{"id":5988,"date":"2008-06-24T22:34:11","date_gmt":"2008-06-25T01:34:11","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.soccerlogos.com.br\/2008\/06\/24\/o-dramatico-super-super-de-1958-campeonato-carioca\/"},"modified":"2008-06-24T22:34:11","modified_gmt":"2008-06-25T01:34:11","slug":"o-dramatico-super-super-de-1958-campeonato-carioca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=5988","title":{"rendered":"O dram\u00e1tico Super-Super de 1958 &#8211; Campeonato Carioca"},"content":{"rendered":"<p>Cont\u00e9m o artigo de Ney Bianchi publicado na revista Manchete Esportiva no. 166, de 24 de janeiro de 1959, e a transcri\u00e7\u00e3o da narra\u00e7\u00e3o do gol do Vasco pelo locutor Valdir Amaral.<br \/>\nCont\u00e9m reportagem do site NetVasco e fotos jornal O Globo em sua edi\u00e7\u00e3o esportiva especial.<\/p>\n<p>No campeonato de 1958 aconteceu um fato in\u00e9dito no futebol carioca: foi necess\u00e1ria a realiza\u00e7\u00e3o de dois supercampeonatos para a decis\u00e3o do t\u00edtulo. Ap\u00f3s a disputa dos dois turnos normais, Vasco, Flamengo e Botafogo estavam empatados com 12 pontos perdidos. Por isso, houve o primeiro super, que tambem nao decidiu, j\u00e1 que, ao seu final, havia nova igualdade entre os tr\u00eas clubes, cada um com uma vit\u00f3ria e uma derrota. Somente no segundo super surgiu o campe\u00e3o carioca de 58: O Clube de Regatas Vasco da Gama.<br \/>\nE a conquista do clube vascaino foi inteiramente justa, porque durante quase todo o certame esteve sempre em situa\u00e7\u00e3o de superioridade na tabela. Faltando duas rodadas, o Vasco possuia quatro pontos de vantagem sobre Botafogo e Flamengo. Bastaria um empate em qualquer dos dois \u00faltimos compromissos, justamente contra aqueles dois advers\u00e1rios, para garantir o t\u00edtulo. Por\u00e9m o Vasco deixou escapar o titulo praticamente ganho, perdendo para o Botafogo por 2 a 0 e para o Flamengo por 3 a 1.<br \/>\nO Vasco comecou o supercampeonato, no dia 21 de dezembro de 1958, vencendo categoricamente ao Flamengo por 2 a 0, com gols de Pinga aos 11 e Almir aos 26 minutos do primeiro tempo. Uma semana depois, o Flamengo venceria ao Botafogo por 2 a 1. Bastaria ao Vasco, portanto, um empate contra o Botafogo, no dia 4 de janeiro de 1959. Estava escrito, por\u00e9m, que nao seria ainda dessa vez que o Vasco voltaria com a faixa para Sao Janu\u00e1rio. Jogando com mais acerto e empenho, mesmo desfalcado de Nilton Santos, que havia sido expulso contra o Flamengo, os alvinegros triunfaram por 1 a 0, gol de Paulinho Valentim aos 3 minutos do primeiro tempo, adiando novamente a decisao.<br \/>\nSe pouca gente acreditava no Vasco depois da derrocada das duas \u00faltimas partidas do returno, agora menos ainda. Em Sao Janu\u00e1rio, aumentava a perseguicao ao t\u00e9cnico Gradim, um homem bom, simples e s\u00f3brio, acusado de &#8220;nao ter nome&#8221;. N\u00e3o somente em Sao Januario, mas na imprensa, no r\u00e1dio, na televis\u00e3o, se pedia a cabeca do t\u00e9cnico. So&#8217; assim, diziam, o Vasco poderia ser campe\u00e3o. Mas Gradim n\u00e3o estava ali por acaso. O time estava com ele, acreditava nele. Jaime Soares Alves, principalmente, o diretor de futebol, so&#8217; acreditava nele. E o sustentou no cargo contra vento e mare&#8217;.<br \/>\nO super-supercampeonato seria ainda mais mais dram\u00e1tico que o super. Desta vez, foi determinado que a abertura seria entre Vasco e Botafogo, no dia 10 de janeiro. Para surpresa dos que ja&#8217; nao acreditavam nele, o Vasco alcancou uma vitoria incontest\u00e1vel por 2 a 1. Pinga abriu a contagem para o Vasco aos 8 minutos do primeiro tempo; Quarentinha empatou aos 44; e Pinga novamente, aos 8 do segundo tempo, deu a vitoria ao Vasco. O Vasco alinhando: Helio; Paulinho, Bellini, Orlando e Coronel; Ecio e Valdemar; Sabara&#8217;, Almir, Roberto Pinto e Pinga. O Botafogo com: Amauri; Caca&#8217;, Tome&#8217;, Paulistinha e Nilton Santos; Pampolini e Didi; Garrincha, Paulinho, Quarentinha e Neivaldo.