{"id":8085,"date":"2010-05-27T10:28:22","date_gmt":"2010-05-27T13:28:22","guid":{"rendered":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=8085"},"modified":"2022-03-12T15:56:57","modified_gmt":"2022-03-12T18:56:57","slug":"fatos-curiosos-do-futebol__trashed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=8085","title":{"rendered":"Fatos curiosos do futebol!!!"},"content":{"rendered":"<p>     O futebol brasileiro \u00e9 recheado de hist\u00f3rias no m\u00ednimo intrigantes, muitas delas fazem parte do nosso folclore e tornam o futebol cada vez mais apaixonante ao torcedor.<br \/>\n      Numa tarde chuvosa em S\u00e3o Paulo, quando entravam no gramado do Vel\u00f3dromo para restabelecer seu treino, interrompido pela chuva, os rapazes do Paulistano, despejaram-se das arquibancadas para o campo, aos berros de \u201callez-gohack\u201d, palavras atiradas ao ar por Olavo de Barros e Renato, de jubilo pela estiagem que fizera. Repetido depois, a qualquer pretexto pela turma do Paulistano, aquele estrangeirismo que significava \u201cpara frente, avante\u201d acabou abrasileirando-se no \u201cal\u00ea-gu\u00e1-gu\u00e1-gu\u00e1 hurrah\u201d, que se transformou no hino do Paulistano. Nascia ali, o primeiro hino futebol\u00edstico, e atr\u00e1s dele, por esp\u00edrito de imita\u00e7\u00e3o, vieram os outros, o do Mackenzie, por exemplo: &#8211; \u201cback, tet\u00e9que: black, tet\u00e9que, \u00e9que, \u00e9que\u201d etc.<br \/>\n      A primeira partida de futebol artificialmente iluminada do mundo aconteceu aqui no Brasil, mais precisamente em S\u00e3o Paulo, numa festiva noite de S\u00e3o Jo\u00e3o, no ano de 1923. O jogo fora disputado entre uma equipe de funcion\u00e1rios da Light e a Associa\u00e7\u00e3o Atl\u00e9tica Rep\u00fablica, sob a luz de 20 refletores e 10 projetores, num campo situado em um terreno da Companhia S\u00e3o Paulo Light, na rua do Glic\u00e9rio. O resultado da partida se perdeu nos anais da hist\u00f3ria. Por sorte o registro n\u00e3o se perdeu, pois no dia seguinte realizava-se uma partida noturna em Lynn, nos Estados Unidos.<br \/>\n      No dia 31 de mar\u00e7o de 1928, foi realizado em S\u00e3o Janu\u00e1rio, o primeiro jogo oficial artificialmente iluminado. O Vasco da Gama venceu o Wanders (Uruguai), por 1 a 0.<br \/>\n      Em 1925, o Club Athl\u00e9tico Paulistano (extinta equipe da capital paulista) realizou uma excurs\u00e3o \u00e0 Europa, uma das primeiras realizadas por equipes brasileiras, sendo que seu saldo foi t\u00e3o positivo que os jornais franceses denominaram os brasileiros, Os Reis do Futebol. Em aproximadamente um m\u00eas e meio, o Paulistano realizou dez partidas na Fran\u00e7a, Su\u00ed\u00e7a e Portugal, obtendo um resultado de nove vit\u00f3rias e apenas uma derrota. A fa\u00e7anha dos brasileiros merece destaque maior, pois enfrentaram verdadeiras sele\u00e7\u00f5es, \u00e1rbitros contr\u00e1rios e, campos, se assim os podemos chamar, em p\u00e9ssimo estado, al\u00e9m de uma longa viagem de navio e estafantes viagens de trem.