{"id":5910,"date":"2008-04-19T10:13:36","date_gmt":"2008-04-19T13:13:36","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.soccerlogos.com.br\/2008\/04\/19\/bangu-atletico-clube-40%c2%b0-a-sombra\/"},"modified":"2008-04-19T10:13:36","modified_gmt":"2008-04-19T13:13:36","slug":"bangu-atletico-clube-40%c2%b0-a-sombra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=5910","title":{"rendered":"Bangu Atl\u00e9tico Clube &#8211; 40\u00b0 \u00e0 Sombra"},"content":{"rendered":"<p>Este clube, quase desconhecido da gera\u00e7\u00e3o mais nova, j\u00e1 cedeu \u00e0 sele\u00e7\u00e3o brasileira jogadores do porte de: Zizinho, Z\u00f3zimo (bi-campe\u00e3o do mundo), Ademir da Guia ( foi no Bangu que despontou o Divino, como ficou conhecido), Fid\u00e9lis, Paulo Borges e Marinho. Estes nomes s\u00e3o os que me recordo. Outros jogadores excelentes, dignos de  integrar a sele\u00e7\u00e3o brasileira, caso a \u00e9poca n\u00e3o fosse excepcional. Cito alguns: Ladislau da Guia, que n\u00e3o vi jogar, e outros que tive o privil\u00e9gio de testemunhar jogadas memor\u00e1veis e inesquec\u00edveis: Moacir Bueno, Djalma, Rafanelli, Menezes, D\u00e9cio Esteves, N\u00edvio, Parada, Bianchini, Fid\u00e9lis, Arthurzinho e muitos outros.  Desta seleta constela\u00e7\u00e3o, Zizinho foi a estrela maior. Pel\u00e9 declarou que foi o jogador que mais o impressionou pela refinada t\u00e9cnica e Zizinho j\u00e1 estava em final de carreira.<\/p>\n<p>Em 1960, o Bangu foi, na verdade, o primeiro campe\u00e3o mundial de clubes. Na \u00e9poca esta vers\u00e3o denominou-se Torneio de Nova York. A atua\u00e7\u00e3o de Ademir da Guia, ainda muito jovem, chamou a aten\u00e7\u00e3o dos grandes clubes e l\u00e1 se foi Ademir para o Palmeiras.<br \/>\nCampe\u00e3o estadual duas vezes, o Bangu tem in\u00fameros vice-campeonatos em jogos finais de arbitragens discut\u00edveis. Em 1951, Mendon\u00e7a teve a perna fraturada e o Bangu jogou o primeiro jogo da s\u00e9rie melhor de tr\u00eas contra o Fluminenese, com 10 jogadores porque n\u00e3o havia substitui\u00e7\u00e3o. Em 1964, novamente numa s\u00e9rie melhor de tr\u00eas, contra o mesmo Fluminenese, um penalti duvidoso de M\u00e1rio Tito em Amoroso permitiu a vit\u00f3ria do Fluminense na primeira partida por 1&#215;0. Em 1984, o mais discutido de todos os lances. Num erro hist\u00f3rico da arbitragem, n\u00e3o foi marcado o penalti do zagueiro Vica do Fluminense em Cl\u00e1udio Ad\u00e3o, aos quarenta e cinco minutos do segundo<br \/>\ntempo. O jogo estava 2&#215;1 e o empate favorecia ao Bangu.<\/p>\n<p>O Bangu \u00e9 um clube origin\u00e1rio de uma f\u00e1brica de tecidos. Deveria contar com numerosa torcida, mas como tudo no Brasil \u00e9 muito estranho, s\u00e3o os clubes oriundos da elite social que det\u00eam as maiores torcidas. Exce\u00e7\u00e3o ao Vasco da Gama que pertence \u00e0 Zona Norte.  Concordo que o in\u00edcio da decad\u00eancia do futebol do Rio coincide com o come\u00e7o da decad\u00eancia do Am\u00e9rica e do Bangu.. Que benef\u00edcios maiores trouxeram ao futebol do Rio os novos clubes guindados \u00e0 primeira divis\u00e3o? Aqui a preval\u00eancia do  dito de Cam\u00f5es &#8221; Fraco rei faz fraca forte gente&#8221;.<br \/>\nA grande verdade \u00e9 que a imprensa ao divulgar somente os quatro grandes, outrora seis, colaborou tamb\u00e9m para o ostracismo em que vivem Bangu e Am\u00e9rica.<br \/>\nTexto de Jairo L Salles, fiel torcedor do Bangu<br \/>\nO \u00daLTIMO T\u00cdTULO DO BANGU E O \u00daLTIMO GESTO DE PAZ DE ALMIR PERNAMBUQUINHO<br \/>\nNa tarde daquele 18 de dezembro de 1966, com arbitragem de A\u00edrton Vieira de Morais, o Sans\u00e3o, o Flamengo pisou o gramado do Maracan\u00e3 com Valdomiro, Murilo, Itamar, Jaime Valente e Paulo Henrique; Carlinhos e Nelsinho; Carlos Alberto, Almir, Silva e Osvaldo Ponte A\u00e9rea. O Bangu de Castor de Andrade colocou em campo Ubirajara, Fid\u00e9lis, M\u00e1rio Tito, Lu\u00eds Alberto e Ari Clemente; Jaime e Ocimar; Paulo Borges, Ladeira, Cabralzinho e Aladim. Numa \u00e9poca em que as substitui\u00e7\u00f5es n\u00e3o eram permitidas, o Flamengo foi logo prejudicado quando perdeu, ainda no primeiro tempo, o ponteiro Carlos Alberto, ap\u00f3s uma entrada desleal de Ari Clemente. Uma das revela\u00e7\u00f5es do Campeonato Carioca de 1966, Carlos Alberto submeteu-se a opera\u00e7\u00f5es no joelho atingido, voltou aos treinos mas jamais se recuperou totalmente, sendo obrigado a abandonar o futebol.