{"id":5945,"date":"2008-05-12T13:19:26","date_gmt":"2008-05-12T16:19:26","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.soccerlogos.com.br\/2008\/05\/12\/canal-100-que-saudades\/"},"modified":"2008-05-12T13:19:26","modified_gmt":"2008-05-12T16:19:26","slug":"canal-100-que-saudades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=5945","title":{"rendered":"Canal 100 &#8211; Que saudades"},"content":{"rendered":"<p>[img:canal_100.jpg,resized,vazio]<\/p>\n<p>Era sagrado, antes do filme come\u00e7ar nada de trailers, ou propagandas,nada de informar a sa\u00edda de inc\u00eandio,nada de pedir para desligar o celular,n\u00e3o&#8230; antes era o CANAL 100 !!!! que saudades&#8230;<\/p>\n<p>Para muitos o cinema \u00e9 o conjunto dos grandes filmes. Para outros, o cinema n\u00e3o passa de uma t\u00e9cnica de ilus\u00e3o. Mas para aquele que quer conhecer a hist\u00f3ria do s\u00e9culo XX, para quem busca desvendar o segredo dos deuses e das lendas do homem contempor\u00e2neo, o cinema \u00e9, sem qualquer d\u00favida, a mais importante das fontes de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Da\u00ed a import\u00e2ncia dos cinejornais. Como g\u00eanero de cinema, em todo o mundo, o cinejornal esteve presente registrando o s\u00e9culo. No Brasil desde os anos cinq\u00fcenta, o CANAL 100 criou a legenda dos grandes cinejornais.<\/p>\n<p>O criador Carlos Niemeyer, come\u00e7ou a fazer cinema nos anos 50, produzindo com Jean Manzon alguns document\u00e1rios sobre o Rio de Janeiro.<br \/>\nEm 1958 fundou sua pr\u00f3pria produtora que mais tarde se especializou em cinejornal, surgia o Canal 100 que de 1959 \u00e0 1986 produziu um cinejornal por semana, formando um importante acervo cinematogr\u00e1fico dos acontecimentos jornal\u00edsticos da \u00e9poca. (aproximadamente setenta mil minutos de imagens)<\/p>\n<p>O nome Canal 100 foi uma analogia \u00e0 televis\u00e3o que at\u00e9 recentemente se identificava pelo n\u00famero do Canal. Canal 13(Tv Rio), Canal 6 (Tv Tupi), Canal 4 (Tv Globo), etc.<br \/>\nCanal 100 era na vis\u00e3o de Carlos Niemeyer um n\u00famero inating\u00edvel pela Televis\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde 1959 as lentes do CANAL 100 tentam inovar; Seja na simples cria\u00e7\u00e3o das vinhetas, ou na &#8220;mis en scene&#8221; da montagem, e principalmente nas filmagens, onde sobressaiu , Francisco Torturra , o melhor cinegrafista de futebol da hist\u00f3ria dos cinejornais. Tudo sob a supervis\u00e3o de Carlos Niemeyer.<\/p>\n<p>Na parte musical , foram compostas trilhas para cada vinheta do jornal, uma delas com partituras do maestro Tom Jobim. No futebol, ap\u00f3s diversas tentativas, descobriu-se o samba de Luis Bandeira, &#8220;Na cadencia do Samba&#8221; que virou hino e trilha sonora do futebol brasileiro .<\/p>\n<p>Criador de um estilo pr\u00f3prio, foi no futebol que a marca do nosso jornal se tornou mais famosa. O perfeito casamento entre o maior esporte do mundo e a s\u00edntese de todas as artes, o cinema.<\/p>\n<p>Como dizia Nelson Rodrigues: &#8220;Foi a equipe do CANAL 100 que inventou uma nova dist\u00e2ncia entre o torcedor e o craque, entre o torcedor e o jogo, grandes mitos do nosso futebol, em dimens\u00e3o miguelangesca, em plena c\u00f3lera do gol. Suas coxas pl\u00e1sticas, el\u00e1sticas enchendo a tela. Tudo o que o futebol brasileiro possa ter de l\u00edrico, dram\u00e1tico, pat\u00e9tico, delirante&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Mas, apesar de todo o sucesso, os tempos mudaram e em 1985 o minist\u00e9rio da Cultura do Governo Figueiredo, apoiado pelos lobistas do cinema americano, inviabilizou a produ\u00e7\u00e3o, proibindo a propaganda comercial em cine-jornal. Era o fim do futebol do Canal 100 e de um estilo brasileiro de fazer cinema.<\/p>\n<p>[img:Garrincha_dribla_Gerson_e_Jordan_na_jogada_do_primeiro_gol_do_Botafogo__na_final_de_1962.jpg,resized,vazio]<\/p>\n<p>www.arcodovelho.com.br<\/p>\n<p>Canal 100 Captou o Imagin\u00e1rio do Futebol<\/p>\n<p>Sobre cinema e futebol, \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o incluir tamb\u00e9m na equa\u00e7\u00e3o a televis\u00e3o, que se apoderou do esporte, aparentemente para nunca mais largar, ao longo dos \u00faltimos 30-40 anos. A TV ao vivo substituiu o cinema filmado, que, ap\u00f3s cada partida, precisava ainda ser revelado, copiado e montado. Caiu em desuso. A TV passou a apresentar o futebol instant\u00e2neo em tamanho menor, fator comercial maior e impondo ao mundo sua limitada escala eletr\u00f4nica.