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Fotos raras dos anos 40/50: Lavoura Futebol Clube – Arapongas (PR)

Por Sérgio Mello

Lavoura Futebol Clube foi uma agremiação do município de Arapongas (PR). Localizado a 380 km da capital (Curitiba) do estado do Paraná, o município possui uma população de cerca de 125 mil habitantes. 

Rubro-negro Araponguense foi Fundado nos anos 40, e o seu maior feito foi ter disputado o Campeonato Paranaense da Segunda Divisão de 1951, organizado pela FPF (Federação Paranaense de Futebol).

Lavoura chegou para disputar a competição pelo feito do vice-campeão do Campeonato Citadino de Arapongas e o título do Torneio Dr. Idelfonso Marques, ambos em 1951.

O presidente do clube, Carlos Gonçalves acertou a contratação do técnico do Arturzinho (ex-técnico do Clube Atlético Ferroviário, de Curitiba). O elenco recebeu um investimento pesado com as contratações do ex-colorado Rosinha e Tide (ex-Ferroviário).

O meia direita Odilon, bem como o ponta-esquerda Edgard vieram da Associação Esportiva Jacarezinho, onde tiveram um bom destaque. Na meia esquerda tinha o talentoso Miltinho. O médio esquerdo Dema, que brilhou por muito tempo no futebol paulista.      

O destaque era o centroavante paraguaio Acosta, que veio do River Plate, de Assunção. O jogador chegou a ser cobiçado pelo Boca Juniors (ARG). O médico do clube era o paraguaio Dr. Ayala.

FOTO: Acervo de Reinaldo José Esper

Com a comissão técnica e elenco montados, o time estava pronto para disputar o Campeonato Paranaense da 2ª Divisão de Profissionais da Zona Norte de 1951. A competição, que transcorreu em turno único, contou a com a participação de oito clubes:

Associação Atlética Cambaraense (Cambará);

Associação Esportiva e Recreativa Jandaiense (Jandaia do Sul);

Bela Vista Futebol Clube (Bela Vista do Paraíso);

Esporte Clube Recreativo Operário (Londrina);

Guarany Futebol Clube (Cambé);

Lavoura Futebol Clube (Arapongas);

Nacional Atlético Clube (Rolândia);

São Paulo Futebol Clube (Londrina).

No final, o Lavoura terminou na 3ª colocação, com 8 pontos em sete jogos: foram quatro vitórias e três derrotas; marcando 21 gols, sofrendo 12 e um saldo de nove tentos.

O campeão foi o Nacional de Rolândia, que somou 11 pontos, enquanto o Cambaraense foi o vice-campeão com 10 pontos. A campanha do Lavoura de Arapongas foi a seguinte:

28 de outubroLavoura6X3Jandaiense
04 de novembroBela Vista2X1Lavoura
11 de novembroLavoura1X0Cambaraense
18 de novembroSão Paulo3X7Lavoura
25 de novembroOperário (L)3X2Lavoura
02 de dezembroLavoura1X0Nacional *
09 de dezembroGuarany (C)1X3Lavoura

* Nacional conquistou os pontos

EM PÉ (Esquerda para a direita): Galmachi, Ayala, Limão, Job, Odilon, Russo, Miltinho e Godofredo;
AGACHADOS (Esquerda para a direita): Tostoy, Artista (Adolfo Shimika), Leônidas, Valente, Tide e Luiz Borracha.

Lavoura enfrentou o poderoso Água Verde

A boa campanha rendeu convites para jogos de ‘peso’, como o que aconteceu no domingo, do dia 27 de janeiro de 1952, quando o Lauvora Futebol Clube foi até Curitiba enfrentar o forte Esporte Clube Água Verde. No final, o time de Arapongas acabou derrotado pelo placar de 4 a 2, no Estádio Joaquim Americo, em Curitiba/PR.

O Diário da Tarde (PR), assim fez a seguinte crônica do jogo:

– Não houve afinal de contas nada de novo na exibição do Lavoura. E para usarmos mesmo de uma franqueza, talvez rude, é forçoso reconhecer, ele nos pareceu um team medíocre e nada mais que isso. Individualmente vivendo dos esforços isolados de quatro ou cinco elementos, os mais categorizados do onze Valente. Donezzo, Rosinha e Acosta.

E só isso, repetimos. Nem um milímetro mais. Lamentável e decepcionante. Tide, de quem se dizia maravilhas, não rendeu nada além daquilo que se sabia como possibilidades normais. Elemento bisonho e sem maiores recursos, e em cujo setor tanto Belmonte como Cezar Frizzio passearam a inteiro gosto.

E disso um prélio fraco e despido de maior interesse em que o Água Verde dominou a seu bel prazer, “bateando” em muitos instantes sem sombras de resistência maior ou melhor definida. Aliás, o alviceleste reapareceu esplendidamente. Principalmente porque não se surpreendeu ao primeiro embalo do adversário, deixando, antes, passar o seu “fogo” para depois dominá-lo segura e suficientemente, e em razão do que marcou a vantagem nítida de 4 a 2.

SELOU, CARIMBOU E SACRAMENTOU…

E em consequência: O Água Verde selou, carimbou e sacramentou uma ascendência técnica a que não tem limites e nem paralelos. Não foi por nada que triunfou lá mesmo em Arapongas por 5 a 3. O seu quadro é evidentemente muito melhor e o seu padrão de jogo mais efetivo, mais consistente e mais articulado.

Também individualmente os seus jogadores são muito melhores, o que de resto dispensa maiores comentários. A esperada revanche, portanto, deixou de existir. E decisivamente o Água Verde cristalizou a sua vantagem e o potencial maior do seu conjunto.

PEQUENO O PÚBLICO CONSPIROU O TEMPO

E para um jogo assim fraco também foi o público Assistência pequena e disso renda mínima de Cr$ 12.909,00. Muito pouca e que veio estabelecer um prejuízo para o alviceleste, que terá de arcar com um total de pelo menos 15 mil cruzeiros.

Diga-se não obstante, à guisa de referência, apenas, que o mau tempo conspirou. Ameaçando chuva desde cedo, afastou da cancha, inegavelmente, grande parte da torcida.

OS TENTOS DO ENCONTRO

A contagem foi aberta aos 16 minutos de jogo, posteriormente a um pelotaço de Odilon no travessão superior. Houve na recarga uma falta na entrada da área, cobrando-a Rosinha precisão absoluta para assim marcar o tento que viria a ser o único dos seus.

