campos

FONTE: Jornal dos Sports (RJ)

Associação Atlética Mocoembu – Dois Córregos (SP): Campeão Paulista Amador de 1995!

A Associação Atlética Mocoembu é uma agremiação do município de Dois Córregos, que fica no Interior do estado de São Paulo, localizado a 265 km da capital. A sua população é 27.704 habitantes, segundo o Censo do IBGE/2021.  

Brasão de Dois Córregos

Seu nome de origem Tupi – Guarani, se encontra no Hino Oficial da Cidade de Dois Córregos:

A caminho d’oeste a bandeira

Brava gente das Minas Gerais

De São Paulo a pousada tropeira

Mocoembu num instante se faz


Do tupi a primeira morada

Entre rios do planalto a capela

Mira e Lopes em guapa jornada

Mocoembu eis o nome da terra


Dois Córregos, amado torrão

Teu passado o amor construiu

De São Paulo um pedaço de chão

Espelhando este imenso Brasil.


Sob a luz do divino a pousada

De Dois Córregos fez-se a cidade

O botão da roseira plantada

Em escolas e indústrias se abre


Nesse vale do fundo e lajeado

Tanta gente acolheu extremosa

Filhos teus de tão rico legado

Nos deixou esta terra gloriosa


Dois Córregos, amado torrão

Teu passado o amor construiu

de São Paulo um pedaço de chão

Espelhando este imenso Brasil.

Breve história da A.A. Mocoembu

A “Veterana” foi fundada no domingo, do dia 19 de dezembro de 1920. Cinco anos depois, o Mocoembu foi reorganizado, mas a data de fundação não foi alterada.

A sua Sede fica na Avenida Dom Pedro I, nº 382, no Centro de Dois Córregos (SP). O nome do seu Estádio Custódio Caldeira, homenageia o desportista que possuía a hipoteca do campo e que numa demonstração de verdadeiro desportista, cedeu o citado penhor à A.A. Mocoembu.

Foto da década de 50

Campeonato Paulista do Interior

A partir daí, por duas décadas (1925-45), o clube realizou amistosos e partidas patrocinadas pela extinta ACEA de Jaú.

Em 1947, disputou o Campeonato Paulista do Interior (Amador), organizado pela FPF (Federação Paulista de Futebol), de forma ineterupta até 1974.

Já disputando o Campeonato Paulista do Interior, em 1949, o Mocoembu ficou com o Vice-campeonato da Zona, perdendo para o Bocaína Futebol Clube, no Estádio Arthur Simões, na cidade de Jaú.

Vice-campeão estadual do Interior de 1952

No Campeonato Paulista do Interior de 1951, ficou com título da Zona 5. Seguindo na mesma competição, em 1952, se sagrou bicampeão da Zona, Campeão do grupo 2 e Vice-Campeão Amador do Estado, perdendo o título para o Amparo Atlético Clube por 3 a 1, no Estádio da Rua Javari, na capital de São Paulo. No Campeonato Paulista do Interior de 1953, a Associação Atlética Mocoembu foi outra vez vice-campeão da Zona.

Campeão Paulista Amadora de 1995

Outras conquistas, com o título do Campeonato Amador de 1988, e um dos mais relevantes, o título de Campeão Estadual Amadora de 1995, promovido pela Federação Paulista de Futebol.

Sob o comando de Milton Depícoli, na primeira fase, disputada com campeões da região de Bauru, entre eles o fortíssimo Esporte Clube Leônico, Campeão Amador de Bauru, saiu-se vencedora a “Veterana” de Custódio Caldeira, em Dois Córregos, qualificando-se para a próxima etapa.

Nas Oitavas de final, já eliminatória, no 1º compromisso jogou com equipe da cidade de Vera Cruz, da região de Marília, empatando sem abertura de contagem no jogo de ida e vencendo por 5 a 1 em Dois Córregos.

Estádio Custódio Caldeira, em Dois Córregos

Nas Quartas de final, o adversário foi uma excelente equipe da cidade de Tarumã, da região de Assis, quase divisa com o Paraná, em que o Mocoembu também empatou o jogo de ida sem abertura de contagem e venceu o jogo de volta, em casa, pelo placar mínimo.

Pelas Semifinais, foi contra equipe da cidade de São Vicente, do litoral paulista, agora com inversão de mando, porque o primeiro jogo foi realizado em Dois Córregos.