<br \/>\nNo dia 14 de janeiro, jogaram no Maracan\u00e3  Botafogo e Flamengo. Houve empate de 2 a 2, numa partida sensacional. Os rubronegros viraram o primeiro tempo com a vantagem de 1 a 0, gol de Dida aos 7 minutos. Os alvinegros viraram no segundo tempo com dois gols de Quarentinha aos 21 e 25 minutos, mas Luiz Carlos empatou definitivamente a partida aos 30.<br \/>\nDesta maneira o Vasco chegava a ultima partida do super-super, novamente precisando apenas do empate. So&#8217; que, desta vez, com qualquer resultado sairia o campeao. Na noite de sabado, dia 17 de janeiro de 1959, o Vasco  de camisas brancas com a faixa diagonal negra, calcoes e meias brancas, e o Flamengo, de camisas rubronegras, calcoes brancos e meias rubronegras, entravam em campo no Maracana lotado.<br \/>\nO jornalista Ney Bianchi assim descreveu a partida na revista Manchete Esportiva :<br \/>\n1&#215;1 NA DECISAO DO &#8220;HIPERCAMPEONATO&#8221;: VASCO, CAMPEAO DO &#8220;ANO DE OURO&#8221;<br \/>\n[img:mancheteesportiva.jpg,resized,vazio]<\/p>\n<p>E tudo acabou como devia acabar: o Vasco, enfim, em sua quarta tentativa, premiado com o t\u00edtulo in\u00e9dito, pelo qual sofreu mais do que todos. O Flamengo, sem sair derrotado, mantendo a cabeca erguida, num adeus de fibra e categoria. E o jogo, em si, brilhante, nervoso, estrategicamente bem mexido, e, individualmente, jogado com aquela arte que so&#8217; o jogador brasileiro possui.<br \/>\nOs dois comecaram iguais: o Vasco defendendo com oito e atacando com seis. Sabara&#8217; e Pinga &#8211; mais Sabara&#8217; do que Pinga &#8211; desceram sempre, notadamente na primeira etapa. Da sua parte, o Flamengo trazia Baba&#8217; e Luis Carlos para desfazer os momentos de maior perigo. Quando avan\u00e7avam, os dois times o faziam com igual decis\u00e3o. Ser\u00e1 interessante notar, no terreno puro da t\u00e1tica, que n\u00e3o esteve alheia ao jogo, que os dois conjuntos se metamorfosearam por igual, com suas manobras. Come\u00e7aram em 4-4-2, chegaram a estar numa esp\u00e9cie de 5-3-2 (o Vasco descendo \u00c9cio como quinto homem de \u00e1rea e o Flamengo recuando Moacir), e por fim, estabilizaram-se num 4-3-3, desconcertante pela velocidade e pelas pinceladas de arte futebolistica que marcaram sua aplicacao pelos dois bandos.<br \/>\nDOIS TIMES DISPOSTOS A TUDO<br \/>\nAs ordens do comando, por\u00e9m n\u00e3o prejudicaram &#8211; e isso nunca poderia suceder &#8211; ao jogo, de uma forma geral. Houve provas de conjuntos primorosos e com suas respectivas li\u00e7\u00f5es bem decoradas. Houve artimanhas individuais de categoria exemplar. Houve, sobretudo, velocidade. Foi um dos jogos mais velozes dos \u00faltimos tempos. Dentro disso tudo, vale destacar as performances individuais de Paulinho (excepcional), Belini, Valdemar, Roberto, Sabara&#8217; e Pinga entre os hipercampeoes, e Fernando, Pavao, Henrique e Baba&#8217; entre os vice-campeoes.<br \/>\nNum jogo onde os dois esquadroes vao para campo dispostos a tudo, e&#8217; louv\u00e1vel, ainda, que se possa falar em alta esportividade, como a que se verificou ao final. Foi um jogo duro, mas nunca desleal.