O empate do Água Verde nasceu aos 26 minutos, assinalando Cezar Frizzio, de cabeça ao escorar um centro de Tibica, na cobrança de uma falta. Tento característico do atacante alviceleste. O desempate nasceu ainda por intermédio de Cezar, aos 36, culminando o mesmo Cezar no rebate de Mario, numa disputa com Belmonte, 3 a 1. E finalmente aos 41 minutos, aproveitando-se Belmonte de uma “furada” espetacular Tide.

Na etapa complementar, Paulinho ampliou para 4 a 1, aos 8 minutos e Miltinho diminuiu aos 26, cobrando uma penalidade máxima concedida por Barbosinha.

FIGURAS DESTACADAS DO JOGO

Individualmente, Rubio, Barbosinha, Belmonte e Cezar Frizzio foram os melhores do Água Verde. No lado do Lavoura os mais esforçados foram Valente e Donezzo. Os outros entre regulares, fracos e muito fracos.

OUTROS DETALHES DO ENCONTRO

Na preliminar entre os quadros do Operário do Ahú e do Madureira, o primeiro venceu pelo alto escore de 4 a 1. Vantagem nítida do melhor quadro em campo.

A arbitragem esteve a cargo do sr. Benedito Souza Lima, da Segunda Divisão Extra de Profissionais. Conduta regular, prejudicada por lances em que beneficiou os infratores.

Os quadros que atuaram com os seguintes atletas:

LAVOURA: Mario; Tide (Louro) e Leonidas (Tide); Ayala, Valente e Dema; Rosinha, Odilon (Edgard), Acosta, Miltinho e Donezzo. Técnico: Arturzinho.

ÁGUA VERDE: Vadico;Rubio e Nhoca; Tibica (Mario), Ítalo (Salim) e Barbosinha; Didico, Mario (Pó), Belmonte, Cezar e Paulinho (Valdomiro). Técnico: Mario Rosseto.

A Federação Paranaense de Futebol (FPF) concedeu filiação em caráter extraordinário o Lavoura, na segunda-feira, do dia 20 de setembro de 1954.

Time base de 1949: Turco; Adair e Carioca; Ditinho, Baianinho e Bauru; Milton, Isac, Atacilio, Antoninho e Vadico.

ARTE: desenho dos escudos e uniformes – Sérgio Mello

FOTOS: Página no Facebook “Acervo Futebol Paranaense de Profissionais” – Acervo de Reinaldo José Esper

FONTES: Rsssf Brasil –Diário da Tarde (PR) – A Tarde (PR) – Paraná-Norte (PR)

Foto rara de 1958: Estrela Futebol Clube – Miguel Pereira (RJ)

Por Sérgio Mello

Modelo de 1958

Estrela Futebol Clube é uma agremiação da cidade de Miguel Pereira, situada na região Centro-Sul Fluminense (Vale do Café), a cerca de 120 km da capital do estado do Rio de Janeiro. Localizada na Serra do Tinguá, com uma população de 25.582 habitantes (segundo o Censo do IBGE/2020), a aproximadamente 618 metros acima do nível do mar, a cidade é conhecida por seu clima ameno e como estância climática.

Guarda a lembrança e o privilégio de ter sido o 1º clube de futebol da vila, justamente durante os anos em que ela perdia a denominação de município de Estiva para se transformar em Professor Miguel Pereira (atual: município de Miguel Pereira).

Foi Fundado na terça-feira, do dia 04 de setembro de 1928, o Estiva Atlético Clube, homenagem ao antigo nome da cidade, graças à união de uma humilde, porém significativa parcela da população da vila, na qual destacavam-se comerciantes, ferroviários e criadores de gado, o clube.

Então sem sede, estatutos e sem dinheiro, representado unicamente por vinte e poucos jogadores de futebol que desejavam medir forças com o Portela Atlético Clube – conseguiu motivar e arregimentar para os seus quadros alguns dos mais expressivos nomes da localidade na época, como: Bonifácio de Macedo Portella, Aurélio Barile, Geraldino Caetano da Fraga (Dino), Nagib Ahouage, Rigoletto Cristofaro e Manoel “Manduca” Bernardes Sobrinho, todos muito preocupados com a ausência daquele esporte no lugar e, certamente, roídos por uma justificável inveja ao ver a ascensão do Portela Atlético Clube na região.

Durante dois anos (1930), reinou no recém-batizado município de Miguel Pereira uma forte unanimidade em torno do Estiva Atlético Clube (na década de 30, os jornais cariocas denominavam como: Estiva Football Club), até porque seus próceres assim deviam agir em contraposição direta ao prestígio portelense.

Assim, naquele ano, os mais influentes conselheiros do Estiva Atlético Clube indicaram para o ambicionado cargo a senhorita Conceição Setúbal Ritter, irmã do Dr. Oscar Setúbal Ritter, médico que frequentava Miguel Pereira com assiduidade e que também exercia um cargo na direção daquela agremiação.

Modelo atual

Escolha do nome da Madrinha gerou um ‘racha

Em 1930, porém, uma incontornável divergência, envolvendo a escolha da madrinha do clube, dividiu seus dirigentes. A situação mostrou-se muito delicada, visto que o cargo de madrinha possuía uma dimensão social extraordinária naqueles tempos de pioneirismo, sendo bastante ambicionado pelas senhoritas da localidade, até porque havia entre os desportistas um acordo tácito de anualmente renová-lo, dando assim oportunidade para que outras jovens da vila ocupassem um posto tão prestigioso.

Esse choque de interesses provocou um desacordo irremediável nas hostes do Estiva Atlético Clube, mesmo porque os demais dirigentes eram tão teimosos quanto o próprio Manduca.

Fachada da Sede com o escudo do Estrela F.C.

Tal ‘racha’ fez nascer o Miguel Pereira Atlético Clube

Tal escolha causou um profundo desagrado à numerosa família Bernardes, comandada por Manoel Francisco Bernardes Sobrinho, o Manduca, que já demonstrara o desejo de ver sua filha, Maria Ramos Bernardes, a Mariquita, ocupando solenemente aquela função social na cidade. Além do mais, a primeira indicação fora feita à revelia dos Bernardes, e Manduca, seu respeitado patriarca, jamais aceitaria uma imposição de tal natureza.

O conflito durou alguns dias e os dois lados não abriam mão de suas intransigentes posturas pessoais. Assim, quando o nome de Conceição Setúbal Ritter foi plenamente referendado em Assembleia Geral do Estiva, os Bernardes rebelaram-se em definitivo.

