SÃO PAULO RAILWAY ATLÉTICO CLUBE – TEMPORADA OFICIAL – 1928

Em 1928 o SÃO PAULO RAILWAY ATLÉTICO CLUBE de São Paulo/SP (atual NACIONAL ATLÉTICO CLUBE) estava filiado a Liga de Amadores de Futebol. Disputou a Divisão Intermediária (2ª Divisão). O seu quadro principal (1º quadros) não fez uma boa campanha sendo eliminado no 1º turno, porém a equipe secundária (2º quadros) conquistou o título. Abaixo os resultados oficiais da equipe nesta temporada:

 

DATA

 

 

 

 

  LOCAL

08.04.1928

SÃO PAULO RAILWAY

1

x

2

PAULISTA DE ANIAGENS SÃO PAULO

21.04.1928

SÃO PAULO RAILWAY

3

x

1

COLOMBO SÃO PAULO

29.04.1928

SÃO PAULO RAILWAY

1

x

1

PORTUGUESA DE FUTEBOL SÃO PAULO

06.05.1928

SÃO PAULO RAILWAY

2

x

1

HELVÉTIA SÃO PAULO

10.06.1928

SÃO PAULO RAILWAY

2

x

2

CALIFÓRNIA SÃO PAULO

01.07.1928

SÃO PAULO RAILWAY

1

x

1

BRASIL SÃO PAULO

14.07.1928

SÃO PAULO RAILWAY

3

x

1

UNIÃO VASCO DA GAMA SÃO PAULO

22.07.1928

SÃO PAULO RAILWAY

1

x

3

UNIÃO FLUMINENSE SÃO PAULO

05.08.1928

SÃO PAULO RAILWAY

0

x

2

EC ORDEM E PROGRESSO SÃO PAULO

19.08.1928

SÃO PAULO RAILWAY

0

x

1

SÃO GERALDO SÃO PAULO

07.09.1928

SÃO PAULO RAILWAY

1

x

3

CASTELLÕES SÃO PAULO

16.09.1928

SÃO PAULO RAILWAY

1

x

1

ORIENTAL SÃO PAULO

30.09.1928

SÃO PAULO RAILWAY

5

X

2

TERRITORIAL PAULISTA SÃO PAULO

Pequena história de alguns clubes menores de Curitiba

RECO-RECO/PALMEIRAS

Um clube de nome curioso era o Reco-Reco, que disputou alguns dos primeiros campeonatos e chegou a mudar de nome para Palmeiras. Era formado basicamente por estudantes e sumiu sem deixar vestígios após poucas partidas disputadas no final da década de 10.

SPARTANO

O Spartano — fundado em 14 de outubro de 1914 — surgiu dentro do Ginásio Paranaense e teve como influência de sua fundação, o Professor Dário Lopes Velloso. Durou pouco tempo no futebol e teve por muitos anos uma sede na Praça Osório famosa pelo jogo de carteado.

ACADÊMICA

A Acadêmica foi mais uma equipe de estudantes. Disputou uma temporada completa num dos primeiros campeonatos e depois, na sua segunda temporada, após o primeiro jogo, simplesmente sumiu.

POTY

O Poty — fundado em 14 de maio de 1925 — tinha sede na região da Galícia, no Bigorrilho e teve em suas fileiras Patesko, que chegou a defender a Seleção Brasileira em duas copas (1934 e 1938) e Tadeu, goleiro que também defendeu a seleção brasileira. Disputou poucas temporadas na divisão profissional e decidiu se dedicar à Suburbana.

BELA VISTA

O Bela Vista tinha sede no Alto Capanema (parte do atual bairro do Jardim Botânico), foi mais um clube de curta passagem pela divisão principal nas primeiras décadas de nosso futebol..

ESPERANÇA

O Esperança disputou apenas a temporada de 1920, mas uma das famílias ligadas ao clube, os Kupchak, depois integrou o Juventus.

CAMPO ALEGRE

O Campo Alegre teve passagem curta pela divisão profissional e depois se interessou apenas pelo Campeonato da Suburbana.

BANGU

O Bangu disputou 1929 e 1930, porém existe até hoje como integrante do Campeonato de Futebol Amador de Curitiba.

UNIVERSAL

O Universal durou alguns anos na divisão principal do Paranaense e deu origem à Sociedade Universal, famosa pelos bailes.

