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Globo Sport Club – Recife (PE): Três participantes na Segundona

O Globo Sport Club foi uma agremiação da cidade do Recife (PE). Fundado em Outubro de 1928, por um grupo de operários e funcionários dos Grandes Moinhos do Brasil S/A. A sua Sede social ficava localizado na Rua Vidal de Negreiros, nº 110, no Bairro São José, no Recife.

Os Grandes Moinhos do Brasil S/A associou-se em 30 de maio de 1914, com a empresa Just Basto & Cia., que operava no ramo de exportação e importação de farinha de trigo, procedente da Hungria e dos EUA, para a construção, montagem e funcionamento de um moinho a ser instalado junto ao cais do porto do Recife

A sociedade aconteceu, sobretudo, por que a Just Basto & Cia., não dispunha de capital suficiente para os negócios. Em 1966 os Grandes Moinhos do Brasil S/A acresceu a denominação Indústrias Gerais. Em 1986, teve sua razão social alterada para Moinho Recife S.A. Empreendimentos e Participações, uma das maiores unidades da Bunge em industrialização de trigo com estrutura portuária.

O seu 1º jogo foi realizado, no domingo, do dia 25 de Novembro de 1928, diante do Trafego Sport Club, no campo do Cordeirense. A partida foi um grande evento que contou com duas Bandas de música e as moças que compareceram receberam diversos prêmios. Infelizmente nenhum veículo disponibilizado fez uma matéria ou nota sobre o resultado dessa peleja.

O Globo estreou nos gramados com a seguinte equipe: José Mendes; Moacyr e Rheumatismo; Octavio (Cap.) Bataclan e Pacheco; Filó, Carioca, Espedicto, Berto e Raymundo. Reservas: Trindade, Tabocar e Pedro.

O clube seguiu realizando jogos amistosos e festivais até 1929. A partir daí o ocorreu um hiato e oito anos depois o Globo foi reorganizado na quarta-feira, do dia 09 de Junho de 1937. A 1ª Diretoria ficou constituída assim:

Presidente – Sylvio Menezes;

Vice-Presidente – Galba Mattos;

1º Secretário – Djalma Carvalho;

2º Secretário – Armindo Moura;

Tesoureiro – Geraldo Barbosa;

Vice-Tesoureiro – Nivaldo Alcântara;

Diretor de Esportes – Osmar Mattos;

Vice-Diretor de Esportes – Manoel Freire;

Comissão Fiscal – José Caminha, Aloysio Lira e Caetano Galvão.

Na quinta-feira, do dia 13 de Abril de 1939, o Globo deu entrada para obter filiação a Federação Pernambucana de Desportos (FPD). Desta forma o Globo completaria o número de clubes na Divisão Branca da FPD. Uma semana depois, o clube teve o seu pedido aprovado.

O Campeonato Pernambucano de Football de 1939, foi elaborado com dois grupos de profissionais: Divisão Azul (América, Náutico, Santa Cruz, Sport Recife e Tramways) e Divisão Branca (Flamengo, Globo Sport Club, Great Western, Íris e Torre).

No final, o Náutico foi o campeão da Divisão Azul (que, na prática foi o vencedor do Estadual de 1939). Já na Divisão Branca, o título ficou o Torre (que equivalia o Estadual da Segunda Divisão). O Globo não fez uma boa campanha, terminou na lanterna com apenas um ponto somado.

Em 1940, o Globo participou do Campeonato da Segunda Divisão, organizado pela Associação Suburbana dos Desportos Terrestres (ASDT). Em 1942, se mudou para Sede provisória na Rua Padre Floriano, s/n, no Bairro São José. Em 1946, já com a nomenclatura aportuguesada, o Globo Esporte Clube, tinha mudado de Sede, na Avenida Norte, s/n, em Casa Amarela, em Recife.

 

O Diário Pernambucano, em 29 de março de 1942, fez uma reportagem, onde apresentou uma tese do porquê do Globo não ter debutado no Estadual. “O Globo não pertence mais aos subúrbios. Há cerca de três anos que o Tricolor passou-se para a FPD. Todavia, e é bom salientar, depois que ele começou a figurar na lista dos filiados à Federação Pernambucana de Desportos sua situação mudou de figura; e mudou para pior. Não vamos atribuir o fato a uma melhor organização da ASDT sobre a FPD. Nem de longe pensamos nisso. Queremos demonstrar somente que, pertencendo à entidade da rua do Imperador, o Globo acompanhava com facilidade o passo de seus congêneres. Passando para a divisão dos principais, viu-se obrigado a acelerar o passo, formando numa corrida que não lhe era possível  acompanhar. Essa corrida foi o profissionalismo. Quando o grêmio de Neco entrou para a FPD, era Constituído de amadores, exclusivamente. Seus defensores jogavam com amor à camisa”.

