{"id":6042,"date":"2008-09-17T11:53:59","date_gmt":"2008-09-17T14:53:59","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.soccerlogos.com.br\/2008\/09\/17\/o-futebol-e-as-hqs\/"},"modified":"2008-09-17T11:53:59","modified_gmt":"2008-09-17T14:53:59","slug":"o-futebol-e-as-hqs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=6042","title":{"rendered":"O Futebol e as HQs"},"content":{"rendered":"<p>Preste aten\u00e7\u00e3o em qualquer jogo entre Palmeiras e Cruzeiro. Duas torcidas organizadas estar\u00e3o sempre l\u00e1, ostentando suas bandeiras. A Mancha Verde do lado dos paulistas, e a Mancha Azul pelos mineiros. Em comum, o fato de que seus s\u00edmbolos s\u00e3o nada mais, nada menos que o Mancha Negra, famoso vil\u00e3o dos quadrinhos Disney..<br \/>\n[img:manchanegra.jpg,resized,vazio]<\/p>\n<p>Mas no futebol as refer\u00eancias a HQs n\u00e3o se restringem ao Mancha, modificado pela cor do time de cada torcida. \u00c9 f\u00e1cil ver tamb\u00e9m o Hulk, o Duende Verde e at\u00e9 o Lobo da DC Comics estampados nas bandeiras das torcidas.<\/p>\n<p>O que dizer, ent\u00e3o, da folcl\u00f3rica e recentemente extinta &#8220;geral&#8221; do Maracan\u00e3, na qual se encontram, comumente, torcedores fantasiados de Flash, Super-Homem, Batman e Robin em tudo quanto \u00e9 Fla-Flu?<\/p>\n<p>Curioso foi o que aconteceu com o Lanterna Verde, que em 2002 esteve na boca at\u00e9 de quem n\u00e3o curtia quadrinhos. Gra\u00e7as ao Palmeiras, que no Brasileir\u00e3o daquele ano amargou sua pior campanha em certames nacionais (caiu para a segunda divis\u00e3o), e por causa da cor de sua camisa e por ficar nas \u00faltimas coloca\u00e7\u00f5es do certame&#8230; bem, a piada estava feita.<\/p>\n<p>Mas na campanha que reconduziu o alviverde \u00e0 divis\u00e3o de elite, os torcedores adotaram um novo s\u00edmbolo: o &#8220;verd\u00e3o&#8221; Hulk. Havia at\u00e9 um ator que se &#8220;transformava&#8221; no personagem a cada partida.<br \/>\n[img:Hulk.jpg,resized,vazio]<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em S\u00e3o Paulo, por muito tempo a torcida corintiana estendeu nos est\u00e1dios uma faixa com o desenho Batim\u00e3o, tendo o defensor de Gotham City com a camisa do clube, numa criativa jun\u00e7\u00e3o do nome do her\u00f3i com o apelido do clube.<\/p>\n<p> A rela\u00e7\u00e3o entre futebol e quadrinhos \u00e9 mais velha do que se pensa. J\u00e1 na d\u00e9cada de 40, o argentino Lorenzo Mollas criou v\u00e1rias mascotes para os times cariocas. Nessa brincadeira, o Pato Donald passou a representar o Botafogo. Mas, antes disso, o marinheiro Popeye j\u00e1 posava como s\u00edmbolo do Flamengo. Somente em 1969 o cartunista Henfil criou o urubu para o clube rubro-negro.<\/p>\n<p>Em meados dos anos 80, pelas m\u00e3os de Ziraldo, popularizaram-se v\u00e1rias outras mascotes, com destaque para o Super-Homem do Bahia (por muito tempo chamado de &#8220;Tricolor de A\u00e7o&#8221;) e o Saci Perer\u00ea do Internacional.<\/p>\n<p>Na Para\u00edba, o cartunista Deodato Borges (pai de Mike Deodato, um dos melhores desenhistas brasileiros da Marvel), bolou para o Treze de Campina Grande uma majestosa raposa. E o Botafogo da capital Jo\u00e3o Pessoa tem como representante o Guarda Belo, da Hanna-Barbera, embora ultimamente a torcida prefira o c\u00e3o pitbull. J\u00e1 o Esporte de Patos, do interior estado, tamb\u00e9m usa a figura do Pato Donald.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m da Disney, o \u00edndio Havita e o papagaio Z\u00e9 Carioca j\u00e1 foram usados como s\u00edmbolos, respectivamente, do Guarani de Campinas e do Palmeiras, embora n\u00e3o sejam mais bem aceitos pelos torcedores (os palmeirenses at\u00e9 adotaram o porco, h\u00e1 alguns anos, como a mascote &#8220;oficial&#8221;).