A primeira providência de Manduca foi reunir em sua residência os homens que o haviam apoiado em sua decisão de se desligar do Estiva Atlético Clube e alguns outros convidados especiais, cujo prestígio na vila pudesse manter viva a sua ideia. Lá compareceram Calmério Rodrigues Ferreira, o Juju, e seus irmãos Adalvet (Vevete) e Alzino Tintas, Felipe Carvalho, Dr. João Alberto Masô, Antônio Ferreira Real, Domingos Leitão, Francisco Peralta, Daniel Bernardes e dezenas de outros solidários amigos. Após a reunião foi decidido fundar o Miguel Pereira Atlético Clube no sábado, do dia 26 de abril de 1930.

Estrela F. Club inaugura o seu campo em 1930

No domingo, do dia 14 de dezembro de 1930, aconteceu a inauguração do campo do Estiva F. Club. O Correio da Manhã assim escreveu o evento: “Às 8 horas foi recebida na estação pela directoria, seus associados e famílias da localidade, a embaixada do Humayta Football Club, do Rio de Janeiro.

Há 1 hora o dr. Soares Filho, em nome da directoria, em discurso, fez entrega da fita a senhorita Conceição Bernardes Pinheiro, madrinha do club, que num improviso, agradeceu.

Às 2 horas realizou-se o encontro dos segundos teams do Humayta F. C., e Estiva F. C., com o resultado de 2 x 1 a favor do club visitante.

Às 8 1/2, teve início o encontro dos primeiros teams dos clubs acima, que depois de uma peleja deslumbrante, terminou por um empate de 3 x 8.

Às 5 horas foi servido uma mesa de doces ao club visitante e demais jogadores e aos convidados, falando nessa occasião o dr. Araujo Lima, que em nome da directoria, agradeceu aos convidados”.

Estiva enfrentou o Combinado Haddock Lobo Football Club

No domingo, do dia 26 de novembro de 1933, o Estiva Football Club enfrentou o Combinado Haddock Lobo Football Club. O Jornal do Commercio assim descreveu o encontro: “Afim de enfrentar, Estiva F. Club, de Miguel Pereira, partirá, para aquella localidade o Combinado Haddock Lobo Football Club.

Chefiando a embaixada seguirá o Sr. Djalma de Souza e a convite do Haddock Lobo, seguirá a embaixada do Esporte Club Guanabara. O Combinado Haddock Lobo vae conceder revanche ao Estiva, pois que já o venceu por 5 x 0.

A visita do Combinado Haddock Lobo a Miguel Pereira, coincide com o anniversario do Estiva, que tem a sua frente as esforçadas figuras dos Srs. Aurelio Barille, Bonifacio Portella e Najibe”.

Sai  ‘Estiva’ e entra ‘Estrela’

O Estiva Atlético Clube acabou alterando a sua nomenclatura para Estrela Futebol Clube, na quinta-feira, do dia 04 de abril de 1946, mantendo até os dias atuais. A sua Sede social fica localizado na Rua Francisco Alves, nº 60, no Centro de Miguel Pereira/RJ.

Time com a seguinte escalação: Manoel; Jair e Manoelito; Pedrinho, Paulo e Luiz; Jaime, Cabeção, J. Pretinho. Morici e Mário.

Estrela F.C. vence o Café Palheta F.C.

No domingo, do dia 09 de fevereiro de 1958, vibraram os torcedores simpatizantes do futebol amadorista da bela localidade de Miguel Pereira, na tarde de domingo último, com a realização do encontro entre as equipes do Estrela Futebol Clube, e a do Café Palheta Futebol Clube, do Rio.

A referida peleja agradou plenamente, a todos que compareceram ao campo dado o bom futebol posto em prática pelas duas equipes, notadamente a do Café Palheta Futebol Clube, que mesmo a despeito de ser derrotado realizou uma boa exibição, só não conseguindo um melhor resultado pela falta de pontaria dos seus dianteiros, sem que com isto se diminua o feito do conjunto local, que teve sua vitória valorizada pela atuação do adversário.

Tecnicamente as duas equipes se igualaram, entretanto quis o destino que o triunfo pendesse para o esquadrão do Estrela Futebol Clube pelo apertado escore de 3 a 2.

Grande acolhida

A delegação do Café Palheta Futebol Clube teve em Miguel Pereira uma grande acolhida, não só pela diretoria clube local como também pelos moradores locais. A caravana que acompanhou a equipe carioca foi uma das maiores já organizada pela simpática agremiação, cuja viagem foi feita pela Central do Brasil.

As duas equipes formaram com a seguintes constituições:

Estrela: Manoel; Jair e Manoelito; Pedrinho, Paulo e Luiz; Jaime, Cabeção, J. Pretinho. Morici e Mário.

Café Palheta: Aldo; Jorge e Escova; Adair, Fernandes e Walmir; Valadão, Wilson, Décio, Hélio e Hélcio.

Antecipando o encontro principal estiveram em ação as equipes de aspirantes das mesmas agremiações, encontro este que terminou com o justo empate de 2 a 2.

Sede social: Rua Francisco Alves, nº 60, no Centro de Miguel Pereira/RJ.

Outros

O Estrela ganhou o status de Utilidade Pública, no dia 13 de abril de 1962, sob o nº 19, às folhas 10/11 do Livro B.B., pela Câmara Municipal de Miguel Pereira, deliberada nº 217, no dia 30 de março de 1962, pelo então prefeito José Antônio da Silva.

Atualmente, o clube se concentra apenas no entretenimento na sua sede social, com eventos como bailes de carnaval, festas e shows. O esporte está momentaneamente sem atividades.   

ARTE: desenho dos escudos e uniformes – Sérgio Mello

FOTOS: Correio da Manhã (RJ) – Google Maps 

FONTESJornal Regional Rio – professor e historiador Sebastião Deister – Câmara Municipal de Miguel Pereira – Facebook do Estrela Futebol Clube – Jornal do Commercio (RJ) – Correio da Manhã (RJ) – Jornal dos Sports (RJ)  

Central Atlético Clube – Miguel Pereira (RJ): Fundado em 1955

Por Sérgio Mello

O Central Atlético Clube foi uma agremiação da cidade de Miguel Pereira, situada na região Centro-Sul Fluminense (Vale do Café), a cerca de 120 km da capital do estado do Rio de Janeiro. Localizada na Serra do Tinguá, com uma população de 25.582 habitantes (segundo o Censo do IBGE/2020), a aproximadamente 618 metros acima do nível do mar, a cidade é conhecida por seu clima ameno e como estância climática.

O “Tricolor Miguelense” foi Fundado no sábado, do dia 22 de outubro de 1955, tendo a sua Sede social situado na Rua General Ferreira do Amaral, nº 46, no Centro de Miguel Pereira/RJ.