AQUIDABAN

O Aquidaban – fundado em 1º de maio de 1923 – durou também poucos anos na divisão principal do futebol, sumindo depois de 1931.

GUARANI-CTBA

O Guarani – que não era o homônimo de Ponta Grossa – também teve curtíssima passagem pela divisão principal.

BRASIL

Um clube chamado Brasil – nome que depois foi utilizado pelo Savóia durante a Segunda Guerra – teve passagem curta pelo futebol, mas uma família ligada ao clube, os Rosa, foram fazer história no Savóia e no Atlético.

PARANAENSE

Um clube chamado Paranaense – mesmo nome utilizado pelo Palestra Itália durante a Segunda Guerra – teve aparições na virada da década de 1920 para a de 1930. Após isso, foi para a Suburbana para depois desaparecer.

NACIONAL

O Nacional também durou pouco tempo, mas acabou por pressão dos oponentes, por se envolver em muitos casos de violência em campo e fora dele. O clube era formado por policiais militares e durante sua passagem pelos gramados, ganhou um Torneio Início antes de abandonar os gramados após mais um caso de agressão.

PARANÁ SPORTS CLUB

Em 30 de maio de 1912, foi fundado o Paraná Sports Club, tendo à frente bancários do London Bank, funcionários da Brazilian South American Engineering Co. e tendo como vice-presidente o dono do Diário da Tarde na época, Arthur Obino. O clube não praticava apenas futebol e tinha atividades como rúgbi, críquete e tênis. Em 1917, se fundiu com o América, fazendo o América-Paraná e conquistando o título daquele ano. A fusão foi desfeita em 1919 e o clube acabou em 1926.

JUNAK/JUVENTUS

Fundado em 10 de abril de 1922, por imigrantes poloneses e descendentes, com o nome de Strzelec, o Junak era uma sociedade que utilizava a educação física como meio de preparação para a cidadania. A sociedade passou a ter o futebol como atividade em 1927, uma equipe que tinha como jogador o então futuro governador Jayme Canet Júnior. Em 1935, após títulos amadores, o Junak resolve disputar o campeonato profissional. Em 1938, resolve se nacionalizar adotando o nome de Juventus. Em 1944, a Polônia estava ocupada pelos nazistas e com medo de represálias, o clube não disputou o campeonato, voltando em 1945. O máximo que o Juventus conseguiu foi ganhar alguns Torneios Início, porém revelou diversos jogadores, alguns até chegando à seleção. Em 1950, o clube abandona o Certame Oficial, com problemas financeiros e queixando-se das arbitragens, passando a disputar apenas as categorias de base, parando na década de 70. Hoje a Sociedade União Juventus é um clube de cunho sócio-cultural.

BLOCO MORGENAU

Fundado em 23 de abril de 1932, o Bloco Morgenau disputou a Suburbana por muitos anos, rivalizando como 5 de Maio e Operário do Ahu. Nesta época chegou a ter o famoso zagueiro Fedatto, então juvenil, jogando emprestado pelo Coritiba ao clube para pegar experiência. Resolveu disputar a divisão principal em 1951, ocupando o lugar do Juventus. Se era um clube de resultados grandiosos na Segundona, na Divisão Principal tornou-se saco de pancadas das equipes maiores. Sem condições de acompanhar o ritmo dos demais, o Bloco Morgenau largou o profissionalismo em 1964 e continuou disputando categorias de base. Em 15 de maio de 1968, o Bloco Esportivo Morgenau fundiu-se à Sociedade Operária Beneficente Recreativa Vila Morgenau – fundada em 5 de fevereiro de 1918 – dando origem a atual Sociedade Morgenau.

PRIMAVERA

O Clube Atlético Primavera – fundado em 20 de dezembro de 1932 – passou a ter futebol em 1935. Em 1961, passou a disputar a Divisão de Elite do Campeonato Paranaense e fez uma curiosa adaptação no estádio, construindo um túnel aéreo para a entrada dos jogadores e da arbitragem, já que não podia escavar o solo do estádio. Em campo, não obteve grandes resultados, não conseguindo acompanhar as mudanças no futebol. Em 1969, resolveu largar o futebol antes que tomasse o caminho da bancarrota. Mais tarde, vendeu a sede no Taboão e comprou uma em Almirante Tamandaré, sendo hoje um Clube Social de Campo.