<\/p>\n<p> Mas o interessante foi ver toda a turma de Pat\u00f3polis entrando no clima e vestida com uniformes de sele\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios pa\u00edses. Isso aconteceu em 2002, no \u00e1lbum de figurinhas Copa do Mundo Disney. O livro ilustrado foi uma grata surpresa da Editora Abril, que h\u00e1 muito deixara de lan\u00e7ar cromos de personagens Disney, muito comuns nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980.<\/p>\n<p>Para relembrar uma Sele\u00e7\u00e3o Brasileira que deixou saudades, vale voltar aos meses que antecederam a Copa do Mundo da Espanha, em 1982, quando era exibida na TV uma propaganda da Gillette que marcou \u00e9poca. Era um desenho animado cujo personagem, Pacheco, um sujeito bonach\u00e3o que representava toda nossa torcida, virou s\u00edmbolo do Pa\u00eds na competi\u00e7\u00e3o. Ele tamb\u00e9m aparecia nos gibis, na forma de publicidade em quadrinhos.<\/p>\n<p>No ano passado, no M\u00e9xico, os jogadores do Rayados de Monterrey adotaram uma mascote do Hulk, de pouco mais de um metro de altura, que inclusive senta no banco de reservas em todos os jogos.<\/p>\n<p>Futebol nas HQs brasileiras<\/p>\n<p>O Brasil, como pa\u00eds do futebol, tem v\u00e1rios outros exemplos dessa bem-sucedida uni\u00e3o entre dois dos melhores entretenimentos que existem. J\u00e1 em 1932, os moleques Reco-Reco, Bol\u00e3o e Azeitona, cria\u00e7\u00f5es de Luis S\u00e1, apareciam batendo uma bolinha.<\/p>\n<p> A Turma do Perer\u00ea, cria\u00e7\u00e3o de Ziraldo, gostava tanto de futebol que chegou a organizar um torneio na mata. E um inesquec\u00edvel registro dessa paix\u00e3o aconteceu em 1962, meses antes de o Brasil conquistar o bicampeonato mundial no Chile. Era uma hist\u00f3ria que mostrava um dos membros da turma desfilando seu talento nos gramados, e sendo convocado para a sele\u00e7\u00e3o que disputaria a Copa naquele ano. Tudo isso p\u00f4de ser visto no primeiro volume da cole\u00e7\u00e3o Todo Perer\u00ea, que a Editora Salamandra lan\u00e7ou em 2002 e cujo terceiro n\u00famero saiu em agosto de 2004.<br \/>\n[img:Perere.jpg,resized,vazio]<\/p>\n<p>Em 1978, o gibi S\u00edtio do Picapau Amarelo # 13 (RGE) mostrou outro personagem convocado para a Copa. Tia Nast\u00e1cia foi convidada a fazer parte da delega\u00e7\u00e3o do Brasil, para preparar deliciosos quitutes para os jogadores.<\/p>\n<p> Nossa sele\u00e7\u00e3o, ali\u00e1s, tem um grande n\u00famero de apari\u00e7\u00f5es nos quadrinhos, em diferentes \u00e9pocas, principalmente em lan\u00e7amentos pr\u00f3ximos a alguma Copa do Mundo. S\u00f3crates, Zico, Falc\u00e3o, Careca, Bebeto, Rom\u00e1rio, Taffarel, Ronaldinho e muitos outros (que inclu\u00edam os t\u00e9cnicos Cl\u00e1udio Coutinho, Tel\u00ea Santana e Lazzaroni) apareceram em gibis do S\u00edtio do Picapau Amarelo, Cebolinha, Z\u00e9 Carioca e Pelezinho, em 1978, 1982, 1986, 1990 e 1994.<\/p>\n<p>E s\u00f3 mesmo no pa\u00eds pentacampe\u00e3o do mundo s\u00e3o mais do que comuns as colet\u00e2neas especiais sobre o esporte, pin\u00e7adas de uma variedade enorme de hist\u00f3rias dos mais diferentes personagens, como os da Disney (em edi\u00e7\u00f5es de Z\u00e9 Carioca relacionadas a Copas e no Disney Especial), Turma da M\u00f4nica (Pelezinho, tamb\u00e9m em edi\u00e7\u00f5es alusivas aos mundiais e na Cole\u00e7\u00e3o Um Tema S\u00f3: Futebol), entre outros.