<br \/>\nUMA ETAPA E UM GOL PARA CADA TIME<br \/>\nO primeiro tempo foi mais do Flamengo. Movimentava-se melhor, revezava com intelig\u00eancia seus homens de ataque, forcando com precis\u00e3o enervante o \u00faltimo reduto vascaino. Nesta etapa os cruzmaltinos tiveram que se defender com unhas e dentes. No per\u00edodo complementar, por\u00e9m, o Vasco deu o troco. Voltou calmo e jogando no ch\u00e3o. Roberto desceu para policiar Baba&#8217;, e Sabara&#8217; conquistou definitivamente a meia-cancha. Ai&#8217; o Vasco cresceu, encurralando o Flamengo ate&#8217;, pelo menos, marcar seu gol. Depois houve a rea\u00e7\u00e3o desesperada do Flamengo e o empate. Mas o Vasco continuou mais calmo e mais senhor das acoes, mantendo, assim, o resultado que lhe deu o titulo.<br \/>\nO gol de Roberto foi marcado aos 13 minutos. Sabara&#8217; centrou, Roberto recebeu livre, a defesa do Flamengo parou pensando que ele estava impedido (nao estava, pois do outro lado, Jadir lhe dava condicao de jogo), e o tiro partiu seco, batendo Fernando inapelavelmente. Aos 24 minutos, Baba&#8217; empatou para o Flamengo. Moacir bateu uma falta, Belini devolveu de cabeca, Baba&#8217; travou, nao foi atacado e fuzilou Miguel.<br \/>\nOS DETALHES DA PARTIDA<br \/>\nEunapio de Queiros cumpriu magnifica atuacao. Bem ajudado pelos jogadores, pode mostrar que e&#8217;, realmente, o melhor juiz da cidade. A arrecadacao somou a cifra recorde de Cr$ 5.621.768,00 com um publico pagante de 130.901 e uma assistencia total de cerca de 150.000 pessoas. Como renda, foi a terceira do Maracan\u00e3, em todos os tempos (primeiro: Brasil x Uruguai, segundo: Brasil x Espanha) e como publico, o quinto (Brasil contra Uruguai, Espanha, Suecia, na Copa de 50, e Brasil x Paraguai, eliminatoria da Copa de 54, as maiores plateias). Como campeonato carioca, entretanto, nada ultrapassou esse jogo, at\u00e9 hoje. E dificilmente ultrapassara&#8217;. Os dois times jogaram assim: VASCO DA GAMA: Miguel(nota 8), Paulinho(10), Belini(9), Orlando(8) e Coronel(8); Ecio(8), Valdemar(9) e Sabara'(9); Almir(9), Roberto(10) e Pinga(9). FLAMENGO: Fernando(8); Joubert(8), Pavao(9), Jadir(8) e Jordan(8); Moacir(8), Dequinha(8) e Baba'(9); Luis Carlos(8), Henrique(9) e Dida(8).<br \/>\nAqui estao registradas as situa\u00e7\u00f5es de maior emo\u00e7\u00e3o nos 90 minutos.<br \/>\nPRIMEIRO TEMPO<br \/>\n5 minutos &#8211; Sabar\u00e1, deslocado para o miolo, d\u00e1 a Pinga, que avanca, chuta e Fernando agarra firme. Perigo.<br \/>\n8 minutos &#8211; Almir trama com Sabara&#8217;, este da&#8217; para Pinga, que chuta violentissimo, rente a trave.<br \/>\n12 minutos &#8211; Moacir, em brilhante jogada, entrega a Baba&#8217;, deslocado para a meia direita, que fuzila. Grande perigo.<br \/>\n14 minutos &#8211; Luis Carlos passa por Coronel e Orlando, e atira um rojao que passa raspando.<br \/>\n16 minutos &#8211; O Flamengo cresce. Agora Moacir da&#8217; a Henrique, este a Dida, que balanca o corpo e chuta com malicia. Miguel salva.<br \/>\n21 minutos &#8211; Dida esta&#8217; com toda a corda, agora corta Belini e fuzila. Miguel manda a corner.<br \/>\n30 minutos &#8211; Agora e&#8217; Sabara&#8217;. Sempre deslocado, vai pelo miolo; perto da area, arremessa, perigosamente.<br \/>\n31 minutos &#8211; Valdemar faz falta. Henrique da&#8217; um petardo que passa pela barreira. Defende Miguel depois de largar.<br \/>\n36 minutos &#8211; Sabara&#8217; avanca pela ponta esquerda, da&#8217; a Almir que, na corrida, atira pelo alto, rente a trave.<br \/>\n43 minutos &#8211; Almir da&#8217; um esticao para Valdemar, que fuzila. Fernando voa e manda a corner. Perigo.<br \/>\n45 minutos &#8211; Ecio a Sabara&#8217;, este a Pinga, que avanca pelo centro e desfere petardo potente, rente a trave.<br \/>\nSEGUNDO TEMPO<br \/>\n2 minutos &#8211; Sabara&#8217; cobra um &#8220;hands&#8221; com perigo. A bola passa pela barreira e Fernando defende, larga e sofre falta.