{"id":7167,"date":"2010-04-18T15:47:19","date_gmt":"2010-04-18T18:47:19","guid":{"rendered":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=7167"},"modified":"2011-07-13T13:09:12","modified_gmt":"2011-07-13T16:09:12","slug":"a-festa-que-virou-tragedia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=7167","title":{"rendered":"A FESTA QUE VIROU TRAG\u00c9DIA"},"content":{"rendered":"<p>O Maracan\u00e3 tem a forma de uma falsa elipse. Sua constru\u00e7\u00e3o consumiu 500.00 sacos de cimento, correspondentes a tr\u00eas vezes a altura do Corcovado, e ferro em barras de 1\/16 de polegadas, suficientes para duas voltas em torno da terra. Oduvaldo Cozzi, locutor dos mais famosos da d\u00e9cada de cinq\u00fcenta, dizia que \u201cno Maracan\u00e3, esse monstro de areia, ferro, pedra e cimento, est\u00e1 a alma do futebol\u201d. Frase bonita, mas sem d\u00favida, mas profundamente amarga para a gera\u00e7\u00e3o que nasceu com o est\u00e1dio.<br \/>\nUm grupo de dez rapazes compraram ingressos no cambio negro e foram direto para o Maracan\u00e3. A cidade bebera todo chope da vit\u00f3ria \u2013 que n\u00e3o veio. Para Fausto Neto, um dos rapazes, pouco se recorda do jogo, pois no que aconteceu depois do gol de Ghigia ficou gravado de tal forma na sua mem\u00f3ria que apagou o resto. Como quase todos que estavam no est\u00e1dio ele tamb\u00e9m chorou ao observar a mascara da trag\u00e9dia no rosto de cada torcedor. Quem viu ou acompanhou pelo r\u00e1dio o jogo do Brasil contra a Espanha n\u00e3o tinha mais d\u00favidas: nada impediria que o Brasil fosse o campe\u00e3o. Al\u00e9m do mais, o Uruguai apenas empatara com a Espanha e vencera com dificuldade a Su\u00e9cia. Um detalhe foi esquecido por todos: nos dois jogos, os uruguaios estiveram em desvantagem.<br \/>\nA partir da noite de 13 de julho, o Rio de Janeiro se transformou numa festa. O t\u00e9cnico Flavio Costa lembra que o \u201car estava impregnado de futebol e ningu\u00e9m acreditava um fiasco na final. Gigantesco e monumental quando na planta, apenas grande j\u00e1 nos jogo da fase eliminat\u00f3ria, apertado nas partidas contra Su\u00e9cia e Espanha, o Maracan\u00e3 parecia diminuir \u00e0 propor\u00e7\u00e3o que o futebol do Brasil crescia. Os bares da cidade refor\u00e7aram seus estoques de chope.Os ingressos da decis\u00e3o ficaram a cargo da Delegacia de Costumes e Divers\u00f5es. Eles logo se esgotaram. As reclama\u00e7\u00f5es eram gerais. Por mais que a policia planejasse, era imposs\u00edvel controlar as multid\u00f5es atr\u00e1s de um ingresso.<br \/>\nSem exagero, quem mais trabalhou naquele final de semana foram os gar\u00e7\u00f5es e copeiros dos bares. Todo mundo era campe\u00e3o do mundo e comemorava. Na concentra\u00e7\u00e3o dos uruguaios, Obdulio Varella colecionava jornais que mostravam fotos com o Brasil campe\u00e3o do mundo. Mira. Mira \u2013 repetia o capit\u00e3o para os companheiros, apontando as manchetes do jornais. Na concentra\u00e7\u00e3o dos brasileiros, em S\u00e3o Janu\u00e1rio tudo era otimismo delirante. Os jogadores n\u00e3o tinham um minuto de calma. Pol\u00edticos e cartolas disputavam, os jogadores para tirar a foto hist\u00f3rica. A situa\u00e7\u00e3o chegou a tal ponto que o t\u00e9cnico Flavio Costa chegou a pensar em voltar com os jogadores para o Jo\u00e1. Os cartolas, interessados em faturar o prest\u00edgio dos jogadores, deram o contra. E o assunto acabou esquecido. O barulho infernal da torcida aumentou gradativamente at\u00e9 o gol de Fria\u00e7a aos 4 minutos do segundo tempo quando explodiu. Para diminuir quando Schiafino empatou e parou de vez quando Gighia fez o segundo gol. Ningu\u00e9m entendia nada e o resto foi sil\u00eancio. C\u00f3rner contra os uruguaios. Fria\u00e7a levanta para a \u00e1rea. Jair salta e Maspoli segura firme. O juiz ingl\u00eas George Reader apitou o final do jogo.<br \/>\nDentro e fora do campo, l\u00e1grimas. Dentro e fora do campo, sorrisos de uns poucos uruguaios, dos jogadores da celeste, logo transformados em super-her\u00f3i. Flavio Costa e os jogadores brasileiros eram acusados de um crime que n\u00e3o cometeram: o crime de perder a \u00faltima batalha.<br \/>\nA Copa se fora como um sonho, o mesmo sonho que levou \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do Maracan\u00e3. Desolado e mudo, o prefeito Mendes de Moraes, o construtor do est\u00e1dio, assistia im\u00f3vel \u00e0 trag\u00e9dia do mesmo local onde, antes do jogo, em discurso no pr\u00f3prio est\u00e1dio, saudou os jogadores como campe\u00f5es do mundo. De repente, a dura realidade. Como encar\u00e1-la ? Mas era imposs\u00edvel esconder a verdade. E dizer a verdade, naquele momento, era partir para a manchete cruel \u2013 Uruguai campe\u00e3o do mundo. E foi isso que fez a maioria dos jornais no dia seguinte.<br \/>\nCada jogador procurou a sua casa ou o hotel pelos pr\u00f3prios meios. Em algumas salas do Maracan\u00e3, jaziam caixas e mais caixas de serpentina e sacos de confetes preparados para o carnaval da vit\u00f3ria. O Maracan\u00e3, palco por excel\u00eancia do futebol, j\u00e1 viveu trag\u00e9dias, farsas e com\u00e9dias. Mas, aquele 16 de julho de 1950, est\u00e1 marcado para sempre como um dia de finado do futebol brasileiro.<\/p>\n<p>Fonte : revista Placa 1975<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Maracan\u00e3 tem a forma de uma falsa elipse. Sua constru\u00e7\u00e3o consumiu 500.00 sacos de cimento, correspondentes a tr\u00eas vezes a altura do Corcovado, e ferro em barras de 1\/16 de polegadas, suficientes para duas voltas em torno da terra. 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