<\/p>\n<p> Em gibis como Cebolinha, Casc\u00e3o, Os Trapalh\u00f5es (tanto na Bloch quanto na Abril) e O Gordo, passando por Menino Maluquinho, Alegria, Turma do Lambe-Lambe e tosqueiras como S\u00e9rgio Mallandro, o futebol sempre deu um jeitinho de pintar nas hist\u00f3rias produzidas aqui. At\u00e9 mesmo Senninha, um piloto de F\u00f3rmula 1, participava de peladas com sua turma.<\/p>\n<p>H\u00e1 outras cria\u00e7\u00f5es tupiniquins que tamb\u00e9m amam o futebol, como Maciota, o jogador de v\u00e1rzea criado por Paulo Paiva; a garotinha Mutuca, de Ant\u00f4nio Cedraz (criador da Turma do Xaxado); a tira O Dia a Dia do Futebol, de Bruno Teixeira Lomba; o c\u00e3o Jarbas, que \u00e0s vezes veste a camisa da sele\u00e7\u00e3o ou se traja de \u00e1rbitro; e o travesso Cabe\u00e7a Oca, cuja roupa vermelha e branca \u00e9 uma homenagem ao Vila Nova, clube para o qual torce o criador do personagem, o goiano Christie Queiroz.<\/p>\n<p> E n\u00e3o se pode esquecer de Futebol e Ra\u00e7a, publicado pela Cedibra, que durou apenas tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es. Com textos de Luiz Ant\u00f4nio Aguiar e desenhos de Mozart Couto, as hist\u00f3rias tinham como protagonista um jogador aposentado.<\/p>\n<p>Mesmo quando algum personagem vinha dos Estados Unidos &#8211; pa\u00eds conhecidamente avesso ao futebol -, os autores brasileiros tratavam de faz\u00ea-lo apreciar o esporte. Nas hist\u00f3rias da Pantera Cor-de-Rosa, Luluzinha, Bolinha ou algumas da Hanna-Barbera produzidas aqui, era poss\u00edvel encontrar pelo menos a tradicional bola de gomos pretos e brancos compondo cen\u00e1rios de lojas de brinquedos ou quartos de crian\u00e7a. Coisa que n\u00e3o se via nas aventuras importadas.<\/p>\n<p>Em O grande jogo, hist\u00f3ria produzida nos est\u00fadios da Editora Abril e publicada na revista Pato Donald # 1252, foram reunidos v\u00e1rios vil\u00f5es como Jo\u00e3o Bafo-de-On\u00e7a, Dr. Estigma e Irm\u00e3os Metralha em torno de uma disputa futebol\u00edstica num pres\u00eddio. O melhor ficou para o final, quando todos organizaram uma partida de futebol de bot\u00e3o, uma inven\u00e7\u00e3o genuinamente brasileira.<\/p>\n<p> Z\u00e9 Carioca, por sua vez, joga bola com muita freq\u00fc\u00eancia, desde suas primeiras hist\u00f3rias produzidas no Brasil. Mais ainda depois que surgiu o Vila Xurupita F.C., criado por Ivan Saidenberg na d\u00e9cada de 1970. O time punha em campo, al\u00e9m do papagaio, os pernas-de-pau Nestor, Afonsinho, Pedr\u00e3o e outros &#8220;grossos&#8221;.<br \/>\n[img:vilaxurupitaFC.jpg,resized,vazio]<\/p>\n<p>Praticamente uma vers\u00e3o em quadrinhos do \u00cdbis (time pernambucano que \u00e9 considerado o pior do mundo), o Vila Xurupita \u00e9 o maior saco de pancadas da hist\u00f3ria do futebol. Na \u00fanica vez em que ganhou um trof\u00e9u (disputado num jogo s\u00f3, contra uma equipe formada por gorilas mal-encarados, vencido devido a um gol contra), foi obrigado a vender o pr\u00eamio para pagar os alugu\u00e9is atrasados da sede do clube.<\/p>\n<p>O time alimenta ainda uma rivalidade ferrenha com o Arranca-Toco. Os jogos entre as duas equipes s\u00e3o o que se pode chamar de (com o perd\u00e3o do trocadilho) cl\u00e1ssico dos quadrinhos.<\/p>\n<p> Como todo brasileiro que se preza, o papagaio malandro \u00e9 fan\u00e1tico por futebol, e essa paix\u00e3o foi &#8211; e continua sendo &#8211; parte marcante do gibi do personagem. Seja em men\u00e7\u00f5es a clubes, jogos na cal\u00e7ada ou &#8220;furadas de fila&#8221; no Maracan\u00e3, a revista sempre destacou o esporte bret\u00e3o.