Os rótulos de craque na época do rádio

Estava conversando com um jornalista sobre a banalização que vemos hoje em alguns institutos sobre colocações de clubes, qual o melhor e assim por diante.
Antigamente quando se rotulava ou quando era atribuído algum título no futebol, rendíamos vassalagem ou coisa do gênero.

O jornal L!Equipe coroou o Negão como o Rei do Futebol. Procedente, nada banalizado.
Ninguém lhe usurpou a coroa.
Didi era o príncipe etíope. Pura estirpe verdadeira.
E assim acreditávamos.

No que o jornalista respondeu que em São Paulo, já no meu tempo, o locutor Valter Abrahão, chamado “Metralha’, pela velocidade com que narrava os jogos, tentando, acho, evitar chamar também Pelé de craque, gênio etc,- eram tantos, muitos legítimos paraguaios – narrava assim, quando o Rei pegava a bola:
“Lá vai Ele”… E, acredite, dava para ouvir Ele e não ele.
Ou seja, você conseguia distinguir o ELE como o negão. É como imaginarmos um jogador hoje sendo várias vezes mais craque do que é.
Quando você ouvia o narrador falando…lá vai Ele, você entenderia no ato.

Propaganda de uma Rádio:
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Homenagem aos locutores do Rádio
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Na grande fase do futebol brasileiro vários jogadores se eternizaram:
Barbosa, Bauer, Zizinho, Ademir de Menezes, Nilton Santos, Gilmar, Didi, Amarildo, Mauro, Vavá, Zagalo, Garrincha, Gerson, etc.
Recentemente Rivelino, Bebeto, Romário, Edmundo, mas já na fase da TV.

Entre os clubes, Botafogo e Santos circulavam pelo mundo e quase não perdiam. Foi um período tão rico de craques que muitos não chegavam a titular ou sequer eram convocados para a seleção, como Dirceu Lopes e Ademir da Guia, que hoje seriam titularíssimos.

Curiosidade:
Valdemar ” Carabina ” foi famoso defensor do Palmeiras nos anos 50 e 60.
Sobre o apelido de “Carabina” Valdemar ganhou do inesquecível comentarista Mário Moraes: “Eu fiz um golaço no Pacaembu de fora da área e o Mário disse na Rádio Panamericana que chutei mais forte do que um tiro de carabina. Aí, o apelido pegou”.
Certa vez o comentarista Mário Moraes atribuiu um rótulo pejorativo. Achava que o técnico Vicente Feola estava mais para vendedor de pipocas do que para técnico de futebol.
Inimaginável nos tempos atuais.

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