Fotos raras de 1930, 32 e 34: Clube Esportivo Rio Branco – Campos dos Goytacazes (RJ)

Por Sérgio Mello

O Clube Esportivo Rio Branco é uma agremiação da cidade de Campos dos Goytacazes, que fica na região Norte Fluminense do estado do Rio de Janeiro. De acordo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), possui uma população estimada (de 2022), de 483.551 habitantes. A localidade está a 275 km da capital do Rio de Janeiro.

História do clube

Um grupo de meninos tiveram a ideia de criar um clube, pois residindo nas imediações da Praça da República, assistiam sempre os treinos do Goytacaz Futebol Clube, o que lhes despertou o interesse pelo viril esporte bretão. De início, houve a fase dos treinos despretensiosos com bola de meia. Mais tarde, apareceu a ideia de nome ao time. Todos estudantes, resolveram escolher para denominar a agremiação por eles arquitetada, em seus sonhos juvenis, a legenda Barão do Rio Branco.

Com efeito, o grande estadista brasileiro morrera em fevereiro de 1912 e os moços campistas aproveitaram para prestar uma singela homenagem ao homem que é responsável pela consolidação dos limites do Brasil. Estava, assim, fundado o clube que iria exercer um papel relevante na história do futebol campista.

Nasce o Rio Branco

Junto a uma Palmeira da Praça da República, o “Róseo Negro” foi Fundado na terça-feira, do dia 05 de novembro de 1912, por um grupo de garotos, entre 13 e 15 anos, que pertenciam as melhores famílias de Campos: Celso Linhares, Custódio Barroso dos Santos, Manoel Landim, Fausto Apady da Cruz Saldanha e Brasil Castilho Leão, com o nome de Rio Branco Football Club. Sua mascote é o Carcará.

A tonalidade rósea dos seus rostos corados e sadios determinou a escolha da cor preponderante das camisas da agremiação, por sugestão, aliás, de Yayá Linhares, irmã de Celso Linhares, um dos fundadores. A sua 1ª Sede ficava situada à Rua Sacramento, nº 91.

Foto tirada, em amistoso, no domingo, do dia 20 de novembro de 1932, na vitória do Club Sportivo Rio Branco diante da Campos A. A. pelo placar de 3 a 2, no campo da rua Rocha Leão (A Rede).

Curiosidade

A ata de fundação do clube, a exemplo do Goytacaz Futebol Clube, Campos Atlético Associação e Americano Futebol Clube, não existe. A pátina do tempo se incumbiu de fazer desaparecer os documentos que contariam em sua frieza os primeiros dias de vida dessas agremiações.

Os dados que relatamos foram colhidos com seus fundadores. Relatou-nos esses sucessos o senhor Custódio Barroso que, juntamente com Manoel Landim e Otacílio Barroso participaram dos primeiros tempos da grande agremiação. Depois de fundado o Clube, veio a fase mais difícil da novel agremiação, isto é, quando os meninos róseos da Praça da República deveriam enfrentar a turma adulta dos outros times.

Mesmo assim, não fizeram feio. A classe, a velocidade, e a fibra da “garotada” davam trabalho aos “barbados” que tinham que suar camisa para vencer os jovens “róseos negros”. Do time dos primeiros tempos, a tradição nos trouxe os nomes dos jogadores Firmino, Batista, Custódio Barroso, Celso Linhares, Fausto Apady, Brasil, Manoel Landim, Carolino Francisco e Otacílio Barroso.

Dissidentes fundaram o Americano de Campos

Foto de 1934

Dois anos após a sua fundação, a fase não era das melhores, quando “estourou” uma crise que resultou na saída de oito integrantes da agremiação, sem dúvida, os seus melhores jogadores, liderados pelos irmãos Pamplona, deixavam o time para fundar o Americano Futebol Clube, com jogadores egressos do Luso Brasileiro e Aliança.

O “fim da linha” do Rio Branco só não foi consumado graças aos valorosos Floriano Quitete, Velho Grilo e os irmãos Celso e Carlos Linhares. As coleções dos jornais campistas da época têm perpetuada a flama desses homens que através deles deixavam claro que o seu time não morreria com o êxodo terrível, mas que seria recomposto com integrantes novos.

E assim foi. E graças ao grande amor devotado as cores do time, a fase má foi vencida e três anos mais tarde, isto é, em 1917, a agremiação se transformava numa das grandes forças do futebol fluminense, levantando o Campeonato Campista daquele ano com o seu célebre time: Grain; Batista e Germano; Badanho, Velhinho e Barreto; Otacílio (Dedé), Floriano Quitete, Velho Grilo, Antoninho Manhães e Álvaro Linhares.

Clube criou o jornal O Róseo Negro

A marca em relevo é, sem dúvida, a sua fibra. Esteve, em várias oportunidades, com a sua vida tumultuada por sérias crises e dissidências que, embora abalassem a agremiação nunca conseguiram deter o seu impetuoso desenvolvimento.

Teve, inclusive, em certa época de sua vida, até mesmo o “boicote” dos cronistas esportivos da cidade, o que levou os riobranquenses a fundar o jornalzinho “O Róseo Negro”, dirigido por Hélvio Bacelar da Silva, para dar notícia sobre suas atividades.

Há, ainda, a dissidência que deu origem à fundação do Itatiaia Atlético Clube, dessa vez liderada pelos irmãos Bacelar da Silva, mas que não conseguiu apagar o “fogo” sagrado, aceso pela garotada corada da Praça da República!

O Itatiaia acabou após uma goleada de 17 a 0 sofrida diante do Americano e um incêndio na sede onde promovia bailes na antiga Rua da Direita, hoje, Boulevard Francisco de Paula Carneiro.

Foto de 1930

Aquisição das Sedes

Como diz o ditado popularDepois da tempestade, vem a bonança”. Assim foi como o Rio Branco. O crescimento avançou, saindo da Praça da República para outros campos até adquirir, na gestão Mário Veloso – do sr. Menês dos Santos por trinta contos de réis -, os amplos terrenos da avenida Sete de Setembro, somando 12 mil metros quadrados, onde funcionou até o final da década de 70.  

Na sexta-feira, do dia 06 de janeiro de 1978, o então presidente Clóvis Expedito Arenari, apoiado pelo Conselho Deliberativo, presidido por Chaquib Machado Bechara, adquiriu a área do Parque Barão do Rio Branco, com 97 mil metros quadrados ao preço de Cr$3.700.000,00 (Três Milhões e setecentos mil cruzeiros).

Praças de Esportes

O 1º campo do Rio Branco ficava localizado na Rua Dr. Siqueira, depois na Rua da Minhocas (hoje, Espírito Santo), passando depois para a Rua do Gás (onde funcionou o Itatiaia), Sete de Setembro e finalmente Parque Calabouço (Parque Barão do Rio Branco).

