{"id":988,"date":"2008-02-03T12:08:57","date_gmt":"2008-02-03T15:08:57","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.soccerlogos.com.br\/2008\/02\/03\/a-excursao-invicta-do-america-carioca-pela-america-do-sul-em-1948\/"},"modified":"2016-04-02T11:45:19","modified_gmt":"2016-04-02T14:45:19","slug":"a-excursao-invicta-do-america-carioca-pela-america-do-sul-em-1948","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=988","title":{"rendered":"A Excurs\u00e3o Invicta do Am\u00e9rica Carioca pela Am\u00e9rica do Sul em 1948!!!"},"content":{"rendered":"<p>[img:America_Futebol_Clube_de_Tres_Rios_RJ.gif,full,centralizado]<\/p>\n<p>Para os sofridos torcedores americanos um alento&#8230;.<\/p>\n<p>Dezenove anos ap\u00f3s a memor\u00e1vel excurs\u00e3o ao Prata, voltou o Am\u00e9rica, em princ\u00edpios de 1948, a sair em busca de novas gl\u00f3rias no exterior. Dessa vez, seu destino foi a costa do Pac\u00edfico, que se transformou em cen\u00e1rio de um dos mais expressivos feitos do futebol de nosso clube.<br \/>\n\u00c9 preciso que se esclare\u00e7a, antes de tudo, que a comitiva rubra saiu do pa\u00eds sem o aval da confian\u00e7a da imprensa guanabarina. Para os homens da cr\u00f4nica esportiva carioca, ir\u00edamonos expor a uma aventura, tanto mais perigosa porque nossos jogadores n\u00e3o eram dotados de qualidades t\u00e9cnicas que os capacitassem a representar o futebol nacional no estrangeiro. N\u00e3o lhes era suficiente a credencial de terceiros colocados no campeonato da cidade no ano anterior. A pr\u00f3pria torcida n\u00e3o escondia a preocupa\u00e7\u00e3o que sentia, n\u00e3o faltando os inveterados pessimistas que chegaram quase ao desrespeito, com suas impertin\u00eancias.<br \/>\nVinte e um desportistas integravam a delega\u00e7\u00e3o, que tinha a dupla chefia de Giulite Coutinho e Jo\u00e3o Antero de Carvalho. O t\u00e9cnico era Jos\u00e9 Delia Torre; o massagista e roupeiro, Olavo Barros; jornalista, Lu\u00eds Bayer; e dezesseis jogadores: Vicente; Osni, Alcides, Dom\u00edcio, Jonga, Hilton, Gilberto, Amaro, Walter, Jorginho, Maneco, C\u00e9sar, Lima, Es\u00acquerdinha, Maxwell e Carlinhos.<br \/>\nA viagem, feita em modern\u00edssimo DC-4 da Pan American, acabou tornando-se longa e fatigante, por for\u00e7a de mal explicada mudan\u00e7a na rota inicialmente prevista. Foram percorridos 9.600 quil\u00f4metros em 36 horas, at\u00e9 Bogot\u00e1, com escalas inesperadas em San Juan (Porto Rico), Miami, Kingston (Jamaica) e em Cuba. Tudo terminou em paz, entre\u00actanto, com uma cordial recep\u00e7\u00e3o na capital colombiana, proporcionada pelos promotores da temporada, o clube Millonarios. \u00c9ramos o primeiro time brasileiro a jogar em Bogot\u00e1.<br \/>\nDois dias ap\u00f3s a chegada, ocorreu a estr\u00e9ia, no domingo 22 de fevereiro. Vencemos tranq\u00fcilamente o vice-campe\u00e3o local, o Medellin, por 5 x 1, com a seguinte equipe: Osni, Alcides e Dom\u00edcio; Hilton, Gilberto e Amaro; Jorginho, Maneco, C\u00e9sar, Lima e Esquerdinha. Esquerdinha (2), Lima (2) e Maneco foram os artilheiros. A partida efetuou-se no est\u00e1dio El Campin, na \u00e9poca ainda por ser terminado.<br \/>\nNo domingo seguinte enfrentamos os Millonarios, que se apresentavam credenciados pelo t\u00edtulo de campe\u00f5es nacionais da Col\u00f4mbia, bem como por extensa e vitoriosa experi\u00eancia internacional. Voltamos a vencer, por 3 x 1, tentos de Maneco, C\u00e9sar e Esquerdinha.