{"id":6593,"date":"2010-03-27T18:21:10","date_gmt":"2010-03-27T21:21:10","guid":{"rendered":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=6593"},"modified":"2010-03-27T18:53:13","modified_gmt":"2010-03-27T21:53:13","slug":"44-anos-esta-tarde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=6593","title":{"rendered":"44 anos esta tarde"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_6598\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6598\" class=\"size-medium wp-image-6598\" title=\"O gol do t\u00edtulo\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/Anacleto3-300x126.jpg\" alt=\"Anacleto, ca\u00eddo, v\u00ea a bola entrar \u00e0 esquerda de Rubens: Inter campe\u00e3o\" width=\"300\" height=\"126\" srcset=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/Anacleto3-300x126.jpg 300w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/Anacleto3-500x210.jpg 500w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/Anacleto3.JPG 1279w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-6598\" class=\"wp-caption-text\">Anacleto, ca\u00eddo, v\u00ea a bola entrar \u00e0 esquerda de Rubens: Inter campe\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>O ponteiro Zez\u00e9 recebeu a bola ao lado da \u00e1rea, vigiado de perto pelo lateral \u00c9dson Madureira. Amea\u00e7ou retroceder para o armador Ricardo, mas mudou o movimento do p\u00e9 e deu um toque cavado para o fundo do campo, ganhando meio passo de vantagem sobre seu marcador. O cruzamento saiu suave e passou por cima do centroavante Puskas, que puxara a marca\u00e7\u00e3o no primeiro pau. Por pouco a bola n\u00e3o encobre tamb\u00e9m o camisa onze Anacleto, que subiu tudo o que p\u00f4de, logo ele, que nunca havia feito um gol de cabe\u00e7a. Das cinco mil pessoas que superlotavam o acanhado est\u00e1dio Vidal Ramos, nenhuma teve melhor vis\u00e3o do lance do que Zez\u00e9. Ele viu Anacleto dar com a testa em cheio na bola, que tomou o rumo do canto esquerdo do goleiro Rubens. Apanhado no contrap\u00e9, o velho Rub\u00e3o se esticou todo, com a m\u00e3o esquerda espalmada. N\u00e3o houvesse a rede e a bola pararia nos p\u00e9s de Zez\u00e9, depois da linha de fundo. Mas havia uma rede, e a bola ficou ali, no fundo do gol do Metropol.<\/p>\n<p>Naquele instante, o Internacional de Lages marcava pela segunda vez na tarde de 27 de mar\u00e7o de 1966. Anacleto, que tinha um canh\u00e3o no p\u00e9 esquerdo, tamb\u00e9m havia marcado o primeiro gol, mas de p\u00e9 direito. Ele jamais havia marcado gols com o p\u00e9 direito ou de cabe\u00e7a, e quis o destino que o fizesse justamente no jogo mais importante de sua vida, o jogo que deu ao Internacional a maior conquista de sua hist\u00f3ria, o t\u00edtulo de campe\u00e3o catarinense de 1965. O lend\u00e1rio Metropol ainda marcaria o seu gol de honra, mas n\u00e3o seria suficiente para estragar a festa colorada.<\/p>\n<p>O Inter de Lages, clube que havia sido fundado 17 anos antes por torcedores do Inter de Porto Alegre, n\u00e3o acabou ali. Na verdade, estava em plena ascens\u00e3o. Ainda em 1966, inauguraria o seu pr\u00f3prio est\u00e1dio, o Vermelh\u00e3o, em um amistoso contra o Hurac\u00e1n de Buenos Aires. Em 1974 seria vice-campe\u00e3o catarinense, com o centroavante Parraga, que brilharia depois na Ponte Preta. Teria ainda outras gl\u00f3rias que n\u00e3o constam sequer como nota de rodap\u00e9 na hist\u00f3ria do futebol, mas que orgulharam sua torcida. Uma vit\u00f3ria contra a M\u00e1quina Tricolor, com Edinho e Rivellino, em 1978. A honra de ter Andrade, campe\u00e3o do mundo pelo Flamengo, vestindo sua camisa vermelha em 1991. E a \u00faltima grande festa, a conquista do campeonato estadual da segunda divis\u00e3o em 2000, com um gol de falta de Kuki, ainda longe do sucesso que teria no N\u00e1utico.