Um fato marcante ajudou na aquisição dos terrenos da Sete de Setembro. Os jogadores campeões de 1928 doaram as medalhas de ouro que receberam ao Clube, dentre eles Carino Quitete, Constantino Escocard, Osvaldino Lima Ribeiro, Vicente Arenari e Mário Jobel.

Parque Calabouço ‘Barão do Rio Branco’

A partir da mudança para o Parque Calabouço, ‘Barão do Rio Branco’, foi efetivada a partir de proposta do vereador Geraldo Augusto Venâncio. A mudança da Av. Sete de Setembro para a sede da Avenida Senador José Carlos Pereira Pinto, ocorreu no final da década de 70, promovida pelo então presidente Clóvis Expedito Arenari. No ano de 1962 o Rosão foi vice-campeão da Zona Sul da Taça Brasil, o campeão foi o Cruzeiro Esporte Clube.

Sem recursos para a construção da nova sede, o presidente Clóvis contava com parcos recursos doados por abnegados como Amaro Ribeiro Gomes, o Matraca; Osvaldo Macedo Rodrigues; Édio Pereira; Bernardino Maria Filho; Vanildo da Silva Costa; Renê Ribeiro Gomes e por outro lado, contava com a oposição de tantos outros ferrenhos riobranquenses, contrários a venda da sede antiga, no Centro da cidade, como Antônio José Petrucci, Miraldo Ribeiro Lima, José Carlos Lima, Fernando Campos Ribeiro, dentre outros.

Clóvis Arenari foi o que mais vezes presidiu o clube

O bacharel em direito Clóvis Arenari não só entrou para a história como o presidente que teve a coragem de vender uma sede em área urbana e adquirir um imenso terreno num inabitado e na época periférico bairro, como também está na história do Clube como o dirigente que mais vezes presidiu o Clube. No início dos anos 90, este mesmo Clóvis Arenari convidou o vitorioso médico, Paulo Sérgio dos Santos Machado, para candidatar-se à presidência.

Campeão Estadual da 3ª Divisão de 1983

O convite foi aceito e uma nova fase estava sendo inaugurada com prioridade total para o futebol. Com o apoio do próprio Clóvis Arenari e de outros desportistas como, Reginaldo Henriques Mota, José Carlos Azevedo, Édio Pereira Filho, Luiz Antônio Petrucci, Carlos Fernando Dutra de Andrade, Ramildo Rangel de Azeredo, Edward da Silva Ferreira, João Carlos Guimarães Machado, Sebastião Siqueira, José Luís de Macedo e Josaphat Ribeiro, o time dirigente passou a trabalhar muito o futebol, o que redundou no sucesso de 1983, com a conquista do Campeonato Estadual da Terceira Divisão, passando a disputar a chamada “Segundona” do Rio de Janeiro.

Mudança das cadeiras

Terminado o mandato de Paulo Machado ao final de 1984, em que se bateu à porta para subir para a Primeira Divisão, ele se afastou do Clube, com o grupo por ele liderado, tomando o mesmo caminho.

Dr. Clóvis Arenari voltou ao comando do Clube, rompendo com “Dr. Paulinho” logo em seguida. Foram dias difíceis, mas o Rio Branco ainda disputou a Segunda Divisão de 2005, marcado por duas partidas incríveis contra o Volta Redonda Futebol Clube, no Ary de Oliveira e Souza (onde o Rosão mandava os seus jogos) e no Raulino de Oliveira.

Mas o tempo passou, o Clube abandonou o futebol profissional e houve o convite ao comerciante Adauto Alves Rangel para fazer parte da diretoria, cabendo a ele a vice presidência social. Bons momentos aqueles em que o Clube passou a promover serestas dançantes, como a mínima estrutura, mas com todo o sucesso que requer uma promoção deste quilate.

Início de uma nova era

Em 1992, Adauto Rangel foi eleito presidente do Rio Branco. Estava ali inaugurada uma nova fase na história do Clube. Foi uma das mais unidas e atuantes diretorias já vistas no Clube. Além do presidente Adauto Rangel faziam parte do grupo diretor: Roberto Manhães (Finanças), Hélio Pinto Duarte (Administração), Domingos Loureiro (Jurídico), Demilton Sales (Patrimônio e Obras), Profª Eli Manhães Rodrigues (Social), Arnaldo Garcia (Relações Públicas e Publicidade), José Carlos Waltz (Expediente) Edward da Silva Ferreira (Esportes) e Edson Coelho dos Santos (Médico).

Grandes foram os esforços para a recuperação do tempo perdido em se tratando da sede do Barão do Rio Branco. Para a construção do Salão Social, além de doações que os próprios diretores faziam, foram promovidos jantares de adesão, churrascos, serestas e a montagem de um quadro social ativo, pois era um absurdo um clube com 7.500 sócios não ter uma receita mínima. Mas como nada tinha a oferecer aos associados além da Quadra de Futebol Nodge Etienne Samary, Campo de Futebol Soçaite Bernardino Maria Filho, a ideia evoluiu, mas sem o efeito esperado.

Mais tarde, ao fim da administração Adalto Rangel, o Salão Social era uma realidade, sendo inaugurado no mandato seguinte do presidente Demilton Sales, que foi uma cópia fiel da gestão anterior, incentivando o futebol das categorias de base, melhorando o patrimônio existente e avançando com construção dos muros dos quase 98 mil metros quadrados de área.

Campeão Invicto da Terceirona em 2001

O Rio Branco faturou o bicampeonato Estadual da Série A2 Módulo Especial (Terceira Divisão) de 2001. A competição contou com a participação de seis clubes: Miguel (Vassouras); Rio Branco (Campos dos Goytacazes); Rio das Ostras; Teresópolis FC; União de Marechal Hermes (Rio de Janeiro) e União Central (Rio de Janeiro). A Campanha foi 25 pontos em nove jogos: foram oito vitórias e um empate; marcando 19 gols, sofrendo quatro e um saldo positivo de 15 tentos.

Dias atuais

A nova sede do Clube Esportivo Rio Branco fica no prédio ao lado do Ciep, na Avenida José Carlos Pereira Pinto, através de uma permuta com um grupo empresarial de Campos. No lugar da antiga sede, foi construído um shopping center, o primeiro de Guarus.

Em relação ao futebol, o clube se encontra licenciado da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ), desde 2013, quando o disputou o Campeonato Carioca da Série B.

Didi, ‘Folha Seca

Após jogar no Industrial Futebol Clube (Campos), Didi, o famoso inventor da “Folha Seca” jogou no clube ainda como juvenil. Seu melhor desempenho, após a fusão dos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara, foi a 4º colocação no Estadual da Segunda Divisão, em 2002. Ganhou em 1980, o Campeonato Estadual de Juniores da Divisão de Acesso, o primeiro título em se tratando de Divisão de base após a fusão.