<\/p>\n<p>E numa dessas, foi concebida a melhor saga futebol\u00edstica do Z\u00e9 Carioca, a divertida Z\u00e9 nos States, escrita por G\u00e9rson B. Teixeira e desenhada por Aluir Am\u00e2ncio. O arco completo de hist\u00f3rias foi publicado na edi\u00e7\u00e3o n\u00famero 2000 da revista do personagem, e se passava na \u00e9poca da Copa do Mundo 94.<\/p>\n<p>A aventura narrava a ida de Z\u00e9 Carioca aos Estados Unidos para assistir aos jogos do Brasil. \u00c9 claro que, para chegar l\u00e1 sem um tost\u00e3o no bolso o malandro apronta de tudo para alcan\u00e7ar seu intento. Uma das melhores passagens \u00e9 o encontro dele com o craque Maradona num navio de passageiros. A rivalidade entre brasileiros e argentinos foi o mote para as mais divertidas confus\u00f5es. O jogador, claro, sofreu nas m\u00e3os do papagaio.<\/p>\n<p> N\u00e3o mais que um marinheiro argentino, que n\u00e3o resistiu e cantou Aquarela do Brasil junto com o Z\u00e9 Carioca. Acabou sendo expulso do navio pelos pr\u00f3prios compatriotas, que gritavam &#8220;Traidor!&#8221; a pelos pulm\u00f5es.<\/p>\n<p>Para quem n\u00e3o teve a oportunidade de ler essa fant\u00e1stica saga h\u00e1 dez anos, a Editora Abril a republicou em 2004 no t\u00edtulo quinzenal do Z\u00e9 Carioca.<\/p>\n<p>Mas essa n\u00e3o foi a primeira vez que o papagaio assistiu in-loco aos jogos do Brasil nas Copas. Em muitas ocasi\u00f5es, ele tanto fazia que acabava integrando a delega\u00e7\u00e3o nacional. Como em 1986, na revista Z\u00e9 Carioca # 1775, em que o malandro at\u00e9 ensina ao t\u00e9cnico Tel\u00ea Santana um novo posicionamento t\u00e1tico, baseado no famoso &#8220;carrossel holand\u00eas&#8221;: a gangorra tupiniquim.<\/p>\n<p>Antes disso, em 1982, ele foi com Donald e Panchito \u00e0 Espanha. E em 1998, l\u00e1 estava o caloteiro na Fran\u00e7a, no especial Copa 98.<\/p>\n<p> Tantas hist\u00f3rias ligadas ao futebol na revista do papagaio caloteiro provavelmente n\u00e3o se originavam apenas do apelo comercial que o esporte possui, mas tamb\u00e9m porque a turma da Reda\u00e7\u00e3o Disney da Editora Abril era adepta de uma pelada semanal nos anos 80.<\/p>\n<p>Os quadrinhistas alugavam uma quadra na sede do Corpo de Bombeiros, em S\u00e3o Paulo, e os jogos rendiam inspira\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 para engra\u00e7ad\u00edssimas HQs, como para impag\u00e1veis charges sobre a Reda\u00e7\u00e3o, nas quais um dos alvos preferidos era o rechonchudo arte-finalista Ac\u00e1cio Ramos.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje o argumentista G\u00e9rson B. Teixeira (atualmente trabalhando nos Est\u00fadios Mauricio de Sousa) guarda esses desenhos, uma recorda\u00e7\u00e3o dos bons tempos da produ\u00e7\u00e3o nacional de quadrinhos Disney.<\/p>\n<p>Falando em charges, grandes nomes da \u00e1rea n\u00e3o perdem a oportunidade de brincar um pouco com o futebol. Laerte, Glauco, Lu\u00eds Fernando Ver\u00edssimo e muitos outros t\u00eam em seu portf\u00f3lio diversos trabalhos sobre o tema.<\/p>\n<p>E aqui mesmo no UHQ o leitor pode se deliciar com divertidas charges que colocam famosos personagens dos quadrinhos (Demolidor, Thor, Wolverine, etc.) no mundo da bola, destacando-se as que antecederam a Copa de 2002.