<br \/>\n      No in\u00edcio dos anos 30, disputavam-se algumas partidas noturnas, e a bola utilizada era marrom. Pois bem, o S\u00e3o Paulo iria jogar contra o Vasco da Gama e o \u201cseu\u201d Joaquim &#8211; Joaquim Sim\u00e3o Gomes &#8211; perguntou ao diretor esportivo M\u00e1rio Cunha Bueno se poderia pintar a bola de branco. Autorizado, ele comprou uma tinta chamada Duco Alem\u00e3o e mandou ver. Estava criada a primeira bola branca do mundo. Foi um sucesso que se espalhou rapidamente. S\u00f3 que \u201cseu\u201d Joaquim n\u00e3o patenteou o invento, a\u00ed&#8230;<br \/>\n      Diamante Negro virou marca de chocolate em homenagem a um apelido de uma grande estrela do futebol brasileiro, Le\u00f4nidas da Silva. Apelido este dado p\u00ealos franceses durante a Copa do Mundo de 1938, na qual foi o artilheiro. Ele n\u00e3o era estreante, havia jogado a Copa de 1934, na It\u00e1lia. J\u00e1 amadurecido, o Diamante Negro, encantou os torcedores europeus.<br \/>\n      &#8230; Na noite de 16 de julho de 50, o velho capit\u00e3o n\u00e3o quis comemorar com o resto do time. Convidou o massagista da Celeste a sair com ele. Os dois deixaram o hotel sem destino certo. O Rio era um vasto cemit\u00e9rio. Nem alma do outro mundo se via pelas ruas da cidade.<br \/>\n      Obdulio e o massagista entram num bar da Avenida Copacabana. O dono do bar \u00e9 um velho conhecido de outras passagens da sele\u00e7\u00e3o uruguaia pelo Brasil. Obdulio, que j\u00e1 sa\u00edra do hotel um tanto calibrado, quer tomar chope. Est\u00e1 sem um tost\u00e3o no bolso. Pergunta se tem cr\u00e9dito. O pr\u00f3prio dono traz duas canecas, espumando. Obdulio, ainda em p\u00e9, bebe de um s\u00f3 f\u00f4lego a primeira caneca.<br \/>\n      J\u00e1 sentado, Obdulio v\u00ea entrar no sal\u00e3o um rapaz. Um rapaz que \u00e9 a pr\u00f3pria m\u00e1scara da desola\u00e7\u00e3o. Nas raras mesas ocupadas, as pessoas ouvem, desconsoladas as lam\u00farias do mo\u00e7o. Ressoa pela sala a tristeza c\u00f3smica do povo brasileiro.<br \/>\n      &#8211; O Obdulio derrotou o Brasil &#8211; dizia, em prantos, o torcedor.<br \/>\n      O desabafo bateu de mal jeito no cora\u00e7\u00e3o de Obdulio Varela. De repente, ele se sente o carrasco de um povo. O pr\u00f3prio Obdulio narra, na primeira pessoa, o drama que passaria a viver naquela noite sombria do futebol brasileiro.<br \/>\n      \u201cEu olhava aquele rapaz sofrido. Foi me dando um mal-estar. O povo desse pa\u00eds tinha preparado o maior carnaval do mundo e n\u00f3s arruinamos tudo. De repente, eu estava t\u00e3o amargurado quanto ele. Teria sido bonito ver uma noite de carnaval dos brasileiros. Teria sido emocionante ver a multid\u00e3o delirando com uma coisa t\u00e3o simples, t\u00e3o singela. N\u00f3s t\u00ednhamos estragado a festa e, a bem da verdade, n\u00e3o t\u00ednhamos ganhado nada. Conquistamos um t\u00edtulo, muito bem. Mas, que seria isso comparado com a tristeza imensa de uma gente t\u00e3o simp\u00e1tica? Pensei no Uruguai. Certamente, o povo l\u00e1 estaria muito feliz. Mas, eu, Obdulio, eu estava no Rio, no meio de uma profunda decep\u00e7\u00e3o nacional. Me lembrei da raiva que tive quando os brasileiros nos fizeram o gol. E, no entanto, a bronca que dei no campo iria doer em mim tamb\u00e9m\u201d.<br \/>\n      O dono do bar foi \u00e0 mesa do campe\u00e3o, levando pelo bra\u00e7o o rapaz, ainda choroso.<br \/>\n      &#8211; Sabe quem \u00e9 este? Este \u00e9 o Obdulio Varela. &#8211; E apresentou um ao outro.