{"id":5889,"date":"2008-04-07T10:06:11","date_gmt":"2008-04-07T13:06:11","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.soccerlogos.com.br\/2008\/04\/07\/a-historia-maravilhosa-da-copa-do-mundo-por-jules-rimet\/"},"modified":"2008-04-07T10:06:11","modified_gmt":"2008-04-07T13:06:11","slug":"a-historia-maravilhosa-da-copa-do-mundo-por-jules-rimet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=5889","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria maravilhosa da Copa do Mundo &#8211; por Jules Rimet"},"content":{"rendered":"<p>O tr\u00e1gico jogo final \u00e9 conhecido como maracana\u00e7o. O sil\u00eancio tomou conta do Maracan\u00e3 \u00e0s 16 horas e 50 minutos do dia 16 de julho. O Brasil precisava de um empate. Saiu ganhando e perdeu por 2 a 1. Desolados, os quase 200 mil torcedores demoraram mais de meia hora para deixar o est\u00e1dio. O time brasileiro fez trinta lances a gol (dezessete no primeiro tempo e treze no segundo). Os jogadores cometeram quase o dobro de faltas, um total de 21, contra apenas onze do Uruguai.<\/p>\n<p>O presidente da FIFA, Jules Rimet, conta um caso curioso no seu livro La historie merveilleuse de la Cope du Monde:&#8221;Ao t\u00e9rmino do jogo, eu deveria entregar a Copa ao capit\u00e3o do time vencedor. Uma vistosa guarda de honra se formaria desde a entrada do campo at\u00e9 o centro do gramado, onde estaria me esperando, alinhada, a equipe vencedora (naturalmente, a do Brasil). Depois que o p\u00fablico houvesse cantado o hino nacional, eu teria procedido a solene entrega do trof\u00e9u. Faltando poucos minutos para terminar a partida (estava 1 a 1 e ao Brasil bastava apenas o empate), deixei meu lugar na tribuna de honra e, j\u00e1 preparando os microfones, me dirigi aos vesti\u00e1rios, ensurdecido com a gritaria da multid\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Aconselhado a descer devagar a escada at\u00e9 o vesti\u00e1rio, Jules Rimet ia acompanhado por delegados da FIFA, dirigentes brasileiros e guardas armados com a miss\u00e3o de proteger a ta\u00e7a de ouro.<\/p>\n<p>&#8220;Eu seguia pelo t\u00fanel, em dire\u00e7\u00e3o ao campo. A sa\u00edda do t\u00fanel, um sil\u00eancio desolador havia tomado o lugar de todo aquele j\u00fabilo. N\u00e3o havia guarda de honra, nem hino nacional, nem entrega solene. Achei-me sozinho, no meio da multid\u00e3o, empurrado para todos os lados, com a Copa debaixo do bra\u00e7o&#8221;<\/p>\n<p>Jules Rimet n\u00e3o conseguiu entregar a ta\u00e7a e decidiu se retirar. Mas logo depois voltou e Obdulio Varela recebeu a ta\u00e7a. Rimet disse: &#8220;Estou feliz pela vit\u00f3ria que voc\u00eas acabam de conquistar. Cheia de m\u00e9rito, sobretudo por ter sido inesperada. Com minhas felicita\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>Na tentativa de encontrar um culpado para a derrota do Brasil, os superticiosos de plant\u00e3o culparam a troca do local de concentra\u00e7\u00e3o na v\u00e9spera da final. O Brasil trocou a concentra\u00e7\u00e3o de Jo\u00e1 pelo est\u00e1dio do Vasco da Gama em S\u00e3o Janu\u00e1rio. Outros culpam Fl\u00e1vio Costa pelas 2 horas de missa na manh\u00e3 do jogo impostas pelo treinador aos jogadores, que rezaram de p\u00e9.<\/p>\n<p>Protagonistas da trag\u00e9dia<\/p>\n<p>Barbosa- Ghiggia diz que s\u00f3 ele, o Papa e Frank Sinatra calaram o Maracan\u00e3. Eu tamb\u00e9m fiz o Brasil calar, fiz o Brasil chorar: n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ele que tem esse privil\u00e9gio n\u00e3o.