TÍTULOS

Estaduais
Campeonato Fluminense de Futebol: 1961;
Vice-Campeonato Fluminense:
1958 e 1962;
Campeonato Carioca da Terceira Divisão (Série A2 Módulo Especial):
1984 e 2001;
Campeão Estadual de Juniores:
1980;
Campeonato Citadino de Campos dos Goytacazes (8 vezes):
1917, 1928, 1929, 1931, 1949, 1958, 1961 e 1962;

Bicampeão Fluminense: 1961 e 1962.

Nacionais
Vice-campeão Zona Sul da Taça Brasil: 1962;
Campeonato Brasileiro de Juniores:
2003 (invicto);
Campeão da Copa Rio Sub-17:
2001;

FOTOS: A Rede (RJ) – Diário da Noite (RJ) – Diário de Notícias (RJ)

ARTE: desenho do escudo e uniforme – Sérgio Mello

FONTES: Diário da Noite (RJ) – Diário de Notícias (RJ) – Diversos jornais campistas – Pesquisador e historiador, Wesley Machado

Vênus Football Club – Rio de Janeiro (RJ): disputou a Liga Brasileira de Desportos de 1927

Por Sérgio Mello

O Vênus Football Club foi uma agremiação da cidade do Rio de Janeiro (RJ). O “Tricolor São-cristovense” foi Fundado no 1º semestre de 1926, por um grupo de desportistas liderados por Justino Costa.

A sua 1ª Sede social ficava situado na Rua São Cristóvão, nº 537 (Sobreloja), no bairro de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio. Em 1927, transferiu a sua Sede para a Rua Marechal Floriano, nº 52 / 1º andar – Centro – Rio de Janeiro (RJ).

A sua Praça de Esportes, inaugurada em 1926, ficava localizado na Praça Marechal Deodoro, s/n, no Centro do Rio. Em 1927, o Vênus Football Club disputou o Campeonato Carioca, organizado pela Liga Brasileira de Desportos (LBD).

O ressurgimento do Vênus

Na segunda-feira, do dia 10 de setembro de 1928, os antigos associados do Vênus F. Club realizaram uma concorridíssima reunião a fim de reerguer esta agremiação são-cristovense, que outrora constituiu neste populoso bairro, um dos clubes de maior evidencia.

Para dirigir os destinos do Vênus, na sua nova fase foi organizada a seguinte diretoria:

Presidente – Benjamin Gama;

Vice-presidente – Antônio Marques de Oliveira;

1º Secretário – Clélio Flores;

2º Secretário – Carlos Xavier;

1º Thesoureiro – Joventino Codeço;

2º Thesoureiro – Olympio Teixeira;

Procurador – Amaro Francisco;

Director Sportivo – Cosme Gomes;

Conselho Fiscal – Salvador Motta, Miguel dos Santos e Alberto Ferreira.

Apesar do esforço, o “Tricolor São-cristovense” não conseguiu juntar forças para se restabelecer e na década de 30, já não foi encontrado notícias dessa simpática agremiação.

ARTE: desenho do escudo e uniforme – Sérgio Mello

FONTES: Jornal do Brasil (RJ) – Jornal do Commercio (RJ) – O Jornal (RJ) – Rio Sportivo (RJ)

Argos Athletico Club – Rio de Janeiro (RJ): Fundado em 1927

Por Sérgio Mello

O Argos Athletico Club foi uma agremiação da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Os “Rapazes da Camisa Amarela” ou “Os Canarinhos da Zona Sul” foi Fundado na terça-feira, do dia 03 de Maio de 1927. O termo ‘Argos’ significa “reluzente” ou “brilhante“. Também simboliza a vigilância extrema devido a uma famosa lenda da mitologia grega.

A sua 1ª Sede ficava situado na Rua Dois de Dezembro, 67 (sobrado) – bairro do Catete (atualmente fica no Flamengo), na Zona Sul do Rio (RJ). Em 1928, se instalou numa Sede provisória, na Rua Real Grandeza, nº 264; depois se mudou para a Rua Conde de Irajá, s/n; e por fim na Rua São Clemente, nº 17; todos no bairro de Botafogo, na Zona Sul do Rio (RJ).

Em 1928 e 1929, Presidido pelo sr. Bernardino de Oliveira Vinha, e pelo secretário Porphyrio Faria da Costa, o Argos Athletico Club disputou às competições organizadas pela Associação Sul de Esportes Athleticos (ASEA).

Excursão a Barra Piraí

Em carro especial ligado ao trem das 4h50min. da manhã no domingo, do dia 31 de julho de 1927 – seguiu para Barra do Pirahy, o Argos Athletico Club, que disputou uma partida de football com o Central Sport Club campeão dessa cidade fluminense. A embaixada do Argos esteve assim constituída:

Chefe – Albino Soares da Costa;

Secretário – Arthur Henrique;

Thesoureiro – Abelardo Peres Alonso;

Juiz – José François Jooris;

Orador oficial – Eduardo Magalhães.

Os times serão provavelmente assim organizados:

1º Quadros – Chorão; Luiz e Manoel; Cem, França e Cachimba; Durva, Mineiro, Pará, Berolha e Miúdo.

2º Quadros – Luiz II; Maneco e Oliveira; Lalinho, Heitor e Itália; Delmar, Nonô, Oswaldo, Moacyr e José.

Com a embaixada seguiu também uma caravana de associados e algumas senhoritas torcedoras do novel club botafoguense. Os ingressos para o trem foram colocados à venda nas seguintes casas comerciais: ruas Bambina 2, 80 e 60; Conde Irajá, nº 172, Real Grandeza, nº 292 e o O Botafogo”.

ARTE: desenho do escudo e uniforme – Sérgio Mello

FONTES: A Manhã (RJ) – A Noite (RJ) – A Rua: Semanário Illustrado (RJ) – Beira-Mar: Copacabana, Ipanema, Leme (RJ) – Correio da Manhã (RJ) – Jornal do Brasil (RJ) – Rio Sportivo (RJ)

Marqueza Football Club – Rio de Janeiro (RJ): Existiu de 1925 a 1931!

Por Sérgio Mello

O Marqueza Football Club foi uma agremiação da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Fundado no domingo, do dia 17 de Maio de 1925, por um grupo de rapazes, como Octavio Gonzalez, José Moutinho, Oswaldo Gonzalez, José Vilela Guerra, entre outros.

As suas cores: verde e branco. Além do futebol, também contava com outras modalidades como o Ping-Pong (Tênis de Mesa) e Atletismo. No âmbito social, o clube realizava festivais, bailes de carnaval e músicas dançantes.

A sua 1ª Sede (provisória) ficava no andar térreo do prédio nº 9, na Rua Marquesa de Santos. A partir daí nasceu o projeto de obter a sua sede própria até que no dia 14 de novembro de 1925, o grande dia chegou.

O clube instalou-se na sua magnifica Sede social, no edifício localizado na Rua Marquesa de Santos, nº 49, no bairro das Laranjeiras (em algumas reportagens sobre o endereço, o bairro referido era do Catete), na Zona Sul do Rio.

