{"id":8433,"date":"2010-06-06T01:22:07","date_gmt":"2010-06-06T04:22:07","guid":{"rendered":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=8433"},"modified":"2010-06-06T01:27:19","modified_gmt":"2010-06-06T04:27:19","slug":"as-estreias-que-eu-vi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=8433","title":{"rendered":"AS ESTREIAS QUE EU VI"},"content":{"rendered":"<p>A ideia desse artigo n\u00e3o \u00e9 um resgate hist\u00f3rico das estreias do Brasil em Copas do Mundo. Pretendi reviver o sentimento ap\u00f3s cada jogo, sem as impress\u00f5es deixadas ap\u00f3s o Mundial encerrado. Ou seja, s\u00e3o as esperan\u00e7as de um torcedor crian\u00e7a, adolescente, jovem e adulto, que marca o tempo da vida de quatro em quatro anos. O que segue era o que eu sentia ap\u00f3s o Brasil estrear nas Copas desde 1978, quando eu contava cinco anos de idade.<\/p>\n<p><strong><br \/>\n1978 \u2013 Brasil x Su\u00e9cia<\/strong><br \/>\nAos cinco anos de idade, o futebol para mim ainda era a imagem do meu pai sentado em frente ao r\u00e1dio, ouvindo Jorge Cury enquanto organizava sua cole\u00e7\u00e3o de moedas. Foi a Copa de 1978 que me deu a dimens\u00e3o do espet\u00e1culo. Todos s\u00f3 falavam em futebol, e a Coca Cola lan\u00e7ou uma cole\u00e7\u00e3o inusitada de figurinhas: as fotos dos jogadores vinham estampadas na parte de dentro das tampinhas dos refrigerantes. Guardo as minhas at\u00e9 hoje.<\/p>\n<dl id=\"attachment_8434\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 244px;\">\n<dt class=\"wp-caption-dt\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-8434\" title=\"Reinaldo por  Scalco\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/Reinaldo-por-Scalco-234x300.jpg\" alt=\"A foto que vale por um gol, do genial Scalco\" width=\"234\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/Reinaldo-por-Scalco-234x300.jpg 234w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/Reinaldo-por-Scalco.jpg 380w\" sizes=\"auto, (max-width: 234px) 100vw, 234px\" \/><\/dt>\n<\/dl>\n<p>O que me marcou daquela estreia contra a Su\u00e9cia foi como a empolga\u00e7\u00e3o dos adultos na sala de TV foi diminuindo \u00e0 medida em que a sele\u00e7\u00e3o corria sem destino. O gramado de Mar del Plata, rec\u00e9m plantado e castigado por uma garoa insistente, soltava em blocos inteiros e os jogadores afundavam suas chuteiras no barro. Eu s\u00f3 soube que o juiz havia anulado o gol de Zico, no \u00faltimo lance do jogo, uns tr\u00eas minutos depois. Sa\u00ed correndo pela casa para comemorar o gol do Galinho, e percebi que algo havia sa\u00eddo errado ao ver a carranca das pessoas j\u00e1 com a televis\u00e3o desligada.<\/p>\n<p>O momento mais bonito daquele jogo foi a capa da Revista Placar, publicada dias depois. Ao mesmo tempo iluminado pelo sol e por cintilantes gotas de chuva, Reinaldo erguia o p\u00e9 para dar uma puxeta, a \u00e1gua esguichando de sua chuteira da qual se via todo o solado. Um gola\u00e7o do falecido fot\u00f3grafo JB Scalco que n\u00e3o amenizou a impress\u00e3o geral de que n\u00e3o ir\u00edamos longe naquele Mundial.