{"id":767,"date":"2007-10-08T16:43:01","date_gmt":"2007-10-08T19:43:01","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.soccerlogos.com.br\/2007\/10\/08\/mitropa-cup\/"},"modified":"2010-01-25T21:14:51","modified_gmt":"2010-01-25T23:14:51","slug":"mitropa-cup","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=767","title":{"rendered":"Mitropa Cup"},"content":{"rendered":"<p>O treinador Hugo Meisl ficou marcado na hist\u00f3ria do futebol por comandar, ao lado de Jimmy Hogan, o wunderteam, o &#8220;time maravilha&#8221; que os austr\u00edacos montaram na d\u00e9cada de 30. Mas pode-se dizer que ele deixou um legado ainda mais importante que a equipe de Sindelar, Horvath, Schall e Zischek. Meisl idealizou a Copa Mitropa, o primeiro grande torneio envolvendo clubes de v\u00e1rios pa\u00edses e precursora da Copa dos Campe\u00f5es.<\/p>\n<p>Oficialmente chamado Mittel Europa, o campeonato foi criado em 1927 e confrontava inicialmente os campe\u00f5es de pa\u00edses da regi\u00e3o central do continente: \u00c1ustria, Tchecoslov\u00e1quia, Hungria e Iugosl\u00e1via. Hoje, pode parecer pouco representativo, j\u00e1 que nenhuma dessas na\u00e7\u00f5es \u00e9 uma pot\u00eancia futebol\u00edstica. Por\u00e9m, o melhor futebol da Europa continental dos anos 20 se jogava naquela regi\u00e3o. Tanto que aqueles pa\u00edses foram os primeiros do mundo fora das ilhas brit\u00e2nicas, a introduzirem o profissionalismo. A \u00c1ustria partiu na frente, em 1924. No ano seguinte, a Tchecoslov\u00e1quia seguiu o mesmo caminho e, em 26, foi a vez da Hungria.<\/p>\n<p>O prest\u00edgio da Mitropa naquele \u00e9poca s\u00f3 poderia ser comparado com o da Copa dos Campe\u00f5es d\u00e9cadas depois. Tanto que foi crescendo, em participantes e em pa\u00edses representados. Em 1929, equipes italianas substitu\u00edram as iugoslavas. Cinco anos depois, o torneio passou a reunir os 4 melhores de cada uma das na\u00e7\u00f5es. Em 1936, a Su\u00ed\u00e7a tamb\u00e9m teve direito a uma quadra de representantes. No ano seguinte, cada pa\u00eds passou a ter apenas 3 vagas, j\u00e1 que a Iugosl\u00e1via voltara, trazendo junto a Rom\u00eania.<\/p>\n<p>No final dos anos 30, problemas pol\u00edticos come\u00e7aram a afetar o andamento da Copa Mitropa. Na realidade, a instabilidade da regi\u00e3o foi uma esp\u00e9cie de pedra no sapato da competi\u00e7\u00e3o idealizada por Meisl. Em 38, a Alemanha nazista invadiu e anexou a \u00c1ustria, que perdeu suas vagas no torneio interclubes. Assim, It\u00e1lia, Tchecoslov\u00e1quia e Hungria voltavam a ter 4 representantes. No ano seguinte, nova crise e os 3 principais pa\u00edses reduziram sua participa\u00e7\u00e3o pela metade, enquanto Rom\u00eania e Iugosl\u00e1via ficavam com apenas uma equipe. A Su\u00ed\u00e7a estava de fora.<\/p>\n<p>At\u00e9 que explodiu a Segunda Guerra Mundial, cujo epicentro era justamente a Europa Central. Imposs\u00edvel prosseguir com a Mitropa, que ficou parada entre 1940 e 1954. Em 1955, a copa da Europa Central volta, mas j\u00e1 n\u00e3o tinha a mesma for\u00e7a. Os anos de interrup\u00e7\u00e3o haviam minado o torneio. Para piorar, o centro de gravidade do futebol do continente come\u00e7a a se deslocar para o oeste, alguns dos pa\u00edses representados na Mitropa passam a integrar a cortina de ferro e, principalmente, a Europa j\u00e1 ganhara uma divers\u00e3o maior: a rec\u00e9m-criada Copa dos Campe\u00f5es.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de Meisl foi minguando. O n\u00famero de participantes foi mudando de ano para ano. Em 1960, um regulamento estranho premiaria o pa\u00eds que tivesse mais pontos na soma de 30 confrontos (15 chaves em partidas de ida e volta). Mas a Mitropa resistia, cada vez pior, mas resistia.<\/p>\n<p>Assim foi at\u00e9 os anos 80. Moribunda, a competi\u00e7\u00e3o assumiu sua quase insignific\u00e2ncia e passou a reunir os campe\u00f5es das Segundas Divis\u00f5es dos pa\u00edses. A lista de vencedores mostra como a copa ficava em m\u00e3os cada vez menos ilustres. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o foi em 1982, quando o Milan a conquistou. Mas \u00e9 importante lembrar que os rossoneri l\u00e1 estavam justamente por terem sido rebaixados na It\u00e1lia dois anos antes e, de fato, eram os campe\u00f5es da S\u00e9rie B local.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o dava mais. A Mitropa estava clinicamente morta. S\u00f3 n\u00e3o fora devidamente enterrada porque pequenos clubes italianos resolveram estic\u00e1-la mais um pouco. Talvez fosse melhor deix\u00e1-la sumir naturalmente ao inv\u00e9s de for\u00e7ar. Como forma de prepara\u00e7\u00e3o pr\u00e9-temporada, italianos come\u00e7aram a organizar a Mitropa como um torneio de fim-de-semana, mais ou menos nos moldes do Teresa Herrera e do Ram\u00f3n de Carranza. Mas n\u00e3o havia grandes clubes da Europa como nos mata-matas espanh\u00f3is. Assim, Ascoli, Pisa (duas vezes) e Bari enfrentaram, em casa, advers\u00e1rios fracos e, claro, foram campe\u00f5es de uma Mitropa sem a m\u00ednima credibilidade. Em 1992, foi a vez de o Foggia preparar a festa. Mas os iugoslavos (hoje croatas) do Borac Banja Luka surpreenderam os anfitri\u00f5es.<\/p>\n<p>Foi a p\u00e1 de cal. Os italianos n\u00e3o tinham mais vontade de seguir com o torneio. O in\u00edcio da guerra civil na Iugosl\u00e1via foi apenas um pretexto para a extin\u00e7\u00e3o da Mitropa. Seria melhor t\u00ea-lo feito pelo menos uns 15 anos antes. Pelo menos, a Copa que movimentou a Europa Central por d\u00e9cadas poderia sair de cena com um pouco do charme que teve.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O treinador Hugo Meisl ficou marcado na hist\u00f3ria do futebol por comandar, ao lado de Jimmy Hogan, o wunderteam, o &#8220;time maravilha&#8221; que os austr\u00edacos montaram na d\u00e9cada de 30. Mas pode-se dizer que ele deixou um legado ainda mais importante que a equipe de Sindelar, Horvath, Schall e Zischek. 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