Fonte: Trabalho de Conclusão de Curso do jornalista Leonardo Bonassoli.

COTONIFÍCIO RODOLFO CRESPI F.C. – CAMPEÃO PAULISTA – 1ª DIVISÃO DE 1929

 

DATA

 

 

 

 

  LOCAL

19.05.1929

COT. RODOLFO CRESPI

1

X

0

BARRA FUNDA SÃO PAULO

02.06.1929

COT. RODOLFO CRESPI

7

X

1

ROMA SÃO PAULO

16.06.1929

COT. RODOLFO CRESPI

3

X

0

VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA SÃO PAULO

14.07.1929

COT. RODOLFO CRESPI

5

X

2

ESTRELA DE OURO SÃO PAULO

25.08.1929

COT. RODOLFO CRESPI

4

X

0

UNIÃO LAPA SÃO PAULO

06.10.1929

COT. RODOLFO CRESPI

1

X

1

SCARPA SÃO PAULO

12.10.1929

COT. RODOLFO CRESPI

2

X

1

REPÚBLICA SÃO PAULO

20.10.1929

COT. RODOLFO CRESPI

1

X

1

SÃO PAULO ALPARGATAS SÃO PAULO

27.10.1929

COT. RODOLFO CRESPI

5

X

0

VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA SÃO PAULO

03.11.1929

COT. RODOLFO CRESPI

2

X

0

BARRA FUNDA SÃO PAULO

10.11.1929

COT. RODOLFO CRESPI

1

X

2

ROMA SÃO PAULO

17.11.1929

COT. RODOLFO CRESPI

5

X

1

ESTRELA DE OURO SÃO PAULO

01.12.1929

COT. RODOLFO CRESPI

3

X

1

UNIÃO LAPA SÃO PAULO

29.12.1929

COT. RODOLFO CRESPI

4

X

0

SCARPA SÃO PAULO

19.01.1930

COT. RODOLFO CRESPI

1

X

0

SÃO PAULO ALPARGATAS SÃO PAULO

26.01.1930

COT. RODOLFO CRESPI

1

X

0

REPÚBLICA SÃO PAULO

Agradecimento ao José Farah (São Paulo/SP) pelo desenho do escudo

A polêmica excursão dos uruguaios do Club Peñarol Universitário (URU), em 1928

Club Peñarol Universitário

A história desse clube em solo brasileiro, rendeu muitas críticas. Seja pelo comportamento dentro e fora de campo, a postura de cobrar dinheiro para cada partida realizada no Brasil, o que na época foi considerado inadequado.

Vale lembrar que na década de 20, o futebol brasileiro era amador e a imprensa não aceitava descobrir que um clube atuasse de forma profissional. Portanto, o fato da reportagem do jornal paulista “Diário Nacional” ter publicado uma nota do Presidente do Club Atletico Peñarol, o Sr. Juliano Soares, afirmando que o Club Peñarol Universitário, não tinha nenhum vinculo com o aurinegro foi mais uma forma de tirar a credibilidade do que um fato grave.

Pelo que pesquisei, o Club Peñarol Universitário não veio ao país declarando ser um “genérico” do original. O que entendi era que o que incomodou a imprensa foi a forma ríspida nos jogos, atitudes deselegantes nos locais aonde esteve hospedado e, principalmente, ter agido de forma comercial a sua participação nos amistosos! Acredito que esse foi o ponto que mais desagradou a imprensa e aos clubes.               

Dito isso, essa agremiação uruguaia, era filiada a Liga Universitária de Football (subordinada à Associação Uruguaya de Football), 565excursionou no Brasil, em maio de 1928. O Correio Paulistano foi passando algumas informações.

No dia 18 de Maio daquele ano, citou que a Associação Uruguaya de Football, tinha autorizado o Peñarol Universitário a viajar para o Brasil a fim de realizar alguns jogos.