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o a outro sucesso e orgulho nacional, a Turma da M\u00f4nica, seus gibis talvez s\u00e3o uma das poucas HQs nas quais os personagens torcem por um time de verdade. N\u00e3o se trata de uma hist\u00f3ria isolada em que algu\u00e9m revelou seu clube do cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 algo j\u00e1 consolidado em diversas aventuras. Efetivamente, o Casc\u00e3o \u00e9 fan\u00e1tico pelo Corinthians, o Cebolinha torce pelo Palmeiras, o Anjinho \u00e9 santista (nada mais l\u00f3gico!) e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos, Mauricio de Sousa anunciou que transformaria o jogador Ronaldo (sim, ele mesmo, o Fen\u00f4meno) em mais um de seus personagens. Foi at\u00e9 divulgado um desenho do craque ao lado de M\u00f4nica e Casc\u00e3o. At\u00e9 hoje, nada de concreto aconteceu.<\/p>\n<p> Marcelinho Carioca, o pol\u00eamico ex-atacante do Corinthians, por pouco tamb\u00e9m n\u00e3o virou personagem de quadrinhos. Em 2001 ele lan\u00e7ou o P\u00e9 de Anjo, que s\u00f3 n\u00e3o foi para os gibis (ou para qualquer outro lugar) porque, na \u00e9poca, o jogador estava em crise com os torcedores.<\/p>\n<p>Outro que n\u00e3o emplacou e acabou cedo foi o t\u00edtulo Coringuinhas. Lan\u00e7ado em 2003, numa parceria entre o Corinthians e a Publishouse, o gibi tinha como atra\u00e7\u00e3o os jogadores mirins da escolinha do clube paulista, entre eles o craque Alvinho. A equipe criativa contava com Caco Machado (roteiros), George Tutumi (desenhos), Roberto Souza (arte-final) e o saudoso Hermes Tadeu (cores). Em 1998, a Editora Abril lan\u00e7ou o especial de luxo Linha de ataque: Futebol Arte. Com textos dos comentaristas esportivos Armando Nogueira, Jos\u00e9 Trajano, Marcelo Fromer (que tamb\u00e9m era guitarrista da banda Tit\u00e3s e faleceu h\u00e1 poucos anos) e Casagrande, mais os desenhos de Marcelo Campos, Octavio Cariello, Rog\u00e9rio Vilela e Roger Cruz, foi um dos exemplos mais significativos da jun\u00e7\u00e3o do futebol com a nona arte. Mas n\u00e3o foi nenhuma obra-prima do g\u00eanero, \u00e9 preciso dizer.<\/p>\n<p>Outra produ\u00e7\u00e3o recente sobre o tema foi lan\u00e7ada em 2002. Trata-se de Dez na \u00e1rea, um na banheira e ningu\u00e9m no gol. O \u00e1lbum, publicado pela Via Lettera, apresentou 11 hist\u00f3rias produzidas pelos craques dos quadrinhos F\u00e1bio Moon, Gabriel B\u00e1, Allan Sieber, Cust\u00f3dio, F\u00e1bio Zimbres, L\u00e9lis, Leonardo, Osvaldo Pavanelli, Em\u00edlio Damiani, Spacca, Samuel Casal, Maringoni e Caco Galhardo. E ainda teve um pref\u00e1cio do ex-jogador Tost\u00e3o.<\/p>\n<p>E em 2004 saiu pela Editora Bom texto, o espetacular A Hist\u00f3ria do Futebol no Brasil atrav\u00e9s do Cartum, livro organizado pela dupla Jal e Gual que rende uma homenagem ao mais apaixonante dos esportes e \u00e0 mem\u00f3ria do tra\u00e7o nacional. S\u00e3o 340 ilustra\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias \u00e9pocas.<\/p>\n<p>Para os que n\u00e3o puderem adquirir nenhuma dessas edi\u00e7\u00f5es, e que desejam ler alguma HQ sobre futebol, a op\u00e7\u00e3o \u00e9 acessar o site da Nona Arte, sempre rico em quadrinhos de v\u00e1rios estilos. L\u00e1 se encontra dispon\u00edvel para download a excelente Dia de decis\u00e3o, produzida por Arthur Ferraz, Daniel Brand\u00e3o e Denilson Albano.<\/p>\n<p>  Refor\u00e7os estrangeiros<\/p>\n<p>Em qualquer lugar do mundo onde haja futebol e se produza HQs, pode-se testemunhar a uni\u00e3o de ambos. Do Chile, com o Condorito (\u00e0s vezes ele aparecia de chuteiras e com uma bola na m\u00e3o, vindo de alguma pelada), \u00e0 Argentina, com o jogador Dico (o personagem, criado em 1971 pelo desenhista Jos\u00e9 Luis Salinas, era artilheiro do Estrela F.C. e participava de aventuras policiais fora de campo).