Ajudou a Fundar a Nova AMEA

Em 1926, atendendo a um convite do Sport Club Botafogo, fundou, com este mais o Jardim F. Club e Sport Club Curupaity, a Nova AMEA (Associação Municipal de Esportes Athleticos). Entretanto, a diretoria entendeu por bem pedir desligamento, após haver disputado de maneira altamente cavalheiresca, todo o turno do seu 1º campeonato.

Primeira viagem estadual

No domingo, do dia 25 de Julho de 1926, o Marqueza realizou uma viagem a cidade de Resende, na região sul-fluminense do Estado do Rio de Janeiro, a fim de enfrentar o Rezende Football Club. No final, acabou derrotado pelo placar de 4 a 0.

No sábado, do dia 12 de fevereiro de 1927, um grupo de seus associados de fundaram a “Ala dos Embaixadores”, com o intuito de realizar eventos dançantes. A primeira festa aconteceu uma semana após a sua criação.

Filiado a Liga Brasileira de Desportos

Na terça-feira, do dia 15 de março de 1927, o clube deu entrada na secretária da Sub-Liga da Liga Brasileira de Desportos (LBD),sob a chancela da Associação Metropolitana de Sports Athleticos (AMSA), o pedido de filiação. Para as disputas das competições da Sub-Liga, a direção do Marqueza arrendou a Praça de Esportes, do Municipal F. Club, situado na Rua Jorge Rudge, s/n, no bairro de Vila Isabel, na zona norte do Rio.  

O Marqueza F.C. disputou o Campeonato Carioca da 2ª Divisão de 1928 e 1929, organizado pela Liga Brasileira de Desportos (LBD).

Clube acaba extinto

Na quinta-feira, às 20 horas, do dia 30 de abril de 1931, na Rua Marquesa de Santos, nº 41 / Casa 13, nas Laranjeiras, foi marcado uma assembleia para os antigos sócios, a fim de tentar salvar o clube, que agonizava, ameaçado de ser extinto. No entanto, a condição de falimento não foi revertida e o Marqueza Football Club acabou desaparecendo em definitivo.

 FOTO de 1926 – 1º Quadro do Marqueza F.C. Abaixo, o então presidente do clube, Jorge de Castro Lobo.

Algumas formações:

Time base de 1925 (1º Team): Ernesto; Allemão e Caixa; Lorico, Cabrinha e Alfredo; Jóca, Camillo, Pedro, Guerra e Ayres. Capitão: Pedro.

Time base de 1925 (2º Team): Vidal; Simões e Tampinha; Maneco, Chico e Camillo II; João, Gonzalez II, Pelegueta, Paulo e Arnaldo. Capitão: Arnaldo. Reservas: Barthô, Balma, Marinho.

Time base de 1926 (1º Team): Antoninho (Cabral); Allemão (Silvares) e Gonzalez (Julinho); Barcelos (Caixa ou Arnaldo), Cabrinha e Simões (Barreto); Ayres Ferreira (Leite), Amâncio, Gaspar, Guerra (Camillo de Aguiar) e Alfredo. Capitão: Barcellos.

Time base de 1926 (2º Team): Ernesto; Júlio e Perrer; Torres, Barcellos e Silvares; Leite, Gonzalez II, Andrade, Guerra e Cardoso.

Time base de 1926 (3º Team): Driden; Barcellos II e Mensores; Santos, Americo e Arnaldo; Djalma, Seraphim, Brandão, Benedicto e Aristóteles.

Time base de 1927 (1º Team): Braulio (Antônio); Alfredo (Villaffani) e Juca (Alfredo); Bellorophontes (Oswaldo), Lilico (Raymundo) e Simões (Costa); Djalma (Amarilio), Amâncio (Euclydes), Pedro (Peixoto), Mundinho e Ayres. Capitão: Alfredo.

Time base de 1927 (2º Team): Araujo I; Waldemar e Santos; Benedicto, Nascimento e Eurydio; Peixoto, Oswaldo, Araujo II, Eugenio e Cardoso. Capitão: Waldemar. Reservas: Osmar, Cypriano, Soares II, Vicente e Durval

Time base de 1928 (1º Team): Soares; Araujo e Alfredo; Euripedes (Benedicto), Velloso e Itália (Simões); Humberto (Jacaré), Pinheiro, Gradim, Roguinha e Nunes (Almeida). Capitão: Alfredo.

Time base de 1928 (2º Team): Filho; Curt e Inhamar; Cardosinho, Oswaldo e Soaresinho; Durval, Jaime, Mario, Braz e Amadeu

Time base de 1929 (1º Team): Braulio (Filho); Salvador (Humaytá ou Juca) e Menezes (Fagundes); Cardosinho (Velloso), Ernandes (Vicente) e Bahica (Soaresinho); Waldemar (Juaguará), Vicente (Edgard), Alfredo (Jaguaré Gradim e Felipe (Jayme). Capitão: Alfredo.

Time base de 1930 (1º Team): Eduardo; Gonzalez e Franklin; Cardoso (Filhinho), Pesado e Afonsinho; Juca (Waldemar), Gradim, Nico (Miguel), Velloso e Morgado (Barbosa). Capitão: Juca.

ARTE: desenho do escudo e uniforme – Sérgio Mello

FONTES: A Rua: Semanário Illustrado (RJ) – Gazeta de Notícias (RJ) – Jornal do Brasil (RJ) – Jornal do Commercio (RJ) – Jornal dos Sports (RJ) – O Imparcial (RJ) – O Jornal (RJ) – O Paiz (RJ) – Rio Sportivo (RJ)

Amistoso nacional de 1990: Seleção de Parintins (AM) 0 x 1 C.R. Flamengo (RJ)

Por Sérgio Mello

O Clube de Regatas Flamengo fez uma excursão pelo Norte e Nordeste do Brasil. Há exatos 36 anos e um mês, na tarde de domingo, às 16 horas, do dia 27 de maio de 1990, aproveitando os festejos do 59º Festival Folclórico de Parintins, e a pausa para a Copa do Mundo, o rubro-negro enfrentou a Seleção de Parintins, em amistoso, no Estádio Tupi Catanhede, na época com capacidade para 8 mil pessoas, em Parintins (AM).

Foto de Yuri Pinheiro – Estádio Tupi Catanhede, em Parintins (AM)

O lateral direito, Cláudio Gomes que foi vetado e devolvido ao Itaperuna, deu lugar ao volante Ailton, que foi improvisado na posição. Fabinho, da base do clube, recebeu uma oportunidade no time. O zagueiro Vitor Hugo, cedido por empréstimo pelo Guarani de Campinas, ficará como opção no banco. A Seleção de Parintins, atuou com o uniforme do Santos local, era composta por jogadores amadores da cidade.

O saudoso Gaúcho foi o autor do único gol da partida

No final, o Flamengo venceu pelo placar de 1 a 0, com gol do centroavante Gaúcho, de pênalti, aos 4 minutos do primeiro tempo. Apesar da vitória, o treinador Jair Pereira não gostou do rendimento de sua equipe, que teve uma atuação razoável, apesar da fragilidade do adversário.

