{"id":6036,"date":"2008-09-05T12:05:34","date_gmt":"2008-09-05T15:05:34","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.soccerlogos.com.br\/2008\/09\/05\/e-sea-ponte-preta-ganhasse-a-final-em-1977\/"},"modified":"2008-09-05T12:05:34","modified_gmt":"2008-09-05T15:05:34","slug":"e-sea-ponte-preta-ganhasse-a-final-em-1977","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=6036","title":{"rendered":"E se&#8230;.a Ponte Preta ganhasse a final em 1977?"},"content":{"rendered":"<p>E se&#8230;<br \/>\n&#8230;&#8230;&#8230;. a Ponte Preta ganhasse a final em 1977?<br \/>\n[img:Ponte_de_77.jpg,resized,vazio]<\/p>\n<p>Bate-rebate na \u00e1rea. Bola na trave, Oscar tira em cima da linha. E a bola sobra para Bas\u00edlio. Era 13 de outubro de 1977 e o Corinthians estava prestes a sair dos 23 anos sem t\u00edtulos. O camisa 8 tinha o gol livre diante de si, mas errou o chute. A bola espirrou e saiu por cima do gol. No lance seguinte, Dic\u00e1 aproveitou uma desaten\u00e7\u00e3o da marca\u00e7\u00e3o corintiana e, em um chute da entrada da \u00e1rea, acertou o canto de Tobias. Ponte Preta campe\u00e3.<\/p>\n<p>A cidade de S\u00e3o Paulo entrou em depress\u00e3o. Ainda que os campineiros tivessem vencido o segundo jogo da decis\u00e3o do Paulist\u00e3o, imaginava-se que, na terceira partida, o Corinthians fizesse valer a vantagem do empate em 120 minutos. Isso n\u00e3o aconteceu e a sensa\u00e7\u00e3o de sofrimento eterno cresceu. Afinal, perder a final de 1974 para o Palmeiras era at\u00e9 admiss\u00edvel. Mas deixar escapar o t\u00edtulo para um time do interior era algo fora dos planos, ainda que a Ponte Preta fosse muito mais forte tecnicamente.<\/p>\n<p>Durante tr\u00eas dias, nada acontecia na capital paulista. Mesmo palmeirenses, s\u00e3o-paulinos e santistas eram solid\u00e1rios com a dor dos corintianos. N\u00e3o havia goza\u00e7\u00f5es, apenas uma tristeza de ver tantas pessoas se afundando na percep\u00e7\u00e3o de que o futebol jamais lhes daria alegria. A rela\u00e7\u00e3o entre Corinthians e o povo sofredor nunca esteve t\u00e3o forte.<\/p>\n<p>No ano seguinte, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o melhorou. At\u00e9 o Guarani conquistava t\u00edtulos. No caso, o Brasileir\u00e3o. Os jovens, ainda vol\u00e1teis futebolisticamente, viram nos futebol campineiro uma moda. Era diferente e legal gostar daqueles clubes que, vindas de uma cidade a 100 km da capital, tinham times competitivos e cheio de jogadores feitos em casa. At\u00e9 entre os paulistanos surgiu uma torcida para Bugre e Ponte, que viram a popularidade crescer e, nos anos seguintes, atra\u00edram a aten\u00e7\u00e3o de empresas que quisessem vincular suas marcas a clubes modernos.<\/p>\n<p>Mas isso era entre os jovens. A maioria da popula\u00e7\u00e3o continuava vendo no Corinthains seu reflexo em campo. Antes de 1977, dizia-se que o Alvinegro era um fen\u00f4meno por aumentar sua torcida mesmo sem conquistar t\u00edtulos. Pois isso se intensificou depois daquele gol de Dic\u00e1. Quem quisesse fugir da imagem de modista, escolhia o Corinthians. Quase como um sinal de rebeldia e desprendimento do mundo material em \u00e9poca de ditadura e cultura pop efervescente.<\/p>\n<p>Em meados da d\u00e9cada de 1980, o cen\u00e1rio futebol\u00edstico j\u00e1 est\u00e1 todo modificado. O Corinthians tem a maior torcida de S\u00e3o Paulo por vantagem nunca atingida em rela\u00e7\u00e3o ao Palmeiras, o segundo colocado. At\u00e9 que um dirigente corintiano teve a sacada: \u201cse a torcida cresce tanto com as derrotas, talvez seja uma boa id\u00e9ia a gente sempre chegar perto dos t\u00edtulos, mas perder no final\u201d.