O compromisso em casa o Mocoembu venceu por 3 a 1, porém perdeu o segundo, em São Vicente, pelo placar mínimo, classificando-se para a final no saldo de gols das duas partidas.

No 1º jogo, no domingo, do dia 26 de novembro de 1995, a A.A. Mocoembu empatou sem gols com o Estrela do Mar/Savema, no Estádio Martins Pereira em São José dos Campos.

No jogo de volta, no domingo, do dia 03 de dezembro de 1995, a A.A. Mocoembu bateu o Estrela do Mar/Savema, pelo placar de 2 a 0, no Estádio Custódio Caldeira, em Dois Córregos, conquistando o título!

A Associação Atlética Mocoembu formou assim: Fedato; Brela, Evaristo, Marcão, e Maia; Moino (Val depois Marquinho Caniato), Rê e David; Zão, Lao (Claudinho) e Cobrinha. Técnico: Milton Depícoli.

Nessa partida um desfalque: o médio-volante titular, Arnaldo Zangaletti, que estava suspenso com o terceiro cartão amarelo recebido no primeiro compromisso da final.

FOTOS: Página do clube no Facebook – Acervo Mauro Valdo e Foto de Romelio Ninno Jr. “Bomba”

FONTES: Blogspot Pequenos Gigantes do Futebol – Jornal Independente Online – Página do clube no Facebook

Flamengo Universitário – Rio de Janeiro (RJ): Fundado em 1929!

O Flamengo Universitário (FU) foi uma agremiação da cidade do Rio de Janeiro (RJ). A sua Sede social ficava na Rua São José, nº 39, no bairro do Centro da cidade do Rio. Fundado no sábado, do dia 14 de Setembro de 1929, por um grupo de desportistas e sócios do Clube de Regatas Flamengo. Um fato curioso é que a escolha das cores do clube foram o amarelo, azul e preto.

Abaixo a reportagem do jornal Diário de Notícias que contou um pouco sobre a história do Flamengo Universitário:

Flamengo Universitário! Estes nomes são um brado de guerra no seio do amadorismo puro.

Fundado a 14 de setembro de 1929, data do aniversário do dedicado rubro-negro Flavio Costa (Costinha), ο Flamengo Universitário tem sabido viver uma vida să e útil aos sports citadinos, pelo alevantado exemplo de sportividade baseado no mais rigoroso amadorismo, que os seus componentes têm dado aos sportmen cariocas.

O Flamengo Universitário é composto exclusivamente de associados do Club de Regatas do Flamengo, do qual ele é uma como que legitima projeção.

ONDE SE “BATE O 31” COM INSISTENCIA…

O número de seus associados é limitado a 31. Quem não andar depressa tem que ficar á espera de vaga… Lá é assim.

ARREDEM, PROFISSIONAES!

Nascido no seio de agremiação de verdadeiros amadores o C. R. Flamengo – o Flamengo Universitário tem absoluta aversão pelo profissionalismo. Todos os sócios pagam uma mensalidade de 3$000, da qual não escapam nem os próprios jogadores. Camisas, calções, meias, shooteiras, tudo, enfim, corre por conta de cada player.

Além disso, não há verba para taxis… Isto quer dizer que esse vitorioso e original club tem como princípio fundamental de sua existência o amadorismo. Volta, assim, aos tempos áureos do football carioca, quando cada jogador pagava, modestamente, o seu Nickel ao o condutor de bonde, se não queria ir a pé, sem esperar pela “benevolência” de seus clubes…

VÁRIOS SÓCIOS “IMPORTANTES” ELIMINADOS

O lema do Flamengo Universitário é este: “dura lex, sed lex“. Quem não pagar a mensalidade – zaz! olho da rua, eliminado por falta de pagamento. Existem, presentemente, cinco vagas, abertas com a eliminação, por aquelle motivo, dos “importantes” sócios: Fernandinho, Eloy, Roberto Sampaio, Saes e Newton, que não quiseram “entrar com os caraminguás“.