O início do jogo foi marcado pela facilidade com que o Flamengo chegava à área adversária, com um toque de bola sempre de primeira. Logo aos 4 minutos, o ponta Zinho sofreu pênalti, que foi bem cobrado por Gaúcho, marcando o único gol da partida, seu quarto gol na excursão. Mas, bastou 15 minutos para a equipe carioca começar a encontrar dificuldades em campo.

A falta de um jogador no meio-campo, para distribuir e criar as jogadas do time e a forte chuva prejudicaram muito o desempenho da equipe. De nada adiantou a bronca do treinador Jair Pereira no intervalo da partida, pois o time voltou apático e, em algumas oportunidades foi envolvido pela raça do combinado local, que jogava na base de contra-ataque.

O ponta Zinho foi o nome da partida

O ponta Zinho foi o destaque do jogo, que teve a dupla de zaga do Flamengo. Fernando e André Cruz, demonstrando muita segurança e técnica na defesa. O meio-campo Fabinho, que vinha merecendo elogios de Jair Pereira foi uma figura apagada do jogo.

EM PÉ (esquerda para direita): Guruga de Jesus, Edimilson Lamparina, Adilson Bastos (comissão técnica), Ray, Maguila, Careca, Araça, Jeferson, Júlio, Messias, Ito Teixeira, João Jaime, Enéas Gonçalves (prefeito), Pedrinho, Carlos de Paula, Lázaro Garcia (torcedores), Tristão Cruz e Jamil Medeiros (comissão técnica);
AGACHADOS (esquerda para direita): Nilo Gama (comissão técnica), Tate, Ismael, Piaza, Parrudo (treinador), Chiquinho, Walter, Aroldo Neguinho, Paulo Parrudo e Nilo Filho.

O árbitro da partida foi Sebastião Orimar, auxiliado por Flávio Lima e Eduardo Cruz. Os times jogaram com:

Flamengo – Zé Carlos II; Ailton, Fernando, André Cruz e Pia; Uidemar, Fabinho e Djalminha; Alcindo (Bujica), Gaúcho e Zinho. Técnico: Jair Pereira.

Seleção Parintins – Ray; Jeferson (Araça), Messias, Júlio e Ailton; Ito Teixeira (Haroldo), Walter (Chiquinho) e Ismael; Tate (Marinho), Piaza (Careca) e Maguila. Técnico: Parrudo.

ARTE: Desenhos dos escudos e uniformes – Sérgio Mello

FOTOS: Acervo do jornalista Correa Neto – Messias Cursino

FONTES: Correio Braziliense (DF) – Jornal dos Sports (RJ)

Escudo raro de 1960: Grêmio Esportivo e Recreativo 14 de Julho – Passo Fundo (RS)

Por Sérgio Mello

O Grêmio Esportivo e Recreativo 14 de Julho foi uma agremiação da cidade de Passo Fundo, localizado no Interior do estado do Rio Grande do Sul. Fica a 289 km da capital gaúcha e conta com uma população de 214.564 habitantes (estimativa IBGE de 2014).  

Curiosidade – O nome do clube não tem relação com a data de sua fundação. O nome foi sugestão de Dyonisio Lângaro, inspirado no time que defendeu quando estudante, o 14 de Julho do Ginásio, formado por alunos do Ginásio Marista de Santa Maria (onde jogavam dois dos futuros fundadores do clube passo-fundense: Dyonisio Lângaro e Telêmaco Pires), instituição de origem francesa, cujo feriado principal era o 14 de Julho, referência à Revolução Francesa.

Quando deixaram a escola, Dyonisio Lângaro e Telêmaco Pires decidiram fundar um clube com o mesmo nome. Então, o ‘Campeão do Centenário’ (também possui outras duas alcunhas: Colorado e Rubro), foi Fundado na segunda-feira, do dia 27 de Junho de 1921.

Seus Estádios: Cancha da Vila Vergueiro, campo da Vila Rodrigues, Celso da Cunha Fiori (Baixada) e Vermelhão da Serra.

 Principais jogadores: Armando Rebechi, Barão, Bebeto, Brasileiro, Caíco, Calé, Cavalheiro, Celio Barbosa, Centenário, China, Chita, Culmann, Daizon Pontes, Dionisio Langaro, Egydio Reolon, Gitinha, Gradin, Guilherme Rebechi (Rebechinho), Heitor Moura, Kita, Liminha, Marioti, Miléo, Nelcy, Pedruca, Plínio, Pregentino, Prinche, Pupe, Santarém, Tubino, Vacaria, Vadecão, Verardi, Vete, Vicente Souza, Zangão e Zoca.

HINO:Salve 14 de Julho’

Autores: Alfredo Custodio (Alfredinho) e Ruth C. Vieira

Intérprete: Almir Pegoraro

Salve o 14 de Julho,

Do primeiro centenário é o campeão

Teu distintivo me orgulho

De usar sôbre o meu coração

No teu pendão carmesim

Quero morrer abraçado

Por isso eu canto assim:  

Uma vêz 14 sempre colorado!!!

14 de Julho eu sou

14 eu sempre serei

Uma vêz 14 de Julho

Colorado, colorado morrerei

Foto: GER 14 de Julho de Passo Fundo, campeão da 2ª Divisão Gaúcha de 1968.
EM PÉ (esquerda para a direita): Cavalheiro, Amâncio, Noé, Zé Carlos Tome e Osvaldo;
AGACHADOS (esquerda para a direita):  Mariotti, Abílio, Pedruca, Santarém e Picão.

TÍTULOS

17 Campeonatos Citadinos: 1922, 1925, 1930, 1943, 1945, 1947, 1955, 1956, 1957, 1958, 1958 extra, 1959, 1959 extra, 1960, 1962, 1969 e 1978;

Dez Torneios Início: 1941, 1942, 1943, 1945, 1946, 1956, 1962, 1963, 1964 e 1966;

Campeonato Regional: 1930, 1947, 1955, 1964 e 1968;

Campeonato Gaúcho da 2ª Divisão: 1968;

Dois Torneios Relâmpago: 1945 e 1949;

Um caneco Torneio de Encerramento: 1940.

Fim da linha

Seu último jogo foi em 07 de dezembro de 1985, derrota por 2 a 0 para o Grêmio Bagé, terminando em último lugar na fase final do Campeonato Gaúcha da 2ª Divisão. Em crise, acabou aceitando uma fusão com o Sport Club Gaúcho que resultou na fundação do Esporte Clube Passo Fundo, em 10 de janeiro de 1986

ARTE: desenho do escudo e uniforme – Sérgio Mello

Colaborou: Moisés H G Cunha

FOTO: Flâmula é um acervo da ‘Velharia Crazinho’ – Time posado é um acervo de Lion

FONTE: Extraídos do livro ‘Os Donos da Bola – 1922 – 1978 – O Campeonato Citadino de Futebol de Passo Fundo’, do autor Lucas Scherer.

