{"id":6068,"date":"2008-10-27T11:01:44","date_gmt":"2008-10-27T14:01:44","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.soccerlogos.com.br\/2008\/10\/27\/oscar-scolfaro-e-suas-historias-como-arbitro\/"},"modified":"2008-10-27T11:01:44","modified_gmt":"2008-10-27T14:01:44","slug":"oscar-scolfaro-e-suas-historias-como-arbitro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=6068","title":{"rendered":"Oscar Scolfaro e suas  hist\u00f3rias como \u00e1rbitro"},"content":{"rendered":"<p>Se pararmos para lembrar dos cinco melhores \u00e1rbitros do Brasil, certamente, Oscar Scolfaro, campineiro e corinthiano, estar\u00e1 entre eles. O Oscar apareceu na d\u00e9cada de 70 para ajudar, com outros companheiros,  a salvar as combalidas e prejudiciais arbitragens, principalmente, contra clubes pequenos.<\/p>\n<p>O Oscar, escalado para apitar Uruguai e Col\u00f4mbia, jogo v\u00e1lido pelas Eliminat\u00f3rias da Copa do Mundo, pegou o avi\u00e3o em S\u00e3o Paulo com destino ao Uruguai. L\u00e1 n\u00e3o havia teto e o pouso teve que ser feito na Argentina, em Buenos Aires. Tomou um taxi e come\u00e7ou a rodar atr\u00e1s de um hotel.  Em todos n\u00e3o havia uma vaga sequer.<\/p>\n<p>Argentino de alma brasileira<br \/>\nO motorista, apaixonado pelo nosso futebol , como todos os argentinos, e ao saber estar transportando um \u00e1rbitro brasileiro,  cavalheiro e cortez,  disse:<\/p>\n<p>&#8220;Vou resolver o seu problema.  Voc\u00ea vai ficar hospedado em minha casa&#8221; e para l\u00e1 seguiu. Mudou o filho de quarto e cedeu ao Oscar a melhor acomoda\u00e7\u00e3o do lar.<\/p>\n<p>No dia seguinte, ao se levantar o Oscar foi surpreendido por um caf\u00e9 simplemesmente maravilhoso: p\u00e3es, broas, frutas, doces, leite, manteiga,  gentilezas e sorrisos de todos os anfitri\u00f5es, que n\u00e3o sabiam o que fazer para agradar o ilustre hospede.<\/p>\n<p>Depois de muitas fotos da fam\u00edlia com o Oscar, o Sr. Puerta Benevides,  carregou a bagagem do Oscar para o carro e seguiu em dire\u00e7\u00e3o ao Aeroporto. N\u00e3o cobrou absolutamente nada. Nem das corridas, da hospedagem e muito menos do caf\u00e9.<\/p>\n<p>O que chamou a aten\u00e7\u00e3o do Oscar, na casa do motorista, foi o interesse de todos pelo Brasil.<\/p>\n<p>\u201cFauzi, eu nunca vi ningu\u00e9m conhecer mais o Brasil, suas praias e seu  futebol, como aquela fam\u00edlia.\u201d, disse Oscar. &#8220;Eles foram cordiais, gent\u00eds, amam o Brasil e a nossa  gente&#8221;, completou o  grande \u00e1rbitro de porte internacional.<\/p>\n<p>Dois grandes apitadores<br \/>\nPara Oscar Scolfaro , no passado n\u00e3o muito distante, o melhor \u00e1rbitro brasileiro foi Romualdo Arpi Filho (foto).<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m da eleg\u00e2ncia, cultura e saber falar com os jogadores, o Romualdo sabia tudo de futebol\u201d, assegura Oscar. Quando havia muita rivalidade entre os times e consequentemente entre as torcidas, segundo  Oscar, o Romualdo era mestre em  saber dirigir a partida, de forma que tudo terminava bem e sem conflitos.<\/p>\n<p>Outro grande \u00e1rbitro para Oscar Scolfaro foi o Dulcidio Vanderlei Boschilla. Diferente do Romualdo, o Dulcidio falava com os boleiros como boleiro. Diante dos dirigentes fazia valer a sua autoridade. N\u00e3o se intimidava e enfretava situa\u00e7\u00f5es horripilantes, mesmo que para tal tivesse que sacar a arma que sempre carregava &#8211; ele era policial. Dulcidio sempre foi respeitado pelos boleiros problem\u00e1ticos:  Serginho Chulapa, S\u00f3crates, Casagrande e outros tantos.<\/p>\n<p>Do quadro atual, para Oscar Scolfaro, Leonardo Gaciba \u00e9 o que tem apresentado o melhor desempenho, embora goste tamb\u00e9m do ga\u00facho, Carlos Eug\u00eanio Simon.