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o cinema-futebol, no Brasil, tem um nome que ironiza a competi\u00e7\u00e3o entre TV e cinema: Canal 100. A id\u00e9ia de Carlos Niemeyer era exatamente oferecer algo de inating\u00edvel para o meio televisivo, um canal imagin\u00e1rio de som e imagem que suplantava a simples id\u00e9ia de &#8216;canal 2&#8217; ou &#8216;canal 13&#8217;. Lembra a briga cinema versus  TV dos anos 50, quando o &#8220;CinemaScope&#8221; e o &#8220;Cinerama&#8221; tentavam fazer a diferen\u00e7a. E era exatamente na parte esportiva desse notici\u00e1rio semanal, exibido no in\u00edcio das sess\u00f5es de cinema do Brasil (de 1959 at\u00e9 1986), que isso ficava claro.<\/p>\n<p>O futebol do Canal 100 tinha releituras de jogadas imposs\u00edveis de serem vistas das arquibancadas ou na televis\u00e3o, um futebol em 35mm, gingado nos seus m\u00ednimos detalhes. Mulheres na plat\u00e9ia geralmente amavam as imagens ampliadas de coxas musculosas dos atletas, os jogadores escarravam elegantemente ansiosos em c\u00e2mera lenta, a tens\u00e3o de uma barreira de homens preocupados com um chute potente, a bola rodopiando doida em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 rede. Dezenas de imagens como essas tornaram-se assinaturas de uma est\u00e9tica que engrandecia um esporte j\u00e1 enorme dentro da cultura brasileira.<\/p>\n<p>O fot\u00f3grafo-mestre Walter Carvalho (&#8220;Central do Brasil&#8221;, &#8220;Abril Despeda\u00e7ado&#8221;, &#8220;Lavoura Arcaica&#8221;) diz que a est\u00e9tica do Canal 100 foi forjada por uns quatro grandes &#8220;cameramen&#8221;, especialmente Walter Torturra.<\/p>\n<p>&#8220;Eles eram craques, capazes de segurar o foco na bola com lentes telesc\u00f3picas de 600mm. Isso equivale a fazer uma cirurgia a laser no olho. Trabalhavam numa \u00e9poca em que os negativos eram menos sens\u00edveis e as luzes dos est\u00e1dios tamb\u00e9m n\u00e3o ajudavam. Se o Canal 100 ainda existisse hoje, seria mais f\u00e1cil filmar futebol com o ganho na sensibilidade \u00e0 luz dos filmes; os atuais refletores tamb\u00e9m fornecem condi\u00e7\u00f5es ideais de imagem, no caso, para a televis\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>A pesquisadora Ivana Bentes acha que a televis\u00e3o ousa muito pouco hoje. &#8220;Poderia ser um campo fant\u00e1stico de experimenta\u00e7\u00e3o, principalmente com as novas tecnologias e c\u00e2meras digitais.&#8221;<\/p>\n<p>E o que teria ficado do Canal 100 como heran\u00e7a para a TV?<\/p>\n<p>Walter Carvalho acha que &#8220;nada&#8221; . Na televis\u00e3o, o grande engodo \u00e9 pensar que h\u00e1 ali uma imagem que domina, quando, na verdade, h\u00e1 mesmo uma hegemonia da palavra. Na TV, se voc\u00ea tirar o som, n\u00e3o vai entender o que est\u00e1 acontecendo. J\u00e1 ao tirar a imagem, o som continua claro e repleto de informa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma tend\u00eancia ign\u00f3bil de fazer da TV um programa de r\u00e1dio com imagens. Na verdade, o gol \u00e9 bem mais sensacional no r\u00e1dio, pois a narra\u00e7\u00e3o usa a sua imagina\u00e7\u00e3o, enquanto, na TV, os comentaristas limitam-se a comentar aquilo que eu j\u00e1 estou vendo. \u00c9 por isso que Galv\u00e3o Bueno \u00e9 t\u00e3o chato&#8221;, diz Carvalho.<br \/>\nKleber Mendon\u00e7a Filho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[img:canal_100.jpg,resized,vazio] Era sagrado, antes do filme come\u00e7ar nada de trailers, ou propagandas,nada de informar a sa\u00edda de inc\u00eandio,nada de pedir para desligar o celular,n\u00e3o&#8230; antes era o CANAL 100 !!!! que saudades&#8230; Para muitos o cinema \u00e9 o conjunto dos grandes filmes. Para outros, o cinema n\u00e3o passa de uma t\u00e9cnica de ilus\u00e3o. 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