Seis dias depois, desembarcou do navio Werra, em Santos/SP, chefiada pelo Sr. Alberto Corchis, doutorando de medicina da Universidade de Montevidéo; o secretário Jorge Belhot; jornalista Ricardo L. Zécca, do jornal ‘El Imparcial’ de Montevidéu; Pedro Belhot, representante da República Oriental e os seguintes jogadores:

Goleiros – Sposito (Olimpia F.C.) e Nario (Missiones);

Zagueiros – Oddo (Sul-Americain) Arminana (Central) e João Belhot (AC Peñarol e capitão do Peñarol Universitário);

Médios – Uslenghi (Nacional), Carbone (Uruguay FC), P. Campo (Rosarino), Dominguez (Lito FC) Rios (Racing) e Nunez (Belgrado);

Atacantes – Fierro (Missiones), Lerena (Capurro), Cheschi (AC Peñarol), Chelsi (Defensor), Miloni (Racing), Cambon (Nacional), Sosa (Uruguay-Positos) e Hernandez (Defensor) e o massagista e técnico, E. Diaz.

Abaixo os resultados, na ordem, com a data, resultado e local:

29 de abril de 1928Palestra Itália/SP2X2Peñarol UniversitárioParque Antarctica
1º de maio de 1928Sport Club Corinthians Paulista1X2Peñarol UniversitárioParque Antarctica
06 de maio de 1928Seleção Paulista4X0Peñarol UniversitárioParque Antarctica
13 de maio de 1928Seleção Santista4X1Peñarol UniversitárioPortuguesa Santista
17 de maio de 1928Portugueza de Esportes1X3Peñarol UniversitárioRua Cesario Ramalho, no Cambucy
20 de maio de 1928Guarani FC (Campinas)0X0Peñarol UniversitárioCampinas
24 de maio de 1928Floresta AC (Amparo)0X0Peñarol UniversitárioVilla Afonso Celso
27 de maio de 1928A.A. Guaxupé/MG2X1Peñarol UniversitárioGuaxupé/MG
17 de junho de 1928Comercial FC (Ribeirão Preto)2X0Peñarol Universitário Estádio da Rua Tibiriçá
29 de junho de 1928Associação Athletica Ferroviária1X1Peñarol UniversitárioAraraquara
05 de julho de 1928Rio Preto Sport Club2X4Peñarol UniversitárioSão José do Rio Preto
08 de julho de 1928Rio Preto Sport Club1X1Peñarol UniversitárioSão José do Rio Preto
18 de agosto de 1928XV de Novembro de Piracicaba2X1Peñarol UniversitárioPiracicaba
29 de setembro de 1928Flamengo/RJ2X1Peñarol UniversitárioLaranjeiras

Pelo levantamento que fiz, o Peñarol Universitário realizou 14 jogos (citados acima), em território brasileiro. Foram três vitórias, cinco empates e seis derrotas; marcando 17 gols, sofrendo 24 e um saldo negativo de sete.  

FONTES: A Gazeta (SP) – Diário Nacional (SP) – Correio Paulistano (SP)

Decisão do Campeonato Paulista Amador do Interior – 1929

1ª REGIÃO

EQUIPE

CIDADE

001

CLUBE ATLÉTICO YPIRANGA JUNDIAÍ

002

PALESTRA JUNDIAHYENSE FUTEBOL CLUBE JUNDIAÍ

003

SÃO JOÃO FUTEBOL CLUBE JUNDIAÍ

004

VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA FUTEBOL CLUBE CAMPINAS

2ª REGIÃO

EQUIPE

CIDADE

001

ASSOCIAÇÃO ESPORTIVA VELO CLUBE RIOCLARENSE RIO CLARO

002

FLORESTA ATLÉTICO CLUBE AMPARO

3ª REGIÃO

EQUIPE

CIDADE

001

ASSOCIAÇÃO ATLÉTICA FRANCANA FRANCA

002

ITÁLIA FUTEBOL CLUBE RIBEIRÃO PRETO

003

PALESTRA ITÁLIA FUTEBOL CLUBE RIBEIRÃO PRETO

004

UNIÃO PAULISTA FUTEBOL CLUBE RIBEIRÃO PRETO

FINAIS

DATA

LOCAL

09.03.1930

FLORESTA

2

X

1

YPIRANGA CAMPINAS

16.03.1930

FLORESTA

5

X

1

FRANCANA CAMPINAS

América Paraná Sport Club – Curitiba / PR

Escudo inédito rarissimo encontrado em papel timbrado por Guilherme Nascimento, em arquivos de correspondências enviados ao Santos FC, repassado ao Rodolfo Stella.

Em 1917, houve a fusão, com a intenção de fortalecer a equipe de futebol, do América Foot-Ball Club e o Paraná Sport Club, clube dos funcionários da empresa American South Brasilian Engineering Company, que era sediada em Ponta Grossa e transferiu-se para a capital .