<\/p>\n<p>Cada situa\u00e7\u00e3o apertada&#8230;<br \/>\nOscar, voc\u00ea j\u00e1 passou algum aperto apitando jogos importantes?, perguntei.<\/p>\n<p>\u2013&#8211; Se passei ? Claro que sim, e  pior, foi contra o meu Corinthians. Na decis\u00e3o Corinthians e Santos, o um a zero dava o t\u00edtulo ao Corinthians, s\u00f3 que eu marquei um p\u00eanalti existente, numa alavanca de La\u00e9rcio em Ferreira. O Pel\u00e9 bateu e empatou o jogo. O t\u00edtulo ficou com o Santos. Imagina como ficou a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O Gino Orlando, grande astro do passado e administrador do Morumbi&#8221;, continuou falando Oscar, &#8220;foi buscar meu carro e o colocou no port\u00e3o dos fundos. O Silvio Luiz, grande narrador da Bandeirantes, saiu dirigindo e eu deitado no banco traseiro. Se a torcida descobre, nem a tinta do carro sobraria para contar hist\u00f3ria&#8221;, relembra Scolfaro.<\/p>\n<p>O  mais engra\u00e7ado, continuou Oscar, \u00e9 que o Silvio Luiz, parou num posto para abastecer e, o frentista como o reconheceu disse:<\/p>\n<p>\u201cE ai Silvi\u00e3o&#8230; Quer dizer que o Coring\u00e3o foi campe\u00e3o ?\u201d<\/p>\n<p>&#8211;\u2013 N\u00e3o, Belo. O Santos foi campe\u00e3o, respondeu o Silvio.<\/p>\n<p>\u201cComo ? At\u00e9 agorinha tava um a zero pro Corintia\u201d, disse o frentista.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 meu amigo, tava, mas o juiz muito doid\u00e3o marcou um p\u00eanalti e o Crioulo foi l\u00e1 e cr\u00e1u no seu Cur\u00edntia&#8221;, falou, tirando sarro, Silvio Luiz.<br \/>\n&#8211;\u2013 Se eu t\u00f4 l\u00e1 eu mato esse juiz da p\u00e9ste, falou o frentista.<\/p>\n<p>&#8220;Nessa altura, eu  no banco traseiro meio que escondido, s\u00f3 n\u00e3o esmurrei o Silvio pra a coisa n\u00e3o ficar pior&#8221;, completou Oscar.<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria ou mito?<br \/>\nOscar, no jogo Ponte e Votuporanguense, no Mois\u00e9s Lucarelli, o Jos\u00e9 Astolfi terminou a partida aos 54 minutos do segundo tempo, depois que a Ponte marcou o gol salvador que lhe dava o direito de disputar a final\u00edssima com a Portuguesa Santista, certo? Pois bem, dizem at\u00e9 hoje que o Astolfi, nas cobran\u00e7as de escanteios, pulava junto com os atacantes para tentar marcar o gol e acabar com a agonia pontepretana ? \u00c9 verdade, Oscar ?<\/p>\n<p>&#8220;Eu tamb\u00e9m j\u00e1 ouvi muito essa hist\u00f3ria. O que aconteceu \u00e9 que o Z\u00e9 (Astolfhi) numa situa\u00e7\u00e3o normal, como acontece at\u00e9 hoje, deveria ter dado no m\u00e1ximo tr\u00eas ou quatro minutos de acr\u00e9scimos, mas ele deu quase 10,  e ai deu no que deu. Acho que por isso, essa hist\u00f3ria vai continuar por muito mais tempo&#8221;,  concluiu Oscar.<\/p>\n<p>Oscar Scolfaro, hoje, aposentado do apito, administra ao lado do filho Oscarzinho, um lava-jato de autos, pr\u00f3ximo ao Liceu Salesiano.<br \/>\n\u00c9 sempre bom e me faz muito bem, de vez em quando, parar por l\u00e1, tomar um cafezinho e ouvir as gostosas hist\u00f3rias que o Oscar conta para os amigos e clientes interessados. Uma virtude do Oscar: ele nunca escondeu de ningu\u00e9m que \u00e9 bugrino e corintiano.<\/p>\n<p>www.futebolinterior.com.br<br \/>\nfauzikanso@terra.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se pararmos para lembrar dos cinco melhores \u00e1rbitros do Brasil, certamente, Oscar Scolfaro, campineiro e corinthiano, estar\u00e1 entre eles. O Oscar apareceu na d\u00e9cada de 70 para ajudar, com outros companheiros, a salvar as combalidas e prejudiciais arbitragens, principalmente, contra clubes pequenos. 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