Diz o Augusto Gonçalves, o distinto sportman que pontifica no seio desse grêmio suigeneris, que não se pode “filar” um cigarro sequer. Quem cometer esse “crime” ė apontado logo como um provável profissional… Não existem, também, ali, os clássicos “mordedores“, que, para “agredirem” os bolsos dos conhecidos, simulam, quotidianamente, ter “esquecido” a carteira em casa…

OS “AZES” DO FLAMENGO UNIVERSITARIO

Four” de azes!… Aquele reduto de sinceros amadores tem também os seus “azes”. O “az de copas” é o João de Deus Candiota, presidente do club: o “az de ouros” o Raphael Candiota, thesoureiro; o “az de espadas” o director de sports, Alfredo Mazzeu, e o “az de paus“, Fernando Pinheiro, secretario.

Entretanto, o Augusto Gonçalves é uma das figuras mais destacadas da confraria, não só pela sua operosidade e inteligência, como pelo seu arraigado amor ao club. Chega-se a dizer até que o Augusto é uma espécie de “mamãe” do Flamengo Universitário… Honra seja feita a esse sportsman: ele merece esse “titulo” pelo carinho que dispensa ao seu grêmio.

OS ACTUAES SOCIOS QUITES

O Augusto Gonçalves é o número 1 e os associados que se lhe sucedem são os seguintes, nesta ordem:

João de Deus Candiota (2), Raphael Candiota (3), Francisco Bath (4), Nilo Arcos (5), Flavio Costa (6), Ayres Vieira (7), Moderato II (8), Lino Martinez (9), Alfredo Mazzeu (10), Alcides Horta (11), Jorge Torres (12), Ernani Van Erven (13), Conrado Van Erven (14), Carlos Douro (15), Angenor (16), Darcy (17), Pedro Fortes (18), Helcio Paiva (19), Pinheiro Machado (20), Ruy Machado (21), Fernando Pinheiro (22), Roberto Ferreira (23), Affonso Segreto (24), Amado Benigno (25), Leoxegildo Amaral (26).

Existem cinco logares vagos. Quem quiser ser sócio precisa ser associado do C. R. Flamengo e estar quite. Estas são as condições “sine qua non“…

OS NOVOS DIRIGENTES DO F. U.

Serão empossados hoje os novos dirigentes do valoroso club, que são os seguintes:

DIRECTORIA – Presidente, João de Deus Candiota; secretario, Fernando Pinheiro; thesoureiro, Raphael Candiota, e sports, Alfredo Макzeu.

CONSELHO DELIBERATIVO Augusto Gonçalves, Flavio Costa, Nilo Arcos, Francisco Bath e Ayres Vieiγα.

COMO SE ACEITA UM SÓCIO NOVO

Assistimos, ontem, a aceitação de Cassilandro para sócio do F. U. O Augusto Gonçalves estava em companhia de mais dois rubros-negros. Como Cassilandro demonstrasse desejos de entrar para ο F. U., ο Augusto indagou:

– Fulano, você aprova a entrada do Cassilandro?

– Sim foi a resposta.

– E você, Sicrano, acha que Cassilandro deverá entrar?

– Νᾶο.

– Pois bem, concluiu o Augusto, eu voto a favor.

E o Cassilandro foi admitido como sócio por quatro votos contra dois!…

O Flamengo Universitário não gasta dinheiro com propostas e em sua secretaria não ha o regimen da papelada…

O GRANDE BANQUETE DE 40 TALHERES NA “LA TOSCANA”

Será realizado, hoje, à noite, no restaurante “La Toscana”, o banquete comemorativo do segundo aniversário da fundação do clube. Estão todos “promptos”.. para as “comidas”… Apesar disso vae haver “champagne”, vinho branco de Angra dos Reis e “tutti quanti” seja necessário para consolar o estomago.

Durante as “comidas” será empossada a nova diretoria, que como sempre – vae prometer o início de uma nova fase de fecunda atividade…

A “GAIOLA DOURADA”…

O Flamengo Universitário tem sua sede á rua São José n. 39 (loja), onde está estabelecido o leiloeiro Candiota. Isto mostra que os dirigentes do F. U. têm um espirito pro- a fundamente prático. Se amanhã ou depois o F.U. estiver em aperturas, vai tudo ao correr do Marcello…

AS CORES DO FLAMENGO UNIVERSITÁRIO

As cores do F.U. são estas: camisa amarello, calção azul Marinho e o escudo amarelo com as iniciais FU em preto.

