{"id":5951,"date":"2008-05-20T12:32:54","date_gmt":"2008-05-20T15:32:54","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.soccerlogos.com.br\/2008\/05\/20\/saulzinho-do-vasco-da-gama-o-dono-do-maracana-no-inicio-dos-anos-60\/"},"modified":"2008-05-20T12:32:54","modified_gmt":"2008-05-20T15:32:54","slug":"saulzinho-do-vasco-da-gama-o-dono-do-maracana-no-inicio-dos-anos-60","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=5951","title":{"rendered":"Saulzinho, do Vasco da Gama, o dono do Maracan\u00e3 no in\u00edcio dos  anos 60"},"content":{"rendered":"<p>[img:revista_do_esporte___saulzinho.jpg,resized,vazio]<\/p>\n<p>Distens\u00e3o na virilha impediu ex-vasca\u00edno de ser parceiro de Pel\u00e9 na Copa do Mundo<\/p>\n<p>Ele foi o \u00fanico atacante a obter uma m\u00e9dia de gols superior a de Pel\u00e9, nas disputas estaduais da d\u00e9cada de 60. Principal artilheiro do Campeonato Carioca de 1962, Saul Santos Silva, o Saulzinho, iniciou a sua sina de &#8220;matador&#8221; por volta dos 12, 13 anos de idade, em um arei\u00e3o, onde agora fica a Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, em Bag\u00e9-RS, disputando uma competi\u00e7\u00e3o interna, nas manh\u00e3s de domingo. Com 15 anos, mesmo juvenil, j\u00e1 jogou e fez gol pelo time profissional do Bag\u00e9. Hoje, Saulzinho \u00e9 advogado, na fronteira ga\u00facha com o Uruguai. Foi l\u00e1 que ele voltou ao passado e &#8220;balan\u00e7ou a rede&#8221; para o Jornal de Bras\u00edlia, em entrevista para Gustavo Mariani:<\/p>\n<p>JBr \u2013 Voc\u00ea iniciou a carreira arrumando confus\u00e3o?<\/p>\n<p>Saulzinho \u2013 Eu tinha contrato de gaveta com o Bag\u00e9, mas o troquei pelo Guarany. Fiquei um ano sem poder jogar. Por volta de 1956\/57, pude rolar a bola e acumular t\u00edtulos municipais, at\u00e9 1959. Em 60, o Guarany teve um time poderoso, vice-campe\u00e3o ga\u00facho. Foi por ali que come\u00e7ou a minha hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Como pintou o Vasco?<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 1961, o Guarany venceu o Internacional, duas vezes: 2 x 1, no Est\u00e1dio dos Eucaliptos, em Porto Alegre, quando marquei o gol da vit\u00f3ria, e 4 x 2, em Bag\u00e9. No segundo jogo, n\u00e3o fiz gol, mas o t\u00e9cnico do Inter, o Martim Francisco, gostou de mim e, ao trocar o Colorado pelo Vasco, pediu a minha contrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Vasco daquele tempo s\u00f3 tinha fera: Bellini, Orlando, Coronel, Sabar\u00e1, Pinga. Como voc\u00ea arrumou uma vaguinha naquele time?<\/p>\n<p>Cheguei a S\u00e3o Janu\u00e1rio no dia 1\u00ba de abril de 1961 e, no meu primeiro treino, fiz tr\u00eas gols, no primeiro tempo, pelo time reserva, que tinha Brito, Maranh\u00e3o e Alcir Portela. Com aquele meu feito, o presidente vasca\u00edno, o Jo\u00e3o Silva, mandou fazer logo o meu contrato.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea chegava, Vav\u00e1 (Atl\u00e9tico de Madrid), e Almir (Corinthians) sa\u00edam. Facilitou a sua vida&#8230;<\/p>\n<p>Eu era um garoto interiorano no meio de cobr\u00f5es, mas fui logo me enturmando, melhorando. A concorr\u00eancia era dura, pois o Vasco tinha outros tr\u00eas bons centroavantes: Pacoti, Wilson Moreira e um que n\u00e3o me lembro agora.<\/p>\n<p>Como foi sua estr\u00e9ia?