<\/p>\n<p><em>Brasil 1&#215;1 Su\u00e9cia. 3 de junho de 1978. Local: Mar del Plata \u00c1rbitro: Clive Thomas (Pa\u00eds de Gales) Gols: Sjoberg 36, Reinaldo 45 do 1\u00ba tempo. BRASIL: Le\u00e3o; Toninho, Oscar, Amaral, Edinho; Batista, Toninho Cerezo (Dirceu), Zico, Rivelino; Gil (Nelinho), Reinaldo. SU\u00c9CIA: Hellstrom; Borg, Roy Andersson, Nordqvist, Erlandsson; Tapper, Linderoth, Bo Larsson, Lennart Larsson (Edstrom); Sjoberg, Wendt.<\/em><\/p>\n<p><strong>1982 \u2013 Brasil x URSS<\/strong><\/p>\n<p>Foi a primeira Copa que vivi de corpo e alma, sabendo do que se tratava e com a certeza de qe ser\u00edamos os campe\u00f5es. Assisti a todos os amistosos preparat\u00f3rios, incluindo a \u00e9pica excurs\u00e3o europ\u00e9ia com vit\u00f3rias contra o trio-de-ferro Alemanha, Fran\u00e7a e Inglaterra. Mesmo assim, esperava um jogo dif\u00edcil na estreia, pois aquele time de camisas vermelhas tinha um goleiro que havia parado o Brasil no Maracan\u00e3 lotado dois anos antes: a lenda Rinat Dasaev.<br \/>\nQuando Bal chutou uma boa fraca da intermedi\u00e1ria, eu n\u00e3o interrompi a trajet\u00f3ria do sandu\u00edche de queijo e presunto que levava \u00e0 boca. Mas quando a bola escapuliu de Valdir Peres, derrubei o sandu\u00edche e o prato que apoiava nas pernas, sujando o ch\u00e3o da sala. <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"150\" class=\"alignleft size-medium wp-image-8435\" title=\"Brasil 2x1 URSS, \u00c9der dispara\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/Brasil-2x1-URSS-\u00c9der-dispara-300x150.jpg\" alt=\"Brasil 2x1 URSS, \u00c9der dispara\" srcset=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/Brasil-2x1-URSS-\u00c9der-dispara-300x150.jpg 300w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/Brasil-2x1-URSS-\u00c9der-dispara-500x250.jpg 500w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/Brasil-2x1-URSS-\u00c9der-dispara.JPG 819w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Est\u00e1vamos com a lareira acesa e a fam\u00edlia reunida em frente \u00e0 Telefunken novinha que meu pai havia comprado para a Copa, e de repente todos ficaram em sil\u00eancio. Seria duro virar o jogo contra aquele time mec\u00e2nico e eficiente, e com o herdeiro de Yashin no gol. Precisar\u00edamos de lances geniais e individuais.<br \/>\nPrimeiro S\u00f3crates rompeu a defesa aos dribles e mandou um m\u00edssil teleguiado no \u00e2ngulo. Depois foi \u00c9der, quem colheu a bola vinda de Paulo Isidoro, ap\u00f3s um corta-luz de Falc\u00e3o. A Bomba de Vespasiano veio na corrida e deu um toque a meia altura. A bola estava caindo no meio de dois sovi\u00e9ticos, mas \u00c9der voou entre os dois para peg\u00e1-la no ar, uma bomba de efeito moral que deixou Dasaev est\u00e1tico. \u00c9, de longe, a minha estreia preferida, e naquela hora eu apostaria meu \u00e1lbum Ping Pong completinho com qualquer um que duvidasse do tetracampeonato&#8230;<\/p>\n<p><em>Brasil 2&#215;1 URSS. 14 de junho de 1982. Local: Est\u00e1dio Sanchez Pizjuan (Sevilha) \u00c1rbitro: Lamo Castillo (Espanha) Gols: Bal 33 do 1\u00ba tempo; S\u00f3crates 28, \u00c9der 43 do 2\u00ba. BRASIL: Valdir Peres; Leandro, Oscar, Luisinho, J\u00fanior; Falc\u00e3o, S\u00f3crates, Zico; Dirceu (Paulo Isidoro), Serginho, \u00c9der.<br \/>\nURSS: Dasaev; Sulakvelidze, Chivadze, Baltacha, Demianenko; Bessanov, Bal, Daraselia (Andreiev), Gavrilov (Susloparov); Shengelia, Blokhin.