Time de 1928: José Mendes; Moacyr e Rheumatismo (Gomes); Octavio (Cap.) Bataclan (Miro) e Pacheco (Similia); Filó (Rochinha), Carioca (Fininho), Espedicto, Berto (Malvadeza) e Raymundo (Laércio). Reservas: Trindade, Tabocar e Pedro.                                   

Time de 1929: Chatinho; Rangel e Zezé; Batuta, Louro e Biló; Luiz, Neco, Pipiu, Petrol e Júlio.

 Time de 1938: Joel; Geo e Bri; ourival, Rolim e Zuza; Edmilson, Murillo, Duda, Inaldo e Cebrito.

 

FONTES: Jornal A Província – Jornal Pequeno – Jornal de Recife – Diário de Pernambuco

Fundação da Liga Santa Catharina de Desportos Terrestres

Fundada em 12 de abril de 1924 com o nome de Liga Santa Catharina de Desportos Terrestres, a história da regulamentação do futebol em Santa Catarina começou na Rua Esteves Júnior, no Centro da Capital, no Gymnasio Catharinense, atual Colégio Catarinense, berço da educação e da prática desportiva, onde se reuniram os representantes dos clubes fundadores Figueirense Futebol ClubeAvaí Futebol ClubeClube Atlético FlorianópolisInternato Futebol Clube e Trabalhista Futebol Clube, para registrar a ata de fundação da atual Federação Catarinense de Futebol.

No princípio, a entidade organizava campeonatos das modalidades de atletismotiro ao alvo e também de futebol. O primeiro presidente da então Liga Santa Catharina de Desportos Terrestres foi Luiz Alves de Souza (1924-1927). Mais tarde, já em 1927, a entidade teve seu nome modificado para Federação Catarinense de Desportos. 

Álbum “Varzeana Paulista”, anos 50/60: Associação Atlética e Recreativa Nacional – Bairro: Bom Retiro – Zona Centro – São Paulo-SP

A Associação Atlética e Recreativa Nacional, do bairro do Bom Retiro, fundada na data de 14 de março de 1913, completou no mês passado 104 anos de existência.

Sua sede situa-se na Rua Anhaia, no bairro do mesmo nome.

Trata-se de um dos mais antigos clubes de futebol amador, da cidade de São Paulo, ainda em existência.

Fontes: site do clube, meus arquivos, álbum de figurinhas “Varzeana Paulista” dos anos 50/60, e o historiador Waldevir Bernardo, o “Vie”.

O Lendário João Baptista: O Homem das areias e gramados, fosse com a bola nos pés ou com o apito

Por: Sérgio Mello

A paixão pelo futebol transcende a lógica e a razão, onde pode levar um cidadão pacato em num torcedor ou desportista atingir picos do devaneio. Apesar de ter surgido no Brasil por meio dos burgueses, o “esporte bretão” ganhou popularidade por meio da massa, que na sua maioria vinha dos locais mais humildes.

Entre o glamour e o fascínio, a realidade do futebol contam com muitos personagens espalhados pelo país! Dentre tantos, um nome tem muitas histórias para contar. Talvez o nome: João Baptista Chagas Ferreira Neto, não chame muito a sua atenção, mas quando ler essa reportagem, essa história mudará.

Classificar João Baptista Chagas como apaixonado por futebol, talvez seja o começo de um esboço que terminou como uma grande obra prima. Durante a trajetória esportiva João Baptista Chagas jogou futebol de areia, futebol de campo, depois se tornou árbitro, onde atuou na praia e no futebol profissional!

Década de 50: o início de um sonho

Após o fim da Segunda Guerra, o mundo viu o “Fim de uma tempestade e o início de um lindo sol e um belo arco-íris“. Assim, a década de 50 chegou: que depois ficou conhecida como o período dos “anos dourados“.

Uma época marcada por grandes avanços científicos, tecnológicos e mudanças culturais e comportamentais. Foi a década em que começaram as transmissões de televisão, provocando uma grande mudança nos meios de comunicação. No campo da política internacional, os conflitos entre os blocos capitalista e socialista (Guerra Fria) ganhavam cada vez mais força.

No futebol, o país viveu a experiência de sediar a Copa do Mundo de Futebol no Brasil, em 1950. O Uruguai sagrou-se campeão após vencer a seleção brasileira, em pleno Maracanã, pelo placar de 2 a 1. Oito anos depois, assistiu pelo rádio a redenção e o Brasil se sagrar campeão do mundo em 29 de junho de 1958, no Mundial na Suécia.

