{"id":5947,"date":"2008-05-14T11:39:24","date_gmt":"2008-05-14T14:39:24","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.soccerlogos.com.br\/2008\/05\/14\/perfil-mario-goncalves-vianna-%e2%80%93-ex-fifa-rj\/"},"modified":"2008-05-14T11:39:24","modified_gmt":"2008-05-14T14:39:24","slug":"perfil-mario-goncalves-vianna-%e2%80%93-ex-fifa-rj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=5947","title":{"rendered":"Perfil: M\u00e1rio Gon\u00e7alves Vianna \u2013 ex-FIFA-RJ"},"content":{"rendered":"<p>[img:Mario_Vianna_carrega_zagueiro_do_Bangu.jpg,resized,vazio]<\/p>\n<p>Em campo, fazia de tudo: peitava, gritava, agredia at\u00e9. Era seu jeito de se fazer respeitado por todos. M\u00e1rio Gon\u00e7alves Vianna tinha 1.74 de altura e pesava 90 quilos de uma vitalidade que impressionava a todos que o conheceram.<\/p>\n<p>M\u00e1rio Vianna foi de tudo um pouco: baleiro, engraxate, jornaleiro, empacotador de velas, fiscal da guarda civil, policia especial, juiz de futebol, t\u00e9cnico do Palmeiras, Portuguesa e S\u00e3o Cristov\u00e3o, e finalmente, comentarista de arbitragem na R\u00e1dio Globo.<\/p>\n<p>Sua excelente condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica foi adquirida na Policia Especial. E foi apitando peladas, que Jos\u00e9 Pereira Peixoto, um policial amigo, o convenceu a fazer um curso de \u00e1rbitro para Liga Metropolitana onde ingressou como primeiro colocado de sua turma. Sua estr\u00e9ia oficial foi na partida de juvenis entre Gir\u00e3o de Niter\u00f3i e S\u00e3o Cristov\u00e3o. Neste jogo ele definiu o estilo que trataria de aperfei\u00e7oar ao longo de sua carreira at\u00e9 torn\u00e1-la uma esp\u00e9cie de marca pessoal: expulsou Mato Grosso, zagueiro do seu querido S\u00e3o Cristov\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, come\u00e7ou a construir sua fama de juiz rigoros\u00edssimo, destes que n\u00e3o perdem as r\u00e9deas da partida, mesmo nas situa\u00e7\u00f5es mais adversas. Como naquele Botafogo e Flamengo em General Severiano. M\u00e1rio Vianna expulsou jogadores do Flamengo, os torcedores n\u00e3o gostaram e come\u00e7aram a atirar garrafas e pedras contra ele. E M\u00e1rio n\u00e3o teve d\u00favidas: devolveu tudo para as arquibancadas.<\/p>\n<p>M\u00e1rio Vianna nunca foi homem de meias medidas. Foi respons\u00e1vel pela \u00fanica expuls\u00e3o de Domingos da Guia em onze anos de carreira. Tamb\u00e9m teve uma passagem com Nilton Santos no cl\u00e1ssico Botafogo e Vasco. Atendendo a uma denuncia do bandeirinha, expulsou Nilton Santos que era um gentleman, por ofender o auxiliar. M\u00e1rio achou estranho o caso e, nos vesti\u00e1rios pressionou o bandeirinha que terminou confessando que tinha mentido. Ele ficou sem gra\u00e7a, foi ao vesti\u00e1rio do Botafogo e pediu desculpas a Nilton Santos.<\/p>\n<p>Houve um jogador que, talvez por ser estrangeiro e desconhecer a fama de valent\u00e3o de M\u00e1rio Vianna, teve a infeliz id\u00e9ia de desafi\u00e1-lo. Foi durante o jogo It\u00e1lia e Su\u00ed\u00e7a na Copa do Mundo de 1954. Inconformado com uma marca\u00e7\u00e3o do brasileiro, Boniperti partiu para cima do juiz aos empurr\u00f5es. M\u00e1rio Vianna aplicou-lhe um direto no queixo. Mandou que o carregassem para os vesti\u00e1rios e, ironicamente, disse para o massagista &#8211; &#8220;Se ele tiver condi\u00e7\u00f5es, pode voltar para o segundo tempo&#8221;. Boniperti voltou bem mansinho.<\/p>\n<p>Durante a Copa do Mundo de 1954, no jogo Brasil x Hungria, chamou o juiz Mr. Ellis e os dirigentes da FIFA, de &#8216;camarilha de ladr\u00f5es&#8217;. Foi expulso do quadro de \u00e1rbitros da entidade. Quando j\u00e1 era comentarista de arbitragem na R\u00e1dio Globo, quase perdeu o emprego por duas vezes. Na primeira, disse que o juiz Abraham Klein, al\u00e9m de judeu era ladr\u00e3o. Os patrocinadores do programa eram, como Klein, judeus.