{"id":72839,"date":"2015-05-28T22:03:38","date_gmt":"2015-05-29T01:03:38","guid":{"rendered":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=72839"},"modified":"2015-05-28T22:12:08","modified_gmt":"2015-05-29T01:12:08","slug":"mocinho-era-bom-de-briga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=72839","title":{"rendered":"MOCINHO ERA BOM DE BRIGA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><strong>O VIL\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Um dos primeiros vil\u00f5es do futebol catarinense foi o jogador Antonio Bezerra, natural da hist\u00f3rica S\u00e3o Francisco do Sul\/SC, onde como que por tradi\u00e7\u00e3o, os moradores se notabilizam muito mais por seus apelidos, e o seu, n\u00e3o podia ser mais ins\u00f3lito: Mocinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?attachment_id=72843\" rel=\"attachment wp-att-72843\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-72843\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/MOCINHO.jpg\" alt=\"\" width=\"475\" height=\"473\" srcset=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/MOCINHO.jpg 475w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/MOCINHO-150x150.jpg 150w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/MOCINHO-300x298.jpg 300w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/MOCINHO-96x96.jpg 96w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/MOCINHO-24x24.jpg 24w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/MOCINHO-36x36.jpg 36w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/MOCINHO-48x48.jpg 48w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/MOCINHO-64x64.jpg 64w\" sizes=\"auto, (max-width: 475px) 100vw, 475px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Mocinho, no centro da foto.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>O IN\u00cdCIO DE CARREIRA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mocinho come\u00e7ou sua carreira no Ypiranga Futebol Clube, de S\u00e3o Francisco do Sul, em 1924, atuando como ponta-esquerda. Tinha na velocidade seu principal atributo e entre 1925 e 1928 destacou-se em diversos jogos amistosos, tendo inclusive marcado gols diante dos poderosos America de Joinville e Hercilio Luz de Tubar\u00e3o, que foram derrotados por 3&#215;0 e 3&#215;2, respectivamente, em jogos bastante tumultuados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Ypiranga era um clube de origem humilde, composto basicamente por trabalhadores do porto, por isso, n\u00e3o tinha a polidez dos clubes da elite. Com isso, Mocinho pode sempre colocar em pratica o seu jogo pesado, sem ser repreendido. Neste cen\u00e1rio, os jogos entre Ypiranga e clubes como Am\u00e9rica e Caxias, de Joinville, geralmente acabavam em confus\u00e3o, e o piv\u00f4 delas era sempre o mesmo: Mocinho, o quebra-canelas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>PONTAP\u00c9S E TAPAS NA CARA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 1928, passando a atuar no meio-campo, Mocinho come\u00e7ou a arrumar ainda mais encrencas, pois agora tinha a fun\u00e7\u00e3o de marcar. Em 8 de Setembro, num jogo em que o Ypiranga venceu o Britania de Curitiba por 1&#215;0, ap\u00f3s incomodar tanto o jogador Basani, levou um pontap\u00e9 e uma bofetada. Ao revidar na mesma intensidade, deu inicio a uma batalha campal que s\u00f3 terminou ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o dos presidentes dos clubes e da policia, que com muito custo, conseguiram fazer com o que o jogo fosse terminado, bem como as festividades que o sucederam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ainda neste ano integrou a Sele\u00e7\u00e3o Catarinense que em 4 de Novembro foi abatida pelos Paranaense por 8&#215;0, em jogo valido pelo Campeonato Brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>UM CONTRA SETE<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 1929 teve atua\u00e7\u00e3o discreta nos gramados, por\u00e9m, em 1930 voltou com for\u00e7a total, agora defendendo o Lauro Muller Futebol Clube, de Itaja\u00ed, clube formado por oper\u00e1rios de uma Fabrica de Tecidos e que era temido pela hostilidade que recebia seus advers\u00e1rios no seu campo, na Vila Oper\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 23 de fevereiro, quando seu time derrotou o Caxias por 3&#215;2, em jogo amistoso, conseguiu a proeza de machucar sete jogadores caxienses e n\u00e3o ser expulso. A narrativa do Jornal de Joinville demonstra bem a indigna\u00e7\u00e3o dos joinvillenses:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Os laurenses organizam um ataque mas o Caxias defende, Cylo ataca e Eurico defende, Mocinho d\u00e1 uma violenta entrada em Cylo que jogou at\u00e9 o fim contundido. Dorot\u00e1vio chuta forte e Chiquito ao tentar tirar faz gol contra, Lauro 1&#215;0.O Caxias vai ao ataque e Lemos faz 1&#215;1, Mocinho machuca Lemos com raiva e este \u00e9 substitu\u00eddo por Andrade que joga 5 minutos e saiu machucado por Mocinho e por Lemos ter se recuperado.O Lauro Muller tem um escanteio, Paulo cobra Candinho defende mas Dorot\u00e1vio faz Lauro 2&#215;1.Mocinho que nem touro ataca de raiva, violent\u00edssimo e o alvejado pela ferocidade \u00e9 Raul Schmidlin que leva duas pancadas na boca do est\u00f4mago, na segunda pancada Schmidlin revida e \u00e9 agredido por brutamontes.Mocinho mostrou ser um elemento sem car\u00e1ter e sem educa\u00e7\u00e3o esportiva.Serenados os \u00e2nimos Dario faz penal e Marinheiro empata em 2&#215;2.Mocinho e sua sinistra faixa de machucar d\u00e1 seguidas entradas violentas.Come\u00e7a o 2\u00ba tempo e o Caxias ataca e o Lauro defende, o Lauro ataca mas o jogo perde a beleza devido a Mocinho que machuca Jos\u00e9, mas este por\u00e9m continua a jogar,em seguida Mocinhovai agredir Cyrillo que se machuca, \u00e9 uma verdadeira tourada.Vendo em Marinheiro a principal estrela da defesa caxiense, Mocinho depois de v\u00e1rias tentativas o machuca sendo que este foi levado a uma pharm\u00e1cia onde foi\u00a0 medicado e levado ao Hotel, depois de bons lances ocorre um penalty de Chiquito que Dario cobra e perde.Come\u00e7a a cair uma torrencial chuva e em um ataque o Lauro faz 3&#215;2, depois de\u00a0 mais um ataque termina o jogo.Atuou de juiz Emilio Sada que foi muito criterioso e imparcial.