A união destes clubes proporcionou em seu primeiro ano, ser campeão paranaense em 1917, mas no ano seguinte não reeditou boa campanha ficando na 5ª colocação (penultimo lugar) e acabou desfazendo a fusão em fevereiro de 1919.

 

 

O América FBC volta a participar do campeonato paranaense em 1919 e o Paraná SC em 1920.

Como muitos já sabem, o América FBC em 1924, realiza nova fusão e definitiva com o Internacional SC, originando o grande Clube Atlético Paranaense.

  

Fontes:

Escudo papel timbrado encontrado por Guilherme Nascimento, repassado para Rodolfo Stella.

Histórico e dados: Livro “Futebol Paraná História”.

Comentários de Rodrigo Santana, baseado em pesquisas no Jornal A República da dec de 10 e 20.

 

Clubes do RN: A História do novo Globo FC no futebol potiguar

Nos idos de 1960 surgiu em Natal um time criado por um estrangeiro dono de uma fábrica de móveis. O tal time não tinha sede social, muito menos campo próprio para treinar, mas carregava o ideal de quebrar os paradigmas presentes no futebol potiguar desde o início daquele século. Era o Globo Esporte Clube – ou Globo Sport Clube, como mostravam as iniciais no escudo bordado na camisa vermelha. Agora, sem nenhuma ligação com o extinto homônimo, surge um novo Globo, que – na esperança de seu visionário idealizador – promete se tornar uma referência para ABC e América sendo uma verdadeira fábrica de produção de jovens talentos.

Apesar do mesmo nome, o novo Globo não tem nada a ver com o antigo, que pediu licenciamento da Federação Norte-riograndense de Futebol em 1964 e, desde então, permanece extinto. Com o sobrenome de Futebol Clube, o Globo é mais um projeto do empresário Marconi Barreto, que está construindo um verdadeiro complexo às margens da BR-406, no município de Ceará-Mirim.

Ele quer, começando com a formação de uma equipe sub-17 para a disputa do Campeonato Potiguar da categoria, iniciar um projeto que promete servir de lição – ou de fomento – para os maiores clubes do estado. Um detalhe é que, ao contrário da grande maioria das agremiações mundo afora, Marconi Barreto diz que não tem planos de ver seu time dando uma volta olímpica em comemoração a algum título conquistado. Seu objetivo é fazer de seu Globo uma fábrica, assim como antigo, mas desta vez de jogadores de futebol.

“Minha proposta é diferente dos outros times de uma forma geral”, garante Marconi. “Vou investir em um time onde ser campeão será uma conseqüência. Não é o meu ‘gol’. Meu ‘gol’ é preparar cidadãos e possivelmente grandes atletas, dando ênfase à região do Mato Grande”, explica o empresário, responsável pela construção do estádio Barretão, que terá capacidade inicial de pouco mais de 10 mil pessoas.

De fato, o projeto do novo clube é complexo. Segundo Marconi Barreto, os atletas do Globo irão morar em seu empreendimento, que engloba ainda um loteamento residencial e tem no projeto a previsão de construção de um hotel, ao lado do estádio. Além disso, segundo o empresário, eles irão estudar no próprio complexo, onde terão ainda opções de lazer e cultura.

Além da equipe sub-17, o Globo contará também com um time profissional, já filiado à FNF, que disputará a segunda divisão do Campeonato Potiguar. Mais uma vez, garante Marconi, o objetivo inicial não é chegar à elite do futebol local, apesar desta ser a maior motivação para a participação de qualquer equipe no certame.

“O sub-17 é um início. Vamos colocar o sub-17 para trabalhar e depois a gente monta o profissional. Desses 30 jogadores do sub-17 que nós temos, que vão morar, se alimentar e estudar aqui, os que se sobressaírem continuarão fazendo um trabalho evolutivo e serão aproveitados no sub-20 e no profissional”, comenta o empresário. “Para mim, tudo vai ser uma consequência de um trabalho de base. Eu não tenho objetivo de ser campeão. Isso vai ser uma consequência. Se o meu projeto funcionar, fatalmente eu vou ter um time competitivo”, diz Marconi, que prometeu não trazer nenhum jogador “de fora” para compor o elenco de seu time. “Não tenho o menor interesse em trazer jogadores caros, viciados e deixar de preparar o prato local. Para mim quem faz milagre é santo de casa”, ressaltou.