<br \/>\n      &#8211; Tive a s\u00fabita sensa\u00e7\u00e3o de que aquele rapaz podia me matar &#8211; confessa Obdulio &#8211; e, se me matasse, talvez merecesse absolvi\u00e7\u00e3o.<br \/>\n      &#8211; Por favor, Obdulio &#8211; disse, reverente, o rapaz -, voc\u00ea quer tomar um chope comigo?<br \/>\n      Obdulio aceitou. Mudou de mesa. \u201cSe tiver de morrer aqui, n\u00e3o pode existir noite mais apropriada\u201d, pensou.<br \/>\n      \u00c0 noite do triunfo, Obdulio Varela passou-a, inteirinha, esvaziando canecas e consolando aquela alma penada que acabara de conhecer. Um pobre cora\u00e7\u00e3o destro\u00e7ado. E a quem, l\u00e1 pelas tantas da madrugada, talvez tivesse confessado, como confessaria, mais tarde, ao escritor Oswaldo Soriano:<br \/>\n      &#8211; Se tivesse de jogar, de novo, aquela final do Maracan\u00e3, n\u00e3o se assombre com o que eu vou lhe dizer: eu faria um gol contra. Um gol contra, sim senhor!&#8230;<br \/>\n(Nogueira, Armando &#8211; A triste noite de um campe\u00e3o)<br \/>\n      Num c\u00e9lebre jogo no final dos anos 50, em que o S\u00e3o Paulo venceu o Santos por 6 a 2, Mestre Ziza p\u00f4de testar a habilidade de Canhoteiro &#8211; que j\u00e1 era chamado A For\u00e7a Branca. Exausto por recente excurs\u00e3o \u00e0 Europa, entregou a bola a Canhoteiro e recomendou: \u201cV\u00ea se ganha algum tempo para a gente\u201d. Do campo do S\u00e3o Paulo, o ponta foi driblando at\u00e9 a \u00e1rea do Santos e voltou: \u201cToma a bola de volta, Mestre\u201d.<br \/>\n      Um grande artilheiro pode ser tamb\u00e9m um goleiro de primeira. Afinal, sempre existiu um fasc\u00ednio entre o algoz e a v\u00edtima. Pel\u00e9, um dos maiores goleadores que o mundo j\u00e1 conheceu, jamais escondeu isso de ningu\u00e9m. Ali\u00e1s, sempre gostou de jogar no gol, mostrando um talento natural para a posi\u00e7\u00e3o. Mas se Pel\u00e9 n\u00e3o fosse a pr\u00f3pria camisa 10, na certa teria sido goleiro. Nos recreativos do Santos, ele costumava brincar na posi\u00e7\u00e3o e no \u00c9bano, time de praia que reunia jogadores negros, era titular absoluto da camisa n\u00ba 1. Uma vez, o grande p\u00fablico teve oportunidade de apreciar suas outras habilidades. Foi no in\u00edcio dos anos 60, no Pacaembu, em S\u00e3o Paulo. O Santos jogava contra o Gr\u00eamio e o goleiro La\u00e9rcio foi expulso. Pel\u00e9 n\u00e3o pensou duas vezes, vestiu a camisa preta de mangas compridas e foi para debaixo dos \u201ctr\u00eas paus\u201d. Fechou o gol. N\u00e3o deixou passar mais nada. O jogo terminou com a vit\u00f3ria do Santos por 4 a 3. A \u00fanica apresenta\u00e7\u00e3o oficial do autor dos mais belos gols na moldura de suas obras.<br \/>\n      Na ca\u00f3tica Sele\u00e7\u00e3o Brasileira de 1966, muitos fatos foram realmente inusitados (como a forma\u00e7\u00e3o de quatro equipes, por exemplo), mas um deles serve para demonstrar bem o que aconteceu naquele tempo: na lista de jogadores convocados saiu o nome de Dit\u00e3o, do Flamengo, que se apresentou, \u00e9 l\u00f3gico. S\u00f3 que o convocado pelo t\u00e9cnico Vicente Feola era na realidade Dit\u00e3o do Corinthians. A CBD (Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Desportos) n\u00e3o quis assumir o erro cometido &#8211; dentre muitos &#8211; e por esses caprichos t\u00e3o comuns ao nosso futebol, ficou o Dit\u00e3o do Flamengo mesmo. Que, por fim, foi cortado.