<\/p>\n<p>Estranhamente, aquele Flamengo vibrante, que jogava de maneira vistosa, dono de um meio-de-campo cl\u00e1ssico &#8211; com Carlinhos e Nelsinho &#8211; pareceu totalmente desfigurado a partir da sa\u00edda de Carlos Alberto. J\u00e1 o Bangu, percebendo a timidez do advers\u00e1rio, lan\u00e7ou-se ao ataque e marcou dois gols praticamente seguidos ainda na primeira etapa: Ocimar, aos 23 anos, e Aladim, aos 26 minutos. No segundo tempo, Paulo Borges, numa jogada inspirada, marcou o terceiro gol logo aos tr\u00eas minutos. Com 3 a 0 no placar, o sonho da conquista do bicampeonato carioca parecia quase imposs\u00edvel, ou totalmente imposs\u00edvel, para uma equipe desfalcada de um de seus principais atacantes. Foi ent\u00e3o que, aos 26 minutos, Almir decidiu acabar com o jogo, provocando uma briga generalizada, que terminou com a expuls\u00e3o de nove jogadores antecipando o final da partida.<\/p>\n<p>Temperamental, Almir Pernambuquinho, que morreu assassinado em Copacabana, aos 35 anos, poucos meses depois de ter abandonado a carreira, entrou para a hist\u00f3ria do futebol carioca. Logo no in\u00edcio da carreira, no Vasco, quebrou a perna de H\u00e9lio, do Am\u00e9rica, inutilizando o companheiro de profiss\u00e3o. Depois, na Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, foi o estopim de um conflito total num Brasil x Uruguai pelo Campeonato Sul-Americano de 1959, na Argentina. E ainda, quando atuava pelo Santos, aplicou uma covarde cabe\u00e7ada no rosto de Amarildo na decis\u00e3o de 1963 do Mundial Interclubes com o Milan, no Maracan\u00e3. Sua rea\u00e7\u00e3o naquele Flamengo x Bangu, portanto n\u00e3o pode ser classificada de acidental. No vesti\u00e1rio, com a desvantagem de 2 a 0, Almir teria dito ao dirigente rubro-negro Fl\u00e1vio Soares de Moura que aquele jogo n\u00e3o acabaria e que o Bangu n\u00e3o daria a volta ol\u00edmpica porque ele n\u00e3o permitiria.<\/p>\n<p>Hoje, passados v\u00e1rios anos, muitos comparam o temperamento de Almir com o de Heleno de Freitas (1920-1959), centroavante do Botafogo, do Vasco e do Am\u00e9rica na d\u00e9cada de 40 e in\u00edcio da de 50. Heleno, por\u00e9m, de acordo com o laudo do hospital onde morreu, em Barbacena, era comprovadamente um caso patol\u00f3gico. Mesmo levando-se em conta que contraiu s\u00edfilis no auge da carreira, n\u00e3o resta d\u00favida de que Heleno sofria de esquizofrenia desde muito jovem. Quanto a Almir, nunca se p\u00f4de chegar a uma conclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Que seu comportamento n\u00e3o era normal, n\u00e3o resta d\u00favida. Possivelmente era, igualmente, um caso de esquizofrenia (dist\u00farbio mental e fragmenta\u00e7\u00e3o da personalidade). Por ironia do destino, entretanto, na noite em que morreu, com um tiro na cabe\u00e7a, numa briga de bar da Galeria Alaska, Almir Pernambuquinho entrara justamente para evitar o conflito que havia come\u00e7ado.<\/p>\n<p>Pela primeira e \u00faltima vez, Almir Pernambuquinho esbo\u00e7ou um gesto de paz.<\/p>\n<p>Texto: Roberto Porto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este clube, quase desconhecido da gera\u00e7\u00e3o mais nova, j\u00e1 cedeu \u00e0 sele\u00e7\u00e3o brasileira jogadores do porte de: Zizinho, Z\u00f3zimo (bi-campe\u00e3o do mundo), Ademir da Guia ( foi no Bangu que despontou o Divino, como ficou conhecido), Fid\u00e9lis, Paulo Borges e Marinho. Estes nomes s\u00e3o os que me recordo. 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