Liga Leopoldinense de Football (LLF) – Rio de Janeiro (RJ): Existiu entre 1921 a 1928

Por Sérgio Mello

A Liga Leopoldinense de Football (LLF) foi uma importante entidade do futebol localizado na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Foi Fundada na quinta-feira, do dia 10 de fevereiro de 1921, com o intuito de organizar os clubes suburbanos e do interior do Rio de Janeiro, a liga foi essencial para a expansão e democratização do esporte na região.

A Liga Leopoldinense de Football, organizou-se na sede do Penha Football Club por convocação de um grande número de desportistas entre os quais destacava-se Azevedo Machado. Emprestaram-lhe logo seu concurso os grêmios: Athletico Club Braz de Pinna, União Sportiva, Sport Club Luzitano, que foram os fundadores da nova entidade.

Abertas as filiações ingressaram o Victoria Football Club, Electro Football Club, Sport Club Rio Cricket, Sport Club Bomsuccesso, Mundial Football Club, Belizário Penna Football Club, Del Castillo Football Club, Palestra Itália Football Club e Reinado Football Club (sediado na Rua Barão de São Félix, nº 210, no Centro do Rio).

Primeira Diretoria

Foi realizado na sexta-feira, às 20 horas, do dia 03 de março de 1921, na sede do Penha Football Club a instalação definitiva da Liga Leopoldinense , além de eleição da 1ª diretoria, que ficou assim constituída:

Presidente – Sr. Tercio Machado;

Vice-presidente – Sr. Joaquim Macedo;

1º Secretário – Francisco de Assis Machado;

2º Secretário – Álvaro dos Santos;

1º Thesoureiro – Júlio Valle;

2º Thesoureiro – Claudemiro da Silva.

Del Castillo foi o 1º campeão

O 1º Torneio Initium (chamado de Torneio General Silva Pessoa) foi realizado no domingo, do dia 17 de abril de 1921, com todo o esplendor no campo do Bomsuccesso Football Club, precedido de uma parada esportiva, a primeira e única que se realizou nos subúrbios. Foi campeão do torneio o Del Castillo e o Victoria ficou com o vice.

1ª Seleção da Liga

No domingo, do dia 20 de novembro de 1921, a Liga Leopoldinense aceitando convite do Manguinhos Football Club, realizou um treino, no campo deste clube.

A diretoria informou que a Liga Leopoldinense de Football: formara com os seguintes atletas: Malaquias (Braz de Pina); Armindo, (Electro); Bernardo (Victoria); Samuel (Belizário Penna); Júlio, (Electro); Baltsteiro, (Belizário Penna); Alceu, (Victoria); Francisco, (Braz de Pina); João, (Braz de Pina); Heitor, (Braz de Pina); Gallo. (Braz de Pina). Reservas: Rezende, Tillete, Sebastião de Oliveira.

Mudança de Sede

No domingo, do dia 27 de novembro de 1921, o Penha F.C. desligou-se o que forçou a transferência da sede para a Estrada da Freguezia (Estrada do Porto), nº 372, em Bonsucesso (de propriedade do Estrella F. Club).

Crise quase gerou a extinção da entidade

Os primeiros meses da Liga foram de grande dificuldade, e, em novembro de 1921, esteve a ponto de sucumbir, esfacelando-se o campeonato. Foi quando ascendeu à presidência, antes ocupada por José Braz, o abnegado e distinto desportista Henrique Duran que concatenando os esforços dos demais diretores, conseguiu remodelar os serviços, organizando definitivamente da Liga.

Reeleito em 1922, Henrique Duran continuou a sua obra gloriosa firmando, cada vez mais, o prestigio da sua entidade e para o campeonato conseguiu obter 20 concorrentes, divididos em duas séries.

Nova mudança da sede

Em dezembro de 1922, desligando-se o Estrella, a Liga Leopoldinense, num golpe de arrojo de Henrique Duran, Antunes e Magalhães, transferiu sua sede para local independente da vida dos clubes, instalando-se a Rua Jockey Club, nº 283, próximo à estação de Triagem (estação de São Francisco Xavier).

Este empreendimento foi o fator principal da estabilização e subsequente progresso da simpática entidade, pois colocou-se a Leopoldinense, num ponto, onde podia atender, facilmente, não só a qualquer ponto dos subúrbios, como também aos arrebaldes urbanos.

Henrique Duran foi presidente até 1923. quando renunciou, ocupando então a presidência José Ribeiro Alves, que por sua vez deixou-a em 1924, quando foi eleito Amadeu de Azevedo, logo depois substituído pelo tenente Vicente Lopes Pereira.

Última Sede

Em 1923, a Liga Leopoldinense, adquiriu uma magnifica Sede instalada na Rua D. Anna Nery, nº 335, na estação do Rocha, situado na Zona Norte do Rio. A entidade demostrava franco crescimento tanto na estrutura quanto na organização. 

O Malho, de 1926

Barroso fica com o título do Torneio Início de 1926

No domingo, do dia 18 de Abril de 1926, no campo da rua Jockey Club, ocorreu a final do Torneio Initium, da Liga Leopoldinense de Football. Seis foram as provas disputadas até a grande decisão quando o forte quadro do Barroso F. C. que conseguiu sobrepujar o ótimo quadro do Electro F. C. pela contagem de 2 a 0 e dois escanteios a zero. Com esse resultado, o Barroso levantou a taça de campeão, enquanto o Electro F. C. ficou com vice.

Diretoria da LLF em 1927

Edmundo José Vieira foi o presidente da Liga em 1926, não completando o mandato por haver renunciado. A diretoria eleita em 1927 era a seguinte:

Presidente – Gastão de Vasconcellos;

Vice-Presidente – Amadeu Azevedo;

Secretário Geral – Carlos Pinto Cardoso;

1º Secretario – Nelson Rodarte Machado;

2º Secretario – Pedro da Silva Luz;

1º Thesoureiro – Isolino B. Magalhães;

2º Thesoureiro – Roberto de Almeida.

Campeões da Liga Leopoldinense de Football (LLF)

1921 – Del Castilho Football Club;

1922 – Mauá Football Club (campeão da Série A) e Athletico Cajuense Club (campeão da Série B);

1923 – Mauá Football Club (campeão da Série A) e o Serrano (campeão da Série B);

1924 – Athletico Cajuense Club;

1925 – Mauá Football Club;

1926 – Mauá Football Club (campeão da Série A) e o Cordovil Athletico Club (campeão da Série B);

1927 – Mauá Football Club.

O decano dos clubes da Leopoldinense

O Sport Club Rio Cricket, o querido alvinegro da Rua Senador Pompeu, s/n, no Centro do Rio, é o decano dos clubes da Leopoldinense, pois a sua filiação vem desde os primeiros dias da Liga, em 1921.