No meio dessa metamorfose frenética, as novidades surgiam! No auge dos seus 80 anos bem vividos, João Baptista Chagas relembra como nasceu o clube de areia mais famoso do Brasil: Esporte Clube Juventus!

“As histórias do Juventus é muito maior do que se imagina. Até o ano de 1949 mais ou menos em maio ainda era o Flamenguinho nome dado (para o novo clube que surgiria) por influência do Idovam Silva, o “Friquique” (um filho de militar), que era síndico do prédio, onde o Sebastião Pinto o “Tião Crioulo” trabalhava como faxineiro. O Idovam era Flamengo ‘doente’ e tentou persuadir para  que o “Tião Crioulo” batizasse o novo clube de futebol de praia com esse nome. O Flamengo existiu por pouco tempo até que em maio de 1949 foi trocado para Esporte Club Juventus, que permanece até hoje”, revelou João Baptista.

Algum tempo depois, João Baptista Chagas começou a jogar futebol nas areia de Copacabana no Esporte Clube Juventus. Clube pelo qual o “Maestro Júnior“, que jogou as Copas de 1982 e 1986, e atualmente é comentarista da Rede Globo, começou a carreira. O Juventus tanto jogava futebol de areia quanto futebol de campo. Isso seguiu até o final dos anos 50.

Substituição: sai a bola e entra o apito    

No entanto, ficar longe das areias e gramados estava fora de questão! Assim João Baptista Chagas tomou a decisão de trocar a bola pelo apito! desta maneira continuar perto da sua paixão: o futebol.

Após 1969, o sonho se realizou e se tornou virou arbitro de futebol de praia (junto com Carlson Gracie, Margarida, Xuxu, entre outros). Rapidamente, o talento de João Baptista Chagas ganhou eco e de forma meteórica, ele ingressou no quadro de árbitros da Federação Carioca de Futebol (FCF), em 1971. No ano seguinte (1972), passou a ser árbitro da Confederação Brasileira de Desportos (atual CBF), onde apitou jogos estaduais e nacionais até o final de 1982.

 

Futebol de Areia: mais do que um time, uma família

Após 35 anos, quando pendurou o apito, João Baptista Chagas ainda lembra com carinho todos os grandes momentos e até os percalços colocados pela vida. Mas de todas as lembranças, o futebol de areia tem um lugar de destaque no coração deste senhor de 80 anos, muito bem vividos!

Muito mais do que um time, o Esporte Clube Juventus era a sua segunda família. Sem pestanejar, João Baptista Chagas se recorda dos craques que viu jogar: os goleiros Castilho e o seu homônimo “Castilho da Obra“; os zagueiros: Haroldo e Rocha; a linha media: Roberto, Sergio Rebelo e Edu; e os atacantes Chico, Gildo, João (vovô), Birica e Zezinho.

Mostrando que a memoria está em excelente forma, João Baptista Chagas recordou da escalação do E.C. Juventus: Edivan; Friquique (Idovan Silva), Agrião, Edmundo e Levy; João, Sebastião e Zezinho. O técnico e dono do time era o Sebastião, conhecido nas areias cariocas de “Tião Macaco“.

Os grandes adversários daquela época eram: Americano do Neném Prancha, Dínamo do Tião Crioulo , Lá Vai Bola do Bolinha, o Maravilha do Jaime , Além do Huracam , Radar do Eurico, Areia lá do Leme, entre outros.

 

Sonho atual: reencontrar os amigos

O tempo passou e João Baptista Chagas foi embora do Rio de Janeiro. Acabou perdendo contato com os amigos dessa época. Agora, o seu maior desejo é poder reencontrar seus velhos e bons amigos.

A história destes quase 70 anos permanece ainda na minha memória, pois os anos 50 e 60 foram vividos e sentidos, onde deixaram saudades“, revelou João Baptista.

Desta forma, quem conhecer algum ex-jogador do Esporte Clube Juventus, da década de 50, nos informe. Afinal, pelos belos serviços prestados no futebol de areia e campo, e na arbitragem de areia, futebol profissional nas esferas estadual, nacional e internacional, João Baptista Chagas merece esse prêmio!

 Algumas fichas de jogos, onde João Baptista Chagas atuou:

 

DADOS EXTRAS

FONTES:

FOTOS: Acervo de João Baptista Chagas

Texto e Reportagem – Sérgio Mello

Entrevistados – o ex-jogador e árbitro João Baptista Chagas – Liene Christina, neta de João Baptista Chagas