<\/p>\n<p>      No dia 22 de junho de 1996, o Estado de Roraima, que possui o campeonato estadual mais novo do pa\u00eds, presenciou um fato jamais ocorrido no futebol brasileiro. A partida pelo estadual, entre o Rio Negro e o Progresso, teve a incr\u00edvel marca de um pagante, o autor de tal fa\u00e7anha, foi o motorista do Minist\u00e9rio de Agricultura de Boa Vista, Abra\u00e3o Pereira de Souza. A renda da partida tamb\u00e9m atingiu a incr\u00edvel marca de R$ 5,00 (cinco reais), sendo que cada clube ficou com a n\u00e3o menos incr\u00edvel quantia de R$1,00 (um real). Um m\u00eas antes, em outra partida entre as mesmas equipes, o p\u00fablico pagante foi de quatro pessoas, com renda de R$ 20,00 (vinte reais).<br \/>\n      Considerado o detentor do melhor futebol do mundo, o Brasil, teve por muitos anos, o pior time do mundo &#8211; o \u00cdbis Sport Club. Fundado em 15 de novembro de 1938, o \u00cdbis surgiu na iniciativa de Onildo Ramos, gerente da Tecelagem Seda e Algod\u00e3o de Pernambuco, a T.S.A.P., em realizar o sonho dos oper\u00e1rios da f\u00e1brica: ter um time de futebol para disputar o Campeonato Pernambucano de profissionais. A ave sagrada do Egito antigo, protetora da cultura da seda e presente na marcada da empresa, foi escolhida para o nome e distintivo.<br \/>\n      Nos primeiros anos a equipe n\u00e3o era t\u00e3o ruim, chegando at\u00e9 mesmo a ser campe\u00e3 pernambucana em 1946. O \u00cdbis come\u00e7ou a ser tachado de o pior time do mundo a partir da d\u00e9cada de 80, quando ficou tr\u00eas anos seguidos sem ganhar um \u00fanico jogo e sofreu uma s\u00e9rie de goleadas hist\u00f3ricas, entre elas, 11 a 0 para o Santa Cruz. No campeonato de 81, por exemplo, n\u00fameros impressionantes: 18 derrotas em 18 jogos, sofrendo 89 gols e marcando apenas quatro. No campeonato seguinte, disputou 11 partidas, perdeu dez e empatou uma. Fez seis gols e sofreu 46. Com esse curriculum, o \u00cdbis, teve por muito tempo orgulho de ser taxado de o pior time do mundo. Mas a hist\u00f3ria come\u00e7ou a mudar, a partir do ano 2000, o time ascendeu a primeira divis\u00e3o de Pernambuco e agora n\u00e3o quer mais o \u201chonroso\u201d t\u00edtulo.<\/p>\n<p>Autor:Fabio Aires da Cunha<br \/>\nRefer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<br \/>\nDUARTE, M. O Guia dos Curiosos. S\u00e3o Paulo: Cia das Letras, 1996. p.164-178.<br \/>\nNOGUEIRA, A. A triste noite de um campe\u00e3o. O Estado de S\u00e3o Paulo. S\u00e3o Paulo, 18 de agosto de 1996. Esportes, p.2.<br \/>\nPATUSCA, A. Os Reis do Futebol. S\u00e3o Paulo: Bentivegna, 1976.<br \/>\nREVISTA PLACAR. S\u00e3o Paulo: Abril.<br \/>\nSUPLEMENTO ESPECIAL DE ISTO\u00c9. Espanha 82 &#8211; O Brasil e as Copas do Mundo. S\u00e3o Paulo: Caminho Editorial, 1982.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O futebol brasileiro \u00e9 recheado de hist\u00f3rias no m\u00ednimo intrigantes, muitas delas fazem parte do nosso folclore e tornam o futebol cada vez mais apaixonante ao torcedor. 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