<\/p>\n<p>Como todo personagem folcl\u00f3rico, M\u00e1rio Vianna tamb\u00e9m tinha o seu lado m\u00edstico. Era esp\u00edrita da linha Alan Kardec, rezava ao se deitar e se levantar. Alguns casos s\u00e3o conhecidos. Na Copa de 1970, era companheiro de quarto de Luis Mendes. Certa manh\u00e3 ao se levantar, virou-se para o companheiro e disse &#8211; &#8220;Mendes, liga para tua casa porque seu irm\u00e3o desencarnou&#8221;. Apavorado, Luis Mendes pegou o telefone, ligou para casa e ficou sabendo que seu irm\u00e3o havia falecido naquela madrugada. Waldir Amaral conta que certa vez estava embarcando com M\u00e1rio para S\u00e3o Paulo. E M\u00e1rio advertiu &#8211; &#8220;Waldir esse avi\u00e3o vai pifar. Vamos esperar outro v\u00f4o&#8221;. &#8211; Que nada, M\u00e1rio, deixe de besteiras &#8211; retrucou Waldir Amaral. Os dois embarcaram e quando o avi\u00e3o ia decolar, o motor engui\u00e7ou e o piloto foi obrigado a dar um cavalo de pau para n\u00e3o cair na ba\u00eda da Guanabara.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos problemas, Mario Vianna tinha outro orgulho: todos os t\u00e9cnicos brasileiros (da sua \u00e9poca), com exce\u00e7\u00e3o de Zez\u00e9 Moreira, jogaram sob sua arbitragem. Por isso, ele se achava apto para julgar, e afirmar que Le\u00f4nidas da Silva foi melhor que Pel\u00e9. Outros  jogadores o enfrentaram em campo, com as armas da catimba. Zizinho, \u201cmacho dentro e fora do campo\u201d. Eli do Amparo, \u201cque quando tinha que expulsa-lo segurava pela pele\u201d. E outra passagem de  Heleno de Freitas. De Heleno, M\u00e1rio lembrava-se com nostalgia. De vez em quando a m\u00e3e de Heleno telefonava pedindo paci\u00eancia com seu filho que ele cansou de expulsar. No sul-americano de 1945, no Chile, M\u00e1rio Viana apitava os treinos da sele\u00e7\u00e3o que tinha como t\u00e9cnico Flavio Costa. Num coletivo, ele marcou um impedimento e Heleno reclamou. E M\u00e1rio foi logo retrucando \u2013 \u201c Fl\u00e1vio tira o Heleno do campo ou eu lhe dou uns sopapos\u201d. \u00c9 isso mesmo. Ele expulsava at\u00e9 treino.<\/p>\n<p>Em compensa\u00e7\u00e3o, foi suspenso tantas vezes pelas federa\u00e7\u00f5es em que trabalhou \u2013 Rio, S\u00e3o Paulo e Pernambuco \u2013 que ele nem se lembra.<br \/>\nQuando encerrou sua carreira como arbitro, teve uma breve e frustrada experi\u00eancia como t\u00e9cnico no Palmeiras. Como comentarista de r\u00e1dio e televis\u00e3o, Mario Vianna era considerado o rei das gafes.<\/p>\n<p>A maior delas aconteceu quando entrevistavam, o ponta direita do Fluminense Cafuringa, num programa patrocinado pelo cigarro Corcel. M\u00e1rio perguntou ao atleta \u2013 Voc\u00ea bebe, Cafuringa ?<br \/>\n&#8211; N\u00e3o senhor.<br \/>\n&#8211; Muito bem. E fuma ?<br \/>\n&#8211; Fumar, eu fumo.<br \/>\n&#8211; Mas n\u00e3o deve. O cigarro \u00e9 um veneno para a sa\u00fade. O cigarro faz muito mal.<br \/>\nO apresentador tentou avisar ao Mario Viana que o programa era patrocinado por uma fabrica de cigarro. Foi ai que o ex-arbitro deu a volta por cima.<br \/>\n&#8211; Todo cigarro tem veneno, Cafuringa, menos o Corcel, que tem uma dose m\u00ednima de nicotina.<\/p>\n<p>Mas a sua grande mancada foi ao se despedir do apito em 1957. Ele dirigiu no maracan\u00e3 um jogo de vedetes do Rio e de S\u00e3o Paulo. Ele mesmo \u00e9 quem dizia \u2013 \u201cNunca ouvi tanto palavr\u00e3o. Fui at\u00e9 agredido, e s\u00f3 n\u00e3o reagi porque eu matava uma com um soco. Mas precisei contar at\u00e9 dez para manter a calma.<\/p>\n<p>Muitos que tamb\u00e9m viveram a \u00e9poca de Mario Vianna, afirmam que nessas hist\u00f3rias sempre existem um pouco de exagero. Com exagero ou n\u00e3o, as hist\u00f3rias s\u00e3o realmente deliciosas.<\/p>\n<p>Faleceu em 16 de Outubro de 1989.<\/p>\n<p>.Revista Placar<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[img:Mario_Vianna_carrega_zagueiro_do_Bangu.jpg,resized,vazio] Em campo, fazia de tudo: peitava, gritava, agredia at\u00e9. Era seu jeito de se fazer respeitado por todos. M\u00e1rio Gon\u00e7alves Vianna tinha 1.74 de altura e pesava 90 quilos de uma vitalidade que impressionava a todos que o conheceram. 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