<br \/>\n[img:dico.jpg,resized,vazio]<\/p>\n<p>Ambos foram publicados no Brasil em revistas pr\u00f3prias, pela RGE, respectivamente nos anos 80 e 70. O condor chileno ainda voltou \u00e0s bancas brasileiras em curta temporada, no come\u00e7o da d\u00e9cada de 1990, pela Editora Maltese.<\/p>\n<p>At\u00e9 o frio e &#8220;burocr\u00e1tico&#8221; futebol da Alemanha tem representantes nos quadrinhos. Kick Wilstra, criado por Henk Sprenger, era um jogador que enfrentava bandidos nas horas vagas. O personagem fez muito sucesso entre os alem\u00e3es, na d\u00e9cada de 1950.<\/p>\n<p> E n\u00e3o s\u00f3 aqui os personagens Disney demonstram paix\u00e3o pelo futebol. Em pa\u00edses como Dinamarca, Fran\u00e7a e It\u00e1lia, tamb\u00e9m chegados numa pelota, \u00e9 muito comum encontrar hist\u00f3rias do g\u00eanero.<\/p>\n<p> Uma das mais memor\u00e1veis foi feita pelos italianos e publicada no Brasil em 1986. Nela, Mickey e Pateta tentam voltar no tempo, mais precisamente para 1970, para tirar fotografias exclusivas da final da Copa do Mundo entre Brasil e It\u00e1lia. Tudo d\u00e1 errado e eles acabam indo para o futuro, exatamente no dia e local da disputa da Copa 86. Enquanto o jogo se desenrola, s\u00e3o mostradas apenas as express\u00f5es dos personagens, que ficam sabendo, antecipadamente, quem venceu o campeonato.<\/p>\n<p>A capa de Peninha # 1, lan\u00e7amento da Abril em agosto de 2004, \u00e9 outra prova do quanto os italianos gostam do esporte. O desenho foi feito na Disney It\u00e1lia, e mostra o pato atrapalhado ao lado de Huguinho, Zezinho e Luisinho num campo de futebol alagado.<\/p>\n<p> Curiosa foi a hist\u00f3ria O som da arena, feita nos Estados Unidos e protagonizada por Cable, um dos muitos mutantes da Marvel Comics. Publicada aqui na Wizard # 12 (Panini Comics, setembro de 2004), mostrou, em algumas p\u00e1ginas, aquilo que todo mundo l\u00e1 fora j\u00e1 sabe: brasileiro \u00e9 apaixonado por futebol. As cenas apresentavam o her\u00f3i no Rio de Janeiro observando um garoto mutante batendo uma pelada na praia com seus amigos e usando superpoderes para cabecear uma bola que vinha muito alta.<\/p>\n<p>Os chamados quadrinhos autorais tamb\u00e9m prestaram sua homenagem ao futebol. V\u00e1rios cartuns do argentino Mordillo (cultuado na Europa e pouco conhecido aqui), e Os Campe\u00f5es (lan\u00e7ado no Brasil pela Merib\u00e9rica\/L\u00edber), obra do turco G\u00fcrcan G\u00fcrsel, s\u00e3o dois excelentes exemplos. Donos de tra\u00e7os diferentes entre si, t\u00eam em comum a paix\u00e3o pelo esporte das massas e um humor inteligente que se traduz na forma como produzem seus \u00e1lbuns: gags puras, sem nenhum bal\u00e3o ou recordat\u00f3rio, no m\u00e1ximo uma onomatop\u00e9ia aqui e ali.<\/p>\n<p> O tamb\u00e9m argentino Sergio M\u00e1s lan\u00e7ou, em 1998, o livro de cartuns Futbol de M\u00e1s, com a participa\u00e7\u00e3o de alguns cartunistas brasileiros.<\/p>\n<p>E um futebol futurista, com jogos violentos em verdadeiras batalhas campais, foi mostrado, em 1987, na obra Hors Jeu, de Enki Bilal e Patrick Cauvin.<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 O mini-guia do futebol, HQ dos franceses Bruno Madaule e Gaston. Publicado recentemente em v\u00e1rios pa\u00edses da Europa, o \u00e1lbum bem que poderia circular pelo Brasil, j\u00e1 que Portugal verteu a obra para nossa l\u00edngua.<\/p>\n<p> De nossa p\u00e1tria-m\u00e3e vem Pantera Negra Eus\u00e9bio, homenagem em HQ ao maior jogador portugu\u00eas da hist\u00f3ria do futebol, o atacante Eus\u00e9bio, artilheiro da Copa da Inglaterra, em 1966. O \u00e1lbum foi lan\u00e7ado em 1990 pela Merib\u00e9rica, com desenhos de Eug\u00e9nio Silva.