<br \/>\n5 minutos &#8211; Sabara&#8217;, um le\u00e3o, avanca pela esquerda da&#8217; a Pinga no centro, que vira, sensacional, rente a trave.<br \/>\n7 minutos &#8211; Ecio da&#8217; a Almir, que perde, recupera e atira pela ponta, na corrida. Fernando afasta com esforco.<br \/>\n13 minutos &#8211; Sabara&#8217; trabalha pelo miolo, Roberto recebeu pela ponta direita, solto, avancou e fuzilou. Era o primeiro gol.  NARRA\u00c7\u00c3O DO GOL:<br \/>\nDa cabine da radio Continental, Waldir Amaral narrou o lance dessa maneira:  Coronel atira&#8230; pela esquerda do ataque do Vasco a Sabara&#8217;. Cortou Jadir pelo prolongamento da grande \u00c1rea do Flamengo. Jadir p\u00f5e para Moacir. Interrompe a jogada em \u00f3timo lance o pernambuquinho Almir e deu para Sabara&#8217;! Recolheu Sabara&#8217; o passe de calcanhar de Almir e ja&#8217; soltou pela direita a Valdemar. Penetra Valdemar. Aciona na entrada da \u00e1rea a Roberto, que atira, e&#8217; gol! Gol do Vasco da Gama! Gol de Roberto! A imensa familia do Almirante faz espoucar foguetes e e&#8217; um alarido tremendo em Maracana! Gol de Roberto, sacudindo a torcida do Almirante em Maracana! Pelo meu cronometro, doze minutos e meio da etapa complementar. Doze minutos e meio da etapa complementar. Gol de Roberto, Vasco da Gama 1, Flamengo 0.<\/p>\n<p>19 minutos &#8211; Falta contra o Vasco. Cobra Henrique. Bate na barreira. Na recarga, Dequinha chutou perigosamente pelo alto.<br \/>\n20 minutos &#8211; Pinga livra-se de Jadir, avanca como uma bolide, e, meio sem angulo, atira rente. Susto do Fla.<br \/>\n25 minutos &#8211; Falta batida por Moacir; defesa rebate e Baba&#8217;, na corrida e de fora da area, empata, descambado para a meia direita.<br \/>\n31 minutos &#8211; Baba&#8217;, em lance isolado, avanca e da&#8217; um chute perigosissimo. Miguel se estira e defende no canto.<br \/>\n40 minutos &#8211; Corner batido por Baba&#8217;. Dida, num bolo de jogadores, pula e cabeceia pela esquerda da meta de Miguel.<br \/>\n42 minutos &#8211; Valdemar comete pexotada, passando a bola para Dida, que da&#8217; a Henrique, livre. Belini, na corrida, desarma-o.<br \/>\n44 minutos &#8211; Henrique, lancado pela direita, da&#8217; uma puxada para Baba&#8217;, que cabeceia perigosamente. Defende Miguel, com esforco.<br \/>\nNo vesti\u00e1rio, Roberto Pinto, com o pe&#8217; enfaixado, pagou o tributo de autor do gol vascaino, recebendo uma infinidade de abra\u00e7os mais e menos apertados, sendo carregado em triunfo um sem n\u00famero de vezes, tendo que descrever o gol ate&#8217; ficar rouco. Mas, falando de sua emo\u00e7\u00e3o, declarou o seguinte:<br \/>\n&#8212; Acho que herdei do meu tio Jair Rosa Pinto o temperamento frio. Claro, fiquei contente. Foi, porem, uma emocao controlada. Incluindo os titulos de juvenil, fui oito vezes campeao pelo Vasco.<br \/>\nNa segunda-feira, dia 19 de janeiro, a primeira pagina do caderno esportivo de O Globo estampava em sua manchete: &#8220;SUPERCAMPE\u00c3O O VASCO&#8221;, e destacava as sequencias de fotos dos gols da partida. No pe&#8217; da pagina, uma foto, tirada no vestiario, dos sorridentes Roberto Pinto e seu tio Jair, abracados.<br \/>\n[img:Jornal_o_Globo___edi____o_esportiva.jpg,resized,vazio]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cont\u00e9m o artigo de Ney Bianchi publicado na revista Manchete Esportiva no. 166, de 24 de janeiro de 1959, e a transcri\u00e7\u00e3o da narra\u00e7\u00e3o do gol do Vasco pelo locutor Valdir Amaral. Cont\u00e9m reportagem do site NetVasco e fotos jornal O Globo em sua edi\u00e7\u00e3o esportiva especial. 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