<\/p>\n<p>Uma semana ou duas depois da minha chegada. Joguei s\u00f3 dez minutos contra o Santos de Pel\u00e9, pelo Torneio Rio-S\u00e3o Paulo. O Pepe fez um gol, do meio do campo, mas o Sabar\u00e1 empatou e o Wilson Moreira desempatou. Ganhei um sal\u00e1rio de bicho.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea herdou a vaga de titular no Vasco?<\/p>\n<p>Numa excurs\u00e3o \u00e0 Europa, fiz 12 gols em 11 jogos, mas s\u00f3 virei titular no Campeonato Carioca de 1961. O meu primeiro gol, no Rio, foi sobre o Pomp\u00e9ia, goleiro do Am\u00e9rica. Fora do Rio, nos 3 x 1, contra o Am\u00e9rica-MG. Depois, fiz cinco gols, em Uberl\u00e2ndia, e dois contra o Vila Nova-GO. Tamb\u00e9m marquei conta o Atl\u00e9tico-GO. Em amistosos, fui me revelando o artilheiro de que o Vasco precisava.<\/p>\n<p>Qual foi o seu primeiro time-base no Vasco?<\/p>\n<p>Barbosa; Paulinho de Almeida, Bellini, Barbosinha e Coronel; Nivaldo e Lorico; Sabar\u00e1, Saulzinho, Roberto Pinto e Da Silva (Tiri\u00e7a).<br \/>\nO grande ano no Vasco&#8230;Foi 1962, quando fui o artilheiro do Campeonato Carioca, com 18 gols, em 19 jogos. S\u00f3 fiquei fora de tr\u00eas. Eu estava cotado para a sele\u00e7\u00e3o brasileira que foi bi, no Chile, mas tive um problema de garganta, que exigiu cirurgia, e uma forte distens\u00e3o na virilha. Esta me deixou um m\u00eas e meio parado, sem qualquer condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica para jogar.<\/p>\n<p>O Dida, do Flamengo, era seu grande concorrente?<\/p>\n<p>A concorr\u00eancia pela artilharia era muito pesada. Tinha tamb\u00e9m o Henrique, do Flamengo, o Quarentinha, o Amoroso e o Amarildo, do Botafogo, o Rodarte, do Olaria, e muitos outros.<br \/>\nE a grande gl\u00f3ria da temporada seguinte?No in\u00edcio de 63, vencemos um torneio, no M\u00e9xico, muito famoso, na \u00e9poca, e eu marquei quatro gols. Goleamos Oro, o campe\u00e3o nacional, por 5 x 0, e empatamos, por 1 x 1, com o Guadalajara. Jogamos, tamb\u00e9m, contra um clube argentino, contra o Am\u00e9rica, o time das massas mexicanas, e o Dukla, de Praga, que tinha o Masopust e aquela ra\u00e7a toda que esteve na sele\u00e7\u00e3o da Tchecoslov\u00e1quia que pegou o Brasil na final da Copa de 62.<br \/>\nO seu Vasco n\u00e3o ganhou t\u00edtulos nacionais&#8230;Ganhamos disputas internacionais, como o Torneio Ramon de Caranza, na Espanha, o Torneio Internacional do IV Centen\u00e1rio do Rio de Janeiro, uma disputa no Chile, vencendo, inclusive, aquele fabuloso Pe\u00f1arol, de Maidana, Sacia, Spencer, J\u00f3ia, etc, e o torneio mexicano que j\u00e1 me referi, o qual nenhum time estrangeiro havia ganho ainda. Em 62, n\u00e3o fomos campe\u00f5es cariocas porque perdemos quatro pontos para o Olaria.<\/p>\n<p>Que hist\u00f3ria \u00e9 esta?<\/p>\n<p>Levamos um ol\u00e9 do Olaria, dentro de S\u00e3o Janu\u00e1rio. Fiz um gol, de sa\u00edda, mas eles viraram, para 3 x 1, no segundo tempo. Quando jogamos na Rua Bariri, um gol de falta, no final da partida, nos liquidou. Terminamos a tr\u00eas pontos do campe\u00e3o, o Botafogo.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 1966, voc\u00ea deixou o Vasco e voltou para a sua terra. Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>Eu estava com 28 anos, tinha convites do Benfica e do Bahia, contra o qual marquei dois gols, em um amistoso, em Ilh\u00e9us. Mas coloquei o lado familiar na frente, pois a minha mulher, tamb\u00e9m de Bag\u00e9, tinha muito medo, n\u00e3o se sentia bem no Rio. Ent\u00e3o, decidi voltar.