Breve história

Com o inesperado desaparecimento do futebol do Miguel Pereira Atlético Clube, a cidade passou a contar tão-somente com o Estrela Futebol Clube, sendo que no 2º Distrito o Portela Atlético Clube prosseguia em sua vitoriosa trajetória. Corria o ano de 1954, e Miguel Pereira e Portela viviam a efervescência dos movimentos populares voltados para sua emancipação político-administrativa.

João Deister – que ainda jovem colaborara na construção do campo do Miguel Pereira AC em 1930 – sentiu-se órfão com o eclipse do seu clube, e instigado por amigos e pelos filhos que tanto gostavam de futebol, resolveu reunir em torno de si uma plêiade de companheiros ferroviários no intuito de fundar uma nova agremiação na cidade, cujas hostes pudessem abrigar os jogadores que não obtinham vagas no Estrela FC ou no Portela AC e que, por essa razão, no podiam praticar seu esporte favorito.

De imediato, ele atraiu para sua causa o Dr. Geraldo Soares Berford, engenheiro residente na estação de Miguel Pereira, cujo prestígio junto à direção da Estrada de Ferro lhe possibilitou conseguir uma grande área para a construção do campo de futebol do futuro clube.

Praticamente todos os ferroviários de Miguel Pereira aderiram à ideia, e dessa maneira nasceu, no dia 22 de outubro de 1955 – exatamente três dias antes da emancipação do Município – o Central Atlético Clube, designação que homenageava a ferrovia onde João “Alemão” trabalhava havia anos.

Já na primeira reunião foram aprovados os estatutos do Clube, previamente redigidos pelo fundador, e aceita a sugestão de cores para o uniforme dos times: grená, verde e amarelo.

Primeira Diretoria

A 1ª Diretoria do clube ficou assim formada:

Presidente – Maurício de Araújo Santos

Vice-presidente – Antônio Lopes de Vasconcelos

Tesoureiro – Francisco Maurício Rezende

Secretário – Luiz Ramos da Costa

Patrono – Dr. Geraldo Soares Berford.

Na foto (ano: 1973) Sebastião Deister como goleiro, a prefeita Aristolina Queiroz de Almeida e o empresário Fructuoso da Fonseca Fernandes que ainda seria prefeito da cidade de Miguel Pereira.

Demais fundadores 

Além desses nomes, outros importantes personagens participaram diretamente da fundação do Central AC, como Manoel Ferraz de Araújo, Oswaldo Lioi, Getúlio de Carvalho, José Baldez Alves de Macedo, Ernesto Vilela da Almeida, Antônio de Araújo Leitão, Mário de Figueiredo Bacelar, Walter Vieira Barbosa, José Basileu Ribeiro, Carmosino de Oliveira, Hugo Deister e Manuel de Nonno.

Desde sua criação, o Central AC passou a ocupar a vaga deixada pelo Miguel Pereira AC, inclusive na rivalidade com o Estrela e com o Portela, mas hoje restam do clube apenas as dependências do seu campo praticamente abandonado e uma grande saudade de seus gloriosos tempos, quando as arquibancadas do Estádio Dalvet recebiam centenas e centenas de entusiasmados torcedores. Os refletores do estádio foram inaugurados na quarta-feira, do dia 16 de julho de 1969.

Da esquerda para a direita: João Deister (presidente do Central AC); Carmosino de Oliveira; Dr. Muniz e ex-prefeito Nelzinho

Defenderam o Central atletas de grande prestígio na Serra, como: Mário Bacelar, Hugo, Humberto, Agostinho, Marcos, Ricardo e Tião Deister, Édson “Piau”, Chiquinho Luchesi, Agenir Rezende, Danilo Ferreira Gomes, Totonho, Alédio, Moacir, Walter, Siridó, Jorge Antônio, José Carlos, Fuzil, Paulo Lisboa, Luiz Ney, Jorge Cleber, Cacacho, Eduardo, Carlinhos Moreira, “Tampinha”, Getúlio, Adilson, Santaninha, Jorginho Alexandre, Enéas, Biluca, Paquinha, Clésio, Júlio Carlos, Armando e Aloísio Moreira, Valcir, Juquinha Fraga, Geraldo “Tôco”, “Bolão” e dezenas de outros cuja lembrança não pode jamais ser apagada dos anais de nossa rica História.

ARTE: desenho do escudo e uniforme – Sérgio Mello

FONTE E FOTOS: Jornal Regional Rio – professor e historiador Sebastião Deister

Sociedade Esportiva Columbia – Campinas (SP): Fundada em 1951

Por Sérgio Mello

A Sociedade Esportiva Columbia foi uma agremiação da cidade de Campinas (SP). Um grupo de jovens esportistas, funcionários da Cervejaria Columbia S. A., resolveram fundar na segunda-feira, do dia 25 de junho de 1951.

O clube surgiu com o apoio e incentivo de parte dos srs. Guido Franceschini, superintendente da Cervejaria Columbia S. A., Ítalo Franceschini, Orlando Satucci, Dr. Humberto Frediani e Dr. Waldemar Strazzacapра.

A Sede administrativa ficava instalada nas dependências dentro da própria Cervejaria Columbia S.A., na Avenida Andrade Neves, nº 103, no Centro de Campinas/SP. O local, contava com aparelho televisor, mesas de pingue-pongue, damas e xadrez, para recreação dos associados.

A sua 1ª Diretoria, constituída de seus fundadores, esteve integrada por:

Presidente – Ary Antunes;

Vice-presidente – Benedito Batista da Silva Filho;

Tesoureiro-Geral – Antônio F. do Amaral;

1º Tesoureiro – Carmo Della Donne;

2º Tesoureiro – Nilza Ruas;

Secretário – Nelson Marques;

1º Secretário – Geraldo Batista;

Diretor de Esportes – Décio Rocha;

Direto Social – Edmir Checchia;

Diretor de Propaganda – José Antônio Gobbi.

Títulos

Em suas conquistas tem a S. E. Columbia por galardão, o título de campeã do torneio início, do certame “Benedito Alves“, promovido pela Liga Campineira de Futebol, em 1953; bicampeã do torneio promovido pelo SESI, em 1954 e 1955; vice-campeã de voleibol, pelo torneio início do “Torneio Estímulo de Voleibol“, promovido pela Liga Campineira de Voleibol, realizado em 1953.