<br \/>\nToda a esperan\u00e7a de derrubar os poderosos visitantes foi concentrada, pela torcida local, no Independientes de Santa F\u00e9, uma brava equipe que, semanas antes, vencera o Velez Sarsfield, de Buenos Aires. Mas triunfamos, ainda dessa feita, pelo terr\u00edvel placar de 6 x 1, gols de Lima (2), Esquerdinha (2), Maxwell e Hilton. Foi a 7 de mar\u00e7o, em El Campin.<br \/>\nA partir de ent\u00e3o, o prest\u00edgio alcan\u00e7ado pelo Am\u00e9rica provocou justificados temores nos seus prov\u00e1veis advers\u00e1rios, dificultando a escolha do pr\u00f3ximo oponente. Este teve de ser buscado em Medellin, para onde se deslocou a embaixada rubra. Foi armado um forte selecionado, que vestiu a camisa do Clube Municipal. A despeito disso e das fortes chuvas que ca\u00edram antes da partida e encharcaram o gramado, a vit\u00f3ria pertenceu aos nossos, por 3 x 2, tentos conquistados por Lima, Jorginho e Maneco. Curioso \u00e9 que, ao ouvir-se o apito final do \u00e1rbitro a torcida presente invadiu o campo, euf\u00f3rica, a festejar seus jogadores, pelo sucesso que representava a honrosa derrota pela diferen\u00e7a de um gol.<br \/>\nPara o compromisso seguinte, o jeito foi apelar para o Allianza, do Peru, que se encontrava excursionando pela terra e cujo cartel exibia recentes vit\u00f3rias sobre o Racing e o Chacaritas, ambos de Buenos Aires, al\u00e9m de um giro invicto pelo Chile. Nem por isso os limenhos se livraram, a 19 de mar\u00e7o, da derrota, por 2 x 1, gols de C\u00e9sar e Lima. Foi, talvez, o mais dif\u00edcil dos confrontos, e nem precisar\u00edamos salientar isso, posto que o futebol peruano \u00e9 reconhecidamente de muito boa categoria. O jogo foi em Bogot\u00e1.<br \/>\nO fecho da campanha na Col\u00f4mbia ocorreu quarenta e oito horas depois. Enfrentamos, em revanche, os promotores da temporada, os Millonarios, sobre quem tornamos a marcar 3 x 1, tentos de Lima (2) e Maneco. O jogo foi em Medellin.<br \/>\nAs duas derradeiras pelejas estavam marcadas para Quito, onde a vitoriosa comitiva recebeu tamb\u00e9m cavalheiresca acolhida. A estr\u00e9ia deu-se a 28 de mar\u00e7o, em um campo totalmente &#8220;careca&#8221;. Vencemos ao Aucas por 3 x 1, gols de Jorginho (2) e Maneco.<br \/>\nFinalmente, coroando a excepc\u00edonal tourn\u00e9e, uma brilhante vit\u00f3ria a 4 de abril, sobre o selecionado de Quito (que, na realidade, era a sele\u00e7\u00e3o equatoriana) por 3 x 1, tentos de Esquerdinha (2) e Jorginho.<br \/>\nOito jogos, oito vit\u00f3rias. Regressou triunfalmente a desacreditada comitiva, trazendo a invencibilidade que tanto lhe havia sido exigida pelos cr\u00edticos nacionais. \u00c9 verdade que n\u00e3o enfrentara nenhuma das grandes express\u00f5es do futebol continental, mas pouco importam as restri\u00e7\u00f5es que sejam feitas aos advers\u00e1rios, que elas n\u00e3o podem diminuir, em absoluto, os m\u00e9ritos de uma campanha como essa, invicta, durante quase dois meses, em terras estranhas, a uma altitude apavorante.<\/p>\n<p>Fonte:Campos Salles 118<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[img:America_Futebol_Clube_de_Tres_Rios_RJ.gif,full,centralizado] Para os sofridos torcedores americanos um alento&#8230;. Dezenove anos ap\u00f3s a memor\u00e1vel excurs\u00e3o ao Prata, voltou o Am\u00e9rica, em princ\u00edpios de 1948, a sair em busca de novas gl\u00f3rias no exterior. 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