<\/p>\n<p>J\u00e1 que voc\u00ea falou no Benfica, se lembra de qu\u00ea?<\/p>\n<p>Em 1965, o Vasco o trouxe ao Rio, para um amistoso. Marquei um dos meus gols mais bonitos. At\u00e9 olhei para o p\u00e9 de onde sa\u00edra o chute, conferindo se fora verdade. Recebi um passe, dei um corte em um marcador e soltei a bomba, quase da intermedi\u00e1ria. Eu era r\u00e1pido dentro da \u00e1rea, mas n\u00e3o chuva muito forte, de longe. Foi um grande jogo, 1 x 1, com o Eus\u00e9bio fazendo o gol deles.<\/p>\n<p>O seu nome era muito gritado pela torcida vasca\u00edna?<br \/>\nQuando eu fazia gols, o Maracan\u00e3 vinha abaixo. Em 1962, fui o dono da casa, sem ser jogador de rush. Mas tinha rapidez, batia bem de perto, driblava f\u00e1cil e raciocinava r\u00e1pido, quando estava marcado. Quando eu fazia dupla de ataque com o C\u00e9lio, eu avisava: parte que vou lan\u00e7ar. Eu recebia a bola de costas para o ataque, tocava para ele, que tinha velocidade e, assim, fizemos muitos gols.<\/p>\n<p>Como era o Sabar\u00e1?<\/p>\n<p>Uma figura! Brigava o jogo todo conosco e com o advers\u00e1rio. Xingava, pois n\u00e3o queria ver ningu\u00e9m parado.<br \/>\nA sua grande partida?<\/p>\n<p>Contra o Flamengo, pelo Torneio do IV Centen\u00e1rio do Rio, em janeiro de 1965. Fizemos 4 x 1. Outra grande? Contra o Pe\u00f1arol, base da sele\u00e7\u00e3o uruguaia. Deixei dois.<br \/>\nVoc\u00ea s\u00f3 vestiu a camisa da sele\u00e7\u00e3o brasileira quando voltou para o Guarany&#8230;O Carlos Froner, t\u00e9cnico do Gr\u00eamio, me convocou para a sele\u00e7\u00e3o ga\u00facha que representou o Brasil na Ta\u00e7a O\u00b4Higgins, contra o Chile, em 1966. Joguei 30 minutos em uma partida e mais 15 na outra. Fomos campe\u00f5es.<\/p>\n<p>Se Pel\u00e9 jogasse hoje&#8230;<\/p>\n<p>Faria dois mil gols. O quarto-zagueiro e os laterais se mandam. Se, contra zagueiros plantados, fez o que fez, imagine agora. Para se entrar na \u00e1rea, teria que ser muito r\u00e1pido, ou perdia as canelas.<\/p>\n<p>Seu marcador mais dif\u00edcil?<\/p>\n<p>O Lu\u00eds Carlos, do Flamengo. O Jadir (do Botafogo) tamb\u00e9m era duro. Chegavam junto, mas n\u00e3o eram desleais.<\/p>\n<p>O gol mais bonito?<\/p>\n<p>Contra o Am\u00e9rica, do M\u00e9xico, em 1963. O Sabar\u00e1 cruzou, da direita, a bola bateu no ch\u00e3o, veio no meu peito, e peguei de bicicleta, antes da chegada do zagueiro. Foi capa na revista mexicana Futbol<\/p>\n<p>O que pesa mais no futebol jogado hoje?<\/p>\n<p>Bom preparo f\u00edsico \u00e9 70%, no m\u00ednimo, do necess\u00e1rio para se jogar. Mas quem decide ainda \u00e9 cara talentoso.<\/p>\n<p>No seu tempo, ganhava-se pouco, mesmo?<\/p>\n<p>Quando cheguei ao Vasco, o maior sal\u00e1rio era o do Bellini, US$ 8 mil. Hoje, qualquer juvenil est\u00e1 ganhando isso.<\/p>\n<p>A sua sele\u00e7\u00e3o brasileira&#8230;<\/p>\n<p>Barbosa; Paulinho de Almeida, Brito, Fontana e Oldair; Carlinhos e G\u00e9rson; Sabar\u00e1, C\u00e9lio, Pel\u00e9 e Zagallo. Acho que eu pegaria uma reservinha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[img:revista_do_esporte___saulzinho.jpg,resized,vazio] Distens\u00e3o na virilha impediu ex-vasca\u00edno de ser parceiro de Pel\u00e9 na Copa do Mundo Ele foi o \u00fanico atacante a obter uma m\u00e9dia de gols superior a de Pel\u00e9, nas disputas estaduais da d\u00e9cada de 60. 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