<\/p>\n<p>At\u00e9 na terra do Sol nascente, sem nenhuma tradi\u00e7\u00e3o futebol\u00edstica (mas que vem se interessando pela coisa h\u00e1 alguns anos &#8211; Zico que o diga!), vez ou outra se produz alguma HQ com o tema.<\/p>\n<p>Em 1982, surgiu o mang\u00e1 Captain Tsubasa (criado por Yoichi Takahashi), com as aventuras do jovem Oliver Tsubasa, que sonhava em ser campe\u00e3o de juniores pelo Jap\u00e3o. O primeiro tomo da s\u00e9rie foi at\u00e9 1989.<\/p>\n<p> No ano de 1994 veio o segundo tomo, no qual o personagem jogava no S\u00e3o Paulo. Isso se justificava pelo fato de o clube ter ganhado duas decis\u00f5es da Copa Intercontinental Toyota, em T\u00f3quio, em 1992 e 1993 e gozar de muito prest\u00edgio por l\u00e1. Nas hist\u00f3rias ainda apareciam outros times brasileiros, como Flamengo e Gr\u00eamio. Recentemente, Tsubasa se transferiu para o Barcelona.<\/p>\n<p>Por aqui, o personagem s\u00f3 deu as caras em anim\u00ea. O mang\u00e1 ainda \u00e9 publicado no Jap\u00e3o, numa nova s\u00e9rie, com a impressionante tiragem semanal de 1,5 milh\u00e3o de exemplares.<\/p>\n<p>O mais recente trabalho de Yoichi Takahashi tamb\u00e9m \u00e9 sobre futebol: Syukan Shonen Champion, tamb\u00e9m in\u00e9dito no Brasil.<\/p>\n<p>O Rei em quadrinhos<\/p>\n<p>Pel\u00e9, o maior expoente do futebol em toda a Hist\u00f3ria e talvez a personalidade mais conhecida do planeta, j\u00e1 honrou as HQs com sua presen\u00e7a. Al\u00e9m de contracenar com o Z\u00e9 Carioca, o Rei ainda apareceu na capa do especial Super-Homem versus Muhammad Ali, publicado no Brasil nos anos 70, pela Ebal. Na ilustra\u00e7\u00e3o, ele assiste \u00e0 luta ao lado de outras figuras famosas da pol\u00edtica e das artes.<\/p>\n<p>Assim como se formaram mitos em torno das fa\u00e7anhas de Pel\u00e9 nos gramados, tamb\u00e9m existe uma lenda sobre ele nos quadrinhos. Lee Falk, criador do Fantasma, afirmou numa entrevista ao Jornal da Tarde (de S\u00e3o Paulo), em 1996, que o rei do futebol ajudou o Esp\u00edrito-que-Anda numa aventura produzida no Brasil.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que n\u00e3o se sabe que editora realizou tal fa\u00e7anha: RGE\/Globo, Saber ou Ebal, que publicaram o her\u00f3i em diferentes \u00e9pocas em nosso pa\u00eds. Infelizmente, n\u00e3o se encontra registro dessa hist\u00f3ria, mas se o pr\u00f3prio Lee Falk disse que ela existe&#8230;<\/p>\n<p>No final da d\u00e9cada de 1970, Pel\u00e9 ganhou participa\u00e7\u00e3o mais que efetiva nos quadrinhos, quando Mauricio de Sousa criou Pelezinho. Estreando em tiras de jornal e depois ganhando seu pr\u00f3prio gibi na Editora Abril, o personagem fez muito sucesso n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul.<br \/>\n[img:pelezinho50anospele.jpg,resized,vazio]<\/p>\n<p> Os coadjuvantes de Pelezinho eram todos baseados em amigos de inf\u00e2ncia do Rei. Um dos mais divertidos da turma era o (arremedo de) goleiro Frang\u00e3o. At\u00e9 Dondinho, o pai de Pel\u00e9, aparecia nas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>A revista mensal do pequeno craque durou at\u00e9 1982, e por mais quatro anos foram lan\u00e7ados almanaques peri\u00f3dicos com republica\u00e7\u00f5es, incluindo os especiais da Copa do Mundo de 82 e de 86 (em duas edi\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p>Quando os Est\u00fadios Mauricio de Sousa foram para a Editora Globo, o personagem ganhou um almanaque em 1988, al\u00e9m do especial Copa 90 (que apresentava hist\u00f3rias in\u00e9ditas, e numa delas havia at\u00e9 um encontro entre Pel\u00e9 e Pelezinho) e um \u00e1lbum em comemora\u00e7\u00e3o aos 50 anos do rei do futebol.