{"id":63993,"date":"2014-11-14T17:44:43","date_gmt":"2014-11-14T19:44:43","guid":{"rendered":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=63993"},"modified":"2023-03-29T13:39:48","modified_gmt":"2023-03-29T16:39:48","slug":"o-dia-em-que-o-paulistano-disse-adeus-ao-futebol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=63993","title":{"rendered":"O dia em que o C.A. Paulistano disse adeus ao futebol"},"content":{"rendered":"<p class=\"aligncenter size-large wp-image-64006\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-63994\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/943579_478125855606506_865720716_n-500x500.png\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/943579_478125855606506_865720716_n-500x500.png 500w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/943579_478125855606506_865720716_n-150x150.png 150w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/943579_478125855606506_865720716_n-300x300.png 300w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/943579_478125855606506_865720716_n-96x96.png 96w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/943579_478125855606506_865720716_n-24x24.png 24w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/943579_478125855606506_865720716_n-36x36.png 36w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/943579_478125855606506_865720716_n-48x48.png 48w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/943579_478125855606506_865720716_n-64x64.png 64w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/943579_478125855606506_865720716_n.png 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\">O DIA EM QUE O PAULISTANO DISSE ADEUS AO FUTEBOL<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nenhum clube conquistou tantos t\u00edtulos no regime amador deste pa\u00eds como o Clube Atl\u00e9tico Paulistano. Por tudo isto mereceu a alcunha de GLORIOSO. O alvirrubro do Jardim Am\u00e9rica, representando a elite paulistana no nascedouro deste jogo, chegou inclusive a uma fa\u00e7anha, in\u00e9dita at\u00e9 hoje, seu tetra campeonato paulista (1916, 1917, 1918 e 1919). E al\u00e9m dos ONZE CAMPEONATOS levantados (1905, 1908, 1913, 1916, 1917, 1918, 1991, 1921 \u2013 todos na sua fase \u00e1urea, e mais os campeonatos de 1926, 1927 e 1929, na ca\u00edda final, &nbsp;jogando na Liga de Amadores, quando se revoltou contra os primeiros ensaios do profissionalismo em terras bandeirantes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m destes t\u00edtulos, o Clube Atl\u00e9tico Paulistano assinalou a grande conquista do primeiro Campeonato Brasileiro de clubes na d\u00e9cada de vinte, derrotando o Fluminense FC do Rio de Janeiro e o SC Brasil, do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Isto para n\u00e3o falar na sua antol\u00f3gica e memor\u00e1vel excurs\u00e3o \u00e0 Europa em 1925. Foi ent\u00e3o o primeiro clube brasileiro e sul-americano a jogar em campos europeus, com grandes resultados, derrotando sele\u00e7\u00f5es e clubes importantes, perdendo apenas um jogo em dez partidas.<\/p>\n<p>Muitos trof\u00e9us, ta\u00e7as e laur\u00e9is em cotejos interestaduais e internacionais colecionou o Paulistano que possuiu sem d\u00favida os dois maiores e mais talentosos Monstros Sagrados das d\u00e9cadas de 10 e 20 do futebol brasileiro: Rubens de Moraes Salles \u2013 um centrom\u00e9dio de not\u00e1vel carreira e Arthur Friedenreich, um dos melhores atacantes e goleadores da hist\u00f3ria brasileira em todos os tempos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/44_Friedenreich_Paulistano-500x336.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"336\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\" align=\"center\">1929 \u2013 A DESPEDIDA DOS CAMPE\u00d5ES<\/p>\n<p>Quando o Paulistano se desentendeu na APEA, em fins de 1925, por ocasi\u00e3o da decis\u00e3o do campeonato contra a A.A. S\u00e3o Bento, sua revolta era um grito de contesta\u00e7\u00e3o ao futebol profissional que na \u00faltima metade da d\u00e9cada de vinte j\u00e1 come\u00e7ava a se pronunciar e que conflitava com os ideais do Paulistano. Foi a\u00ed que em sua sede nasceu a Liga de Amadores. Com ele se juntavam tr\u00eas outros clubes pioneiros do futebol paulista: o S.C. Germ\u00e2nia (hoje Pinheiros), S.C. Internacional de Antonio Casemiro da Costa, desaparecido no advento do novo regime, juntamente com a A.A. das Palmeiras, outro clube pioneiro. Alguns clubes pequenos se juntaram a eles nesta Liga de Amadores, o derradeiro grito de revolta dos adeptos do Amadorismo.<\/p>\n<p>A Liga de Amadores teve curta dura\u00e7\u00e3o, no entanto. O Profissionalismo j\u00e1 era uma realidade, da qual apenas alguns poucos tentavam se afastar. Quatro anos, quatro campeonatos. O Paulistano campe\u00e3o em 1926, 1927 e 1929. No certame de 1928, ele teve que ceder as honras da liga ao S.C. Internacional, e mais uma vez numa decis\u00e3o \u201cextra\u201d. &nbsp;Al\u00e9m dos seus onze t\u00edtulos de campe\u00e3o paulista, o Paulistano esteve envolvido em outras decis\u00f5es \u2013 como em 1920, por exemplo, quando seria penta campe\u00e3o se vencesse \u2013 e perdeu todas.