Barreto campeão do Torneio Início de 1926

Em 1926, o campeão do Torneio Initium foi o Barreto Football Club, tendo o Electro Football Club como o 2º colocado.

Em 1928, Fusão define o fim da LLF

Na sexta-feira, às 21 horas, do dia 03 de Agosto de 1928, em reunião conjunta, dos representantes dos clubes filiados, a Associação Athletica Suburbana (AAS) e Liga Leopoldinense de Football (LLF), foi fundada a Associação Carioca de Esportes Athleticos (ACEA).

Além dos representantes dos clubes filiados, as duas entidades, compareceram diversos representantes da imprensa, presidente de clubes e os representantes das Ligas de Amadores de S. Paulo e Graphica de Sports.

O presidente da comissão organizadora das bases para unificação, o sr. Amadeu de Azevedo, comandou a reunião, tendo secretários os srs. Luiz da Silva Porto e Innocencio Cunha, o dr. Edmundo José Vieira, presidente da Liga Leopoldinense de Football, Mario de Souza, de “O Jornal“, Eduardo Magalhães, de “A Noite“, Romeu Dias Pino, representante da Liga de Amadores de Football, de S. Paulo e Manoel Antunes Baptista, da Liga Graphica de Sports, que fizeram parte da mesa.

Alguns representantes dos clubes, Internacional, Esperança, Cordovil e Vasco Suburbano, aproveitaram o ensejo para dar diversas sugestões sobre a escolha do nome a ser dado à nova entidade.

Foi aprovada a proposta do representante do Vasco Suburbano Athletico Club, que dá a nova entidade o nome de Associação Carioca de Esportes Athleticos.

Na mesma assembleia, foram eleitos para a Junta Governativa, até a aprovação dos novos estatutos os seguintes senhores:

Presidente – Luiz da Silva Porto;

Vice-presidente – Amadeu de Azevedo;

1º Secretário – Rubens Gomes;

2º Secretário – Caio G. de Oliveira Valle;

1° Thesoureiro – Innocencio Cunha;

2º Thesoureiro – Roberto de Almeida.

Para a comissão organizadora dos estatutos, foram eleitos os srs. Antonio Saint’ Justo Filho, Mario de Barros Martins, Manoel Ignacio de Souza e Raul Salgado.

Em seguida foram empossados todos os eleitos, com excepção dos 2º Secretário (Caio G. de Oliveira Valle) e 2º Thesoureiro (Roberto de Almeida), por não estarem presentes.

A Associação Carioca de Esportes Athleticos teve a sua Sede na antiga da Liga Leopoldinense de Football, situado na Rua D. Anna Nery, nº 335, na estação do Rocha, que possuía ótimas instalações, contando com a filiação de 22 clubes.

FONTES: A Noite (RJ) – Correio da Manhã (RJ) – Jornal A Rua (RJ) – Jornal do Brasil (RJ) – Diário Carioca (RJ) – Gazeta de Notícias (RJ) – O Imparcial (RJ) – O Malho (RJ) – Rio Sportivo (RJ)

Escudo raro de 1919! Clube Atlético Mineiro – Belo Horizonte (MG)

Por Sérgio Mello

Club Athletico Mineiro (atual: Clube Atlético Mineiro) é uma agremiação da cidade de Belo Horizonte (MG). A Sede administrativa fica localizada na Avenida Olegário Maciel, nº 1516, no bairro de Lourdes, em Belo Horizonte/MG.

Sede do Galo fica na Rua Bernardo Guimarães, nº 2.300, no Lourdes, em Belo Horizonte/MG. A Cidade do Galo está situado na Rodovia MG 424, s/n, no Jardim da Glória, em Vespasiano/ MG. Já o palco para os jogos é a Arena MRV (Capacidade para 46 mil pessoas), que fica na Rua Cristina Maria de Assis, nº 202, no bairro Califórnia, em Belo Horizonte/MG.

Breve história do Galão da Massa

O começo do Século XX, o “futebol bretão” em Belo Horizonte, rapidamente ganhou o interesse, principalmente, dos alunos. Assim, foi Fundado na quarta-feira, do dia 25 de Março de 1908, por um grupo de rapazes liderados por Margival Mendes LealMário ToledoRaul Fracarolli e Augusto Soares, todos mataram aula de manhã e, se reuniram no coreto, sob as árvores do Parque Municipal.

Dessa forma era criado o Atlético Mineiro Futebol Clube, herdado o nome do outro Athlético, que já não mais existia.

Participaram do célebre encontro: Margival Mendes Leal, Sinval Moreira, Mário Neves, Raul e Hugo Fracarolli, Mário Lott, Carlos Maciel, Eurico Catão, João Barbosa Sobrinho, Aleixanor Alves Pereira, Antunes Filho, Mário Toledo, José Soares Alves, Horácio Machado, Augusto Soares, Humberto Moreira, Júlio Menezes Melo e Benjamim Moss Filho.

Outros, que não puderam comparecer à reunião, tão logo souberam da fundação do clube aderiram à ideia: Francisco Monteiro, Jorge Dias Pena e Mauro Brochado.

Primeira Sede

1ª Sede, lembra Mário Lott, um dos fundadores, localizou-se em pequeno espaço de um porão da casa onde residia Vate (Margival Mendes Leal), à Rua Goiás, nos fundos do antigo Palácio da Justiça.

Ali se discutiam os problemas e as providências para que o clube tomasse impulso. Uma dessas dificuldades mais sérias para enfrentar a realidade: conseguir a bola.

1ª Torcida Feminina no Brasil

O grupo cresceu e o ponto de encontro era na Rua Guajajaras, nº 317, onde morava dona Alice Neves, mãe do fundador Mario NevesDona Alice tornou-se a madrinha do novo clube, participando ativamente e criando a 1ª torcida feminina de futebol no Brasil.

Foto de 1919

A 1ª bola veio da França

Lembrou-se então que Ninico Antunes (Antônio Antunes Filho) enviava besouros e outros bichinhos para um seu amigo que residia na França, o qual lhe creditava as importâncias correspondentes às remessas feitas.

Aí estava a solução para o sério problema: Ninico pediria ao seu amigo que lhe mandasse uma bola em troca do seu crédito. E isso foi feito. Para a alegria dos atleticanos, a bola chegou da França. Era uma bola de número 3 e custou, àquela época, 11 mil réis.

Os Primeiros Dez Sócios

Os seus primeiros sócios do Atlético Mineiro Futebol Clube e suas respectivas funções:

Mário Lott, 23 anosestudanteSalesiano Lara, 17 anosfuncionário público
Mário Neves, 23 anosfuncionário públicoAlfredo C. Lima Júnior, 20 anoscomerciário
Antônio Antunes Filho, 20 anosfuncionário públicoJorge Dias Penna, 20 anosfuncionário público
Sinval Moreira da Silva, 23 anosfuncionário públicoGino Panicali, 20 anosfuncionário público
Eurico Catão, 23 anosfarmacêutico10ºRodrigo Melo Franco, 20 anosestudante

Em 1908 o Galo só realizou treinos

Após a sua fundação em 1908, o Athletico não disputou nenhum jogo. Suas atividades resumiam-se em treinos, dos quais participavam entre outros, os jovens atletas: Jorge Pena, Oscar Maciel, Enrico Catão, Mauro Brochado, Leônidas Fulgência, Raul Fracarolli, Mário Neves, Francisco Monteiro, Mário Lott, Margival Mendes Leal, Horácio Machado, Artur Pinto, Carlos Maciel e Benjamim Moss.