<\/p>\n<p>Em 1990, Mauricio de Sousa cogitou a volta do personagem com um visual bem diferente, agora um pr\u00e9-adolescente. Anos depois, em 2002, essa nova imagem foi apresentada em propagandas nas revistas da Turma da M\u00f4nica e em sites pela internet. Mas a id\u00e9ia n\u00e3o seguiu adiante.<\/p>\n<p>Restou s\u00f3 a saudade do maior craque que os quadrinhos j\u00e1 revelaram para o futebol &#8211; ou seria o contr\u00e1rio?<\/p>\n<p>Supercraques<\/p>\n<p>Em 1995, o ent\u00e3o diretor de reda\u00e7\u00e3o da revista Placar, Marcelo Duarte, teve a id\u00e9ia de revitalizar as mascotes dos clubes de futebol, as quais achava ultrapassadas. Pensou em algo que significasse o poder e a for\u00e7a que os times representam.<\/p>\n<p> A Era Image, na qual supertipos anabolizados e anatomicamente inveross\u00edmeis eram a bola da vez, estava no auge. Assim, sob encomenda do jornalista, a equipe do est\u00fadio Art &#038; Comics seguiu a tend\u00eancia e transformou as velhas e passivas mascotes nos Super-Her\u00f3is da Bola: Mega Tim\u00e3o (Corinthians), Power Urubu (Flamengo), Lan\u00e7a-Chamas (Botafogo), Cyberpork (Palmeiras), Galo Vingador (Atl\u00e9tico-MG), Fox (Cruzeiro) e outros formavam o mais novo esquadr\u00e3o de paladinos da justi\u00e7a.<\/p>\n<p>A Editora Abril pretendia populariz\u00e1-los at\u00e9 que pudessem ganhar uma revista pr\u00f3pria. Durante v\u00e1rios n\u00fameros da Placar, eles foram tema de mat\u00e9rias, capa de edi\u00e7\u00e3o e chegaram a ganhar um superp\u00f4ster e uma hist\u00f3ria curta. Mas a iniciativa n\u00e3o surtiu efeito, as vendas n\u00e3o demonstraram que o p\u00fablico ficara animado com a inova\u00e7\u00e3o e o projeto foi engavetado.<\/p>\n<p>De qualquer forma, foi um divertido exerc\u00edcio de imagina\u00e7\u00e3o que entrou para a hist\u00f3ria da mais longeva revista de esportes do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em 1995, inspirado nas &#8220;supermascotes&#8221;, este articulista fez uma montagem que consistia no Ciclope (l\u00edder dos X-Men), vestindo a camisa do Flamengo e segurando a cabe\u00e7a do ex-jogador Renato Ga\u00facho, o ent\u00e3o algoz do time rubro-negro (autor do gol que tirou o t\u00edtulo carioca do rubro-negro naquele ano). Batizada de X-Mengo, a imagem foi publicada na Placar especial de 100 anos do time carioca.<\/p>\n<p>Mas os quadrinhos continuaram fazendo parte da revista. Tiras de humor e charges s\u00e3o se\u00e7\u00f5es fixas na Placar h\u00e1 muitos anos. A hil\u00e1ria coluna Lendas da Bola, de Milton Trajano, \u00e9 um belo exemplo disso.<\/p>\n<p>Diante de tudo que se viu, n\u00e3o resta d\u00favida: nos quadrinhos o futebol tamb\u00e9m \u00e9 alegre, faz sorrir e chorar, produz tabelas perfeitas e at\u00e9 as goleadas surgem com mais freq\u00fc\u00eancia.<\/p>\n<p>O \u00fanico problema \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel xingar o juiz. Mas isso parece n\u00e3o fazer falta, pois os leitores j\u00e1 t\u00eam seu pr\u00f3prio saco de improp\u00e9rios: o editor.<\/p>\n<p>Fonte: www.universohq.com\/quadrinhos- Marcus Ramone \u00e9 flamenguista roxo. Talvez por isso tamb\u00e9m seja torcedor fan\u00e1tico do Vila Xurupita nos quadrinhos.<br \/>\nObs: meu gibi favorito era o Fantasma. Imaginem s\u00f3, Pel\u00e9 ajudou o esp\u00edrito-que-anda numa aventura. S\u00f3 o neg\u00e3o mesmo.<br \/>\nGilberto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Preste aten\u00e7\u00e3o em qualquer jogo entre Palmeiras e Cruzeiro. 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