<\/p>\n<p>Para todos que, como eu, frequentaram o est\u00e1dio Vidal Ramos, o Internacional era um gigante. Porque representava a nossa cidade, porque am\u00e1vamos o time sem pedir nada em troca, porque era aquele o futebol que nos chegava sem o chiado do r\u00e1dio e sem o distanciamento da televis\u00e3o. O Internacional era o nosso futebol com cheiro de grama, com o estampido seco da chuteira batendo na bola, com os lugares que ocup\u00e1vamos domingo ap\u00f3s domingo, longe demais dos Maracan\u00e3s e Morumbis, mas perto de nossos passos, de nossas casas, de nossos sonhos.<\/p>\n<p>Assim como o Tejo n\u00e3o era mais belo que o rio da aldeia de Pessoa porque n\u00e3o era o rio da aldeia de Pessoa, am\u00e1vamos o Internacional. N\u00e3o era um clube que jogava as grandes ligas, que pisava os melhores gramados, que arrastava multid\u00f5es, mas era o clube da nossa aldeia. Era, porque est\u00e1 desativado, vitimado por ele pr\u00f3prio, pelo futebol que n\u00e3o se faz mais com a renda dos jogos, pelo tempo que \u00e9 t\u00e3o diferente daquela tarde nublada de 27 de mar\u00e7o de 1966.<\/p>\n<p>Eu poderia falar do Internacional pelas hist\u00f3rias que ouvi, pelos dribles que vi, pelos gols que gritei. Poderia dizer que aquelas camisas vermelhas se espalhando pelo campo s\u00e3o o meu sentimento mais remoto de perten\u00e7a. Mas prefiro mostrar a foto do gol do t\u00edtulo, com Anacleto j\u00e1 ca\u00eddo vendo a bola entrar, Rubens esticado no salto in\u00fatil, o est\u00e1dio a d\u00e9cimos de segundo da explos\u00e3o maior. S\u00f3 por hoje, vou acreditar que o Internacional ficou congelado ali, a um sopro de sua gl\u00f3ria maior. Porque faz 44 anos esta tarde e porque o Inter agora, parafraseando Drummond, \u00e9 s\u00f3 uma foto na parede. E como d\u00f3i.<\/p>\n<p><em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p><em>Internacional 2&#215;1 Metropol (Crici\u00fama)<\/em><\/p>\n<p><em>27 de mar\u00e7o de 1966 \u2013 Campeonato Catarinense \u2013 FINAL (temporada 1965)<\/em><\/p>\n<p><em>Est\u00e1dio Municipal Vidal Ramos J\u00fanior \u2013 Lages<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c1rbitro: Jos\u00e9 Witti da Silva (Paran\u00e1)<\/em><\/p>\n<p><em>Inter: J. Batista, Antenor, Leoqu\u00eddio, Setembrino e Carlinhos; Dair e Almir; Zez\u00e9, Ricardo, Puskas e Anacleto.<\/em><\/p>\n<p><em>Metropol: Rubens, Pedrinho, Hamilton, Nen\u00ea e Edson Madureira; Zequinha e Milton; Calita (Galego), Id\u00e9zio, Madureira e Wolney.<\/em><\/p>\n<p><em>Gols: Anacleto aos 15 do 1\u00b0 tempo; Anacleto aos 14 e \u00c9dson Madureira aos 30 do 2\u00b0 tempo.<\/em><\/p>\n<p><em>Obs.: com este resultado, o Internacional conquistou o campeonato catarinense de 1965.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ponteiro Zez\u00e9 recebeu a bola ao lado da \u00e1rea, vigiado de perto pelo lateral \u00c9dson Madureira. Amea\u00e7ou retroceder para o armador Ricardo, mas mudou o movimento do p\u00e9 e deu um toque cavado para o fundo do campo, ganhando meio passo de vantagem sobre seu marcador. 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