{"id":5972,"date":"2008-06-04T18:41:21","date_gmt":"2008-06-04T21:41:21","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.soccerlogos.com.br\/2008\/06\/04\/airton-pavilhao-o-zagueiro-das-multidoes\/"},"modified":"2008-06-04T18:41:21","modified_gmt":"2008-06-04T21:41:21","slug":"airton-pavilhao-o-zagueiro-das-multidoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=5972","title":{"rendered":"Airton Pavilh\u00e3o, o zagueiro das multid\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>[img:Airton_em_1961_1.jpg,resized,vazio]<br \/>\nAirton Pavilh\u00e3o, o Airton Ferreira da Silva, fant\u00e1stico ex-zagueiro central do Gr\u00eamio nos anos 50 e 60, nascido no dia 31 de outubro de 1935, deixou o time do For\u00e7a e Luz de Porto Alegre para o Gr\u00eamio trocado por um pavilh\u00e3o.   Eu imaginava que um pavilh\u00e3o era uma cobertura ou coisa do tipo. Mas pavilh\u00e3o \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o leve, de madeira ou de outro material, geralmente destinada a servir de abrigo. Este foi o pre\u00e7o do passe dele, da\u00ed o apelido que o acompanha at\u00e9 hoje. Segundo se conta&#8230;<br \/>\n&#8230;&#8230;era uma vez 1954, ano de inaugura\u00e7\u00e3o do Ol\u00edmpico Monumental. O Est\u00e1dio da Baixada, antiga casa tricolor, localizado onde hoje \u00e9 o Parque Moinhos de Vento, havia sido desmanchado. As t\u00e1buas da arquibancada estavam dispon\u00edveis. Na negocia\u00e7\u00e3o com o For\u00e7a e Luz, al\u00e9m de um valor em dinheiro, foi entregue aquele lote de madeira. Este fato valeu ao jogador contratado o apelido de A\u00edrton \u201cPavilh\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>No Rio Grande do Sul, Airton \u00e9 considerado  superior a Figueroa e at\u00e9 mesmo a Domingos da Guia, Mauro, Bellini, Djalma Dias, Luiz Pereira e Oscar,  \u00e9 uma unanimidade entre os ga\u00fachos. \u00c9 referenciado at\u00e9 hoje como \u201co dono da \u00e1rea\u201d e \u201csem fazer faltas\u201d, ressalva o jornalista Armindo Ant\u00f4nio Ranzolin em dedicat\u00f3ria na contracapa do livro \u201cAirton Pavilh\u00e3o, o zagueiro das multid\u00f5es\u201d, de Celso Sant\u00b4Anna, que perpetuou Airton Pavilh\u00e3o em 124 p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>Aqui no Rio de Janeiro, conhe\u00e7o um antigo torcedor do Internacional que foi inclusive gandula do colorado no come\u00e7o dos anos 60. Hoje ele \u00e9 dono de uma academia na rua Barata Ribeiro, seu nome \u00e9 Jose Carlos. Perguntei para ele sobre o Airton do Gr\u00eamio.  Ele me falou: Enquanto o Airton jogava no Gr\u00eamio, pouqu\u00edssimas vezes o Internacional foi campe\u00e3o. Eu ficava atr\u00e1s do gol e via, era gandula. Ele tirava tudo por cima. Por baixo tinha tanta categoria que saia driblando. Os antigos centroavantes do Internacional nada conseguiam com ele.  Era o Alfeu, o Larri e o Fl\u00e1vio Minuano. N\u00e3o conseguiam nada com ele. Sem contar que formava uma excelente dupla de \u00e1rea com o \u00canio Rodrigues. Na defesa tinha tamb\u00e9m o &#8221;  arm\u00e1rio   &#8221;  Ortunho.  Contou tamb\u00e9m que viu o Pel\u00e9 tentar dar o drible da vaca no Airton. O zagueiro s\u00f3 esticou a perna, pegou a bola e saiu soberano. Como gandula ficava tamb\u00e9m ouvindo as instru\u00e7\u00f5es que o t\u00e9cnico Sergio Moacir Torres dava para os atacantes do Gr\u00eamio e voltava correndo para o banco do Internacional para contar o que ouviu.<\/p>\n<p>Airton, marcador  implac\u00e1vel, impunha-se tamb\u00e9m no cabeceio, mas principalmente pela t\u00e9cnica  com a qual defendia a cidadela tricolor. Sua marca registrada era o \u201cpasse de letra\u201dou \u201cde charles\u201d. A\u00edrton carregava a bola para perto da bandeirinha de escanteio, arrastando com ele os atacantes advers\u00e1rios. L\u00e1 chegando, subitamente posicionava a bola do lado de fora do p\u00e9 esquerdo e a impulsionava com o peito do p\u00e9 direito para as m\u00e3os do goleiro ou para outro companheiro de equipe, para deleite da torcida e espanto dos atacantes que pensavam t\u00ea-lo encurralado.