FONTE: Diário de Notícias (RJ)

União Jabaquara Futebol Clube – São Caetano do Sul (SP): Fundado em 1944

O União Jabaquara Futebol Clube é uma agremiação do município de São Caetano do Sul, que fica na Zona Sudeste da Grande São Paulo. Com uma população de 161.127 habitantes (segundo o Censo do IBGE/2019), fica a 13 km da capital paulista.

O “Jabuca” e/ou “O Leão da Vila” foi Fundado na quinta-feira, dia 20 de Julho de 1944. As suas cores vermelho, amarelo e azul é uma homenagem a bandeira de São Caetano do Sul.

A sua Sede e a Praça de Esportes ficam na Rua Hélio Benedete (antiga Avenida Prosperidade), nº 800, no bairro Vila Prosperidade, em São Caetano do Sul.

Dois anos após sua fundação, o Jabaquara iniciava sua trajetória vitoriosa (1946)

Nasce o União Jabaquara

Sua criação foi resultado do desentendimento ocorrido entre alguns associados da SBER Vila Prosperidade, em reunião na sede do clube. Na época, o presidente Cláudio Alcon, enfatizou: “A partir da meia-noite de hoje o Vila Prosperidade não tem mais nenhum sócio”.

Foi a gota d’água que muitos esperavam e não demorou para marcarem uma reunião de emergência no Bar dos Pereiras. Compareceram esportistas do bairro: Guilherme Maiotto, o Gambinha, Ellio Benedetti, Mário Rodrigues, Pedro Izquierdo Vadillo, conhecido como Perico, Zé Pirulão, Pedro Loureiro, Daniel Loureiro, Eduardo Loureiro, Braguinha, Zé Fofo, Elísio Arnesi, Nenê Arnesi, Hermelindo Beraldo, Francisco Testa, Eduardo Amaral, Luis Mori, Mário Mori, Aldo Mori, Isaac, Oswaldo Polastre, José de Carvalho, Garrincha, Tarcísio, Cupim Segato, Álvaro (cunhado do Cupim), José Marchiori, Octávio Marchiori, José Bernardi, Genarino Aguzzi e muitos outros.

Devido a cisão com o Vila Prosperidade ficou decidida a formação de outro clube, cujo nome deveria ser de um time dos chamados pequenos e que tivesse como mérito principal o fato de ter vencido um dos chamados grandes do Campeonato Paulista de Profissionais, como o Corinthians, Palmeiras e São Paulo, o chamado Trio de Ferro do futebol profissional do Estado.

Coincidência ou não a proeza aconteceu com uma goleada histórica do Jabaquara Atlético Clube (ex-Hespanha), sobre o São Paulo FC, pela contagem de 4 a 1, concretizando assim no dia 20 de julho de 1944, o nascimento do União Jabaquara Futebol Clube, que viria posteriormente cumprir uma trajetória de conquistas no futebol amador da cidade de Santo André.

Dinho (em pé), Daniel e Pedro, todos da família Loureiro, em 1948

Famoso apresentado de tevê ajudou na construção da sede

Como o Jabaquara que não tinha local para suas reuniões, foi graças ao arrojo e desprendimento daqueles que o fundaram, que com a cara e coragem, começaram a construção da tão sonhada sede social, quando aconteceu um fato interessante e inédito.

O saudoso animador e apresentador de televisão, Manoel de Nóbrega, participou de uma reunião, em 1945, realizada em cima de caibros e montes de entulho, quando o mesmo solicitou apoio a um candidato ao Senado Federal e doou Cr$.20.000,00 (vinte mil cruzeiros), importância destinada ao pagamento do telhado da sede.

Isso para sorte e alívio de Pedro Izquierdo Vadillo, o Perico, que havia emprestado sua indenização recebida da Usina São José, e já não tinha esperanças de reaver aquela importância.

Assim, em muito pouco tempo, o Jabaquara tornou-se um dos clubes de maior número de torcedores em toda região do ABC, com uma trajetória marcada por grandes realizações e conquistas, culminando com a obtenção de vários títulos de campeão amador de Santo André, nas diversas categorias, desde mirim até o adulto.