<\/p>\n<p>No \u00faltimo ano de sua vida no futebol, o Paulistano foi absoluto na Liga. Com apenas 6 pontos perdidos, um time j\u00e1 cansado de gl\u00f3rias, chegou outras 6 vezes a f rente do segundo colocado, n\u00e3o sem certa surpresa, a modesta A.A. Portuguesa, da cidade de Santos. E neste campeonato j\u00e1 pontificam a A.A. Ponte Preta, de Campinas,&nbsp; (3\u00ba lugar, com 15 pontos), a A. Portuguesa de Sports (4\u00ba lugar, com 16 pontos, o Hespanha F.C. (hoje Jabaquara A.C.). da cidade de Santos (6\u00ba lugar com 18 pontos); o veterano C.A. Santista, outro baluarte do amadorismo; a A.A. S\u00e3o Bento \u2013 tamb\u00e9m reduto de express\u00e3o do regime quase morto e do famoso Col\u00e9gio de Padres; e o Paulista F.C., da cidade de Jundia\u00ed, presente desde o primeiro Campeonato da Liga.<\/p>\n<p>Uma agremia\u00e7\u00e3o quase de v\u00e1rzea \u2013 o Ant\u00e1rctica F.C. \u2013 um dos antepen\u00faltimos colocados do certame, com 24 pontos perdidos foi o derradeiro advers\u00e1rio do Glorioso em sua trajet\u00f3ria no futebol.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\" align=\"center\">A S\u00daMULA DO JOGO<\/p>\n<p>Fazia mau tempo. Era um domingo 15 de dezembro de 1929. A partida teve lugar no campo do Jardim Am\u00e9rica (campo do Paulistano). O clube alvirrubro vinha de resultados negativos, mas mesmo assim uma \u00f3tima assist\u00eancia lotava o campo. O Ant\u00e1rctica, advers\u00e1rio do campe\u00e3o, era um time modesto do bairro da Mo\u00f3ca. No entanto, uma grande atua\u00e7\u00e3o dos companheiros de Arthur Friedenreich levou o Paulistano a sua consagradora vit\u00f3ria de 6 a 1. Era a derradeira exibi\u00e7\u00e3o do Paulistano no futebol. Quem viu, viu, quem n\u00e3o viu n\u00e3o veria nunca mais aquela camiseta tradicional nos verdes gramados brasileiros.<\/p>\n<p>Os dois quadros entraram em campo assim constitu\u00eddos:<\/p>\n<p>Paulistano \u2013 Nestor, Clodoaldo e Barth\u00f4; Romeu, Rueda e Abbate; Luizinho, Jo\u00e3ozinho, Fried, Milton e Zuanella.<\/p>\n<p>Ant\u00e1rctica \u2013 Dami\u00e3o, Jahu e Roque; Romano, Mona e Coca; Delphim, Alfredinho, Maxa, Spitaletti e Mathinas.<\/p>\n<p>No quadro do Paulistano aparecia o extrema-direita Luizinho. Era o hoje Doutor Luiz Mesquita de Oliveira \u2013 mais tarde um not\u00e1vel extrema-direita, campe\u00e3o pelo Palestra It\u00e1lia e pelo S\u00e3o Paulo F.C.. O \u00e1rbitro do encontro foi o senhor Cecarelli do S\u00e3o Bento.<\/p>\n<p>No primeiro tempo o Paulistano construiu praticamente sua grande vit\u00f3ria. Milton, no primeiro minuto de jogo, abriu a contagem e o mesmo Milton, aos oito minutos, fez 2 a 0. Ambos em lan\u00e7amento de Fried; aos 26 minutos Fried marcou o terceiro gol e aos 28, outra vez Fried lan\u00e7ou Milton, goleador da partida, para estabelecer 4 a 0. Foi a\u00ed que surgiu aos 36 minutos aquele que viria a ser o \u201cgol de honra\u201d do Ant\u00e1rctica, de autoria de Spitaletti. Fried, aos 39 minutos, quase em cima do apito do \u00e1rbitro, marca Paulistano 5 a 1 e assinala seu \u00faltimo gol pelo clube do Jardim Am\u00e9rica. Na fase final, um gol somente. O derradeiro gol da hist\u00f3ria do Paulistano no futebol: o menino Luizinho, aos 39 minutos, no finzinho da partida.<\/p>\n<p>Assim se conta a derradeira p\u00e1gina do futebol no Paulistano. No jogo preliminar pelo Campeonato de Segundos Quadros, a vit\u00f3ria pertenceu ao Ant\u00e1rctica F.C., por 5 a 2. E este time secund\u00e1rio do clube da Mo\u00f3ca foi campe\u00e3o paulista da Liga de Amadores em sua divis\u00e3o.<\/p>\n<p>O resto \u00e9 saudade. Saudade de tanta gente boa. Saudade dos remanescentes do futebol de ouro do Paulistano, como o goleiro Nestor, a zaga Clod\u00f4 e Barth\u00f4; os m\u00e9dios Rueda e Abbate; o extraordin\u00e1rio Arthur Friedenreich.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/44_Freid-368x500.jpg\" alt=\"\" width=\"368\" height=\"500\"\/><\/p>\n<p>Fontes:&nbsp;texto copiado, na \u00edntegra, de um antigo recorte retirado do jornal &#8220;Popular da Tarde&#8221;, salvo engano dos anos setenta, que guardo em meu acervo. O texto n\u00e3o traz a assinatura do autor.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/paulistano-0011-319x500.jpg\" alt=\"\" width=\"319\" height=\"500\"\/><\/p>\n<p>Fotos: <a href=\"http:\/\/acervoshistoricos.blogspot.com.br\">http:\/\/acervoshistoricos.blogspot.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O DIA EM QUE O PAULISTANO DISSE ADEUS AO FUTEBOL &nbsp; Nenhum clube conquistou tantos t\u00edtulos no regime amador deste pa\u00eds como o Clube Atl\u00e9tico Paulistano. Por tudo isto mereceu a alcunha de GLORIOSO. 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