<\/p>\n<p>Dizem que um passe de letra, num treino da sele\u00e7\u00e3o brasileira, lhe custou a convoca\u00e7\u00e3o para a Copa de 62, disputada no Chile.  Aymor\u00e9 Moreira, o t\u00e9cnico, n\u00e3o gostou de ver um zagueiro fazendo aquilo e o excluiu do grupo.  A\u00edrton deve ter adorado, porque&#8230;avesso a avi\u00f5es, ele n\u00e3o acompanhava a delega\u00e7\u00e3o gremista em viagens a\u00e9reas curtas. Quando o Gr\u00eamio atuava no interior do RS, em Santa Catarina ou no Paran\u00e1, enquanto a delega\u00e7\u00e3o voava, ele seguia de \u00f4nibus ou de carro. Seu p\u00e2nico por avi\u00f5es era imenso. Na vitoriosa excurs\u00e3o gremista \u00e0 Europa (1961), A\u00edrton alegou problemas m\u00e9dicos e pediu dispensa. A Dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o lhe deu ouvidos e ele estava no grupo que brilhou nos gramados do Velho Continente.<br \/>\nO seu modo de jogar chamou aten\u00e7\u00e3o dos clubes do Rio de Janeiro e de S\u00e3o Paulo e A\u00edrton recebeu convite para jogar nas equipes do Santos e do Botafogo, ao lado de Pel\u00e9 e Garrincha.<\/p>\n<p>&#8220;Naquele tempo n\u00e3o tinha a m\u00eddia que tem hoje. Me arrependo de n\u00e3o ter ido para o centro do pa\u00eds e ser conhecido em todo o Brasil. O dinheiro era equivalente, mas l\u00e1 era vitrine. Errei&#8221;, lamenta A\u00edrton, que apenas por tr\u00eas meses esteve emprestado ao Santos de Pel\u00e9 para jogar o Torneio Rio-S\u00e3o Paulo de 1960. Mas voltou logo para seguir sua inesquec\u00edvel trajet\u00f3ria no Gr\u00eamio. H\u00e1 quem diga que o verdadeiro motivo foi outro: aquele Santos de Pel\u00e9 viajava demais. E, quase sempre, de avi\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse curto per\u00edodo em S\u00e3o Paulo, A\u00edrton jogou ao lado do Pel\u00e9. J\u00e1 com a camisa tricolor o enfrentou em cinco partidas e assegura que jamais falhou diante daquele que se tornaria o Rei. Tamb\u00e9m treinou junto com ele na Sele\u00e7\u00e3o de 62, embora n\u00e3o tenha participado da Copa do Mundo realizada no Chile<\/p>\n<p> Durante 13 anos, A\u00edrton \u201cPavilh\u00e3o\u201d foi o principal jogador do Gr\u00eamio. Foi o melhor zagueiro ga\u00facho de todos os tempos e um dos melhores do mundo. O &#8220;zagueiro que driblava&#8221; marcou 120 gols na carreira.<\/p>\n<p>Em 1967, com 33 anos, tendo vencido 12 campeonatos ga\u00fachos em 13 disputados (marca nunca igualada), com uma distens\u00e3o na virilha que limitava seus movimentos, A\u00edrton despediu-se do Gr\u00eamio, indo atuar no Esporte Clube Cruzeiro de Porto Alegre. Posteriormente, foi convidado para ser t\u00e9cnico e zagueiro no Cruz Alta, onde se aposentou em 1971.<\/p>\n<p>Airton Pavilh\u00e3o marcou \u00e9poca no Gr\u00eamio ao lado de Arlindo, Alberto, Altemir, \u00c1ureo, Ortunho, \u00c9lton, Jo\u00e3o Severiano, Juarez, Paulo Lumumba, S\u00e9rgio Lopes, Milton, Vieira, Alcindo, Marino, Carlos Froner, dentre tanta gente boa.<br \/>\n[img:Gremio_1960.jpg,resized,vazio]<br \/>\n Em p\u00e9: Orlando, \u00canio Rodrigues, Ortunho, Arlindo, \u00c9lton e A\u00edrton.<br \/>\nAgachados: Marino, Gessi, Juarez, Milton Kuelle e Vieira.<\/p>\n<p>Fontes:<br \/>\n       site Imortal Tricolor<br \/>\n       ex-gandula Jose Carlos<br \/>\n       trechos livro zagueiro das multidoes<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[img:Airton_em_1961_1.jpg,resized,vazio] Airton Pavilh\u00e3o, o Airton Ferreira da Silva, fant\u00e1stico ex-zagueiro central do Gr\u00eamio nos anos 50 e 60, nascido no dia 31 de outubro de 1935, deixou o time do For\u00e7a e Luz de Porto Alegre para o Gr\u00eamio trocado por um pavilh\u00e3o. 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