Em diferentes épocas (anos 50 e 70), a S. E. Columbia organizava provas de Pedestrianismo como a “Prova Pedestre Mossoró” e a “Prova dos Garçons“, despertando grande interesse dos esportistas e público locais.

Diretoria de 1957 era composta por: Orlando Pavan (Presidente); Geraldo Batista (Vice-Presidente); José Antônio Gobbi (Secretário-Geral); Antônio Barreto (1º Secretário); Arlindo Chiavegatto (Tesoureiro-Geral); Arsênio da Silva Carvalho ( Tesoureiro); Gilberto Christ dos Santos e Isaias Gobbi (Diretores de Esportes); Amadeu Ceregatti (Diretor Social); José de Carvalho Marcelino (Diretor de Patrimônio).

A Sociedade Esportiva Columbia mandava os seus jogos no campo do Mogiana, em Campinas/SP. O dirigente do clube, Benedito Batista da Silva Filho foi Presidente da Liga Campineira de Atletismo em 1955, e depois presidiu a Liga Campineira de Futebol.

Gazeta Esportiva, 19 de abril de 1955

Empatou em Descalvado a S. E. Columbia

A Gazeta Esportiva assim contou a história do jogo: “No domingo, do dia 10 de julho de 1955, aproveitando a folga que lhe proporcionou o Campeonato Amador de Campinas, a S. E. Columbia foi até a cidade de Descalvado, e arrancou um empate em 3 a 3.

Após os 90 minutos de luta, o marcador registrou igualdade com Juquinha, Vambi e Tito assinalado para os rubro-verdes (em outra matéria citou que o time era alviverde).

Jogaram assim formados os campineiros: Luiz; Nei e Ditão; Tito (Sidney), Gastão e Plinio (Tito); Semedo, Vambi, Juquinha, Luizinho e João Rosa (Plinio). Por nosso intermédio, os “Columbinos” agradecem os serviços prestados pelo dr. Ueber Teixeira, que acudiu o arqueiro Luiz, quando da sua contusão”.

Gazeta Esportiva, 21 de julho de 1955

Colaborou: Moisés H G Cunha

ARTE: desenho dos escudos e uniformes – Sérgio Mello

FOTOS: Acervos de Dilson Rocha, o ‘Rochinha’ (ex-jogador do Columbia) – Claudio Aldecir Oliveira (1956)

FONTES: Dilson Rocha, o ‘Rochinha’ – Álbum Futebolístico de S. Paulo – A Tribuna (SP) – A Gazeta Esportiva (SP)

Escudo dos anos 60: Associação Beneficente Cultural e Recreativa dos Marítimos – Corumbá (MS)

Década de 60

A Associação Beneficente Cultural e Recreativa dos Marítimos foi uma agremiação da cidade de Corumbá (MS). A sua Sede ficava localizada na Rua Treze de Junho, nº 1.519, no Centro da cidade de Corumbá. O clube Alvianil foi Fundado no sábado, do dia 18 de Agosto de 1951.

O seu mascote era o Marinheiro Popeye, enquanto os seus jogos eram realizados no Estádio Artur Marinho, com capacidade para 15 mil pessoas. Participou do Campeonato Sul-Mato-Grossense da 1ª Divisão, em quatro oportunidades: 1995, 1996, 1997 e 1998. Até os anos 70 era o clube mais popular de Corumbá, fronteira com a Bolívia, onde foi Pentacampeão do Campeonato Citadino:  1954, 1955,1956, 1957 e 1958. Na década de 60 outros dois títulos: 1960 e 1962..

Em pé da esquerda para a direita: Juvenal, Tuta, Pierre, Aurélio, João Luiz, Cacique, Gilson, Zelão,  Adalberto (técnico), Mário e Jorge “Cachaço”. Agachados na mesma ordem: Celi (massagista), Jair “Pagodeiro”, Armindo, Edeni, Adão, Calixto, Mário Fernandes, Moreira e Zé de Oliveira (preparador físico).

Disputou o Torneio Inter-clubes do Mato Grosso em 1962. Depois participou do Torneio dos campeões do Estado em 1965, Campeonato Matogrossense de Amadores em 1966 e 1968 (neste período não havia estadual, sendo substituídos por estes Torneios Estaduais organizados pela FMD). Disputou o Campeonato Estadual Mato-grossense de 1975 (antes da divisão do estado). Disputou quatro campeonatos Sul-mato-grossense de 1995 até 1998.

Acervo de”Memórias de Corumbá”


FONTES & FOTO: Revista Placar – Correio de Corumbá – Página do Facebook “Memórias de Corumbá”

Foto rara de 1963: Seleção de Corumbá de Futebol – Corumbá (MS)

A Liga de Esportes de Corumbá (LEC) é a entidade máxima da cidade de Corumbá, que fica localizado a 415 km da capital de Campo Grande, no estado de Mato Grosso do Sul. Corumbá conta com uma população de 96.268 habitantes, segundo o censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2022. O nome da cidade vem do Tupi-guarani (Korü’ba) que significa ‘Banco de Cascalho’

A LEC (Liga de Esportes de Corumbá) foi fundada na sexta-feira, do dia 04 de julho de 1941. A sua Sede fica no Estádio Municipal Arthur Marinho, situado na Rua Delamare, 1.958-2.118, no bairro Dom Biosco, em Corumbá/MS.

Seleção de Corumbá em 1963, em Aquidauana/MS
EM PÉ (esquerda para a direita): Queite, Garrafinha, Tachi e Lara. AGACHADOS (esquerda para a direita): Arionor, Vandir, Nelson, Judson, Adalberto e Cuiabano.

FOTO: Página no Facebook “Memórias de Corumbá”, do acervo de Milton Evangelista

ARTE: desenho do escudo e uniforme – Sérgio Mello

FONTE: Minhas anotações

Escudo raro de 1960: Teresópolis Futebol Clube – Teresópolis (RJ)

Por Sérgio Mello

O Teresópolis Futebol Clube é uma agremiação da cidade de Teresópolis, situada na Região Serrana do estado do Rio de Janeiro. Localizado a 94 km da capital do Rio, Teresópolis possui uma população de 165.123 habitantes, segundo o Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2022.

O “Tricolor do Alto” foi Fundado no sábado, do dia 04 de Abril de 1915. O clube possui estádio próprio, chamado Antônio Savattone, com capacidade para 8 mil pessoas, situado na Rua Ernesto Silveira, no bairro Nossa Senhora de Fátima, em Teresópolis/RJ.

As cores foi uma homenagem ao Fluminense

Por causa de uma tragédia ocorrida na cidade, em 9 de março de 1930, o Tricolor Carioca veio à Teresópolis disputar o Troféu Cidade de Therezopolis, onde saíram vitoriosos pelo placar de 5 a 1.