<\/p>\n<p>Augusto- A cena j\u00e1 estava toda pronta, na minha imagina\u00e7\u00e3o. O jogo terminava. O Brasil, absoluto, ganhava f\u00e1cil do Uruguai. A gente se perfilava no gramado, em frente \u00e0 tribuna de honra do Maracan\u00e3. Depois de cantar o Hino, a gente veria chegar o velhinho Jules Rimet com ta\u00e7a na m\u00e3o. Eu pegaria a da ta\u00e7a das m\u00e3os dele. Todo feliz, ergueria a ta\u00e7a l\u00e1 para o alto.<\/p>\n<p>Juvenal-  Eu me sentia um soldado defendendo o pa\u00eds. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 numa guerra que se defende o pa\u00eds: \u00e9 nas disputas esportivas tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, perder aquele jogo para o Uruguai foi como perder uma guerra. A gente n\u00e3o falava em dinheiro. Os jogadores n\u00e3o pediram pr\u00eamio, nada, nada, nada. N\u00f3s, ali, \u00e9ramos como militares.<\/p>\n<p>Bauer- Vim para o Rio para ser campe\u00e3o do mundo. Voltei a S\u00e3o Paulo no ch\u00e3o do trem.<\/p>\n<p>Danilo- Como a Copa de 50 marcou a inaugura\u00e7\u00e3o do Maracan\u00e3, a derrota do Brasil ficou gravada para a eternidade. O pr\u00f3prio time do Vasco, base da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, derrotou o Pe\u00f1arol, base da Sele\u00e7\u00e3o Uruguaia, em Montevid\u00e9u, logo depois. Mas os uruguaios diziam: &#8220;A gente n\u00e3o queria ganhar essa aqui em Montevid\u00e9u, n\u00e3o. Quer\u00edamos ganhar aquela, no Maracan\u00e3&#8221;.<\/p>\n<p>Bigode- Deve ter morrido gente de enfarte. Se o Brasil fosse campe\u00e3o, morreria muito mais gente. O povo \u00e9 exagerado. O Maracan\u00e3 ia vir abaixo. Iam quebrar tudo nos bailes. O futebol \u00e9 um fen\u00f4meno que ningu\u00e9m explica. Futebol incomoda mais que problema de fam\u00edlia&#8230;<\/p>\n<p>Fria\u00e7a- Fiz 1 x 0 na final da Copa. Ali n\u00f3s j\u00e1 \u00e9ramos deuses.<\/p>\n<p>Zizinho- Meu sonho era assim: a gente ainda iria jogar contra o Uruguai. Aquilo que aconteceu era mentira.<\/p>\n<p>Ademir- Depois do jogo com a Espanha &#8211; que vencemos por 6 x 1 &#8211; apareceu um senhor num autom\u00f3vel gritando: &#8220;Quero falar com Ademir&#8221;. Ele entrou e foi falar direto com Fl\u00e1vio Costa. Da\u00ed Fl\u00e1vio me chamou num canto: &#8220;V\u00e1 ao hospital com o m\u00e9dico da sele\u00e7\u00e3o, veja a situa\u00e7\u00e3o e volte&#8221;. Quando cheguei ao hospital, vi que era um garoto meu admirador. O menino vei, me beijou e disse: &#8220;Doutor, pode operar&#8221;. De volta \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o consegui dormir. Fiquei pensando: &#8220;O que \u00e9 que eu sou? Um santo? Um deus?&#8221;.<\/p>\n<p>Jair -Sempre antes de dormir, eu pensava no gol que n\u00e3o fiz, aos 45 do segundo tempo. Eu sonhava assim: o Brasil com um time daqueles n\u00e3o ganhou a Copa do Mundo? A derrota \u00e9 que tinha sido um sonho. Acordava espantado, olhava ao redor &#8211; e o Maracan\u00e3 estava ali, na minha frente.<\/p>\n<p>Chico -Tive um pressentimento estranho. Quando o Brasil entrou em campo, a derrota j\u00e1 estava escrita.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tr\u00e1gico jogo final \u00e9 conhecido como maracana\u00e7o. O sil\u00eancio tomou conta do Maracan\u00e3 \u00e0s 16 horas e 50 minutos do dia 16 de julho. O Brasil precisava de um empate. Saiu ganhando e perdeu por 2 a 1. Desolados, os quase 200 mil torcedores demoraram mais de meia hora para deixar o est\u00e1dio. 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