O Globo já teve seu primeiro compromisso enquanto clube. Através de uma fusão com o Força e Luz, o time está na disputa da Copa do Brasil de Futebol Feminino. Esta semana, inclusive, a equipe decidirá a vaga nas quartas de final com o São Francisco-BA. O jogo de ida terminou em 2 a 0 para o adversário.

Inspirado na famosa emissora de TV

Se não é uma referência ao antigo time “fabril”, como era chamado o antigo Globo pertencente à fábrica de móveis homônima, qual seria a inspiração, então, para o batismo do mais novo clube do futebol potiguar? Marconi Barreto responde, sem cerimônia, que seu time é uma homenagem às organizações Globo, dona do maior conglomerado de comunicação do país.

“Globo é porque eu acho o nome muito interessante. Eu sempre tive uma admiração muito grande por Roberto Marinho, um homem que aos 62 anos de idade começou um império. Um visionário”, justifica Marconi Barreto, sem esconder sua admiração pelo mandachuva da TV brasileira.

A influência da toda poderosa parou mesmo no nome. Os demais ícones e signos que formam o ideal do Globo Futebol Clube têm relação com o próprio Marconi Barreto e suas convicções.
Uma delas, por exemplo, são as cores do time: preto, vermelho e amarelo. “As cores da Alemanha. Eu tenho uma admiração muito grande pela Alemanha. Sua robustez, sua disciplina, sua capacidade de recuperação, mostrada principalmente depois da Segunda Guerra”, comenta o empresário.

Por fim, o mascote: uma águia. Assim como seu projeto, diz Marconi, a águia é um animal que tem um poder de visão muito grande e não teme desafios, como, por exemplo, o de criar um time de futebol sob a promessa de se tornar referência no trabalho de bases para os demais clubes do estado. “A águia é visionária, vê longe. A águia dá voos muito altos. Casa com o meu projeto aqui”, pontua Marconi.

O empresário lembra, todavia, que seu Globo não surge para competir – mesmo sob um ideal diferente – com ABC e América, que também desenvolvem trabalhos voltados para suas categorias de base, mesmo que de forma limitada. Para ele, nada impede que num futuro próximo o Globo possa se tornar um futuro parceiro da dupla. “Quem sabe eu não seja um provedor de talentos para ABC e América, com o objetivo de engrandecimento do futebol do Rio Grande do Norte”, imagina.

O time do Globo será comandado por Edson Capitão, ex-zagueiro integrante da lendária equipe campeã pelo ABC em 1973, no início da era Machadão. Ele será auxiliado pelo desportista Ranilson Cristino, ex-goleiro e presidente do Força e Luz.

‘Irmão’ mais velho chegou a ser vice campeão estadual

O primeiro Globo, de sobrenome Sport Club, surgiu em Natal em 1960 por iniciativa de um empresário do ramo de móveis, justamente no período em que o América pediu licença da federação para tocar as obras de construção de sua sede social na Avenida Rodrigues Alves. O time teve vida curta, tendo se licenciado em 1964, apenas quatro anos depois da criação. Nada havia sede, tampouco CT. Era a lendária época em que se fazia apenas um coletivo por semana, exatamente na véspera dos jogos, sempre aos domingos no Juvenal Lamartine.

Quem conta a história é Ribamar Cavalcante, ex-ponta direita do Globo, seu primeiro clube de futebol. Ele chegou por lá no último ano da equipe, 1964, mas como sempre se interessou pela memória do futebol, antes mesmo já guardava recortes de jornal que falavam do time fabril.

Com nomes como Talvanes, Buru, Odissé, Zé Ireno e Rodrigues, o time rubro alcançou seu ápice em 1962, quando foi vice Estadual. “Nunca foi um time que sempre brigou em cima, mas tinha um padrão e contava com alguns bons jogadores”, lembra Ribamar Cavalcante.

Uma curiosidade na memória do desportista eram as contratações feitas pelo Globo. Na época, ele conta, ao invés de dinheiro as “luvas” dos jogadores eram pagas em móveis, fabricados na empresa do presidente do clube.