Na volta ao Rio de Janeiro, quando o trem da Estrada de Ferro Therezopolis, conduzindo o time do Fluminense, descarrilhou na serra morrendo no acidente oito passageiros, entre eles o zagueiro gaúcho Jorge Tavares, o ‘Py’.

O União adotou as cores do tricolor carioca, atitude que levou os jogadores do bairro do Alto, dispersos em dois times – o outro era o Teresópolis – a repensar a rivalidade que havia entre eles, quando decidiram se juntar, dando um as cores da camisa e o outro o campo, desde 1915 na rua Ernesto Silveira, 10.

Superando o abalo emocional que atingiu todos os esportistas da época, o Fluminense honrou a gloriosa camisa tricolor, e ainda conseguiu terminar o Campeonato Carioca daquele ano na 6ª posição.

Criado no bairro do Alto, com campo na rua Alfredo Rebello Filho, pomposamente denominado estádio Jorge Pereira da Silva, havia nos anos 1920 em Teresópolis um time de futebol chamado “União”, que usava camisa azul (antigo nome do clube), resolveu mudar as cores para o verde, branco e grená.

Clube recebe doação de terreno

No período 1959-1962, em que foi prefeito Omar Magalhães, o bairro do Alto tinha quatro vereadores. Além de Diogo Ponciano, Luiz Moura, Alfredo Rebello e Wilson Martins, surgiu na Câmara um quinto vereador do Alto, o empresário e desportista José Pimentel, segundo suplente que alcançou o mandato com a providencial licença dos vereadores Roberto Péricles e Juel Teixeira, aliados do prefeito.

A ascensão de empresário Zeca Pimentel à Câmara se deu, especificamente, para o projeto de doação ao Teresópolis Futebol Clube do terreno no bairro do Alto, que havia sido recebido em doação do latifundiário urbano Joaquim Rollas, somando forças para a realização os demais vereadores do bairro. A União, mais uma vez se fazia presente no time que tem a palavra na origem de seu nome.

Estádio

Evento cívico realizado no campo do Teresópolis F.C. As arquibancadas que recebiam grande público, ainda estavam em obras.

O União fez a força do Teresópolis, dando ao Alto um time de futebol à altura do bairro, e da cidade. E a união levou a outro sítio histórico do Teresópolis Futebol Clube: a sua arquibancada. Erguida sobre a estrutura dos vestiários feitos pela empresa Enarc, contratada pela direção do TFC em 1961, assim que ocorreu a doação do terreno ao clube pela Prefeitura, a construção da arquibancada do TFC aconteceu por empenho de alguém que é um ícone do futebol brasileiro, Heleno de Barros Nunes, ilustre morador da nossa cidade, no bairro do Fischer, e que dá nome à concentração da Seleção Brasileira na Granja Comary, propriedade que adquiriu quando foi presidente da CBF, à época chamada CBD.

Deputado eleito com boa votação em Teresópolis, Heleno era secretário de Energia Elétrica do Estado e viu a possibilidade de a Seleção Brasileira treinar em nossa cidade, daí promovendo uma reunião, no Bar Fluminense, na esquina ao lado da Prefeitura, onde foi decidido o providencial melhoramento no clube.

Presidente do Conselho Nacional dos Desportos, CND, outro apaixonado por Teresópolis, o brigadeiro Gerônimo Bastos conseguiu 10 milhões, em moeda da época. O prefeito Flávio Bortoluzzi deu a mão de obra, da Prefeitura; Valinhos, que era gerente da empresa que fazia a construção do trecho Teresópolis-Além Paraíba da BR-116, deu todo a pedra e a areia; o Heleno arranjou o cimento com a fábrica que conhecia o dono e, na mesma semana, foi iniciada a obra, ficando pronta para o jogo amistoso da Seleção Brasileira com o América, do Rio de Janeiro, jogando no gramado do Teresópolis os maiores ídolos do futebol da época, e de todos os tempos: Pelé e Garrincha”, conta o radialista Ayrton Rebello, que ajudou a organizar a reunião.

Naquele tempo não havia fartura de dinheiro no futebol e tudo era feito com muito sacrifício. Os jogos treinos da Seleção Brasileira, que ocorreram também em Nova Friburgo e Niterói, tiveram a renda de portaria revertida para o Teresópolis, recursos que serviram, também, para pagar a estada dos jogadores no hotel Pinheiros, custeando ainda o hotel Várzea, onde ficaram hospedados por conta dos organizadores do evento da concentração os órgãos de imprensa.

Com tanta gente ajudando ainda sobrou dinheiro e os 6 milhões que não foi gasto serviu para a construção da cobertura da arquibancada, feita depois”, completa o radialista, que foi dono da rádio Teresópolis, período em que a emissora que fez 77 anos no último dia 1 de junho se chamava “Jovem Tê”.

Conhecido por ter sido um dos palcos da Seleção Brasileira (com gramado pisado por Pelé e Garrincha) e por sua história ligada ao desenvolvimento esportivo local.

Teresópolis começou realizando amistosos, posteriormente com o surgimento da Liga Teresopolitana de Desportos (LTD), em 15 de setembro de 1939, acabou ingressando para disputar o Campeonato Citadino de Teresópolis.

Disputou duas edições do Campeonato Fluminense em 1941 e 1944. Esteve presente no III Campeonato Fluminense dos Campeões de 1962. Em 1989, o “Tricolor do Alto” estreou na esfera profissional, no Campeonato Carioca da 3ª Divisão, quando terminou na última colocação (seis pontos em 16 jogos: duas vitórias, dois empates e 12 derrotas; marcando nove gols, sofrendo 30 e um saldo negativo de 21).

A 1ª vitória, aconteceu na 3ª rodada, no domingo, do dia 9 de julho de 1989, quando o Teresopolis bateu, em casa, o Esporte Clube São João (São João da Barra), pelo placar de 3 a 0. Retornou em 2001, ficando em 4º lugar. Em 2003, o Teresopolis ficou em 1º lugar no Grupo D. Na fase seguinte, avançou na 3ª colocação, para a fase final com o Mesquita, Campo Grande e Três Rios. Porém ficou na 4ª posição e não conseguiu o acesso.

Atualmente, o clube enfrenta problemas com a retomada de seu campo pela prefeitura devido a usos inadequados e tentativas de negociação do terreno, culminando em sua desfiliação da FERJ em 2023, com o clube buscando revitalizar seu patrimônio e tradição. Em razão de dívidas, a equipe deixou o âmbito profissional e só voltou em 2001.