Equipe principal do Jabaquara, em 1948

Plebiscito faz clube mudar para São Caetano do Sul

Em 1966, o União Jabaquara passou a disputar os campeonatos promovidos pela Liga Sancaetanense de Futebol (LSF), ex-Liga de Esportes de São Caetano do Sul (Lescs), pois, com o plebiscito de 1963, o Bairro Prosperidade passou a pertencer à cidade de São Caetano do Sul, onde continuou sua marcha vitoriosa de conquistas inesquecíveis, firmando-se, seguramente, como o clube de uma das maiores torcida da cidade, fato que se perpetua até hoje.

Títulos conquistados

O Jabaquara conquistou no período em que disputou torneios e campeonatos em Santo André, vários títulos importantes e, após 1966. O Jabaquara deu início à marcha vitoriosa em São Caetano do Sul, sendo Supercampeão da Divisão Especial em 1971; Campeão Municipal Amador em 1979, 1985, 1989 e 1990.

Vice-Campeão em 1986, 1995 e 1996; 3º lugar em 1992, 1993 e 1994; 4º lugar em 1988; 5º lugar em 1991 e 11º lugar em 1997. Na categoria Juniores, após 1977 o Jabaquara foi campeão em 1984, 1986 e 1997. Nos Veteranos foi campeão em 1984, 1989, 1992 e 1996.

E temos vários títulos de quando éramos filiados a Liga de Santo André. Só que eles inexplicavelmente não registraram nada“, protestou o presidente do clube, Francisco Nieto, que foi jogador do clube de 1963 até 1984, e depois assumiu como técnico, cargo que ocupou por 17 anos antes de assumir a presidência.

Em 1951, o Jabaquara sagrou-se campeão em Santo André, onde disputou o campeonato amador da categoria principal

União Jabaquara muda de nome

Na quarta-feira, do dia 20 de dezembro de 1972 o clube teve sua denominação mudada para Centro Recreativo e Esportivo União dos Amigos (CREUA), do Bairro Prosperidade, fruto das fusões determinadas pelas autoridades municipais da época.

Com isso o União Jabaquara foi extinto na fusão com a SERB Vila Prosperidade e com a Sociedades Amigos de Bairro, fato veementemente contestado pelos antigos jabaquarenses, inconformados com a extinção do nome de três agremiações, todas com raízes no cenário esportivo e político da região do ABC.

Ficou determinado pelos poderes constituídos que os clubes que não tivessem aderido às fusões, estavam impossibilitados de disputar campeonatos ou torneios oficiais promovidos pela Liga Sancaetanense de Futebol.

Nove anos depois clube volta a usar o nome de fundação

Em junho de 1981, os verdadeiros jabaquarenses resolveram fundar novamente o União Jabaquara Futebol Clube. Mal orientados, foram informados da impossibilidade do clube ter o mesmo nome, em virtude de sua extinção, quando da fusão ocorrida em 1972, quando na verdade apenas a data de fundação não poderia ser repetida, mas o nome não existia mais e, portanto, estava liberado.

Assim, na sexta-feira, do dia 5 de junho de 1981, a Sociedade Esportiva Recreativa União Jabaquara (SERU), foi fundada, nome que não agradava aos torcedores, mas, pelo menos, seria o nome Jabaquara que estaria disputando pelo Bairro Prosperidade.

Esta entidade, também teve expressiva campanha de conquistas de títulos, contando com a mesma animada e às vezes, fanática torcida, que permanece até hoje levando alegria aos estádios onde a equipe se apresenta.

Nesta reunião, o Jabaquara através de fusão, fez surgir no futebol profissional a AD São Caetano

Assim surgiu a Associação Desportiva São Caetano

Na segunda-feira, do dia 4 de dezembro de 1989, ano em que a SERU Jabaquara se sagrou campeã nas categorias Principal, Veteranos e Juniores. Na oportunidade comentava-se sobres a possibilidade da fundação de uma equipe profissional na cidade e, numa iniciativa do prefeito Luiz Olinto Tortorello, com o apoio de centenas de esportistas e de toda comunidade, o Jabaquara, através da sua diretoria comandada pelo saudoso Roberto Righeto, o Turú, concordou e mudou sua denominação para Associação Desportiva São Caetano, entidade que até hoje representa o Município no cenário esportivo profissional do Estado de São Paulo.

