{"id":5888,"date":"2008-04-07T09:51:49","date_gmt":"2008-04-07T12:51:49","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.soccerlogos.com.br\/2008\/04\/07\/rio-16-de-julho-de-1950-a-noite-triste-de-um-campeao\/"},"modified":"2008-04-07T09:51:49","modified_gmt":"2008-04-07T12:51:49","slug":"rio-16-de-julho-de-1950-a-noite-triste-de-um-campeao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=5888","title":{"rendered":"Rio, 16 de julho de 1950 &#8211; A noite triste de um campe\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>&#8230;&#8230; Na noite de 16 de julho de 50, o velho capit\u00e3o n\u00e3o quis comemorar com o resto do time. Convidou o massagista da Celeste Ol\u00edmpica  a sair com ele. Os dois deixaram o hotel sem destino certo. O Rio era um vasto cemit\u00e9rio. Nem alma do outro mundo se via pelas ruas da cidade.<\/p>\n<p>    Obdulio e o massagista entram num bar da Avenida Copacabana. O dono do bar \u00e9 um velho conhecido de outras passagens da sele\u00e7\u00e3o uruguaia pelo Brasil. Obdulio, que j\u00e1 sa\u00edra do hotel um tanto calibrado, quer tomar chope. Est\u00e1 sem um tost\u00e3o no bolso. Pergunta se tem cr\u00e9dito. O pr\u00f3prio dono traz duas canecas, espumando. Obdulio, ainda em p\u00e9, bebe de um s\u00f3 f\u00f4lego a primeira caneca.<br \/>\nJ\u00e1 sentado, Obdulio v\u00ea entrar no sal\u00e3o um rapaz. Um rapaz que \u00e9 a pr\u00f3pria m\u00e1scara da desola\u00e7\u00e3o. Nas raras mesas ocupadas, as pessoas ouvem, desconsoladas as lam\u00farias do mo\u00e7o. Ressoa pela sala a tristeza c\u00f3smica do povo brasileiro.<br \/>\n&#8211; O Obdulio derrotou o Brasil &#8211; dizia, em prantos, o torcedor.<br \/>\nO desabafo bateu de mal jeito no cora\u00e7\u00e3o de Obdulio Varela. De repente, ele se sente o carrasco de um povo. O pr\u00f3prio Obdulio narra, na primeira pessoa, o drama que passaria a viver naquela noite sombria do futebol brasileiro.<br \/>\n&#8220;Eu olhava aquele rapaz sofrido. Foi me dando um mal-estar. O povo desse pa\u00eds tinha preparado o maior carnaval do mundo e n\u00f3s arruinamos tudo. De repente, eu estava t\u00e3o amargurado quanto ele. Teria sido bonito ver uma noite de carnaval dos brasileiros. Teria sido emocionante ver a multid\u00e3o delirando com uma coisa t\u00e3o simples, t\u00e3o singela. N\u00f3s t\u00ednhamos estragado a festa e, a bem da verdade, n\u00e3o t\u00ednhamos ganhado nada. Conquistamos um t\u00edtulo, muito bem. Mas, que seria isso comparado com a tristeza imensa de uma gente t\u00e3o simp\u00e1tica? Pensei no Uruguai. Certamente, o povo l\u00e1 estaria muito feliz. Mas, eu, Obdulio, eu estava no Rio, no meio de uma profunda decep\u00e7\u00e3o nacional. Me lembrei da raiva que tive quando os brasileiros nos fizeram o gol. E, no entanto, a bronca que dei no campo iria doer em mim tamb\u00e9m&#8221;.<br \/>\nO dono do bar foi \u00e0 mesa do campe\u00e3o, levando pelo bra\u00e7o o rapaz, ainda choroso.<br \/>\n&#8211; Sabe quem \u00e9 este? Este \u00e9 o Obdulio Varela. &#8211; E apresentou um ao outro.<br \/>\n&#8211; Tive a s\u00fabita sensa\u00e7\u00e3o de que aquele rapaz podia me matar &#8211; confessa Obdulio &#8211; e, se me matasse, talvez merecesse absolvi\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8211; Por favor, Obdulio &#8211; disse, reverente, o rapaz -, voc\u00ea quer tomar um chope comigo?<br \/>\nObdulio aceitou. Mudou de mesa. &#8220;Se tiver de morrer aqui, n\u00e3o pode existir noite mais apropriada&#8221;, pensou.<br \/>\n\u00c0 noite do triunfo, Obdulio Varela passou-a, inteirinha, esvaziando canecas e consolando aquela alma penada que acabara de conhecer. Um pobre cora\u00e7\u00e3o destro\u00e7ado. E a quem, l\u00e1 pelas tantas da madrugada, talvez tivesse confessado, como confessaria, mais tarde, ao escritor Oswaldo Soriano:<br \/>\n&#8211; Se tivesse de jogar, de novo, aquela final do Maracan\u00e3, n\u00e3o se assombre com o que eu vou lhe dizer: eu faria um gol contra. Um gol contra, sim senhor!&#8230;<br \/>\n(Nogueira, Armando &#8211; A triste noite de um campe\u00e3o)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8230;&#8230; Na noite de 16 de julho de 50, o velho capit\u00e3o n\u00e3o quis comemorar com o resto do time. Convidou o massagista da Celeste Ol\u00edmpica a sair com ele. Os dois deixaram o hotel sem destino certo. O Rio era um vasto cemit\u00e9rio. Nem alma do outro mundo se via pelas ruas da cidade. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[142,68],"tags":[],"class_list":["post-5888","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-gilberto-maluf","category-blog-historia-do-futebol"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5888","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5888"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5888\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5888"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5888"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5888"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}