Após campanhas ruins na Terceira Divisão do Carioca, em 2006, o time participou de uma fase preliminar da Série B e conquistou o direito de disputar a Segundona. Entretanto, teve de disputar na justiça o direito de jogar a competição, fato que ocorreu em 2008. Em 2011, o clube conseguiu uma de suas melhores campanhas na competição. Entretanto, acabou rebaixado e chegou à quarta divisão do Rio.

Time do Teresópolis Futebol Clube reunido para um registro histórico durante uma partida realizada em seu estádio. No detalhe a criança que aparece como mascote é o radialista Ayrton Rebello.

Algumas formações:

Time base de 1958: Didi; Francisco e Rolando; Zequinha, Paulo e Alípio; Milton (Cláudio), Carlos, Zeca, Turuca e Gonzales.

Time base de 1968: Hélio; Genoir, Nezio, Zé Carlos e Léo; Chocolate e China; Nanando, Hélio II, Walter Museu e Daniel.

Time base de 1986: Amós; Marcinho, Sued, Almir e Tímica; Mané (Rita), Cana e Luiz Fernando; Magrinho, Cacá e Neném.

ARTE: desenho do escudo e uniforme – Sérgio Mello

FOTOS: Acervo de Ayrton Rebello

FONTE: Página do clube no Facebook – Portal Multiplix – NetDiário – Última Hora (RJ) – Correio da Manhã (RJ) – Revista O Malho (RJ) – Rsssf Brasil – O Fluminense (RJ)

Escudo raro de 2003: Miramar Esporte Clube – Cabedelo (PB)

Por Sérgio Mello

O Miramar Esporte Clube é uma agremiação do município de Cabedelo, da Região Metropolitana de João Pessoa, do estado da Paraíba. Localizado a 18 km da capital paraibana, conta com uma população de 69.773 habitantes, segundo as estatísticas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2021.

O “Alviverde Praieiro” ou “Tubarão do Porto de Cabedelo” foi Fundado no dia 28 de março de 1928, por Antônio Sálvio de Azevedo, conhecido como “Menininho”; Pedro Toscano Pinho; Augusto Gomes Viana; João Balduino Silva; Niltinho Custódio e Pedro Costa

A sua Sede fica localizada na Rua João José Viana, s/n, no Centro de Cabedelo/PB. No início dos anos 50, o time mandava os seus jogos na cancha Carlos Teles, no bairro praiano de Ponta de Matos. Já em meados de 50, jogava no Estádio Nivan Costa, no bairro Jardim Miramar.  

Atualmente, embora possua um estádio próprio, o Francisco Figueiredo de Lima, com capacidade para 5 mil pessoas, porém não é utilizada em decorrência de sua frágil infraestrutura.

Miramar goleou time argentino

Uniforme de 2003

No domingo, do dia 18 de fevereiro de 1951, o Miramar Esporte Clube enfrentou, em amistoso, o Combinado de tripulantes argentinos dos navios “Campero” e “Lancero”. Na ocasião, o time cabedelense goleou pelo placar de 5 a 1. O jornal O Norte assim descreveu o amistoso internacional:

Em geral os navios de nacionalidade argentina que transitam por Cabedelo, possuem a bordo quadros de futebol, demonstrando do desta maneira, o amor que os platinos têm ao belo esporte inglês.

Por isto, já se tornou comuns as disputas de partidas amistosos entre os filhos da terra de Peron com os times cabedelenses cabendo, no entanto, ressaltar, que muitas das vezes os argentinos têm levado a melhor nas lutas travadas nos gramados de Cabedelo.

No domingo, os simpatizantes do futebol. presenciaram movimentada e interessante partida entre o Miramar e um combinado, composto de tripulantes dos navios “Campero” e “Lancero”, surtos no nosso ancoradouro externo, tendo o campeão cabedelense vencido a pugna pelo escore de 5 a 1.

A partida estava esperada com certa ansiedade, porque da última visita do “Campero”, o seu time quase surpreendeu o Miramar. Desta vez, porém, o alviverde se apresentou mais arregimentado conseguindo impor a sua classe sobre os nobres visitantes.

O Miramar de Francisco Figueiredo de Lima, formou assim: Besourinho; Regel e João Viana; Cicero, Fonseca e Geraldo; Zé Viana (Oliveira), Aurelio, Enivaldo (Didi), Primeiro e Regi.

Os gols foram assinalados por Regi (três vezes), Aurelio e Oliveira (um tento cada). Apitou a partida um tripulante argentino, cuja atuação foi uma verdadeira lição de arbitragem demonstrando acerto e segurança nas suas decisões. Durante os 90 minutos de jogo, reinou a maior camaradagem e educação esportiva entre argentinos e brasileiros”.

Miramar fica com o título do Torneio Início de Cabedelo de 1952

No domingo, do dia 24 de agosto de 1952, no estádio Carlos Teles, no bairro praiano de Ponta de Matos, onde foi realizado o Torneio Início, colegiado pela Organização Desportiva Cabedelense (ODC). O evento contou com um numeroso público.

Na 1ª partida, entre Náutico e Santa Cruz, foi vencida pelo ‘Tricolor de Camalaú’ pelo escore de 2 a 0. No 2º jogo, o Miramar goleou o Conferentes pelo placar de 5 a 1.

Na 3ª peleja, que foi considerado o melhor do torneio, o Arsenal fez uma bela exibição, porém acabou derrotado pelo poderoso Portuários por 2 a 0. Na semifinal, o Miramar venceu, sem sustos, o Santa Cruz pelo placar de 3 a 0.

Na grande final, Miramar e Portuários mediram forças para definir o campeão! Os dois arqueiros foram bastante exigidos durante o jogo. Faltando cinco minutos para o termino da peleja, uma falta marcada pelo árbitro Cipriano, gerou protestos do capitão Vanderlei Amorim, dos Portuários e também nas arquibancadas com atitude de torcedores exaltados de ambos os clubes.

A confusão foi instalada e os jogadores dos Portuários se retiraram de campo, desistindo de continuar o jogo. Com isso, o Miramar foi declarado campeão, com o Portuários Esporte Clube (o alvinegro foi fundado no domingo, do dia 28 de outubro de 1951) ficando em segundo lugar e o Santa Cruz Esporte Clube, fechando o pódio, na 3ª posição.  

Em 1952 (que se encerrou em abril de 1953), já sob a chancela da Liga Desportiva Cabedelense (LDC), o Miramar se sagrou campeão de forma invicta. O Portuários terminou com o vice-campeonato de Cabedelo. O Arsenal ficou na 3ª colocação.