Tal acontecimento se deu por causa de exigência estatutária imposta pela Federação Paulista de Futebol (FPF), para a disputa da 3ª Divisão de Profissionais, já que para filiar-se, a entidade deveria ter disputado os três últimos campeonatos amadores da sua cidade e estar filiado à Liga Sancaetanense de Futebol (LSF).

Quando foi dado o parecer do presidente do Conselho Deliberativo da entidade, Carlos Roberto de Jesús Polastro, o Carlão, a data que se mantém viva é 20 de julho de 1944! Assim, já que não é possível recuperá-la legalmente, tanto faz a de 5 de junho de 1981, como qualquer outra data, até a de 29 de dezembro de 1989.

Assim, o Conselho Deliberativo, por unanimidade dos seus membros, aprovou o nascimento da Associação Desportiva São Caetano. Mas o nome Jabaquara continuou e continua vivo na memória de todos.

Aliás, Carlos Roberto Polastro, compôs o hino que ficou conhecido no país inteiro quando o São Caetano foi um dos protagonistas do futebol nacional no início dos anos 2000.

Fui vice-presidente do São Caetano quando o time foi fundado. Até assumiu a presidência por seis meses. Quando fomos campeões da terceira divisão em 1990, percebi que não tínhamos um hino. Daí comecei a compor“, recordou Polastro. Segundo o aposentado, o hino do Azulão ficou pronto em maio de 1991.

O prefeito Luiz Olinto Tortorello ladeado por João Tessarini, o saudoso Turú e o atual presidente Bernardino

Renascimento da SERU Jabaquara

A determinação de uma plêiade de esportistas e o grande amor que sempre dedicaram ao Leão da Vila Prosperidade, como é carinhosamente conhecido por causa da garra e espírito de luta dos seus torcedores, fez renascer o clube querido.

Assim é que, na sexta-feira, do dia 29 de dezembro de 1989, foi fundada a Sociedade Esportiva Recreativa União Jabaquara, retornando com força total ao cenário esportivo regional, que hoje, depois de muitas lutas e tentativas junto ao poder público municipal, finalmente recebeu das mãos do prefeito Luiz Tortorello o tão sonhado estádio distrital, dotado de arquibancadas, amplos vestiários, cantina, sala para guarda de material, etc.

Centro Esportivo Recreativo Roberto Righeto

Nome do estádio

Numa justa homenagem a um dos seus mais ilustres colaboradores, o local recebeu o nome de Centro Esportivo Recreativo Roberto Righeto, conhecido como Turú.

Mas algo estava faltando para completar a alegria desses abnegados, o retorno do antigo e tradicional nome que foi homologado pela Liga Sancaetanense de Futebol (LSF) e Federação Paulista de Futebol (FPF): União Jabaquara Futebol Clube, grandeza e orgulho do futebol amador de São Caetano do Sul.

O presidente do Leão da Vila disse que a equipe tem a maior torcida da cidade. “Agora diminuiu um pouco. Porém, nas finais dos torneios, levamos 1.500 pessoas para o campo“, afirmou Nieto. O dirigente declarou que no começo da década de 1990, cerca de 8 mil pessoas compareciam aos jogos do time.

Último título de campeão da categoria principal conquistado pelo União Jabaquara, em 1990

Presidentes

Desde a fundação até hoje, dezenas de nomes ilustres e abnegados passaram pela presidência do hoje União Jabaquara FC (alguns dos quais sem registro). Foram destacados alguns nomes até 1972, data em que foram realizadas as fusões em São Caetano do Sul:

Guilherme Maiotto, o Gambinha, Luis Mori, Mário Rodrigues, Ellio Benedetti, Eduardo Amaral, Aparecido Cabral, Milton e Benedito Polastro. Depois vieram: Manoel Maximiano David (77/78), Irineu Bernardo Serafim (79/80), Silvio Fernandes (81/82), Abraão de Souza Mello (83/84), Edmilson Zambone (84/85), Carlos Roberto de Jesús Polastro (86/87), Roberto Righetto (88/89), Roberto Righetto e Bernardino José dos Santos (90/9l), Bernardino José dos Santos (92/93), Bernardino José dos Santos (94/95), cujo mandato foi prorrogado até 1996 e ainda cumprindo mandato no período (97/98).

FOTOS: Acervos de Pedro Loureiro e Gilson S.SantosMeu acervo

FONTES: Álbum na época pertencia – Diário do Grande ABC – Revista Raízes