Marconi Barreto

O idealizador do Globo e do complexo esportivo-cultural que está sendo montado em Ceará-Mirim é o empresário Marconi Barreto. Economista por formação, com pós-graduação em Mercadologia e carreira acadêmica como professor da Escola Superior de Marketing de São Paulo, Marconi iniciou sua vida empresarial tocando uma destilaria de álcool em Ceará-Mirim e, quando expandiu os negócios, passou 25 anos trabalhando nos Estados Unidos, onde ainda fez especialização na universidade de Michigan.

Seu projeto conta, além do estádio Barretão, com um kartódromo, sambódromo, pista de arrancada, pista de vaquejada, pesque-e-page, 400 lojas comerciais, centro de treinamento, arena para shows e festejos juninos. “Está nos nossos planos também lutas de MMA”, diz.
A intenção dele é fomentar o esporte da região do Mato Grande e fidelizar aquele público, que, segundo ele, já tem demonstrado feição à ideia. “A aceitação é fantástica na região toda, até porque o projeto todo é muito amplo”, comenta o empresário.

Para estimular a presença do público nos jogos do Globo, Marconi Barreto pretende criar programas sócio-educativos. Um deles é a troca de garrafas PET por ingressos para os jogos no Barretão, que até esta semana estava “concorrendo” a receber os jogos do América durante a Série B do Campeonato Brasileiro deste ano.

Sobre a eficácia de seu projeto, questionado por algumas pessoas, entre eles o presidente do Alecrim, Anthony Armstrong, Marconi Barreto não se diz temeroso pelo fato de não contar com os jogos do América em seu estádio. “Nunca foi plano meu trazer o América para cá. O América foi uma consequência. Isso aqui nunca tornar-se-á um ‘elefante branco’, até porque aqui eu tenho muitas outras coisas”, finaliza

f: NOVOJORNAL.COM

E.C. SIDERÚRGICA-MG x TIMES CARIOCAS

Abaixo o histórico do confronto entre o campeão mineiro de 1937 e 1964 contra as equipes do Rio de Janeiro:

DATA

LOCAL

PARTIDA

18/01/1934

Belo Horizonte-MG

Siderúrgica

4

x

5

Fluminense

16/07/1934

Rio de Janeiro-RJ

Siderúrgica

2

x

5

Flamengo

18/07/1934

Rio de Janeiro-RJ

Siderúrgica

0

x

1

América

28/02/1937

Belo Horizonte-MG

Siderúrgica

2

x

1

Bonsucesso

04/05/1937

Belo Horizonte-MG

Siderúrgica

4

x

2

América

16/05/1937

Rio de Janeiro-RJ

Siderúrgica

6

x

0

Deodoro

23/05/1937

Rio de Janeiro-RJ

Siderúrgica

2

x

4

Flamengo

13/06/1937

Rio de Janeiro-RJ

Siderúrgica

4

x

1

Light Tração

16/06/1937

Rio de Janeiro-RJ

Siderúrgica

2

x

3

Bonsucesso

21/11/1939

Sabará-MG

Siderúrgica

2

x

1

Fluminense

21/05/1950

Sabará-MG

Siderúrgica

1

x

1

América

01/12/1950

Rio de Janeiro-RJ

Siderúrgica

2

x

2

Fluminense

29/04/1956

Sabará-MG

Siderúrgica

2

x

0

Madureira

01/05/1956

João Monlevade-MG

Siderúrgica

3

x

4

Madureira

29/12/1957

Sabará-MG

Siderúrgica

2

x

5

Fluminense

14/05/1961

Rio de Janeiro-RJ

Siderúrgica

2

x

1

Fluminense

11/07/1961

Belo Horizonte-MG

Siderúrgica

2

x

1

Bangu

13/07/1961

Sabará-MG

Siderúrgica

0

x

3

Bangu

01/05/1963

Sabará-MG

Siderúrgica

0

x

1

Olaria

08/03/1964

Belo Horizonte-MG

Siderúrgica

0

x

0

Portuguesa-RJ

23/04/1964

Sabará-MG

Siderúrgica

0

x

0

Vasco da Gama

30/05/1965

Belo Horizonte-MG

Siderúrgica

2

x

0

Flamengo

03/06/1965

Belo Horizonte-MG

Siderúrgica

1

x

3

Bangu

Cordiali Saluti

Claudio Freati

Fonte: BN, Hemeroteca BH, RSSSF Brasil e agradecimento a Walter Iris (América-RJ)