<\/em><\/p>\n<p><strong>1986 \u2013 Brasil x Espanha<\/strong><br \/>\nHavia uma desconfian\u00e7a geral da sele\u00e7\u00e3o antes da Copa de 1986. Ou era eu quem desconfiava da vida, sei l\u00e1. Desde a Copa anterior, muita coisa havia mudado para mim. Uma sucess\u00e3o de infort\u00fanios que come\u00e7ou naquela tarde maldita do Sarri\u00e1. Meus pais se separaram em 1983, na semana em que Zico foi vendido para a It\u00e1lia, dois golpes duros. Zico at\u00e9 j\u00e1 havia voltado, mas logo teve um joelho decepado por um zagueiro assassino. Luciano do Valle havia trocado a Globo pela Bandeirantes, e levara Pel\u00e9, Rivellino e Clodoaldo como comentaristas. Nas festinhas de garagem n\u00f3s ouv\u00edamos RPM e o auge era dan\u00e7ar abra\u00e7ado com uma menina a quem s\u00f3 tir\u00e1vamos depois de muita indecis\u00e3o, embalados por<em> London, London<\/em> na voz de Paulo Ricardo. Ali\u00e1s, Claudinha, cad\u00ea voc\u00ea? Eu tinha 13 anos, a fam\u00edlia estava desfeita e eu j\u00e1 havia levado meu primeiro fora. Sabia que a vida era dura. Maldito Paolo Rossi.<br \/>\nEncarar a Espanha no primeiro jogo era um teste para os fortes. A Espanha de Zubizarreta e Butrague\u00f1o. A Espanha que marcou um gol que o juiz n\u00e3o viu. Tudo come\u00e7ou estranho j\u00e1 no hino. Os jogadores perfilados, S\u00f3crates com uma faixa de protesto na cabe\u00e7a, e foram entoados os acordes do&#8230; Hino \u00e0 Bandeira! E com a bola rolando, o que se viu era um time ainda talentoso, mas sem conjunto. Outra vez depender\u00edamos de lampejos individuais.<br \/>\nJ\u00fanior, j\u00e1 como centro-campista, cortou em fac\u00e3o da direita em dire\u00e7\u00e3o ao meio. Careca deslocou-se e recebeu um passe perfeito. O camisa 9 ajeitou e soltou um petardo que quase derrubou o travess\u00e3o do grande Zubi. S\u00f3crates apanhou o rebote e meteu de cabe\u00e7a para o gol vazio, sendo abra\u00e7ado por J\u00fanior e Alem\u00e3o na comemora\u00e7\u00e3o. Uma grande vit\u00f3ria e a perspectiva de Zico entrar nos jogos seguintes me fizeram acreditar de novo na vida. Afinal, ser\u00edamos tetracampe\u00f5es, de novo no M\u00e9xico, corrigindo a injusti\u00e7a de quatro anos antes&#8230;<\/p>\n<p><em>Brasil 1&#215;0 ESPANHA. 1 de junho de 1986. Local: Est\u00e1dio Jalisco (Guadalajara) \u00c1rbitro: Christopher Bambridge (Austr\u00e1lia) Gol: S\u00f3crates 17 do 1\u00ba tempo. BRASIL: Carlos; \u00c9dson, J\u00falio C\u00e9sar, Edinho, Branco; Elzo, Alem\u00e3o, J\u00fanior (Falc\u00e3o), S\u00f3crates; Casagrande (Muller), Careca. ESPANHA: Zubizarreta; Tom\u00e1s, Maceda, Goicoch\u00e9a, Camacho; Victor, Michel, Francisco Lopez (Se\u00f1or), Julio Alberto; Butrague\u00f1o, Salinas.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Fontes: Arquivo do autor, Revista Placar, Revista Veja e duplipensar.net (fichas).<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ideia desse artigo n\u00e3o \u00e9 um resgate hist\u00f3rico das estreias do Brasil em Copas do Mundo. Pretendi reviver o sentimento ap\u00f3s cada jogo, sem as impress\u00f5es deixadas ap\u00f3s o Mundial encerrado. 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