Escudo atual

Campeão Paraibano da Série B

Após anos competindo no campeonato citadino, o Miramar Esporte Clube faturou o seu 1º título na esfera profissional. No Campeonato Paraibano da 2ª Divisão de 2001, o “Alviverde Praieiroconquistou, de forma invicta, o título. Em seguida, participou de cinco edições do Campeonato Paraibano da 1ª Divisão: 2002, 2003, 2004, 2011 e 2015, sendo vice-campeão da Copa Paraíba.

Já no Estadual (2004), o Miramar acabou na 9ª e última colocação (foram quatro pontos em oito jogos: uma vitória, um empate e seis derrotas; marcando 10 gols, sofrendo 23 tentos e um saldo negativo de 13), resultando no rebaixamento para o Estadual da Segunda Divisão.

Após cinco temporadas ausente, o “Tubarão do Porto de Cabedelo” retornou à ativa em 2010, a fim disputar o Campeonato Paraibano da 2ª Divisão, e foi promovido com o vice-campeonato, junto com o CSP (campeão).

No entanto, no seu retorno à Primeira Divisão de 2011, com a presença de 10 clubes, o Miramar não foi bem e amargou a lanterna (foram quatro pontos e 18 jogos: quatro empates e 14 derrotas; 16 gols pró, 50 tentos contra e um saldo negativo de 34), sendo rebaixado.

De volta a Segundona de 2012, o Miramar ficou no Grupo Litoral, composto por quatro equipes (Desportiva Guarabira, Santa Cruz e Sport Campina). O “Alviverde Praieiro” ficou na 2ª posição, avançando para a Fase Final.

No quadrangular derradeiro (Atlético-PB, Cruzeiro-PB e Desportiva Guarabira), o Miramar não foi bem terminando em 4º lugar. O clube se ausentou no ano seguinte, retornando em 2014.

O Estadual da 2ª Divisão de 2014, contou com a participação de 11 clubes, divididos em três grupos (Agreste, Litoral e Sertão). Pelo Grupo Litoral, o campeão foi o Lucena Sport Club. Apesar ter ficado em 2º lugar, o Miramar avançou para o Triangular Final.

Após quatro rodadas, o Lucena Sport Club ficou com o título, enquanto o Miramar ficou com o vice-campeonato da Segundona. Com isso, o “Tubarão do Porto disputaria novamente a divisão principal do futebol paraibano em 2015.

Porém, na Elite do Futebol Paraibano, o Miramar voltou a decepcionar, terminando na 10ª e última colocação (foram cinco pontos em 18 jogos: uma vitória, cinco empates e 15 derrotas; marcando 12 gols, sofrendo 40 e um saldo de menos 28), sendo rebaixado.

Em 2016 e 2017, o time fez uma campanha ruim na Segundona, terminando em ambos, em último na sua chave. Em 2018, acabou se ausentando e retornando em 2019. Porém, o Miramar fez uma péssima campanha e acabou rebaixado para o Campeonato Paraibano da 3ª Divisão.

Com a pandemia da Covid-19, a competição só se realizou em 2021, mas o Miramar não participou. Retornou na Terceirona de 2022, com quatro equipes, lutando por duas vagas de acesso. Mas o somou apenas um ponto e ficou pelo caminho.

Campeão Paraibano da Terceira Divisão

Após ausência no ano seguinte, o Miramar voltou com uma postura. O Campeonato Paraibano da 3ª Divisão de 2024, contou com a presença de quatro equipes: Socremo Serrano, Sabugy, FEMAR e Miramar.

Na 1ª Fase, o “Alviverde Praieiro” ficou na 2ª colocação (seis pontos em três jogos: duas vitórias e uma derrota; marcando cinco, sofrendo quatro e um saldo de um gol), só atrás do Socremo Serrano que somou nove pontos.

O regulamento determinava que a final entre o primeiro e segundo lugares, fosse em um jogo com o mandando de campo para o time de melhor campanha.

No domingo, do dia 15 de dezembro de 2024, às 16h30min., o Socremo Serrano recebeu o Miramar, no Estádio Inácio José Feitosa, o ‘Feitosão’, em Monteiro/PB. Após empate no tempo normal em 1 a 1, a decisão foi para os pênaltis, e o Miramar teve mais ‘sangue frio’ e bateu o seu oponente por 4 a 3, ficando com o inédito título.

Esse ano, no Estadual da 2ª Divisão de 2025, fechou a Primeira Fase na 4ª posição, garantindo vaga nas Quartas de Final. Apesar de jogar em casa, o Miramar acabou goleado pela Desportiva Guarabira por 4 a 1, e acabou dando adeus ao sonho de retornar à Primeira Divisão.  

Algumas formações da década de 50

Time base de 1951: Besourinho; Regel e João Viana; Cicero, Fonseca e Geraldo; Zé Viana (Oliveira), Aurelio, Enivaldo (Didi), Primeiro e Regi. Técnico: Francisco Figueiredo de Lima.

Time base de 1952: Ives (Manguzá); Regel e Natanael; Cicero, Pihino (Soares) e Magalhães (Geraldo); Regi (Nelson), Betinho (Teles), Paraíba (Prazeres), Tota (Bombeiro) e Aurelio (Zé Viana). Técnico: Francisco Figueiredo de Lima.

Time base de 1953: Manguzá; Geraldo (Paraíba ou Betinho) e Regel (Galego); Soares, Pihino (Neco) e Cicero (Biu); Zé Viana (Joãosinho), Prazeres (Aurélio), Tota (Nelson), Bombeiro (Samuca) e Regi. Técnico: Francisco Figueiredo de Lima.

Time base de 1954: Regis; Cicero e Xexéu; Graça, Onildo e Valdomiro; Pihino, Regel, Joel, Prazeres e Edgard.

Time base de 1955: Moribundo; Leca e Galego; Nido (Cicero), Garça e Ivanildo; Regel, Prazeres, Renato, Onildo e Joel.

Time base de 1956: Milson (Aldemir); Aluilce (Guilherme) e Nordio; Joubert, Walter (Fernando) e Antônio; Dez (Chiquinho), Miluca (Tartaruga), Huguinho (Petronio), Demostheres, Cacabeiras e Djair (Binha). Técnico: Vicinho.

ARTE: desenho dos escudos e uniformes – Sérgio Mello

Colaborou: Adeilton Alves

FOTO: Mercado Livre

FONTES: site do clube – Rsssf Brasil – Bola n@ Área – O Norte (PB)