Foto de 1921

Primeira Diretoria do Galo

Foi constituída a 1ª Diretoria, sem contenda, os seguintes membros:

Presidente – Margival Mendes;

Secretário – Mário Lott;

Thesoureiro – Eurico Catão.

Primeiro jogo e primeira vitória

primeira formação do time era o seguinte: Eurico; Mauro e Leônidas; Raul, Mário Toledo e Hugo; Francisco, Mário Lott, Marginal, Horácio e Benjamim. Técnico: Chico Neto.

Para a estreia oficial do Atlético, aconteceu no domingo, do dia 21 de março de 1909, contra o Sport Club. Para esse jogo, o treinador Chico Neto fez três alterações no ataque: Mário Neves no lugar de FranciscoAníbal Machado no de Mário Lott e Zeca Alves no de Horácio.

O técnico Mário Neves mostrou ser ‘pé quente’, pois a vitória pelo placar de 3 a 0, contou com os gols o trio: Aníbal MachadoZeca Alves e Mário Neves, no campo do Sport (onde hoje fica a Secretaria da Agricultura, ao lado da estação rodoviária), ficou lotado.

As duas equipes voltaram a se enfrentar outras duas vezes: 2 a 0 e 4 a 0, ambos os triunfos conquistados pelo Galo. Nesses encontros mais de 3 mil pessoas compareceram para assistir os jogos.

Esses três revés do Sport Club acabaram decretando a sua extinção. Com isso, boa parte dos seus integrantes ingressaram no quadro atleticano, tornando-o mais forte ainda.

É bom ressaltar, que o Atlético Mineiro Futebol Clube surgiu forte no cenário esportivo da cidade. Tanto é verdade que a primeira derrota demorou cerca de três anos para acontecer.

1ª derrota só aconteceu em 1912

No domingo, no dia 12 de maio de 1912, o Galo acabou perdendo para o Instituto Granbery, de Juiz de Fora, por 5 a 1. Os atleticanos pediram revanche e no sábado, do dia 7 de setembro de 1912, voltaram a se enfrentaram.Porém, o Instituto Granbery voltou a derrotar o Athletico, pelo placar de 3 a 0, em Juiz de Fora/MG.

As derrotas em nada alteraram a vida do clube, que tratou de formar sua infraestrutura e ganhou da Prefeitura um terreno para construir seu campo e sede.

Ficava na Rua Guajajaras, entre a São Paulo e a Curitiba. Limparam o terreno, taparam os buracos e fincaram as traves. O travessão era uma corda esticada, o gramado tinha tamanho irregular, mas ficou assim mesmo.

Nos primeiros dias, roubaram as traves. Margival não gostou e achou melhor escolher outro local. Conseguiu trocar a área de Guajajaras por um quarteirão na Avenida Paraopeba (hoje, Augusto de Lima), entre as ruas Curitiba e Santa Catarina.

Mas ali também não durou: o governo do Estado, que também estava-se organizando, requisitou o terreno para a construção da Secretaria da Educação (hoje, Minascentro) e o Athlético passou então a ocupar o campo que foi do Sport Club, ao lado da estação rodoviária.

Disputa da Taça Souza Cruz, no Campo do Athletic Club de São João del-Rei, em 1919

Clube altera o nome em 1913

Na noite de terça-feira, do dia 25 de março de 1913, foi realizado Assembleia Geral, em que os sócios e diretores do Atlético Mineiro Futebol Clube decidiram mudar o seu nome para Club Athletico Mineiro.

E foi com sua nova e importante personalidade que o time disputou o primeiro torneio interclubes, organizado pela recém-fundada Liga de Futebol de Belo Horizonte.

Primeiro troféu

O vencedor receberia o rico troféu “Taça Bueno Brandão”, em homenagem ao então Governador do Estado de Minas. Os jogos tiveram os seguintes resultados:

05/07/1914Athletico2X0Yale
12/07/1914Athletico3X0América
19/07/1914Athletico0X0Yale
02/08/1914Athletico1X0América
16/08/1914Athletico2X0Comb. América/Yale

Athletico foi o campeão invicto do torneio. Disputou cinco jogos, somando 9 pontos: foram quatro vitórias e um empate; marcando oito gols sem sofrer nenhum tento. Era o primeiro título conquistado. Outros viriam, bem maiores, em grande número, consagrando o maior clube de Minas Gerais.

O 1º título do Campeonato Mineiro

Na quinta-feira, do dia 28 de janeiro de 1915, foi fundada a LMEA (Liga Mineira de Esportes Atléticos), que nesse mesmo ano organizou o 1º Campeonato da cidade de Belo Horizonte.

A capital contava com cinco equipes de futebol inscritas para o importante certame: Club Athletico MineiroAmérica Football ClubYale Athletico Club,  Club de Sports Hygienicos e Sport Club Christovam Colombo.

As partidas foram realizadas em turno e returno, e coube ao Club Athletico Mineiro a conquista do 1º título de campeão do estado. A campanha teve os seguintes resultados:

1° TURNO

11/07/1915Athletico5X0Yale
25/07/1915Athletico2X2América
29/08/1915Athletico4X0Hygienicos
05/09/1915Athletico0X1Christovam  Colombo

2° TURNO

12/09/1915AthleticoWOXHygienicos *
26/09/1915Athletico3X1Yale
03/10/1915Athletico2X1América**
24/10/1915Athletico4X0Christovam  Colombo

* O Higiênicos não compareceu ao jogo e perdeu os pontos. 
** O América deixou o campo aos cinco minutos do 2° tempo.


Foram, oito jogos, com seis vitórias, um empate e uma derrota; marcou 20 gols, sofreu cinco e um saldo de 15. O artilheiro do Galo foi Meireles com 7 golsMatos com 5 golsPaula Dias com 3 golsMorethzon, Curthbert, Guimarães, Lé e Rose, com 1 gol cada.

Os primeiros campeões de Belo Horizonte pelo Club Athletico MineiroFerreira, Morethzon, Leon, Sigaud, Lé, Testi, Paula Dias, Lott, Meireles, Matos, Rose, Curthbert, Guimarães, Coutinho e Guido.

ARTE: desenho do escudo e uniforme – Sérgio Mello

FOTOS: Arquivo EM/D.A.Press – Dissertação de Mestrado “O Jogo de Bola em Terras Mineiras”

Colaborou: Carlos Eduardo

FONTES: Galo Digital – site do clube