\u00a0Tomara que o Lauro Muller n\u00e3o ap\u00f3ie o jogo de Mocinho, o Caxias agradece a Pharm\u00e1cia Santha Terezinha por tratar de Marinheiro.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>\u00a0<span style=\"text-align: justify\">UMA TERRIVEL MUTILA\u00c7\u00c3O<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Depois deste polemico jogo, Mocinho seguiu atuando normalmente pelo Lauro Muller, sendo sempre um dos principais jogadores do time, que j\u00e1 era famoso em todo Estado, enfrentando em condi\u00e7\u00f5es de igualdade e muitas vezes vencendo, os principais clubes de Joinville, Florian\u00f3polis e Blumenau.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em Outubro de 1930 foi convocado pelo exercito para lutar no \u201cMovimento Libertador\u201d que conduziu o ditador Get\u00falio Vargas \u00e1 presid\u00eancia do Brasil e nesta ocasi\u00e3o, servindo em Florian\u00f3polis, teve a infelicidade de ser atingido por uma granada que lhe arrancou o bra\u00e7o direito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A fatalidade comoveu toda a popula\u00e7\u00e3o itajaiense, principalmente a comunidade esportiva, onde tanto o C.N. Marcilio Dias e quanto o Lauro Muller F.C. organizaram jogos para arrecadar fundos para ajuda-lo na recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>A VOLTA AO FUTEBOL<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para qualquer outro, perder um bra\u00e7o significaria o fim da carreira futebol\u00edstica, mas n\u00e3o para Mocinho, que imitando os passos de Hector \u2018Manco\u2019 Castro, her\u00f3i uruguaio do Mundial de 1930, deu sequencia a carreira, mesmo com a defici\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No inicio de 1931, Mocinho voltou ao posto de titular do meio-campo do Lauro Muller, que nesta ocasi\u00e3o, estava com o time cada vez mais afiado.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>BENGALADAS E FACADAS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como n\u00e3o podia deixar de ser, Mocinho, tamb\u00e9m continuou adepto de uma boa briga. Em 14 de junho de 1931, quando assistia a um jogo entre Brusquense e Lauro Muller, em Brusque, a confus\u00e3o em que se envolveu por pouco n\u00e3o terminou em trag\u00e9dia, conforme relatou o jornal \u2018O Libertador\u2019:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>No final, quando os nossos rapazes preparavam-se para o regresso, houve uma desaven\u00e7a entre o chauffer Jo\u00e3o Pereira e um dos rapazes visitantes. Houve a interven\u00e7\u00e3o de tr\u00eas outros presentes que o referido chauffeur tentou agredir a faca, tendo mesmo conseguido ferir de leve o nariz de um deles. Foi quando surgiu Antonio Bezerra, mais conhecido por Mocinho, que foi em socorro de um irm\u00e3o, a quem Pereira tamb\u00e9m tentava ferir.\u00a0<\/em><em>Mocinho, que s\u00f3 tem o bra\u00e7o esquerdo, pois que o direito perdeu durante a revolu\u00e7\u00e3o com a explos\u00e3o de uma granada, entrara em luta armado de bengala, sendo esfaqueado pelo alludido chauffer, recebendo dois ferimentos, sendo um no bra\u00e7o esquerdo e outro no ventre.\u00a0<\/em><em>O criminoso refugiou-se num Hotel, sendo afinal preso, bem como o seu primeiro contendor. Mocinho, cujo estado n\u00e3o \u00e9 grave, ahi fora assistir o match, acha-se internado no Hospital de Azambuja, daquella cidade.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>NOVA VOLTA POR CIMA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em Julho, mesmo ainda machucado pelas facadas, Mocinho voltou ao time principal do Lauro, que nesta ocasi\u00e3o, preparava-se para a disputa do Estadual de 1931, campeonato este, que ap\u00f3s muita confus\u00e3o por parte da Federa\u00e7\u00e3o, terminou somente em janeiro de 1932, com o titulo sendo homologado ao Lauro Muller, devido a desist\u00eancia do Athletico Catharinense. Embora n\u00e3o fosse mais titular do time, Mocinho fazia parte do plantel. Deste modo, colocou o seu nome no rol dos jogadores campe\u00f5es do Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>O FIM DA CARREIRA ESPORTIVA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A partir de 1933 seu nome deixou de figurar no notici\u00e1rio esportivo. Seu paradeiro fora do esporte \u00e9 um tanto obscuro, embora existam evidencias que neste per\u00edodo tenha iniciado a carreira de Delegado de Policia na cidade de Penha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O VIL\u00c3O Um dos primeiros vil\u00f5es do futebol catarinense foi o jogador Antonio Bezerra, natural da hist\u00f3rica S\u00e3o Francisco do Sul\/SC, onde como que por tradi\u00e7\u00e3o, os moradores se notabilizam muito mais por seus apelidos, e o seu, n\u00e3o podia ser mais ins\u00f3lito: Mocinho. Mocinho, no centro da foto. 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