<\/p>\n<p>A nova diretriz no Parque S\u00e3o Jorge era, secretamente, montar times lutadores para agradar \u00e0 torcida, mas que fossem ruins o suficientes para perder sempre. Qualquer coisa era motivo para sucatear o time. A diretoria chegou a alugar o departamento de futebol v\u00e1rias vezes. Al\u00e9m disso, cedeu as categorias de base a conselheiros que quisessem se desfazer dos jogadores. A infra-estrutura da equipe profissional ficou abandonada.<\/p>\n<p>A essa altura, a quantidade de derrotas j\u00e1 fizera o Alvinegro ultrapassar o Flamengo como clube mais popular do pa\u00eds, ainda que n\u00e3o conquistasse nem Copa S\u00e3o Paulo de juniores. O marketing da desgra\u00e7a parecia bastante eficiente no Parque S\u00e3o Jorge, ainda que nenhum n\u00e3o-corintiano entendesse como aquilo ocorria.<\/p>\n<p>O golpe de mestre seria um acordo de parceria com mafiosos internacionais. Al\u00e9m de desorganizar todo o departamento de futebol, o clube afundou em d\u00edvidas e ainda tinha um elenco em que v\u00e1rios jogadores ruins tinham sal\u00e1rios astron\u00f4micos. Era um retrato do inferno. O problema \u00e9 que, na \u00e2nsia de minar a for\u00e7a do time, a diretoria exagerou na dose e o time foi rebaixado no Campeonato Brasileiro.<\/p>\n<p>A queda fez alguns corintianos pararem de se regozijar com a pr\u00f3pria desgra\u00e7a para investigar o que ocorria. Apenas quando perceberam o estado em que o clube ficara \u00e9 que algu\u00e9m sacou: \u201cEra tudo um plano da diretoria. Para fazer tanta barbaridade em seq\u00fc\u00eancia, s\u00f3 pode ser de prop\u00f3sito para perder\u201d.<\/p>\n<p>Era mesmo.<br \/>\nPauta sugerida por Pedro Henrique Pires Silva.<br \/>\nUbiratan Leal\/www.gardenal.org\/balipodo\/2008\/04<\/p>\n<p>Obs.: Esse \u201cartigo\u201d \u00e9 uma obra de fic\u00e7\u00e3o e, portanto, n\u00e3o deve ser levado a s\u00e9rio. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associa\u00e7\u00f5es citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ningu\u00e9m aqui tem talento para ler m\u00e3os, i-ching, tar\u00f4, b\u00fazios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhan\u00e7a com a vida real foi uma grande coincid\u00eancia.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o \u00e9 fic\u00e7\u00e3o e real foram fatos que relato :<br \/>\nComo a epop\u00e9ia de 1977 foi desgastante tamb\u00e9m em termos financeiros, muitos jogos na tabela de Alfredo Metidieri, cheguei ao Morumbi no terceiro jogo, este do gol do Bas\u00edlio, j\u00e1 exaurido em meus recursos. O torcedor um pouco mais humilde pedia desesperadamente uma ajuda para entrar no est\u00e1dio. Ao meu lado na arquibancada, j\u00e1 n\u00e3o dava para ir  nas numeradas,  tinha um rapaz que parecia que estava com a fome do deserto do Saara. Quando estava comendo um cachorro quente, segurando pela m\u00e3o esquerda, olhei distraidamente para a direita e&#8230;&#8230;.nhac! O rapaz deu uma mordida furtiva no meu sanduiche. Gente, isto aconteceu. Mais um pouco pr\u00e1 frente aconteceu com o meu cigarro, na \u00e9poca eu fumava, o cara deu uma tragada sorrateira. A\u00ed foi demais, dei o cigarro pro cara.<br \/>\nN\u00e3o sei se voc\u00eas lembram de um guarda chuva que apareceu jogado no campo ap\u00f3s o jogo. Era de meu amigo Santana, proibido que estava pela mulher de levar radinho de pilha. Ele literalmente jogava o que tinha nas m\u00e3os para o campo.<br \/>\nPara encerrar, na sa\u00edda do est\u00e1dio, descendo a sisuda e chique avenida Giovanni Gronchi, pela primeira vez vi, j\u00e1 virando a madrugada, todos em frente \u00e0s suas mans\u00f5es vendo a voltada torcida. Era a avenida mais iluminada de S\u00e3o Paulo aquela noite.<br \/>\nGilberto Maluf, que viveu 1977 quase dentro dos est\u00e1dios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E se&#8230; &#8230;&#8230;&#8230;. a Ponte Preta ganhasse a final em 1977? [img:Ponte_de_77.jpg,resized,vazio] Bate-rebate na \u00e1rea. 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